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Emily goncalves

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Em parceria com a Professora Helena Abascal, publicamos os relatórios das pesquisas realizados por alunos da fau-Mackenzie, bolsistas PIBIC e PIVIC. O Projeto ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA difunde trabalhos e os modos de produção científica no Mackenzie, visando fortalecer a cultura da pesquisa acadêmica. Assim é justo parabenizar os professores e colegas envolvidos e permitir que mais alunos vejam o que já se produziu e as muitas portas que ainda estão adiante no mundo da ciência, para os alunos da Arquitetura - mostrando que ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA.

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Emily goncalves

  1. 1. Universidade Presbiteriana MackenzieA DITADURA MILITAR CONTADA PELO OLHAR DO FOTÓGRAFO EVANDROTEIXEIRAEmily Gonçalves (IC) e Manoel Nascimento (Orientador)Apoio: PIVIC MackenzieResumoA pesquisa intitulada “A Ditadura Militar contada pelo olhar do fotógrafo Evandro Teixeira”, como opróprio nome indica, teve como objeto de estudo as imagens sobre esse período capturadas por talfotojornalista. Foram selecionadas 8 fotografias que representam um pouco da realidade vivenciadana época. Procurou-se enfatizar a contribuição de Evandro para a História do país através de seutrabalho, e, além disso, analisar as imagens para além do mero registro dos fatos – ou seja, identificarsua subjetividade, pois, como ele mesmo afirmou, escolheu a câmera fotográfica como arma paralutar contra a ditadura militar (TEIXEIRA, 2007). O método de estudo foi quantitativo, de certa forma,devido à seleção das fotos utilizadas, mas foi predominantemente qualitativo. As imagens foramanalisadas à luz de seu contexto histórico, e encaixadas cronologicamente no texto, como que“ilustrando-o”, com a finalidade de tornar a leitura mais imersiva. Os resultados obtidos reafirmaram aideia inicial do projeto, a respeito da relevância do trabalho desse fotojornalista. Graças a taisfotografias, é possível resgatar a memória desse passado recente; elas foram feitas há mais dequarenta anos e apesar do tempo, sua mensagem sobrevive. Evandro Teixeira merece todo oreconhecimento que possui não apenas pela qualidade estética de sua obra, mas também eprincipalmente pelo seu envolvimento social e político, pelo seu engajamento na luta contra arepressão.Palavras-chave: fotojornalismo, engajamento, HistóriaAbstractThe research entitled "The Military Dictatorship told by the vision of the photographer EvandroTeixeira," as the name suggests, had as object of study the images of this period captured by suchphotojournalist. Eight pictures were selected to represent a bit of the reality experienced at that timeand emphasize the contribution of Evandro for the Nations history through his work. They wereanalyzed beyond the mere record of facts - in other words, the intention was to identify the subjectivity,because according to his words, he chose a camera as a weapon to fight against the militarydictatorship (Teixeira, 2007). The method used for such study was quantitative, in some way, due tothe selection of photos used, but it was predominantly qualitative. The images were analyzed underthe light of its historical context, and embedded in the text chronologically, as if "illustrating" it, in orderto make reading more immersive. The results have reaffirmed the initial idea of the project, about therelevance of this photojournalist’s work. Thanks to these photos, it is possible redeem the memory ofthis recent past; they were taken for over forty years and despite the time, its message liveson. Evandro Teixeira deserves all the recognition he has, not only because the aesthetic quality of hiswork, but also and mainly for his social and political involvement, for his engagement to fight againstrepression.Key-words: photojournalism, engagement, History. 1
  2. 2. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011INTRODUÇÃOO presente estudo buscou enfatizar a importância do trabalho do fotojornalista EvandroTeixeira para a memória brasileira. Suas fotos, sobretudo as selecionadas neste trabalho,ajudam a contar parte da História do país – a saber, o período do Regime Militar. Dessaforma, ateve-se ao seguinte problema de pesquisa: Qual a contribuição de Evandro Teixeirapara a História brasileira, por meio de seu trabalho fotojornalístico? O que há em suasfotografias, além do registro fiel dos fatos? Pode-se dizer que tal fotógrafo não só exerceuum verdadeiro papel jornalístico ao retratar tal momento histórico, como também utilizou suacâmera para lutar contra a repressão. A câmera fotográfica foi a arma que escolhi para lutar contra a ditadura militar. Desde o primeiro momento, quando flagrei a tomada do Forte de Copacabana, na madrugada de 1º de abril de 1964, assumi o compromisso de registrar imagens que revelassem as arbitrariedades e as injustiças dos governos militares que tomaram de assalto a democracia de nosso País. (TEIXEIRA, 2007, p. 117).O principal objetivo desta pesquisa foi observar e analisar a linguagem fotográfica dasimagens selecionadas, relacionando-as com a realidade vivenciada no período ditatorial.Foram estabelecidos como objetivos secundários a apresentação biográfica de EvandroTeixeira, bem como sua participação política na Ditadura Militar e sua contribuição para oacervo documental sobre o período.REFERENCIAL TEÓRICOEvandro Teixeira, fotojornalista reconhecido nacional e internacionalmente, retratou, entremuitas outras coisas, cenas que ajudam a contar parte da História nacional. De 1964 a 1985a sociedade esteve submetida às arbitrariedades dos militares, que tinham à disposiçãoarmas, oficiais e instituições repressivas.Nessa pesquisa foram selecionadas 8 fotografias do período, duas delas de 1964 e asdemais de 1968, que o representam e ajudam a “ilustrar” tal contexto histórico. Apesar dasdificuldades enfrentadas pela imprensa e, consequentemente, pelos fotojornalistas, Evandroregistrou valiosos recortes daquela realidade, que hoje, permitem a reconstrução erememoração dessa difícil época, como reforça o jornalista Fernando Gabeira: 2
  3. 3. Universidade Presbiteriana Mackenzie Nessa figura extraordinária de Evandro Teixeira, não aprendemos apenas a História do Brasil em seus momentos mais dramáticos. Podemos seguir a história do nosso jornalismo, suas importantes vitórias, sobretudo se considerarmos que a liberdade de imprensa no país não é um fenômeno natural – ela foi conquistada, assim como todas as outras dimensões de nossa democracia. Dessa conquista, participa, igualmente, gente que esteve por trás ou diante das câmeras, gente que fez ou, simplesmente, registrou, com fidelidade, emoção e senso estético, esse pedaço da História do Brasil. (GABEIRA in TEIXEIRA, 2007, p. 116).O olhar do fotojornalista “permite que as fotos sejam um registro objetivo e também umtestemunho pessoal, tanto uma cópia ou uma transcrição fiel de um momento da realidadecomo uma interpretação dessa realidade”. (SONTAG, 2004). Portanto, mais do que o retratofiel dos fatos, Evandro Teixeira deixa transparecer sua subjetividade e demonstra suaparticipação na luta pela democracia. Ele utilizou a profissão e seu instrumento de trabalho –uma câmera fotográfica – para garantir que as presentes e futuras gerações do Brasilconhecessem uma época tão recente e tão cruel desse país. A fotografia tanto pode mostrar as belezas do mundo como as atrocidades do mundo. Para o fotojornalismo, a fotografia precisa mostrar o que há de errado no mundo. No meu caso, sempre preferi fotografar nosso cotidiano, a miséria da nossa gente, e acabei concluindo que a fotografia é uma arma de denúncia. Eu acompanhei todos os militares ditadores no Brasil e não posso dizer que tive o prazer de enterrá-los, mas digamos que testemunhei quando foram enterrados. (TEIXEIRA in CAPUTO, 2008, p. 36).MÉTODOCom a finalidade de atender aos objetivos a que esta pesquisa se propôs, foramconsultadas diversas fontes, como livros, sites, jornais, revistas, sobre o período da DitaduraMilitar no Brasil e sobre fotografia, visto que o que se pretendeu foi analisar e contextualizaras fotos de Evandro Teixeira referentes a tal momento histórico. O livro-base e ponto departida do estudo foi o livro “1968 Destinos 2008: A Passeata dos 100 Mil”, do própriofotojornalista.Foram selecionadas apenas 8 imagens presentes na obra supracitada, consideradassuficientes para atender ao que se propõe esse estudo; diante disso, pode-se dizer que foi 3
  4. 4. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011feita abordagem quantitativa. Entretanto, o estudo é majoritariamente qualitativo, poispreocupou-se em examiná-las e contextualizá-las historicamente. Os métodos qualitativos se assemelham a procedimentos de interpretação dos fenômenos que empregamos no nosso dia-a-dia, que têm a mesma natureza dos dados que o pesquisador qualitativo emprega em sua pesquisa. Tanto em um como em outro caso, trata-se de dados simbólicos, situados em determinado contexto; revelam parte da realidade ao mesmo tempo que escondem outra parte. (NEVES, 1996, p. 1).Inicialmente a ideia era examinar semioticamente tais fotografias, a partir da obra “Semióticaaplicada”, de Lucia Santaella; contudo, a análise das mesmas foi baseada na interpretaçãoda pesquisadora à luz dos episódios históricos no qual foram capturadas, como se fosseuma rememoração de alguém que presenciou tais momentos, a fim de tornar a pesquisamais imersiva para o leitor. O fluxo incessante de imagens (televisão, vídeo, cinema) constitui o nosso meio circundante, mas, quando se trata de recordar, a fotografia fere mais fundo. [...] Numa era sobrecarregada de informação, a fotografia oferece um modo rápido de apreender algo e uma forma compacta de memorizá-lo. A foto é como uma citação ou uma máxima ou provérbio. Cada um de nós estoca, na mente, centenas de fotos, que podem ser recuperadas instantaneamente. (SONTAG, 2004, p. 23).Foram lidas primeiramente obras sobre o campo da fotografia para obter um conhecimentomais abrangente do mesmo, cujos títulos são “Uma história critica do fotojornalismoocidental” de Jorge Pedro Sousa, “Sociologia da Fotografia e da Imagem” de José de SouzaMartins, “Foto-jornalismo”, publicado pela Folha de São Paulo e “Fotojornalismo”, obra deEvandro Teixeira.Para legitimar a discussão e a análise das fotos, foram tomados como apoio os livros“Diante da dor dos outros” e “Sobre Fotografia”, ambos de Susan Sontag, o artigo “Diante dador dos outros”, de Maria das Graças Targino, sobre a obra homônima de Sontag, “Foto,política e memória”, resenha de Leila Landim sobre o livro “1968 Destinos 2008: A Passeatados 100 Mil”, além de trechos dessa mesma obra.O desenvolvimento do contexto histórico teve como embasamento os livros “Os governosmilitares”, de Edgard Luiz de Barros, “Brasil: de Castelo a Tancredo”, de Thomas ElliotSkidmore, historiador norte-americano especializado em História do Brasil, “O golpe de 64 ea ditadura militar”, de Júlio José Chiavenatto, além dos conhecimentos prévios dapesquisadora sobre o tema, adquiridos principalmente na disciplina Cultura e Mídias(cursada no primeiro semestre de 2011), lecionada pelas professoras doutoras Regina Célia 4
  5. 5. Universidade Presbiteriana MackenzieFaria Amaro Giora e Maria Aparecida de Aquino, sendo esta última a responsável pelasaulas sobre o Regime Militar.RESULTADOS E DISCUSSÃOEvandro Teixeira nasceu no dia 25 de dezembro de 1935 em Irajuba, interior da Bahia, mascresceu no município de Ipiaú. O interesse pela fotografia começou na juventude, e, a partirde então, Evandro passou a estudar fotografia; teve como professores Walter Lessa, dojornal de Jequié (BA), Silvio Glauber Rocha, fotógrafo reconhecido em Salvador (BA) e ZéMedeiros, do Cruzeiro. Foi morar no Rio de Janeiro e em 1958 iniciou sua carreira no Diárioda Noite (do grupo dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand). Já em 1963, foitrabalhar no Jornal do Brasil, onde permaneceu até setembro de 2010, quando o JB passoua ter apenas a versão on line.Reconhecido no Brasil e no mundo, o fotojornalista fez exposições em Paris, Frankfurt,Zurique, Madri, Veneza, Basel, Nova lorque, Cuba, México, Buenos Aires, Bogotá, além dasprincipais capitais brasileiras. Currículo e nome estão presentes na EnciclopédiaInternacional de Fotógrafos, onde constam os maiores ícones da fotografia desde 1839 atéa atualidade. Evandro também recebeu vários prêmios: em 1969, recebeu seu primeiroprêmio, da Sociedade Interamericana de Imprensa; depois disso, ganhou dois dosconcursos internacionais da Nikon (Japão, 1975 e 1991) e o da UNESCO (1993). Grandespublicações internacionais já divulgaram seu trabalho, entre elas: revista da Leica(Alemanha), revista de Fotografia da Suíça, "Photo" (França), "Harpers Bazaar" e "7" (Itália),sendo, portanto, referência obrigatória para o fotojornalismo brasileiro.Suas fotografias tornaram-se tema de uma poesia de Carlos Drummond de Andrade,intitulada “Diante das Fotos de Evandro Teixeira”, e compõe acervos de importantesmuseus, como Museu de Arte Moderna do Rio, Masp e Museu de Arte Contemporânea deSão Paulo, Museu de Belas Artes de Zurique, Suíça e Museu de Arte Moderna La Tertulia,Cáli, Colômbia.Passaram por suas lentes temas como esporte, moda, sertão brasileiro, personalidades epolítica, sendo este último o ponto de abordagem do trabalho, especificamente asfotografias do período ditatorial brasileiro (1964 a 1985). Para tanto, foram selecionadas oitoimagens, as quais serão analisadas e contextualizadas de acordo com o momento históricono qual foram registradas, a fim de “ilustrá-lo”. 5
  6. 6. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 Mas a força das imagens fotográficas provém de serem elas realidades materiais por si mesmas, depósitos fartamente informativos deixados no rastro do que quer que as tenha emitido, meios poderosos de tomar o lugar da realidade – ao transformar a realidade numa sombra. As imagens são mais reais do que qualquer um poderia supor. (SONTAG, 2004, p. 196, grifo do autor).O período que antecede o golpe de 64 foi marcado por forte instabilidade política. Durante ogoverno de João Goulart eram frequentes manifestações sociais e políticas, comoconsequência da complicada situação econômica que a população enfrentava. Enquantoisso, o presidente falava em Reforma de Base, e a classe média estava temerosa com apossibilidade da chegada do comunismo ao Brasil.O quadro só piorava e, com a ideia de modificá-lo, os militares entraram em ação. Em 31 demarço de 64 o general Olympio Mourão Filho comandou tropas vindas de Minas Gerais emdireção ao Rio de Janeiro. A fim de evitar uma guerra civil, Jango deixa o país e refugia-seno Uruguai. Havia, sem dúvida, efetivas possibilidades de resistência, tanto por parte dos militares legalistas, como de diversos segmentos mobilizados da população. [...] No entanto, não aconteceu qualquer resistência significativa e o golpe político-militar se consumou em menos de 48 horas. (BARROS, 1997, p. 18).A guarnição do forte de Copacabana não aderiu ao movimento militar e acabou sendotomada por forças comandadas pelo coronel César Montagna, que golpeou com as mãos osentinela do portão, invadindo o forte sem utilizar armas – fato que ficou conhecido como“episódio da bofetada” –. Durante o Regime, o local foi utilizado como presídio político.Evandro Teixeira foi o único fotógrafo a registrar esse momento. Tomada do Forte de Copacabana - Rio de Janeiro, 31/03/1964 6
  7. 7. Universidade Presbiteriana MackenzieAssim, tiveram início os chamados “Anos de Chumbo”. No dia 2 de abril, a junta militarchamada “Comando Supremo da Revolução” passou a controlar o país e empossou RanieriMazzilli como presidente provisório. O Comando baixou o primeiro Ato Institucional no dia 9do mesmo mês, que atribuía ao Executivo o poder de cassar mandatos e abolir direitospolíticos por até dez anos, estabelecer estado de sítio sem consulta ao parlamento e forçaro Congresso a aprovar emendas constitucionais. “Os novos donos da realidade explicitariamagora o mando absoluto através do máximo de violência e do uso indiscriminado da força. Oemblema maior deste processo seria, desde a primeira hora da vitória do golpe, a práticasistemática da tortura e do assassinato político”. (BARROS, 1997, p. 20). Golpe Militar: o início da repressão - Rio de Janeiro, 1964A imagem acima permite identificar o terror instaurado com o Golpe, e, por isso, pode-sedizer que possui caráter subjetivo. Evandro Teixeira capta o momento em que homem emprimeiro plano leva as mãos ao rosto, num sinal que pode ser interpretado como desesperoou tristeza, e ao fundo há um rapaz sendo carregado por oficiais, com uma expressão aflita.É necessário dizer que a subjetividade do fotógrafo não anula a objetividade da imagem;para legitimar tal idéia, é válido reproduzir a reflexão de Susan Sontag sobre as fotografiasde guerras e tragédias: As fotos tinham a vantagem de unir dois atributos contraditórios. Suas credenciais de objetividade estavam embutidas. Contudo sempre tiveram, forçosamente, um ponto de vista. Eram um registro do real – incontroverso como nenhum relato verbal poderia ser, por mais imparcial que fosse –, uma vez que a máquina fazia o registro. E as fotos davam testemunho do real – uma vez que alguém havia estado lá para tirá-las. (SONTAG, 2003, p. 26).O Regime estava apenas no início, e sua fase mais difícil só ocorreria quatro anos maistarde. Castelo Branco subiu ao poder em 15 abril de 1964 e foi moldando a ditadura; em 7
  8. 8. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011outubro de 1965 baixou o Ato Institucional número 2 e em menos de um ano – fevereiro de1966 – editou o número 3 e em dezembro do mesmo ano o número 4. A repressãoaumentava mais e mais a cada ato decretado.Mas é a partir de março de 1967 que a pior fase começa, com a transferência da faixapresidencial para Artur Costa e Silva. A partir de então, sobretudo em 1968, há umcrescimento dos movimentos culturais, na música, literatura e teatro, incessantesdiscussões entre intelectuais sobre socialismo e capitalismo no mundo, fortalecimento domovimento estudantil – a principal preocupação dos militares –, além dos debates sociaisdevido à frágil economia do país. Na foto seguinte, Evandro Teixeira mostra uma das formasde ação do movimento estudantil, indicando que ele foi muito além das reuniões e discursos. Rural do Exército em chamas, Movimento Estudantil - Rio de Janeiro, 1968Em contrapartida, Costa e Silva foi concentrando seu governo diante desse cenário. No dia28 de março de 1968 um pelotão de choque da Polícia Militar invadiu o Calabouço,restaurante do centro do Rio de Janeiro, considerado possível foco de inquietação, alegandoque no local estava sendo organizada uma passeata com o objetivo de atacar a embaixadados Estados Unidos. Houve uma manifestação no local e a polícia militar chegou pronta a agir com energia. Logo ouviu-se um tiro. Disparado pela polícia, atingiu o estudante Edson Luís de Lima Souto, que caiu morto. Agora os ativistas tinham um mártir, uma morte que podia mobilizar o sentimento antigoverno. (SKIDMORE, 1988, p. 152).No dia 4 de abril de 1968 foi realizada a missa de sétimo dia de Edson na Igreja daCandelária, vigiada por militares, agentes do DOPS (Departamento de Ordem Política eSocial) e por aviões da FAB (Força Aérea Brasileira). No final da missa, a cavalaria daPolícia Militar cercou e atacou os participantes, como é possível observar nas duas imagensa seguir. A primeira traz uma visão panorâmica do local, cujo ângulo permite a visualização 8
  9. 9. Universidade Presbiteriana Mackenzieda cena como do alto de uma torre, que permite ao observador identificar e reproduzirmentalmente os movimentos dos oficiais e da população. Visão panorâmica da invasão da cavalaria na missa do estudante Edson Luís Igreja da Candelária - Rio de Janeiro, 1968A segunda, por sua vez, mostra exatamente a invasão da cavalaria, com oficiaisempunhando sabres e encurralando os populares contra a porta da igreja, que remete àideia de uma guerra covarde entre policiais armados e pessoas despreparadas, mas essa ésó uma possível forma de interpretação. “A leitura da fotografia não se dá de forma unívocaou eterna, mas é, sobretudo, trans-histórica e de teor subjetivo.” (TARGINO, 2005). Cavalaria invadindo a missa do estudante Edson Luís na Igreja da Candelária - Rio de Janeiro, 1968Além de Edson Luís, muitas outras pessoas foram perseguidas, feridas e torturadas peloRegime. Na imagem seguinte há uma estudante sendo carregada por colegas após levarum tiro, que reforça o ideal da união entre os estudantes – os quais não mediam esforçospara ajudar ou proteger os companheiros da luta contra a ditadura. 9
  10. 10. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 Estudante baleada, Movimento Estudantil - Rio de Janeiro, 1968Já a fotografia abaixo retrata a cena de um estudante sendo perseguido pelos oficiais eliteralmente caindo, que faz alusão à verdadeira vontade do governo: derrubar, fazer ruir omovimento estudantil. Queda do estudante de Medicina na Cinelândia, Movimento Estudantil, Rio de Janeiro, 1968A repressão se intensificava; no mês de junho houve uma série de protestos duramentebarrados pelos militares, cujos resultados foram mortes e prisões de inúmerosmanifestantes. Foi a chamada Semana Sangrenta, que teve como resposta a Passeata dosCem Mil, realizada no dia 26 de junho de 1968; foram feitos discursos de líderes estudantis,como Vladimir Palmeira, somados a gritos e faixas de protesto, e surpreendentemente nãohouve reação policial. Nesse dia, Evandro Teixeira fora escalado pelo Jornal do Brasil paraficar atendo a Vladimir Palmeira, pois havia o boato de que ele seria preso ou assassinado.A foto a seguir é uma das mais reproduzidas em livros, revistas, sites, blogs, quando oassunto é Regime Militar, e consagrou Evandro Teixeira como fotojornalista. Foi a partir delaque ele pensou e criou seu último livro - “1968 Destinos 2008: Passeata dos 100 Mil”. Afaixa que se destaca sobre a multidão com os dizeres “Abaixo a Ditadura – Povo no poder” 10
  11. 11. Universidade Presbiteriana Mackenzierepresenta o desejo de toda a sociedade, cansada da opressão imposta pelo regime. Oolhar do fotojornalista captura inúmeros rostos, incrivelmente nítidos, como se fossemretratos individuais, “imobilizando para sempre um instante no transcurso de suasjuventudes como um cutelo que, diria poeticamente Cartier Bresson, corta o fluir incessantee inalcançável do tempo e, na eternidade, capta o instante que confunde e surpreende amorte” (LANDIM, 2008, p. 3). Passeata dos 100 Mil, Movimento Estudantil - Rio de Janeiro, 1968 A Passeata dos 100 Mil, de Evandro Teixeira, é o 1968 definitivo, o ano que não acabou, e que não acaba mais. O resto perdeu a juventude e, com ela, o sentido que as coisas pareciam ter naquele tempo. Só a sua fotografia rejuvenesce. Cada década que passa acrescenta a ela um significado – e vai se remoçando. Anda tão nova, que quem a vê, ultimamente, mal faz ideia de como era preciso focalizar um futuro distante, para fotografar a multidão num negativo de 86 centímetros quadrados, posando para a História. [...] Se, ao contrário dos acontecimentos de 1968, a Passeata dos 100 Mil continua aí na nossa frente, é porque, entre a fração de segundo e a posteridade, ela cruzou com o olho de Evandro Teixeira (CORRÊA in TEIXEIRA, 2007, pp. 29 e 30).As fotografias de Evandro Teixeira sobre o Regime Militar param no ano de 1968, mas aditadura continuava, e endurecia cada vez mais. Em 13 de dezembro de 1968 foi decretadoo Ato Institucional n° 5, instalando de vez o pânico na sociedade. A repressão contra osopositores foi acirrada; o AI-5 permitia que o general-presidente fizesse o que bementendesse, desde o fechamento do Congresso até a cassação de mandatosparlamentares. Mas Costa e Silva teve problemas de saúde e foi afastado da presidência; foisubstituído por uma junta de emergência, que acabou em 1969, quando Emílio GarrastazuMédici assumiu o cargo. 11
  12. 12. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011O governo Médici é considerado o mais brutal do período ditatorial, marcado por prisões,torturas, desaparecimentos de civis e medo, graças ao aparelho repressivo do estado, comoo DOPS e o DOI-CODI Destacamento de Operações e Informações-Centro de Operaçõesde Defesa Interna). Enquanto isso, o Brasil vivia o chamado “milagre econômico”, comintenso desenvolvimento do país, financiado por recursos externos. Mas não é somente a repressão que explica o Brasil de Médici. Juntamente com o porrete, oferecia-se a cenoura. O rápido desenvolvimento económico levou ao paraíso os brasileiros situados no vértice da pirâmide salarial - os profissionais, os tecnocratas, os administradores de empresa. [...] Visto em conjunto o governo estava se saindo bem - em seus termos. O crescimento econômico acelerado funcionava. A propaganda governamental funcionava. A repressão funcionava. A censura funcionava. Os militares da linha dura, repetidamente frustrados desde 1964, estavam se vingando recuperando tanto tempo perdido. (SKIDMORE, 1988, pp. 215 e 216).Mas o milagre econômico teve seu fim no governo de Ernesto Geisel (1974 – 1979), devidoao aumento do preço do petróleo, a recessão mundial e a falta de investimentosestrangeiros. Com as crescentes dificuldades na política e o alto custo para manutenção doregime, Geisel deu inicio ao processo lento e gradual de abertura à redemocratização,levando militares radicais a cogitarem a deposição do presidente – tudo em vão. No fim deseu mandato a sociedade havia mudado; a repressão diminuíra e os grupos de oposiçãovoltaram a se organizar. Em 1978, Geisel revogou o AI-5 e fez de João Batista Figueiredoseu sucessor.Figueiredo foi o último general-presidente, e seu mandato durou de 1979 a 1985. Eleacelerou o processo de abertura política, restabeleceu o pluripartidarismo e aprovou a Lei deAnistia, que permitia o retorno de exilados políticos ao país, além de absolver os quecometeram crimes políticos – tanto opositores quanto militares. Também enfrentou osmilitares radicais, cuja resistência se deu por meio de atos terroristas. A economia piorou eos índices de inflação e a crise aumentaram.No último ano de seu governo surgiu o movimento das Diretas Já, mobilizando toda apopulação para reivindicar eleições diretas para a próxima eleição presidencial. Contudo, ogoverno resistiu, e o sucessor de Figueiredo foi escolhido indiretamente pelo ColégioEleitoral no dia 15 de janeiro de 1985. O deputado Tancredo Neves fora escolhido, masdevido ao adoecimento e morte, quem assumiu o cargo foi o vice José Sarney. Tancredo morreu em 21 de abril, depois de sete operações e 38 dias no hospital. O público, embora cético quanto às muitas cirurgias "bem sucedidas", ficou aturdido com a notícia. Em vida Tancredo assomava como 12
  13. 13. Universidade Presbiteriana Mackenzie um salvador político. Morto, assumia as proporções de um santo. Todas as esperanças, acumuladas e centralizadas no homem que não viveu para materializá-las, manifestaram-se impetuosamente. [...] José Sarney prestou juramento para assumir o pleno status de presidente em 21 de abril, depois que os médicos declararam o caráter terminal da doença de Tancredo. Trabalhando agora à sombra que o ilustre brasileiro projetava sobre o seu governo, Sarney enfrentava formidáveis desafios. (SKIDMORE, 1988, p. 500).CONCLUSÃOA presente pesquisa, intitulada “A Ditadura Militar contada pelo olhar do fotógrafo EvandroTeixeira”, preocupou-se em ressaltar a contribuição desse fotojornalista para o acervodocumental sobre esse período da História do Brasil. Com essa finalidade, 8 fotografias desua autoria foram selecionadas e analisadas de acordo com o contexto histórico em queforam registradas.Apesar de breve, o estudo trouxe maior conhecimento não apenas sobre esse passadorecente da História nacional e sobre o campo da fotografia, mas, sobretudo, a respeito daexcelência do fotógrafo Evandro Teixeira. Tal magnitude se deve, possivelmente, àdedicação ao seu trabalho. Ele é digno de elogios pela qualidade estética de seu trabalho emais ainda por ter aliado a profissão ao engajamento político. Foi capaz de aliar aobjetividade jornalística – por retratar fielmente os fatos – à sua subjetividade, poisfotógrafos são mais do que meros observadores – tornam-se parte daquilo que seus olhosregistram. “Há um preço embutido em cada imagem [...]: um pedaço da emoção, davulnerabilidade, da empatia que [os] torna humanos se perde a cada vez que [acionam] obotão da câmera”. (in TARGINO, 2005).Talvez na época Evandro não imaginasse que por meio dessas imagens as geraçõespresentes e futuras tomariam conhecimento dessa triste fase do país e do sofrimentodaquela geração passada. Tais fotografias foram capturadas há mais de 40 anos, mas suamensagem perdura até hoje. 13
  14. 14. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011REFERÊNCIASBARROS, E. L. de. Os Governos Militares. São Paulo: Contexto, 1997. 128 p.CAPUTO, S. G. Entrevista: Evandro Teixeira. Classe. Niterói-RJ: Revista da Associaçãodos Docentes da UFF. Mai/jun/ jul/2008, p. 33 - 40. Disponível em:<http://www.aduff.org.br/publicacoes/200806_classe.pdf>. Acesso em: 27 jun. 2011.CHIAVENATTO, J. J. O golpe de 64 e a ditadura militar. São Paulo: Moderna, 2000. 136p.FOLHA DE SÃO PAULO. Foto-jornalismo. São Paulo: Folha de São Paulo, 1988. 116 p.LANDIM, Leila. Foto, política e memória. Rio de Janeiro: Praia Vermelha. Estudosde Política e Teoria Social, PPGSS/UFRJ, 2008. Disponível em:<www.ess.ufrj.br/ejornal/index.php/praiavermalha/article/download/94/53>. Acesso em 27jun. 2011.MARTINS, J. de S. Sociologia da Fotografia e da Imagem. São Paulo: Contexto, 2008.206 p.NEVES, J. L. Pesquisa qualitativa: características, uso e possibilidades. São Paulo:Caderno de Pesquisas em Administração, v.1, nº 3, 2º sem. 1966.SKIDMORE, T. E. Brasil: de Castelo a Tancredo. 8. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2004. 608p.SONTAG, Susan. Diante da dor dos outros. São Paulo: Companhia das Letras, 2003. 112p.SONTAG, Susan. Sobre Fotografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. 224 p.SOUSA, J. P. Uma história critica do fotojornalismo ocidental. Chapecó: Argos, 2004.255 p.TARGINO, M. das G. Diante da dor dos outros. [S.l.]: Revista Brasileira de Ciências daComunicação, 2005. Disponível em:<http://revcom2.portcom.intercom.org.br/index.php/rbcc/article/viewFile/859/642>. Acessoem 27 jun. 2011.TEIXEIRA, Evandro. Evandro Teixeira: Fotojornalismo. Rio de Janeiro: JB, 1983.TEIXEIRA, Evandro. 1968 Destinos 2008: A Passeata dos 100 Mil. Rio de Janeiro:Textual, 2007. 120 p.http://www.ead.fea.usp.br/cad-pesq/arquivos/c03-art06.pdfhttp://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,e-evandro-apagou-a-luz,605294,0.htmhttp://www.evandroteixeira.nethttp://falandodob.blogspot.com/2009/06/entrevista-evandro-teixeira.htmlhttp://www.fotoempauta.com.br/pdfs/evandro_uai.pdfhttp://www.historiadorio.com.br/pontos/fortecopacabanahttp://www.overmundo.com.br/overblog/o-fotografo-tem-que-ter-este-olhar-especialhttp://www.turmadod.com/alunos/downloads/2s2009_2/ciencias_soc/Diante_da_Dor_dos_Outros.pdfContato: emily.goncalves.91@gmail.com e manoel@mackenzie.br 14

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