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O	verdadeiro	preço	de	um	brinquedo,	de	Carlos	Eduardo	L.	Marciano	
É	comum	vermos	comerciais	direcionados	ao	público	infantil.	Com	a	existência	de	
personagens	 famosos,	 músicas	 para	 crianças	 e	 parques	 temáticos,	 a	 indústria	 de	
produtos	 destinados	 a	 essa	 faixa	 etária	 cresce	 de	 forma	 nunca	 vista	 antes.	 No	
entanto,	 tendo	 em	 vista	 a	 idade	 desse	 público,	 surge	 a	 pergunta:	 as	 crianças	
estariam	preparadas	para	o	bombardeio	de	consumo	que	as	propagandas	veiculam?	
Há	quem	duvide	da	capacidade	de	convencimento	dos	meios	de	comunicação.	No	
entanto,	 tais	 artifícios	 já	 foram	 responsáveis	 por	 mudar	 o	 curso	 da	 História.	 A	
imprensa,	no	século	XVIII,	disseminou	as	ideias	iluministas	e	foi	uma	das	causas	da	
queda	do	absolutismo.	Mas	não	é	preciso	ir	tão	longe:	no	Brasil	redemocratizado,	as	
propagandas	políticas	e	os	debates	eleitorais	são	capazes	de	definir	o	resultado	de	
eleições.	É	impossível	negar	o	impacto	provocado	por	um	anúncio	ou	uma	retórica	
bem	estruturada.	
O	problema	surge	quando	tal	discurso	é	direcionado	ao	público	infantil.	Comerciais	
para	essa	faixa	etária	seguem	um	certo	padrão:	enfeitados	por	músicas	temáticas,	as	
cenas	mostram	crianças,	em	grupo,	utilizando	o	produto	em	questão.Tal	manobra	de	
“marketing”	acaba	transmitindo	a	mensagem	de	que	a	aceitação	em	seu	grupo	de	
amigos	está	condicionada	ao	fato	dela	possuir	ou	não	os	mesmos	brinquedos	que	
seus	colegas.	Uma	estratégia	como	essa	gera	um	ciclo	interminável	de	consumo	que	
abusa	da	pouca	capacidade	de	discernimento	infantil.	
Fica	clara,	portanto,	a	necessidade	de	uma	ampliação	da	legislação	atual	a	fim	de	
limitar,	 como	 já	 acontece	 em	 países	 como	 Canadá	 e	 Noruega,	 a	 propaganda	 para	
esse	público,	visando	à	proibição	de	técnicas	abusivas	e	inadequadas.	Além	disso,	é	
preciso	focar	na	conscientização	dessa	faixa	etária	em	escolas,	com	professores	que	
abordem	 esse	 assunto	 de	 forma	 compreensível	 e	 responsável.	 Só	 assim	
construiremos	um	sistema	que,	ao	mesmo	tempo,	consiga	vender	seus	produtos	sem	
obter	vantagem	abusiva	da	ingenuidade	infantil.
Quem	sabe	o	que	é	melhor	para	ela?,		de	João	Pedro	Maciel	Schlaepfer	
Desde	 o	 final	 de	 1991,	 com	 a	 extinção	 da	 antiga	 União	 Soviética,	 o	 capitalismo	
predomina	 como	 sistema	 econômico.	 Diante	 disso,	 os	 variados	 ramos	 industriais	
pesquisam	e	desenvolvem	novas	formas	e	produtos	que	atinjam	os	mais	variados	
nichos	de	mercado.	Esse	alcance,	contudo,	preocupa	as	famílias	e	o	Estado	quando	
se	 analisa	 a	 publicidade	 voltada	 às	 crianças	 em	 contraponto	 à	 capacidade	 de	
absorção	crítica	das	propagandas	por	parte	desse	público-alvo.	
Por	ser	na	infância	que	se	apreende	maior	quantidade	de	informações,	a	eficiência	
da	divulgação	de	um	bem	é	maior.	O	interesse	infantil	a	determinados	produtos	é	
aumentado	 pela	 afirmação	 do	 desejo	 em	 meios	 de	 comunicação,	 sobretudo	 ao	 se	
articular	ao	anúncio	algum	personagem	conhecido.	Assim,	a	ânsia	consumista	dos	
mais	jovens	é	expandida.	
Além	disso,	o	nível	de	criticidade	em	relação	à	propaganda	é	extremamente	baixo.	
Isso	 se	 deve	 ao	 fato	 de	 estarem	 em	 fase	 de	 composição	 da	 personalidade,	 que	 é	
pautada	nas	experiências	vividas	e,	geralmente,	espelhada	em	um	grupo	de	adultos-
exemplo.	Dessa	forma,	o	jovem	fica	suscetível	a	aceitar	como	positivo	quase	tudo	o	
que	 lhe	 é	 oferecido,	 sem	 necessariamente	 avaliar	 se	 é	 algo	 realmente	
imprescindível.	
Com	 base	 nisso,	 o	 governo	 federal	 pode	 determinar	 um	 limite,	 desassociando	
personagens	 e	 figuras	 conhecidas	 aos	 comerciais,	 sejam	 televisivos,	 radiofônicos,	
por	meios	impressos	ou	quaisquer	outras	possibilidades.	A	família,	por	outro	lado,	
tem	 o	 dever	 de	 acompanhar	 e	 instruir	 os	 mais	 novos	 em	 como	 administrar	 seus	
desejos,	viabilizando	alguns	e	proibindo	outros.	
Nesse	 sentido,	 torna-se	 evidente,	 portanto,	 a	 importância	 do	 acessoria	 parental	 e	
organização	 do	 Estado	 frente	 a	 essa	 questão.	 Não	 se	 pode	 atuar	 com	 descaso,	
tampouco	 ser	 extremista.	 A	 criança	 sabe	 o	 que	 é	 melhor	 para	 ela?	 Talvez	 saiba,	
talvez	 não.	 Até	 que	 se	 descubra	 (com	 sua	 criticidade	 amadurecida),	 cabe	 às	
entidades	superiores	auxiliá-la	nesse	trajeto.
Sem	título,	de	José	Querino	de	Macêdo	Neto	
Se	 o	 conceito	 censitário	 de	 publicidade	 entende	 o	 uso	 de	 recursos	 estilísticos	 da	
linguagem,	a	exemplo	da	metáfora	e	das	frases	de	efeito,	como	atrativo	na	vendagem	
de	 produtos,	 a	 manipulação	 de	 instrumentos	 a	 serviço	 da	 propaganda	 infantil	
produz	efeitos	que	dão	margem	mais	visível	ao	consumo	desnecessário.	Com	base	
nisso,	 estabelecem-se	 propostas	 de	 debate	 social	 acerca	 do	 limite	 de	 conteúdos	
designados	a	comerciais	televisivos	que	se	dirigem	a	tal	público.			
Faz-se	preciso,	no	entanto,	que	se	ressaltem	as	intenções	das	grandes	empresas	de	
comércio:	o	lucro	é,	sobretudo,	ditador	das	regras	morais	e	decisivo	na	escolha	das	
técnicas	 publicitárias.	 Para	 Marx,	 por	 exemplo,	 o	 capital	 influencia,	 através	 do	
acúmulo	de	riquezas,	os	padrões	que	decidem	a	integração	de	um	indivíduo	no	meio	
em	 que	 ele	 se	 insere	 —	 nesse	 caso,	 possuir	 determinados	 produtos	 é	 chave	 de	
aceitação	 social,	 principalmente	 entre	 crianças	 de	 cuja	 inocência	 se	 aproveita	 ao	
inferir	importâncias	na	aquisição.			
Em	contraposição	a	esses	avanços	econômicos	e	aos	interesses	dos	grandes	setores	
nacionais	de	mercado	infanto-juvenil,	os	órgãos	de	ativismo	em	proteção	à	criança	
utilizam-se	 do	 Estatuto	 da	 Criança	 e	 do	 Adolescente	 para	 defender	 os	 direitos	
legítimos	da	não-ludibriação,	detidos	por	indivíduos	em	processo	de	formação	ética.	
Não	 obstante,	 a	 regulamentação	 da	 propaganda	 tende	 a	 equilibrar	 os	 ganhos	 das	
empresas	com	o	crescente	índice	de	consumo	desenfreado.			
Cabe,	 portanto,	 ao	 governo,	 à	 família	 e	 aos	 demais	 segmentos	 sociais	 estimular	 o	
senso	 crítico	 a	 partir	 do	 debate	 em	 escolas	 e	 creches,	 de	 forma	 a	 instruir	 que	 as	
necessidades	individuais	devem	se	sobrepor	às	vontades	que	se	possuem,	a	fim	de	
coibir	o	abuso	comercial	e	o	superconsumo.
Sem	título,	de	Juan	Costa	da	Costa	
Muito	 se	 discute	 acerca	 dos	 limites	 que	 devem	 ser	 impostos	 à	 publicidade	 e	
propaganda	no	Brasil	-	sobretudo	em	relação	ao	público	infantil.	Com	o	advento	do	
meio	técnico-científico	informacional,	as	crianças	são	inseridas	de	maneira	cada	vez	
mais	precoce	ao	consumismo	imposto	por	uma	economia	capitalista	globalizada	-	a	
qual	preconiza	flexibilidade	de	produção,	adequando-se	às	mais	diversas	demandas.	
Faz-se	 necessário,	 portanto,	 uma	 preparação	 específica	 voltada	 para	 esse	 jovem	
público,	 a	 fim	 de	 tornar	 tal	 transição	 saudável	 e	 gerar	 futuros	 consumidores	
conscientes.			
Um	aspecto	a	ser	considerado	remete	à	evolução	tecnológica	vivenciada	nas	últimas	
décadas.	 Os	 carrinhos	 e	 bonecas	 deram	 lugar	 aos	 "smartphones",	 videogames	 e	
outros	aparatos	que	revolucionaram	a	infância	das	atuais	gerações.	Logo,	tornou-se	
essencial	a	produção	de	um	marketing	voltado	especialmente	para	esse	consumidor	
mirim	-	objetivando	cativá-lo	por	meio	de	músicas,	personagens	e	outras	estratégias	
persuasivas.	 Tal	 fator	 é	 corroborado	 com	 a	 criação	 de	 programas	 e	 até	 mesmo	
canais	 voltados	 para	 crianças	 (como	 Disney,	 Cartoon	 Network	 e	 Discovery	 Kids),	
expandindo	o	conceito	de	Indústria	Cultural	(defendido	por	filósofos	como	Theodor	
Adorno)	 -	 o	 qual	 aborda	 o	 uso	 dos	 meios	 de	 comunicação	 de	 massa	 com	 fins	
propagandísticos.			
Somado	a	isso,	o	impasse	entre	organizações	protetoras	dos	direitos	das	crianças	e	
os	grandes	núcleos	empresariais	fomenta	ainda	mais	essa	pertinente	discussão.	No	
Brasil,	vigoram	os	acordos	isolados	com	o	Poder	Público	-	sem	a	existência	de	leis	
específicas.	Recentemente,	a	Conanda	(Comissão	Nacional	de	Direitos	da	Criança	e	
do	Adolescente)	emitiu	resolução	condenando	a	publicidade	direcionada	ao	público	
infantil,	 provocando	 o	 repúdio	 de	 empresários	 e	 propagandistas	 -	 que	 não	
reconhecem	autoridade	dessa	instituição	para	atuar	sobre	o	mercado.	Diante	desses	
posicionamentos	antagônicos,	o	debate	persiste.			
Com	o	intuito	de	melhor	adequar	os	"consumidores	do	futuro"	a	essa	realidade,	e	
não	 apenas	 almejar	 o	 lucro,	 é	 preciso	 prepará-los	 para	 absorver	 as	 muitas	
informações.	Isso	pode	ser	obtido	por	meio	de	campanhas	promovidas	pelo	Poder	
Público	 nas	 escolas	 (com	 atividades	 lúdicas	 e	 conscientizadoras)	 e	 na	 mídia	 (TV,	
rádio,	jornais	impressos,	internet),	bem	como	a	criação	de	uma	legislação	específica	
sobre	 marketing	 infantil	 no	 Brasil	 -	 fiscalizando	 empresas	 (prevenindo	 possíveis	
abusos)	 -	 além	 de	 orientação	 aos	 pais	 para	 que	 melhor	 lidem	 com	 o	 impulso	 de	
consumo	dos	filhos	(tornando	as	crianças	conscientes	de	suas	reais	necessidades).	
Dessa	forma,	os	consumidores	da	próxima	geração	estarão	prontos	para	cumprirem	
suas	 responsabilidades	 quanto	 cidadãos	 brasileiros	 (preocupados	 também	 com	 o	
próximo)	e	será	promovido	o	desenvolvimento	da	nação.
Consumidores	do	futuro,	de	Maria	Eduarda	de	Aquino	Correa	Ilha	
Consumidores	do	futuro	
De	acordo	com	o	movimento	romântico	literário	do	século	XIX,	a	criança	era	um	ser	
puro.	 As	 tendências	 do	 Romantismo	 influenciavam	 a	 temática	 poética	 brasileira	
através	 da	 idealização	 da	 infância.	 Indo	 de	 encontro	 a	 essa	 visão,	 a	 sociedade	
contemporânea,	cada	vez	mais,	erradica	a	pureza	dos	infantes	através	da	influência	
cultural	consumista	presente	no	cotidiano.	Nesse	contexto,	é	preciso	admitir	que	a	
alegação	 de	 uma	 sociedade	 conscientizada	 se	 tornou	 uma	 maneira	 hipócrita	 de	
esconder	os	descaso	em	relação	aos	efeitos	da	publicidade	infantil	no	país.	
Em	 primeiro	 plano,	 deve-se	 notar	 que	 o	 contexto	 brasileiro	 contemporâneo	 é	
baseado	na	lógica	capitalista	de	busca	por	lucros	e	de	incentivo	ao	consumo.	Esse	
comportamento	 ganancioso	 da	 iniciativa	 privada	 é	 incentivado	 pelos	 meios	 de	
comunicação,	que	buscam	influenciar	as	crianças	de	maneira	apelativa	no	seu	dia-a-
dia.	Além	disso,	a	ausência	de	leis	nacionais	acerca	dos	anúncios	infantis	acaba	por	
proporcionar	um	âmbito	descontrolado	e	propício	para	o	consumo.	Desse	modo,	a	
má	atuação	do	governo	em	relação	à	publicidade	infantil	resulta	em	um	domínio	das	
influências	consumistas	sobre	a	geração	de	infantes	no	Brasil.	
Por	 trás	 dessa	 lógica	 existe	 algo	 mais	 grave:	 a	 postura	 passiva	 dos	 principais	
formadores	de	consciência	da	população.	O	contexto	brasileiro	se	caracteriza	pela	
falta	 de	 preocupação	 moral	 nas	 instituições	 de	 ensino,	 que	 focam	 sua	 atuação	 no	
conteúdo	 escolar	 em	 vez	 de	 preparar	 a	 geração	 infantil	 com	 um	 método	
conscientizador	 e	 engajado.	 Ademais,	 a	 família	 brasileira	 pouco	 se	 preocupa	 em	
controlar	 o	 fluxo	 de	 informações	 consumistas	 disponíveis	 na	 televisão	 e	 internet.	
Nesse	sentido,	o	despreparo	das	crianças	em	relação	ao	consumo	consciente	e	às	
suas	 responsabilidades	 as	 tornam	 alvos	 fáceis	 para	 as	 aquisições	 necessárias	
impostas	pelos	anúncios	publicitários.	
Torna-se	 evidente,	 portanto,	 que	 a	 questão	 da	 publicidade	 infantil	 exige	 medidas	
concretas,	e	não	um	belo	discurso.	É	imperioso,	nesse	sentido,	uma	postura	ativa	do	
governo	em	relação	à	regulamentação	da	propaganda	infantil,	através	da	criação	de	
leis	 de	 combate	 aos	 comerciais	 apelativos	 para	 as	 crianças.	 Além	 disso,	 o	 Estado	
deve	 estimular	 campanhas	 de	 alerta	 para	 o	 consumo	 moderado.	 Porém,	 uma	
transformação	 completa	 deve	 passar	 pelo	 sistema	 educacional,	 que	 em	 conjunto	
com	 o	 âmbito	 familiar	 pode	 realizar	 campanhas	 de	 conscientização	 por	 meio	 de	
aulas	 sobre	 ética	 e	 moral.	 Quem	 sabe,	 dessa	 forma,	 a	 sociedade	 possa	 tornar	 a	
geração	 infantil	 uma	 consumidora	 consciente	 do	 futuro,	 sem	 perder	 a	 pureza	
proposta	pelo	Movimento	Romântico.
Sem	título,	de	Mariana	Pereira	Pimenta	
A	publicidade	vem	sendo	valorizada	com	a	constante	globalização,	onde	o	marketing	
se	apropria	em	atingir	diferentes	parcelas	populacionais.	A	questão	da	publicidade	
infantil	vem	ganhando	destaque	no	cenário	mundial,	sendo	criticadas	suas	grandes	
demandas	dirigidas	à	criança,	persuadindo-as	em	favor	do	consumismo.	
Com	a	crescente	classe	média	do	país,	onde	milhares	de	brasileiros	são	favorecidos	
pelos	 créditos	 governamentais,	 o	 consumismo	 vem	 afetando	 toda	 essa	 parcela	
populacional,	 deixando	 no	 passado	 a	 falta	 de	 eletrodomésticos	 e	 a	 participação	
social	favorecida	as	elites.	Com	participação	das	principais	mídias,	agrava	o	abuso	
do	imaginário	infantil	ao	mesmo	tempo	em	que	favorece	na	distinção	do	benéfico	e	
maléfico	ao	padrão	de	vida	individual.	
É	 cabível	 que	 a	 anulação	 da	 publicidade	 infantil	 põe	 em	 xeque	 os	 ideais	
democráticos,	 confrontando	 tanto	 as	 famílias	 como	 o	 mercado	 publicitário,	
discriminando	 tal	 faixa	 etária	 ao	 mesmo	 tempo	 prejudicando	 o	 mercado	
consumidor,	fator	que	pode	levar	a	uma	crise	interna	e	abdicar	do	desenvolvimento	
comercial	de	um	país	subdesenvolvido.	
Portanto,	 a	 busca	 da	 comercialização	 muitas	 vezes	 abrange	 seu	 favorecimento	
através	do	imaginário	infantil	com	os	ideais	seguidos	por	seus	ídolos.	Entretanto,	é	
de	 responsabilidade	 dos	 pais	 na	 conscientização	 do	 bom	 e/ou	 ruim,	 em	 conjunto	
com	a	escolaridade	infantil	na	abdicação	do	consumismo	ao	mesmo	tempo	em	que	o	
governo	 estude	 medidas	 preventivas	 que	 busquem	 o	 controle	 da	 exploração	
publicitária	sem	que	atrapalhe	o	andar	econômico	do	país.
Sem	título,	de	Nathalia	Cardozo	
Produtos	 e	 serviços	 são	 necessários	 a	 qualquer	 sociedade.	 Dentre	 eles,	 estão	
serviços	 de	 planos	 de	 saúde,	 financiamento	 de	 moradias,	 compra	 de	 roupas	 e	
alimentos,	 entre	 outros	 elementos	 presentes	 no	 âmbito	 social.	 A	 publicidade	 e	 a	
propaganda	 exercem	 papel	 essencial	 na	 divulgação	 desses	 bens.	 No	 entanto,	 é	
preciso	atenção	por	parte	dos	consumidores	para	analisar	e	selecionar	que	tipos	de	
propagandas	 são	 fidedignas,	 e	 no	 caso	 de	 publicidade	 direcionada	 a	 crianças	 e	
adolescentes,	essa	medida	nem	sempre	é	possível.		
Em	 um	 primeiro	 plano,	 é	 importante	 constatar	 que	 as	 crianças	 não	 possuem	
capacidade	de	analisar	os	prós	e	contras	da	compra	de	um	produto.	Nesse	sentido,	
os	elementos	persuasivos	da	propaganda	têm	grande	influência	no	pensamento	dos	
indivíduos	 da	 Primeira	 Idade,	 já	 que	 personagens	 infantis,	 brinquedos	 e	 músicas	
conhecidas	 por	 eles	 estimulam	 uma	 ideia	 positiva	 sobre	 o	 produto	 ou	 serviço	
anunciado,	mas	não	uma	análise	do	mesmo.	Infere-se,	assim,	que	a	utilização	desses	
recursos	é	abusiva,	uma	vez	que	vale-se	do	fato	de	a	criança	ser	facilmente	induzida	
e	do	apego	às	imagens	de	caráter	infantil,	considerando	apenas	o	êxito	do	objetivo	
da	propaganda:	persuadir	o	possível	consumidor.			
Além	disso,	observa-se	que	as	ações	do	Conselho	Nacional	de	Autorregulamentação	
Publicitária	 (Conar)	 são	 importantes,	 porém	 insuficientes	 nesse	 quesito.	 O	 Conar	
busca,	 entre	 outros	 aspectos,	 impedir	 a	 veiculação	 de	 propagandas	 enganosas,	
porém	respeita	o	uso	da	persuasão.	Assim,	ao	longo	dos	anos,	pode-se	perceber	que	
o	 Conar	 não	 considera	 o	 apelo	 infantil	 abusivo	 e	 permitiu	 a	 transmissão	 de	
propagandas	 destinadas	 ao	 público	 infantil,	 já	 que	 essas	 permanecem	 na	 mídia.	
Diante	desse	raciocínio,	é	possível	considerar	a	resolução	do	Conselho	Nacional	de	
Direitos	 da	 Criança	 e	 do	 Adolescente	 (Conanda)	 válida	 e	 necessária	 para	 a	
contenção	dos	abusos	propagandísticos	evidenciados.			
Tendo	em	vista	a	realidade	abusiva	da	propaganda	infantil,	é	necessário	que	o	Conar	
e	o	Conanda	trabalhem	juntos	para	providenciar	uma	análise	ainda	mais	criteriosa	
dos	anúncios	publicitários	dirigidos	à	primeira	infância,	a	fim	de	verificar	as	técnicas	
de	indução	utilizadas.	Ademais,	a	família	e	o	sistema	educacional	brasileiro	devem	
proporcionar	 às	 crianças	 uma	 educação	 relacionada	 a	 questões	 analíticas	 e	
argumentativas	 para	 que,	 já	 na	 adolescência,	 possam	 distinguir	 de	 maneira	
cautelosa	as	intenções	dos	órgãos	publicitários	e	a	validez	das	propagandas.	Dessa	
forma,	será	possível	conter	os	abusos	e	estabelecer	justiça	nesse	contexto.
Folha	em	branco,	de	Raphael	Luan	Carvalho	de	Souza,		
Durante	 o	 século	 XX,	 o	 estímulo	 à	 produção	 industrial,	 por	 Getúlio	 Vargas,	 e	 o	
incentivo	 à	 integração	 nacional,	 de	 Juscelino	 Kubitschek,	 foram	 fatores	 que	
possibilitaram	 a	 popularização	 dos	 meios	 de	 comunicação	 no	 Brasil.	 Com	 isso,	
cresceu	 também	 a	 publicidade	 infantil,	 que	 busca	 introduzir	 nas	 crianças,	 desde	
cedo,	o	princípio	capitalista	de	consumo.	No	entanto,	essa	visão	negativa	pode	ser	
significativamente	 minimizada,	 desde	 que	 acompanhada	 de	 uma	 forte	 base	
educacional	 que	 auxilia	 as	 crianças	 a	 discernir	 por	 meio	 do	 desenvolvimento	 de	
senso	crítico	próprio.	
É	indiscutível	a	presença	de	fatores	prejudiciais	nas	propagandas	dirigidas	a	essa	
faixa	etária.	Segundo	o	conceito	de	felicidade,	discutido	na	filosofia	da	antiguidade	
por	 Aristóteles,	 a	 eudaimonia	 é	 alcançada	 com	 a	 união	 equilibrada	 entre	 razão	 e	
satisfação	 de	 prazeres.	 Contudo,	 evidencia-se	 que,	 na	 infância,	 o	 indivíduo	 não	
possui	ainda	discernimento	racional	suficiente,	o	que	faz	com	que	a	criança,	ao	ter	
acesso	a	publicidades,	pense	que	o	produto	divulgado	é	extremamente	necessário.	
Isso	 acarreta,	 de	 forma	 negativa,	 a	 formação	 de	 jovens	 e	 adultos	 excessivamente	
consumistas.	
Entretanto,	essa	tendência	pode	ser	revertida	se	somada	à	instrução	adequada	do	
público-alvo	do	mercado	publicitário	infantil.	Segundo	a	tábula	rasa	de	John	Locke,	
nascemos	como	uma	folha	em	branco,	sem	conhecimento,	e	o	adquirimos	por	meio	
da	 experiência.	 A	 partir	 desse	 pensamento,	 é	 possível	 entender	 que	 é	 função	 dos	
pais	 educar	 as	 crianças,	 haja	 vista	 que	 estas	 são	 influenciadas	 pelo	 meio	 em	 que	
vivem.	Com	o	apoio	da	base	familiar,	somada	à	escolar,	cria-se	o	senso	crítico,	que	
possibilita	 a	 gradativa	 menor	 influência	 da	 linguagem	 publicitária.	 Desse	 modo,	
evidencia-se	que	o	poder	de	persuasão	do	mercado	apelativo	não	é	absoluto.	
Por	fim,	entende-se	que,	embora	a	publicidade	infantil	seja	preocupante,	tal	efeito	é	
reduzido	 com	 o	 desenvolvimento	 do	 senso	 crítico,	 seja	 na	 base	 familiar,	 seja	 na	
escolar.	A	fim	de	atenuar	o	problema,	o	Estado	deve	implementar,	no	ensino	de	base,	
projetos	 educacionais	 de	 análise	 de	 linguagens	 com	 o	 auxílio	 do	 Ministério	 da	
Educação	e	Cultura	e	governos	municipais,	visando	a	evidenciar,	para	a	faixa	etária	
infantil,	 a	 suma	 relevância	 da	 consciência	 sobre	 reais	 necessidades	 de	 consumo.	
Dessa	 forma,	 a	 folha	 em	 branco	 ao	 nascer	 poderá	 ser	 preenchida,	 formando	
cidadãos,	de	fato,	conscientes.
Sem	título,	de	Rosely	Costa	Sousa	
A	 grande	 preocupação	 hoje,	 nas	 políticas	 públicas,	 é	 propiciar	 um	 melhor	
atendimento	integral	à	criança,	principalmente	no	que	se	refere	ao	desenvolvimento	
moral,	 social,	 político	 e	 cultural	 enquanto	 sujeito	 ativo	 e	 participante	 dos	 plenos	
direitos	 e	 deveres	 na	 sociedade,	 conforme	 as	 normas	 declaradas	 no	 Estatuto	 da	
Criança	e	do	Adolescente	(ECA).	
Sabe-se	que	a	educação,	tanto	nas	escolas	quanto	no	lar,	é	a	melhor	opção	para	se	
chegar	a	um	objetivo	promissor,	além	de	promover	o	desenvolvimento	integral	da	
criança,	porém	tal	fato	tem	sofrido	mudanças	ultimamente	decorrentes	do	avanço	
tecnológico	e	de	inovações	ideológicas	quanto	à	forma	de	aprimorar	e	preparar	a	
criança,	desde	o	nascimento,	para	receber	as	informações	que	há	no	mundo	exterior.	
Diante	disso,	as	escolas	e	os	pais	devem	preocupar-se	em	desenvolver	na	criança,	o	
seu	lado	consumidor,	através	de	situações	do	dia	a	dia,	auxiliando-a	e	orientando-a	a	
se	tornar	um	bom	consumidor,	sendo	necessário	e	importante	para	se	obter	uma	
aprendizagem	significativa	da	sua	realidade.	
Em	 relação	 à	 publicidade	 infantil,	 percebe-se	 que	 a	 tendência	 das	 empresas	 e	
fabricantes	de	produtos	infantis	é	aumentar	seus	negócios	e	divulgar	seus	produtos	
infantis	 tendo	 como	 alvo,	 o	 universo	 infantil,	 o	 que	 isso,	 sobretudo,	 recai	 nas	
responsabilidades	 dos	 adultos	 que	 acabam	 cedendo-a	 a	 adquirir,	 de	 forma	
compulsiva,	o	produto	anunciado.	
No	Brasil,	a	publicidade	infantil	é	comum,	principalmente	em	datas	comemorativas	
tais	como	Dia	das	Crianças	e	Natal,	porém	defende	e	apoia	a	legislação	que	controla	
e	evita	abusos	do	setor	que	realiza	tal	publicidade.	
No	 entanto,	 espera-se	 que	 a	 publicidade	 infantil	 assuma	 um	 caráter	 educativo,	
apesar	de	ser	persuasivo,	não	afetando	os	direitos	e	os	deveres	da	criança,	dentro	
das	normas	contidas	na	legislação	do	país.	As	escolas	e,	sobretudo	os	pais,	devem	
orientar	as	crianças	a	tornarem-se	bons	consumidores,	realizando	a	escolha	certa	do	
produto,	conscientes	de	suas	atitudes	na	sociedade	em	adquirir	tal	produto	a	fim	de	
não	tornarem-se	consumidoras	compulsivas.
Sem	título,	de	Antônio	Ivan	Araújo	
A	 publicidade	 infantil	 movimenta	 bilhões	 de	 dólares	 e	 é	 responsável	 por	
considerável	aumento	no	número	de	vendas	de	produtos	e	serviços	direcionados	às	
crianças.	No	Brasil,	o	debate	sobre	a	publicidade	infantil	representa	uma	questão	
que	 envolve	 interesses	 diversos.	 Nesse	 contexto,	 o	 governo	 deve	 regulamentar	 a	
veiculação	e	o	conteúdo	de	campanhas	publicitárias	voltadas	às	crianças,	pois,	do	
contrário,	 elas	 podem	 ser	 prejudicadas	 em	 sua	 formação,	 com	 prejuízos	 físicos,	
psicológicos	e	emocionais.			
Em	 primeiro	 lugar,	 nota-se	 que	 as	 propagandas	 voltadas	 ao	 público	 mais	 jovem	
podem	 influir	 nos	 hábitos	 alimentares,	 podendo	 alterar,	 consequentemente,	 o	
desenvolvimento	 físico	 e	 a	 saúde	 das	 crianças.	 Os	 brindes	 que	 acompanham	 as	
refeições	 infantis	 ofertados	 pelas	 grandes	 redes	 de	 lanchonetes,	 por	 exemplo,	
aumentam	 o	 consumo	 de	 alimentos	 muito	 calóricos	 e	 prejudiciais	 à	 saúde	 pelas	
crianças,	interessadas	nos	prêmios.	Esse	aumento	da	ingestão	de	alimentos	pouco	
saudáveis	pode	acarretar	o	surgimento	precoce	de	doenças	como	a	obesidade.			
Em	 segundo	 lugar,	 observa-se	 que	 a	 publicidade	 infantil	 é	 um	 estímulo	 ao	
consumismo	 desde	 a	 mais	 tenra	 idade.	 O	 consumo	 de	 brinquedos	 e	 aparelhos	
eletrônicos	 modifica	 os	 hábitos	 comportamentais	 de	 muitas	 crianças	 que,	 para	
conseguir	acompanhar	as	novas	brincadeiras	dos	colegas,	pedem	presentes	cada	vez	
mais	caros	aos	pais.	Quando	esses	não	podem	compra-los,	as	crianças	podem	ser	
vítimas	de	piadas	maldosas	por	parte	dos	outros,	podendo	também	ser	excluídas	de	
determinados	círculos	de	amizade,	o	que	prejudica	o	desenvolvimento	emocional	e	
psicológico	dela.			
Em	 decorrência	 disso,	 cabe	 ao	 Governo	 Federal	 e	 ao	 terceiro	 setor	 a	 tarefa	 de	
reverter	esse	quadro.	O	terceiro	setor	–	composto	por	associações	que	buscam	se	
organizar	para	conseguir	melhorias	na	sociedade	–	deve	conscientizar,	por	meio	de	
palestras	 e	 grupos	 de	 discussão,	 os	 pais	 e	 os	 familiares	 das	 crianças	 para	 que	
discutam	com	elas	a	respeito	do	consumismo	e	dos	males	disso.	Por	fim,	o	Estado	
deve	regular	os	conteúdos	veiculados	nas	campanhas	publicitárias,	para	que	essas	
não	 tentem	 convencer	 pessoas	 que	 ainda	 não	 têm	 o	 senso	 crítico	 desenvolvido.	
Além	 disso,	 ele	 deve	 multar	 as	 empresas	 publicitárias	 que	 não	 respeitarem	 suas	
determinações.	Com	esses	atos,	a	publicidade	infantil	deixará	de	ser	tão	prejudicial	e	
as	crianças	brasileiras	poderão	crescer	e	se	desenvolver	de	forma	mais	saudável.
Por	um	bem	viver,	de	Dandara	Luiza	da	Costa	
“O	ornamento	da	vida	está	na	forma	como	um	país	trata	suas	crianças”.	A	frase	do	
sociólogo	Gilberto	Freyre	deixa	nítida	a	relação	de	cuidado	que	uma	nação	deve	ter	
com	 as	 questões	 referentes	 à	 infância.	 Dessa	 forma,	 é	 válido	 analisar	 a	 maneira	
como	 o	 excesso	 de	 publicidade	 infantil	 pode	 contribuir	 negativamente	 para	 o	
desenvolvimento	dos	pequenos	e	do	Brasil.			
É	importante	pontuar,	de	início,	que	a	abusiva	publicidade	na	infância	muda	o	foco	
das	crianças	do	que	realmente	é	necessário	para	sua	faixa	etária.	Tal	situação	torna	
essas	crianças	pequenos	consumidores	compulsivos	de	bens	materiais,	muitas	vezes	
desapropriados	 para	 determinada	 idade,	 e	 acabam	 por	 desvalorizar	 a	 cultura	
imaterial,	passada	através	das	gerações,	como	as	brincadeiras	de	rua	e	as	cantigas.	
Prova	 disso	 são	 os	 dados	 da	 UNESCO	 afirmarem	 que	 cerca	 de	 85%	 das	 crianças	
preferirem	 se	 divertir	 com	 os	 objetos	 divulgados	 nas	 propagandas,	 tornando	
notório	 que	 a	 relação	 entre	 ser	 humano	 e	 consumo	 está	 “nascendo”	 desde	 a	
infância.			
É	fundamental	pontuar,	ainda,	que	o	crescimento	do	Brasil	está	atrelado	ao	tipo	que	
infância	 que	 está	 sendo	 construída	 na	 atualidade.	 Essa	 relação	 existe	 porque	 um	
país	 precisa	 de	 futuros	 adultos	 conscientes,	 tanto	 no	 que	 se	 refere	 ao	 consumo,	
como	 às	 questões	 políticas	 e	 sociais,	 pois	 a	 atenção	 excessiva	 dada	 à	 publicidade	
infantil	vai	gerar	adultos	alienados	e	somente	preocupados	em	comprar.	Assim,	a	
ideia	do	líder	Gandhi	de	que	o	futuro	dependerá	daquilo	que	fazemos	no	presente	
parece	fazer	alusão	ao	fato	de	que	não	é	prudente	deixar	que	a	publicidade	infantil	
se	torne	abusiva,	pois	as	crianças	devem	lidar	da	melhor	forma	com	o	consumismo.			
Dessa	forma,	é	possível	perceber	que	a	publicidade	infantil	excessiva	influencia	de	
maneira	 negativa	 tanto	 a	 infância	 em	 si	 como	 também	 o	 Brasil.	 É	 preciso	 que	 o	
governo	 atue	 iminentemente	 nesse	 problema	 através	 da	 aplicação	 de	 multas	 nas	
empresas	 de	 publicidade	 que	 ultrapassarem	 os	 limites	 das	 faixas	 etárias	
estabelecidos	anteriormente	pelo	Ministério	da	Infância	e	da	Juventude.	Além	disso,	
é	preciso	que	essas	crianças	sejam	estimuladas	pelos	pais	e	pelas	escolas	a	terem	
um	maior	hábito	de	ler,	através	de	concessões	fiscais	às	famílias	mais	carentes,	em	
livrarias	e	papelarias,	distando	um	pouco	do	padrão	consumista	atual,	a	fim	de	que	o	
Brasil	garanta	um	futuro	com	adultos	mais	conscientes.	Afinal,	como	afirmou	Platão:	
“o	importante	não	é	viver,	mas	viver	bem”.
Criança:	futuro	consumidor,	de	Giovana	Lazzaretti	Segat	
A	propaganda	é	a	principal	arma	das	grandes	empresas.	Disseminada	em	todos	os	
meios	 de	 comunicação,	 a	 ampla	 visibilidade	 publicitária	 atinge	 seu	 principal	
objetivo:	 expor	 um	 produto	 e	 explicar	 sua	 respectiva	 função.	 No	 entanto,	 essa	
mesma	função	é	distorcida	por	anúncios	apelativos,	que	transformam	em	sinônimos	
o	prazer	e	a	compra,	atingindo	principalmente	as	crianças.			
As	 habilidades	 publicitárias	 são	 poderosas.	 O	 uso	 de	 ídolos	 infantis,	 desenhos	
animados	 e	 trilhas	 sonoras	 induzem	 a	 criança	 a	 relacionar	 seus	 gostos	 a	 vários	
produtos.	Dessa	maneira,	as	indústrias	acabam	compartilhando	seus	espaços;	como	
exemplo	as	bonecas	Monster	High	fazendo	propaganda	para	o	fast	food	Mc	Donalds.	
A	 falta	 de	 discussão	 sobre	 o	 assunto	 é	 evidenciada	 pelas	 opiniões	 distintas	 dos	
países.	 Conforme	 a	 OMS,	 no	 Reino	 Unido	 há	 leis	 que	 limitam	 a	 publicidade	 para	
crianças	 como	 a	 que	 proíbe	 parcialmente	 –	 em	 que	 comerciais	 são	 proibidos	 em	
certos	 horários	 -,	 e	 a	 que	 personagens	 famosos	 não	 podem	 aparecer	 em	
propagandas	de	alimentos	infantis.	Já	no	Brasil	há	a	autorregulamentação,	na	qual	o	
setor	publicitário	cria	normas	e	as	acorda	com	o	governo,	sem	legislação	específica.		
A	relação	entre	pais,	filhos	e	seu	consumo	se	torna	conflituosa.	As	crianças	perdem	a	
noção	do	limite,	que	lhes	é	tirada	pela	mídia	quando	a	mesma	reproduz	que	tudo	é	
possível.	Como	forma	de	solucionar	esse	conflito,	o	governo	federal	pode	criar	leis	
rígidas	que	restrinjam	a	publicidade	de	bens	não	duráveis	para	crianças.	Além	disso,	
as	escolas	poderiam	proporcionar	oficinas	chamadas	de	“Consumidor	Consciente”	
em	 que	 diferenciam	 consumo	 e	 consumismo,	 ressaltando	 a	 real	 utilidade	 e	 a	
durabilidade	dos	produtos,	com	a	distribuição	de	cartilhas	didáticas	introduzindo	os	
direitos	do	consumidor.	Esse	trabalho	seria	efetivo	aliado	ao	diálogo	com	os	pais.			
Sérgio	 Buarque	 de	 Hollanda	 constatou	 que	 o	 brasileiro	 é	 suscetível	 a	 influências	
estrangeiras,	 e	 a	 publicidade	 atual	 é	 a	 consequência	 direta	 da	 globalização.	 Por	
conseguinte	é	preciso	que	as	crianças,	desde	pequenas,	saibam	diferenciar	o	útil	do	
fútil,	sendo	preparados	para	analisar	informações	advindas	do	exterior	no	momento	
em	que	observarem	as	propagandas.
Sem	título,	de	Juliana	Neves	Silva	Dutra	
A	Revolução	Industrial,	ocorrida	inicialmente	na	Inglaterra	durante	o	século	XVIII,	
trouxe	 a	 necessidade	 de	 um	 mercado	 consumidor	 cada	 vez	 maior	 em	 função	 do	
aumento	de	produção.	Para	isso,	o	investimento	em	publicidade	tornou-se	um	fator	
essencial	para	ampliar	as	vendas	das	mercadorias	produzidas.	Na	sociedade	atual,	
percebe-se	 as	 crianças	 como	 um	 dos	 focos	 de	 publicidade.	 Tal	 prática	 deve	 ser	
restringida	 pelo	 Estado	 para	 garantir	 que	 as	 crianças	 não	 sejam	 persuadidas	 a	
comprar	determinado	produto.			
A	partir	da	mecanização	da	produção,	o	estímulo	ao	consumo	tornou-se	um	fator	
primordial	 para	 a	 manutenção	 do	 sistema	 capitalista.	 De	 acordo	 com	 Karl	 Marx,	
filósofo	alemão	do	século	XIX,	para	que	esse	incentivo	ocorresse,	criou-se	o	fetiche	
sobre	a	mercadoria:	constroi-se	a	ilusão	de	que	a	felicidade	seria	alcançada	a	partir	
da	 compra	 do	 produto.	 Assim,	 as	 crianças	 tornaram-se	 um	 grande	 foco	 das	
empresas	 por	 não	 possuírem	 elevado	 grau	 de	 esclarecimento	 e	 por	 serem	
facilmente	persuadidas	a	realizarem	determinada	ação.		
Para	 atingir	 esse	 objetivo,	 as	 empresas	 utilizam	 da	 linguagem	 infantil,	 de	
personagens	de	desenhos	animados	e	de	vários	outros	meios	para	atrair	as	crianças.	
O	 Conselho	 Nacional	 de	 Direitos	 de	 Criança	 e	 do	 Adolescente	 aprovou	 uma	
resolução	 que	 considera	 a	 publicidade	 infantil	 abusiva,	 porém	 não	 há	 um	
direcionamento	concreto	sobre	como	isso	vai	ocorrer.	É	imprescindível	uma	maior	
rigidez	do	Estado	sobre	as	campanhas	publicitárias	infantis,	pois	as	crianças	farão	
parte	 do	 mercado	 consumidor	 e	 devem	 ser	 educadas	 para	 se	 tornarem	
consumidores	conscientes.			
Logo,	o	Estado	deve	estabelecer	um	limite	para	os	comerciais	voltados	ao	público	
infantil	 por	 meio	 da	 proibição	 parcial,	 que	 estabelece	 horários	 de	 transmissão	 e	
faixas	 etárias.	 Além	 disso,	 o	 uso	 de	 personagens	 de	 desenhos	 animados	 em	
campanhas	publicitárias	infantis	deve	ser	proibido.	Para	efetivar	as	ações	estatais,	
instituições	como	a	família	e	a	escola	devem	educar	as	crianças	para	consumirem	
apenas	o	que	é	necessário.	Apenas	assim	o	consumo	consciente	poderá	se	realizar	a	
médio	prazo.
Sem	título,	de	Lucas	Almeida	Francisco	
A	publicidade	infantil	tem	sido	pauta	de	discussões	acerca	dos	abusos	cometidos	no	
processo	de	disseminação	de	valores	que	objetivam	ao	consumismo,	uma	vez	que	a	
criança,	 ao	 passar	 pelo	 processo	 de	 construção	 da	 sua	 cidadania,	 apropria-se	 de	
elementos	ao	seu	redor,	que	podem	ser	indesejáveis	à	manutenção	da	qualidade	de	
vida.			
O	sociólogo	Michel	Foucault	afirma	que	'nada	é	político,	tudo	é	politizável,	tudo	pode	
tornar-se	político'.	A	publicidade	politiza	o	que	é	imprescindível	ao	consumidor	à	
medida	 que	 abarca	 a	 função	 apelativa	 associada	 à	 linguagem	 empregada	 na	
disseminação	da	imagem	de	um	produto,	persuadindo	o	público-alvo	a	adquiri-lo.			
Ao	 focar	 no	 público	 infantil,	 os	 meios	 publicitários	 elencam	 os	 códigos	 e	 as	
características	 do	 cotidiano	 da	 criança,	 isto	 é,	 assumem	 o	 habitus	 –	 conceito	 de	
Pierre	 Bourdieu,	 definido	 como	 'princípios	 geradores	 de	 práticas	 distintas	 e	
distintivas'	–	típico	dessa	faixa	etária:	o	desenho	animado	da	moda,	o	jogo	eletrônico	
socialmente	compartilhado,	o	brinquedo	de	um	famoso	personagem	da	mídia,	etc.			
Por	outro	lado,	a	criança	necessita	de	um	espaço	que	a	permita	crescer	de	modo	
saudável,	 ou	 seja,	 com	 qualidade	 de	 vida.	 Os	 abusos	 publicitários	 afetam	 essa	
prerrogativa:	 ao	 promoverem	 o	 consumo	 exarcebado,	 causam	 dependência	
material,	 submetendo	 crianças	 a	 um	 círculo	 vicioso	 de	 compras,	 no	 qual,	 muitas	
vezes,	os	pais	não	podem	sustentar.	A	felicidade	é	orientada	para	um	produto,	em	
detrimento	de	um	convívio	social	saudável	e	menos	materialista.			
De	modo	a	garantir	o	desenvolvimento	adequado	da	criança	e	diminuir	os	abusos	da	
publicidade,	 algumas	 medidas	 devem	 ser	 tomadas.	 O	 governo	 deve	 investir	 em	
políticas	públicas	que	atuem	como	construtoras	de	uma	'consciência	mirim',	através	
de	meios	didáticos	a	fomentar	a	imaginação	da	criança,	orientando-a	na	recepção	de	
informações	que	a	cercam.	Em	adição,	os	pais	devem	estar	atentos	aos	elementos	
apropriados	pelos	seus	filhos	em	propagandas,	estimulando	o	espírito	crítico	deles,	
a	contribuir	para	a	futura	cidadania	que	os	espera.
Publicidade	infantil:	perigoso	artificio,	de	Larissa	Freisleben	
Uma	criança	imitando	os	sons	emitidos	por	porcos	já	foi	atitude	considerada	como	
falta	 de	 educação.	 No	 entanto,	 após	 a	 popularização	 do	 programa	 infantil	 “Peppa	
Pig”,	essa	passou	a	ser	uma	cena	comum	no	Brasil.	O	desenho	animado	sobre	uma	
família	de	porcos	falantes	não	apenas	mudou	o	comportamento	dos	pequenos	como	
também	 aumentou	 o	 lucro	 de	 uma	 série	 de	 marcas	 que	 se	 utilizaram	 do	
encantamento	infantil	para	impulsionar	a	venda	de	produtos	relacionados	ao	tema.	
Peppa	 é	 apenas	 mais	 um	 exemplo	 do	 poder	 que	 a	 publicidade	 exerce	 sobre	 as	
crianças.	
Os	nazistas	já	conheciam	os	efeitos	de	uma	boa	publicidade:	são	inúmeros	os	casos	
de	 pais	 delatados	 pelos	 próprios	 filhos	 –	 o	 que	 mostra	 a	 facilidade	 com	 que	 as	
crianças	são	influenciadas.	Essa	vulnerabilidade	é	maior	até	os	sete	anos	de	idade,	
quando	a	personalidade	ainda	não	está	formada.	Muitas	redes	de	lanchonetes,	por	
exemplo,	 valem-se	 disso	 para	 persuadir	 seus	 jovens	 clientes:	 seus	 produtos	 vêm	
acompanhados	 por	 brindes	 e	 brinquedos.	 Assim,	 muitas	 vezes	 a	 criança	 acaba	 se	
alimentando	de	maneira	inadequada	na	ânsia	de	ganhar	um	brinquedo.	
A	publicidade	interfere	no	julgamento	das	crianças.	No	entanto,	censurar	todas	as	
propagandas	 não	 é	 a	 solução.	 É	 preciso,	 sim,	 que	 haja	 uma	 regulamentação	 para	
evitar	a	apelação	abusiva	–tarefa	destinada	aos	órgãos	responsáveis.	
No	caso	da	alimentação,	a	questão	é	especialmente	grave,	uma	vez	que	pesquisas	
mostram	que	os	hábitos	alimentares	mantidos	até	os	dez	anos	de	idade	são	cruciais	
para	definir	o	estilo	de	vida	que	o	indivíduo	terá	quando	adulto.	Uma	boa	solução,	
nesse	 caso,	 seria	 criar	 propagandas	 enaltecendo	 o	 consumo	 de	 frutas,	 verduras	 e	
legumes.	 Os	 próprios	 programas	 infantis	 poderiam	 contribuir	 nesse	 sentido,	
apresentando	personagens	com	hábitos	saudáveis.	Assim,	os	pequenos	iriam	tentar	
imitar	os	bons	comportamentos.	
Contudo,	nenhum	controle	publicitário	ou	bom	exemplo	sob	a	forma	de	um	desenho	
animado	 é	 suficiente	 sem	 a	 participação	 ativa	 da	 família.	 É	 essencial	 ensinar	 as	
crianças	a	diferenciar	bons	produtos	de	meros	golpes	publicitários.	Portanto,	em	se	
tratando	 de	 propaganda	 infantil,	 assim	 como	 em	 tantos	 outros	 casos,	 a	 educação	
vinda	de	casa	é	a	melhor	solução.
Sem	título,	de	Lucas	Santos	Barbosa	
Desde	 o	 fim	 da	 Guerra	 Fria,	 em	 1985,	 e	 a	 consolidação	 do	 modelo	 econômico	
capitalista,	 cresce	 no	 mundo	 o	 consumismo	 desenfreado.	 Entretanto,	 as	
consequências	 dessa	 modernidade	 atingem	 o	 ser	 humano	 de	 maneira	 direta	 e	
indireta:	através	da	dependência	por	compras	e	impactos	ambientais	causados	por	
esse	 ato.	 Nesse	 sentido,	 por	 serem	 frágeis	 e	 incapazes	 de	 diferenciar	 impulso	 de	
necessidade,	as	crianças	tornaram-se	um	alvo	fácil	dos	atos	publicitários.		
Por	ser	uma	questão	de	cunho	global,	as	ações	de	propagandas	infantis	também	são	
vivenciadas	 no	 Brasil.	 Embora	 a	 economia	 passe	 por	 um	 período	 de	 recessão,	 a	
vontade	de	consumir	pouco	mudou	nos	brasileiros.	Com	os	jovens	não	é	diferente,	
influenciados,	muitas	vezes,	por	paradigmas	de	inferioridade	social	impostos	tanto	
pela	mídia,	quanto	pela	sociedade,	além	de	geralmente	serem	desprovidos	de	uma	
educação	de	consumo,	tornam-se	adultos	desorganizados	financeiramente,	ao	passo	
que	dão	continuidade	a	esse	ciclo	vicioso.			
Diante	desse	cenário,	os	prejuízos	são	sentidos	também	pela	natureza,	uma	vez	que	
o	descarte	de	materiais	gera	poluição	e	mudança	climática	na	Terra.	No	entanto,	o	
Brasil	 carece	 de	 medidas	 capazes	 de	 intervir	 em	 ações	 publicitárias	 direcionadas	
àqueles	que	serão	o	futuro	da	nação,	hoje,	facilmente	manipulados	e	influenciados	
por	 personagens	 infantis	 e	 pela	 modernização	 em	 que	 passam	 os	 produtos.	 Em	
outras	palavras,	é	preciso	consumir	de	maneira	consciente	desde	a	infância,	para	
que	 se	 construam	 valores	 e	 responsabilidade	 durante	 o	 desenvolvimento	 do	
indivíduo.			
Dessa	forma,	sabe-se	que	coibir	a	propaganda	voltada	ao	público	infanto-juvenil	não	
é	a	melhor	medida	para	superar	esse	problema.	Cabe	aos	pais,	cobrarem	ações	do	
governo	–	criação	de	leis	mais	rigorosas	–	além	de	agirem	diretamente	na	formação	
e	 educação	 de	 consumo	 dos	 filhos:	 impondo	 limites	 e	 dando	 noções	 financeiras	
ainda	enquanto	jovens.	Ademais,	as	escolas	têm	papel	fundamental	nesse	segmento.	
É	imprescindível,	também,	utilizar	a	própria	mídia	para	alertar	sobre	os	problemas	
ambientais	decorrentes	do	consumo	em	larga	escala	e	incentivar	o	desenvolvimento	
sustentável.
Mais	família	e	menos	mídia,	de	Luís	Artur	Haddad	
Em	 Esparta,	 importante	 pólis	 grega,	 os	 meninos	 eram	 exaustivamente	 treinados	
para	serem	guerreiros	que	defenderiam	sua	cidade.	Hoje,	no	Brasil,	as	crianças	não	
tem	essa	preocupação:	crescem	e	no	futuro,	podem	escolher	suas	profissões.	Porém,	
a	publicidade	infantil	tem	influenciado,	não	só	este,	mais	inúmeros	outros	aspectos	
dos	jovens,	e	não	deveria.		
No	Brasil,	é	comum	que	se	ligue	a	televisão	e	esteja	passando	alguma	propaganda	
com	teor	apelativo	aos	jovens:	publicitários	usam	de	inúmeros	meios	para	atrair	a	
atenção	das	crianças,	e	conseguem.	Estas,	cada	vez	mais	conectadas	a	todo	tipo	de	
mídia,	acabam	se	influenciando	pelo	que	é	divulgado	na	televisão	e	pedem	aos	seus	
pais	que	compre	o	que	foi	ofertado.	O	problema	é	que	cabe	aos	pais	escolher	qual	
brinquedo	o	filho	deve	ter,	por	exemplo,	e	não	ao	grande	empresário.	Este	tem	como	
finalidade	o	lucro,	enquanto	aqueles	querem	o	crescimento	de	seus	jovens.	Dessa	
forma,	é	comum	que	os	donos	de	empresas	criem	brinquedos	que	não	têm	a	menor	
intenção	de	ensinar	nada	às	crianças.	Os	pais,	pelo	contrário,	tendem	a	escolher,	por	
exemplo,	 os	 brinquedos	 que	 passem	 a	 seus	 filhos	 conhecimentos	 que	 julguem	
necessários.	Com	a	publicidade	infantil,	os	empresários	tomam	para	si,	funções	que	
cabem	aos	pais,	e	por	isso	este	tipo	de	publicidade	deve	ter	fim.			
Muitas	pessoas,	porém,	pensa	que	esta	é	uma	forma	de	censura,	similar	à	que	Vargas	
implantou	 com	 o	 Departamento	 de	 Imprensa	 e	 Propaganda,	 mas	 não	 é.	 Crianças	
ainda	 estão	 na	 fase	 de	 aprendizado	 básico	 e,	 pela	 falta	 de	 maturidade,	 não	
desenvolveram	 censo	 crítico:	 ao	 verem	 propagandas	 fantasiosas,	 acham	 que	 o	
produto	é	maravilhoso	e	desejam	adquiri-lo	no	mesmo	instante.	Não	sabem,	porém,	
que	o	refrigerante	possui	muito	corante	–	e	pode	desencadear	uma	alergia,	ou	que	o	
brinquedo	é	muito	frágil,	e	logo	se	quebrará.	Os	pais,	por	esses	motivos,	não	irão	
comprar	os	produtos,	o	que,	em	muitos	casos,	deixará	o	filho	desapontado.	Sabendo	
que	 as	 crianças	 não	 têm	 censo	 crítico	 para	 selecionar	 o	 que	 é	 bom	 através	 da	
publicidade	infantil,	observa-se	que	estas	devem	ser	pouco,	ou	nada,	divulgadas.			
Vendo	a	questão	publicitária	sob	esta	ótica,	um	implemente	à	lei	deve	ser	colocado	
em	 prática.	 Deve	 partir	 do	 Governo	 uma	 adequação	 ao	 projeto	 pedagógico	
brasileiro:	aulas	de	filosofia	e	sociologia,	colocadas	na	base	da	escola,	ensinariam	
aos	jovens	como	a	mídia	de	comporta.	Com	o	tempo,	e	a	maturidade,	as	crianças	
verão	que	os	pais	estão,	na	maioria	dos	casos,	corretos	na	formação	que	lhe	deram.	
Dessa	 forma,	 a	 sociedade	 irá	 crescer	 e	 se	 desenvolver	 de	 forma	 mais	 humana	 e	
menos	financeira.
Amor	à	vida,	de	Maria	Isabel	Viñas	
A	vitória	do	capitalismo	na	Guerra	Fria	gerou	muitas	consequências	para	o	mundo,	
sendo	uma	delas	a	competição	desenfreada	das	multinacionais	por	novos	mercados.	
Um	 dos	 principais	 alvos	 desse	 cenário	 são	 as	 crianças,	 indivíduos	 facilmente	
manipuláveis	devido	a	sua	pequena	capacidade	de	julgamento	crítico.	Sua	inocência	
é,	 dessa	 forma,	 cruelmente	 convertida	 em	 lucro,	 fato	 que	 não	 deve	 ser	 permitido	
nem	tolerado.			
A	infância	é	uma	fase	de	formação	e	aprendizagem,	sendo	necessário,	portanto,	que	
os	 bons	 costumes	 sejam	 cultivados.	 É,	 também,	 uma	 fase	 em	 que	 tudo	 é	 novo	 e	
interessante.	 Dessa	 forma,	 os	 produtos	 apresentados	 em	 comerciais	
inevitavelmente	seduzirão	meninos	e	meninas	que,	por	sua	vez,	passarão	a	pautar	
sua	felicidade	naquilo	que	podem	adquirir.			
A	 ausência	 cada	 vez	 maior	 dos	 pais	 na	 vida	 dos	 filhos	 é	 outro	 fator	 que	 torna	
urgente	a	intervenção	do	Estado	nos	meios	de	comunicação.	A	presença	constante		o	
carinho	 paterno	 são,	 hoje,	 raros	 às	 crianças	 e,	 cientes	 disso,	 tentam	 compensar	 o	
desfalque	 lhes	 dando	 tudo	 o	 que	 pedem,	 desde	 carrinhos	 de	 controle	 remoto	 a	
iPhones.	 Mal	 sabem	 que	 o	 que	 estão	 fazendo	 é	 fomentar	 uma	 indústria	 que,	 aos	
poucos,	 aprisiona	 seus	 filhos	 ao	 materialismo	 e	 escraviza-os	 aos	 gostos	 do	
capitalismo.			
A	proteção	das	crianças	brasileiras	quanto	às	investidas	do	mercado	deve,	portanto,	
ser	 promovida	 não	 apenas	 pelo	 Estado,	 mas	 também	 por	 aqueles	 que	 são	
responsáveis	 por	 sua	 formação.	 Ao	 primeiro	 cabe	 apresentar	 projetos	 de	 lei	 que	
limitem	 o	 teor	 persuasivo	 das	 propagandas.	 Sua	 aprovação	 contaria	 com	 a	
aprovação	da	população.	Além	disso,	disciplinas	extras	poderiam	ser	criadas	com	o	
respaldo	na	atual	LDB	(Lei	de	Diretrizes	e	Bases	da	Educação),	para	que	houvesse	a	
conscientização	 desses	 'pequenos	 cidadãos'	 no	 que	 se	 refere	 a	 problemática	 do	
consumo	excessivo.	Vale	ainda	citar	o	papel	dos	pais,	aos	quais	cabe	a	importante	
função	de	ser	um	bom	exemplo,	afinal,	a	verdadeira	felicidade	não	pode	ser	mediada	
por	elementos	materiais	e	sim	pelo	amor.
Responsabilidade	social,	de	Paula	Lage	Freire	
A	 Revolução	 Técnico-Científica	 do	 século	 XX	 inaugurou	 a	 Era	 da	 Informação	 e	
possibilitou	a	divulgação	de	propagandas	nos	meios	de	comunicação,	influenciando	
o	consumo	dos	indivíduos	de	diferentes	faixas	etárias.	Nesse	contexto,	a	publicidade	
destinada	ao	público	infantil	é	motivo	de	debates	entre	educadores	e	psicólogos	no	
território	 nacional.	 Assim,	 a	 proibição	 parcial	 da	 divulgação	 de	 produtos	 para	 as	
crianças	é	essencial	para	um	maior	controle	dos	pais	e	para	um	menor	abuso	de	
grandes	empresas	sobre	os	infantes.			
Os	 indivíduos	 com	 idade	 pouco	 avançada,	 em	 sua	 maioria,	 ainda	 não	 possuem	
condições	emocionais	para	avaliar	a	necessidade	de	compra	ou	não	de	determinado	
brinquedo	 ou	 jogo.	 Isso	 porque	 eles	 não	 desenvolveram	 o	 senso	 crítico	 que	
possibilita	 uma	 escolha	 consciente	 e	 não	 impulsiva	 por	 um	 produto,	 como	 já	
observou	 Freud	 em	 seus	 estudos	 sobre	 os	 desejos	 e	 impulsos	 do	 homem.	
Consequentemente,	os	pais,	principais	responsáveis	pela	educação	dos	filhos,	devem	
ter	o	controle	sobre	o	que	é	divulgado	para	eles,	pois	possuem	maior	capacidade	
para	enxergar	vantagens	e	desvantagens	do	que	é	anunciado.		
Além	 disso,	 pela	 pouca	 maturidade,	 as	 crianças	 são	 facilmente	 manipuláveis	 pela	
mídia.	Isso	ocorre	por	uma	crença	inocente	em	imagens	meramente	ilustrativas,	que	
despertam	 a	 imaginação	 e	 promovem	 o	 deslocamento	 da	 realidade,	 deixando	 a	
sensação	de	admiração	pelo	produto.	Como	consequência,	empresas	interessadas	na	
venda	 em	 larga	 escala	 e	 no	 lucro	 aproveitam	 esse	 quadro	 para	 divulgar	
propagandas	enganosas,	em	muitos	casos.	
Portanto,	 é	 fundamental	 uma	 regulação	 da	 publicidade	 infantil,	 permitindo-se	 o	
controle	de	responsáveis	e	impedindo-se	ações	irresponsáveis	de	muitas	empresas.	
Faz-se	 necessário,	 então,	 que	 propagandas	 com	 conteúdo	 infantil	 sejam	
direcionadas	aos	responsáveis	em	horários	mais	adequados,	à	noite,	por	exemplo,	
evitando-se	o	consumo	excessivo	dos	anúncios	pelas	crianças.	Ademais,	o	Governo	
Federal	 deve	 promover	 uma	 central	 nacional	 de	 reclamações	 para	 denúncias	 de	
pais,	via	internet	ou	telefonema,	que	avaliem	determinada	informação	como	abusiva	
ou	desnecessária	na	mídia.	Assim,	infantes	viverão	com	maior	segurança	e	proteção.
Sem	título,	de	Victoria	Maria	Luz	Borges	
Em	 meio	 a	 uma	 sociedade	 globalizada,	 é	 evidente	 o	 crescimento	 dos	 recursos	
capazes	de	estimular	a	adesão	ao	consumo.	Em	meio	a	esse	contexto,	encontram-se	
as	propagandas	destinadas	às	crianças,	que,	por	possuírem	seu	caráter	em	processo	
de	 formação,	 tornam-se	 alvos	 fáceis	 desses	 anunciantes.	 A	 regulamentação	 da	
publicidade	infantil	constitui,	assim,	um	fator	imprescindível,	visando	à	preservação	
da	integridade	mental	desse	público.	
Com	o	advento	do	capitalismo	e,	principalmente,	do	modelo	liberal	introduzido	pelo	
pensador	 iluminista	 Adam	 Smith,	 as	 pessoas	 encontram-se	 inseridas	 em	 uma	
sociedade	de	consumo,	na	qual	o	apelo	à	adesão	popular	é	realizado	de	diferentes	
formas,	como,	por	exemplo,	por	meio	da	mídia.	Diante	disso,	estão	as	crianças,	que	
ao	possuírem,	muitas	vezes,	fácil	acesso	a	veículos	de	comunicação	massivos,	são	
estimuladas	a	construírem	um	ideal	de	consumismo	desenfreado,	tento	em	vista	que	
não	possuem	o	discernimento	entre	o	que	é	necessário	e	o	que	é	supérfluo.	
Imersa	nessa	logística,	encontra-se	a	participação	de	famosos	em	propagandas	ou	
mesmo	a	alusão	a	desenhos	animados,	que	visam	ao	convencimento	da	criança	de	
que	aquele	produto	anunciado	é	essencial.	Isso	evidencia	a	falta	de	regulamentação	
no	setor	de	propagandas	do	país,	já	que	não	há	sequer	determinação	de	horários	
para	 a	 veiculação	 delas,	 proporcionando	 uma	 recepção	 massiva	 daquilo	 que	 é	
divulgado	 para	 o	 público	 infantil.	 A	 par	 disso,	 aqueles	 que	 são	 responsáveis	 pela	
promoção	 de	 tais	 propostas	 de	 adesão	 ao	 consumo	 mostram-se	 contrários	 à	
concretização	 da	 proposta,	 ratificando	 a	 preocupação	 exclusivamente	 econômica	
com	a	realização	de	uma	publicidade	desregulamentada.	
É	certo	que	a	mídia	constitui	um	instrumento	de	massificação	da	sociedade	e,	por	
serem	indivíduos	que	ainda	estão	em	processo	de	construção	do	caráter,	as	crianças	
necessitam	de	medidas	protecionistas,	que	garantam	sua	integridade	mental.	Nessa	
perspectiva,	deve-se	proibir	a	veiculação	de	propagandas	infantis	em	determinados	
horários,	como	naqueles	em	que	há	uma	programação	destinada	a	esse	público;	com	
a	 instituição	 de	 leis	 federais.	 Dessa	 forma,	 anunciantes	 e	 emissoras	 devem	 ser	
fiscalizados	 e	 punidos	 com	 aplicação	 de	 multas	 em	 caso	 de	 desrespeito	 ao	
estabelecido.	 Além	 disso,	 é	 necessária	 a	 introdução	 de	 disciplinas	 de	 educação	
financeira	 e	 direcionada	 ao	 consumo,	 visando	 à	 formação	 de	 consumidores	
conscientes.	Assim,	a	criança	deixará	de	ser	alvo	dessas	práticas	apelativas.

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Consumo infantil e futuros consumidores

  • 1. O verdadeiro preço de um brinquedo, de Carlos Eduardo L. Marciano É comum vermos comerciais direcionados ao público infantil. Com a existência de personagens famosos, músicas para crianças e parques temáticos, a indústria de produtos destinados a essa faixa etária cresce de forma nunca vista antes. No entanto, tendo em vista a idade desse público, surge a pergunta: as crianças estariam preparadas para o bombardeio de consumo que as propagandas veiculam? Há quem duvide da capacidade de convencimento dos meios de comunicação. No entanto, tais artifícios já foram responsáveis por mudar o curso da História. A imprensa, no século XVIII, disseminou as ideias iluministas e foi uma das causas da queda do absolutismo. Mas não é preciso ir tão longe: no Brasil redemocratizado, as propagandas políticas e os debates eleitorais são capazes de definir o resultado de eleições. É impossível negar o impacto provocado por um anúncio ou uma retórica bem estruturada. O problema surge quando tal discurso é direcionado ao público infantil. Comerciais para essa faixa etária seguem um certo padrão: enfeitados por músicas temáticas, as cenas mostram crianças, em grupo, utilizando o produto em questão.Tal manobra de “marketing” acaba transmitindo a mensagem de que a aceitação em seu grupo de amigos está condicionada ao fato dela possuir ou não os mesmos brinquedos que seus colegas. Uma estratégia como essa gera um ciclo interminável de consumo que abusa da pouca capacidade de discernimento infantil. Fica clara, portanto, a necessidade de uma ampliação da legislação atual a fim de limitar, como já acontece em países como Canadá e Noruega, a propaganda para esse público, visando à proibição de técnicas abusivas e inadequadas. Além disso, é preciso focar na conscientização dessa faixa etária em escolas, com professores que abordem esse assunto de forma compreensível e responsável. Só assim construiremos um sistema que, ao mesmo tempo, consiga vender seus produtos sem obter vantagem abusiva da ingenuidade infantil.
  • 2. Quem sabe o que é melhor para ela?, de João Pedro Maciel Schlaepfer Desde o final de 1991, com a extinção da antiga União Soviética, o capitalismo predomina como sistema econômico. Diante disso, os variados ramos industriais pesquisam e desenvolvem novas formas e produtos que atinjam os mais variados nichos de mercado. Esse alcance, contudo, preocupa as famílias e o Estado quando se analisa a publicidade voltada às crianças em contraponto à capacidade de absorção crítica das propagandas por parte desse público-alvo. Por ser na infância que se apreende maior quantidade de informações, a eficiência da divulgação de um bem é maior. O interesse infantil a determinados produtos é aumentado pela afirmação do desejo em meios de comunicação, sobretudo ao se articular ao anúncio algum personagem conhecido. Assim, a ânsia consumista dos mais jovens é expandida. Além disso, o nível de criticidade em relação à propaganda é extremamente baixo. Isso se deve ao fato de estarem em fase de composição da personalidade, que é pautada nas experiências vividas e, geralmente, espelhada em um grupo de adultos- exemplo. Dessa forma, o jovem fica suscetível a aceitar como positivo quase tudo o que lhe é oferecido, sem necessariamente avaliar se é algo realmente imprescindível. Com base nisso, o governo federal pode determinar um limite, desassociando personagens e figuras conhecidas aos comerciais, sejam televisivos, radiofônicos, por meios impressos ou quaisquer outras possibilidades. A família, por outro lado, tem o dever de acompanhar e instruir os mais novos em como administrar seus desejos, viabilizando alguns e proibindo outros. Nesse sentido, torna-se evidente, portanto, a importância do acessoria parental e organização do Estado frente a essa questão. Não se pode atuar com descaso, tampouco ser extremista. A criança sabe o que é melhor para ela? Talvez saiba, talvez não. Até que se descubra (com sua criticidade amadurecida), cabe às entidades superiores auxiliá-la nesse trajeto.
  • 3. Sem título, de José Querino de Macêdo Neto Se o conceito censitário de publicidade entende o uso de recursos estilísticos da linguagem, a exemplo da metáfora e das frases de efeito, como atrativo na vendagem de produtos, a manipulação de instrumentos a serviço da propaganda infantil produz efeitos que dão margem mais visível ao consumo desnecessário. Com base nisso, estabelecem-se propostas de debate social acerca do limite de conteúdos designados a comerciais televisivos que se dirigem a tal público. Faz-se preciso, no entanto, que se ressaltem as intenções das grandes empresas de comércio: o lucro é, sobretudo, ditador das regras morais e decisivo na escolha das técnicas publicitárias. Para Marx, por exemplo, o capital influencia, através do acúmulo de riquezas, os padrões que decidem a integração de um indivíduo no meio em que ele se insere — nesse caso, possuir determinados produtos é chave de aceitação social, principalmente entre crianças de cuja inocência se aproveita ao inferir importâncias na aquisição. Em contraposição a esses avanços econômicos e aos interesses dos grandes setores nacionais de mercado infanto-juvenil, os órgãos de ativismo em proteção à criança utilizam-se do Estatuto da Criança e do Adolescente para defender os direitos legítimos da não-ludibriação, detidos por indivíduos em processo de formação ética. Não obstante, a regulamentação da propaganda tende a equilibrar os ganhos das empresas com o crescente índice de consumo desenfreado. Cabe, portanto, ao governo, à família e aos demais segmentos sociais estimular o senso crítico a partir do debate em escolas e creches, de forma a instruir que as necessidades individuais devem se sobrepor às vontades que se possuem, a fim de coibir o abuso comercial e o superconsumo.
  • 4. Sem título, de Juan Costa da Costa Muito se discute acerca dos limites que devem ser impostos à publicidade e propaganda no Brasil - sobretudo em relação ao público infantil. Com o advento do meio técnico-científico informacional, as crianças são inseridas de maneira cada vez mais precoce ao consumismo imposto por uma economia capitalista globalizada - a qual preconiza flexibilidade de produção, adequando-se às mais diversas demandas. Faz-se necessário, portanto, uma preparação específica voltada para esse jovem público, a fim de tornar tal transição saudável e gerar futuros consumidores conscientes. Um aspecto a ser considerado remete à evolução tecnológica vivenciada nas últimas décadas. Os carrinhos e bonecas deram lugar aos "smartphones", videogames e outros aparatos que revolucionaram a infância das atuais gerações. Logo, tornou-se essencial a produção de um marketing voltado especialmente para esse consumidor mirim - objetivando cativá-lo por meio de músicas, personagens e outras estratégias persuasivas. Tal fator é corroborado com a criação de programas e até mesmo canais voltados para crianças (como Disney, Cartoon Network e Discovery Kids), expandindo o conceito de Indústria Cultural (defendido por filósofos como Theodor Adorno) - o qual aborda o uso dos meios de comunicação de massa com fins propagandísticos. Somado a isso, o impasse entre organizações protetoras dos direitos das crianças e os grandes núcleos empresariais fomenta ainda mais essa pertinente discussão. No Brasil, vigoram os acordos isolados com o Poder Público - sem a existência de leis específicas. Recentemente, a Conanda (Comissão Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente) emitiu resolução condenando a publicidade direcionada ao público infantil, provocando o repúdio de empresários e propagandistas - que não reconhecem autoridade dessa instituição para atuar sobre o mercado. Diante desses posicionamentos antagônicos, o debate persiste. Com o intuito de melhor adequar os "consumidores do futuro" a essa realidade, e não apenas almejar o lucro, é preciso prepará-los para absorver as muitas informações. Isso pode ser obtido por meio de campanhas promovidas pelo Poder Público nas escolas (com atividades lúdicas e conscientizadoras) e na mídia (TV, rádio, jornais impressos, internet), bem como a criação de uma legislação específica sobre marketing infantil no Brasil - fiscalizando empresas (prevenindo possíveis abusos) - além de orientação aos pais para que melhor lidem com o impulso de consumo dos filhos (tornando as crianças conscientes de suas reais necessidades). Dessa forma, os consumidores da próxima geração estarão prontos para cumprirem suas responsabilidades quanto cidadãos brasileiros (preocupados também com o próximo) e será promovido o desenvolvimento da nação.
  • 5. Consumidores do futuro, de Maria Eduarda de Aquino Correa Ilha Consumidores do futuro De acordo com o movimento romântico literário do século XIX, a criança era um ser puro. As tendências do Romantismo influenciavam a temática poética brasileira através da idealização da infância. Indo de encontro a essa visão, a sociedade contemporânea, cada vez mais, erradica a pureza dos infantes através da influência cultural consumista presente no cotidiano. Nesse contexto, é preciso admitir que a alegação de uma sociedade conscientizada se tornou uma maneira hipócrita de esconder os descaso em relação aos efeitos da publicidade infantil no país. Em primeiro plano, deve-se notar que o contexto brasileiro contemporâneo é baseado na lógica capitalista de busca por lucros e de incentivo ao consumo. Esse comportamento ganancioso da iniciativa privada é incentivado pelos meios de comunicação, que buscam influenciar as crianças de maneira apelativa no seu dia-a- dia. Além disso, a ausência de leis nacionais acerca dos anúncios infantis acaba por proporcionar um âmbito descontrolado e propício para o consumo. Desse modo, a má atuação do governo em relação à publicidade infantil resulta em um domínio das influências consumistas sobre a geração de infantes no Brasil. Por trás dessa lógica existe algo mais grave: a postura passiva dos principais formadores de consciência da população. O contexto brasileiro se caracteriza pela falta de preocupação moral nas instituições de ensino, que focam sua atuação no conteúdo escolar em vez de preparar a geração infantil com um método conscientizador e engajado. Ademais, a família brasileira pouco se preocupa em controlar o fluxo de informações consumistas disponíveis na televisão e internet. Nesse sentido, o despreparo das crianças em relação ao consumo consciente e às suas responsabilidades as tornam alvos fáceis para as aquisições necessárias impostas pelos anúncios publicitários. Torna-se evidente, portanto, que a questão da publicidade infantil exige medidas concretas, e não um belo discurso. É imperioso, nesse sentido, uma postura ativa do governo em relação à regulamentação da propaganda infantil, através da criação de leis de combate aos comerciais apelativos para as crianças. Além disso, o Estado deve estimular campanhas de alerta para o consumo moderado. Porém, uma transformação completa deve passar pelo sistema educacional, que em conjunto com o âmbito familiar pode realizar campanhas de conscientização por meio de aulas sobre ética e moral. Quem sabe, dessa forma, a sociedade possa tornar a geração infantil uma consumidora consciente do futuro, sem perder a pureza proposta pelo Movimento Romântico.
  • 6. Sem título, de Mariana Pereira Pimenta A publicidade vem sendo valorizada com a constante globalização, onde o marketing se apropria em atingir diferentes parcelas populacionais. A questão da publicidade infantil vem ganhando destaque no cenário mundial, sendo criticadas suas grandes demandas dirigidas à criança, persuadindo-as em favor do consumismo. Com a crescente classe média do país, onde milhares de brasileiros são favorecidos pelos créditos governamentais, o consumismo vem afetando toda essa parcela populacional, deixando no passado a falta de eletrodomésticos e a participação social favorecida as elites. Com participação das principais mídias, agrava o abuso do imaginário infantil ao mesmo tempo em que favorece na distinção do benéfico e maléfico ao padrão de vida individual. É cabível que a anulação da publicidade infantil põe em xeque os ideais democráticos, confrontando tanto as famílias como o mercado publicitário, discriminando tal faixa etária ao mesmo tempo prejudicando o mercado consumidor, fator que pode levar a uma crise interna e abdicar do desenvolvimento comercial de um país subdesenvolvido. Portanto, a busca da comercialização muitas vezes abrange seu favorecimento através do imaginário infantil com os ideais seguidos por seus ídolos. Entretanto, é de responsabilidade dos pais na conscientização do bom e/ou ruim, em conjunto com a escolaridade infantil na abdicação do consumismo ao mesmo tempo em que o governo estude medidas preventivas que busquem o controle da exploração publicitária sem que atrapalhe o andar econômico do país.
  • 7. Sem título, de Nathalia Cardozo Produtos e serviços são necessários a qualquer sociedade. Dentre eles, estão serviços de planos de saúde, financiamento de moradias, compra de roupas e alimentos, entre outros elementos presentes no âmbito social. A publicidade e a propaganda exercem papel essencial na divulgação desses bens. No entanto, é preciso atenção por parte dos consumidores para analisar e selecionar que tipos de propagandas são fidedignas, e no caso de publicidade direcionada a crianças e adolescentes, essa medida nem sempre é possível. Em um primeiro plano, é importante constatar que as crianças não possuem capacidade de analisar os prós e contras da compra de um produto. Nesse sentido, os elementos persuasivos da propaganda têm grande influência no pensamento dos indivíduos da Primeira Idade, já que personagens infantis, brinquedos e músicas conhecidas por eles estimulam uma ideia positiva sobre o produto ou serviço anunciado, mas não uma análise do mesmo. Infere-se, assim, que a utilização desses recursos é abusiva, uma vez que vale-se do fato de a criança ser facilmente induzida e do apego às imagens de caráter infantil, considerando apenas o êxito do objetivo da propaganda: persuadir o possível consumidor. Além disso, observa-se que as ações do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) são importantes, porém insuficientes nesse quesito. O Conar busca, entre outros aspectos, impedir a veiculação de propagandas enganosas, porém respeita o uso da persuasão. Assim, ao longo dos anos, pode-se perceber que o Conar não considera o apelo infantil abusivo e permitiu a transmissão de propagandas destinadas ao público infantil, já que essas permanecem na mídia. Diante desse raciocínio, é possível considerar a resolução do Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) válida e necessária para a contenção dos abusos propagandísticos evidenciados. Tendo em vista a realidade abusiva da propaganda infantil, é necessário que o Conar e o Conanda trabalhem juntos para providenciar uma análise ainda mais criteriosa dos anúncios publicitários dirigidos à primeira infância, a fim de verificar as técnicas de indução utilizadas. Ademais, a família e o sistema educacional brasileiro devem proporcionar às crianças uma educação relacionada a questões analíticas e argumentativas para que, já na adolescência, possam distinguir de maneira cautelosa as intenções dos órgãos publicitários e a validez das propagandas. Dessa forma, será possível conter os abusos e estabelecer justiça nesse contexto.
  • 8. Folha em branco, de Raphael Luan Carvalho de Souza, Durante o século XX, o estímulo à produção industrial, por Getúlio Vargas, e o incentivo à integração nacional, de Juscelino Kubitschek, foram fatores que possibilitaram a popularização dos meios de comunicação no Brasil. Com isso, cresceu também a publicidade infantil, que busca introduzir nas crianças, desde cedo, o princípio capitalista de consumo. No entanto, essa visão negativa pode ser significativamente minimizada, desde que acompanhada de uma forte base educacional que auxilia as crianças a discernir por meio do desenvolvimento de senso crítico próprio. É indiscutível a presença de fatores prejudiciais nas propagandas dirigidas a essa faixa etária. Segundo o conceito de felicidade, discutido na filosofia da antiguidade por Aristóteles, a eudaimonia é alcançada com a união equilibrada entre razão e satisfação de prazeres. Contudo, evidencia-se que, na infância, o indivíduo não possui ainda discernimento racional suficiente, o que faz com que a criança, ao ter acesso a publicidades, pense que o produto divulgado é extremamente necessário. Isso acarreta, de forma negativa, a formação de jovens e adultos excessivamente consumistas. Entretanto, essa tendência pode ser revertida se somada à instrução adequada do público-alvo do mercado publicitário infantil. Segundo a tábula rasa de John Locke, nascemos como uma folha em branco, sem conhecimento, e o adquirimos por meio da experiência. A partir desse pensamento, é possível entender que é função dos pais educar as crianças, haja vista que estas são influenciadas pelo meio em que vivem. Com o apoio da base familiar, somada à escolar, cria-se o senso crítico, que possibilita a gradativa menor influência da linguagem publicitária. Desse modo, evidencia-se que o poder de persuasão do mercado apelativo não é absoluto. Por fim, entende-se que, embora a publicidade infantil seja preocupante, tal efeito é reduzido com o desenvolvimento do senso crítico, seja na base familiar, seja na escolar. A fim de atenuar o problema, o Estado deve implementar, no ensino de base, projetos educacionais de análise de linguagens com o auxílio do Ministério da Educação e Cultura e governos municipais, visando a evidenciar, para a faixa etária infantil, a suma relevância da consciência sobre reais necessidades de consumo. Dessa forma, a folha em branco ao nascer poderá ser preenchida, formando cidadãos, de fato, conscientes.
  • 9. Sem título, de Rosely Costa Sousa A grande preocupação hoje, nas políticas públicas, é propiciar um melhor atendimento integral à criança, principalmente no que se refere ao desenvolvimento moral, social, político e cultural enquanto sujeito ativo e participante dos plenos direitos e deveres na sociedade, conforme as normas declaradas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Sabe-se que a educação, tanto nas escolas quanto no lar, é a melhor opção para se chegar a um objetivo promissor, além de promover o desenvolvimento integral da criança, porém tal fato tem sofrido mudanças ultimamente decorrentes do avanço tecnológico e de inovações ideológicas quanto à forma de aprimorar e preparar a criança, desde o nascimento, para receber as informações que há no mundo exterior. Diante disso, as escolas e os pais devem preocupar-se em desenvolver na criança, o seu lado consumidor, através de situações do dia a dia, auxiliando-a e orientando-a a se tornar um bom consumidor, sendo necessário e importante para se obter uma aprendizagem significativa da sua realidade. Em relação à publicidade infantil, percebe-se que a tendência das empresas e fabricantes de produtos infantis é aumentar seus negócios e divulgar seus produtos infantis tendo como alvo, o universo infantil, o que isso, sobretudo, recai nas responsabilidades dos adultos que acabam cedendo-a a adquirir, de forma compulsiva, o produto anunciado. No Brasil, a publicidade infantil é comum, principalmente em datas comemorativas tais como Dia das Crianças e Natal, porém defende e apoia a legislação que controla e evita abusos do setor que realiza tal publicidade. No entanto, espera-se que a publicidade infantil assuma um caráter educativo, apesar de ser persuasivo, não afetando os direitos e os deveres da criança, dentro das normas contidas na legislação do país. As escolas e, sobretudo os pais, devem orientar as crianças a tornarem-se bons consumidores, realizando a escolha certa do produto, conscientes de suas atitudes na sociedade em adquirir tal produto a fim de não tornarem-se consumidoras compulsivas.
  • 10. Sem título, de Antônio Ivan Araújo A publicidade infantil movimenta bilhões de dólares e é responsável por considerável aumento no número de vendas de produtos e serviços direcionados às crianças. No Brasil, o debate sobre a publicidade infantil representa uma questão que envolve interesses diversos. Nesse contexto, o governo deve regulamentar a veiculação e o conteúdo de campanhas publicitárias voltadas às crianças, pois, do contrário, elas podem ser prejudicadas em sua formação, com prejuízos físicos, psicológicos e emocionais. Em primeiro lugar, nota-se que as propagandas voltadas ao público mais jovem podem influir nos hábitos alimentares, podendo alterar, consequentemente, o desenvolvimento físico e a saúde das crianças. Os brindes que acompanham as refeições infantis ofertados pelas grandes redes de lanchonetes, por exemplo, aumentam o consumo de alimentos muito calóricos e prejudiciais à saúde pelas crianças, interessadas nos prêmios. Esse aumento da ingestão de alimentos pouco saudáveis pode acarretar o surgimento precoce de doenças como a obesidade. Em segundo lugar, observa-se que a publicidade infantil é um estímulo ao consumismo desde a mais tenra idade. O consumo de brinquedos e aparelhos eletrônicos modifica os hábitos comportamentais de muitas crianças que, para conseguir acompanhar as novas brincadeiras dos colegas, pedem presentes cada vez mais caros aos pais. Quando esses não podem compra-los, as crianças podem ser vítimas de piadas maldosas por parte dos outros, podendo também ser excluídas de determinados círculos de amizade, o que prejudica o desenvolvimento emocional e psicológico dela. Em decorrência disso, cabe ao Governo Federal e ao terceiro setor a tarefa de reverter esse quadro. O terceiro setor – composto por associações que buscam se organizar para conseguir melhorias na sociedade – deve conscientizar, por meio de palestras e grupos de discussão, os pais e os familiares das crianças para que discutam com elas a respeito do consumismo e dos males disso. Por fim, o Estado deve regular os conteúdos veiculados nas campanhas publicitárias, para que essas não tentem convencer pessoas que ainda não têm o senso crítico desenvolvido. Além disso, ele deve multar as empresas publicitárias que não respeitarem suas determinações. Com esses atos, a publicidade infantil deixará de ser tão prejudicial e as crianças brasileiras poderão crescer e se desenvolver de forma mais saudável.
  • 11. Por um bem viver, de Dandara Luiza da Costa “O ornamento da vida está na forma como um país trata suas crianças”. A frase do sociólogo Gilberto Freyre deixa nítida a relação de cuidado que uma nação deve ter com as questões referentes à infância. Dessa forma, é válido analisar a maneira como o excesso de publicidade infantil pode contribuir negativamente para o desenvolvimento dos pequenos e do Brasil. É importante pontuar, de início, que a abusiva publicidade na infância muda o foco das crianças do que realmente é necessário para sua faixa etária. Tal situação torna essas crianças pequenos consumidores compulsivos de bens materiais, muitas vezes desapropriados para determinada idade, e acabam por desvalorizar a cultura imaterial, passada através das gerações, como as brincadeiras de rua e as cantigas. Prova disso são os dados da UNESCO afirmarem que cerca de 85% das crianças preferirem se divertir com os objetos divulgados nas propagandas, tornando notório que a relação entre ser humano e consumo está “nascendo” desde a infância. É fundamental pontuar, ainda, que o crescimento do Brasil está atrelado ao tipo que infância que está sendo construída na atualidade. Essa relação existe porque um país precisa de futuros adultos conscientes, tanto no que se refere ao consumo, como às questões políticas e sociais, pois a atenção excessiva dada à publicidade infantil vai gerar adultos alienados e somente preocupados em comprar. Assim, a ideia do líder Gandhi de que o futuro dependerá daquilo que fazemos no presente parece fazer alusão ao fato de que não é prudente deixar que a publicidade infantil se torne abusiva, pois as crianças devem lidar da melhor forma com o consumismo. Dessa forma, é possível perceber que a publicidade infantil excessiva influencia de maneira negativa tanto a infância em si como também o Brasil. É preciso que o governo atue iminentemente nesse problema através da aplicação de multas nas empresas de publicidade que ultrapassarem os limites das faixas etárias estabelecidos anteriormente pelo Ministério da Infância e da Juventude. Além disso, é preciso que essas crianças sejam estimuladas pelos pais e pelas escolas a terem um maior hábito de ler, através de concessões fiscais às famílias mais carentes, em livrarias e papelarias, distando um pouco do padrão consumista atual, a fim de que o Brasil garanta um futuro com adultos mais conscientes. Afinal, como afirmou Platão: “o importante não é viver, mas viver bem”.
  • 12. Criança: futuro consumidor, de Giovana Lazzaretti Segat A propaganda é a principal arma das grandes empresas. Disseminada em todos os meios de comunicação, a ampla visibilidade publicitária atinge seu principal objetivo: expor um produto e explicar sua respectiva função. No entanto, essa mesma função é distorcida por anúncios apelativos, que transformam em sinônimos o prazer e a compra, atingindo principalmente as crianças. As habilidades publicitárias são poderosas. O uso de ídolos infantis, desenhos animados e trilhas sonoras induzem a criança a relacionar seus gostos a vários produtos. Dessa maneira, as indústrias acabam compartilhando seus espaços; como exemplo as bonecas Monster High fazendo propaganda para o fast food Mc Donalds. A falta de discussão sobre o assunto é evidenciada pelas opiniões distintas dos países. Conforme a OMS, no Reino Unido há leis que limitam a publicidade para crianças como a que proíbe parcialmente – em que comerciais são proibidos em certos horários -, e a que personagens famosos não podem aparecer em propagandas de alimentos infantis. Já no Brasil há a autorregulamentação, na qual o setor publicitário cria normas e as acorda com o governo, sem legislação específica. A relação entre pais, filhos e seu consumo se torna conflituosa. As crianças perdem a noção do limite, que lhes é tirada pela mídia quando a mesma reproduz que tudo é possível. Como forma de solucionar esse conflito, o governo federal pode criar leis rígidas que restrinjam a publicidade de bens não duráveis para crianças. Além disso, as escolas poderiam proporcionar oficinas chamadas de “Consumidor Consciente” em que diferenciam consumo e consumismo, ressaltando a real utilidade e a durabilidade dos produtos, com a distribuição de cartilhas didáticas introduzindo os direitos do consumidor. Esse trabalho seria efetivo aliado ao diálogo com os pais. Sérgio Buarque de Hollanda constatou que o brasileiro é suscetível a influências estrangeiras, e a publicidade atual é a consequência direta da globalização. Por conseguinte é preciso que as crianças, desde pequenas, saibam diferenciar o útil do fútil, sendo preparados para analisar informações advindas do exterior no momento em que observarem as propagandas.
  • 13. Sem título, de Juliana Neves Silva Dutra A Revolução Industrial, ocorrida inicialmente na Inglaterra durante o século XVIII, trouxe a necessidade de um mercado consumidor cada vez maior em função do aumento de produção. Para isso, o investimento em publicidade tornou-se um fator essencial para ampliar as vendas das mercadorias produzidas. Na sociedade atual, percebe-se as crianças como um dos focos de publicidade. Tal prática deve ser restringida pelo Estado para garantir que as crianças não sejam persuadidas a comprar determinado produto. A partir da mecanização da produção, o estímulo ao consumo tornou-se um fator primordial para a manutenção do sistema capitalista. De acordo com Karl Marx, filósofo alemão do século XIX, para que esse incentivo ocorresse, criou-se o fetiche sobre a mercadoria: constroi-se a ilusão de que a felicidade seria alcançada a partir da compra do produto. Assim, as crianças tornaram-se um grande foco das empresas por não possuírem elevado grau de esclarecimento e por serem facilmente persuadidas a realizarem determinada ação. Para atingir esse objetivo, as empresas utilizam da linguagem infantil, de personagens de desenhos animados e de vários outros meios para atrair as crianças. O Conselho Nacional de Direitos de Criança e do Adolescente aprovou uma resolução que considera a publicidade infantil abusiva, porém não há um direcionamento concreto sobre como isso vai ocorrer. É imprescindível uma maior rigidez do Estado sobre as campanhas publicitárias infantis, pois as crianças farão parte do mercado consumidor e devem ser educadas para se tornarem consumidores conscientes. Logo, o Estado deve estabelecer um limite para os comerciais voltados ao público infantil por meio da proibição parcial, que estabelece horários de transmissão e faixas etárias. Além disso, o uso de personagens de desenhos animados em campanhas publicitárias infantis deve ser proibido. Para efetivar as ações estatais, instituições como a família e a escola devem educar as crianças para consumirem apenas o que é necessário. Apenas assim o consumo consciente poderá se realizar a médio prazo.
  • 14. Sem título, de Lucas Almeida Francisco A publicidade infantil tem sido pauta de discussões acerca dos abusos cometidos no processo de disseminação de valores que objetivam ao consumismo, uma vez que a criança, ao passar pelo processo de construção da sua cidadania, apropria-se de elementos ao seu redor, que podem ser indesejáveis à manutenção da qualidade de vida. O sociólogo Michel Foucault afirma que 'nada é político, tudo é politizável, tudo pode tornar-se político'. A publicidade politiza o que é imprescindível ao consumidor à medida que abarca a função apelativa associada à linguagem empregada na disseminação da imagem de um produto, persuadindo o público-alvo a adquiri-lo. Ao focar no público infantil, os meios publicitários elencam os códigos e as características do cotidiano da criança, isto é, assumem o habitus – conceito de Pierre Bourdieu, definido como 'princípios geradores de práticas distintas e distintivas' – típico dessa faixa etária: o desenho animado da moda, o jogo eletrônico socialmente compartilhado, o brinquedo de um famoso personagem da mídia, etc. Por outro lado, a criança necessita de um espaço que a permita crescer de modo saudável, ou seja, com qualidade de vida. Os abusos publicitários afetam essa prerrogativa: ao promoverem o consumo exarcebado, causam dependência material, submetendo crianças a um círculo vicioso de compras, no qual, muitas vezes, os pais não podem sustentar. A felicidade é orientada para um produto, em detrimento de um convívio social saudável e menos materialista. De modo a garantir o desenvolvimento adequado da criança e diminuir os abusos da publicidade, algumas medidas devem ser tomadas. O governo deve investir em políticas públicas que atuem como construtoras de uma 'consciência mirim', através de meios didáticos a fomentar a imaginação da criança, orientando-a na recepção de informações que a cercam. Em adição, os pais devem estar atentos aos elementos apropriados pelos seus filhos em propagandas, estimulando o espírito crítico deles, a contribuir para a futura cidadania que os espera.
  • 15. Publicidade infantil: perigoso artificio, de Larissa Freisleben Uma criança imitando os sons emitidos por porcos já foi atitude considerada como falta de educação. No entanto, após a popularização do programa infantil “Peppa Pig”, essa passou a ser uma cena comum no Brasil. O desenho animado sobre uma família de porcos falantes não apenas mudou o comportamento dos pequenos como também aumentou o lucro de uma série de marcas que se utilizaram do encantamento infantil para impulsionar a venda de produtos relacionados ao tema. Peppa é apenas mais um exemplo do poder que a publicidade exerce sobre as crianças. Os nazistas já conheciam os efeitos de uma boa publicidade: são inúmeros os casos de pais delatados pelos próprios filhos – o que mostra a facilidade com que as crianças são influenciadas. Essa vulnerabilidade é maior até os sete anos de idade, quando a personalidade ainda não está formada. Muitas redes de lanchonetes, por exemplo, valem-se disso para persuadir seus jovens clientes: seus produtos vêm acompanhados por brindes e brinquedos. Assim, muitas vezes a criança acaba se alimentando de maneira inadequada na ânsia de ganhar um brinquedo. A publicidade interfere no julgamento das crianças. No entanto, censurar todas as propagandas não é a solução. É preciso, sim, que haja uma regulamentação para evitar a apelação abusiva –tarefa destinada aos órgãos responsáveis. No caso da alimentação, a questão é especialmente grave, uma vez que pesquisas mostram que os hábitos alimentares mantidos até os dez anos de idade são cruciais para definir o estilo de vida que o indivíduo terá quando adulto. Uma boa solução, nesse caso, seria criar propagandas enaltecendo o consumo de frutas, verduras e legumes. Os próprios programas infantis poderiam contribuir nesse sentido, apresentando personagens com hábitos saudáveis. Assim, os pequenos iriam tentar imitar os bons comportamentos. Contudo, nenhum controle publicitário ou bom exemplo sob a forma de um desenho animado é suficiente sem a participação ativa da família. É essencial ensinar as crianças a diferenciar bons produtos de meros golpes publicitários. Portanto, em se tratando de propaganda infantil, assim como em tantos outros casos, a educação vinda de casa é a melhor solução.
  • 16. Sem título, de Lucas Santos Barbosa Desde o fim da Guerra Fria, em 1985, e a consolidação do modelo econômico capitalista, cresce no mundo o consumismo desenfreado. Entretanto, as consequências dessa modernidade atingem o ser humano de maneira direta e indireta: através da dependência por compras e impactos ambientais causados por esse ato. Nesse sentido, por serem frágeis e incapazes de diferenciar impulso de necessidade, as crianças tornaram-se um alvo fácil dos atos publicitários. Por ser uma questão de cunho global, as ações de propagandas infantis também são vivenciadas no Brasil. Embora a economia passe por um período de recessão, a vontade de consumir pouco mudou nos brasileiros. Com os jovens não é diferente, influenciados, muitas vezes, por paradigmas de inferioridade social impostos tanto pela mídia, quanto pela sociedade, além de geralmente serem desprovidos de uma educação de consumo, tornam-se adultos desorganizados financeiramente, ao passo que dão continuidade a esse ciclo vicioso. Diante desse cenário, os prejuízos são sentidos também pela natureza, uma vez que o descarte de materiais gera poluição e mudança climática na Terra. No entanto, o Brasil carece de medidas capazes de intervir em ações publicitárias direcionadas àqueles que serão o futuro da nação, hoje, facilmente manipulados e influenciados por personagens infantis e pela modernização em que passam os produtos. Em outras palavras, é preciso consumir de maneira consciente desde a infância, para que se construam valores e responsabilidade durante o desenvolvimento do indivíduo. Dessa forma, sabe-se que coibir a propaganda voltada ao público infanto-juvenil não é a melhor medida para superar esse problema. Cabe aos pais, cobrarem ações do governo – criação de leis mais rigorosas – além de agirem diretamente na formação e educação de consumo dos filhos: impondo limites e dando noções financeiras ainda enquanto jovens. Ademais, as escolas têm papel fundamental nesse segmento. É imprescindível, também, utilizar a própria mídia para alertar sobre os problemas ambientais decorrentes do consumo em larga escala e incentivar o desenvolvimento sustentável.
  • 17. Mais família e menos mídia, de Luís Artur Haddad Em Esparta, importante pólis grega, os meninos eram exaustivamente treinados para serem guerreiros que defenderiam sua cidade. Hoje, no Brasil, as crianças não tem essa preocupação: crescem e no futuro, podem escolher suas profissões. Porém, a publicidade infantil tem influenciado, não só este, mais inúmeros outros aspectos dos jovens, e não deveria. No Brasil, é comum que se ligue a televisão e esteja passando alguma propaganda com teor apelativo aos jovens: publicitários usam de inúmeros meios para atrair a atenção das crianças, e conseguem. Estas, cada vez mais conectadas a todo tipo de mídia, acabam se influenciando pelo que é divulgado na televisão e pedem aos seus pais que compre o que foi ofertado. O problema é que cabe aos pais escolher qual brinquedo o filho deve ter, por exemplo, e não ao grande empresário. Este tem como finalidade o lucro, enquanto aqueles querem o crescimento de seus jovens. Dessa forma, é comum que os donos de empresas criem brinquedos que não têm a menor intenção de ensinar nada às crianças. Os pais, pelo contrário, tendem a escolher, por exemplo, os brinquedos que passem a seus filhos conhecimentos que julguem necessários. Com a publicidade infantil, os empresários tomam para si, funções que cabem aos pais, e por isso este tipo de publicidade deve ter fim. Muitas pessoas, porém, pensa que esta é uma forma de censura, similar à que Vargas implantou com o Departamento de Imprensa e Propaganda, mas não é. Crianças ainda estão na fase de aprendizado básico e, pela falta de maturidade, não desenvolveram censo crítico: ao verem propagandas fantasiosas, acham que o produto é maravilhoso e desejam adquiri-lo no mesmo instante. Não sabem, porém, que o refrigerante possui muito corante – e pode desencadear uma alergia, ou que o brinquedo é muito frágil, e logo se quebrará. Os pais, por esses motivos, não irão comprar os produtos, o que, em muitos casos, deixará o filho desapontado. Sabendo que as crianças não têm censo crítico para selecionar o que é bom através da publicidade infantil, observa-se que estas devem ser pouco, ou nada, divulgadas. Vendo a questão publicitária sob esta ótica, um implemente à lei deve ser colocado em prática. Deve partir do Governo uma adequação ao projeto pedagógico brasileiro: aulas de filosofia e sociologia, colocadas na base da escola, ensinariam aos jovens como a mídia de comporta. Com o tempo, e a maturidade, as crianças verão que os pais estão, na maioria dos casos, corretos na formação que lhe deram. Dessa forma, a sociedade irá crescer e se desenvolver de forma mais humana e menos financeira.
  • 18. Amor à vida, de Maria Isabel Viñas A vitória do capitalismo na Guerra Fria gerou muitas consequências para o mundo, sendo uma delas a competição desenfreada das multinacionais por novos mercados. Um dos principais alvos desse cenário são as crianças, indivíduos facilmente manipuláveis devido a sua pequena capacidade de julgamento crítico. Sua inocência é, dessa forma, cruelmente convertida em lucro, fato que não deve ser permitido nem tolerado. A infância é uma fase de formação e aprendizagem, sendo necessário, portanto, que os bons costumes sejam cultivados. É, também, uma fase em que tudo é novo e interessante. Dessa forma, os produtos apresentados em comerciais inevitavelmente seduzirão meninos e meninas que, por sua vez, passarão a pautar sua felicidade naquilo que podem adquirir. A ausência cada vez maior dos pais na vida dos filhos é outro fator que torna urgente a intervenção do Estado nos meios de comunicação. A presença constante o carinho paterno são, hoje, raros às crianças e, cientes disso, tentam compensar o desfalque lhes dando tudo o que pedem, desde carrinhos de controle remoto a iPhones. Mal sabem que o que estão fazendo é fomentar uma indústria que, aos poucos, aprisiona seus filhos ao materialismo e escraviza-os aos gostos do capitalismo. A proteção das crianças brasileiras quanto às investidas do mercado deve, portanto, ser promovida não apenas pelo Estado, mas também por aqueles que são responsáveis por sua formação. Ao primeiro cabe apresentar projetos de lei que limitem o teor persuasivo das propagandas. Sua aprovação contaria com a aprovação da população. Além disso, disciplinas extras poderiam ser criadas com o respaldo na atual LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), para que houvesse a conscientização desses 'pequenos cidadãos' no que se refere a problemática do consumo excessivo. Vale ainda citar o papel dos pais, aos quais cabe a importante função de ser um bom exemplo, afinal, a verdadeira felicidade não pode ser mediada por elementos materiais e sim pelo amor.
  • 19. Responsabilidade social, de Paula Lage Freire A Revolução Técnico-Científica do século XX inaugurou a Era da Informação e possibilitou a divulgação de propagandas nos meios de comunicação, influenciando o consumo dos indivíduos de diferentes faixas etárias. Nesse contexto, a publicidade destinada ao público infantil é motivo de debates entre educadores e psicólogos no território nacional. Assim, a proibição parcial da divulgação de produtos para as crianças é essencial para um maior controle dos pais e para um menor abuso de grandes empresas sobre os infantes. Os indivíduos com idade pouco avançada, em sua maioria, ainda não possuem condições emocionais para avaliar a necessidade de compra ou não de determinado brinquedo ou jogo. Isso porque eles não desenvolveram o senso crítico que possibilita uma escolha consciente e não impulsiva por um produto, como já observou Freud em seus estudos sobre os desejos e impulsos do homem. Consequentemente, os pais, principais responsáveis pela educação dos filhos, devem ter o controle sobre o que é divulgado para eles, pois possuem maior capacidade para enxergar vantagens e desvantagens do que é anunciado. Além disso, pela pouca maturidade, as crianças são facilmente manipuláveis pela mídia. Isso ocorre por uma crença inocente em imagens meramente ilustrativas, que despertam a imaginação e promovem o deslocamento da realidade, deixando a sensação de admiração pelo produto. Como consequência, empresas interessadas na venda em larga escala e no lucro aproveitam esse quadro para divulgar propagandas enganosas, em muitos casos. Portanto, é fundamental uma regulação da publicidade infantil, permitindo-se o controle de responsáveis e impedindo-se ações irresponsáveis de muitas empresas. Faz-se necessário, então, que propagandas com conteúdo infantil sejam direcionadas aos responsáveis em horários mais adequados, à noite, por exemplo, evitando-se o consumo excessivo dos anúncios pelas crianças. Ademais, o Governo Federal deve promover uma central nacional de reclamações para denúncias de pais, via internet ou telefonema, que avaliem determinada informação como abusiva ou desnecessária na mídia. Assim, infantes viverão com maior segurança e proteção.
  • 20. Sem título, de Victoria Maria Luz Borges Em meio a uma sociedade globalizada, é evidente o crescimento dos recursos capazes de estimular a adesão ao consumo. Em meio a esse contexto, encontram-se as propagandas destinadas às crianças, que, por possuírem seu caráter em processo de formação, tornam-se alvos fáceis desses anunciantes. A regulamentação da publicidade infantil constitui, assim, um fator imprescindível, visando à preservação da integridade mental desse público. Com o advento do capitalismo e, principalmente, do modelo liberal introduzido pelo pensador iluminista Adam Smith, as pessoas encontram-se inseridas em uma sociedade de consumo, na qual o apelo à adesão popular é realizado de diferentes formas, como, por exemplo, por meio da mídia. Diante disso, estão as crianças, que ao possuírem, muitas vezes, fácil acesso a veículos de comunicação massivos, são estimuladas a construírem um ideal de consumismo desenfreado, tento em vista que não possuem o discernimento entre o que é necessário e o que é supérfluo. Imersa nessa logística, encontra-se a participação de famosos em propagandas ou mesmo a alusão a desenhos animados, que visam ao convencimento da criança de que aquele produto anunciado é essencial. Isso evidencia a falta de regulamentação no setor de propagandas do país, já que não há sequer determinação de horários para a veiculação delas, proporcionando uma recepção massiva daquilo que é divulgado para o público infantil. A par disso, aqueles que são responsáveis pela promoção de tais propostas de adesão ao consumo mostram-se contrários à concretização da proposta, ratificando a preocupação exclusivamente econômica com a realização de uma publicidade desregulamentada. É certo que a mídia constitui um instrumento de massificação da sociedade e, por serem indivíduos que ainda estão em processo de construção do caráter, as crianças necessitam de medidas protecionistas, que garantam sua integridade mental. Nessa perspectiva, deve-se proibir a veiculação de propagandas infantis em determinados horários, como naqueles em que há uma programação destinada a esse público; com a instituição de leis federais. Dessa forma, anunciantes e emissoras devem ser fiscalizados e punidos com aplicação de multas em caso de desrespeito ao estabelecido. Além disso, é necessária a introdução de disciplinas de educação financeira e direcionada ao consumo, visando à formação de consumidores conscientes. Assim, a criança deixará de ser alvo dessas práticas apelativas.