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Leandro nascimento

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Em parceria com a Professora Helena Abascal, publicamos os relatórios das pesquisas realizados por alunos da fau-Mackenzie, bolsistas PIBIC e PIVIC. O Projeto ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA difunde trabalhos e os modos de produção científica no Mackenzie, visando fortalecer a cultura da pesquisa acadêmica. Assim é justo parabenizar os professores e colegas envolvidos e permitir que mais alunos vejam o que já se produziu e as muitas portas que ainda estão adiante no mundo da ciência, para os alunos da Arquitetura - mostrando que ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA.

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  1. 1. Universidade Presbiteriana MackenzieESTÉTICA E EDUCAÇÃO EM SCHILLERLeandro Nascimento Pereira (IC) e Graciela Deri de Codina (Orientadora)Apoio: PIBIC CNPqResumoEste artigo focaliza-se na radicalização do esclarecimento (Aufklärung), apresentada por Schiller, apartir de uma visão integral da natureza humana. A arte, entendida como um impulso lúdico queharmoniza os impulsos sensível e formal, é pensada como um estado estético que converge para aautonomia dos indivíduos, pois somente pela educação estética é possível uma autenticaemancipação do Sujeito.Palavras-chave: Educação, estética, esclarecimentoAbstractThis article focuses on the radicalization of Enlightenmen (Aufklärung), by Schiller, from an integralvision of human nature. The art, understood as a playful impulse to approximate impulses sensitiveand is thought of as a formal aesthetic state converging to the autonomy of individuals, for only byaesthetic education can be a genuine emancipation of the subject.Key-words: Education, aesthetics, enlightenmen 1
  2. 2. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011IntroduçãoO objetivo deste artigo é discorrer sobre a produção filosófica do poeta Friedrich ChristophSchiller em suas duas obras fundamentais, Kallias ou Sobre a Beleza e Cartas Sobre aEducação Estética da Humanidade. Apresentaremos a proposta encontrada nestes textos,principalmente as cartas destinadas ao Príncipe Augustenburg, em que a arte desempenhaum preciso papel social e revolucionário da formação dos indivíduos de acordo com asexigências da Aufklärung.Com o intuito de melhor compreender a perspectiva filosófica apresentada por Schiller, naprimeira parte deste artigo apresentaremos a filosofia crítica de Kant, baseada, assim comoa leitura de Schiller, na terceira obra de sustentação deste autor. A Crítica da Faculdade doJuízo, escrita por Kant em 1791, apresenta duas perspectivas do juízo reflexivo: o juízopautado na analítica do Belo e o juízo teleológico, pautada na historia da natureza. Emnosso trabalho nos limitaremos a discutir a primeira perspectiva apresentada por Kant e, deacordo com o sentido da Aufklärung, relacionaremos as obras: Crítica da Razão Pura eCrítica da Razão Prática, em uma unidade formal proporcionada pelo juízo estético.De acordo com a filosofia de Schiller, a obra Crítica da Faculdade do Juízo representa umdivisor de águas para a discussão estética, assim como para a compreensão do homem,porém, unificado apenas em um sentido formal, Schiller contesta Kant ao manter, de certamaneira, a estética em um sentido menor em relação às demais áreas do homem. Por isso,na segundo parte deste artigo, apresentaremos a discussão levada a efeito no texto Kalliasou Sobre a Beleza, em que Schiller “com e contra” Kant reformula a estética, concedendo àbeleza um fundamento objetivo, no qual, aproximando da razão prática, a beleza éapresentada como liberdade no fenômeno.Por fim, na última parte, o texto Cartas Sobre a Educação Estética da Humanidade seránossa referência. Nesta parte, onde concluímos o desenvolvimento filosófico de Schiller,apresentaremos sua proposta de formação estética do homem. Contudo, focando-nos,sobretudo, no caminho sugerido por Schiller, centralizaremo-nos no sentido da radicalizaçãoda Aufklärung, que se faz como uma exigência imprescindível para a modernidade.Pensada como uma unidade efetiva, em que as disposições do homem se harmonizam apartir de um jogo, o caminho do esclarecimento apresentado por Schiller refere-se comouma atividade estética em que, muito mais do que uma expressão poética vazia, Poesia eFilosofia, em um movimento de reciprocidade formam um método que possibilita a leituraintegral da situação humana. Justamente este o caminho que nosso artigo pretende trilhar. 2
  3. 3. Universidade Presbiteriana MackenzieReferencial TeóricoFundamentos kantianos da Filosofia de SchillerA terceira crítica que investiga os limites da faculdade do juízo é concebida por Kant comoum termo médio entre os distintos domínios do homem. Elucidativo é o titulo à terceira parteda segunda introdução à Crítica da Faculdade do Juízo, Da crítica da faculdade do juízo,como meio de ligação de duas partes da Filosofia num todo, a crítica do juízo revela umesforço de Kant em estruturar um sólido fundamento que não se limite a uma visãounilateral, mas tal como a idéia de Weltweise (mundo + sábio = Filósofo), compreender osmundos, ou seja, as regras implícitas a cada faculdade do homem. A Crítica da Faculdadedo Juízo, neste panorama crítico, conclui o projeto da ciência das possibilidades, comoobserva Kant no prefácio da obra: “Com isso termino, portanto, minha inteira tarefa crítica.Passarei sem demora à doutrinal” (KANT, 2000, p. 14).Embora a faculdade do juízo seja considerada como um termo médio, sua fundamentaçãonão representa mais um domínio, tal como a crítica da razão teórica e prática, pois nãorealiza uma operação por conceitos da natureza ou da liberdade. Na Crítica da Faculdadedo Juízo, Kant apresenta dois modos da faculdade do juízo, embora, a rigor, a terceiracrítica detém-se sobre apenas um. A faculdade do juízo em geral é a faculdade de pensar o particular contido no universal. No caso de este (a regra, o principio, a lei) ser dado, a faculdade do juízo, que nele subsume o particular é determinante (…). Porém, se só o particular for dado, para o qual ela deve encontrar o universal, então a faculdade do juízo é simplesmente reflexiva (KANT, 2000, p. 23)A faculdade de juízo determinante somente subsume, ela parte da lei universal para oparticular. Seu modo de operação é mediante conceitos, seja segundo as leistranscendentais dadas pelo entendimento na determinação da natureza sensível ou, porconceito de liberdade que, segundo a legislação da razão, opera mediante a determinaçãoda vontade.A terceira crítica sobre o limiar da passagem de um domínio ao outro, auxilia-nos acompreender o porquê a ela refere-se em sua maior parte sobre o juízo reflexivo. Somente ojuízo reflexivo que procede do particular ao universal permite às faculdades do espírito apossibilidade de uma unidade. Isto porque, possuindo sua legislação em si, sem quenecessite de um princípio exterior, ele opera segundo o principio da conformidade a finsmeramente formal, isto é, “uma conformidade a fins sem fim”. O juízo reflexivo opera em umacordo livre e indeterminado entre as faculdades. Neste sentido Kant concebe uma unidadeformal ao seu projeto. 3
  4. 4. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011O juízo reflexivo é uma capacidade do sujeito que ao ser afetado pelo objeto, a imaginaçãoreflete a forma, de modo que tal operação refere-se ao entendimento, porém, não a umconceito determinado, mas ao próprio entendimento em um sentido indeterminado. Assim aimaginação atua de modo produtivo ao exercer sua liberdade de refletir sobre a forma doobjeto. Essa relação decorre de uma atividade recíproca entre a faculdade da imaginaçãoem sua liberdade e a faculdade do entendimento em sua pura forma. Essa forma de juízo écorrelata ao juízo de gosto, pois em seu sentido subjetivo, o sujeito é reconciliado ao ajuizarum objeto da natureza por seu sentimento de prazer ou desprazer, pois ao refletir a suaforma indeterminada, a imaginação, em um jogo com o entendimento, desperta umsentimento de prazer no sujeito, esta relação, contudo, opera a partir de um acordocontingente entre as faculdades.Neste sentido, Kant, ao discorrer sobre a representação do juízo de gosto, atribuindo-lhe umsentido subjetivo e desinteressado de síntese da relação entre as nossas faculdades, semque se relacione sob uma relação de conceitos, mas apenas por um principio deconformidade a fins formal, vai refutar os princípios da filosofia de Baumgarten, que atribuiuà faculdade do gosto, que lida com o sentimento, como a beleza, uma espécie deconhecimento confuso e inferior. Para Kant, tal característica é incoerente, visto que abeleza não é uma relação mediante conceitos, mas um sentimento e, como tal, surge apartir de uma relação subjetiva de nossas faculdades. Embora o ajuizamento do belo sejasubjetivo e desinteressado, ele não é relativo de indivíduo para individuo, mas ainda queseja subjetivo ele é um sentimento de satisfação universal, pois o sentimento provocadopelo objeto, não reporta a uma característica individual, mas à capacidade de sentir epensar do sujeito, por isso, a satisfação do belo é uma satisfação universal sem a mediaçãode conceitos.Hegel em seu curso de estética atribui o mérito a Kant por ter elevado a discussão sobre abeleza de acordo com princípios racionais. A discussão até então ou repousava-se sobreprincípios empiristas ou princípios racionalistas que a consideravam como uma atividadeinferior. A perspectiva kantiana surge como uma terceira via, proposta como uma tentativaintermediária entre a posição empirista ou racionalistas. Sobre princípios transcendentais adiscussão estética surge como a tentativa de abarcar, em última instância, o homem.Desenvolvida na obra Crítica da Faculdade do Juízo, a sensibilidade, por assim dizer, passaa ser uma importante área da Filosofia geral que necessita ser estudada.Em igualdade com as demais, a sensibilidade, no espírito da filosofia crítica, se juntaextensivamente com as demais esferas do homem. Porém, o sistema permaneceacorrentado tal como o Cérbero. Posiciona-se arbitrariamente na divisão dos mundos,rosnando para os que das trevas almejam a luz. Os gomos de suas correntes, compostos 4
  5. 5. Universidade Presbiteriana Mackenziepela matéria mais dura, compõem gomo a gomo uma forte prisão que impede o ser de trêscabeças – incompreendido – de viver livre. Nem mesmo o poderoso Hércules, que com suaforça bruta o dominou e, como um cão amordaçado por uma focinheira, conduzindo-o sobreo comando de sua guia para aonde o destino lhe vier, efetivou a sua liberdade. Pobre cão…Sua terrível aparência o aprisiona! Só uma bela aparência permitirá lhe retirar da sua inertetarefa e, livremente, viver.A filosofia schilleriana sobre o auspicioso terreno kantiano revela-se como uma atividadeheróica de um cavaleiro que sobre mundos estranhos peleja bravamente na compreensãode sua tarefa. Em seus punhos, a pesada e rígida espada dá lugar a doce e bela lira, quecomo Orfeu, apazigua o raivoso cão e lhe toma o direito de livremente transitar sobre osmundos. Contudo, do cavaleiro que vos falamos, os seus próprios interesses não lheimportam, cabe antes os interesses de algo que lhe é superior. Por isso, apaziguar o ferozCérbero, não é tudo. Cabe antes a tarefa de com sua música atingir o incompreendido cão,que com suas rígidas correntes e a sua aterrorizante aparência, assustam. Porém, seuespírito ladra por uma efetiva liberdade. Ora, qual a estratégia deste bravo cavaleiro? Pararespondermos a tal indagação, na próxima parte desse artigo trataremos da concepção deSchiller de Beleza e quais os pontos que ele se distancia de Kant ao buscar, por meio deuma reformulação da concepção estética kantiana, uma maior valorização da sensibilidadeao atribuir à bela arte um fundamento objetivo.Concepção estética de SchillerEm uma carta ao seu amigo Christian Gottfried Körner, a quem Schiller confidenciou suasmais ousadas tentativas na filosofia, nota-se o seu insistente esforço de buscar para arecente disciplina filosófica, a estética, um digno e legítimo lugar que ao longo da história foinegligenciado em favor de um ascetismo da racionalidade. Para Schiller, ainda que afilosofia crítica tenha atribuído à faculdade do gosto um mero sentido subjetivo,conservando, de certa maneira, um sentido menor, como, por exemplo, em relação ao papeldesempenhado pela lógica no sistema critico, a estética após Kant, assim como as demaisáreas, passam a repousar sobre princípios racionais, de modo que a “esfera” do gosto e porassim dizer da arte, passa a ser melhor compreendida, iluminada. Você não advinha o que leio e estudo agora? Nada menos do que Kant. Sua Crítica da Faculdade do Juízo, que adquiri, me estimula através do seu conteúdo pleno de luz e rico em espírito, e me trouxe o maior desejo de me familiarizar aos poucos com a sua filosofia. (…) como já tenho pensado muito por mim mesmo sobre estética e nisso sou ainda mais versado empiricamente, progrido com mais facilidade na Critica da Faculdade do Juízo e começo a conhecer muito sobre as representações kantianas, pois nessa obra ele se refere a elas e aplica muitas idéias da Crítica da razão [pura] à Crítica da Faculdade do Juízo. Em suma, pressinto que Kant não é para mim uma montanha intransponível, e certamente ainda me envolverei 5
  6. 6. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 com ele com mais exatidão. Como no próximo inverno lecionarei estética, isso me dá a oportunidade de dedicar algum tempo à filosofia em geral (SCHILLER, 2002, p.9-10).Saudada por Schiller com entusiasmo, a Crítica da Faculdade do Juízo desempenha nahistória das idéias uma apologia da sensibilidade, mas uma tímida defesa que para Schillernecessitaria ser apreendida no espírito da filosofia kantiana e efetivada. Essa ousada tarefafoi perseguida por Schiller em muitos dos seus poemas anteriores à terceira crítica erevelam uma sincronia com o espírito do seu tempo, de modo que ao se deparar com aCritica da Faculdade do Juízo, busca, por meio de princípios racionais, efetivá-la como umaesfera do homem que, partindo do todo, averigua sua necessidade ante as demais áreas.Contudo, sua árdua tarefa não se limita apenas sobre o terreno kantiano, pois como Schillercomenta com Körner, sua investigação procede para a filosofia geral. Ocupado de lecionarum curso de estética no inverno de 1792-93, Schiller realizou leituras das principais obrasdos filósofos do seu tempo, como por exemplo, Edmund Burke, Karl Phillip Moritz, MosesMendelssohn, Johann Sulzer, Gotthold Ephraim Lessing, Johann Joachim Winckelmann,David Hume, Charles Batteaux, entre outros. Concomitantemente à suas preleções, Schillerafirma para seu amigo Körner, em uma carta escrita em 21 de dezembro de 1792, o seuobjetivo de expor em forma de um diálogo a sua própria estética, Creio ter encontrado o conceito objetivo do belo, que se qualifica eo ipso também para um princípio objetivo do gosto, com o que Kant se desespera. Ordenarei meus pensamentos sobre isso e os publicarei num diálogo, Kallias ou sobre a beleza, na próxima Páscoa. Uma tal forma é extremamente adequada a essa matéria, e o caráter conforme a arte eleva o meu interesse no seu tratamento. Como a maioria das opiniões dos estetas sobre o belo serão mencionadas e quero tornar minhas proposições perceptíveis, tanto quanto possível, em casos singulares, resultará disso um livro efetivo do tamanho do Visionário (SCHILLER, 2002, p.12).Infelizmente este seu projeto não foi levado a efeito, pois Schiller o interrompeu paradesenvolver outros temas, tal como o seu texto Sobre a graça e dignidade. Mas, comoobserva Ricardo Barbosa, “Imaginado como um diálogo socrático, Kallias não deixou de sermeditado num diálogo – ainda que epistolar – entre Schiller e Körner” (BARBOSA in:SCHILLER, 2002, p.13). Schiller desenvolveu um intensivo diálogo com Körner apóscomentar sobre um possível fundamento objetivo do belo, deste, originou-se uma publicaçãopóstuma datada de 1847 a obra “Kallias ou Sobre a Beleza”.Neste texto, em diálogo com Kant, especificamente com as suas contribuições para a arte, apartir da concepção de beleza forjada na Critica da Faculdade do Juízo, Schiller discute osprincípios da bela arte. Para ele existem quatro modos distintos de explicar o belo: Explica-se o belo objetiva ou subjetivamente; e, a rigor, ou de modo subjetivo sensível (como Burke e outros), ou subjetivo racional (como Kant), ou objetivo racional (como Baumgarten, Mendelsohn e todo o bando dos 6
  7. 7. Universidade Presbiteriana Mackenzie homens da perfeição) ou, por fim, de modo objetivo sensível (SCHILLER, 2002, p.42).Para Schiller, cada uma das três primeiras teorias apresentadas conserva uma parte daverdade em relação à natureza do belo. Sendo assim, a quarta teoria, desenvolvida por eleadiante, retém seus momentos de verdade.Segundo Schiller, a teoria elaborada por Burke em A philosophical Enquiry into the Origen ofour Ideas of the Sublime and Beautiful, publicada em alemão em 1773, tem razão ao afirmarque o belo não é uma relação mediada por conceitos, mas sim por uma imediaticidade dobelo. Porém, o belo para Burke é deduzido de causas físicas, na mera afectibilidade dasensibilidade, sendo impossível a comunicabilidade universal do belo. Essa teoria, segundoSchiller, falha ao colocar a teoria sobre princípios sensualistas, quando, na verdade, eladeve se basear em princípios da razão. Tal concepção é subjetivo sensível por não possuirum caráter universal, mas, ainda assim, ao compreender o belo como um sentimento livrede conceitos, essa teoria possui uma parte da verdade. Neste sentido a posição de Burke écontrária a concepção da escola wolffiana.Baumgarten e Mendelsohn, representantes do dogmatismo wolffiano, explicam o belosegundo a concepção objetivo racional. Para eles, o belo é entendido como objeto doconhecimento, sendo assim, ele é parte da operação lógica. Embora eles atribuam ao beloum critério objetivo, este critério repousa sobre a perfeição do objeto de modo que o juízoestético, neste caso, confunde-se com o juízo lógico, pois seu ajuizamento ocorre medianteum conceito. Porém, como observa Kant, o juízo estético não se dá mediante uma relaçãode determinação e, mas por uma relação reflexionante, que na conformidade a fins formalnão se baseia na utilidade ou na perfeição do objeto. Para Kant o belo é explicado segundoa concepção subjetivo racional, que ao pressupor um juízo é compreendido segundoprincípios da razão.Kant ao separar juízo estético de juízo lógico e posicionar o belo no primeiro juízo, concedeao belo um princípio racional, mas, diferentemente dos wolffianos, é meramente subjetivo,de maneira semelhante à explicação burkiana. A respeito da concepção kantiana do belo,Schiller diz: Acho que sua observação pode ter a grande utilidade de separar o lógico do estético, mas no fundo ela me parece perder inteiramente o conceito de beleza. Pois a beleza se mostra no seu supremo esplendor justamente quando supera a natureza lógica do seu objeto, e como pode ela superar onde não há nenhuma resistência? (SCHILLER, 2002, p.43).Aqui Schiller revela uma minuciosa intuição da natureza do belo. Para o poeta, o belo não émeramente subjetivo racional como propõe Kant, mas forjando uma quarta perspectivasobre o belo, Schiller propõe uma explicação objetivo sensível. Uma concepção em que o 7
  8. 8. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011belo supere a natureza lógica do objeto manifestando-se em analogia à Razão, como sefosse livre.Esta quarta concepção apresentada por Schiller é um confronto direto com o sentidoatribuído por Kant à estética. Com Kant, Schiller nega qualquer conformidade a fins objetivaque explique a beleza segundo conceitos e, também, nega a posição sensualista queconcede à beleza um caráter subjetivo sensível, impermeável a um sentido universal. Mas,contra Kant, Schiller busca aproximar sua explicação do belo ao domínio da razão prática,permitindo, deste feito, achar um fundamento objetivo para o belo.A razão prática, segundo sua forma superior, como é apresentada por Kant, autodetermina-se. Isto significa dizer que a razão, neste caso, não necessita de algo que lhe seja exteriorpara operar, tal como a razão teórica em que o entendimento é o seu legislador, masapenas segundo idéias da razão pura (em seu amplo sentido) a vontade é determinada. Arazão prática, diz Schiller, “pode aplicar sua forma tanto ao que existe por ela mesma (açõeslivres), como também ao que não existe por ela (efeitos naturais)” (SCHILLER, 2002, p.58).No primeiro caso, a razão prática age constitutivamente, pois sua forma é aplicada à açãoda vontade, porém, no segundo caso ela opera regulativamente. Mas, em ambos os casos,eles são autodeterminados, visto que “a autodeterminação pura em geral é a forma da razãoprática” (SCHILLER, 2002, p.58). É justamente por este caráter autodeterminante da razãoprática que a sua aplicação aos efeitos naturais não pode ocorrer de modo constitutivo, masapenas regulativo, pois dos efeitos naturais pode-se apenas esperar e não exigir que eleseja por si mesmo. Pois bem, se na consideração de um ser racional a razão prática descobre que ele é determinado por si mesmo, então ela lhe atribui (como a razão teórica, no mesmo caso, concede similaridade à razão a uma intuição) similaridade à liberdade [Freiheitsähnlichkeit] ou, numa palavra, liberdade. Mas porque essa liberdade é apenas emprestada pela razão ao objeto, como nada pode ser livre a não ser o suprasensivel, e a liberdade mesma como tal nunca pode cair sobre os sentidos – numa palavra – como se trata aqui apenas de que um objeto apareça como livre, e não que seja efetivamente: então essa analogia de um objeto com a forma da razão pratica não é liberdade de fato, e sim meramente liberdade no fenômeno, autonomia no fenômeno (SCHILLER, 2002, p.59).Disto, Schiller desloca o juízo do gosto para a esfera da razão prática, pois, do ajuizamentodos efeitos não-livres, de acordo com a forma da vontade pura, surge a sua concepção debeleza. Por isso, a beleza, na concepção schilleriana, é liberdade no fenômeno.Entretanto, como seu amigo Körner observa, essa explicação permanece subjetiva, vistoque não tratou especificamente da natureza sensível do objeto e de seus atributos que odefinem como belo, mas apenas do pensamento sobre o fenômeno. Este principio dabeleza, afirma Körner, “é meramente subjetivo; ele se baseia na autonomia, a qual é 8
  9. 9. Universidade Presbiteriana Mackenzieacrescentada em pensamento ao fenômeno dado” (SCHILLER, 2002, p.62). Schillerconcorda com a objeção de Körner e, para solucioná-la, desenvolve um argumento no quala técnica é apresentada como condição objetiva da beleza.Deste modo, Schiller põe em jogo o entendimento. Dado que liberdade é apresentada nofenômeno mediante a técnica o que resulta no belo. A natureza do belo, portanto, pressupõea ação do entendimento, todavia, o “entendimento é concernido apenas pela forma doobjeto, buscando a regra que lhe corresponde” (BARBOSA, 2002, p.22). Neste sentido, ojuízo estético ocorre mediante uma superação do juízo lógico, pois o entendimentoapresentado como mera condição formal é superado pela similaridade da liberdade noajuizamento estético, porém o objeto, composto por sua forma e seu conteúdo, em relaçãoharmônica, convida-nos, por sua determinação interior, a identificá-lo como belo. Comoafirma Schiller, Unicamente a liberdade é o fundamento do belo; a técnica é apenas o fundamento da nossa representação da liberdade; aquela é pois o fundamento imediato, essa apenas a condição mediata da beleza. A técnica contribui para a beleza apenas na medida em que serve para suscitar a representação da liberdade (SCHILLER, 2002, p.92).A explicação do belo, sugerido pela relação entre técnica e liberdade, em que a primeira écondição da última e este, fundamento do belo, harmonizam dois domínios distintos dohomem, a saber, a razão e a sensibilidade. Diferentemente de Kant, a estética apresenta-sena concepção de Schiller não meramente como uma condição subjetiva em que os juízosestéticos não exercem nenhuma influência sobre a formação (Bildung) da humanidade, mas,como imperativo, o próprio objeto desperta no homem, mediante sua forma um sentimentode aprazimento que contribui para sua formação moral.Conduzindo o juízo de gosto a uma doutrina estética, Schiller atribui à arte, mediante aapresentação da liberdade no fenômeno, um papel relevante na formação cultural. Decerto,apenas com a radicalização na esfera da sensibilidade é possível vislumbrar uma autonomiaque não pauta-se apenas pela liberdade espiritual, mas também material. Na próxima parteapresentaremos o movimento de radicalização proposto por Schiller, no que razão esensibilidade são relacionadas de modo harmônico, segundo a natureza mista do sujeitoque, na modernidade, necessita ser formado a partir de um conceito integral dahumanidade, visto que a fragmentação deste conceito produz indivíduos unidimensionais,seja segundo a determinação física da natureza ou, segundo a determinação de umaracionalidade meramente cientifica que sufoca a parte sensível do homem. 9
  10. 10. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011MétodoO método utilizado foi o qualitativo. Procuramos focar nosso objetivo em algumas obras quecondiziam para a nossa elucidação e para que pudéssemos compreender o tema maisqualitativamente. Através de leituras e produção de textos adquirimos mais informação paraanalisar e determinar o que seria de maior importância para este artigo. O principal métodode estudo foi o fichamento, que consiste na leitura sistemática do tema, e o registro daspartes mais importantes, produzindo um texto a partir desse processo.Resultados e discussão “...é necessário uma revolução total em toda a sua maneira de sentir, sem o que nem sequer se inicia o caminho para o ideal”. (SCHILLER, 1963, p. 127)Neste terceiro e ultimo capitulo apresentaremos, em diálogos com os dois capítulosanteriores, as principais ideias desenvolvidas por Schiller em sua obra Sobre a educaçãoestética da humanidade. Nesta, o poeta aventureiro, dá mais um passo para a formulaçãode uma teoria autônoma e demonstra quais são os motivos que conduziram a trilhar estetemível terreno da razão especulativa.Sobre a educação estética da humanidade é produto de uma série de cartas destinadas aoPríncipe dinamarquês Friedrich Christian von Schleswig-Holstein-Sonderburg-Augustenburg.Este, por intermédio de um jovem poeta e critico literário, admirador da poesia alemã, ficousabendo das dificuldades em que o autor da peça Os bandoleiros encontrava-se. Recémcasado, Schiller tinha dificuldade tanto financeiras quanto de saúde. Karl Leonhard Reinhod,em uma carta ao jovem admirador dinamarquês de Schiller, Jens Baggesen, relata asprecisas dificuldades do poeta: “Schiller tem como rendimento fixo não mais do que eu, ouseja, 200 táleres, os quais não sabemos, quando estamos doentes, se devemos enviá-lopara a farmácia ou para a cozinha” (SCHILLER, 2009, p.10). Ao ficar sabendo da situaçãoem que Schiller se encontrava, o Príncipe Augustenburg, junto com Baggesen, convenceu oentão ministro de finanças da Dinamarca, o conde Ernst Heinrich von Schimmelmann, aofertar uma ajuda anual de 1.000 táleres, por três anos.Sob o mecenato do Príncipe Augustenburg, Schiller inicia uma série de cartas, que tratam,como Habermas diz, do “primeiro escrito programático para uma critica estética damodernidade” (HABERMAS, 2000, p.65). Mas, para além, as cartas constituem umaprofunda compreensão da natureza humana e de sua expressiva fragmentação que seconsolida cada vez mais, na medida em que essa subjuga uma plenitude da humanidade. 10
  11. 11. Universidade Presbiteriana MackenzieNeste sentido, as cartas que Schiller redigiu no início de 1793 constituem um amplo olharsobre cada domínio do homem, sem perder de vista sua acepção absoluta (Ideal).Tal como um cosmopolita a discussão levada a efeito por Schiller em suas cartas sustenta-se na filosofia crítica kantiana, mas, sobretudo, baseia-se no espírito desta filosofia. Nele, oprocedimento critico não se reduz a uma concepção isolada do homem; pelo contrário,composto por seus diferentes domínios, o homem é analiticamente estudado, mas adecomposição só se sustenta na medida em que ela é forjada a partir de um princípio últimoque a dê sentido. Por isso, o juízo de gosto, enquanto objeto de estudo da terceira critica,apresenta-se como um fértil terreno. Todavia, a explicação apresentada por Kant paraSchiller, não é suficiente. A circunstância, porém, de que sentimos e não conhecemos a beleza parece abater toda esperança de encontrar um principio universalmente válido para ela, pois todo juízo proveniente desta fonte é apenas um juízo de experiência. Habitualmente, considera-se uma explicação da beleza como fundamentada apenas porque ela está em concordância com a sentença do sentimento em casos singulares, ao passo que, se houvesse efetivamente um conhecimento do belo a partir de princípios, dever-se-ia ser fiel à sentença do sentimento apenas porque ela está em concordância com a explicação do belo. (SCHILLER, 2009, p.58).Como apresentado por Schiller, em suas correspondências com seu amigo Körner, aexplicação do belo na filosofia kantiana não foi levada até as últimas conseqüências, pois aimpossibilidade do conhecimento do belo sugerido por Kant apenas sobre o limiar daarquitetônica crítica não permite a continuação a cerca da doutrina do belo, assim como foiconduzido nas demais esferas do homem. Embora Schiller não apresente tal como no seutexto Kallias ou Sobre a Beleza, uma investigação conceitual sobre um fundamento objetivopara o belo, nas cartas Sobre educação estética da humanidade, este principio objetivo épressuposto, de modo que a investigação apresentada por Schiller neste texto pode servista como uma discussão que continua as correspondências com Körner, mas é conduzidasobre outro plano.Para Schiller, portanto, coube a tarefa de conduzir a investigação do juízo de gosto para oempreendimento doutrinal. A respeito disso Schiller diz em sua primeira carta que abre seuprojeto, Este é o nó cujo desate infelizmente mesmo Kant considera impossível. (...) De fato, nunca teria tido ânimo para tal coisa se a própria filosofia de Kant não me proporcionasse os meios para isto. Esta fecunda filosofia, da qual com tanta freqüência se diz que apenas sempre demole e nada constrói, fornece, segundo minha convicção atual, as sólidas pedras fundamentais para erguer também um sistema da estética, e somente a partir de uma idéia preconcebida do seu criador posso explicar para mim mesmo que ele ainda não tenha logrado tal mérito. (SCHILLER, 2009, p.59-60).Este sistema não deve ser compreendido como algo isolado dos demais, pois como procuramostrar a dimensão da Arte e do Belo não são apresentadas como domínios distantes da 11
  12. 12. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011natureza moral da humanidade. O terreno no qual se assenta as investigações apresentadapor Schiller neste texto é, por assim dizer, a discussão sobre a formação moral dahumanidade, porém sua análise parte da estética, de maneira que o procedimento levado aefeito por Schiller é esquadrinhar o domínio da estética e saber quais as contribuiçõesapresentadas pela arte na formação moral do homem. Disto resulta que a filosofiaschilleriana não permeia meramente uma discussão sobre a moralidade, mas antes visa auma discussão radical da cultura em que a moral é teleologicamente apresentada.A investigação estética não se aparta do problema político, ambos os domínios possuem umvínculo. “A negação do vínculo de seus elementos o é também de sua essência”(SCHILLER, 1963, p.35). Mas, indo além, o problema político será referido a partir doproblema estético, pois, segundo sua concepção, pela beleza que se vai à liberdade.A liberdade, representada pelo homem moral é uma idéia que, caso seja levada a efeitorepresenta a livre harmonia com as leis morais imanente ao sujeito. Ao contrário deste, ohomem físico, sobre a determinação da natureza, agrupa-se por carência, de modo que ocontrato estabelecido por eles, neste estado natural, age de modo coercitivo, pois suas leisatuam por força. O que preocupa Schiller é como passar do estado natural para o moral,visto que o homem físico é real e o moral é apenas problemático. Este abismo“intransponível” somente é reconciliado através de um estado intermediário que dê suportedo “real” ao “problemático”. Este suporte não está no caráter natural do homem, nemtampouco no moral, ao segundo é o que se almeja formar, já o primeiro, egoísta e violento,almeja muito mais a destruição do que a conservação. Ainda que este estado intermediárionão resida em nenhum dos dois outros estados é preciso que ele seja aparentado com os outros dois, que estabelecesse a ponte do domínio das simples forças para o das leis, e que, longe de impedir a evolução do caráter moral, desse à moralidade invisível o penhor dos sentido (SCHILLER, 1963, p.39).O estado intermediário, apresentado por Schiller é sugerido como um estado queharmoniza a determinação física e moral.À luz deste caráter, que é a harmonia do homem consigo mesmo, Schiller volta sua atençãopara os acontecimentos contemporâneos. Dirá ele, Em seus atos o homem se retrata, e que figura é esta que as espelha no drama de nosso dias! Aqui, selvageria, mais além, lassidão: os dois unidos em um espaço de tempo (SCHILLER, 1963, p.39).Tendo em vista a situação do povo germânico e da nação francesa, nesta passagem, éapresentada segundo a concepção de Schiller, dois modos opostos da degeneração danatureza moral do homem. A Alemanha, esfacelada em seu período, busca apenas asatisfação animal. Longe da sofisticação cultural, a realidade empírica é um imperativo no 12
  13. 13. Universidade Presbiteriana Mackenziequal a voz da sobrevivência exclama. Em seu lado oposto, a França, representante dasclasses civilizadas, apresenta um quadro mais revoltante. Após as conquistas da revoluçãode 1789, perdeu de vista a liberdade, pois passando a um estado de tirania, por princípiosracionais, a situação francesa solidifica uma descrença moral. Ironicamente, foi concedido aSchiller, em 1792, o título de Citoyen Français, por suas contribuições para a liberdade elibertação dos povos, porém, este título apenas chegaria a suas mãos em 1798. A propósitodeste evento, Schiller diz em uma carta a seu amigo Körner que essa homenagem vinha “doreino dos mortos” (BARBOSA, 2004, p. 20), referindo-se tanto as pessoas que forammortas, tal como Luís XVI, que em 1793 foi condenado a morte pela política dos “carrascos”,como afirma Schiller, e, também, ao ideais mortos que subverteram os interesse coletivosde fraternidade, igualdade e liberdade a posições estritamente egoístas. O esclarecimento, do qual as camadas mais altas de nossa época não sem razão se vangloriam, é apenas cultura teórica e mostra, tomado como um todo, uma influência tão pouco enobrecedora sobre as convicções que antes ajuda apenas a fazer da corrupção um sistema e torná-la irremediável. Um epicurismo mais refinado e consequentemente começou a sufocar toda a energia do caráter, e o grilhão das necessidade, cada vez mais firmemente estrangulador, a aumentada dependência da humanidade do elemento físico levou gradualmente a que a máxima da passividade e da obediência doentia valha como a suprema regra de vida; daí a estreiteza no pensar, a falta de força no agir, a lamentável mediocridade no produzir que, para sua vergonha, caracterizam nossa época. (SCHILLER, 2009, p.76-77).A critica severa à sua época e à cultura teórica, apresentada de modo ascético pelosiluministas como a única forma de sair de um estado de heteronomia para a autonomia, épautada por um concepção abrangente das esferas do homem, este, antes de tudo,pensado a partir de uma harmonia entre sua natureza sensível e racional. Por isso, oproblema presente tanto na França, como nos povos germânicos, não é meramente umproblema específico, mas, a rigor, é presente em todos os povos que pela razão sedivorciaram da natureza sensível, localizando-se na cultura.Recorrendo a uma comparação muito freqüente em sua época, entre forma atual dahumanidade e a passada, Schiller, voltando-se em especial para as característicaspresentes na Grécia antiga, principalmente uma Grécia pautada pelos estudos deWinckelmann, relacionará a nobre simplicidade e a grandeza tranqüila dos gregos, com ahumanidade de sua época.A cultura grega espanta Schiller por manter, ainda que pela razão, uma relação harmônicacom a natureza. Nos gregos o mais longe que a razão fosse, sempre levava consigo amatéria sem que a mutilasse. Diferente dos gregos, na modernidade, aonde apresenta-senovas formas capitalistas pautadas pela produção industrial, a especialidade exacerbada,conduziu a humanidade a uma situação fragmentaria, “entre nós a imagem da espécie estános indivíduos, aumentada e decomposta – mas não por misturas diversas e sim por 13
  14. 14. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011fragmentos, de modo que é preciso indagar, indivíduo, após indivíduo, para reconstruir atotalidade da espécie” (SCHILLER, 1963, p.47). Se no passado a imagem da espécie eraprojetada no circulo dos deuses, formando uma totalidade de caracteres, nos quais osgregos se reconheciam, na modernidade, a humanidade, dilacerada, isola-se,desenvolvendo suas potências apenas de maneira residual.Ainda que Schiller utilize de um método comparativo entre a humanidade atual e antiga, e,disto infira uma depreciação da sensibilidade, sua leitura não se sustenta em um sentimentonostálgico do passado, mas, elevando a nível ideal, o passado representa um padrãoestabelecido a fim de exercer a crítica da realidade. Porém, essa separação entre razão esensibilidade, era inevitável, pois este antagonismo é pressuposto para que haja nitidez noconhecimento. Entendida como instrumento, esta fragmentação é o caminho apresentadopela cultura, mas, apenas o caminho, visto que o homem não se realiza como tal enquantonão estender a realização a todos os seus domínios.Contudo, o que preocupa Schiller em seu texto é saber, visto que a fragmentação é real,quais são os instrumentos qualificados para a constituição de uma nova totalidade. Essapossibilidade, não advém do Estado.Schiller diferencia-se de certas concepções teóricas que atribuem ao direito o papel deinstrumento para a constituição do estado moral. A solução apresentada advém dasuperação da dilaceração no interior do homem. Logo, a possibilidade de constituição deuma nova totalidade do sujeito depende da formação de um homem integro. Decerto, essaformação não depende unicamente da capacidade intelectual do sujeito, a razão não deveficar de fora dessa tarefa, mas, apoiando-se em impulsos, isto é, forças vitais do coração,deve almejar a formação do homem.Propondo um movimento focado sobre a esfera do sensível, para que posteriormente sejacompletada a tarefa pertinente a esfera do entendimento, Schiller assimila a noção deAufklärung como um processo no qual o caráter sensível deve preceder ao saber intelectual, Não é suficiente, pois, dizer que toda ilustração do entendimento só merece respeito quando reflui sobre o caráter; ela parte também, em certo sentido, do caráter, pois o caminho para a cabeça precisa ser aberto pelo coração. A educação do sentimento, portanto, é a necessidade mais urgente de nosso tempo, não somente por ser um meio de tornar ativamente favorável à vida o conhecimento aperfeiçoado, mas por desperta ela mesma o aperfeiçoamento do saber. (SCHILLER, 1963, p.56).A criação política não decorre de uma concepção unilateral do homem. A modernidade, porisso, que traz em seu bojo um conceito humanista da razão, que implica todas as dimensõesdo homem, isto é, sua dimensão ética, cientifica e estética, apenas se efetiva como tal, namedida em que propõe uma radicalização de todas as esferas. A propósito da radicalizaçãoda Aufklärung proposta por Schiller, Barbosa faz a seguinte elucidação: 14
  15. 15. Universidade Presbiteriana Mackenzie Tudo depende de uma mobilização da cultura como uma mobilização integral das esferas de validade da razão, o que implica uma radicalização da Aufklärung, a difícil tarefa formadora de conduzir o esclarecimento às suas raízes: um conceito de razão uno rigorosamente diferenciado. (...) E se ele estendeu sua critica a Aufklärung, foi para radicalizá-la pela exigência de uma cultura da razão em todo o seu espectro de validade. A exigência de uma cultura integral coincidia com a de uma cultura racional, pois racional é somente aquele que mobiliza integralmente as formas da racionalidade. Radicalizar a Aufklärung implicava assim superar a ênfase no intelectualismo como expressão unilateral da cultura teórica, abrindo espaço para uma mediação imprescindível à emancipação do homem das coerções do reino da necessidade e à instituição da liberdade: o poder formador e enobrecedor da arte e do gosto (BARBOSA, 2004, p.28-29).A aproximação da estética à razão prática permite vislumbrar na arte, enquanto objeto dabeleza, um “instrumento” que possibilite a formação (em seu amplo sentido) da humanidade.A arte possui uma força vital própria e indestrutível, na qual é desobrigada de tudo o que épositivo e que foi introduzido pela convenção do homem, segundo Schiller, ela goza de umaabsoluta imunidade ante ao arbítrio humano.Para Schiller, a arte é cidadã de dois mundos: ela possui sua existência no mundo sensível,mas possui seu fundamento no supra-sensível. Isso significa dizer que a arte realiza ambasas disposições encontradas na natureza humana. A natureza mista do homem,representada por dois impulsos distintos, sensível e formal, em que o primeiro visa àmodificação e realidade da existência física e, o segundo, partindo do ser absoluto, visaformar toda a modificação sensível concedendo unidade de acordo com a natureza racional,somente em uma relação de reciprocidade entre os impulsos, o homem pode se realizar.Isto porque, aonde um impulso subjuga a atuação do outro há um estado de heteronomia:seja em uma dominação racional, que a racionalidade oprime a experiência sensível, ou,como na determinação física, que tal como o selvagem, visa apenas às necessidadesimediatas. Decerto, a arte, possuindo tanto uma forma racional quanto uma naturezamaterial, harmoniza em um terceiro impulso a natureza mista do homem. Este terceiroimpulso, no qual Schiller define como impulso lúdico, conjuga em si características doimpulso formal e sensível, a realização de ambos os impulsos de modo recíproco, sãolevadas a efeito por sua atividade lúdica. Enquanto o impulso sensível nos coage fisicamente e o formal moralmente, aquele deixa contingente nossa disposição formal como este deixa a sensível; isto quer dizer que será casual a concordância entre nossa felicidade e a perfeição, ou a desta com aquela. (...) Na mesma medida em que toma às sensações e aos afetos a influência dinâmica, fará que se ajustem às idéias da razão, e na medida em que despe as leis da razão de sua imposição moral, irá conciliá-las ao interesse dos sentidos (SCHILLER, 1963, p.78-79).Posto em movimento, o impulso formal e sensível, forças que representam os dois domíniosdistintos do homem, são harmonizados, segundo a exigência do espírito da filosofia 15
  16. 16. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011transcendental, no domínio da estética. Pois enquanto impulso lúdico a beleza é sugerida apartir do jogo entre as capacidades imanentes ao sujeito.No jogo estético o homem encontra a concordância de suas duas naturezas. Pela aaparência bela do objeto o homem supera a forma lógica em um domínio estético que édesinteressado, porque não possui nenhuma finalidade, mas, enquanto sentimento regidopor uma finalidade sem fim, o homem é convidado pelo imperativo da beleza a concordarconsigo mesmo. A moralidade, como é apresentada segundo seu conceito puro, dependeunicamente do uso da razão mediante conceitos de liberdade que autodeterminam avontade humana. Essa operação pertence unicamente ao domínio do Razão. Mas, aoaproximar o juízo estético da razão prática e elevar o seu domínio, propondo a arte comocidadão de dois mundos – sensível e supra-sensível – Schiller possibilita vislumbrar umestado, que ao aspirar à moralidade não atue segundo a coerção, mas pelo sentimento deprazer ocasionado pela bela aparência, no qual a coerção da lugar a harmonia. Disso, ohomem realiza suas potencialidades enquanto um ser moral e sensível de modo integral. No próprio seio do reino terrível das forças e em meio do sagrado reino da lei, o impulso estético elabora silenciosamente um terceiro reino contente de jogo e aparência, em que toma aos homens a carga de quaisquer circunstancias, libertando-os de toda a necessidade moral ou física (SCHILLER, 1963, p132).Partindo do individuo para o todo, semelhantemente ao procedimento realizado pelo juízoreflexivo, Schiller infere que somente a educação levada a efeito por uma concepçãoestética, em que o individuo é harmonizado consigo, pode se realizar um estado moral. Masaqui não significa dizer que Schiller atribui à arte uma finalidade, pensando-a meramentecomo um instrumento. Para ele, este instrumento ou estado estético é compreendido comoum reino que na insociável sociabilidade entre natureza moral e física, cria um terceiro reinoque possui ambas as características presente nestas “ilhas”. Schiller, como aponta em seutexto, Sobre a utilidade moral dos costumes estéticos, posterior às Cartas sobre educaçãoestética da humanidade, a moralidade, assim como o gosto, deve possuir seu fim em simesmo, mas, ainda que os domínios sejam distintos, isso não significa dizer que o gostolibertando do julgo do instinto, através da bela aparência, não possibilite que o estadoestético torne o homem mais nobre de modo que o anteceda no proceder ético. Decerto, oindividuo enobrecido pela bela aparência não incorre na intemperança, pois o homemformado esteticamente representa conceitualmente a temperança.Essa concepção de Schiller decorre muito mais de um pensamento extensivo, que buscaabarcar o homem como um todo, do que um pensamento intensivo que o decompõe empartes, aprofundando-o sistematicamente. Contudo, o procedimento extensivo presente nafilosofia schilleriana opera segundo a relação recíproca, de modo que o extensivo não 16
  17. 17. Universidade Presbiteriana Mackenziesubsume as figuras particulares em nome de um universal, mas através do juízo estético afilosofia de Schiller caminha segundo o limiar da Aufklärung. Caminho este, que repleto deformas e figuras, faz com que o aventureiro identifique-se, sobretudo, em seu nobrecaminho.ConclusãoA estética, segundo a concepção schilleriana, não se reduz a um mero ramo da Filosofia,mas, concedendo à própria Filosofia um sentido estético, em que a razão e a sensibilidadesão reciprocamente pensadas a partir da mesma raiz – a Humanidade! – essa Filosofiaapresenta-se como um desenvolvimento metodológico que no seu anseio ético, alça seusmais altos voos com um único sentido: a emancipação espiritual e física da humanidade!Sua capacidade de voar só é dignificada na medida em que contemple a bela aparênciaterrena. Assim, consideramos o compromisso com a liberdade, igualdade e fraternidade, emque Schiller demonstra em seus textos, os motivos que o levou a questioná-los, isto porque,para além de qualquer interesse privado, o esclarecimento apresenta-se como umacondição universal. Contudo, este universal deve ser mediado por um interesse que parta,essencialmente, do indivíduo, caso contrário, tal como na racionalidade puramenteintelectual, a livre manifestações particulares serão subjugadas. A arte em sua duplacidadania, imersa em uma sociedade cindida, guiada por interesses particulares que a simesmo se elegeram como a verdade, cumpre um papel fundamentalmente revolucionário.Pois, sua expressão mais bem acabada atua na formação moral da humanidade,conduzindo-os da heteronomia à autonomia.ReferênciasBARBOSA, Ricardo. Schiller e A Cultura Estética. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.GOETHE, Johann Wolfgang von. e SCHILLER, Johann Chistoph Friedrich.Correspondência. Tradução de Claudia Cavalcanti. São Paulo: Hedra, 2010.HABERMAS, Jürgen. Discurso Filosófico da Modernidade. Tradução de Luzi Sérgio Repa eRodnei Nascimento. São Paulo: Martins Fontes, 2000.HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Curso de Estética. Tradução de Marco Aurélio Werle eOliver Tolle. São Paulo: EDUSP, 2000KANT, Immanuel. Crítica da faculdade do juízo. Tradução de Valério Rohden e AntonioMarques. Rio de Janeiro: Forense, 2000. 17
  18. 18. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011______. Crítica da razão prática. Tradução de Valério Rohden. Rio de Janeiro: MartinsFontes, 2002.______. Crítica da Razão Pura. Tradução de Manuela Pinto dos Santos e AlexandreFradique Morujão. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2001.______. Lógica. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1992.______. Resposta à Pergunta: Que é “Esclarecimento”?(“Auklärung”), in: Textos Seletos.Petrópolis: Vozes, 1985.SCHELLING, Friedrich Wilhelm Joseph von. e HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Trad. RaúlGutiérrez y Hugo Ochoa. em: http://www.scribd.com/doc/3330548/Correspondencia-entre-Hegel-y-Schelling).SCHILLER, Friedrich. Cartas sobre a Educação Estética da Humanidade. Tradução deRoberto Schwarz. São Paulo: Herder, 1963.______. Cultura Estética e Liberdade. Tradução de Ricardo Barbosa. São Paulo: Hedra,2009.______. Fragmentos das preleções sobre Estética do semestre de inverno de 1792-93.Tradução de Ricardo Barbosa. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2004.______. Kallias ou sobre a Beleza. Tradução de Ricardo Barbosa. Rio de Janeiro: Zahar,2002.______. Poesia ingênua e sentimental. Tradução de Márcio Suzuki. Iluminuras: São Paulo,1991.______. Sobre a educação estética do ser humano numa série de cartas e outros textos.Tradução de Teresa Rodrigues Cadete. Lisboa: INCM, 1994.Contato: le.nasc@gmail.com e graciela@mackenzie.br 18

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