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VII Jornada de Iniciação Científica - 2011A opção estrutural sugere algo simples para a sensação de abrigo, porém a técnic...
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Em parceria com a Professora Helena Abascal, publicamos os relatórios das pesquisas realizados por alunos da fau-Mackenzie, bolsistas PIBIC e PIVIC. O Projeto ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA difunde trabalhos e os modos de produção científica no Mackenzie, visando fortalecer a cultura da pesquisa acadêmica. Assim é justo parabenizar os professores e colegas envolvidos e permitir que mais alunos vejam o que já se produziu e as muitas portas que ainda estão adiante no mundo da ciência, para os alunos da Arquitetura - mostrando que ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA.

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  1. 1. Universidade Presbiteriana MackenzieFUNDAMENTO ESTRUTURAL: MATERIAL, CONCEITO E PROJETOJosé Eduardo Calijuri Hamra (IC) e Mario Lasar Segall (Orientador)Apoio: PIVIC MackenzieResumoEsta pesquisa tem como intuito iniciar a caminhada em direção a um entendimento de como, dentrodo processo de projeto arquitetônico, se estabelece e desenvolve a relação entre o projeto e suaopção estrutural. Após uma breve apresentação da evolução da arquitetura brasileira desde as ocasindígenas até os dias de hoje, a questão é abordada na produção de dois arquitetos brasileirosrenomados. Embora as duas metodologias de projeto sejam diferentes, mostrando diversas opçõespara se atingir com êxito a resolução estrutural, há entre elas o entendimento comum de que a opçãoestrutural é parte fundamental da concepção arquitetônica como um todo e não somente umaconseqüência mecânica, lógica desta.Palavras-chave: processo, metodologia de projeto,sistema estrutural, materialAbstractThis research represents the first steps towards understanding how does the relation between designand structural definition develop in the architectural design process. After a brief account of the historyof Brazilian architecture from the native dwellings to date, the issue is approached in the work of tworenowned Brazilian architects. Despite their different design methodologies, with diverse alternativesto reach their structural solutions, there is between them the understanding that the structural systemis a fundamental part of their architectural conception as a whole, not just a mechanical, logical,consequence of it.Key-words: process, design methodology, structural system, material 1
  2. 2. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011INTRODUÇÃOO objeto de estudo da arquitetura é o espaço. Um de seus maiores desafios é produzirespaços cobertos. É, portanto, resolver a contradição básica com que se defronta o sistemaestrutural: redirecionar as cargas de modo tanto a sustentar volumes eficientemente(resolvendo de modo estável os conflitos de forças), quanto lidar com os efeitos dagravidade sem obstruir o espaço que se busca conceber. Mas há outro aspecto, não menosimportante, que é atingir aquele objetivo de maneira plasticamente agradável, prazerosa.Nas profissões do (da) arquiteto (a) e do (da) urbanista, o projeto é um processo deconcepção criativo. Ele desafia a capacidade humana de propor soluções para problemasconcretos ainda não antecipados. Nesse processo, a estrutura é parte crucial, seja de queforma for que se inclua no desenho final. Ela se encontra entre os elementos básicos daarquitetura. No caso brasileiro, desde as ocas indígenas, a estrutura se revelou comocentral, o domínio dos elementos da natureza de modo a permitir a forma e o espaço pormeio da ação humana. Na época do apelo clássico e eclético, isso foi ofuscado em nome dacentralidade estética, do invólucro. No entanto, voltou a se apresentar mais claramente como movimento moderno, marcado pelo enfoque estético e racional derivados da estrutura,eliminando os métodos neoclássicos que ofuscavam sua importância.A questão estrutural – sua explicitação – durante o movimento moderno assumiu tamanhaimportância, que diversos arquitetos mudaram completamente seu processo de projeto emvirtude desse pensamento, chegando ao ponto de ‘moldarem’ suas obras em função destefundamento, como é o caso do arquiteto Oscar Niemeyer. [...] o que aparece com a técnica não é a técnica, mas o pensamento e ainda a razão. A relação dialética entre arte e técnica, que é confundida na existência humana, na expressão da existência humana. Que é uma coisa só. Não deve se confundir é uma coisa só .Paulo Mendes da Rocha. (apud PIÑON, 2002, p. 15).Apesar de algumas divergências a partir do movimento moderno no Brasil, a importânciaestrutural nunca foi deixada de lado. Esta pesquisa procura iniciar um entendimento decomo aquela equação – cargas x espaço – se resolve no processo de projeto de arquitetosbem como procura lançar uma primeira luz sobre como a preocupação estrutural de doisarquitetos selecionados se revela na concepção, no projeto e na obra propriamente dita.Uma breve evolução da arquitetura no Brasil é apresentada primeiramente, seguida dealguns comentários sobre três projetos de cada um dos dois arquitetos brasileirosselecionados. Por fim, uma conclusão é apresentada. 2
  3. 3. Universidade Presbiteriana MackenzieBREVE EVOLUÇÃO DA ARQUITETURA NO BRASILA Oca Indígena:Os registros originais arquitetônicos no Brasil são de uma arquitetura vernacular. Nas OcasIndígenas, tupis-guaranis, descritas pelos primeiros europeus que aqui chegaram, aestrutura era o grande desafio enfrentado.“Estes conhecimentos revelam a riqueza da sabedoria tradicional da população indígena dopaís, pois esta era possuidora de uma arquitetura e engenharia diferenciadas, plenamenteadequadas ao sítio arquitetônico na qual estava inserida” (CIANCIARDI, 2004, p 6).Diversas aldeias que aqui se encontravam, produziam a mesma arquitetura, as mesmasocas, com o mesmo sistema estrutural de tramas curvas de galhos finos, funcionando sobtração e cobertas com folhas secas. A similaridade entre os sistemas de diversas tribosespalhadas pelo território nacional, muitas das quais sem contatos com outras, indica queessa maneira de construir não foi coincidência. Provavelmente, essa arquitetura erarealmente, nesses casos, a mais apropriada entre as possibilidades oferecidas pelosmateriais e tecnologias disponíveis.Demonstrando a relação de dependência que a arquitetura possui com a tecnologia, osíndios brasileiros, talvez sem vislumbrar outras opções tecnológicas, acreditavam terencontrado a forma perfeita para a habitação. De fato, por mais rudimentar que pareça, aoca atendia às necessidades climáticas impostas pelos trópicos, assim como os hábitos eculturas indígenas. Estes mesmos hábitos e soluções técnico-construtivas desenvolvidas pelos povos autóctones, pré-cabralianos, em São Paulo de Piratininga e demais regiões brasileiras, perpetuam-se até os dias de hoje praticamente, quase sem nenhuma alteração conceitual nas habitações tradicionais indígenas dos tupi-guaranis e dos grupos tupis da Amazônia, comprovando sua eficácia técnica, firmada ao longo dos séculos. (CIANCIARDI, 2004, p 8).O desafio estrutural consistia em criar, por meio da amarração de “galhos finos” (taquaras),uma trama de arcos perpendiculares ao solo que, fixados uns aos outros por cipós, se auto-sustentavam. Nesse sentido, o arco já demonstrava na prática sua eficiência estrutural,quase como um berço de conhecimento arquitetônico. No calor tropical não havia anecessidade de materiais mais pesados e de vedação como ocorria na Europa, com aspedras, por exemplo, muito mais pesadas e que demandavam bases de massa muito maior.É um exemplo rico da conjunção entre estrutura e material disponível em um contextoparticular, fruto da observação de que varetas finas curvam com facilidade, produzindo umefeito de resistência suficiente para coberturas com materiais leves, também abundantes. Osaber era apenas empírico e passado de geração para geração. Em algumas ocas de maior 3
  4. 4. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011porte, construídas para diferentes usos, já se usavam pilares de sustentação interna comoauxílio para a “cumeeira”. Pilares utilizados Trama de taquaras Processo de vedação na trama já para a sustentação da formada por arcos existente. cumeeira em ocas de maior perpendiculares porte. amarrados por cipó. 1 2Imagem 1: www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/imagens/424_14.jpgImagem 2: www.guaira.sp.gov.br:8080/imagens/oca4.jpgConstruída esta trama, aplicava-se a vedação, feita por folhas longas e secas, normalmentede palmeiras ou palha. Este mesmo material vedava todas as paredes envoltórias atéconvergirem na cobertura, o princípio da casca moderna, ou seja, a combinação daspropriedades do mecanismo de laje e das do mecanismo de placa (ENGEL, 2001). As ocasnão possuíam janelas e a ventilação era possibilitada pelo material utilizado na vedação,impermeável, mas aberto ao vento por pequenas fendas, e pelas portas (normalmente nãose construíam ocas com uma única porta).A Casa Bandeirista:O segundo grande exemplo de arquitetura no Brasil é a Casa Bandeirista. Esta representaum marco da chegada européia no Brasil, pois suas características demonstram claramenteinfluências arquitetônicas que estavam sendo produzidas na Europa, as quais foramadaptadas pela mistura com o saber empírico acerca das construções indígenas aquiexistentes.Todas as casas eram muito semelhantes em volumetria, planta e distribuição dos cômodos,no que era uma padronização semelhante à das Ocas Indígenas encontradas pelo país,acrescida da aplicação da tradição européia. Tecnicamente eram construídas de taipa,normalmente de pilão nas paredes exteriores e de mão nas interiores. Duas são as modalidades do sistema construtivo da taipa: a taipa de pilão e a taipa de mão. A técnica da taipa de pilão consiste na feitura de fôrmas de madeira denominadas taipais, mantidas verticalmente através de travessas de madeira a prumo que recebem uma massa homogênea de terra previamente selecionada e peneirada, misturada com areia, argila, 4
  5. 5. Universidade Presbiteriana Mackenzie estrume de gado vacum, crina de animais, sangue de boi ou fibras vegetais para garantirem uma maior aglutinação dos materiais e evitar a desintegração por rachaduras e fendas. Após ser umedecida, esta mistura é amassada e posta em camadas de 20 cm no taipal e quando comprimidas pelo pilão ou pelos pés reduzem-se a 15 cm; o processo repete- se sistematicamente até o preenchimento dos taipais. As paredes possuem uma espessura de 40 a 80 cm, são maciças e tornam- se muito resistentes após a secagem. Loureiro. (apud CIANCIARDI, 2004, p. 11).A de mão consiste no arremesso da mesma massa e uma posterior compressão utilizandoapenas os pés e mãos. Essas normalmente ficam mais finas e um pouco menos resistentesque as de pilão.As paredes eram auto-portantes, podendo chegar a um metro de espessura dependendo daobra, e tinham como principal desafio estrutural conseguir sustentar o telhado, que, feito demadeira, apresentava uma inclinação menor das águas, com planos mais abertos e menosíngremes próximo aos beirais, visando aliviar os esforços horizontais.Estruturalmente, a casa funcionava como um bloco rígido, evitando, portanto grandesaberturas para as janelas, procurando eliminar pontos críticos na estrutura. Telhado com dupla curvatura Beirais das águas para evitar os prolongados esforços horizontais nas para evitar a paredes. umidade da chuva que Poucas aberturas nas enfraquecia a paredes estrutura para não criar pontos críticos na estrutura.Imagem: http://farm4.static.flickr.com/3368/3428347344_3af1a4caa9o.jpg0Ainda que os europeus que aqui aportaram já dispusessem de conhecimento técnico, asestruturas continuavam aparecendo, em grande medida de maneira empírica, em umcontexto diverso e desconhecido, porém, com resultados similares em algumas regiõespróximas a São Paulo e outras localidades litorâneas do sudeste.A Casa Bandeirista indica que os europeus interpretaram as Ocas Indígenas, que se‘resumiam’ a um esqueleto a ser vedado, como construções que não atendiamnecessariamente aos hábitos de vida dos bandeirantes. Dessa forma, uma nova técnicaestrutural surgiu para atender a essas novas necessidades, baseadas em costumes sociaisdiferentes, como, por exemplo, ambientes isolados dentro de uma mesma estrutura parausos diversos, uma individualização do espaço, em contraste com o espaço coletivoindígena. Além disso, o nivelamento do terreno por meio de uma base em caixa de pedras, 5
  6. 6. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011ou o uso desta base para a constituição de um vazio sob o piso para controlar a umidade eo acesso de animais e insetos rasteiros, são exemplos dessa reinterpretação. Com a fundação do povoado de São Paulo (1554), houve o inevitável confronto entre duas culturas distintas: a indígena e a ibérica, o que resultou no surgimento de habitações caracterizadas pelo sincretismo técnico-construtivo destas duas culturas distintas, sendo utilizadas durante o século XVI e XVII. O mameluco paulista do século XVII foi o responsável pela solidificação deste sincretismo, que uniu a experiência arquitetônica indígena às necessidades ibéricas. (CIANCIARDI, 2008, p 8).Mesmo de maneira muito rústica, o caminho para inovações estruturais e tecnológicas era omesmo que se aplica hoje: a busca por novos materiais, as experimentações, e os saberesempíricos originários das construções anteriores. Este processo de busca tecnológica que‘transformou’ a Oca Indígena na Casa Bandeirista foi o mesmo que mais tarde motivouarquitetos a produzir obras significativas, o desenvolvimento das tecnologias do concretoarmado e do aço para atender à nova necessidade dos arranha céus, à plasticidade formal evolumétrica no discurso estético.De qualquer modo, as raízes bandeiristas predominaram por alguns séculos no Brasil, atéque as influências da industrialização européia chegassem ao país de modo maiscategórico, já em pleno século XIX. Com a chegada do café nossas casas se modificaram de dentro para fora, pois a inércia da tradição fez com que por muito tempo, mesmo com os recentes métodos construtivos trazidos pelo tijolo, se construísse copiando a estética e volumetria da taipa de pilão. Lemos (apud CIANCIARDI, 2004, p 134).Só com o crescimento econômico, particularmente da região sudeste do país, é que estatradição começou a ser sacudida.O Neoclassicismo e o Ecletismo:A modernização originária das influências européias, impulsionadas pela revolução industrialnaquele continente, começou a chegar ao Brasil no decorrer do século XIX e uma novaarquitetura surgiu para atender a novas expectativas e necessidades.Os resquícios coloniais, bandeiristas, ainda muito fortes por aqui no início daquele século,deixaram clara a tentativa de europeização da cultura e da economia brasileiras. Essesfatores, até 1929, foram os responsáveis pela mudança dos hábitos de vida dos brasileiros,que começavam a deixar a zona rural e migrar para os centros urbanos mais avançados,que se constituíam de modo mais determinado apesar do pequeno número de indústrias – amaioria artesanal – e da predominância da agricultura na economia do país (Segawa, 1999). 6
  7. 7. Universidade Presbiteriana MackenzieEm meio a estas influências do desenho urbano europeu, no entanto, ganha força ummovimento de ruptura com a europeização de nossa cultura. Por algum tempo ainda, atradição arquitetônica brasileira manteve os preceitos bandeiristas como padrão. Mesmocom a chegada do tijolo, por muito tempo as casas mantiveram a tipologia bandeirista, masconstruídas de tijolo e ornamentadas por elementos neoclássicos. Foi o estilo eclético oresponsável pelo rompimento com a tradição bandeirista. Com a chegada de novas técnicasa construção civil se profissionalizou, criando empresas especializadas e plantasfiscalizadas pela prefeitura (CIANCIARDI, 2004).A atenção que passou a ser voltada para as construções foi responsável pelo aumento eaperfeiçoamento das técnicas que eram trazidas de diversos lugares de acordo com osimigrantes que chegavam (ibid.). Estava consolidado o cenário para a transformação urbana de São Paulo. A cidade se revitalizava com a demolição dos velhos casarões de taipas, abrindo passagem para uma paisagem eclética ao estilo europeu. As ruas estavam sendo alargadas, calçadas e iluminadas, enquanto as praças eram erigidas, dignificando o novo centro financeiro do país (CIANCIARDI, 2004, p 19).Os imigrantes trouxeram técnicas ainda não disponíveis no Brasil, substituindo a taipa pelotijolo, revestimentos em estuque com frisos e cornijas decorativas, embora o padrão aindafosse a taipa (CIANCIARDI, 2004).“Os italianos preferiam, por exemplo, os alicerces de tijolos aos de pedras, e na carpintariausavam pregos ao invés de parafusos, o que tinha efeito de mudar as possibilidadesestruturais de certas madeiras” Loureiro (apud CIANCIARDI, 2004, p. 34). 1 2Imagem 1 (Teatro Municipal de São Paulo): www.atarde.com.br/arquivos/2008/05/31432.jpgImagem 2 (Casa da Rosas, São Paulo):api.ning.com/files/d43zaiHQIRU42RRI6EbErkCcsf0ARmYWWvDCQKJV2G*ZhEqvd2mazyw1EGL39CJm2.jpgO Pensamento Moderno:O surgimento do pensamento moderno, a máquina a vapor, a produção da tecnologia, aprodução em larga escala que passa a caracterizar o capitalismo, as migrações para as 7
  8. 8. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011cidades, e a conseqüente alteração no hábito de vida da população ocidental foram fatoresque influenciaram a mudança radical pela qual a arquitetura passou, sobretudo em suastécnicas construtivas.Este período da arquitetura, denominado de Período Moderno, declarava abertamente orompimento com as práticas arquitetônicas do passado, as criticavam por não atenderem oshábitos de vida da população, e propunha um novo modelo do pensar arquitetônico.Todas essas mudanças acarretaram uma nova maneira de ver o mundo, assim como de vera arquitetura. O pensamento fordista que impulsionava a economia também impulsionava osarquitetos, que passavam a ver a arquitetura como a “máquina de morar”. Esse pensamentomoderno começava a utilizar a produção em massa e a produção de novas tecnologias paraalterar a arquitetura. Construir uma casa a mais cômoda e barata possível, eis o que deve preocupar o arquiteto construtor da nossa época de pequeno capitalismo, onde a questão de economia predomina sobre todas as demais. A beleza da fachada tem que resultar da funcionalidade do plano da disposição interior, como a forma da máquina é determinada pelo mecanismo que é a sua alma. (WARCHAVCHIK, 1925).As construções passavam a utilizar o concreto armado como principal elemento, asestruturas eram encaradas (de maneira genérica) como rígidas e aparentes, muitas vezescomo responsáveis pela organização espacial do edifício. Os novos hábitos da população serefletiram na arquitetura como na demanda por residências práticas, formas puras, altodesempenho funcional; deveriam servir à população assim como uma máquina serve àsfábricas. A coisa é muito diferente quando examinamos as máquinas para habitação – edifícios. Uma casa é, no final das contas, uma máquina cujo aperfeiçoamento técnico permite, por exemplo, uma distribuição racional da luz, calor, água fria e quente, etc. A construção desses edifícios é concebida por engenheiros, tomando-se em consideração o material de construção da nossa época, o cimento armado. (WARCHAVCHIK, 1925). Eles [como Le Corbusier] queriam que suas casas falassem do futuro, com sua promessa de velocidade e tecnologia, democracia e ciência. Eles queriam que suas poltronas evocassem a carros de corridas e aviões, queriam que suas lâmpadas lembrassem o poder da indústria e os seus bules de café, o dinamismo dos trens de alta velocidade (BOTTON, 2006, p 62)Tudo estruturalmente lógica e eficientemente resolvido. Toda esta reviravolta que aconteciano mundo arquitetônico fez com que a arquitetura passasse a partir de então a encarar asestruturas como compositivas da obra, atribuindo-lhe funções além do equilíbrio estático. 8
  9. 9. Universidade Presbiteriana Mackenzie“Assim, a transparência das fachadas, conseguida com a estrutura independente e asparedes de vidro, é comparável à honestidade; a planta livre à democracia e à amplapossibilidade de escolha; a ausência de ornamentação à economia e integridade ética”(MONTANER, 2001, p 12)No Brasil, o movimento moderno teve início com a prática de Gregori Warchavchik, e navida acadêmica pela reforma na Escola Nacional de Belas Artes, realizada por seu diretor, oarquiteto Lúcio Costa. Na América Latina, o sistema Beaux-Arts importado da Europa tinha se esgotado por ele mesmo e os mais avançados arquitetos latino-americanos estavam buscando por conta própria a superação de um sistema antiquado. A demonstração mais clara da existência de um caminho latino-americano próprio para a modernidade são as teorias de Lúcio Costa (1902- 1998) e a obra da juventude de Oscar Niemeyer (1907-). O arquiteto russo Gregori Warchavchik, emigrado ao Brasil em 1928 introduziu Lúcio Costa à arquitetura moderna; e este foi o professor de Niemeyer (MONTANER, op. cit., p 25,26)Lúcio Costa lembra as mudanças da seguinte forma: Nas extensas galerias povoadas do testemunho em gesso de obras imortais, ainda parece ressoar o passo cadenciado do velho diretor Baptista da Costa, sempre sombrio e cabisbaixo, mãos para trás, e a esconder tão bem a alma boníssima sob o ar taciturno, que a irreverência acadêmica o apelidara Mutum. Como tudo isso já parece distante... E, no entanto, apenas vinte anos depois, construía-se o edifício do Ministério da Educação e Saúde. A arquitetura jamais passou, noutro igual espaço de tempo, por tamanha transformação. (COSTA,1995, p 68).E prossegue: O Parthenon, Reims, Santa Sofia, tudo construção, tudo honesto, as coluna suportam, os arcos trabalham. Nada mente. Nós fazemos exatamente o contrário – se a estrutura pede cinco, a arquitetura pede cinqüenta. Procedemos da seguinte maneira: feito o arcabouço, simples, real, em concreto armado, tratamos de escondê-lo por todos os meios e modos; simulam-se arcos e contrafortes, penduram-se colunas, atarraxam-se vigas de madeira às lajes de concreto[...]. (ibid.)A partir de então, as obras começaram a apresentar estruturas com papel de destaque.Novos materiais surgiram e alteraram as possibilidades estruturais e espaciais, criandonovas metodologias e processos de projeto. No Brasil, este movimento se deuprimordialmente com o surgimento das chamadas escolas ‘Paulista’ e ‘Carioca’, revelandonomes como os de Vilanova Artigas e Oscar Niemeyer. No caso da escola Paulista, o“Brutalismo” propôs formas puras, estruturas sinceras, concreto aparente e ousadiasestruturais. Já a escola Carioca se destacou por obras plásticas moldando o concreto. 9
  10. 10. VII Jornada de Iniciação Científica - 20111 233 4Imagem 1 (Villa Savoye, Le Corbusier): arktetura.files.wordpress.com/2009/09/villa-savoye-2.jpgImagem 2 (Faculdade de Arq. e Urb. da Universidade de São Paulo, Vilanova Artigas): autorImagem 3 (Capela da Pampulha, Oscar Niemeyer): autorImagem 4 (Museu de Arte de São Paulo, Lina Bo Bardi):www2.nelsonkon.com.br/popup.asp?ID_Obra=44&ID_Foto=298DOIS ARQUITETOS BRASILEIROSMarcos AcayabaNatural de São Paulo, Marcos Acayaba é considerado um dos mais inventivos arquitetosbrasileiros. “A obra de Marcos Acayaba destaca-se como uma das mais consistentes nocenário da arquitetura brasileira contemporânea” (WISNIK, 2007, p 13).Acayaba é um arquiteto que utiliza grande variedade de materiais e técnicas construtivas,como alvenaria estrutural e estruturas pré-fabricadas em madeira e concreto, com formasnovas, resultado de análises rigorosas de condições específicas, como terreno, clima,entorno, situação urbana e assim por diante (NAKANISHI, 2007).Comentários sobre algumas obras:1) Sede de Fazenda em Pindorama:Local: Bairro do Jacaré - Cabreúva, SP. Ano do projeto: 1974. Período de construção: 1975.Arquitetos: Marcos Acayaba e Augusto Lívio Malzoni.Esta obra está localizada longe da cidade, sobre uma área plana. Há dois pátios de lazerinternos, protegidos dos ventos da região, de onde se desenvolve o resto do projeto. Pela 10
  11. 11. Universidade Presbiteriana Mackenziedificuldade de encontrar mão de obra no local e transporte de materiais, o arquiteto optoupor um sistema estrutural com facilidade de execução (www.marcosacayaba.arq.br).Portanto, o desenvolvimento do projeto desta obra mostra claramente a metodologia deprojeto que o arquiteto diz utilizar: “Assumo então a estratégia de obra, onde o processo deprodução é fundamental, como uma referência, uma bússola, que vai orientar a concepção eo desenvolvimento do projeto” (www.marcosacayaba.arq.br).Partindo de uma análise da área, Acayaba optou pela utilização de uma estrutura maisconvencional, como nos projetos de fábricas, muito próximas das placas corrugadas. Oarquiteto concluiu que a estrutura utilizada deveria ser uma adaptação das estruturas degrande porte para uma obra residencial. O processo de construção das coberturas foirealizado por um processo industrial, fôrmas idênticas de madeira que se repetemsucessivamente.Após a cura do concreto, por não ter havido contato entre a madeira e o concreto, ascambotas foram transportadas inteiras e reutilizadas por várias vezes.Imagens: www.marcosacayaba.arq.br/lista.projetos.chain2) Vila Butantã:Local: Vila Pirajussara - São Paulo, SP. Ano do projeto: 1998. Período de construção: 2004.Arquitetos: Marcos Acayaba e Suely Mizobe.Este projeto reúne alguns aspectos significativos para o desenho final: a topografia emqueda, a vista, o baixo custo e flexibilidade, conceitos bastante contemporâneos. Estesaspectos é que determinaram o uso de certos materiais resultando em casas geminadasque acompanham as curvas do terreno. Para racionalizar o processo de produção combaixo custo, o arquiteto utilizou alvenaria armada com blocos de concreto pigmentado, que 11
  12. 12. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011apóiam lajes mistas de concreto e madeira, uma técnica nova patenteada pelo arquiteto.(www.marcosacayaba.arq.br) Fugindo da solução convencional de laje em concreto, Acayaba e Hélio Olga [seu engenheiro], decidiram propor uma solução até então nova no Brasil, um tipo de laje nervurada, de madeira e concreto, que foi patenteado depois de ensaios e estudos realizados pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas. (NAKANISHI, 2007, p 160)Esta nova solução estrutural sugere as opções técnicas do arquiteto em seu processo deprojeto. Suas preocupações técnicas e ambientais aparecem na economia de concreto e nouso racional da madeira.1 2Imagens 1, 2 e 4: www.marcosacayaba.arq.br/lista.projetos.chain3 4Imagem 3: Nakanishi, 2007, p 1593) Residência Marcos Acayaba:Local: Tijucopava - Guarujá, SP. Ano do projeto: 1996. Período de construção: 1996 – 1997.Arquitetos: Marcos Acayaba, Suely Mizobe, Mauro Halluli, Fábio Valentim.Esta residência é o resultado de algumas experiências, reflexões e obras do arquiteto,algumas bastante similares. 12
  13. 13. Universidade Presbiteriana Mackenzie“O projeto da minha casa é conseqüência de um processo que teve início na ResidênciaHélio Olga, passou pela Residência Baeta, e depois pelo Protótipo (1993), que teve seudesenho aplicado e testado na estrutura da Residência Valentim (1993-95)” Acayaba (apudKATINSK, SEGAWA e WISNIK, 2007).1 2 3Imagem 1 (Residência Hélio Olga): www2.nelsonkon.com.br/popup.asp?ID_Obra=14&ID_Foto=97Imagem 2 (Residência Baeta): Nakanishi, 2007, p 105Imagem 3 ( Residência Marcos Acayaba): Nakanishi, 2007, p 105Do ponto de vista metodológico, nos casos acima, a falta de espaço para o canteiro deobras implicou a utilização de pré-moldados, a declividade do terreno implicou em trabalharcom mais de um nível, a natureza a ser preservada e o solo úmido implicaram a redução depontos tocantes no solo e nas formas adaptáveis as árvores já existentes no local.(ACAYABA apud KATINSK, SEGAWA e WISNIK. 2007).Do ponto de vista de evolução estrutural, no caso da residência Hélio Olga, a forma maisestreita obrigou a utilização de travamentos metálicos externos aos módulos quadrados queconformam a estrutura. Já na residência Baeta, os seis pontos que chegam ao solo seramificam em mãos-francesas e passam a sustentar pisos modulados por triânguloseqüiláteros, que, por sua vez, passam lado a lado a conformar hexágonos até formarem ospisos, o que resultou no chamado “Protótipo”. “Essa nova formação estrutural é muito maiseficiente por trabalhar com formas triangulares que se travam naturalmente a esforçoshorizontais” (NAKANISHI, 2007, p 128). O sucesso dessa obra e a eficiência de seu módulo(o triângulo) despertaram estudos, que culminaram na padronização de um módulo quepossibilita diferentes conformações para terrenos similares. A Residência Marcos Acayabamelhorou este processo estrutural ao propor tocar o solo em apenas três pontos.Estas obras são consideradas ‘construções limpas’. Praticamente todas em pré-moldados,integram-se à natureza, têm prazos de execução muito curtos, além de utilizarem poucaquantidade de mão-de-obra. Concluí-se, portanto, que no trabalho de Marcos Acayaba aevolução do processo de projeto se dá, em grande medida, em torno das questões dastécnicas e materiais disponíveis no local. Feitas estas análises e escolhidos os materiais a 13
  14. 14. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011ser trabalhados, o arquiteto praticamente já tem o sistema estrutural definido, em umprocesso único, integrado com possibilidades técnicas, plásticas, construtivas e ambientais(WISNIK, 2007).Paulo Archias Mendes da RochaNascido em Vitória, no Espírito Santo, formou-se arquiteto na Universidade PresbiterianaMackenzie em 1954 e passou a lecionar na Universidade de São Paulo em 1959.A linguagem das obras de Mendes da Rocha demonstra uma “busca do recursotecnicamente perfeito para a consolidação dos espaços” (ARTIGAS, 2007, p 11). Suametodologia projetual nasce em meio a sua formação no contexto da modernidadebrasileira, sua ligação com a escola paulista, o brutalismo, as influências de seu mestre,Vilanova Artigas, e as referências minimalistas do século XX (MONTANER e VILLAC, 1996),sempre pensando a relação com a cidade. Sua preocupação parece ter sempre sido tantocom a carga de informação necessária ao profissional, como com a integração ser humano– ambiente, uma síntese entre técnica e arte. Quando um arquiteto risca num papel uma anotação formal, um croqui, está convocando todo o saber necessário, mecânica dos fluidos, mecânica dos solos, máquinas e cálculos que sabe que existem para fazer aquilo. Abordar a questão da técnica, do ponto de vista de um arquiteto, como quem anula a distância, aparentemente inexorável, entre humanismo e técnica, entre filosofia e matemática, entre razão e imaginação (MENDES DA ROCHA, 2006, p. 71).As intenções estéticas são demonstradas pelas formas expressivas que a técnica permite,assim como pela opção quase singular do concreto aparente na maioria de suas obras.(VILLAC, 2001).Comentários sobre algumas obras:1) Ginásio do clube Atlético Paulistano:Local: Bairro dos Jardins, São Paulo – SP. Ano do projeto: 1958.Arquiteto: Paulo Mendes da Rocha.Este projeto, do início da carreira do arquiteto, mostra a clara definição da forma a partir dasolução técnica adotada para criar permeabilidade e flexibilidade para a realização deeventos. O Intuito de se criar uma praça por meio de pilares radiais, a meio piso com a ruaexterna e com o quarteirão interno, criando desta maneira um espaço retangular de usomisto onde está inscrito o ginásio propriamente dito foi o responsável pelo norteamento doprocesso de projeto (WISNIK, 2006). A estrutura é exposta, sintetizando desenho e funçãotécnica. O concreto trabalha a compressão por meio dos pilares e o aço a tração por meio 14
  15. 15. Universidade Presbiteriana Mackenziedos tirantes. A cobertura permite a entrada de luz em dois níveis, um entre a cobertura e oanel de concreto e outro entre o anel e a plataforma retangular.1 2Imagem 1 (Clube Atlético Paulistano, São Paulo):2.bp.blogspot.com/_kbn8MFkCWGI/RnZb29JSk8I/AAAAAAAAAjQ/HEEVVLRJzt8/s320/1.jpgImagem 2 (Clube Atlético Paulistano, São Paulo):1.bp.blogspot.com/_dTg6-l2hcT8/SQH90g0bByI/AAAAAAAAACI/8kLv4FnphD0/s320/clube+atletico.bmp2) MuBE - Museu Brasileiro da EsculturaLocal: São Paulo, Jardins. Ano do Projeto: 1988.Arquiteto: Paulo Mendes da Rocha.A proposta do arquiteto neste projeto foi propor um espaço com utilização não apenas deexposição artística, mas como uma grande praça, possibilitando diversos usos e na qual semarca a presença da intervenção humana pela sensação de uma ‘sombra construída’,gerada por um vão de 12 por 60 metros (WISNIK,2006).Sua simplicidade permitiu a ocupação do solo de no máximo trinta por cento do total, e umaarquitetura que não competisse com as esculturas. O arquiteto trabalhou com o desnível doterreno, praticamente enterrando o espaço de exposições. A opção estrutural foi por umpórtico de concreto, que demonstra a presença humana no local e permite ao usuário otérreo livre, e a sua fluidez por entre os caminhos criados nos desníveis, demonstrando amescla entre capacidade criativa e interpretativa do arquiteto em relação ao movimentomoderno. Ao analisarmos o processo de projeto de Mendes da Rocha, podemos perceber que sua parte criativa está em constante conurbação com a interpretativa, pois se apropria de elementos já consagrados na estética Moderna, que, sob sua nova interpretação, transforma-se em novas soluções de projeto. (ALVES,2005, p. 68). 15
  16. 16. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011A opção estrutural sugere algo simples para a sensação de abrigo, porém a técnicaconstrutiva possui certa complexidade ao protender as vigas em caixões perdidos. Oarquiteto reinterpreta o movimento Moderno e a Escola Paulista ao utilizar um sistemaestrutural para transmitir conceitos teóricos e sensitivos da obra através de dimensões e domaterial. A estrutura passa a expressar sua metodologia de projeto, “entre humanismo etécnica, entre filosofia e matemática, entre razão e imaginação” (ARTIGAS, 2007, p. 72).1 2Imagens 1 e 2 (Museu da Escultura, São Paulo):http://www2.nelsonkon.com.br/obras.asp?ID_Categoria=1&node=42&tiponode=a&ID_Arquiteto=8&ID_Obra=83) Marquise – Praça do Patriarca.Local: Centro, São Paulo – SP. Ano do projeto: 1992Arquiteto: Paulo Mendes da RochaA marquise da Praça do Patriarca, que deveria integrar um projeto de total revitalização docentro de São Paulo, acabou se tornando um elemento isolado. De qualquer modo, oarquiteto defende as intervenções urbanas como parte da identidade da cidade, sempremutável, se construindo sobre seus próprios escombros (VILLAC, 2001).Propondo algo suave, sem uma presença pesada do ser humano, o arquiteto demonstra odomínio de seu processo de projeto não como algo estilístico, mas sim intencional. Nesseprojeto a mudança no intuito da obra faz com que se alterem as características marcantesdos outros dois projetos aqui analisados (ibid.).“A nova cobertura que Paulo Mendes da Rocha projeta para a Praça do Patriarca é oprimeiro projeto do arquiteto cuja materialidade "única", em aço, contraria a preeminência doconcreto aparente” (ibid.).Os blocos de concreto, pesados são substituídos por peças leves de metal. A forma adotadapara o projeto remete muito mais a idéia de portal, cores claras, forçando praticamente asua invisibilidade, ou apenas indicando que se olhe para o seu entorno, e não para ela. 16
  17. 17. Universidade Presbiteriana MackenzieEstruturalmente, técnica e material se apresentam juntos, em uma pura estrutura, que geraa sensação de abrigo invocando a arquitetura que por sua vez utiliza do material parconferiros efeitos desejados, tanto sensitivamente como no dimensionamento das peças (ibid.)1Imagen 1 (cobertura para a Praça do Patriarca, SãoPaulo): www.flickr.com/photos/carloscastejon/3015681016/CONCLUSÃOEste trabalho é um exame introdutório da questão de como o processo de projeto serelaciona com a escolha do material e a resolução estrutural.O ginásio do Clube Atlético Paulistano, por exemplo, foi selecionado por marcar o início daatuação de destaque de Mendes da Rocha devido a excelência da técnica estrutural para aconcepção da forma. O MuBE, do mesmo arquiteto, foi selecionado pelo papel de destaqueque possui na cidade, além de demonstrar mais claramente a fusão entre teoria e prática naobra. A cobertura na Praça do Patriarca, ainda de Mendes da Rocha, foi escolhida pordemonstrar a capacidade do arquiteto de intervir na cidade, assim como pelo papel dedestaque na questão estrutural e na escolha do material a ser utilizado. As obras de MarcosAcayaba selecionadas se devem a opção que o próprio arquiteto fez pelo teste e peladescoberta no seu processo de projeto.Os comentários nesta pesquisa desvendaram em parte a maneira que os dois arquitetosestudados relacionam dentro do processo de projeto a escolha dos materiais assim como aopção estrutural. Os dois arquitetos, apesar de obras bastante diferentes, concordam que aescolha dos materiais assim como a resolução estrutural não são partes autônomas dentrode um processo de projeto; devem ser resolvidas de maneira conjunta e colaborativa e queno processo de projeto o repertório utilizado pelo arquiteto não provém apenas de suaformação acadêmica e sim de toda sua experiência de vida, o que acentua amultidisciplinaridade da arquitetura.Nas obras do arquiteto Paulo Mendes verificou-se uma opção mais constante pela utilizaçãodo concreto, em parte pelas referências em Vilanova Artigas, um de seus mestres, mas 17
  18. 18. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011principalmente pela defesa teórica do ambiente construído como espaço habitado pelo serhumano. Quando muda, como na intervenção com aço na Praça do Patriarca, em SãoPaulo, o faz mantendo os mesmos princípios norteadores de sua atuação profissional.Nas obras de Acayaba, pode-se observar opções de estruturas e materiais devido a umprocesso de projeto mais investigativo, especialmente do sítio da obra, o que lhe permiteuma desapego a algum viés formalístico ou estilístico.A importância que os dois arquitetos atribuem às questões estruturais e técnicas, assimcomo a justificativa pela escolha dos materiais, são fundamentais para o entendimento daconcepção de suas obras, intrínsecas ao processo de projeto.REFERÊNCIASALVES, André A. D. G. Metodologias de Projeto na Arquitetura Contemporânea.2005. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Faculdade deArquitetura e Urbanismo, Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2005.ARTIGAS, Rosa. Paulo Mendes da Rocha: Projetos 1957-1999. 3. ed. São Paulo:Cosac Naify, 2007BOTTON, Allain de. A Arquitetura da Felicidade. Trad. Talita M. Rodrigues. Rio deJaneiro: Rocco, 2006.CIANCIARDI, Glaucus. A casa ecológica: premissas para a sustentabilidade naarquitetura residencial unifamiliar paulistana. 2004. Dissertação (Mestrado emArquitetura e Urbanismo) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, UniversidadePresbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2004.COSTA, Lucio. Registro de uma Vivência. São Paulo: Empresa das Artes, 1995.ENGEL, Heino. Sistemas Estruturais. Trad. Esther P. da Silva. 2.ed. Barcelona:Gustavo Gili, 2001.KATINSKY, Julio Roberto .; SEGAWA, Hugo.; WISNIK, Guilherme. MarcosAcayaba. São Paulo: Cosac Naify, 2007.ROCHA, Paulo Mendes da. Genealogia da Imaginação. In: ARTIGAS, Rosa. PauloMendes da Rocha: Projetos 1957 – 1999. São Paulo: COSACNAIFY, 2006. p. 69-73.MONTANER, Josep M. Depois do Movimento Moderno. Trad. Maria. B. da C.Mattos. Barcelona: Gustavo Gili, 2001.MONTANER, Josep M.; VILLAC, Maria I. Mendes da Rocha. Trad. Vander. S. L. daSilva. Barcelona: Gustavo Gili, 1996. 18
  19. 19. Universidade Presbiteriana MackenzieNAKANISHI, Tatiana M. Arquitetura e Domínio Técnico: a prática de MarcosAcayaba. 2007. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) - Escola deEngenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos, 2007.PIÑON, Hélio. Paulo Mendes da Rocha. São Paulo: Romano Guerra, 2002.SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil 1900-1990. 2.ed. São Paulo: EDUSP.1999.VILLAC, Maria I. Um Novo Discurso para a Megacidade: Projeto Praça doPatriarca. São Paulo: Vitruvius, 2001. Disponível em:<vitruvius.com.br/arquitextos/arq018/arq01801.asp>. Acesso em: 09 ago. 2011.WARCHAVCHIK, Gregori. Acerca da Arquitetura Moderna. Rio de Janeiro:Correio da manhã, 1925. Disponível em:<www.arterorigo.xpg.com.br/.../manifesto%20arquitetura%20moderna.doc>. Acessoem 09 ago 2011.WISNIK, Guilherme. Memoriais dos Projetos. In: ARTIGAS, Rosa. Paulo Mendes daRocha, Projetos: 1957 – 1999. 3. ed. São Paulo: Cosac Naify, 2006. p. 80.Contato: ze_duds@hotmail.com e mario@sqmaquetes.com.br 19

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