Romantismo

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O Romantismo na arte, em geral.

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Romantismo

  1. 1. O Romantismo foi um movimento cultural quesurgiu inicialmente na Grã-Bretanha e naAlemanha, como reacção ao culto da razão doIluminismo, um pouco mais tarde em França,nos países do sul e na Escandinávia espalhando-se depois por toda a Europa e Estados Unidos daAmérica. É um estado da sensibilidade europeiaentre finais do séc. XVIII e princípios do séc. XIX.O seu nome deriva de "romance" (história deaventuras medievais), que tiveram uma grandedivulgação no final de setecentos, respondendoao crescente interesse pelo passado gótico e ànostalgia da Idade Média.
  2. 2. Foi originalmente um movimento de factorevolucionário que adoptou as ideias políticase filosóficas elaboradas pelo século dasLuzes: livre expressão da sensibilidade eafirmação dos direitos do indivíduo. Mas oromantismo, para lá da sua oposição àestética clássica, quer revelar a parte dohomem oculta pelas convenções estéticas esociais. O desterrado, Soares dos Reis
  3. 3. Muito variada nas suas manifestações, essencialmente ao nível da literatura e das artes plásticas, esta corrente sustentava-se em alguns pilares, como:*o individualismo – tendência para se libertar de toda a obrigação de solidariedade para pensar só em si; egoísmo;*o subjetivismo – tendência para afirmar a prioridade do subjetivo sobre o objetivo;*a intensidade das emoções- vivência e expressão intensa das emoções, como o amor;*a imaginação- gosto pela evasão no sonho e no imaginário;* o nacionalismo exacerbado- o amor intenso pela pátria…
  4. 4. ArquiteturaO Romantismo, ligado àrecuperação de formas artísticasmedievais, acompanhada pelogosto pelo exótico contido nasculturas orientais, favoreceu orenascer e a mistura de váriosestilos, como o românico, ogótico, o bizantino, o chinês ouo árabe. Foi na Inglaterra que severificaram as primeirasmanifestações da arquitectura Palácio de Westminster onde se reúneromântica. o Parlamento Britânico
  5. 5. Mais tarde, e já no continente, surgiu oneobarroco, que teve grande sucesso emFrança com os trabalhos de Charles Garnier(1825-98), dos quais se destaca a Ópera deParis.Paralelamente ao revivalismo estilístico, aarquitetura do século XIX apresentou umoutro vasto campo de desenvolvimento,proporcionado pelos novos materiais deconstrução surgidos com a industrialização,como o ferro e o vidro. Embora a Inglaterratenha sido pioneira na utilização do ferropara a construção de estruturasarquitetónicas, foi em França que esta O Palácio Nacional da Pena é o expoentetecnologia encontrou uma mais máximo do Romantismosignificativa expressão estética. em Portugal.
  6. 6. Artes Plásticas e Decorativas   A pintura romântica encontrou um meio inteletual e criativo  mais favorável no continente europeu, principalmente em  Espanha, França e na Alemanha.Francisco Goya (1746-1828), pintor espanhol contemporâneo de  David, foi grandemente influenciado por Mengs e por Tiepolo, mas também por autores do período barroco como Velázquez e  Rembrandt. As suas obras mais famosas, como o quadro “Três de Maio de 1808”, foram realizadas entre 1810 e 1815, os anos da  ocupação francesa, e caracterizam-se pelo sentido trágico dos  temas, pelo colorido agressivo e uma luminosidade dramática.
  7. 7. Em  Portugal,  salientaram-se  os  pintores  Tomás da  Anunciação  (1818-1879),  o  paisagista  Cristino da Silva (1829-1877) e Francisco Augusto Metrass (1825-1861),  estudante  em  Roma  com  o  grupo dos Nazarenos e autor de quadros historicistas e naturalistas,  de  entre  os  quais  se  destaca  a pintura  "Só  Deus".
  8. 8. Quanto  à  escultura,  no  contexto português  destacam-se  os trabalhos  de  Soares  dos  Reis (1847-1889),  como  a  estátua "Desterrado“,  e  de  Simões  de Almeida  (1844-1926),  autor  do grupo  escultórico  Génio  da Liberdade,  incluído  no monumento  do  Marquês  de Pombal  em  Lisboa.Desaparecendo  durante  a segunda  metade  do  século  XIX,  o romantismo  inspirou  alguns movimentos  artísticos  do  século seguinte,  como  o  Simbolismo  e  o 
  9. 9. Literatura O  Romantismo  entra  na  Literatura  portuguesa  com  a publicação  dos  poemas  Camões  (1825)  e  D. Branca (1826)  de  Almeida  Garrett.  O  ambiente  político  (lutas  entre  liberais  e absolutistas),  o  exílio  deste,  o  seu  temperamento,  a época  em  que  viveu,  transformaram–no  no  grande romântico  das  Folhas Caídas  e  no  grande  pioneiro  de uma  linguagem  coloquial,  moderna,  de  Viagens naMinha Terra…
  10. 10. Será, contudo, Alexandre Herculano o grandeintérprete do Romantismo, com a poesia de cor histórica marcadamenteactual da Harpa do Crentee com o romance histórico (O Bobo, O Monge de Cister) decorrente na Idade Média, que constituirá o auge deste movimento literário.
  11. 11. A liberdade na arte determina a criação de novas    formas  –  o  drama,  o  poema narrativo,  o  romance  histórico;  na  poesia aparecem  variadíssimas  estruturas estróficas  que  acompanham  o pensamento  com  maleabilidade;  a linguagem,  com  mais  poder  de  Soares dos Passostransmissão,  enriquece  com  uma simbologia  nova  e  com  um  vocabulário mais  sugestivo  e  mais  atual;  afirma-se  o gosto  pelo  exotismo.  Ao  equilíbrio  do Classicismo  opõe-se,  agora,  a  ansiedade da  descoberta  metafísica,  quer  se  perca no  domínio  horizontal  das  afeições humanas  (Garrett),  quer  se  dirija  Antero de Quentalverticalmente  na  busca  de  Deus 
  12. 12. Ao Romantismo interessam os temas grandiosos. Mas,por vezes, essa ânsia de infinito debate-sedolorosamente, dramaticamente, com as suaslimitações humanas, o que dá lugar ao desânimo. Amesma ânsia de liberdade artística projeta-se na buscaansiosa de um mundo melhor, um mundo onde oshomens sintam o domínio da justiça e se encontremcomo irmãos. Todas as circunstâncias que propiciaram anova corrente arrastaram consigo um acentuadopendor para a insegurança, para a inquietação, para odesajustamento que os mergulha, ora num estado demelancolia, ora num estado de revolta .
  13. 13. Daí, portanto, um mundo literário cheio depaixões exaltadas, de traições, demalfeitores, de ambientes terríficos emórbidos, ou um mundo de sonho, vivido nasolidão, em contacto com uma naturezaturbulenta, alvoroçada, sombria, ao pôr dosol, durante a noite, nas estaçõesromânticas (Outono e Inverno), povoada dereceios, de fantasmas, de visõesterríficas, em oposição à naturezaresplandecente dos clássicos, com ninfas efaunos.
  14. 14. Nos românticos, a natureza determinaestados de alma. O "locus amoenus" cedelugar ao "locus horrendus".
  15. 15. O romantismo caracteriza-se, então, pela sua oposição ao classicismo antigo, pagão e meridional. Vai buscar ainspiração aos poemas de Ossion, ao teatro de Shakespeare, aos romances de Richardson. A imaginação é celebrada; a razão substituída pela emoção e pelo sentimento. O espíritoromântico baseia-se na descoberta da subjetividade, o que leva a um florescimento de géneros autobiográficos na primeira metade do séc. XIX. O romântico exalta o culto do eu, analisaas diversas facetas da sua personalidade, cuja unidade procura conquistar. Procurando a evasão no sonho, no exotismo (o Oriente) ou o passado (a Idade Média cristã), exalta o gosto do mistério e do fantástico.. Shakespeare
  16. 16. Não te amo, quero-te: o amor vem daalma. E eu na alma – tenho a calma, A calma – do jazigo. Ai! Não te amo, não.Não te amo, quero-te: o amor é vida. E a vida – nem sentida A trago eu já, comigo. Ai, não te amo, não!Ai! Não te amo, não; e só te quero De um querer bruto e fero Que o sangue me devora, Não chega ao coração. Folhas Caídas, 1853 (excerto)
  17. 17. Características do Romantismo, segundo Jacinto do Prado Coelho (in Dicionário de Literatura):-Confessionalismo e egotismo;- Domínio dos sentimentos e da imaginação;- Nacionalismo;- Interesse pelo tradicional e pelo popular;- Culto do diferente e do exótico;- Gosto pela Idade Média;- Bondade natural do Homem (mito de Rousseau);- Integração do Homem na sociedade e no tempo emque vive e que o determinam;- Espiritualismo cristão;- Temáticas amorosas (mulher-anjo; amor platónico;ciúme; vingança; desespero)- Estilo arrebatado;- Conceção didática da Literatura.
  18. 18. Conclusão   O Romantismo é completamente o oposto da  corrente anterior – o Classicismo. Representa, na literatura e na arte em geral, os anseios da classe burguesa que, na época, estava em ascensão. A literatura, portanto, abandona a  aristocracia para caminhar ao lado do povo, da cultura leiga. Por esse motivo, acaba por ser uma  oposição ao Classicismo. Ao Romantismo, cabe a tarefa de criar uma  linguagem nova, uma nova visão do mundo  identificada com os padrões simples de vida da  classe média e da burguesia. Enquanto o  Classicismo observava a realidade objetiva, exterior, e a reproduzia do mesmo modo, através  de um processo mimético (de imitação), sem  deformar a realidade, o Romantismo deforma a  realidade que, antes de ser exposta, passa pelo  crivo (coador) da ação.
  19. 19. A arte romântica inicia uma nova e importante etapa na literatura, voltada  aos  assuntos  do  seu  tempo  –  efervescência  social  e política, esperança e paixão, luta e revolução — e ao quotidiano do homem  burguês  do  século  XIX;  retrata  uma  nova  atitude  do homem  perante  si  mesmo.  O  interesse  dessa  nova  arte  está voltado para a espontaneidade, os sentimentos e a simplicidade – sendo,  assim,  subjetiva  -,  opondo-se,  desse  modo,  à  arte  clássica que cultivava a razão – realidade objetiva.A arte, para o romântico, não se pode limitar à imitação, mas ser a expressão  direta  da  emoção,  da  intuição,  da  inspiração  e  da espontaneidade  vividas  por  ele  na  hora  da  criação,  anulando,  por assim  dizer,  o  perfecionismo  tão  exaltado  pelos  clássicos.  Não há retoques após a conceção para não comprometer a autenticidade e a qualidade do trabalho. Delacroix

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