Opec 4 Pesce

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Opec 4 Pesce

  1. 1. As contradições da institucionalização da educação a distância, pelo Estado, nas políticas de formação de educadores: resistência e superação. LUCILA PESCE Revista Histedbr online, n. 26, jun. 2007, p.183-208 2007
  2. 2. EAD na reforma educacional <ul><li>Institucionalidade da EAD pelo Estado: políticas educacionais (LDBEN 9394/96 e Pareceres CNE/CP 09/2001 e 05/2005). </li></ul><ul><li>EAD como estratégia da reforma educacional: redução de custos </li></ul><ul><li>Caráter instrumental da EAD na formação de educadores: </li></ul><ul><ul><li>Eficiência, eficácia, produtividade </li></ul></ul><ul><ul><li>Cognitivismo, operacionalidade técnica </li></ul></ul><ul><ul><li>Adaptação instrumental, caráter prescritivo das estratégias metodológicas de ensino </li></ul></ul>
  3. 3. EAD na reforma educacional <ul><li>Pragmatismo na formação de educadores: </li></ul><ul><ul><li>Atendimento massivo </li></ul></ul><ul><ul><li>Competência da prática educativa sob ótica internalista </li></ul></ul><ul><ul><li>Tutores e multiplicadores: retomada da formação em cadeia (década de 70) </li></ul></ul><ul><li>Caráter instrumental da racionalidade pragmática </li></ul><ul><ul><li>Melhoria da prática profissional, conforme aos determinantes contextuais </li></ul></ul><ul><ul><li>Reflexão sobre o cotidiano profissional (como docente, formador de educador ou gestor educacional) </li></ul></ul>
  4. 4. Indústria cultural, semiformação e formação de educadores: um diálogo preliminar <ul><li>Teoria Crítica – Adorno e Horkheimer </li></ul><ul><li>Difusão da produção simbólica : predomínio da razão instrumental (adaptação e conformismo) </li></ul><ul><li>Consciência coisificada </li></ul><ul><li> Fecundidade da Teoria Crítica – olhar ampliado sobre EAD e formação continuada de educadores </li></ul><ul><ul><ul><li>nem rejeição neófita – exorcizá-la como terror </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>nem entusiasmo neófilo – entronizá-la como panacéia </li></ul></ul></ul>
  5. 5. Indústria cultural, semiformação e formação de educadores: um diálogo preliminar <ul><li>Ilusão – emancipação coletiva </li></ul><ul><li>letramento digital </li></ul><ul><li>democratização do acesso à informação </li></ul><ul><li>construção compartilhada de conhecimento </li></ul><ul><li>Com que políticas de formação ? </li></ul>Ilusão : massificação da cultura gera emancipação coletiva EAD na formação de educadores Indústria cultural
  6. 6. Indústria cultural, semiformação e formação de educadores: um diálogo preliminar <ul><li>Formação para adaptação – reflexões didático-metodológicas </li></ul><ul><li>documentos legais : PCN, RCN, DCN </li></ul><ul><li>avaliações externas : SAEB, ENEM, ENADE </li></ul><ul><li>Mídia digital e integração social , a depender da qualidade das interações </li></ul>Adaptação das massas Perversamente anunciada como fator de integração social EAD na formação de educadores Indústria cultural
  7. 7. Indústria cultural, semiformação e formação de educadores: um diálogo preliminar Professor reflexivo: perspectiva internalista Cognitivismo : pedagogia das competências + didático-metodológicos – fundamentos Ausência de reflexão crítica Submissão EAD na formação de educadores Indústria cultural
  8. 8. Indústria cultural, semiformação e formação de educadores: um diálogo preliminar <ul><li>Reforma educacional – interesses mercadológicos </li></ul><ul><li>Estado e agências multilaterais – pragmatismo dos programas </li></ul><ul><li>Pseudo-atendimento às singularidades dos educadores em formação </li></ul><ul><li>Em tese : recursos interativos e atendimento capilar </li></ul><ul><li>Na prática : desenho de formação economicamente viável (muitos educadores e poucos formadores / reflexos negativos às situações interlocutivas) </li></ul>Em prol do capital Reprodução da pseudo-individuação dos integrantes da massa EAD na formação de educadores Indústria cultural
  9. 9. Indústria cultural, semiformação e formação de educadores: um diálogo preliminar Estratégias motivacionais : HQ, sons, músicas, imagens, animações, personagens, avatares... Bons recursos, se inseridos em proposta atenta às demandas dos educadores Educação para a competitividade Desenho didático economicamente convidativo Diversão alienante Mercantilização da cultura EAD na formação de educadores Indústria cultural
  10. 10. Indústria cultural, semiformação e formação de educadores: um diálogo preliminar Formação pragmática : pedagogia das competências (cognitivismo) X Formação emancipadora : questões sociais mais amplas, para além do âmbito de ação imediata dos educadores Difusão da produção simbólica e predomínio da razão instrumental EAD na formação de educadores Semiformação
  11. 11. Indústria cultural, semiformação e formação de educadores: um diálogo preliminar <ul><li>Inobservância da historicidade dos educadores </li></ul><ul><li>Decorrências para formadores e formandos </li></ul><ul><li>interagem a partir de um script de autoria alheia </li></ul><ul><li>sem autonomia sobre a seleção de conteúdos e o tempo de interação </li></ul><ul><li>Não há tempo a perder – tempo (programas X educadores) </li></ul>Consciência coisificada Ilusão do eterno presente EAD na formação de educadores Semiformação
  12. 12. Bakhtin / Habermas / Freire – um intertexto <ul><li>No intertexto, a fundamentação da proposta de formação dialógica de educadores </li></ul>Dialogia bakhtiniana Interação dialógica freireana Agir comunicativo habermasiano
  13. 13. Análise Intrínsecas Extrínsecas Mudanças Kairológico Cronológico Tempo Periféricas Centrais Demandas Perspectiva dialógica (Mundo da vida) Perspectiva sistêmica (Sistema) Categorias de análise dialetizadas
  14. 14. Análise - Demandas <ul><ul><li>Hegemonia das demandas centrais – desdobramentos </li></ul></ul><ul><ul><li>Dimensão mercadológica – elevação dos patamares educacionais brasileiros no cenário mundial / preparação para o mercado de trabalho (empregabilidade) </li></ul></ul><ul><ul><li>Educação a serviço da competitividade – eficiência e viabilidade econômica (inserção dependente do Brasil no cenário mundial) </li></ul></ul><ul><ul><li>Colonização do mundo da vida dos educadores </li></ul></ul>
  15. 15. Análise - Tempo <ul><li>Hegemonia da dimensão cronológica - desdobramentos </li></ul><ul><li>Fugacidade dos tempos, das relações de trabalho, das relações interpessoais, dos momentos reflexivos </li></ul><ul><li>O frenesi contemporâneo banaliza os espaços sociais nos quais nos constituímos como sujeitos históricos e provoca relacionamentos planificados / aligeirados </li></ul><ul><li>A sociedade do capitalismo tardio se organiza nesse torpor </li></ul><ul><li>O tempo frenético estende seus tentáculos para os programas de formação continuada de educadores </li></ul><ul><li>Tempo vivencial dos educadores solapado – ativismo e consciência coisificada </li></ul>
  16. 16. Análise - Mudanças <ul><li>Hegemonia das mudanças extrínsecas - desdobramentos </li></ul><ul><ul><li>Consciência coisificada dos educadores </li></ul></ul><ul><ul><li>Colonização sistêmica do mundo da vida dos educadores </li></ul></ul><ul><ul><li>Ações estratégico-instrumentais – sociabilidade e produtividade / sobrevivência do capital </li></ul></ul>
  17. 17. Conclusões provisórias <ul><li>EAD na formação de educadores: perspectiva sistêmica – predomínio: </li></ul><ul><ul><li>das demandas centrais sobre as periféricas </li></ul></ul><ul><ul><li>do tempo cronológico sobre o kairológico </li></ul></ul><ul><ul><li>das mudanças extrínsecas sobre as intrínsecas </li></ul></ul><ul><li>O atendimento às demandas centrais, em tempo cronológico tende a gerar mudanças extrínsecas aos educadores – consciência coisificada </li></ul><ul><li>O atendimento às demandas periféricas, em tempo kairológico pode vir a gerar mudanças intrínsecas aos educadores – hominização </li></ul>
  18. 18. Conclusões provisórias <ul><li>EAD na formação de educadores </li></ul><ul><ul><li>País com dimensões continentais </li></ul></ul><ul><ul><li>Grande contingente de educadores </li></ul></ul><ul><ul><li>Múltiplas carências na formação </li></ul></ul><ul><li>EAD – não refutar, mas ampliar a compreensão crítica </li></ul><ul><ul><li>Distância geográfica e não simbólica </li></ul></ul><ul><ul><li>Distância temporal (atividades assíncronas) e não descompasso entre as temporalidades cronológica e kairológica </li></ul></ul>
  19. 19. Formação de educadores – uma perspectiva dialógica <ul><li>Caráter relacional </li></ul><ul><li>Para a perspectiva culturalista </li></ul><ul><li>Fundamentos da educação </li></ul><ul><li>Pólo ontológico </li></ul><ul><li>À emancipação </li></ul><ul><li>Aproximação dos sujeitos sociais </li></ul><ul><li>À atenção às demandas periféricas </li></ul><ul><li>À atenção ao tempo kairológico </li></ul><ul><li>Às mudanças intrínsecas </li></ul><ul><li>Caráter impositivo </li></ul><ul><li>Da perspectiva funcionalista </li></ul><ul><li>Pragmatismo </li></ul><ul><li>Pólo epistemológico </li></ul><ul><li>Da conformidade </li></ul><ul><li>Relacionamentos e processos aligeirados , planificados </li></ul><ul><li>Da hegemonia das demandas centrais </li></ul><ul><li>Da hegemonia do tempo cronológico </li></ul><ul><li>Das mudanças intrínsecas </li></ul>Para a dialogia Da monologia Profissionalidade docente
  20. 20. Formação de educadores – uma perspectiva dialógica <ul><li>Profissionalidade docente </li></ul><ul><li>Relação dialética entre TIC e educação : coisificação e humanização. </li></ul><ul><li>Linguagem como prática social : fecundidade da perspectiva dialógica, para a formação emancipadora dos educadores. </li></ul><ul><li>Do senso comum à consciência fundamentada (história, sociologia, filosofia...). </li></ul><ul><li>Atenção ao mundo da vida dos educadores, pelo exercício da interação dialógica freireana, da dialogia bakhtiniana e da razão comunicativa habermasiana. </li></ul>
  21. 21. Formação de educadores – uma perspectiva dialógica <ul><li>Profissionalidade docente </li></ul><ul><li>Na acepção habermasiana : </li></ul><ul><ul><li>Recusa do agir estratégico : pautado na lógica instrumental e voltado aos fins de controle e dominação. </li></ul></ul><ul><ul><li>Busca do agir comunicativo : materialidade histórica do cotidiano, mundo da vida dos educadores, entendimento mútuo entre formando e formadores, formação emancipadora. </li></ul></ul><ul><ul><li>Descolonização do mundo da vida dos educadores pelo sistema: relação dialógica – argumento livre de coação. </li></ul></ul><ul><li>Formação docente com acento no movimento metodológico freireano : investigação temática, tematização e problematização. </li></ul>
  22. 22. Formação de educadores – uma perspectiva dialógica <ul><li>INVESTIGAÇÃO TEMÁTICA </li></ul><ul><li>Alteridade : </li></ul><ul><ul><li>autonomia das escolas, na formação de seus educadores </li></ul></ul><ul><ul><li>descentralização no que há de mais substantivo e não restrita à racionalização de recursos </li></ul></ul><ul><li>Formação de educadores despida do caráter instrumental : </li></ul><ul><ul><li>operacionalidade técnica da racionalidade travestida de cognitivismo </li></ul></ul><ul><ul><li>eficiência, eficácia e produtividade travestidas de desenvolvimento de competências e habilidades </li></ul></ul><ul><ul><li>adaptação instrumental revelada no caráter prescritivo das estratégias metodológicas de ensino </li></ul></ul><ul><li>Recusa ao atendimento massivo : programas economicamente viáveis; descompromisso com a emancipação </li></ul>
  23. 23. Formação de educadores – uma perspectiva dialógica <ul><li>TEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO </li></ul><ul><li>Temas geradores : concretude histórica x agências multilaterais </li></ul><ul><li>Desenho didático atento ao mundo da vida do educador: </li></ul><ul><ul><li>especificidades : interior (zonas urbana e rural); litoral e capital (centro e periferia). </li></ul></ul><ul><ul><li>superação da formação em cadeia (anos 70), que cinde conceptores e formadores (tutores, multiplicadores...). </li></ul></ul><ul><ul><li>interação , a partir de um script de autoria dos formandos e formadores; </li></ul></ul><ul><ul><li>autonomia sobre o tempo de interação; </li></ul></ul><ul><ul><li>co-partícipes do conteúdo de formação. </li></ul></ul>
  24. 24. Formação de educadores – uma perspectiva dialógica <ul><li>PROBLEMATIZAÇÃO </li></ul><ul><li>Recusa ao pragmatismo imperante (acento nas questões metodológicas): conteúdos de formação como instrumentos de conscientização e emancipação. </li></ul><ul><li>Relevância dos fundamentos : foco nas questões sociais mais amplas, para além do âmbito de ação imediata dos educadores. </li></ul><ul><li>Formação do educador como leitor crítico : atenção aos determinantes históricos e sociais (circunstâncias singulares, particulares e universais) </li></ul><ul><li>Formação de educadores como prática social : leitura de mundo e empoderamento / compromisso com a transformação social </li></ul>
  25. 25. Perspectiva dialógica – algumas proposições <ul><li>DEMANDAS CENTRAIS E PERIFÉRICAS </li></ul><ul><li>Avaliação do perfil do educadores: desenho didático que ecoe na constituição da sua identidade . </li></ul><ul><li>Não assumir como natural, a atitude de replicar o material didático , nas várias edições do programa de formação. </li></ul>
  26. 26. Perspectiva dialógica – algumas proposições <ul><li>TEMPO CRONOLÓGICO E KAIROLÓGICO </li></ul><ul><li>Programas com certificação superior: manter o tempo original da graduação . </li></ul><ul><li>Demais programas: respeito ao tempo vivencial dos educadores. </li></ul>
  27. 27. Perspectiva dialógica – algumas proposições <ul><li>MUDANÇAS EXTRÍNSECAS E INTRÍNSECAS </li></ul><ul><li>Desenho de formação docente : respeito às condições históricas dos educadores em formação, sem se restringir a elas. </li></ul><ul><li>Recursos humanos altamente qualificados nas capilaridades : formadores aptos a problematizar , a partir da tematização teoricamente consistente e advinda da investigação temática . </li></ul>
  28. 28. Perspectiva dialógica – algumas proposições <ul><li>Outro patamar de remuneração </li></ul><ul><li>Rigorosa política de seleção de formadores </li></ul><ul><li>Formação e pesquisa: </li></ul><ul><ul><ul><li>Levantamento de pesquisadores interessados em participar de programas de formação. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Articulação com as agências de fomento . EAD como estratégia cara (à semelhança do que ocorre nos países centrais). </li></ul></ul></ul><ul><li>Recusa à EAD como estratégia para diminuir custos e reduzir o papel do Estado como financiador da educação (recomendação dos organismos internacionais aos países periféricos). </li></ul>
  29. 29. As amplas e irritadas reações a novos programas de ensino, com efeitos inesperadamente perturbadores, tornam consciente o fato de que não é possível produzir uma legitimidade cultural pela via administrativa . Jürgen Habermas In: Pensamento pós-metafísico: estudos filosóficos. Trad. F. B. Siebenichler. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1990. p. 102. © Lucila Pesce, 2007 [email_address] As c ontradições da institucionalização da EAD pelo Estado, nas políticas de formação continuada dos educadores

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