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O professor Nestor Goulart Reis Filho escreveu alguns ensaios sobre arquitetura no Brasil no século 19 e reuniu o material no livro Quadros da Arquitetura no Brasil, da série Debates, editora Perspectiva. A gente leu e resumiu. É isso. Ah, as belíssimas ilustrações são minhas. Mas libero o uso internacional das mesmas. Carlos Elson L. da Cunha

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  1. 1. QUADRO DA ARQUITETURA NO BRASILessencial<br />Nestor Goulart Reis Filho<br />Coleção Debates, Editora Perspectiva, 2ª edição, 1973<br />
  2. 2. Um museu é lugar onde se estimula a atividade criadora, e não apenas acumula criação passada.<br />
  3. 3. Nossos financistas descobrirão que a cultura é uma necessidade humana, e pode ser também um bom negócio.<br />
  4. 4. LOTE URBANO E ARQUITETURA NO BRASIL<br />
  5. 5. Modelo medieval renascentista<br />A Arquitetura urbana se prende ao lote.<br />Sempre há uma coerência na implantação<br />Seja na construção colonial, nos bairros cidade-jardim ou nas superquadras de Brasília.<br />Na construção colonial não há calçadas.<br />O Passeio Público só surge no Rio de Janeiro no final do século 18.<br />Telhados de 2 águas, sem calhas – a água da chuva era jogada para a rua e para o quintal.<br />
  6. 6.
  7. 7. Mão-de-obra Escrava <br />Baixo custo do trabalhador induz a pobreza na técnica construtiva.<br />À medida que se aproxima a abolição aumenta o apuro na técnica.<br />
  8. 8. Casa de terra batida<br />Casa pobre – um pavimento só <br />Casa nobre – dois pavimentos. O térreo servia como cocheira e área dos escravos. O superior atendia à família, ficando assim livre da sujeira da terra batida.<br />O comerciante usava o térreo como loja e residia na parte superior.<br />
  9. 9. Chácaras <br />Nobres usavam lotes que uniam a proximidade da cidade com as vantagens da vida rural. <br />Lotes maiores permitiam construções também maiores.<br />As cidades eram desoladas, sendo usadas apenas nos eventos e em festas.<br />A vida urbana era intermitente<br />Na chácara o mundo rural estava ao alcance da vista e da voz do homem urbano. <br />
  10. 10. Implantação – 1800-1850<br />A missão francesa e a fundação da Academia de Belas Artes contribuiu para melhora<br />Surgem casas com porão alto.<br />Surgem escadarias, colunas, frontões de pedra.<br />Implantação continua igual: a casa ocupa 100 por cento do lote. Entrada rente à rua.<br />Não há jardim<br />
  11. 11. Porão mais alto<br />Permite uma separação do nível da rua.<br />Piso da casa mais alto e forrado.<br />Área dos escravos e de serviço fica no porão.<br />À medida que aumenta o comercio internacional com o Brasil chegam inovações<br />Telhado de 4 águas, platibanda, calhas, vidros simples e coloridos. Abandona-se a gelosia e urupemas.<br />
  12. 12.
  13. 13. Levantamento e exemplos<br />Nigra Silva – Construtores e artistas do mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro<br />Cita as ilustrações de João Rocha Fragoso, que fez levantamento do centro do Rio de Janeiro em 1874.<br />Resquícios – em São Paulo, rua Santo Antônio e Santo Amaro. Museu Republicano de Itu, Ginásio de Jacareí, sobrado da família Marcondes em Pindamonhangaba <br />
  14. 14. Entrada principal recua<br />Surgem as primeiras calçadas e jardins fechados com grade para a elite (passeios públicos).<br />O porão mais alto criou um espaço entre a rua e a porta da sala, pois havia uma escada. <br />Surge um patamar, antes da sala. Às vezes esse patamar distribuia para dois salões, uma á esquerda e um à direita, além da sala da casa. <br />
  15. 15.
  16. 16. 1850-1900<br />Ferrovias e hidrovias levavam máquinas a muitas cidades, mesmo do interior.<br />Surgem serrarias. Melhora o corte das pranchas do assoalho, com bom encaixe, que podem ser enceradas.<br />Surgem lambrequins.<br />Trabalho assalariado envolve técnica mais apurada.<br />Sylvio Vasconcelos, A Família e a Arquitetura contemporânea<br />
  17. 17. O espaço externo entra na Arquitetura<br />A implatação nova causa um recuo de uma das laterais do lote, assim dando espaço a um jardim. Fachada continua rente à rua.<br />Casa com porão elevado, entrada pela lateral, entre a casa e o jardim.<br />Surge uma varanda longa: um corredor externo, donde se vê o jardim.<br />Planta: sala de visitas (rua) > sala de jantar > cozinha > quartos.<br />Casas menores: poço de luz e fim da alcova. <br />
  18. 18.
  19. 19. Após proclamação da República<br />Surge um estreito corredor, quando a casa se desloca do outro limite lateral do terreno.<br />Tal corredor leva a cozinha e aos serviços no fundo.<br />Na fachada este corredor estreito é dissimulado o máximo possível, dando a impressão que a sala, a quem vê da rua, é mais larga. <br />
  20. 20.
  21. 21. A fachada recua<br />Plantas em “U” ou “T”.<br />Wc’s com água corrente. Venezianas.<br />Pisos de madeira mais bem acabados, tapetes.<br />Surge conceito de obsolescência das casas, pela influência da indústria construtiva. <br />Adobo e taipa de pilão ainda persistem. Paredes largas. Mudança maior do século 19 se deu na implatanção no lote.<br />
  22. 22. Século 20<br />Abolição e república não foram suficientes para romper com o padrão construtivo colonial. <br />Período entre as 2 Grandes Guerras foi impulsionador.<br />Surge Belo Horizonte. Sistema viário mais largo, implantação dos lotes antiga. <br />Vila Penteado, em 1930 – São Paulo<br />Fau-Usp, rua Maranhão – exemplo da chácara urbana. Pé direito mairo, porão alto, fachada reuada, laterais soltas do lote. Arquiteto Carlos Ekmann.<br />
  23. 23. Mansões e cortiços<br />Áreas de serviço ao fundo. Horta, jardim, animais. <br />Rio de Janeiro – vários ortiços de um quarto só, voltado para a rua. <br />Bixiga em São Paulo: muitos cortiços, formando corredores de quartinhos. Às vezes com entrada por duas ruas. <br />Saint-Hilaire relata ver cortiço com escada.<br />
  24. 24. Anos 40<br />Prédios: Implantação rente à rua mostra forma colonial. Inovações apenas nos detalhes e ornamentos.<br />Custo do salário leva a investimento na mecanização.<br />Surgem bairros de periferia, bairros cidade-jardim, arranha-céus. Prédios começam a se asfastar da calçada.<br />Casas simples repetem desenho das nobres. <br />Jardim na frente, edícula no fundo e lateral para o carro.<br />Carlos Borges Schmidt: 1940 – persiste a taipa de pilão<br />
  25. 25. Modernos, mas nem tanto<br />Fachadas modernas escondem elementos antigos: implantação e grande largura nas paredes, pois as paredes eram estruturais.<br />Casa de Flávio de Carvalho, entre a rua Agusta e Lorena, tinha uma escada externa levando para o mirante (não para o wc, como diziam os desinformados).<br />Inovações com Victor Dugubras, consegue propor soluções que prencunciam a vinda do concreto.<br />Bairros pobres ao longo das ferrovias.<br />
  26. 26. Cia City<br />Constrói os Jardins, em São Paulo.<br />Imita tendência inglesa, mas cria um bairro sem áreas de convivência. <br />Deslocamento total dos limites do lote, mas com paralelismo rígido.<br />Garagens ocupam lugar das cocheiras. Sala de almoço e sala de jantar disfarçavam a segregação colonial.<br />Ao fundo criação de animais, pomar e cachorros. Tudo excluído da vista do visitante e da rua. Vergonha do mundo rural.<br />Árvores frutíferas visíveis, só por exigência do dono.<br />
  27. 27. Anões de jardim<br />Fachada tenta ser o mais imponente na calçada. <br />Visita jamais poderia ver o tanque de lavar ou dependências da empregada. <br />Bancos no jardim, quiosques e anões de louça.<br />Terminam os jardins laterais, quando há é pequeno e interrompido pela edícula do fundo.<br />Lateral coberta para o carro, levando ao “hall”, que distribuía circulação horizontal e vertical.<br />Lateral oposta: corredor de serviço.<br />Tacos de madeira, impermeabilização, fim do porão.<br />Nivelamento aproxima a casa de seu jardim<br />
  28. 28. Edifícios residenciais <br />1930-1940 grande inovação: prédios residenciais<br />Aceito com relutância no começo, pois rompia com costumes coloniais.<br />Fachadas inovadoras, mais interior buscava repetir a casa. Alpendres tentavam reproduzir ambientes de origem.<br />Sala de almoço junto à cozinha. Sala de jantar e estar próxima à sala. Segregação continua.<br />Venezianas, estuque no forro, janelas guilhotinas, tudo para diminuir a claustrofobia e dar sensação de casa.<br />
  29. 29. Poços, ao invés de áreas. Legislação obrigava prédios no limite do terreno. Limite numa avenida nova em São Paulo: 40 m de altura para edifícios residenciais.<br />Buscavam-se soluções do século 19, de Hausmann: quarteirões compactados, superpovoados. Revestimentos de pedra e telhados de ardósia repetem as casas.<br />Valorização da fachada, despretígio dos fundos.<br />Entrada como bela sala de visitas. Garagens ao fundo.<br />
  30. 30. Ousadia <br />Prédio entre Av. Angélica, S. João e rua Brig. Galvão. <br />Planta racional, wc para a frente, fachada simples.<br />O passante pode imaginar que se trata do fundo de um prédio que dá vista para outra rua. <br />Era uma exceção. Maioria repetia as casas.<br />Elevador e concreto armado não foram suficientes para que se avançasse na planta.<br />
  31. 31. Edifícios de escritório<br />Após I Guerra Mundial forte verticalização: estrutura metálica, concreto armado e elevador.<br />Exterior e implantação copiam França do século 19.<br />Desmonte do Morro do Castelo (RJ) trouxe novidades. Pórtico dos prédios nas quadras faz galeria pública. Fundos: serviço e estacionamento.<br />
  32. 32. Indústria<br />Galpões com forma residencial, em tijolos, rente à rua.<br />A arquitetura ocupava-se dos detalhes.<br />Platibanda alta, escondendo o telhado.<br />Tinham “frente” e “fundo”, como casas.<br />Victor Dubugras inovou nas propostas para industrias. Soluções mecanicistas: janelas melhores com mais iluminação.<br />Rino Levi faz uma Fábrica Jardim com tendência arquitetônica inovadora.<br />
  33. 33. 1940-1960<br />Vertiginoso aumento técnico e econômico, com profundas transformações sociais.<br />Movimento contemporâneo de arquitetura.<br />Ministério da Educação no Rio inicia este movimento.<br />Arquitetos reveêm a implantação. Procuram tirar melhor proveito do terreno. Estruturas de concreto permitem essa liberdade, paredes seriam apenas para vedação.<br />Princípios da planta livre permitem buscar a funcionalidade.<br />Edículas integradas às construções principais. Áreas de serviço usam pequeno espaço ou um corredor lateral. Some o quintal e seu aspecto rural. Maior valorização do espaço social.<br />
  34. 34. Modernismo residencial<br />Some conceito de frente e fundo. Os 3 lados seriam valorizados com jardins, podendo ser usado com valor. Áreas de serviço podem até aparecer na frente, com pátio murados.<br />Áreas íntimas são deslocadas para melhor insolação. Paisagismo valorizado, apreço pelas árvores nacionais e pelo capim barba-de-bode.<br />Reconciliação da habitação com a paisagem.<br />Toda a decoração e detalhes interiores sofrem influência do modernismo e são redesenhados.<br />
  35. 35. Modernismo afeta a planta<br />Enfraquece o fachadismo e se valoriza a vida familiar como unidade.<br />Todos os cômodos internos são valorizados, compondo um grande ambiente, não apenas as salas. <br />Eletrodomésticos influenciam no projeto dos setores de serviço na casa.<br />Ao invés de repartir a planta em “salas” e muitos cômodos, buscou-se integrar. Até a cozinha, outrora despretigiada, aparecia ligada à sala.<br />Diminuem-se as portas, trancas, chaves e trincos.<br />
  36. 36. Valorização do jardim interno<br />Segregação não desapareceu totalmente, mas não é diretriz. <br />Ao invés de se exibir o jardim para a rua, surge o jardim interno, comunicando-se com a área íntima.<br />Rino Levi valorizou tanto o jadim interior que o jardim externo é aberto. Casas como caixa de concreto, voltadas para o pátio interno.<br />Vilanova Artigas: dois blocos com jardim no meio, ligado por rampas. Lefrève e S. Ferro: jardim interno rodeado pela casa, coberto com elemento plástico para controle ambiental.<br />
  37. 37. Prédios residenciais inovadores<br />Conjunto de edifícios revolucionários: Parque Guinle – Lucio Costa.<br />Louveira, de Vilanova Artigas: aproveita a implantação na praça.<br />Pela primeira vez um edifício não tem quintal.<br />Affonso Eduardo: conjunto residencial Pedregulho. Enfrentou várias questões ignoradas antes: escola, ambulatório, mercado e praça de esportes comuns para funcionários do antigo Distrito Federal.<br />
  38. 38. Brasília <br />Sério enfrentamento da questão do lote urbano e a arquitetura.<br />Todas as propostas do concurso aplicavam a carta de Atenas.<br />Pioneiros no trato da questão urbana junto com a arquitetônica.<br />Edifícos exploravam a garantia de lus, ar e sol. Sistemas viários racionalizados, proteção ao pedestre e maior velocidade no transporte.<br />
  39. 39. Lúcio Costa<br />Uma implantação para cada tipo de atividade.<br />Superquadras: todas tocam algum ponto do sistema viário, ligam-se ao sistema de pedestres que levam ao parque, aos demais blocos de comércio, sem cruzamento com outros sistemas.<br />Garantido arejamento, insolação, com térreo livre. Não há quintal nem hierarquia nos prédios.<br />4 quadras compõem uma unidade de vizinhança com serviços maiores: supermercado, creche e cinema.<br />Fim da separação entre lote urbano e construção.<br />Não há “cota ideal” mas venda do espaço, projeções do edifício e do direito de construção.<br />
  40. 40. Casas populares em Brasília<br />Em linhas contínuas, mas com acesso a pedestres, faixas ajardinadas e ruas de serviço. <br />Setor comercial: acesso pela via dos pedestres. Fundos ficaram abandonados ao contrário do que se previa.<br />Conseguiu-se uma forma realmente nova e objetiva de implantação. Fim do “quintal”.<br />Conceito de dois acessos: pedestres e serviço foi usado em vários setores: bancário, hoteleiro etc.<br />Av. W3 – comércio no térreo, dois pavimentos superiores para escritório.<br />Faltou a valorização do paisagismo na cidade, o que não apenas uma questão estética, mas elementar. <br />
  41. 41. Uma nova perspectiva<br />O urbanismo racionalista pode liberar as estruturas urbanas dos velhos modelos, que impedem a adaptação às exigências da sociedade industrial.<br />Brasília aplicou soluções mais integradoras do que analíticas.<br />Novas soluções: praça Roosevelt e Anhangabaú, a ser implementado.<br />
  42. 42. A ARQUITETURA BRASILEIRA NO SÉCULO 19<br />
  43. 43. O neo-clássico da Academia Imperial<br />Construções do começo do século 19 repetiam padrões antigos.<br />Bairros novos no Rio e Rua da Praia, em Porto Alegre, feita por portugueses, tinham divisões internas setecentistas e sua construção dependia do trabalho escravo. <br />Casas ainda não tinham água e esgoto.<br />L. L. Vautier, sobre o Recife, em 1840: “no térreo a loja ou depósito, dando para a rua; ao lado corredor e escada, levando a residência no sobrado com salões na frente, alcovas na parte central e sala de viver aos fundos.”<br />Apenas algumas construções oficiais ou residências mais ricas saíam deste padrão.<br />
  44. 44. Missão Francesa<br />D. João VI recebeu em 1816 Lebreton, o chefe da missão cultural francesa, o arquiteto Grandjean de Montigny com mais dois assistentes e diversos artífices para estabelecer no Brasil a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios. <br />Visava o progresso na agricultura, mineralogia, indústria e comércio. Em 1826 inaugura-se a Imperial Academia de Belas-Artes.<br />Neoclássicos na arquitetura em dois níveis: nas grandes cidades costeiras, maior contato com o exterior tinham mais refinamento, complexidade e arte na arquitetura.<br />
  45. 45. Grandjean e discípulos<br />Alfândega, o primeiro prédio da Academia de Belas-Artes, Palácio do Itamarati, Ministério das Relações Exteriores (era uma residência), o Palácio Imperial de Petrópolis e residências para a corte.<br />Clareza construtiva. Simplicidade da forma.<br />Exploravam poucos elementos, como cornijas e platibandas, como recursos formais. Pilastras com platibandas representando as estações do ano, as virtudes, os continentes etc. janelas em arcos com vidros coloridos nas bandeiras. <br />Entradas salientes: escadarias, colunatas e frontões de pedra, segundo normas vitruvianas.<br />
  46. 46. Mansões <br />Novo modelo de organização dos espaços interiores. Grande valorização decorativa, maior vida social entre as famílias.<br />Paredes revestidas de papel importado para disfarças imperfeições.<br />Salas de recepção com pinturas originais no forro, paredes e folhas de portas. Tapeçarias e complexo mobiliário trazendo conforto desconhecido até então.<br />Surgiram, em algumas regiões, escolas de mobiliário com soluções regionais. Abre-se aos estranhos saletas de música, capelas, corredores e salas de jantar. <br />Nas melhores casas o serviço era feito por serviçais europeus, ocultando-se os escravos.<br />
  47. 47. Adornos e detalhes<br />Tentavam reproduzir ambiente europeu numa economia fortemente agrícola e escravocrata e onde todo o mobiliário era importado.<br />Com a missão houve um apuro na técnica de construir.<br />Arquitetos da Academia no Rio ou Vauthier, no Recife, usavam grupos de oficiais estrangeiros para levantar paredes de pedras.<br />Começa a ser usada pela família o pavimento térreo, antes destinado aos escravos e depósito.<br />Novos pisos de madeira, altos em 1 ou 2 metros do terreno.<br />
  48. 48. Jardim europeu<br />O asilo de São Cornélio: residência em piso único. Porão alto. <br />Grande cuidado no acabamento das fachadas. O fundo era simples.<br />Surgem os jardins residenciais, tentando reproduzir a vegetação dos climas temperados. Cuidados normalmente por jardineiros franceses, tinham apenas árvores e flores européias, exceto as palmeiras, sempre postas em filas repetindo o Jardim Botânico.<br />
  49. 49. Casas simples<br />Província fazia cópias simples das casas das grandes cidades do litoral.<br />Do poder central emanava uma arquitetura oficial.<br />Aproveitando a força escrava, produziam casas rudimentares. Taipa de pilão, adobe ou pau-a-pique não permitia uso de colunatas, escadarias e frontões. Restava imitar a platibanda com louças ou vasos, e portas e janelas arredondados e arco de centro abatido, barrôco. <br />Vêrgas retilíneas arrematada por uma cimalha saliente ou um pequeno frontão. Arco pleno, amiúde na porta principal de entrada.<br />Portas com bandeiras de ferro, trabalhado e com o ano escrito, para ventilar. Muito usado em armazéns. <br />Ginásio de Jacareí; casa do Comendador Aguiar Valim em Bananal. <br />
  50. 50. Casas nobres na província<br />Nos sobrados o térreo nunca era usado pela família. Planta do nível superior repetia o das casas térreas.<br />Sala > alcovas > sala de refeições > varanda > cozinha > cômodos de serviço: tudo ligado por um corredor lateral; nas mais ricas, um corredor central com desenho simétrico das dependências.<br />Casas com porão diferenciavam-se do comércio.<br />Escada com 5 ou 6 degraus. Patamar > porta alta acessando salões laterais. Outro patamar, este protegido por uma porta mais leve, que ficava sempre trancada. A primeira porta costuma ficar aberta, como sinal de hospitalidade.<br />Na sala 12 ou 24 cadeiras. As da ponta sem braços, as do centro mais altas para pessoas mais importantes. Paredes com 5 metros de altura. Tais casas eram pouco usadas: só em eventos e dias especiais.<br />
  51. 51. Luxo nas fazendas<br />Fazendas de café até final do século 19 eram quase aldeia. Algumas chegaram a ter linhas particulares de bondes. <br />Festas, jantares e música fazia a casa da fazenda ter mais movimento que a da cidade.<br />Professores de piano, europeus contratados, moravam em algumas fazendas para fazer o fundo musical dos eventos e instruir.<br />Arquitetura avançava pouco. Pintava-se para imitar colunas, arquitraves, frisos e colunatas na fachada. Pintavam-se nas paredes janelas com vista par o Rio ou Europa.<br />
  52. 52. Havia um horror à paisagem tropical, visto na ausência de alpendres e janelas com cenas pintadas.<br />Jardins eram protegidos por muros e continham plantas européias.<br />
  53. 53. Interpretação do neoclássico<br />Independência não afetou a Arquitetura.<br />A Academia influenciou com o neoclássico, e depois com o ecletismo. Nos grandes centros até os operários eram importados, para fazer as melhores obras.<br />Proprietários se consideravam representantes da civilização européia no interior. Aceitavam a corte do Rio como irradiadora dessa cultura.<br />O classicismo napoleônico era repetido, nem que fosse apenas na aparência. Rejeitava-se as condiçõe locais da sociedade brasileira.<br />Aburguesamento da arquitetura, especialmente rural.<br />A ferrovia acelerou o processo. Proprietários mudaram-se para capitais e depois para o Rio, alguns para a Europa.<br />
  54. 54. Modo capitalista fez o proprietário gerir à distância sua fazenda por meio de prepostos, como se fosse um investimento.<br />Passavam a viver de rendas.<br />A arquitetura era artificial e negava a paisagem local. O corredor era altamente discriminatório e influência da cidade.<br />Neoclássico não causou avanço na arquitetura, afetou apenas o plano formal.<br />
  55. 55. As condições da Arquitetura na segunda metade do século<br />Chegada da família real inicia mudança que ganha muita força na abolição. Café traz o centro produtivo para o sul, deslocando o nordeste. Surge um grau de concentração de riquezas inédito.<br />Tal concentração move as ferrovias e inicia um mercado interno. Cidades do interior, como Jundiaí, São Paulo e Campinas receberam máquinas e a cultura européia como nunca antes. Equipamentos pesados chegavam por um vigésimo do preço anterior, quando lombos de burro tinham de transportar – se o fizessem.<br />Surgem o Barão de Mauá e Teófilo Ottoni.<br />Primeiras indústrias: tecido e alimento. Surge a classe trabalhadora urbana.<br />
  56. 56. Tráfico suspenso em 1850. Chegam imigrantes europeus que ajudam a aprimorar a construção.<br />Cresce ideal libertário de instrução. A Escola de Educandos e Artífices, mais tarde, Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, 1873, é uma “Sociedade Propagadora da Instrução Popular”. Teve nomes como Ramos de Azevedo, Domiciniano Rossi, Pujol, Dias de Castro, Ricardo Severo e Arnaldo Villares, que sucederam Ramos de Azevedo em sua empresa de engenharia e arquitetura.<br />Iniciou com mestres europeus e gradualmente formou novos mestres locais. Foi a grande oficina onde se produzia peças de maior responsabilidade.<br />João da Cruz Costa – História da Ideias no Brasil.<br />
  57. 57. Proprietários vem para as capitais<br />Nova classe de técnicos, advogados, médicos era positivista e de ideais republicanos.<br />O século 19 viu grande crescimento no número de prédios, que prosseguiu no século 20. Aumenta abastecimento de água, iluminação, esgoto e surgem primeiras linhas de transporte coletivo.<br />Aparecem ruas com arborização, iluminação e passeio para pedestres. Proprietários rurais usam ferrovia e navegação para transferirem sua residência para os grandes centros.<br />Construíam chácaras, como a casa do Conselheiro Antonio Prado, nos Campos Elíseos, sua casa em Higienópolis (iate club) e a chácara do Paraíso, atual hospital Osvaldo Cruz.<br />Bairros novos substituindo as chácaras: Vila Buarque, Campos Elíseos e Santa Cecília, em São Paulo. No rio: Flamengo, Botafogo e Laranjeiras; em Porto Alegre: Independência; em Salvador: Victória e Campo Grande e no Recife os bairros do continente. Tais bairros tinham grandes lotes e aparência heterogênea. <br />
  58. 58. No final do Império a classe pobre buscando trabalho já era um terço da população das capitais. Surgem bairros proletários.<br />Decadência das lavouras tradicionais e abolição provoca êxodo rural, criando problemas de habitação. Não havendo trabalho para todos, surgem as favelas nos morros e alagados, cortiços afetando o panorama urbano.<br />Chegavam muitos imigrantes e eles atuavam na construção e no aspecto da arquitetura urbana.<br />Aumenta o contraste entre a miséria e as mansões refinadas, que Eça de Queiroz ilustra em As Cidades e as Serras.<br />
  59. 59. Edifícios importados chegavam desmontados aqui. Estação ferroviária de Bananal e a loja Torre Eiffel, no Rio. Maioria dos importados era de madeira – pinho de Riga. <br />Pequenas residências, tipo chalé suiço. A estação de Paranapiacaba. Peças numeradas, plantas em pés e polegadas, escritas em inglês. <br />Estações de trem traziam avanço construtivo para o interior.<br />Chalés modificaram o sentido do telhado de duas águas, e com isso pressupõe um afastamento do vizinho. Inclinação forte, desenho rígido, retilíneo.<br />Maquinário disponível permitia rebuscamento no acabamento das residências, até como exibição. Alpendres tinham guirlandas ou lambrequins recortados. Surge um frontão na fachada ocultando as calhas.<br />Evita-se a madeira por preconceito local. Paredes estruturais com tijolos aparentes. Tal uso no chalé era uma criação nacional. <br />
  60. 60. Revestimentos <br />O chalé traz uma referência romântica às casas montanhesas européias e foi adaptado com materiais locais. <br />Os técnicos se orgulhavam de imitar com precisão qualquer estilo passado. Os arquitetos podiam apresentar desenhos mais diversos e seriam atendidos. <br />Paredes mais precisas permitiam a fabricação de portas e janelas padronizadas. Azulejos podiam revestir externamente a parede, ou massa. Começam azulejos no banheiro, tábuas do piso com encaixe macho e fêmea mais preciso, piso hidráulico nos wc e mosaico nas áreas externas: saguão e jardim de inverno.<br />
  61. 61. Telhados <br />Lâminas de ardósia, vindas de Marselha.<br />Forte inclinação, originada nos países nevados, o telhado indica alto grau de “civilização”. No topo, cobertura metálica, assim como nas cúpulas e torrôes.<br />Folhas de flandres ou cobre vinham da Europa a custo acessível para fazer calhas e rufos. Beirais de gesso ou madeira, com falsas mãos francesas, ornamentais.Nas fachadas desaparecem os balcões. Parapeito de metal podia ser posto entre as ombreiras da sala. <br />Bandeira são trocadas por espaletas. Ornamentação superior vai desaparecendo o inferior trocado por jardineiras. Porta de vidros ainda eram externas. Surgem venezianas nos dormitórios. As vezes na parte alta, uma peça de vidro aberta, mas a maioria das venezianas cobria toda a porta. <br />Janelas de ferro, tipo vitrais nos apendres e jardins de inverno. <br />
  62. 62. Portas de 2 folhas com 3 almofadas. Nas externas as almofadas do centro são trocadas por vidro protegidos por grade de ferro.<br />Redes de água diminui dependência da mão de obra escrava. Surgem peças para o wc: banheiras, bacias, pias e descarga. <br />Iluminação a gás valoriza as luminárias. Tubulações de diversos tipos aumentaram a importância do arquiteto planejar a obra.<br />Muitas peças de ferro, vindas da europa, presentes na obra e no adorno.<br />O ferro era considerado sem nobreza, não devendo ser exposto. Quando acontecia, nas colunas de varandas, unia-se aos gradis compondo visualmente.<br />
  63. 63. Ferro importado <br />Conjunto metálico mais importante nas casas. Haviam de todos os tipos: abertos, fechados, com vidro, com telhado separado, abrigado no telhado da casa, salientes, justapostos, com plantas, descobertos etc. <br />Eram prolongamento das salas de viver e de jantar. Ponto de convivência e permanência de todos. Quase sempre com escadas.<br />De igual importância eram os portões e grades de rua. Ali se mostrava a importância do morador. Alguns eram monumentais. Os mais simples podiam ser comprado pelo catálogo, assim como balaustres e guarda corpo.<br />O ferro também aparecia no jardim. Compunha estufas, onde brasileiras cultivavam plantas européias. As mesmas estufas que serviam às européias, que cultivavam plantas tropicais em seus jardins. <br />Invasão dos ferros importados parece ter atingido o Rio mais fortemente que outras capitais.<br />
  64. 64.
  65. 65. As residências no século 19<br />Modelo mais comum: entrada lateral com jardim. Entrada por uma escada de 2m altura, protegida por uma armação de ferro, coberta de vidro, que levava ao terraço. <br />Exemplo há ainda na rua Maria Antonia, Jaceguai, Glória ou Liberdade (SP). Visitas usavam esta sala com vista para o jardim, mas a entrada mais usada era a da sala de jantar, que se deslocou para a frente. O corredor levava aos quartos, cozinha e wc. Ventilação e luz vinha de um estreito corredor (1m) na lateral da casa, suficiente para abrir as folhas das janelas e permitir o beiral do telhado.<br />Terrenos estreitos e longos. Mal cabiam duas salas na frente. Nos mais largos, surgia o jardim. Onde predominava o classicismo, plantas e figuras de mármore. Nas casas feitas sob o ecletismo, fontes, grutas de cimento com estalactites, lagos com pontes de cimento imitando madeira. Nas chácaras, junto ao muro, um mirante. <br />Alpendre fazia, amiúde, papel de corredor, dando acesso ao cômodos. Assim a casa se voltava para o jardim, não para a rua.<br />
  66. 66. Ecletismo <br />Telhado de 4 águas permite melhor acabamento nos beirais que olham o jardim.<br />Final do século 19 surgem primeiras casas com jardim frontal, usando recuo de 3 metros. Isolar a casa dos limites do lote, salvo raras exceções, só acontece no começo do século 20.<br />Chácaras de luxo: as plantas se organizavam em torno do saguão. Este saguão dava acesso horizontal e vertical, possuía pé direito duplo e era monumental. No alto da escada surgiam balcões em balanços, que forneciam luz diurna. Haviam também janelas tipo vitrais com altura dupla iluminando o saguão. <br />Térreo havia a sala de música, bibliloteca, sala de visita e “escritórios”, mais usados para encontro de homens e para fumar.<br />
  67. 67. Ecletismo <br />Jardins de inverno com “bow-windows”. Salas e quartos às vezes se projetavam um pouco da parede, criando um conjunto de janelas estreitas e altas que imitavam pequena varanda. Influencia artnouveau.<br />Mirantes nos jardins: simples, ou ricamente elaborados. Especialmente nas casas mais altas. <br />Quando se afastam da rua, as casas eliminam o porão. Móveis europeus, fabricados em série, substituem os locais. Farta decoração com peças mais variadas compunham o interior.<br />Exemplo de ecletismo: palácio do Catete.<br />
  68. 68. Crítica do ecletismo<br />A evolução da arquitetura do período passa de um trabalho artesanal, feita na obra, para uma construção feita por técnicos formados por uma escola industrial.<br />Surgem grandes empresas centralizando o instrumental e as escolas de engenharia.<br />Liberalidade nos estilos. O ecletismo é um princípio filosófico e político de coexistência entre correntes diversas. Universidade de Paris, em 1830, assume oficialmente o ecletismo. <br />O movimento neo-gótico é condenado pela academia francesa, em 1846. ele derivou do movimento romântico saxônico chamado “Pitoresco”, que unia elementos chineses, persas, hindus e japoneses. Para o Brasil, importador de produtos e conceitos, o ecletismo era a forma mais fácil de lidar com as discussões estilísticas. <br />
  69. 69. Crítica do ecletismo<br />Neo-gótico repercutiu pouco aqui, mas pode-se encontrar elemento pitorescos nos jardins, mas enquanto o pitoresco saxão aceitava a natureza e a paisagem, no Brasil tentava-se reproduzir a paisagem européia, de modo que ficamos apenas no ecletismo e não no pitoresco autêntico.<br />O ecletismo conciliou na arquitetura o tradicionalismo e progresso técnico. Buscava a perfeição da cópia. <br />É preciso entender o neo-classicismo e o ecletismo para compreender o avanço da arquitetura brasileira no século 20. <br />
  70. 70. SOBRE O PATRIMÔNIO CULTURAL<br />
  71. 71. Necessário preservar algumas obras para se compreender a evolução do pensamento arquitetônico nacional.<br />O custo público do tombamento restringe sua ação. Obras do ciclo do café e da industrialização são pouco valorizadas, em comparação com as do período colonial.<br /> O patrimônio cultural é de valor para as atividades criadoras, ao permitir compreender as origens rurais do brasileiro. <br />Um museu é lugar onde se estimula a atividade criadora, e não apenas acumula criação passada.<br />
  72. 72. São Paulo sofre a falta de festas populares como meio de estímulo à atividades culturais. Até 1940 a cidade tinha animado carnaval de rua, alegres festas juninas e as itermináveis e tradicionais serenatas, infelizmente proibidas. O turismo é uma consequência e não causa das atividades culturais recreativas. <br />Paris e Buenos Aires não tem beleza natural. Seus atrativos são resultado da ação de sua população. <br />São Paulo somente poderá ser um centro turístico se puder dispor de serviços culturais de metrópole, para uso de sua população.<br />São Vicente tem vestígios mais antigos de formas de agricultura do Brasil, como o engenho do Governador, montado por Martim Afonso de Souza em 1532.<br />
  73. 73. Há um anel de programa cultural na Grande São Paulo: as residências de Sant’ana, Casa Verde, Jaraguá, Caxingui, Butantã, Cotia, S. Roque, Brigadeiro Tobias, Itu, Sorocaba, aldeia de Voturama, São Miguel Paulista, residência jesuítica no Embu e a da Escada, em Guararema. <br />Engenhos e arquitetura rural bela se acham em: Itu, Campinas, Bragança Paulista, Sorocaba, Engenho d’Água, em Ilhabela, Engenho Santana e Casa da Esperança em S. Sebastião, sobrado do porto em Ubatuba.<br />Riqueza do café acabou trouxe suntuosa arquitetura e decoração no Vale do Paraíba, Resgate, Rio Alto, Bananal, Fortaleza em S. Luiz, Campinas, Itu, Amparo, Limeira e Ribeirão Preto e São Luis do Paraitinga.<br />Centros culturais e ações também devem existir nas cidades pequenas. <br />
  74. 74. QUADRO DA ARQUITETURA NO BRASILessencial<br />Resumo livre do texto do professor<br />Nestor Goulart Reis Filho<br />
  75. 75. QUADRO DA ARQUITETURA NO BRASILessencial<br />Resumo e ilustrações de <br />Carlos Elson L. da Cunha, <br />à partir de edição da <br />Coleção Debates <br />Editora Perspectiva<br />2ª edição, 1973<br />

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