Apresentação para décimo ano de 2011 2, aula 2

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Apresentação para décimo ano de 2011 2, aula 2

  1. 2. <ul><li>há dois minutos </li></ul><ul><li>há pouco tempo </li></ul><ul><li>há cerca de vinte anos </li></ul><ul><li>há um bocado </li></ul>
  2. 3. <ul><li>6 ratos </li></ul><ul><li>seis ratos </li></ul>
  3. 4. <ul><li>3.ª pessoa </li></ul><ul><li>registo adequado (suficientemente formal) </li></ul><ul><li>cuidado na escolha da boa ideia (para dificultar quem quisesse adivinhar) </li></ul>
  4. 5. <ul><li>Como proceder relativamente à ortografia? </li></ul><ul><li>aceitarei formas de antes ou de depois da reforma (e nada assinalarei); </li></ul><ul><li>talvez possamos, mais à frente, fazer uma síntese das mudanças havidas; </li></ul><ul><li>adotarei as novas grafias (mas haverá decerto falhas por distração ). </li></ul>
  5. 6. <ul><li>Na p. 323 do manual ( Expressões ) trata-se dos Princípios reguladores da interação discursiva (a interação discursiva é, no fundo, a conversação). A área do funcionamento da língua a que pertence este assunto é a pragmática . </li></ul>
  6. 7. <ul><li>A pragmática estuda o modo como a língua é usada pelo falante para atingir os seus obje c tivos comunicativos. (Dentro da linguística há outras áreas , aliás mais conhecidas de anos anteriores: </li></ul>
  7. 8. <ul><li>a morfologia estuda a estrutura das palavras; a sintaxe estuda a combinação das palavras em frases; a fonologia estuda os sons das palavras; a semântica estuda o significado das palavras. Enquanto estas áreas se ocupam mais da língua enquanto sistema, a pragmática preocupa-se com o que as pessoas pretendem fazer quando usam esse sistema.) </li></ul>
  8. 9. <ul><li>A página 323 apresenta-nos os princípios que regem a conversação : </li></ul><ul><li>Princípio de cooperação </li></ul><ul><li>Cada participante deve fazer com que a sua contribuição para que a conversa seja apropriada ao propósito desta. Desdobra-se em quatro máximas conversacionais : </li></ul>
  9. 10. <ul><li>máxima de qualidade | Tenta que a tua contribuição seja verdadeira. </li></ul><ul><li>máxima de modo | Sê claro. </li></ul><ul><li>máxima de quantidade | Dá tanta informação quanto o necessário. </li></ul><ul><li>máxima de relação | Dá informação pertinente. </li></ul>
  10. 11. <ul><li>Princípio de cortesia (ou delicadeza) </li></ul><ul><li>Cada participante na conversa deve usar estratégias adequadas a preservar uma boa relação com o seu interlocutor. Por exemplo, usará formas de tratamento («tu», «você», «o senhor», «o Luís», etc.) que respeitem a distância social; ao dar ordens, evitará ser demasiado dire c to («Aquele brigadeiro tem ótimo aspeto », em vez de «Dê-me lá o brigadeiro»); em certos casos, recorrerá a eufemismos («não creio que tenha sido assim», por «estás a mentir , estúpido mentirosão»); </li></ul>
  11. 12. <ul><li>lítotes («a minha fome não é pouca», em vez de «tenho muita fome e já comia três javalis, um brigadeiro e meio papo seco»), perífrases [ estas três figuras de estilo estão exemplificadas nas pp. 334-335, mas não é obrigatório ir ler as suas definições agora ]. </li></ul>
  12. 13. <ul><li>Nos sketches que vamos ver ( Gato Fedorento, Série Lopes da Silva ), pelo menos um dos intervenientes infringe uma das máximas conversacionais ou o princípio da cortesia . A comunicação poderia ficar em risco. (É claro que neste caso as infrações ao princípio da cooperação e à cortesia servem para criar situações cómicas.) </li></ul>
  13. 14. <ul><li>Para completar o quadro, usarás quantidade , qualidade , relação , modo , princípio de cortesia . </li></ul>
  14. 15. <ul><li>Inspetor que não sabe fazer perguntas </li></ul><ul><li>As perguntas do inspetor não têm relação com a informação anterior, não são pertinentes, não se cumprindo por isso a máxima de relação . </li></ul>
  15. 16. <ul><li>Falta por motivos profissionais </li></ul><ul><li>No início, a intervenção do funcionário preguiçoso é insuficiente em termos de informação («Passa-se isto assim assim»), falhando a máxima de quantidade . Há depois expressões ambíguas («Não posso vir ao emprego por motivos profissionais»), o que corresponde a quebra da máxima de modo . No final, enquanto o patrão, </li></ul>
  16. 17. <ul><li>ao dar os pêsames ao segundo funcionário, cumpre o princípio de cortesia , o funcionário preguiçoso infringe-o («Arranjam cada uma para não trabalhar!» é um comentário contra o que está convencionado numa situação daquelas). </li></ul>
  17. 18. <ul><li>O que eu gosto do meu Anselmo! </li></ul><ul><li>Quando Anselmo diz que a mulher nem gosta assim tanto dele — mentindo, para que não se conclua que... —, infringe a máxima de qualidade . </li></ul>
  18. 19. <ul><li>Bode expiatório </li></ul><ul><li>O empregado que arca com as culpas de todas as incompetências no escritório repete «A culpa foi minha. Não há desculpa para o que fiz. Se alguém deve ser responsabilizado, sou eu. É impressionante a minha irresponsabilidade!». Poderíamos reconhecer aqui uma infração à máxima de quantidade , se </li></ul>
  19. 20. <ul><li>expiar </li></ul><ul><li>'remir uma culpa pela penitência' </li></ul><ul><li>'sofrer as consequências de' </li></ul><ul><li>vs. </li></ul><ul><li>espiar </li></ul>
  20. 21. <ul><li>considerássemos que houvera excesso de informação. No entanto, provavelmente foi mais a máxima de modo que falhou, já que ser claro inclui ser breve. </li></ul>
  21. 22. <ul><li>Filho do homem a quem parece que aconteceu não sei quê [e genérico do episódio] </li></ul><ul><li>Tanto o pai como o filho, ao «pronominalizarem» muito, omitindo palavras com referentes perceptíveis, tornam a comunicação inviável, por falta de clareza (falha a máxima de modo , </li></ul>
  22. 23. <ul><li>embora se possa pensar que o que falta é mesmo a informação). No genérico final, também falha a máxima de modo , mas agora por demasiadas repetições (poder-se-ia pensar que a infração é à máxima da quantidade, por excesso de informação, mas não creio). </li></ul>
  23. 24. <ul><li>Dia em que se pode chamar </li></ul><ul><li>nomes aos colegas </li></ul><ul><li>Os vocativos desagradáveis permitidos à quinta-feira e as expressões grosseiras nos minutos para assédio seriam infrações ao princípio de cortesia . A singularidade da situação vem de essas inconveniências serem autorizadas, e até estimuladas, pelas regras do escritório. </li></ul>
  24. 25. <ul><li>Chamada por engano </li></ul><ul><li>Na conversa entre jornalista e senhora da Venda Nova falha sobretudo a máxima de relação , na medida em que a interlocutora insiste em fazer relatos e pedidos («dispensava-me o seu bidé?») que não servem o objectivo do telefonema (falar da guerra do Iraque). No final, a mesma senhora disfarça uma sua infração ao princípio de cortesia («meu cabeça de porco»). </li></ul>
  25. 26. <ul><li>A tua camisa é feia </li></ul><ul><li>Os epítetos deselegantes que cada uma das interlocutoras dirige à outra constituiriam infrações ao princípio de cortesia ; no entanto, elas não parecem senti-los como ofensivos (só é tomada como indelicadeza a referência à camisa feia). </li></ul>
  26. 27. <ul><li>Conversa na esplanada </li></ul><ul><li>Os vários amigos não se interessam pela história do indivíduo que tem uma alface de estimação: ou se desviam para outro assunto («É o Edmundo?»; «São 4h34») ou não percebem o que está ser defendido pelo seu amigo («mas há alfaces tenrinhas»; «se fosse uma alface lisa»). Infringem a máxima de relação . </li></ul>
  27. 28. <ul><li>Matarruano sonhador </li></ul><ul><li>O filósofo matarruano desvia-se do tema da pergunta que lhe era feita: não coopera com o jornalista que o entrevista por não cumprir a máxima de relação , já que a informação a que chega invariavelmente não é pertinente para o objetivo da conversa. </li></ul>
  28. 29. <ul><li>Bomba a bordo </li></ul><ul><li>O insólito resulta de comissário e comandante agirem como se não detivessem um saber comum (‘bombas não são desejáveis’), o que acaba por viabilizar a interação com o bombista. </li></ul>
  29. 33. <ul><li>Vamos situar-nos na p. 109 do manual, a segunda da secção «Espelhos do eu», dedicada aos textos de caráter autobiográfico. (Estou a usar a nova ortografia, embora «caráter», por haver quem pronuncie o cê (cará[k]ter]), mesmo na nova grafia mantenha a alternativa «carácter».) Está aí uma crónica de Miguel Sousa </li></ul>
  30. 34. <ul><li>Tavares, uma das que foram coligidas no livro Não te deixarei morrer, David Croquete . Diga-se que a referência do texto não ficou perfeita, já que falta o nome da crónica. Devia estar assim: </li></ul><ul><ul><li>Tavares, Miguel Sousa (2001), « Ao longo do caminho », Não te deixarei David Cro c kett , 8.ª ed., Lisboa, Oficina do Livro. </li></ul></ul>
  31. 36. <ul><li>TPC — Escreve um « Alfabeto pessoal ». (Repara no exemplo a seguir, feito há cerca de sete anos.) Evita que as frases sirvam apenas para declarar aquilo de que gostas ou de não gostas. Boa solução é não te limitares a qualificar o que escolhes («é bom», «mau», «gosto de», etc.) e usares antes uma redacção «de comentário» aos temas que destaques no alfabeto. </li></ul>
  32. 37. <ul><li>Repara também que a palavra que é escolhida pode nem ser o exacto assunto, servindo afinal como pretexto para se aludir ao tema que importa mesmo. </li></ul><ul><li>Podes ir alternando letras tratadas em algumas linhas (3 ou 4) com outras que desenvolvas apenas numa frase. Não escrevas texto maior do que o que serve de exemplo. E talvez possas contemplar o k , w , y (não o fiz eu na tentativa que se segue, porque o alfabeto pré-acordo não obrigava à sua inclusão). Não escrevas texto maior do que o que serve de exemplo. </li></ul>
  33. 38. <ul><li>A , de Automóvel . Irrita-me a importância que em Portugal se dá aos automóveis, sempre prejudicando quem usa os transportes públicos (e os passeios, paisagens, etc.). </li></ul><ul><li>B , de Benfica . Foi em 1983 a primeira vez que dei aulas na Secundária de Benfica. Antes de a escola ser construída havia aqui uma quinta e a casa dos meus pais era do outro lado do muro. </li></ul><ul><li>C , de Capitu . Capitu é o hipocorístico de Capitolina, personagem de Dom Casmurro , de Machado de Assis, um dos meus livros preferidos. </li></ul>

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