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Carta da plenária do forum baiano ecosol

  1. 1. CARTA DO MOVIMENTO DE ECONOMIA SOLIDÁRIA DA BAHIAOs trabalhadores e as trabalhadoras da Economia Solidária da Bahia, reunidos em Salvadornos dias 17 e 18 de setembro, viemos por meio de nossa plenária, que contou com mais de150 pessoas, representando mais de 90 organizações de vários territórios, afirmar aEconomia Solidária como uma outra forma de desenvolvimento possível, pautado naautogestão, na cooperação, na solidariedade e na valorização do(a) trabalhador(a) enquantoum ser de valor, capaz de mudar a sua realidade e a de sua comunidade.A Economia Solidaria busca a inclusão de todos na economia, não apenas no sentido daprodução e consumo, mas na reprodução ampliada da vida. Afirmamos o consumoresponsável, a não exploração de uma pessoa por outra, o trabalho associado e avalorização de uma relação mais próxima das pessoas para com o meio ambiente de formaque possamos usar os recursos naturais com responsabilidade. Portanto a EconomiaSolidária não deve se confundir com o microempreendedor individual, nem com a economiacriativa e tão pouco com a economia verde. Sem fazer juízo de valor sobre ser melhor oupior, mas somos, simplesmente, diferentes!A Economia Solidária é construída em seu dia a dia por diversos homens e mulheres, dacidade e do campo, em seus territórios. Para nós, o território é feito por relações sociais dasmais diversas naturezas dentro de um espaço onde as ações dos empreendimentoseconômicos solidários são realizadas, promovendo laços de identidade ao mesmo tempo quepotencializam as convergências também respeitam as diferenças.Reconhecemos o Fórum Baiano de Economia Solidária como principal espaço de articulaçãoe precisamos fortalecê-lo, sendo este o representante do movimento de Economia Solidáriana Bahia. Para tal deve-se estimular a criação dos fóruns municipais e territoriais ereconhecer as finanças solidárias como instrumentos de fortalecimento do própriomovimento, tal como a criação de fundos solidários nos Fóruns para contribuir com o seufuncionamento e viabilidade de seus encontros e ações.Enquanto movimento de Economia Solidária devemos construir campanhas emcontraposição as praticas de mercado para enfatizar a luta vivida cotidianamente pelascomunidades e grupos, ao mesmo tempo que devemos divulgar as práticas de economiasolidaria nos meios de comunicação alternativos e de “grande massa”.Quando falamos em práticas de Economia Solidária não podemos dissociá-las das práticasagroecológicas, da luta pela terra, da juventude, dos quilombolas, dos ribeirinhos, fundos depasto, dentre outros que adotam a Economia Solidária em suas bases. Devemos trabalharem cima de nossas unidades e caminharmos de mãos dadas!
  2. 2. Reafirmamos a importância da mulher, das pessoas com deficiência e da população negrapara a Economia Solidária! Devemos superar esta sociedade patriarcal, excludente,machista e racista. Para isso é preciso que haja iniciativas que possibilitem odesenvolvimento de trabalhos que contribuam para a valorização das mulheres, respeitem asdiferenças, e promovam uma acessibilidade de todas e todos pautado numa construçãocoletiva do conhecimento e visão justa do trabalho tanto no campo como na cidade. Aabordagem das desigualdades de gênero, raça, etnia e acessibilidade devem ser eixosobrigatórios nas formações dos EES, portanto devemos participar e realizar semináriosmunicipais e territoriais de sensibilização sobre estes temas, tanto para o público domovimento de Economia Solidária quanto para a sociedade em geral. Além disso devemosgarantir políticas públicas de economia solidaria com estes recortes destacados acima.Também não podemos esquecer da atuação em rede. A Economia Solidária tem comocaminho natural a formação de redes, inclusive entre produtores e consumidores. É precisoconsolidar as redes já existentes para que possamos caminhar numa construção de logísticasolidária e na compra, venda e troca de produtos e serviços entre os próprios EES.Devemos ainda trazer as pessoas que estão na economia popular, trabalhando de formaisolada para que possa pensar o seu trabalho de forma coletiva e autogestionada para amelhoria da sua qualidade de vida e em prol do desenvolvimento em seu território.Para fortalecermos os empreendimentos econômicos solidários devemos promover açõeseducativas que incluam a elevação de escolaridade, a formação permanente em economiasolidária, para a cidadania e os direitos humanos, para a prática da autogestão e aqualificação técnica e tecnológica para criação de produtos e consolidação deempreendimentos econômicos solidários, observando os saberes populares. Precisamosainda fazer valer o que consta em nossa lei estadual (mas não se atendo a luta apenas naBahia) e incluir os princípios, práticas e saberes populares da economia solidária nasmatrizes curriculares, como tema transversal na prática pedagógica escolar, em todos osníveis de ensino (fundamental, médio e superior) .Não podemos deixar de reconhecer a importância do Marco-Legal, que deve facilitar aformalização do empreendimento, acesso a crédito, isenção fiscal e que o habilite paraaquisição de produtos e serviços por parte do estado. Afirmamos ainda que a nossaCampanha pela Lei de Iniciativa Popular da Economia Solidária deve ser incorporada na vidade todos nós!Para nos fortalecermos na relação com o Estado é necessário promover uma maiordesburocratização da relação do estado com os empreendimentos da economia solidária, noacesso às políticas públicas, no sentido de respeitar as diferenças étnicas, culturais e sociais.Para contribuirmos nesta luta é preciso estimular a criação dos conselhos municipais eestaduais de economia solidária com fundos próprios e sendo deliberativos. Todas estaspolíticas públicas devem fomentar uma relação de não dependência dos empreendimentoscom os programas de governoPor fim, acreditamos numa nova forma de se fazer política, portanto defendemos umareforma política com ampla participação popular! Não podemos fechar os olhos para o caos eindecência que ocorrem durante as eleições e nem para o descaso de muitos que ao seremeleitos não fazem valer bandeiras de luta anteriormente defendidas. Os vereadores,
  3. 3. deputados, senadores, prefeitos, todos, devem estar a serviço da população, e não ocontrário!Vamos caminhando, com humildade, na construção de um mundo socialmente justo eambientalmente sustentável com base no trabalho coletivo autogestionário! Reconhecemosos Fóruns de Economia Solidária enquanto representantes do movimento de economiasolidária e que deve se articular continuamente com os demais movimentos sociais. Aosmovimentos sociais: vamos caminhar juntos, pois é a partir da união que faremos arevolução!!“Para praticar a economia solidaria é preciso começar dentro de casa” Centro de Treinamento da EBDA, Salvador, 18 de setembro de 2012

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