GRACE,
UMA MENINA
SURPREENDENTE
Mary Hoffman& Caroline Bich
Grace era uma menina que adorava
histórias.
Não se importava se lhas liam, se lhas
contavam ou se eram até inventadas na
s...
E depois de as ter ouvido, ou enquanto as
ouvia, Grace transformava-as em
representações. E assumia ela mesma o papel
prin...
Ela era Hiawatha, sentada junto da brilhante Grande-Água-do-Mar, e Mogli na selva do jardim das
traseiras…
Mas, acima de t...
Os principais papéis nestas
representações eram masculinos, mas
Grace desempenhava-os na mesma.
Quando não havia mais ning...
Um dia, na escola, a Professora disse que iam
representar a peça Peter Pan. E Grace levantou
imediatamente a mão para ser....
— O que se passa? — perguntou a
Mãe.
— O Raj disse que eu não podia
ser o Peter Pan porque sou uma
rapariga.
— Isso mostra...
— Parece-me que a Natalie é mais uma
que não sabe nada — disse. — Tu podes
ser tudo o que quiseres, Grace, desde
que te em...
— Vamos ao ballet, Nona? —
perguntou Grace.
— Vamos, querida, mas quero que
vejas estas fotografias primeiro.
A Nona mostr...
— Aquela é a pequena Rosalie, da
nossa terra em Trinidad — disse a Nona.
— A Avó dela e eu crescemos juntas lá
na ilha. El...
Na segunda-feira fizeram-se as audições. A
Professora deixou-os votar nas personagens.
Raj foi escolhido para fazer o Capi...
Grace sabia exatamente o que fazer – e
todas as falas a dizer. Era um papel que ela
tinha muitas vezes representado em cas...
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Grace, uma menina surpreendente

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Grace, uma menina surpreendente

  1. 1. GRACE, UMA MENINA SURPREENDENTE Mary Hoffman& Caroline Bich
  2. 2. Grace era uma menina que adorava histórias. Não se importava se lhas liam, se lhas contavam ou se eram até inventadas na sua cabeça. Não se importava se vinham de livros, ou do cinema ou da televisão, ou até da enorme memória da sua Nona (avó). Grace gostava de histórias e pronto.
  3. 3. E depois de as ter ouvido, ou enquanto as ouvia, Grace transformava-as em representações. E assumia ela mesma o papel principal! Partia para a batalha como Joana de Arc… ou tecia uma teia maléfica como Anansi, a aranha. Escondia-se dentro do cavalo de madeira às portas de Troia, atravessava os Alpes com Aníbal e os cem elefantes, viajava pelos sete mares com uma perna de pau e um papagaio.
  4. 4. Ela era Hiawatha, sentada junto da brilhante Grande-Água-do-Mar, e Mogli na selva do jardim das traseiras… Mas, acima de tudo, Grace adorava mimar as cenas. Gostava de ser Dick Whittington voltando-se para ouvir os sinos da Torre de Londres ou Aladino friccionando a lâmpada mágica.
  5. 5. Os principais papéis nestas representações eram masculinos, mas Grace desempenhava-os na mesma. Quando não havia mais ninguém à sua volta, Grace fazia sozinha todos os papéis. Ela era um elenco que valia por mil. E Paw-Paw, o gato, quase sempre dava uma ajuda. E, por vezes, conseguia até convencer a Mãe e a Nona a juntar-se-lhe, quando estas não tinham muito que fazer. Passava então a ser a Doutora Grace e as vidas delas estavam nas suas mãos.
  6. 6. Um dia, na escola, a Professora disse que iam representar a peça Peter Pan. E Grace levantou imediatamente a mão para ser... Peter Pan. — Não te podes chamar Peter — disse Raj. — É um nome de rapaz. Mas Grace manteve a mão levantada. — Tu não podes ser o Peter Pan — segredou-lhe Natalie. — Ele não era negro. Mas Grace continuou de mão levantada. — Muito bem — disse a Professora. — Muitos querem ser o Peter Pan, por isso temos que fazer audições. Escolheremos os papéis de cada um na próxima segunda-feira. Quando Grace chegou a casa, parecia bastante triste.
  7. 7. — O que se passa? — perguntou a Mãe. — O Raj disse que eu não podia ser o Peter Pan porque sou uma rapariga. — Isso mostra bem o que o Raj sabe sobre isso — disse a Mãe. — Peter Pan é sempre uma rapariga! Grace animou-se, mas depois, mais tarde, lembrou-se de outra coisa. — A Natalie diz que não posso ser o Peter Pan porque sou negra. A Mãe começou a ficar zangada, mas a Nona impediu-a.
  8. 8. — Parece-me que a Natalie é mais uma que não sabe nada — disse. — Tu podes ser tudo o que quiseres, Grace, desde que te empenhes nisso. O dia seguinte era sábado, e a Nona disse a Grace que iam sair. À tarde apanharam um autocarro e depois um comboio até à cidade. A Nona levou Grace até um grande teatro. Cá fora lia- -se “ROSALIE WILKINS emROMEU E JULIETA” em belas luzes cintilantes.
  9. 9. — Vamos ao ballet, Nona? — perguntou Grace. — Vamos, querida, mas quero que vejas estas fotografias primeiro. A Nona mostrou a Grace algumas fotografias de uma linda bailarina em tutu. “A ESPANTOSA NOVA JULIETA!” dizia numa delas.
  10. 10. — Aquela é a pequena Rosalie, da nossa terra em Trinidad — disse a Nona. — A Avó dela e eu crescemos juntas lá na ilha. Ela está sempre a perguntar-me se quero bilhetes para ver a menina dela a dançar, por isso desta vez disse que sim. Depois do espetáculo de ballet, Grace representou o papel de Julieta, dançando em volta do seu quarto com o seu tutu imaginário. “Posso ser tudo o que quero,” pensou. “Até posso ser o Peter Pan.”
  11. 11. Na segunda-feira fizeram-se as audições. A Professora deixou-os votar nas personagens. Raj foi escolhido para fazer o Capitão Gancho. Natalie iria ser a Wendy. Depois tiveram que escolher o Peter Pan.
  12. 12. Grace sabia exatamente o que fazer – e todas as falas a dizer. Era um papel que ela tinha muitas vezes representado em casa. Todas as crianças votaram nela. — Foste excelente! — disse Natalie. A peça foi um grande sucesso e Grace foi um Peter Pan maravilhoso. Depois de tudo ter acabado, disse: — Sinto-me como se fosse capaz de voar daqui até casa! — Provavelmente serias! disse a Mãe. — Sim — disse a Nona. — Se se empenhar, a Grace pode fazer tudo o que quiser!

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