Ficha formativa- os maias-3

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Teste sobre Os Maias- episódio do Jantar no Hotel Central- corrigido.

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Ficha formativa- os maias-3

  1. 1. Agrupamento de Escolas de Ribeira de PenaFICHA DE AVALIAÇÃO FORMATIVA- OS MAIAS DE EÇA DE QUEIRÓS151015202530354045Mas nessa noite teve o regozijo de encontrar aliados. Craft não admitia também o naturalismo, arealidade feia das coisas e da sociedade estatelada nua num livro. A arte era uma idealização! Bem:então que mostrasse os tipos superiores duma humanidade aperfeiçoada, as formas mais belas doviver e do sentir... Ega horrorizado apertava as mãos na cabeça - quando do outro lado Carlosdeclarou que o mais intolerável no realismo eram os seus grandes ares científicos, a sua pretensiosaestética deduzida duma filosofia alheia, e a invocação de Claude Bernard, do experimentalismo, dopositivismo, de Stuart Mil e de Darwin, a propósito duma lavadeira que dorme com um carpinteiro!Assim atacado, entre dois fogos, Ega trovejou: justamente o fraco do realismo estava em serainda pouco científico, inventar enredos, criar dramas, abandonar-se à fantasia literária! a forma purada arte naturalista devia ser a monografia, o estudo seco dum tipo, dum vício, duma paixão, tal qualcomo se se tratasse dum caso patológico, sem pitoresco e sem estilo!...- Isso é absurdo, dizia Carlos, os caracteres só se podem manifestar pela acção...- E a obra de arte, acrescentou Craft, vive apenas pela forma...Alencar interrompeu-os, exclamando que não eram necessárias tantas filosofias.- Vocês estão gastando cera com ruins defuntos, filhos. O realismo critica-se deste modo: mão nonariz! Eu quando vejo um desses livros, enfrasco-me logo em água-de-colónia. Não discutamos oexcremento.- Sole normande? perguntou-lhe o criado, adiantando a travessa.Ega ía fulminá-lo. Mas, vendo que o Cohen dava um sorriso enfastiado e superior a estascontrovérsias de literaturas, calou-se; ocupou-se só dele, quis saber que tal ele achava aquele St.Emilion; e, quando o viu confortavelmente servido de sole normande, lançou com grande alarde deinteresse esta pergunta:- Então, Cohen, diga-nos você, conte-nos cá... O empréstimo faz-se ou não se faz?E acirrou a curiosidade, dizendo para os lados, que aquela questão do empréstimo era grave.Uma operação tremenda, um verdadeiro episódio histórico!...O Cohen colocou uma pitada de sal à beira do prato, e respondeu, com autoridade, que oempréstimo tinha de se realizar absolutamente. Os emprestamos em Portugal constituíam hoje umadas fontes de receita, tão regular, tão indispensável, tão sabida como o imposto. A única ocupaçãomesmo dos ministérios era esta - cobrar o imposto e fazer o empréstimo. E assim se havia decontinuar...Carlos não entendia de finanças: mas parecia-lhe que, desse modo, o país ia alegremente elindamente para a bancarrota.- Num galopezinho muito seguro e muito a direito, disse o Cohen, sorrindo. Ah, sobre isso,ninguém tem ilusões, meu caro senhor. Nem os próprios ministros da fazenda!... A bancarrota éinevitável: é como quem faz uma soma...Ega mostrou-se impressionado. Olha que brincadeira, hem! E todos escutavam o Cohen. Ega,depois de lhe encher o cálice de novo, fincara os cotovelos na mesa para lhe beber melhor aspalavras.- A bancarrota é tão certa, as coisas estão tão dispostas para ela - continuava o Cohen - que seriamesmo fácil a qualquer, em dois ou três anos, fazer falir o país...Ega gritou sofregamente pela receita. Simplesmente isto: manter uma agitação revolucionáriaconstante; nas vésperas de se lançarem os empréstimos haver duzentos maganões decididos quecaíssem à pancada na municipal e quebrassem os candeeiros com vivas à República; telegrafar istoem letras bem gordas para os jornais de Paris, Londres e do Rio de Janeiro; assustar os mercados,assustar o brasileiro, e a bancarrota estalava. Somente, como ele disse, isto não convinha a ninguém.(Cap. VI)1. Identifica o episódio a que pertence este excerto, inserindo-o numa das intrigas de Os Maias.1.1.Comenta a sua importância para o desenvolvimento da narrativa.
  2. 2. 2. Diferentes visões da corrente literária “Naturalismo” são expostas neste excerto.2.1.Enuncia as principais diferenças das perspetivas apresentadas.3. “Ega ia fulminá-lo.” (l. 19).3.1.Indica o alvo da fúria de Ega e os motivos que a justificam.3.2.Explicita os motivos que o levam a desistir das suas intenções.4. Expõe sucintamente a situação financeira do país.5. Comenta as diferentes posturas- de Carlos e de Cohen- em relação à situação económica dePortugal.6. “Olha que brincadeira, hem!” (l. 36).6.1. Avança uma interpretação para esta exclamação de Ega.7. Indica três marcas do estilo queirosiano, ilustrando-as com segmentos textuais.8. Na frase “…estatelada nua num livro” (l. 2) o termo sublinhado pode ser substituído por…a) discreta.b) disfarçada.c) exposta.d) aliviada.9. Na frase “…Cohen dava um sorriso enfastiado…” (l. 19), o significado do termo sublinhado opõe-sea…a) exagerado.b) aborrecido.c) deselegante.d) satisfeito.BOM TRABALHO!!!!A PROFESSORA: Lucinda CunhaPROPOSTA DE CORREÇÃO( ficha e respostas retiradas do manual “Outros Percursos 11º ano” da Asa,cad. de atividades- adap. nas questões 7 e 9):1. O excerto faz parte do episódio do jantar no Hotel Central que é um pretexto para homenagearCohen e apresentar Carlos à sociedade lisboeta. É também apresentada uma perspetiva crítica dealguns problemas e Carlos da Maia vê Eduarda pela primeira vez.1.1.Carlos interessa-se pela “deusa” que viu no hall do Hotel, de quem é irmão, com quem virá a ter umromance, o que porá a nu a temática do incesto.2.1. Para Craft, a arte deveria ser uma idealização, o que não se verificava no Naturalismo, já que estacorrente literária “estatelava” num livro “a realidade feia da sociedade”. A Carlos o que mais lhedesagradava eram “os grandes ares científicos” do realismo, bem como as suas bases filosóficas. ParaAlencar, o realismo fedia. Ega, o grande defensor desta corrente literária, argumentava sozinho que orealismo era ainda pouco científico, uma vez que ainda cedia à estética. Segundo ele, “a forma pura daarte naturalista devia ser a monografia, o estudo seco dum tipo, dum vício, duma paixão, tal qual comose se tratasse dum caso patológico, sem pitoresco e sem estilo!”3.1. O alvo da fúria de Ega era o criado, pois vinha interromper a discussão, trazendo uma novatravessa de “sole normande”.3.2. Ega pretendia também homenagear Cohen e como lhe pareceu que este estava um pouco entediadocom a discussão literária, achou preferível dar-lhe um pouco de atenção.4. O país caminhava para a bancarrota. Em Portugal vivia-se de empréstimo e da cobrança de impostos.5. As posturas são opostas: enquanto Cohen pensa que é inevitável- e natural- a bancarrota, Carlos achaque pedir empréstimos é uma atitude inconsciente.
  3. 3. 6.1. Esta exclamação de Ega pretenderá mostrar a sua indignação perante a atual situação económica dopaís e a total falta de empenho dos homens das finanças para a mudar.7. Marcas do estilo queirosiano (entre outras):-adjetivação (“Os emprestamos em Portugal constituíam hoje uma das fontes de receita, tão regular, tãoindispensável, tão sabida como o imposto.” –ll.27-28)- este exemplo serve, também, para ilustrar asrepetições, tão próprias do estilo de Eça;-utilização expressiva do advérbio : “tinha de se realizar absolutamente” (l.27); “o país ia alegremente elindamente para a bancarrota.“ (ll. 31-32);-estrangeirismos que marcam a época: “Sole normande” (l. 21);- verbos expressivos: “Ega trovejou” (l. 8); “para lhe beber melhor as palavras.“ (ll. 37-38;- discurso indireto livre como manifestação da focalização interna: “A arte era uma idealização! Bem:então que mostrasse os tipos superiores duma humanidade aperfeiçoada, as formas mais belas do viver edo sentir...” (ll. 2-4);-a ironia/ o sarcasmo: “O realismo critica-se deste modo: mão no nariz! Eu quando vejo um desseslivros, enfrasco-me logo em água-de-colónia. Não discutamos o excremento.“ (l. 15-17);- o uso do diminutivo: “Num galopezinho muito seguro e muito a direito” (l. 33)8. c)9. b)

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