Apresentação para décimo primeiro ano de 2012 3, aula 97-98

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Apresentação para décimo primeiro ano de 2012 3, aula 97-98

  1. 1. Subordinante | Subordinada substantiva completiva A porteira disse-me | que o vizinho do sétimo andar tem um gato. | complemento direto [nota que a oração é substituível pelo pronome «o»: ‘A porteira disse-mo’.] 
  2. 2. Todos sabemos que os animais não são permitidos neste prédio. complemento diretoNão quer que eu ponha o gatinho na rua... complemento diretoAcho que é em Ermesinde. complemento direto
  3. 3. Perguntou-lhe se vira uma gaja ou um homem em Ermesinde. complemento direto
  4. 4. É um escândalo que me falem em gritos.[ = Isso é um escândalo. ] sujeito predicativo do sujeito sujeito
  5. 5. Conjunções subordinativas completivasTodos sabemos que os animais não são permitidos neste prédio.Não quer que eu ponha o gatinho na rua...Acho que é em Ermesinde.Perguntou-lhe se vira uma gaja ou um homem em Ermesinde.
  6. 6. As subordinadas substantivascompletivas FINITAS são introduzidaspelas conjunções completivas que ou se. Mas também há subordinadassubstantivas completivas NÃO FINITAS,com o verbo no infinitivo, e essas nãoprecisam de conjunção.
  7. 7. Formas não finitas do verbo•Gerúndio•Particípio Passado•Infinitivo
  8. 8. Subordinante | Subordinada substantiva completiva não finita [Infinitivo pessoal]Todos sabemos não serem os animais permitidos neste prédio.
  9. 9. É um escândalo que me falem em gritos.                             falarem-me em gritos.
  10. 10. Subordinante | Subordinada substantiva relativa sem antecedente Sabes onde há gajas boas? complemento direto
  11. 11. Fugiam-lhe quantas velhas ou crianças acorrentasse à parede.[ = Elas fugiam-lhe ] sujeito sujeito
  12. 12. Quem sobe pela escada fica com as cabeças dos cadáveres todas moídas. Sujeito
  13. 13. Subordinante | Subordinada substantiva relativa sem antecedente não finita Sabes onde encontrar gajas boas?
  14. 14. Sabes onde há gajas boas? advérbio relativo quantificador relativoFugiam-lhe quantas velhas ou criançasacorrentasse à parede.pronome relativoQuem sobe pela escada fica com ascabeças dos cadáveres todas moídas.
  15. 15. Só lhe digo isto: «animais dentro de casa é nojento»!Só lhe digo que animais dentro de casa é nojento.Subordinante | Subordinada substantiva completiva finitaSó lhe digo ser um nojo os animais dentro de casa.Subordinante | Subordinada substantiva completiva não finita
  16. 16. Subordinante | Subordinada adjetiva relativa restritiva É um cheiro que se entranha nas rendas. modificador restritivo do nome
  17. 17. Subordinante | Subordinada substantiva completiva não finitaEu preciso | de dormir. complemento oblíquo
  18. 18. Põe na ordem correta os dezasseisversos do poema (em quatro estrofes: 4+ 4 + 4 + 4) de Cesário Verde dentro dosobrescrito. Desenho dos fragmentos de papelnão é indicativo (versos já estavammisturados quando os recortei). Ao contrário, as rimas são úteis.
  19. 19. DE TARDENaquele pic-nic de burguesas,Houve uma coisa simplesmente bela,E que, sem ter história nem grandezas,Em todo o caso dava uma aguarela.
  20. 20. Foi quando tu, descendo do burrico,Foste colher, sem imposturas tolas,A um granzoal azul de grão-de-bicoUm ramalhete rubro de papoulas.
  21. 21. Pouco depois, em cima duns penhascos,Nós acampámos, inda o sol se via;E houve talhadas de melão, damascos,E pão-de-ló molhado em malvasia.
  22. 22. Mas, todo púrpuro a sair da rendaDos teus dois seios como duas rolas,Era o supremo encanto da merendaO ramalhete rubro das papoulas!
  23. 23. Logo o título, «De tarde», que é ummodificador temporal, remete para ummomento, uma coisa «simplesmentebela», que merecia ser registado numa«aguarela», apesar de aparentementeirrelevante.
  24. 24. Poderíamos dizer que o momento emcausa era susceptível de ser fixado numapolaroid (se no século XX) ou numa imagemem instagram (atualmente), mas a pinturacoaduna-se bem com as várias referênciascromáticas: o «granzoal azul», o «ramalheterubro» ou, quando sai da renda, «púrpuro».
  25. 25. Quanto ao sol a pôr-se («inda o sol se via»),é uma notação de ordem visual e mais umelemento que aproxima o poema daspinturas impressionistas (vem à lembrança,por exemplo, o quadro «Déjeuner surl’herbe», de Edouard Manet).
  26. 26. Além das cores, há pormenores figurativos:o rendilhado do decote por onde saem«duas rolas» (com que se comparam os«teus dois seios»).
  27. 27. Nem só o sentido da visão é convocado,outros sentidos estão presentes: o olfato eo gosto, a propósito das «talhadas demelão», dos «damascos», do «pão-de-ló»embebido em vinho doce; e não seráforçado vermos algo de táctil na alusão às«duas rolas» que saem do decote darapariga.
  28. 28. Muito característica do poema (e deCesário Verde) é a sua narratividade. Opoeta parece ser um observador que fazparte do grupo (vejam-se os deíticospessoais «tu», «nós», o demonstrativo«[n]aquele» e o possessivo «teus»).
  29. 29. Relata um episódio cuja protagonista é umarapariga (uma burguesa?) capaz de colherramalhetes de papoulas «sem imposturastolas». As ações estão demarcadas emfunção dos espaços («a um granzoal», «emcima duns penhascos») e do tempo («foiquando tu», «pouco depois»).
  30. 30. A última quadra (não, não é um soneto:são quatro quartetos) apresenta-nos osujeito poético (o «narrador») embevecidocom o supremo encanto do «pic-nic» (enão é interessante o uso doestrangeirismo?).
  31. 31. Esse primeiro plano da câmara termina como verso «O ramalhete rubro das papoulas!»,que quase repete o v. 8 («Um ramalheterubro de papoulas»).
  32. 32. Os artigos definidos no último verso dopoema («O», em vez do indefinido «Um»,que estava no v. 8; e «[d]as», em vez dapreposição simples «de») mostram que aobservação se foi aproximando e que oramalhete de que se fala já é inconfundível.A outra diferença entre os versos é o v. 16terminar com um ponto de exclamação.
  33. 33. E, se atentarmos no som, perceberemosque há nesse verso uma aliteração,conseguida pela repetição da consoante«r». (Já na segunda estrofe havia umafigura fónica idêntica, entre a assonância ea literação, no verso «A um granzoal azul degrão-de bico», em que predominam asnasais e a consoante z.)
  34. 34. Acerca da quadra final é ainda precisoreferir que a alteração da ordem natural dafrase, um hipérbato, faz que o último versoseja o sintagma nominal que se pretendedestacar («o ramalhete rubro daspapoulas»). Por outro lado, por marcar umaoposição, uma reorientação, a conjunçãoadversativa «mas» valoriza o que depoisserá o foco da quadra.
  35. 35. Também o tempo verbal usado nestaquarta estrofe, o imperfeito do indicativo(«era»), marca a perenidade daquela visãosingular, por contraste com o incidente,efémero, que era a merenda de burguesas(a que convinha o perfeito do indicativo:«houve», «foi», «foste», «acampámos»,«houve»).
  36. 36. Escreve, em prosa, sobre um momento quedevesse ficar fixado (realçado dentro de umincidente que tudo destinasse ao esquecimento).Só as partes que dou seguem o modelo deCesário. No resto, apenas aconselho que adescrição seja bastante sensorial. ___________________________________ {sintagma preposicional, como é De tarde} Naquele/a ________________________________________, houve uma coisa simplesmente bela. Foi quando_________________________________________________
  37. 37. sensação principal (que torna o momento memorável) pode ser visual, de olfacto, de gosto, auditiva, táctil.dar o enquadramento (os momentos que precedem) até ao exacto momento de êxtase
  38. 38. TPC — Conclui texto agoracomeçado.

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