A MENINA QUE
VENDIA BOLINHOS
Yves Pinguilly
Peggy Nille
Apresento-vos
Yangba. Passa-se
por ela quase sem
a ver. Mas ela está
sempre lá! É uma
menina.
É vendedeira, ali,
à porta d...
Yangba fica sentada no seu
banquinho.
Com a bacia pousada
diante dela.
Tem sete ou oito anos, não
mais do que isso.
Vende ...
Yangba ocupou o lugar de sua mãe no mundo.
Vive com o pai, com a esposa do pai e com as
filhas da esposa do pai.
O pai! Qu...
E, ultimamente, amarra um pedaço de
tecido à volta da anca. E traz um top
descaído da cor do pó.
Yangba é um lindo nome.
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Naquele dia, Yangba vê as
crianças entrar no pátio da
escola, vê-as brincar, pôr-se
em fila junto à sala de
aulas.
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Depois disso, ainda chega um
carro.
Um carro enorme.
Um carro-elefante, ou
hipopótamo ou baobá!
Um carro que faz levantar ...
Depois, a senhora sai da
escola.
Pôs-se ao volante do seu
carrão.
Liga o motor e pronto! Mete
marcha atrás… mas…
— Hé! Ai!...
Depois disso, vem a
noite.
Yangba não aparece
em casa da madrasta.
Não quer que lhe
batam por chegar a
casa de mãos vazias...
Já a noite vai alta quando ela
adormece. Mas depressa acorda. Junto
à árvore estão uns ladrões a conspirar.
E a discutir. ...
A manhã nasceu.
Yangba não foi vender os
seus bolinhos.
Na rua principal da cidade,
vai vender um pequeno
brilhante, apena...
Depois disto, aparece no bairro
rodeado pelo grande rio
Oubangui. A madrasta quer
apanhá-la e bater-lhe. Mas
Yangba, com o...
Mas eu sei que ela
anda por aí… Ouvi
dizer que foi para
um sítio bonito e
que, finalmente,
agora vai à escola,
com outros
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A menina que vendia bolinhos

  1. 1. A MENINA QUE VENDIA BOLINHOS Yves Pinguilly Peggy Nille
  2. 2. Apresento-vos Yangba. Passa-se por ela quase sem a ver. Mas ela está sempre lá! É uma menina. É vendedeira, ali, à porta da escola.
  3. 3. Yangba fica sentada no seu banquinho. Com a bacia pousada diante dela. Tem sete ou oito anos, não mais do que isso. Vende ali, à porta da escola. Dèngbè a yé bia: a Escola do Coelho Cantor. Vende bolinhos fritos de banana, os makara ti ndongo.
  4. 4. Yangba ocupou o lugar de sua mãe no mundo. Vive com o pai, com a esposa do pai e com as filhas da esposa do pai. O pai! Quase nunca o vê. É vigilante noturno na cidade. Só chega para dormir quando começa o dia. E desconhece a vida que leva a sua pequena Yangba. Sim, a mãe morreu quando Yangba veio ao mundo. É assim. E é para a mulher do pai, a madrasta, que ela trabalha. Mas Yangba quer crescer.
  5. 5. E, ultimamente, amarra um pedaço de tecido à volta da anca. E traz um top descaído da cor do pó. Yangba é um lindo nome. É costume dizer-se: mesmo quando vai seco, o rio conserva o seu nome. Yangba tem um amigo, um pássaro: um kaya de barriga amarela. Está preso a um fio que, no pulso de Yangba, parece um bracelete. Umas vezes, leva-o pousado no ombro… Outras vezes, vai pousado na cabeça…
  6. 6. Naquele dia, Yangba vê as crianças entrar no pátio da escola, vê-as brincar, pôr-se em fila junto à sala de aulas. De seguida, vê ainda chegar pessoas com batas brancas. Todos trazem um saco na mão ou ao ombro. Mas há um homem e uma mulher que têm, para além dos sacos, uma mala térmica. Entram na escola. Vão para as salas. Estão ali para vacinar cinco, dez ou vinte alunos, talvez mais.
  7. 7. Depois disso, ainda chega um carro. Um carro enorme. Um carro-elefante, ou hipopótamo ou baobá! Um carro que faz levantar um turbilhão de poeira em volta de Yangba. Uma senhora alta sai do carro. Linda. Com uma túnica bordada nas mangas e no peito. Passa sem cumprimentar. E entra na escola sem sequer olhar para Yangba. Vem ver como corre a vacinação. E ali fica Yangba, sem ninguém por perto.
  8. 8. Depois, a senhora sai da escola. Pôs-se ao volante do seu carrão. Liga o motor e pronto! Mete marcha atrás… mas… — Hé! Ai! O carro-elefante, ou hipopótamo ou baobá esmaga a bacia com os bolinhos fritos de Yangba. A senhora sai do carro. Yangba está a chorar. E a senhora põe-se aos gritos. É sempre assim. Um grão de milho nunca tem razão diante da galinha…. A senhora engata a primeira e arranca.
  9. 9. Depois disso, vem a noite. Yangba não aparece em casa da madrasta. Não quer que lhe batam por chegar a casa de mãos vazias. Com o kaya, vai dormir no seu esconderijo que é uma mangueira. Ali, entre os galhos e as mangas, enrola-se numa pele de boi que lhe deram. A pele ainda tem dois grandes chifres afiados.
  10. 10. Já a noite vai alta quando ela adormece. Mas depressa acorda. Junto à árvore estão uns ladrões a conspirar. E a discutir. Yangba fica a tremer de medo, muito… mesmo muito medo, e cai no meio dos ladrões, coberta com a sua pele de boi com chifres. A lua que está a observar tudo e que tudo ouve, torna-se mais clara. Então, os cinco, seis ou sete ladrões gritam de medo: — Uma bruxa! Um likundü! Desaparecem a correr para se perder na noite. Deixam ali, no chão, embrulhados num paninho, oito pequenos diamantes. Yangba volta a trepar para a mangueira, para se esconder com a sua pele de boi. Encontrou oito pequenos brilhantes… diamantes da floresta.
  11. 11. A manhã nasceu. Yangba não foi vender os seus bolinhos. Na rua principal da cidade, vai vender um pequeno brilhante, apenas um. Os outros, escondeu-os. Deram-lhe notas grandes. Notas-elefantes, hipopótamos, baobás. E pode assim realizar o seu sonho: comprar um lindo par de sapatos.
  12. 12. Depois disto, aparece no bairro rodeado pelo grande rio Oubangui. A madrasta quer apanhá-la e bater-lhe. Mas Yangba, com os seus sapatos, corre mais depressa do que o vento e desaparece. Quer tanto ir à escola…. Em que cantinho do mundo estará agora Yangba? No bairro, dizem uns que os seus sapatinhos a fizeram correr para o meio do céu e do mundo. Outros dizem que ela apenas voou para o outro lado do rio, segurando o seu kaya pelo fio. E que pôde, por fim, realizar o seu sonho: juntar-se aos meninos que aprendem a ler e a escrever.
  13. 13. Mas eu sei que ela anda por aí… Ouvi dizer que foi para um sítio bonito e que, finalmente, agora vai à escola, com outros meninos e meninas. Dizem que é muito feliz…Se a visses… Tenta encontrá-la! É tua amiga.

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