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Paraísos artificiais, de Paulo Henriques Britto         Manoel Neves
PARAÍSOS ARTIFICIAIS                                    características gerais                                      oito c...
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UMA DOENÇA                                       mapas do imaginário                                               element...
UMA DOENÇA                                        mapas do imaginário tanto, chega até a parar de se alimentar para compro...
UMA VISITA                                      e o mundo não se move                                                eleme...
UMA VISITA                                     e o mundo não se move parece não o reconhecer; então, num segundo espelhame...
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UM CRIMINOSO                                                  quase nadater acesso ao apartamento da mulher, mas como faze...
O COMPANHEIRO DE QUARTO                                incompreensão e intolerância                                       ...
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COISA DE FAMÍLIA                                  estrangeiros a nós mesmos                                               ...
COISA DE FAMÍLIA                                      estrangeiro a nós mesmos  algumas conjecturas: esperavam o marido da...
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O PRIMO                                          num novo mundo                                              elementos da ...
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OS SONETOS NEGROS                                   contra os estudos culturais                                           ...
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OS SONETOS NEGROS                                  contra os estudos culturaisEm dado momento, Tânia vê um retrato de Mati...
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Análise de paraísos artificiais, de paulo henriques britto

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Análise de paraísos artificiais, de paulo henriques britto

  1. 1. Paraísos artificiais, de Paulo Henriques Britto Manoel Neves
  2. 2. PARAÍSOS ARTIFICIAIS características gerais oito contos curtos e uma novela 2004 o título da coletânea retoma o título de um livro de Baudelaire INTERTEXTUALIDADES [influências] Charles BaudelaireO livro de Britto tem o mesmo título de uma coletânea de ensaios do escritor francês Baudelaire eremete às satisfações momentâneas que os homens buscam para fugir da mediocridade existencial. Samuel BeckettA influência de Beckett se faz notar pelas temáticas da imobilidade, da solidão e pelo absurdo de algumassituações. Franz KafkaO clima absurdo que perpassa contos como “O 921” é nitidamente kafkiano. Note-se, ainda, o climasufocante dos contos, as conseqüências inesperadas e absurdas e o próprio absurdo da existência.
  3. 3. OS PARAÍSOS ARTIFICIAIS a literatura como antídoto elementos da narrativa narrador o narrador de terceira pessoa faz interlocução com um provável interlocutor [você, leitor, escritor] personagens alguém que hipoteticamente estaria sentado em uma cadeira tempo cronológico, mas indefinido espaço interior de um quarto técnicas usadas uso de seqüências expositivas e argumentativas o enredoO locutor se refere a um interlocutor genérico [você, leitor, escritor] e afirma q a posição mais confortável seria permanecersentado numa cadeira; de pé, ele poderia se cansar; mesmo deitado, olhando para o teto, virado para a esquerda ou para a direita, ele ficaria cansado; na cadeira, os momentos de prazer seriam maiores do q em outras posições; bastaria, d vez em quando, mudar a posição das pernas; tudo é uma questão de escolha e, entre uma situação em que breves períodos de intenso prazer se alternam com longos períodos de conflito entre inércia e desconforto crescente e, de outro, uma situação em q perdura uma sensação mais ou menos constante de bem-estar, sem grandes variações;
  4. 4. OS PARAÍSOS ARTIFICIAIS a literatura como antídotoVocê está sentado numa cadeira. Você está sentado nesta cadeira já faz bastante tempo. Você ficasentado nesta cadeira durante muito tempo, diariamente. Você não conseguiria ficar parado em pépor tanto tempo; logo você ficaria cansado, com dor nas pernas. Também não conseguiria permanecertanto tempo assim deitado na cama, de cara para o teto; essa posição se tornaria cada vez maisincômoda com o passar do tempo, até fazê-lo virar-se para um lado – por exemplo, para o ladoesquerdo; mas depois de alguns minutos de bem-estar, seu corpo seria dominado pouco a pouco poruma sensação de desconforto que gradualmente se transformaria numa idéia, de início vaga, depoismais nítida, mais e mais, até cristalizar-se nas palavras: Esta posição é a menos confortável quehá , e essas palavras em pouco tempo levariam a estas: A posição mais confortável de todas seriaficar virado para a direita . A idéia aos poucos se tornaria mais forte, até sobrepujar a inércianatural do corpo, e nesse momento você se viraria para o lado direito. Imediatamente uma sensaçãodeliciosa de prazer lhe invadiria o corpo, como se cada célula sua fosse uma boca a proclamar: Essa é verdadeiramente a mais confortável de todas as posições . A nova sensação, porém, nãoperduraria por muito tempo; logo você seria obrigado a trocar de posição mais uma vez, e todo o ciclorecomeçaria.
  5. 5. OS PARAÍSOS ARTIFICIAIS a literatura como antídoto ao permanecer sentado na cadeira, o espaço ocupado pelo corpo do interlocutor ficaria impregnado de vestígios da substancialidade; mesmo q o interlocutor volte à cadeira e se sente exatamente onde estivera anteriormente, seu corpo perderia camadas sucessivas do seu ser e se desintegraria a cada instante no espaço; para evitar; para alterar o modo como se vivencia a perda da substancialidade do eu [posto q seria impossível evitar tal perda], bastaria ao interlocutor sentar-se na cadeira, pegar um lápis e uma folha de papel e começar a escrever. temáticas este conto funciona como introdução [terceira pessoa + seqüências expositivas e argumentativas + itálico] solipsismo [doutrina filosófica segundo a qual além de nós só existem nossas experiências]: as primeiras narrativas apresentam locutores q acreditam q o mundo é apenas um esboço virtual do que ele imagina – nesse conto, não existehistória propriamente dita, mas apenas as impressões do narrador acerca d determinada realidade [rarefação do referente]rarefação do referente [mundo exterior, história, narrativa]: para o locutor só interessa a percepção q ele tem do mundo; intertextualidade: Paraísos artificiais, de Charles Baudelaire: o conto fala de uma personagem q, hipoteticamente, estaria buscando uma satisfação – conforto.
  6. 6. UMA DOENÇA mapas do imaginário elementos da narrativa narrador narrador protagonista, não nomeado personagens narrador protagonista, tem uma doença não nomeada, está numa cama tempo cronológico, mas indefinido espaço interior de um quarto; o locutor está na cama; técnicas usadas relato em primeira pessoa q se revela, ao final da história, metalingüístico o enredoo narrador está doente; fica deitado na cama o tempo todo; dela consegue ver três paredes do quarto, parte do assoalho eum pedacinho do céu; como não tem nada para fazer, decide construir um inventário das manchas e rachaduras presentesnas paredes, nos tacos e no teto [mapa]; após esse primeiro momento, cataloga e classifica, inclusive uma maça estragada q fora deixada ao lado sua cama; percebe, então, q os objetos catalogados se alteram sem parar; consciente de q é impossível assentar tais alterações, passa a observar as alterações q a doença produz em seu corpo, os movimentos de seu corpo no lençol; tenta estabelecer uma relação entre uma rachadura existente na parede e sua doença; para
  7. 7. UMA DOENÇA mapas do imaginário tanto, chega até a parar de se alimentar para comprovar uma tese; como não consegue provar coisa, aborta o projetode catalogação e de tentar estabelecer relações entre o avanço da rachadura e da sua doença e decide construir o relato que lemos. temáticas conexões com o conto anterior [primeira pessoa + quarto + percepção subjetiva do real + solipsismo] solipsismo [o locutor, tal qual um deus, busca ordenar o real a partir dos mapas q constrói] solipsismo [o locutor, por muitos momentos, considera q as hipóteses q levantam são o próprio Real] tal qual no conto anterior, o locutor está em um quarto e vê na literatura a saída para suportar o Real
  8. 8. UMA VISITA e o mundo não se move elementos da narrativa narrador narrador protagonista, não nomeado personagens locutor q está em casa, se preparando para dormir e ouve alguém chamar, pedindo q jogue a chave tempo cronológico, mas indefinido espaço urbano: apartamento, rua técnicas usadas protagonista levanta sucessivas hipóteses a partir de um dado do real o enredo outro narrador de primeira pessoa – está em seu apartamento, já deitado, começara a dormir, qdo ouve chamarem por ele, lá embaixo – alguém solicita q jogue a chave, para q possa subir; apesar da familiaridade q a visita exibe, o locutor não se lembra daquele rosto e, por timidez, não lhe pergunta o nome; então o narrador se imagina na constrangedora situação do visitante – foi visitar o amigo e já se imagina subindo as escadas e fruindo duas horas de boa conversa;o amigo, entretanto, perplexo, constrangido está lá em cima e, mesmo após o terceiro chamado, não parece estar disposto a jogar a chave; o visitante então sente um peso no estômago e fica a imaginar o q estaria acontecendo com o amigo q
  9. 9. UMA VISITA e o mundo não se move parece não o reconhecer; então, num segundo espelhamento, o visitante se imagina no lugar do amigo: de lá de cimaaguarda um gesto ou palavra q explique tudo; por fim, o narrador diz q o visitante não espera mais nenhum gesto dele e então balança a cabeça, numa negativa q parece expressar toda sua incredulidade e, percebendo q a imobilidade do anfitrião é voluntária, decide ir embora e não voltar nunca mais. temáticas satisfação [dormir e não ser incomodado] coincidências com os textos anteriores [narrador de primeira pessoa, título genérico, rarefação do referente] narrador de primeira pessoa [permite espelhamento com a personagem do primeiro conto e o narrador do segundo] título genérico [visita, doença: precedidos de um artigo indefinido = imprecisão] [não se sabe q doença tem o narrador do primeiro conto nem quem visita o narrador do segundo conto] rarefação do referente [enredo mínimo e locutor q levanta hipóteses sem parar – não as descarta nem as confirma]
  10. 10. UM CRIMINOSO quase nada elementos da narrativa narrador narrador protagonista personagens narrador protagonista, casal de namorados, mulher vestida só de camiseta, jovem drogado tempo cronológico – a história se passa num sábado à noite espaço urbano; locutor está no apartamento e observa o q se passa na rua e no apartamento em frentetécnicas usadas protagonista levanta sucessivas hipóteses a partir de eventos reais o enredo depois de sair do quarto, o locutor vai até a janela, de onde vê o apartamento em frente ao seu, nele há uma mulher qparece vestir apenas uma camiseta; lá embaixo está um casal de namorados se abraçando entre um Fiat vermelho e umChevette; o locutor está tomando vodka e observando o q se passa na rua, em pleno sábado à noite, pq não consegue dormir, devido à festa q está ocorrendo no seu prédio; hipóteses: para o locutor, o jovem namorado é um auxiliar de escritório q mora em Del Castilho e a moça é balconista das Lojas Americanas e mora numa vaga em Copacabanapor isso não têm um lugar onde possam ter mais intimidade; o narrador imagina q seria melhor se os jovens pudessem
  11. 11. UM CRIMINOSO quase nadater acesso ao apartamento da mulher, mas como fazer isso; imagina, então, q a melhor solução seria o jovem conhecer o porteiro do prédio; nova hipótese: o jovem é um porteiro e é nordestino; isso explica o desaparecimento do casal: asolidariedade imemorial dos porteiros nordestinos; nova personagem entra em cena: um jovem bem vestido q está na ruao jovem está parado; o locutor imagina q se trate do namorado da mulher do apartamento em frente; mais: imagina o jovem subindo ao apartamento dela e sendo surpreendido pela navalha do namorado-porteiro-nordestino; o jovem se move narua; o narrador quase solta um grito, de espanto, sai da janela, senta-se no sofá; de repente, toca a campainha: é o jovem bem vestido q pergunta em q andar é a festa, o locutor informa – sétimo andar; o copo lhe daí da mão. temáticas satisfação [dormir, não ser incomodado, levantar hipóteses] coincidências com textos anteriores [narrador protagonista, título genérico, solipsismo, rarefação do referente] solipsismo [o narrador de primeira pessoa levanta hipóteses as quais acredita serem a própria realidade] o espaço e o tempo são bem definidos, ao contrário dos contos anteriores linguagem coloquial [ditados populares: amanhã é outro dia, quem tiver q veja, o pior cego é o que não quer ver]
  12. 12. O COMPANHEIRO DE QUARTO incompreensão e intolerância elementos da narrativa narrador narrador protagonista, não nomeado personagens narrador, companheiro de quarto, ex-namorada do locutor tempo cronológico, mas indefinido; referências lingüísticas à década de 1970 espaço urbano: apartamento, técnicas usadas linguagem altamente coloquial o enredo o narrador divide o apartamento com um companheiro de quarto, q se revela bastante tímido: quase não conversa e dedica sua atenção a uma planta exótica; apesar de emprestar dinheiro para o locutor quitar sua parte no aluguel, omisterioso companheiro de quarto é maltratado, agredido pelo narrador, q chega a jogar a planta do narrador janela abaixo; o narrador recebe certo dia a visita de uma ex-namorada; fazem amor; chega o companheiro, mas o barulho do sexo continua; a jovem demonstra interesse pela planta; o jovem continua retraído; tempos depois, a jovem pára de freqüentaro apartamento; paralelamente, o companheiro de quarto do locutor começa a chegar mais tarde, o que desperta suspeitas
  13. 13. O COMPANHEIRO DE QUARTO incompreensão e intolerânciapara o narrador, o rapaz estava se encontrando com a garota; repreende-o e diz q ela estava apenas se aproveitando dele; as agressões verbais atingem maior intensidade ao final da narrativa, quando o companheiro de quarto acaba tendo inclusive sua sexualidade questionada pelo narrador; para fugir das palavras agressivas, o jovem agredido vai para o banheiro, liga a torneira e a água jorra sem parar na banheira. temáticas satisfação [agredir verbalmente o companheiro de quarto] coincidências com os textos anteriores [personagens sem nome, hipóteses levantadas,] hipóteses [sexualidade do companheiro de quarto, relacionamento do companheiro com ex-namorada do narrador] o conto problematiza o fato de haver pessoas estarem próximas fisicamente mas distantes afetivamente [apesar de morarem juntas, as personagens ignoram a existência um do outro: sádico x deprimido e inocente] descute-se ainda a condição social de uma juventude de problemática inserção no mundo urbano, q divide apartamento e atrasa aluguel, é carente de vida comunitária e atividades culturais, políticas e religiosas; gírias da década de 1970: lance, empombado, entrar numa, pintar, destransar, descolar, batata, ficar puto.
  14. 14. COISA DE FAMÍLIA estrangeiros a nós mesmos elementos da narrativa narrador narrador protagonista, não nomeado personagens narrador, vizinho, mulher, jovem, criança tempo cronológico, mas indefinido espaço subúrbio norte-americanotécnicas usadas padrão formal + coloquialismos o enredo o protagonista é um jovem q estuda no exterior q recebe o convite para passar o Natal junto com a família da cunhada narrador; apesar de haver retrucado q tal festa era coisa de família, acaba indo; certa vez, o narrador ouviu um barulho vindo da casa do vizinho e, imediatamente se dirigiu para lá; ao chegar, sente vergonha de falar o q fora fazer e suavisita é tomada como uma cortesia; na casa da cunhada do vizinho – uma senhora grávida, sardenta, de óculos, estavamuma garotinha de aproximadamente 3 anos de idade e um jovem, mais ou menos da mesma idade do locutor; ao chegar àquela casa, o locutor percebe q parece q eles estavam esperando por alguém [olhavam sempre o relógio] e levanta
  15. 15. COISA DE FAMÍLIA estrangeiro a nós mesmos algumas conjecturas: esperavam o marido da senhora; estaria o marido morto; a cunhada teria um caso com o vizinho;a garotinha seria filha do vizinho; o rapaz seria amante da senhora; o vizinho teria convidado o narrador apenas por inércia e agora o locutor estaria na festa como um penetra; havia um segredo terrível na família; o jovem teria arremessado um objeto contra a janela e mentiu dizendo q foi alguém da rua; o título da história, explicado anteriormente é tão artificialquanto os anteriores, além disso, o narrador tb levanta hipóteses s/ parar; depois d tantas incompreensões, ceiam e se vão temáticas satisfação [levantar hipótese, ir embora daquele lugar]coincidências com os textos anteriores [personagens sem nome, hipóteses levantadas, falta de comunicação entre seres Na casa da cunhada do vizinho, segundo o professor Luiz Carlos Junqueira Maciel, há uma atmosfera ambígua, em que as pessoas não se comunicam, não se ajustam, não se relacionam, em desacordo com a ocasião e com seus laços afetivos e familiares. A ceia transcorre em meio à troca de olhares e gestos furtivos, acusatórios e hipócritas, em simples cumprimento de agenda social, sem sociabilidade.
  16. 16. O 921 descaminhos fantásticos elementos da narrativa narrador narrador protagonista, não nomeado personagens narrador, interlocutor, motorista do 921, delegado, escrivão, [Dr. Lustosa] tempo cronológico, mas indefinido; espaço urbano: rua, ônibus, técnicas usadas não há marcas específicas o enredo um encontro fortuito entre o locutor [q esperava o 488] e um senhor eloqüente [q esperava o 921] dá origem a várias situações absurdas, q aproximam este texto da narrativa fantástica de A metamorfose, de Franz Kafka;o 921 refere-se a uma linha q embora se acredite q tenha sido extinta, é esperada pelo interlocutor do narrador-protagonista o destino do narrador é Pitombas, região situada na periferia carioca; enquanto o narrador espera o ônibus, ouve muitos elogios ao dr. Lustosa, pessoa sugestivamente de grande influência; aparece o 921 apenas com o motorista-cobrador os dois embarcam; então começa uma sucessão de equívocos tem início:
  17. 17. O 921 descaminhos fantásticos temáticasO conto, a partir daí, irá revelar as inesperadas e absurdas conseqüências dessa viagem de ônibus queaparenta não existir para o narrador e que o leva a um lugar desconhecido. No caminho, o sujeito doônibus morre, ao lado do narrador-protagonista, que, junto com o motorista do ônibus o leva a umadelegacia. O locutor espera relatar o caso e se ver livre de embaraços, mas parece que isso foi só ocomeço, pois a narrativa se encerra com o narrador sendo conduzido pelo suposto escrivão dadelegacia não se sabe para onde.
  18. 18. O PRIMO num novo mundo elementos da narrativa narrador narrador de terceira pessoa q acompanha trajetória de adolescente no RJ personagens Ivan e Reginaldo são os protagonistas; há um casal de jovens e a irmã de Reginaldo tempo cronológico, mas indefinido; referências culturais à década de 1970 espaço urbanotécnicas usadas linguagem coloquial o enredo Ivan é um jovem de aproximadamente 15 anos [tem um ano a mais do que os garotos q estão na oitava série] que sai do interior de MG [aprontou confusão no colégio e foi expulso] e vai para o RJ [Colégio José de Arimatéia]há uma crescente expectativa em torno da figura do primo Reginaldo, mal falado pela mãe, mas, no fundo, admirado porIvan; paira sobre a figura de Reginaldo uma aura de herói rebelde, de ruptura com os padrões morais provincianos e isso acaba por gerar uma idealização por parte do protagonista Ivan, que, após chegar atrasado e cansado à casa do primo e esperar por ele, é vítima do desdém e de uma agressiva violência moral por parte de Reginaldo; a ida para o RJ
  19. 19. O PRIMO num novo mundorepresenta a possibilidade de libertação para Ivan – essa liberdade aparece espelhada no comportamento casal q ouvia um lp do Milton Nascimento; ao final do conto, fica claro q os planos de Ivan correm perigo, pois o primo Reginaldo [carrancudo e sério] esboça um tom de autoridade paterna para Ivan [pergunta se ele está disposto a estudar mesmo] tal qual em O companheiro de quarto , o conto termina com inesperada atitude de agressão, pois o primo Reginaldo diz a Ivan q os alunos do terceiro ano estupravam os novatos do ginásio. temáticasapesar de termos uma narrativa bastante desenvolvida [espaços, flash back, personagens densas, tensão e expectativa], o narrador não dá todas as informações sobre a história [que teria feito Ivan em MG; por que Reginaldo era malvisto] a história de Ivan e Reginaldo lembra, em muito, a história de Ribeiro e de Argemiro = nos dois contos, um primo trai a confiança do outro; intertextualidade: cachorro se chama Kafka; casal ouve lp de Milton Nascimento [anos 1970]O discurso desse conto, cheio de matizes, é utilizado, de acordo com Walter Carlos Costa, para aexploração dos desencontros familiares, um tema recorrente que é abordado sem complacência esem ressentimento. Esse discurso ajuda e revela-se como instrumento certo para desvelar os conflitosentre parentes.
  20. 20. OS SONETOS NEGROS contra os estudos culturais elementos da narrativa narrador Tânia, estudante de doutorado em Estudos Literários personagens Tânia, Gastão Fortes e Ercília tempo cronológico, 13 a 20 de julho; referências culturais ao início dos anos 2000 espaço São Dimas, cidade onde viveu Matilde Fortes técnicas usadas pastiche da linguagem dos estudiosos em literatura; diário o enredo Tânia faz doutorado em Literatura Brasileira no RJ e vai a uma pequena cidade no sul de Minas Gerais [São Dimas] em busca dos originais do livro Sonetos negros, da poetisa local Matilde Fortes; atente-se que o percurso de Tânia é o inverso feito por Ivan, no conto anterior; outro detalhe interessante e cômico é que Dimas foi ladrão q morreu ao lado deJesus Cristo [bom ladrão, primeiro vida loka da história] e por ter se arrependido, foi para o céu e é considerado o patronodos ladrões; tal fato suscita comentários politicamente incorretos de Tânia: deve ter muitos adeptos no Brasil; mais ainda:havia uma procissão em homenagem ao santo em São Dimas e neste período não havia nenhum roubo; um pouco mais:
  21. 21. OS SONETOS NEGROS contra os estudos culturais a imagem do santo foi roubada da igreja local e depois fora devolvida sem a cruz; voltando à história: após chegar à cidadezinha, Tânia procura Seu Gastão Fortes, viúvo de Matilde e detentor do acervo da autora; é bem recebida pelo senhor; o laptop da pesquisadora dá alguns problemas e é consertado por um tipo índio chamado Clemenceau; durante o período em q faz a pesquisa, Tânia almoça com Gastão e conversam sobre literatura; a estudante acaba porrevelar verdadeira adoração pelo livro Sonetos negros, publicado na década de 1930 e possuidor de forte lirismo amoroso; durante alguns dias, Tânia faz correções textuais [erros de edição] nos poemas e isso irrita um pouco Seu Gastão; após a morte da mulher, Gastão passara a morar sozinho com duas empregadas – uma governanta bem velha e a filhadela [cozinheira] q tinha aproximadamente 50 anos; Tânia faz correções textuais e descobre cartas muito fúteis de Matilde; Seu Gastão adoece; Matilde discute os resultados da pesquisa com a orientadora; Seu Gastão tem por volta de 90 anos e está à beira da morte; Tânia recebe um envelope; depois de ter desistido de encontrar os originais dos Sonetos negros como q por encanto estes chegam às suas mãos; lê alguns poemas e vê q eles foram escritos para uma mulher; então, entusiasmada com sua descoberta, liga para Ercília, q cogita em incluir Matilde em uma coletânea de poesia lésbica; depois de ler os poemas com mais calma, Tânia descobre q o autor dos poemas era Seu Gastão, q abdicou do sucesso
  22. 22. OS SONETOS NEGROS contra os estudos culturais e cedeu a autoria dos poemas a Matilde por amor; Matilde, a poetisa feminista é uma farsa; ao final da narrativa, Tâniase depara com alguns dilemas: divulgar os resultados da pesquisa [e ir contra a instituição q fiannanciava seus estudos] – NUELFE: Núcleo de Estudos Feministas, na medida em que desconstruiria a imagem de um dos principais ícones da poesia feminista ou esconder a dilacerante verdade que descobrira... temáticasuma pesquisadora de literatura constrói um diário, em primeira pessoa, em que relata os eventos relacionados a pesquisa de doutorado; intertextualidade: Os papéis de Aspern, de Henri James
  23. 23. OS SONETOS NEGROS contra os estudos culturaisJá a inspiração de Os papéis de Aspern provém de uma história real e curiosa, que vale relatar aqui.James ouvia-a contar um meio-irmão da romancista Vernon Lee. O capitão Silsbee, um admiradordas artes e da poesia, conheceu em Florença uma velha senhora chamada Claire Clairmont [seu nomeverdadeiro era Mary Jane Clairmont]. Acontece que essa dama foi irmã de Mary Shelley, amante deByron [a quem dera à luz a filha Allegra] e conservava consigo umas cartas de Byron e de Shelley.Com o fito de apoderar-se desses documentos, o capitão alugou acomodações na casa dela e, apósuma certa dose de adulação, a amante de Byron enfim concordou em ceder-lhe as cartas. Em troca, ocapitão deveria casar-se com a sobrinha de Claire, uma figura sensaborona já entrada nos cinqüentaanos. Silsbee acovardou-se com a proposta e fugiu. James transformou a história em ficção e a ambientou em Veneza: Britto intenta criticar os estudos de gênero no Brasil tal crítica é percebida numa entrevista concedida em 2004, quando lançou Paraísos artificiais:O que me incomoda muito no meio acadêmico é a politização do fenômeno literário. Nada contra acorreção política, mas por que ver os escritores como gays, negros, mulheres antes de vê-los comoescritores? As pessoas importam discussões norte-americanas sem adaptá-las para cá. a questão do plágio e da autoria é discutida na segunda intertextualidade presente em Os sonetos negros :
  24. 24. OS SONETOS NEGROS contra os estudos culturaisEm dado momento, Tânia vê um retrato de Matilde. A poeta aparece segurando um exemplar de Ascanções de Bilitis, do francês Pierre Louÿs. Supostamente escritas por Bilitis, amante de Safo, e editadaspor Louÿs, as Canções configurariam, assim, um caso de artifício literário. A História fornece inúmerosexemplos da mesma espécie. Os chamados Sonetos do português, por exemplo, que teriam sido criadospor Camões e traduzidos por Elizabeth Barrett, na verdade foram escritos pela própria Elizabethpara seu então amante Robert Browning: o estratagema da "tradução" foi bolado para iludir os paisda moça. O próprio nome da cidade mineira onde Matilde residiu alude à idéia da apropriaçãoindébita: São Dimas é o bom ladrão, crucificado ao lado de Jesus Cristo.ao ambientar a história de Henry James no Brasil e pôr em cena personagens negros [empregados] e índios [Clemenceau] Britto insinua q acima das discussões acadêmicas de gênero ou sexualidade, paira o olhar irônico daqueles que a História atropelou.
  25. 25. PARAÍSOS ARTIFICIAIS características gerais TEMÁTICAS [Paraísos artificiais, Paulo Henriques Britto]satisfações momentâneas pequenas situações prosaicas encontros embaraçosos ambientação urbana uso da primeira pessoa pretextos banais impasses triviais coloquialismo transparente discurso cheio de subentendidos diálogos

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