A menina do mar

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Trabalho elaborado no âmbito de um Projecto Socrates Comenius

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A menina do mar

  1. 1. A MENINA DO MAR de SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDERSENMúsica Ficha Técnica Biografia Início
  2. 2. Era uma vez uma casa branca nasdunas, voltada para o mar. Em roda dacasa havia um jardim de areia ondecresciam lírios brancos e uma planta quedava flores brancas, amarelas e roxas.Nessa casa vivia um rapazito quepassava os dias a brincar na praia, muitogrande e quase deserta. Durante a maréalta só se viam as ondas quebrarem naareia com um barulho de palmas. Mas namaré vazia as rochas apareciam cobertasde limos, búzios, anémonas, lapas, algase ouriços. O rapazinho tinha imensa penade não ser um peixe para poder ir aofundo do mar sem se afogar.
  3. 3. Em Setembro veio o equinócio: marésvivas, ventanias, nevoeiros temporais.Certa noite, as ondas gritaram tanto,uivaram tanto, que o rapazinho esteveaté altas horas sem dormir. Por fim,cansado de escutar, adormeceuembalado pelo temporal.De manhã, quando acordou, estava tudocalmo.Então, foi brincar para as rochas e nadoumuito tempo nas poças de água. Depois,deitou-se numa rocha a secar. Derepente, ouviu ....- Oh! Oh! Oh! – ria o polvo.- Que! Que! Que! - ria o caranguejo.
  4. 4. - Glu! Glu! Glu! – ria o peixe.- Ah! Ah! Ah! – ria a Menina. - Agoraquero dançar.E principiou a dançar. Escondido atrás dorochedo, imóvel e calado, o rapaz olhava.- Vem aí a maré alta, são horas de irmosembora – disse o caranguejo.- Vamos – disse o polvo.Chamaram o peixe e foram até uma grutapara onde entraram os quatro. O rapazquis ir atrás deles, mas não cabia naentrada da gruta. Na manhã seguinte, foia correr para a praia, pelo caminho davéspera e tornou a esconder-se.
  5. 5. A menina, o caranguejo, o polvo e opeixe estavam a fazer uma roda dentrode água, divertidíssimos. O rapaz deu umsalto e agarrou a menina.- Ai, ai, ai! Ó polvo, ó caranguejo, ó peixe,acudam-me, salvem-me! – gritava aMenina do Mar.- Não grites, não chores, não teassustes...- Vais-me fritar... ó polvo, ó caranguejo, ópeixe!- Eu, fritar-te? Para quê ???!!- Os peixes dizem que os homens fritamtudo quanto apanham.
  6. 6. - Isso são os pescadores. Eu não soupescador e tu não és um peixe. Não tequero fazer mal, só quero que me contesquem és.Ela parou de gritar, limpou as lágrimas edisse:- Vamos sentar-nos naquele rochedo eeu conto-te tudo.Sentaram-se um em frente do outro e amenina contou:- Chamo-me Menina do Mar. Não seionde nasci. Um dia uma gaivota trouxe--me no bico para esta praia, pôs-menuma rocha na maré vaza e o polvo, ocaranguejo e o peixe tomaram conta demim.
  7. 7. Vivemos numa gruta muito bonita. Opolvo arruma a casa, alisa a areia, vaibuscar comida; o cozinheiro é ocaranguejo, que faz também os meusvestidos e os colares de búzios, corais epérolas. O peixe não faz nada porquenão tem mãos, mas é o meu melhoramigo... Eu posso respirar dentro deágua como os peixes e fora de águacomo os homens. Ninguém me faz malporque eu sou a bailarina da GrandeRaia, a dona destes mares. Quando eladá uma festa, eu danço até demadrugada. E quando a Raia está tristeou mal disposta, eu tenho que dançarpara a distrair.
  8. 8. Sou a bailarina do mar e todos gostam demim. Mas eu tenho medo da raia, até asbaleias têm medo dela...! Agora, leva-mepara o pé dos meus amigos!O polvo, o caranguejo e o peixe estavama chorar abraçados.- Estou aqui. Ele é meu amigo e não mevai fritar.O rapaz pôs a Menina na água, ao pédos amigos, que davam saltos de alegriae muitas gargalhadas.- Tenho tanta curiosidade da Terra –disse a Menina, - amanhã, quandovieres, traz-me uma coisa da terra.No dia seguinte...
  9. 9. - Bom-dia, bom-dia, bom-dia!- Bom-dia – disse o rapaz. -Trago-teuma flor da terra, chama-se rosa.- É linda! Tem um perfumemaravilhoso. Mas estou um bocadinhotriste… No mar há monstros e perigos,mas as coisas bonitas são alegres. Naterra, há tristeza dentro das coisasbonitas.- Isso é por causa da saudade.- O que é a saudade?
  10. 10. - Saudade é a tristeza que fica em nósquando as coisas de que gostamos sevão embora.- Ai! - suspirou a Menina, olhando para aTerra. - Porque é que me mostraste arosa? Agora estou com vontade dechorar. - Esquece-te da rosa e vamos brincar.E lá foram os 5, rindo e brincando. Atéque a maré subiu e o rapaz teve que se irembora.No dia seguinte...- Bom–dia - disse a Menina. - O que éque me trouxeste hoje?
  11. 11. - Trouxe-te uma caixa de fósforos- Não é muito bonito...- Não; mas tem lá dentro uma coisa lindae alegre: fogo!O rapaz acendeu um fósforo. A meninapediu para tocar no fogo.- Isso é impossível. O fogo é alegre masqueima.- É um sol pequenino.- Sim, mas não se lhe pode tocar.O rapaz soprou o fósforo e o fogoapagou-se.- Tu és bruxo! Sopras e as coisasdesaparecem.
  12. 12. - Não sou bruxo, o fogo enquanto épequeno, qualquer sopro o apaga. Masdepois de crescido pode devorar florestase cidades.- Então o fogo é pior que a raia?- É conforme. Enquanto é pequeno, é omaior amigo do Homem: aquece-o,cozinha-lhe a comida, alumia-o... Masquando cresce de mais, fica mais cruel emais perigoso que todos os animaisferozes.- As coisas da Terra são esquisitas ediferentes. Conta-me mais coisas daTerra.
  13. 13. Sentaram-se os dois dentro de água e orapaz contou-lhe como era a sua casa, oseu jardim, as cidades e os campos, asflorestas e as estradas.- Como eu gostava de ver isso tudo...!- Vem comigo, eu mostro-te coisaslindas.- Não posso, se for para a terra seco e aofim de umas horas ficaria igual a umfarrapo velho...- Que pena!No dia seguinte...- Hoje trago-te vinho. Quem o bebe ficacheio de alegria.
  14. 14. Pousou na areia um copo cheio de vinho. AMenina segurou o copo e olhou o vinho,cheia de curiosidade.- É muito encarnado e perfumado. O que éo vinho?- É o sumo dos frutos da videira. Bebe sequeres saber como é.- É bom e é alegre! Eu quero ir ver aTerra...! Há tantas coisas que eu não sei... - Tenho uma ideia: amanhã encho umbalde com água do mar e algas. Tu pões-telá dentro para não secares e eu levo-te aver a terra.- Está bem, amanhã vou contigo vergente e carros, os animais da terra etodas as coisas que me contaste.
  15. 15. E passaram o resto da manhã a fazerplanos...No outro dia...- Bom-dia! Trago aqui o balde. Vamosembora depressa.- Eu não posso ir.E a Menina desatou a chorar como umafonte.- Mas porquê ?- Os búzios, os ouvidos do mar, foramcontar as nossas conversas à Raia. Elaficou furiosa e agora já não posso ircontigo.- Mas ela não está aqui, vamos emboradepressa.
  16. 16. - Impossível, as rochas estão cheias depolvos que não nos deixam passar.Amanhã já não volto aqui. A Raia decidiuque esta noite, ao nascer da Lua, eu sereilevada pelos polvos para uma praiadistante. E nunca mais nos poderemosencontrar.- Vamos experimentar fugir.Pôs a Menina no balde e pôs-se a correr.- Larga-me, larga-me, senão eles matam-te.Os polvos envolviam-lhe a cintura,apertavam-lhe o pescoço. O rapaz viu océu ficar preto, deixou de ouvir o barulhodas ondas e desmaiou.
  17. 17. Acordou com a água a bater-lhe na cara.Tinha o corpo coberto de marcas deixadaspelas ventosas dos polvos. Foi para casadevagar.Passaram dias e dias. O rapaz voltoumuitas vezes às rochas mas nunca maisviu a Menina nem os seus 3 amigos. Atéque chegou o Inverno e numa manhã denevoeiro o rapaz sentou-se na praia apensar na Menina do Mar.Enquanto assim estava, uma gaivotachegou junto dele e deixou cair um frascocheio de água muito clara e luminosa.
  18. 18. - Bom-dia – disse a gaivota.- Bom-dia - respondeu o rapaz. - Dondevens e porque me dás este frasco?- Venho da parte da Menina do Mar. Elamanda-te dizer que já sabe o que é asaudade e pediu-me para te perguntarse queres ir ter com ela ao fundo do mar.- Quero, quero. Mas como hei-de ir aofundo do mar sem me afogar?- O frasco que te dei tem dentro suco deanémonas e plantas mágicas. Sebeberes, passarás a ser como a Meninado Mar. Poderás viver dentro de águacomo os peixes e fora da água comoos homens.
  19. 19. - Vou beber já!Então viu tudo mais vivo e mais brilhante.Sentiu-se alegre, feliz, como se tivesseficado mais livre, mais forte, mais fresco emais leve.- Ali no mar está um golfinho à tua esperapara te ensinar o caminho.- Adeus, adeus, Gaivota. Obrigado,obrigado.E correu para as ondas e nadou até aogolfinho.- Agarra-te à minha cauda - disse ogolfinho.E foram os dois pelo mar fora, durante 60dias e 60 noites.
  20. 20. Chegaram por fim a uma ilha.O golfinhoparou em frente duma gruta.- É aqui: entra e encontrarás a Meninado Mar.- Obrigado, obrigado. Adeus, golfinho.O rapaz entrou na gruta e espreitou. Amenina, o polvo, o caranguejo e o peixeestavam quietos, tristes e calados, abrincar com conchinhas. De vez emquando, a Menina suspirava.- Ai...!- Estou aqui! cheguei! sou eu! - gritou orapaz.
  21. 21. Todos se voltaram para ele. Abraçaram-se, riam e gritavam.- Estou tão feliz, tão feliz, tão feliz! Semti, o mar parecia triste e vazio e eu nãosabia o que fazer. Até que um dia o Reido Mar deu uma grande festa e mandou--me ir ao palácio para eu dançar. Euentrei na gruta onde estava o Rei do Marcom os seus convidados e os búzioscomeçaram a cantar uma cançãoantiquíssima. Mas eu estava muito triste,por isso dancei muito mal.
  22. 22. - Porque é que estás a dançar tão mal? -perguntou o Rei do Mar.- Porque estou cheia de saudades.- Saudades? Que história é essa?- E perguntou ao polvo, ao caranguejo eao peixe o que tinha acontecido. Elescontaram-lhe tudo. O Rei do Mar tevepena de ver uma bailarina que já nãosabia dançar.- Amanhã de manhã vem ao meu palácio!- No dia seguinte o Rei do Mar subiucomigo à tona das águas. Chamou umagaivota, deu-lhe o frasco com o filtro dasanémonas e mandou-a ir à tua procura.Foi assim que eu conseguique tu voltasses.
  23. 23. - Agora nunca mais nos separamos.- Agora vais ser forte como um polvo –disse o polvo.- Agora vais ser sábio como umcaranguejo – disse o caranguejo.- Agora vais ser feliz como um peixe -disse o peixe.- Agora a tua terra é o Mar - disse aMenina do Mar.E foram os cinco através de florestas,areais e grutas.
  24. 24. No dia seguinte, houve outra festa nopalácio do Rei. A Menina do Mar dançoutoda a noite e as baleias, os tubarões, astartarugas e todos os peixes diziam:- Nunca vimos dançar tão bem...E o Rei do Mar estava sentado no seutrono de nácar, rodeado de cavalos--marinhos, e o seu manto de púrpuraflutuava nas águas. FIM
  25. 25. Casa nas Dunas
  26. 26. 1919 – Nasce a 6 de Novembro no Porto. Aos 3 anos, tem oprimeiro contacto com a poesia, quando uma criada lhe recitaA Nau Catrineta, que aprenderia de cor.Mesmo antes de aprender a ler, o avô ensinou-a a recitarCamões e Antero1926 – Frequenta o Colégio do Sagrado Coração de Maria,no Porto, até aos 17 anos1936 – Estuda Filologia Clássica, na Faculdade de LetrasLisboa. Casa com Francisco de Sousa Tavares, de quem cincofilhos1944 – Publica o primeiro livro, Poesia. É o início de umfulgurante percurso poético e não só. Publicaria tambémficção, literatura para crianças e traduziu, nomeadamente, Dante e Shakespeare
  27. 27. 1947 – O Dia do Mar, Ática1950 – Coral, Livraria Simões Lopes1954 – No Tempo Dividido, Guimarães1956 – O Rapaz de Bronze (literatura infantil), Minotauro1958 – Mar Novo, Guimarães; A Menina do Mar (infantil),Figueirinhas; A Fada Oriana (infantil), Figueirinhas.Escreve um ensaio sobre Cecília Meireles na «Cidade Nova»1960 – Noite de Natal (infantil), Ática. Publica o ensaioPoesia e Realidade, na «Colóquio 8»1961 – O Cristo Cigano, Minotauro1962 – Livro Sexto, Salamandra, distinguido com o GrandePrémio de Poesia da Sociedade Portuguesa deEscritores, em 1964; Contos Exemplares (ficção), Figueirinhas
  28. 28. 1964 – O Cavaleiro da Dinamarca (infantil), Figueirinhas1967 – Geografia, Ática1968 – A Floresta (infantil), Figueirinhas; Antologia,Portugália, cuja 5ª edição (1985 – Figueirinhas)é prefaciada por Eduardo Lourenço1970 – Grades, D. Quixote1972 – Dual, Moraes1975 – Publica o ensaio O Nu na Antiguidade Clássica,integrado em O Nu e a Arte, uma ediçãodos Estúdios Cor.
  29. 29. Deputada pelo Partido Socialista à Assembleia Constituinte.A sua actividade político-partidária, não foi longa, masao longo da sua vida sempre foi uma lutadora empenhadapelas causas da liberdade e justiça. Antes do 25 de Abril,pertence mesmo à Comissão Nacional de Apoio aos PresosPolíticos «A poesia é das raras actividades humanas que, no tempo actual, tentam salvar uma certa espiritualidade. A poesia não é uma espécie de religião, mas não há poeta, crente ou descrente, que não escreva para a salvação dasua alma – quer a essa alma se chame amor, liberdade, dignidade ou beleza» (JL 709, de 17/12/97)
  30. 30. 1977 – O Nome das Coisas, Moraes, distinguido com o PrémioTeixeira de Pascoaes1983 – Navegações (IN-CM), recebe o Prémio da Crítica doCentro Português da Associação de Críticos Literários1984 – Histórias da Terra e do Mar (ficção), Salamandra1985 – Árvore (infantil), Figueirinhas1989 – Ilhas, Texto, distinguido com os Prémios D. Dinis,da Fundação Casa de Mateus e Inasset-INAPA (1990)1990 – Reúne toda a sua obra em três Volumes, Obra Poética,com a chancela da Editorial Caminho; é distinguidacom o Grande Prémio de Poesia Pen Clube1992 – Grande Prémio Calouste Gulbenkian de Literaturapara Crianças
  31. 31. 1994 – Musa, Caminho. Recebe Prémio Vida Literária daAssociação Portuguesa de Escritores. Publica Signo,um livro/disco com poemas lidos por Luís Miguel Sintra, umaedição Presença/Casa Fernando Pessoa1995 – Placa de Honra do Prémio Petrarca, atribuída em Itália1996 – Homenageada do Carrefour des Littératures, na IVPrimavera Portuguesa de Bordéus e da Aquitânia1998 – O Búzio de Cós, Caminho, distinguido com o Prémioda Fundação Luís Míguel Nava1999 – Prémio Camões2003 – Prémio Literário Rainha Sofia
  32. 32. Uma históriaUm rostoBiografia Início
  33. 33. Biografia
  34. 34. Ficha técnicaEscola E. B. 2, 3 Dr. Francisco CabritaRua da Correeira . Montechoro8200-112 Albufeira Tel 289 58 84 71 Fax 289 58 66 63E-mail: eb23n2@mail.telepac.ptTrabalho realizado no ano lectivo 2002/2003Projecto Sócrates . Comenius . Acção 1Coordenadora: Lurdes Pelarigo
  35. 35. Desenhos realizados pelos alunos da turma do 5º Ano ADramatização a cargo dos alunos:Ana Rita PereiraAndré R. dos SantosBruno PenisgaHelena ChainhoInês AlmeidaMarlene BarreiraNadine Silva Sara LopesVanessa Branco
  36. 36. Sinopse: Lurdes PelarigoDisciplinas envolvidas: Língua Portuguesa Educação Visual e TecnológicaCenários: Leopoldina FigueirasFotografia: Fátima Santos e Teresa QuirinoApresentação em Powerpoint : Teresa Quirino e Lurdes PelarigoApoio Técnico: Miguel QuaresmaCoordenação do Projecto: Lurdes Pelarigo
  37. 37. MúsicaExtractos de música clássica, portuguesa ede sons da natureza:- Beethoven- Vivaldi- Madre Deus- Carlos Paredes- Canções de Roda- Maria João Pires- Dulce Pontes
  38. 38. BibliografiaAndresen, S.M.B (1984) A menina do Mar. Porto: Figueirinhas.http:// www. instituto-camoes.pt/escritores/sophia/biografia.htm

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