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O espelho,
de Machado de Assis
    Manoel Neves
SÍNTESE
                                         o espelho
Este conto pode ser lido como uma síntese da análise humana de caracteres, pois através de
Jacobina, Machado propõe uma teoria da alma, ou melhor das almas humanas: a alma interior e
a alma exterior. Ao conquistar um título militar – e uma farda que represente esse título –, o
protagonista começa a perceber progressivamente que é o portador de uma alma exterior.
O ENREDO
                                            o espelho
quatro pessoas conversam sobre a alma humana; Jacobina, que estivera calado até então, diz que
o homem não tem uma, mas duas almas; pede a palavra e fala que se não for interrompido pode
expor sua teoria acerca das almas: a que olha de dentro para fora e a que olha de fora para dentro:
 A que olha para fora parece lembrar a filosofia racionalista, em que a mente, com sua
 capacidade inata de compreender e organizar o mundo, dá origem ao conhecimento. A alma
 que olha de fora para dentro lembra a filosofia empírica, que vê a mente como uma tábula rasa
 em que a informação do mundo é registrada pelos sentidos.
         a alma interior representa o que se é verdadeiramente – é o traço personalístico;
 a alma exterior é o modo como os outros percebem o eu – é a aparência pública, máscara social;
 Jacobina tinha, por ocasião dos eventos narrados, 25 anos; era pobre; chamavam-no Joãozinho
 qdo é nomeado alferes da guarda nacional; seus amigos dão-lhe a farda completa; Tia Marcolina
 convida o seu alferes p/ passar um tempo na fazenda – é celebrado até pelos escravos; eis senão
quando Marcolina precisa atender a uma filha que estava em trabalho de parto, longe da fazenda;
 na mesma noite, os escravos fogem; fica sozinho em casa e, ante a falta de reconhecimento por
 sua posição de alferes, entra em depressão; com o tempo, o alferes [exterior] elimina o homem:
O ENREDO
                                          o espelho
Aconteceu então que a alma exterior, que era dantes o sol, o ar, o campo, os olhos das moças,
mudou de natureza, e passou a ser a cortesia e os rapapés da casa, tudo o que me falava do
posto, nada do que falava do homem. A única parte do cidadão que ficou comigo foi aquela que
entendia com exercício da patente; a outra dispersou-se no passado.
sozinho em casa – s/ reconhecimento originário do mundo exterior –, Jacobina quase enlouquece
certo dia, entretanto, passa em frente a um espelho antigo que havia em casa – primeiro, sem o
uniforme de alferes [o espelho mostra um vulto vago e impreciso]; depois, com a farda; para seu
espanto, dessa vez, sua imagem aparece reproduzida integralmente e muito garbosa; terminada
   a narração, Jacobina [presente da enunciação] retira-se, deixando a todos embasbacados.
O ESPELHO
                                 aspectos técnicos
                           o conto alegórico
   01. a história é apenas um pretexto para se debater um assunto relevante;
   02. trata-se de uma metáfora – uma representação alegórica da sociedade:
    O alienista                  Teoria do medalhão                      Na arca
O segredo do bonzo               O anel de Polícrates         A sereníssima república
                     O espelho                Uma visita de Alcebíades
O ESPELHO
               aspectos temáticos

                      temas
análise psicológica      conflito aparência x essência
O ESPELHO
                                      aspectos técnicos

                                 análise psicológica
A experiência radical vivida em “O espelho” só permite a fixação segura da máscara, da farda
vitoriosa, do papel que absorve perfeitamente o homem. A outra face, a que partira e se
esfumara diante do vidro, permanece uma interrogação. é o corpo opaco do medo, da vaidade,
do ciúme, da inveja, numa palavra, o enigma do desejo que recusa mostrar-se nu ao olhar do
outro. O narrador faz, discreta mas firmemente, as vezes desse olhar. Quem entrevê o que se
passa por trás da máscara da terceira pessoa já foi primeira pessoa que se olhou ao espelho.
importância do papel social e da aparência pública na formação da consciência e na percepção do eu
                                   [é-se o que o outro percebe]
O ESPELHO
                                      aspectos técnicos

                        o conflito aparência x essência
A alma exterior é uma personalidade fictícia sobreposta à verdadeira, por influência do hábito,
da imitação, das convenções sociais, e que aparece claramente noutro conto, ‘Teoria do
medalhão’, mas sob uma forma consciente, como instrumento de luta para a conquista do
prestígio em sociedade. [...] A farda representa, para ele, uma sublimação de si mesmo. [...] Ora,
Jacobina somos nós. Botamos a farda e representamos a paródia do nosso eu autêntico – não
na vida social apenas, na vida profunda do espírito, que anda quase sempre fardado.
       a farda é símbolo e matéria de status e ter status é existir no mundo em estado sólido
                           [o olhar do outro é o nosso primeiro espelho].

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Análise de o espelho, de machado de assis

  • 1. O espelho, de Machado de Assis Manoel Neves
  • 2. SÍNTESE o espelho Este conto pode ser lido como uma síntese da análise humana de caracteres, pois através de Jacobina, Machado propõe uma teoria da alma, ou melhor das almas humanas: a alma interior e a alma exterior. Ao conquistar um título militar – e uma farda que represente esse título –, o protagonista começa a perceber progressivamente que é o portador de uma alma exterior.
  • 3. O ENREDO o espelho quatro pessoas conversam sobre a alma humana; Jacobina, que estivera calado até então, diz que o homem não tem uma, mas duas almas; pede a palavra e fala que se não for interrompido pode expor sua teoria acerca das almas: a que olha de dentro para fora e a que olha de fora para dentro: A que olha para fora parece lembrar a filosofia racionalista, em que a mente, com sua capacidade inata de compreender e organizar o mundo, dá origem ao conhecimento. A alma que olha de fora para dentro lembra a filosofia empírica, que vê a mente como uma tábula rasa em que a informação do mundo é registrada pelos sentidos. a alma interior representa o que se é verdadeiramente – é o traço personalístico; a alma exterior é o modo como os outros percebem o eu – é a aparência pública, máscara social; Jacobina tinha, por ocasião dos eventos narrados, 25 anos; era pobre; chamavam-no Joãozinho qdo é nomeado alferes da guarda nacional; seus amigos dão-lhe a farda completa; Tia Marcolina convida o seu alferes p/ passar um tempo na fazenda – é celebrado até pelos escravos; eis senão quando Marcolina precisa atender a uma filha que estava em trabalho de parto, longe da fazenda; na mesma noite, os escravos fogem; fica sozinho em casa e, ante a falta de reconhecimento por sua posição de alferes, entra em depressão; com o tempo, o alferes [exterior] elimina o homem:
  • 4. O ENREDO o espelho Aconteceu então que a alma exterior, que era dantes o sol, o ar, o campo, os olhos das moças, mudou de natureza, e passou a ser a cortesia e os rapapés da casa, tudo o que me falava do posto, nada do que falava do homem. A única parte do cidadão que ficou comigo foi aquela que entendia com exercício da patente; a outra dispersou-se no passado. sozinho em casa – s/ reconhecimento originário do mundo exterior –, Jacobina quase enlouquece certo dia, entretanto, passa em frente a um espelho antigo que havia em casa – primeiro, sem o uniforme de alferes [o espelho mostra um vulto vago e impreciso]; depois, com a farda; para seu espanto, dessa vez, sua imagem aparece reproduzida integralmente e muito garbosa; terminada a narração, Jacobina [presente da enunciação] retira-se, deixando a todos embasbacados.
  • 5. O ESPELHO aspectos técnicos o conto alegórico 01. a história é apenas um pretexto para se debater um assunto relevante; 02. trata-se de uma metáfora – uma representação alegórica da sociedade: O alienista Teoria do medalhão Na arca O segredo do bonzo O anel de Polícrates A sereníssima república O espelho Uma visita de Alcebíades
  • 6. O ESPELHO aspectos temáticos temas análise psicológica conflito aparência x essência
  • 7. O ESPELHO aspectos técnicos análise psicológica A experiência radical vivida em “O espelho” só permite a fixação segura da máscara, da farda vitoriosa, do papel que absorve perfeitamente o homem. A outra face, a que partira e se esfumara diante do vidro, permanece uma interrogação. é o corpo opaco do medo, da vaidade, do ciúme, da inveja, numa palavra, o enigma do desejo que recusa mostrar-se nu ao olhar do outro. O narrador faz, discreta mas firmemente, as vezes desse olhar. Quem entrevê o que se passa por trás da máscara da terceira pessoa já foi primeira pessoa que se olhou ao espelho. importância do papel social e da aparência pública na formação da consciência e na percepção do eu [é-se o que o outro percebe]
  • 8. O ESPELHO aspectos técnicos o conflito aparência x essência A alma exterior é uma personalidade fictícia sobreposta à verdadeira, por influência do hábito, da imitação, das convenções sociais, e que aparece claramente noutro conto, ‘Teoria do medalhão’, mas sob uma forma consciente, como instrumento de luta para a conquista do prestígio em sociedade. [...] A farda representa, para ele, uma sublimação de si mesmo. [...] Ora, Jacobina somos nós. Botamos a farda e representamos a paródia do nosso eu autêntico – não na vida social apenas, na vida profunda do espírito, que anda quase sempre fardado. a farda é símbolo e matéria de status e ter status é existir no mundo em estado sólido [o olhar do outro é o nosso primeiro espelho].