Julia cassiano

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Em parceria com a Professora Helena Abascal, publicamos os relatórios das pesquisas realizados por alunos da fau-Mackenzie, bolsistas PIBIC e PIVIC. O Projeto ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA difunde trabalhos e os modos de produção científica no Mackenzie, visando fortalecer a cultura da pesquisa acadêmica. Assim é justo parabenizar os professores e colegas envolvidos e permitir que mais alunos vejam o que já se produziu e as muitas portas que ainda estão adiante no mundo da ciência, para os alunos da Arquitetura - mostrando que ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA.

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Julia cassiano

  1. 1. Universidade Presbiteriana MackenzieO DESENVOLVIMENTO DE ATIVIDADES URBANAS E O USO E OCUPAÇÃO DOSOLO EM SANTA CECÍLIA, NO CENTRO DE SÃO PAULO, SPJúlia Cassiano Chagas (IC) e Gilda Collet Bruna (Orientadora)Apoio: PIVIC MackenzieResumoO foco deste artigo reside em levantar, descrever e analisar o processo histórico do bairro de SantaCecília, no centro de São Paulo e, com o auxílio dos resultados de levantamentos feitos in-loco como,por exemplo, o levantamento do uso e ocupação do solo - principalmente as atividades terciárias -caracterizar as principais mudanças ocorridas ao longo dos anos. E, através da compreensão dasituação de uso e ocupação do solo hoje, propor diretrizes para a revitalização urbana da região.Palavras-chave: Santa Cecília, São Paulo, revitalização urbanaAbstractThe focus of this article is to describe and analyze the historical process of Santa Cecilianeighborhood, in downtown Sao Paulo and with the help of the surveys’ results, for example, thesurvey of land use and occupation in part of the region in order to characterize the changes over theyears and, by understanding the current status of the urban activities, - mainly the tertiary activities -propose guidelines for the urban revitalization in the region.Key-words: Santa Cecilia, Sao Paulo, urban development 1
  2. 2. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011INTRODUÇÃOO bairro Santa Cecília, no centro de São Paulo, passou por diversos momentos históricoscaracterizados por diferentes atividades urbanas, formas de uso e ocupação do solo queforam se modificando com o passar dos anos. Após uma série de estudos e levantamentos,este artigo visa compreender este histórico do desenvolvimento, levando em consideração ainfluência do crescimento das atividades terciárias na cidade de São Paulo e assimcompreender o estágio atual da região e estabelecer um grupo de diretrizes para o seudesenvolvimento.METODOLOGIAO plano de trabalho para a execução desta pesquisa se desenvolveu nas seguintes etapas:Levantamento e leitura da bibliografia indicadaLevantamento in-loco e elaboração de gráficos para melhor análiseLevantamento cartográficoLevantamento fotográficoEntrevista com habitante na região há mais de 30 anosDesenvolvimento de resumosCruzamento de dadosDesenvolvimento de relatóriosEstudos de diretrizesRESULTADOS E DISCUSSÃOUm breve histórico de São PauloA cidade de São Paulo é fruto de um longo e rápido processo de desenvolvimento queocorreu de forma metamorfósica. Gerações construíram seus edifícios sobre aquelesdeixados por seus antecessores e as estruturas urbanas foram, com o tempo, se adaptandoàs necessidades do momento, ora atendendo a tais solicitações, ora possuindo deficiênciase mostrando carências de seus habitantes.É que essa área faz parte hoje da chamada de região metropolitana de São Paulo em queeste rápido crescimento metamorfósico mostra a complexidade da área com sua arquitetura 2
  3. 3. Universidade Presbiteriana Mackenziee urbanismo devido a dados e registros que se somaram como também muitos que seperderam na história.Essa historia da cidade de São Paulo se iniciou a partir da construção de um colégio jesuítacompreendido entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí no ano de 1554. Mesmo com aproximidade de São Paulo à vila de Santos, já portuária naquele momento, a dificuldade emsubir a serra do mar pela estrada construída pelos padres Manuel da Nóbrega e José deAnchieta fez com que São Paulo não deixasse de ser uma pequena e pobre vila isoladapelos dois seguintes séculos após o seu surgimento. Tamanha era a pobreza na pequenacolônia portuguesa que se organizou a atividade bandeirante visando caçar índios quepudessem servir de mão-de-obra, ao invés de trazer negros africanos para essa atividade.Desta forma, a vila se mantinha por meio de lavouras de subsistência e possuía suasprincipais atividades comerciais localizadas na área do triângulo central formado pelosistema viário das ruas que, hoje, são conhecidas como Rua Direita, Rua 15 de novembro eRua São Bento.A atenção da coroa Portuguesa sobre a pequena vila só foi ocorrer na década de 1690,quando se descobriu ouro na região de Minas Gerais e apenas em 1711 a vila foi elevada àcategoria de cidade.Com o esgotamento do ouro, no século XVIII, a cidade deu início a um ciclo econômicovoltado à cana-de-açúcar, momento no qual foi construída a primeira estrada significativa deSão Paulo para o litoral, que servia para o escoamento da produção para o porto de Santos.FIGURA 1: Vista do núcleo histórico de São Paulo. Aquarela de Julien Pallière, 1821.Foto:http://www.saojudasnu.blogger.com.br/Tela%20panorama%20SP%201821%20autor%20Arnaud%20Julien%20Palliere.jpg 3
  4. 4. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011Com a proclamação da independência do Brasil (1822), foram criados no convento de SãoFrancisco em São Paulo cursos jurídicos que funcionaram como um impulso aodesenvolvimento da cidade, devido ao grande fluxo de estudantes e professores.Outro grande fator para o desenvolvimento da cidade imperial foi a expansão da produçãodo café no Vale do Parnaíba, motivo pelo qual se construiu a primeira estrada de ferroligando cidade de São Paulo à cidade de Santos, a Santos-Jundiaí (1869). Ao final doséculo XIX, a cidade já se tornara ponto de convergência de diversas ferrovias que aligavam com o interior do Estado.Através da produção e exportação do café houve um grande salto econômico e populacionalna província que posteriormente se tornara o estado de São Paulo.Ao final do século XIX, muitos italianos migraram para a cidade de São Paulo para trabalharnas indústrias que começavam a se instalar ao longo das estradas de ferro, o que contribuiupara a construção de diversas tipologias de edifícios na cidade. Às indústrias, os grandesgalpões, aos trabalhadores, casebres geminados, aos detentores do capital gerado pelaprodução (os Barões do Café), casarões inspirados em estilos europeus.Até a Segunda Guerra Mundial, os arredores desta área histórica abrigavam grandequantidade de escritórios, bancos, consultórios, hotéis cinemas, etc. Contudo, esta situaçãofoi alterada mais tarde com a construção das ferrovias. FIGURA 2: Galpões construídos no início do século XX no bairro da Lapa, em São Paulo. FONTE: http://www.rogeriosilveira.jor.br/images/reportagens/2007/06_21/02estacao_ciencia20anos.jpgFontes:JUNIOR, Geraldo S. Retalhos da Velha São Paulo – OESP Maltese, 1986REIS FILHO, Nestor Goulart. São Paulo: Vila, cidade, metrópole. São Paulo: São Paulo 450 anos, 2004SETUBAL, Maria Alice. A formação do Estado de São Paulo. São Paulo: Imprensa Oficial, CENEPEC, 2004. 4
  5. 5. Universidade Presbiteriana MackenzieTOLEDO, Benedito L. São Paulo: Três cidades em um século. São Paulo: CosacNaify; Livraria Duas Cidades,2007.http://www.atrasdamoita.com/sao-paulo-antigo-bondes-e-trilhos.html (10/05/10)http://www.saopaulo.sp.gov.br/ (11/11/09)A primeira ocupação em Santa Cecília (loteamentos de alto padrão por fazendeiros docafé e industriais)Antes de ser conhecida como bairro de Santa Cecília, a área passou por diversas formas deocupação. Inicialmente, nos anos de 1730, era parte de uma chácara denominada dasPalmeiras e, desta forma, possuía arruamentos de caráter rural derivados da fragmentaçãodas antigas chácaras.Em 1874, a chácara foi arrematada num leilão por Francisco Aguiar de Barros, filho domarquês de Itu, e sua esposa Maria Angélica. O casal morou na chácara até o falecimentode Francisco Aguiar de Barros, em 1890, quando Maria Angélica construiu uma nova casade arquitetura fin-du-siècle para morar, na confluência da Alameda Barros com as ruas SãoVicente de Paulo e Itatiaia. A antiga casa de taipa, onde habitava o casal, foi legada à casaPia São Vicente de Paulo.No transcorrer dos anos, algumas vias públicas foram sendo abertas de acordo com asnecessidades que surgiam, lotes vendidos e cada vez mais povoados.A igreja Santa Cecília é o principal marco do surgimento do bairro e foi responsável pelaexpansão urbana da área. A Igreja passou por três construções: FIGURA 3: Igreja Santa Cecília, 2009 FONTE: Júlia Cassiano Chagas 5
  6. 6. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011A primeira foi iniciada pela Irmandade de São José e Santa Cecília nos anos de 1875 após opedido dos moradores locais. De arquitetura humilde, teve auxílios governamentais.A segunda ocorreu em 1882, e seguia os aspectos mais artísticos necessários às igrejas daépoca.A terceira, com estilo neo-românico inspirado pela matriz da Consolação teve suaconstrução iniciada em 1895 quando a igreja foi elevada ao título de paróquia. A capela foiinaugurada em 1901, embora tenha sido finalizada apenas em 1903.Desta forma, pode-se afirmar que parte da fisionomia bairrística de Santa Cecília sedesenvolveu a partir do largo onde se encontra a igreja.Desde 1825, foram estabelecidas deliberações urbanísticas para lotes de doação na cidadeque contribuíram para o desenvolvimento também na área de Santa Cecília, como a podado mato, conservação das calçadas, etc. Contudo, em 1830, a nova área urbana aindaapresentava carências de urbanização, principalmente aquelas relacionadas ao saneamentobásico, que tardaram a serem supridas como, por exemplo, a criação de um aterro e esgotode pedra, em 1857. Por este motivo, a região era conhecida por ser um local de propagaçãode epidemias. (JORGE, 2006)Nos anos de 1860, foram feitas modificações no arruamento visando um melhoralinhamento, que outrora era feito para atender o uso rural da região e de acordo com avontade dos moradores. Pois, “Santa Cecília adquiria contornos bairrísticos incipientes àmargem de qualquer plano de urbanização, mas com os arruamentos feitos à revelia pelosproprietários” (JORGE, 2006).Embora já houvesse arruamentos tracejados na área anteriormente, foi apenas em abril de1890 que o bairro de Santa Cecília foi incluído na configuração urbano-administrativa deSão Paulo. 6
  7. 7. Universidade Presbiteriana MackenzieO desenvolvimento viário em São Paulo, na região de Santa Cecília: FIGURA 4: Trecho do mapa oficial da cidade de São Paulo de 1895. Fonte: SEMPLA FIGURA 5: Trecho do mapa oficial de São Paulo de 1913. Fonte: SEMPLA 7
  8. 8. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 FIGURA 6: Mapa Oficial da Cidade de São Paulo em 1943. Fonte: SEMPLAAo contrário da tradição luso-brasileira de construir casas na beirada da rua, dando frentediretamente para a calçada e utilizando os materiais disponíveis in-loco - destacam-se oscasarões construídos em Santa Cecília nos séculos XIX e XX com estilo eclético importadoda Europa. Estes possuíam grande recuo e os materiais eram importados da Europa.(JORGE, 2006) FIGURA 7: Chácara Dona Veridiana (Vila Maria), 1891 FONTE: SETUBAL, Maria Alice. Terra Paulista: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. 8
  9. 9. Universidade Presbiteriana MackenzieDesta forma, o bairro, situado entre os bairros Higienópolis e Consolação, possuía certohibridismo em sua arquitetura, misturando a modéstia do primeiro com a riqueza dosegundo, conflitando gostos maneiristas aos mais afrancesados como, por exemplo achácara da Dona Veridiana (FIGURA 7).Mais conflitante que as arquiteturas residenciais, em 1884 foi construída a Santa Casa deMisericórdia no estilo neo-gótico, com projeto de Augustus Pugin (FIGURA 8) FIGURA 8: Santa Casa de Misericórdia FONTE: http://www.carlosbezerrajr.com.br/outrasp/hotsite/imagens/ImagemSantaCasa.jpgFontes:JORGE, Clóvis de Athayde. Santa Cecília. São Paulo: DPH; 2006.JUNIOR, Geraldo S. Retalhos da Velha São Paulo – OESP Maltese, 1986.SETUBAL, Maria Alice. A formação do Estado de São Paulo. São Paulo: Imprensa Oficial, CENEPEC, 2004.TOLEDO, Benedito L. São Paulo: Três cidades em um século. São Paulo: CosacNaify; Livraria Duas Cidades,2007.http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/planejamento/ (14/10/09)http://www.saopaulo.sp.gov.br/ (11/11/09)Da crise do café à verticalizaçãoEm 1900 foi inaugurada pela Light a primeira linha de bondes elétricos, que ligava o LargoSão Bento à Alameda Barão de Limeira. A linha foi assentada sobre a Avenida São Joãoapós a sua abertura entre 1912 e 1926, o que facilitou muito o transporte para a zona Oeste. 9
  10. 10. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011FIGURA 9: Inauguração do bonde do Bom Retiro, o primeiro bonde elétrico de São Paulo, em 6 de maio de 1900 FONTE: http://www.estacoesferroviarias.com.br/bondes_sp/fotos/bondesp2.jpgAinda na década de 1930 havia no bairro diversos cinemas e casas de shows e a Rua dasPalmeiras desenvolveu considerável comércio que acabou sendo prejudicado mais tardepelas demoradas obras do metrô.No ano de 1940, o bairro havia passado por um grande desenvolvimento residencial e jácontava com 4.617 prédios edificados. Considerado um bairro “intermediário” entre o centroe a periferia, Santa Cecília apresentava, naquele momento, um alto índice demográficodevido à quantidade de residências verticais edificadas sobre os terrenos das casas antigas.(JORGE, 2006)Mas ao mesmo tempo em que os edifícios verticalizados acolhiam com qualidade de vida,muitos dos antigos casarões eram abandonados, entrando em estado de degradação.Alguns foram adaptados para comércios e serviços, outros foram alugados e sub-locados,tornando-se cortiços. FIGURA 10: Casa adaptada para uso misto: Cortiço em cima, comércio e serviços embaixo, 2009. FONTE: Júlia Cassiano Chagas 10
  11. 11. Universidade Presbiteriana MackenzieDeste modo, “os contrastes são abruptos, porque a alternância de edificações novas everticais com outras antigas e decadentes promove uma incoerência na paisagem. Maisagravado é esse aspecto, quando ocorrem reformas sem critério estético, desfigurando asvelhas construções até pelo emprego de pintura externa com cores inarmônicas” (JORGE,2006) FIGURA 11: Contraste dos edifícios novos e antigos no bairro Santa Cecília, 2009. FONTE: Júlia Cassiano Chagas, 2010Fontes:JORGE, Clóvis de Athayde. Santa Cecília. São Paulo: DPH; 2006.http://www.estacoesferroviarias.com.brO transporte público e a decadência do bairroEm 1978, foi dado inicio à construção da Estação República, juntamente a obras dereurbanização em seu entorno, que foram finalizadas em 1982. A seguinte estação a seriniciada foi a Santa Cecília, em 1978, num local de ocupação predominantementeresidencial e aparente processo de deterioração.Houve rumores de que a estação comprometeria a igreja e o antigo edifício das lojas Clipper(atual prédio do Banco Bradesco), mas a regularização do solo, criação de calçadões aoredor do templo e canteiros de arborização desfizeram os maus rumores. As obras foramfinalizadas em 1983. (JORGE, 2006) 11
  12. 12. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 FIGURA 12: Entrada para a estação Santa Cecília, 2009 FONTE: Júlia Cassiano ChagasFIGURA 14: Edifício do Banco Bradesco (à esquerda), calçadão ao lado da Igreja Santa Cecília (à direita), 2009 FONTE: Júlia Cassiano ChagasNum contexto de loteamentos diversificados: ora de grandes edifícios de uso misto, ora decasarões adaptados para comércio e serviços, ora extensos lotes subdivididos em pequenoscubículos que se tornaram cortiço, o fato é que, por anos, o bairro Santa Cecília sofreudrásticas mudanças urbanas.Pode-se atribuir estes contrastes a diversos fatores, entre eles:Primeiramente, a individualização do transporte na cidade, que gerou uma necessidade devagas para estacionamento nos edifícios residenciais e o aumento da violência nos locaispúblicos, que geraram uma carência de espaços de lazer dentro dos condomínios. Estasdeficiências fizeram com que moradores de melhor condição financeira se mudassem para 12
  13. 13. Universidade Presbiteriana Mackenzieoutros bairros com construções mais novas que atendessem a estas necessidades. E,finalmente, mais tarde, a construção do Elevado Costa e Silva, em 1970, que afetou todo oentorno de sua construção trazendo uma série de malefícios.Por estes motivos, o bairro foi sendo esvaziado aos poucos pelos antigos moradores, dandoespaço a novas famílias de baixa renda que sublocavam apartamentos e casas para morare, por sua vez, não possuíam renda para conservação dos edifícios. Em muitos casos, estasfamílias eram parte do movimento migratório pós 1ª guerra que ali se instalaram e abriramsuas lojinhas, empórios, armazéns, etc. Dando uma nova fachada a Santa Cecília. A partirde então, o bairro que era predominantemente residencial e possuía edifícios para cadafuncionalidade passou a ter um uso do solo de caráter predominante misto. FIGURA 15: Prédios de uso misto em frente ao Largo Santa Cecília, 2010 FONTE: Júlia Cassiano ChagasFontes:JORGE, Clóvis de Athayde. Santa Cecília. São Paulo: DPH; 2006.KOOLHAAS, Rem. La ciudad genérica. Barcelona: Ed. Gustavo Gili, 2007.http://www.saopaulo.sp.gov.br/ (11/11/09)O renascimento da vitalidade do bairroA partir de meados do ano 2000, a iniciativa privada passou a se interessar pelo bairro pelasua proximidade com o bairro Higienópolis, que possui um status de classe média alta e, 13
  14. 14. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011também, por já possuir infra-estruturas urbanas como, por exemplo, fácil acesso paratransportes individuais e públicos.Com isto, imóveis passaram a ser alvo de compras e reformas, construiu-se edifícios declasse média alta e, aos poucos o bairro foi se transformando, sendo novamente mudado oseu cenário. Isto é notório nas proximidades da Alameda Barros, onde já é possívelencontrar edifícios de classe média alta construídos e alguns em construção, o comércioque se renova e já possui um perfil voltado para rendas mais altas.Fontes:JORGE, Clóvis de Athayde. Santa Cecília. São Paulo: DPH; 2006.http://pt.wikipedia.org/wiki/Santa_Cec%C3%ADlia_%28bairro_de_S%C3%A3o_Paulo%29 (02/06/2010)Situação atual (Análise e levantamentos)Ainda em fase de transição, com um índice negativo de crescimento anual (SEMPLA), obairro Santa Cecília possui fortes contrastes. É notório que o bairro se divida em uma regiãomais desenvolvida, com aumento dos moradores de classe média alta nas proximidades daAlameda Barros e outra menos desenvolvida, cujas características da degradação ainda sefazem presentes, nas proximidades do largo da igreja e do Elevado Costa e Silva. FIGURAS 16 E 17: Contraste urbano em Santa Cecília, 2010 FONTE: Júlia Cassiano Chagas 14
  15. 15. Universidade Presbiteriana MackenzieAo contrário do que ocorre no restante da cidade de São Paulo, em Santa Cecília oenvoltório dos metrôs possui fortíssimo foco de degradação.No que diz respeito às residências, pode-se dizer que isto ocorre, provavelmente, pelo fatode que a linha de metrô foi traçada entre os obsoletos edifícios que ocasionaram oabandono de seus antigos moradores devido à falta de estrutura anteriormente citada.Este fato somado à construção do Elevado Costa e Silva, contribuíram para a decadênciamor da região afetando, então, não apenas as residências, mas o comércio que, em suamaioria, ocupa o pavimento térreo dos edifícios residenciais (FIGURAS 19 E 20). FIGURA 18: Levantamento do estado de conservação dos quarteirões em Santa Cecília em 2010 FONTE: Google Maps 15
  16. 16. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011FIGURA 19: Mapa da área utilizada para o levantamento de uso e ocupação do solo lote a lote, no ano de 2009, 1para a pesquisa “Espaços públicos e urbanismo contemporâneo: processos sociais, formas espaciais” FONTE: Google Maps, 2009.Os três gráficos a seguir foram extraídos a partir dos levantamentos feitos in-loco na regiãodegradada de Santa Cecília para a pesquisa “Espaços públicos e urbanismocontemporâneo: processos sociais, formas espaciais”¹. Nota-se o predomínio de edifíciosantigos com poucos pavimentos. FIGURA 21 FONTE: Júlia Cassiano Chagas, 2009.Outra característica marcante na região é uso misto dos edifícios:1 Pesquisa desenvolvida na Universidade Presbiteriana Mackenzie, com auxílio financeiro do Funda Mackenzie de Pesquisa a a(Mackpesquisa), entre 2008 e 2009. Equipe: Prof. Dr. Luiz Guilherme Rivera de Castro (Líder); Prof . Dr . Denise Antonucci; a a a aProf . Dr . Gilda Collet Bruna; Prof. Dr. José Paulo De Bem; Prof . Dr . Pérola Felipette Brocaneli ; Prof. Dr. Ricardo Hernan a aMedrano ; Prof . Ms.Silvana Maria Zioni; Prof . Ms. Volia Regina Costa Kato. Colaboradores Arq. Ms. Maria ErmelindaMalatesta; Arq. Renata Gonçalves Mendes. Alunos da Graduação Angélica Dantas Gama; Christiane Gabriele de LimaRibeiro; Kellen Cristina Brito de Souza; Miguel Angelo Aguiar de Lima; Júlia Cassiano Chagas. 16
  17. 17. Universidade Presbiteriana Mackenzie FIGURAS 21 E 22, 2009. FONTE: Júlia Cassiano ChagasAinda se tratando do comércio, ao circular pelas redondezas do largo Santa Cecília,observa-se que a ocupação urbana na região ainda está estruturada para servir ao públicotranseunte, com vasto comércio e prestadores de serviço. Entretanto, o desleixo de seusproprietários é evidente. Calçadas mal conservadas impedem que o pedestre caminhetranquilamente, tendo que, ao invés de apreciar as vitrines, preocupar-se em não seacidentar com diversos buracos e imperfeições. Mas uma coisa é fato: se o cliente desejarutilizar o carro para fazer compras na região terá, na maioria dos casos, de recorrer aestacionamentos ou vagas de rua. FIGURA 23: Pedestre desviando dos buracos na calçada, 2010 FONTE: Júlia Cassiano Chagas 17
  18. 18. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011A seguir, imagem feita por satélite aponta alguns equipamentos existentes no bairro, entreeles: linhas de ônibus, hospitais, templos religiosos, comércio e serviços, mostrando que obairro possui estrutura urbana e facilidade aos equipamentos para os moradores. Imagem de Santa Cecília feita por satélite em 2010 FONTE: Google Earth (29/07/2010)CONCLUSÃOTendo em vista as informações e análises expostas até então, faz-se evidente anecessidade de intervenções urbanas nas regiões degradadas do bairro Santa Cecília, sejaem termos de planejamento e preservação do espaço público, seja dando incentivos àiniciativa privada.Os prédios não possuem vagas de estacionamento nem área de lazer, pois foramconstruídos há muito tempo atrás, mas estão localizados em área central e próximos aometrô. Estas características de estar perto do metrô e praticamente no centro imprimem 18
  19. 19. Universidade Presbiteriana Mackenzievantagens para moradores de renda média e média baixa, podendo ser então consideradauma área com tendência à revitalização. Perfil de seus moradores: jovens estudantes,casais de classe média baixa e baixa renda, pessoas idosas que não tenham necessidadede transporte individual.Contudo, esta região do bairro parece repelir estes e outros possíveis habitantes. Istoprovavelmente se deve ao fato de que, a partir da construção do viaduto Costa e Silva,iniciou-se uma degradação de suas imediações, trazendo ao seu baixio (parte inferior da viaelevada) a presença de moradores de rua e seus dejetos, a escuridão que teima em venceras lâmpadas ali instaladas e a poluição que, junto ao ruído constante do tráfego deautomóveis, invade a janela de cada apartamento. Imagem do Viaduto Costa e Silva, 2010. FONTE: http://www.estadao.com.br/fotos/PAULOLIEBERT_14_10_2009_600.jpgTratando-se da qualidade urbana, é incontestável que o viaduto Costa e Silva seja, hoje, omaior agravante da deterioração de Santa Cecília.Para que seja possível revitalizar o local, a demolição do Elevado poderia ser consideradadentre as prioridades, desde que se mantivesse a ligação leste-oeste na cidade. Destaforma, é possível se cogitar novamente, a existência de qualidade urbana, como outroraexistia na Avenida São João e nos edifícios de seu entorno. A reestruturação do comérciolocal pode tornar a região novamente atrativa, valorizando-a como parte dacontemporaneidade. Isto pode levar a um projeto de requalificação local que, com o devidotratamento paisagístico, redesenhe as calçadas, implante áreas verdes e ciclovias, e que,juntamente com o incentivo governamental estimulem o restauro e tratamento das fachadasdos edifícios. Essas qualidades de projeto urbano podem trazer à região nova vida urbanalocal, de forma com que se mostre num novo papel como arquitetura e cidade: acolher, nãorepelir. 19
  20. 20. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 Avenida São João, 1932.FONTE: http://theurbanearth.files.wordpress.com/2008/04/av-1932.jpg?w=418&h=273 (31/07/2010)REFERÊNCIASLivrosJORGE, Clóvis de Athayde. Santa Cecília. São Paulo: DPH; 2006.JUNIOR, Geraldo S. Retalhos da Velha São Paulo – OESP Maltese, 1986KOOLHAAS, Rem. La ciudad genérica. Barcelona: Ed. Gustavo Gili, 2007.MONTANER, Josep Maria. Sistemas Arquitetônicos Contemporâneos. Barcelona: Ed.Gustavo Gili, 2008.PONCIANO, Levino. Bairros Paulistanos de a a Z. São Paulo: SENAC; 2001.PORTELA, Fernando. São Paulo 1860-1960: a paisagem humana. São Paulo: EditoraTerceiro Nome, Louveira, SP: Albatroz Editora e Produtora, 2004REIS FILHO, Nestor Goulart. São Paulo: Vila, cidade, metrópole. São Paulo: São Paulo450 anos, 2004SETUBAL, Maria Alice. A formação do Estado de São Paulo. São Paulo: Imprensa Oficial,CENEPEC, 2004.TOLEDO, Benedito L. São Paulo: Três cidades em um século. São Paulo: CosacNaify;Livraria Duas Cidades, 2007.VARGAS, Heliana C. Comércio: localização estratégica ou estratégia na localização?Universiade Presbiteriana Mackenzie/Dissertação de Mestrado; 1992. 20
  21. 21. Universidade Presbiteriana MackenzieSiteshttp://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/planejamento/ (14/10/09)http://www.saopaulo.sp.gov.br/ (11/11/09)http://www.atrasdamoita.com/sao-paulo-antigo-bondes-e-trilhos.html (10/05/10)http://pt.wikipedia.org/wiki/Santa_Cec%C3%ADlia_%28bairro_de_S%C3%A3o_Paulo%29(02/06/2010)Contato: jujucachagas@gmail.com e gilda@mackenzie.br 21

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