A lanterna de Lin Yi

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Lin Yi é enviado ao mercado com uma lista de compras. Se negociar bem, talvez lhe sobre dinheiro e poderá comprar a lanterna em forma de coelho com que tanto sonha. Mas o tio Hui também adora amendoins. Sobrará dinheiro para a lanterna?

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A lanterna de Lin Yi

  1. 1. A Lanterna de Lin Yi Brenda Williams e Benjamin LacombeBrenda Williams e Benjamin Lacombe
  2. 2. — Repete lá o que tens de comprar no mercado — pediu a mãe de Lin Yi. Lin Yi repetiu mais uma vez, contando pelos dedos: — Bolos de lua, carambolas, arroz, inhames…e amendoins para o tio Hui. — Muito bem, meu filho — respondeu a mãe. — Por favor, mãe, posso também comprar uma lanterna vermelha em forma de coelho para o Festival da Lua?— suplicou Lin Yi. — Bem, depende de ti — disse a mãe. — Só tenho esse dinheiro para gastar, mas se negociares bem no mercado, talvez te sobre algum para a tua lanterna. Lin Yi sorriu, todo contente. — Eu sei muito bem negociar…. E logo se pôs a caminho, sempre a recitar a lista, como se fosse uma canção : “bolos de lua, carambolas, arroz, inhames…”
  3. 3. — … e não te esqueças dos amendoins para o tio Hui. Sabes bem que é doido por eles! — gritou a mãe enquanto ele se afastava. A caminho do mercado, Lin Yi sorria e cumprimentava as pessoas que trabalhavam nos arrozais. Um pouco mais adiante, viu o tio Hui a inspecionar os peixes que secavam diante de casa. — Olá, tio Hui! — saudou Lin Yi. — Olá! — respondeu o idoso, virando o último peixe para o sol. — Vou ao mercado — explicou Lin Yi.— Se negociar bem e se me sobrar dinheiro, a minha mãe disse que podia comprar uma lanterna vermelha em forma de coelho. — E vais levá-la para o piquenique, logo à noite? — perguntou o tio Hui. — Claro! E é certo que vai subir a montanha connosco, tio Hui?
  4. 4. — Com certeza — respondeu ele. — Já sou velho, mas gosto sempre muito de bolos de lua e de amendoins. Boa sorte para os teus negócios! Lin Yi sorriu e apressou-se a seguir o seu caminho. E sempre a sorrir, passou por debaixo da Porta da Lua… “Isto vai trazer-me sorte para as minhas compras no mercado, pensou ele. E ainda ganho cinco minutos de vida”. Uma vez no mercado, Lin Yi parou para ver com calma as maçãs de amor. Como eram belas… — Queres uma?— perguntou o vendedor. — Não, obrigado — disse Lin Yi.— Tenho de comprar bolos de lua, carambolas, arroz, inhames e…e não me posso esquecer dos amendoins para o tio Hui. mim uma lanterna vermelha em forma de coelho. Mas se souber nego-
  5. 5. ciar, a minha mãe disse-me que podia comprar para mim uma lanterna vermelha em forma de coelho. — Mas estas maçãs são deliciosas! — disse o vendedor.— Podias comprar uma e ainda ficavas com dinheiro para as outras compras. — Sim, têm bom aspeto — respondeu Lin Yi — mas o que queria mesmo é uma lanterna para a festa desta noite. — Nesse caso, até logo — respondeu o comerciante a sorrir. — Talvez daqui a pouco mudes de ideias. Mas Lin Yi sabia que não mudaria. Queria muito mais a lanterna vermelha em forma de coelho do que de uma maçã de amor! — Quanto custa um quilo de arroz integral?— perguntou Lin Yi ao comerciante de arroz. — Que dinheiro tens? — respondeu o homem. —Lin Yi mostrou-lhe.
  6. 6. És mesmo rico! — admirou-se o comerciante. — Podias comprar arroz do melhor com todo esse dinheiro! — Não, obrigado — respondeu Lin Yi. — Tenho de comprar bolos de lua, carambolas, arroz, inhames e… e não me posso esquecer dos amendoins para o tio Hui. Mas se souber negociar bem, a minha mãe disse-me que poderia comprar para mim uma lanterna vermelha em forma de coelho…E eu tenho mesmo muita vontade de ter uma! — Sendo assim, vou fazer negócio contigo — disse o homem a rir. — E fez-lhe um preço muito elevado. Chegou a vez de Lin Yi rir com vontade. — É muito, muito caro. Só lhe ofereço a quarta parte do que me pede. — Isso é muito pouco!— disse o comerciante — Achas que sou tolo? Regatearam até que Lin Yi acabou por aceitar um preço razoável, que a mãe aprovaria.
  7. 7. E ficou muito contente consigo mesmo por ter comprado o arroz por um preço tão bom. Começava a gostar de fazer compras. A seguir, fez o mesmo com o negócio das carambolas, conseguindo igualmente um ótimo preço. Na loja seguinte, parou a olhar para os bonecos. Quis comprar um para brincar. Mas lembrou--se que tinha de guardar o dinheiro para poder oferecer a si mesmo uma lanterna vermelha em forma de coelho. E lá continuou o seu caminho até ao vendedor de inhames. Mais uma vez soube negociar, e guardou no cabaz os inhames com as carambolas e o arroz. “Agora, pensou Lin Yi, só me falta comprar os bolos de lua e os amendoins para o tio Hui.”
  8. 8. Mas, a caminho dos bolos de lua, a loja das lanternas atraiu a sua atenção. E não foi capaz de passar sem parar para dar uma olhadela. — Queres comprar uma lanterna vermelha em forma de coelho para o festival desta noite? — perguntou o vendedor. Lin Yi fixou os olhos nas lanternas. Gostava sobretudo das grandes, vermelhas, decoradas com fios de ouro, mas sabia que deviam ser demasiado caras. Virou-se então para duas lanternas mais pequenas. Depois, pôs-se a contar o dinheiro. — Não, é melhor esperar — disse, meneando a cabeça. — Ainda tenho de comprar primeiro os bolos de lua. E depois volto aqui para comprar uma pequena lanterna.
  9. 9. — Lamento, mas não te posso prometer — disse o vendedor. — Tenho mulher e filhos para alimentar, portanto, se alguém quiser a última lanterna vermelha em forma de coelho, tenho de a vender. E, vendo bem, pode ser que não façamos negócio e que já não tenhas dinheiro suficiente para a comprares. Lin Yi correu a comprar os bolos de lua. — Mas hoje há muita gente a comprar lanternas para o festival desta noite, e tu podias levar já uma. Pode acontecer que, quando voltares, eu já tenha vendido as duas que me restam. — Por favor, espere! Por favor! — suplicou Lin Yi — Tenho mesmo muita vontade de ter uma lanterna vermelha em forma de coelho! Prometa-me que me guarda uma. Volto daqui a pouco.
  10. 10. “Pronto, pensou ao arrumar os bolos no cesto, agora sim, já posso ir comprar a minha lanterna vermelha.” Mas precisamente naquele momento passou uma mulher a mastigar amendoins e, de repente, Lin Yi lembrou-se do tio Hui. — Oh não, esqueci-me dos amendoins! Contou as moedas muito bem. Mesmo negociando, viu que o dinheiro não chegava para comprar os amendoins e a lanterna. Partiu-se- lhe o coração! Tinha feito tanto esforço e agora o sonho acabava!
  11. 11. Pesaroso, pedalou em direção a casa sem a sua lanterna vermelha em forma de coelho. Ficou imóvel por uns instantes, a decidir o que ia fazer. Queria tanto ter a lanterna, mas também sabia quanto o tio Hui adorava amendoins. Engoliu a saliva, secou as lágrimas, virou as costas às lanternas, e foi dali em passo decidido comprar os amendoins do tio Hui.
  12. 12. — Muito bem, meu filho — disse-lhe a mãe. — Compraste tudo aquilo que precisávamos para o piquenique. Temos lindos bolos de lua enfeitados com a Lebre de Jade e a Deusa da Lua. Temos as carambolas, que têm um ar delicioso. Tenho a certeza que soubeste negociar, sobretudo em relação ao arroz e aos inhames. Mas, Lin Yi, onde está a tua lanterna vermelha em forma de coelho? Não conseguiste guardar dinheiro para a comprar? — Não — respondeu corajosamente Lin Yi, fazendo um grande esforço para não chorar. — Mas, no festival desta noite, poderei ver muitas… Não tem importância.
  13. 13. Bem lá no fundo do coração, Lin Yi sabia que aquilo tinha mesmo muita importância. Ainda assim tentou não deixar transparecer o que sentia, e despachou-se a pegar nos amendoins e a ir entregá-los ao tio Hui com um grande sorriso. — Obrigado, Lin Yi — disse o ancião. — Olha, também tenho uma coisa para ti. Lin Yi ficou sem voz quando viu a lanterna vermelha em forma de coelho. — Oh, obrigado! Mil vezes obrigado, tio Hui! — exclamou. — É magnífica! Ainda é mais linda do que aquilo que eu imaginei! Não podia estar mais feliz…
  14. 14. — Como é que sabia que eu não tinha dinheiro para comprar uma para mim? — perguntou ele. — Ora bem, — disse o tio Hui, a piscar o olho — digamos que, durante o período do Festival da Lua, podem acontecer muitas coisas especiais, sobretudo se passares por debaixo da Porta da Lua. Não se deve fazer muitas perguntas, o que importa é ser feliz!
  15. 15. Brenda Williams ; Benjamin Lacombe E lado a lado subiram a montanha iluminada pela lua, o tio Hui a trincar os amendoins e Lin Yi levando orgulhosamente a sua lanterna em forma de coelho, a brilhar como mil fogos…

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