Entrevista

26.740 visualizações

Publicada em

Publicada em: Educação, Tecnologia, Negócios

Entrevista

  1. 1. ENTREVISTA Profa. Dra. Lucila Pesce Profa. Dra. Sonia Ignácio Metodologia de Pesquisa
  2. 2. Observações gerais <ul><li>A entrevista aumenta sensivelmente a taxa de resposta, em relação ao questionário. </li></ul><ul><li>Entrevista (entre + vista) = ato de perceber realizado entre duas pessoas. </li></ul><ul><li>Questionários e entrevistas como técnicas de observação direta. </li></ul><ul><li>Questionários e entrevistas são valiosos instrumentos de coleta, mas não um fim em si mesmos. </li></ul>
  3. 3. Observações gerais <ul><li>Ao formular as perguntas, deve-se observar se não está dirigindo o entrevistado (ex: o senhor não acha que...?). </li></ul><ul><li>Enquanto pesquisador, ter ciência de que sua ideologia permeia a pesquisa social. </li></ul><ul><li>Em ciências humanas, não existe objeto de pesquisa; pesquisador e pesquisado são sujeitos de um processo em desenvolvimento. </li></ul>
  4. 4. É na realização de Entrevistas que se situa o fazer História Oral <ul><li>Elaboração dos roteiros das entrevistas </li></ul><ul><li>Produção de instrumentos de controle e de acompanhamento </li></ul><ul><li>Carta de cessão de direitos dos depoimentos </li></ul><ul><li>Especificidade da relação que se estabelece com o Entrevistado </li></ul>
  5. 5. Pesquisando o objeto de estudo <ul><li>Investigação exaustiva do objeto de estudo, em fontes primárias e secundárias (sempre que possível), para posterior planejamento e execução das entrevistas </li></ul>
  6. 6. Tipologia <ul><li>Estruturada ou dirigida: </li></ul><ul><ul><li>Permite um grau mínimo de liberdade e aprofundamento. </li></ul></ul><ul><ul><li>Formulada a partir de perguntas precisas, pré-formuladas, com ordem pré-estabelecida. </li></ul></ul><ul><ul><li>Sua padronização facilita o tratamento de dados. </li></ul></ul>
  7. 7. Tipologia <ul><li>Semi-estruturada ou guiada: </li></ul><ul><ul><li>Permite um grau médio de liberdade e aprofundamento. </li></ul></ul><ul><ul><li>Assim como na entrevista não dirigida, o objetivo é obter relatos nas próprias palavras do entrevistado. </li></ul></ul><ul><ul><li>Formulada a partir de um guia de temas, sem pré-formular questões e sem pré-estabelecer a ordem delas. </li></ul></ul><ul><ul><li>O entrevistador conhece previamente os aspectos que deseja pesquisar e formula alguns pontos a tratar (o guia da entrevista). </li></ul></ul>
  8. 8. Tipologia <ul><li>Semi-estruturada ou guiada: </li></ul><ul><ul><li>Ao formular o guia, colocar-se no papel do entrevistado, sobretudo se for arrolado algum tema delicado (ex: preconceito). </li></ul></ul><ul><ul><li>Se necessário, o guia pode conter lembretes vinculados a uma dada questão. (ex: que trabalho a senhora faz? Lembretes – conceito de trabalho, tipos de trabalho, diferenças entre trabalho do homem e da mulher, conflitos pessoais). </li></ul></ul><ul><ul><li>O objetivo do guia e dos lembretes é proporcionar ao pesquisador uma lista de aspectos que devem ser enfocados na entrevista. </li></ul></ul>
  9. 9. Tipologia <ul><li>Não estruturada ou não diretiva: </li></ul><ul><ul><li>Também chamada de entrevista em profundidade. </li></ul></ul><ul><ul><li>Tem um caráter exploratório. </li></ul></ul><ul><ul><li>Assim como na entrevista guiada, o objetivo é obter relatos nas próprias palavras do entrevistado. </li></ul></ul><ul><ul><li>Utilizada quando se quer obter do entrevistado e que ele considera mais relevante de determinado problema, ou, ainda, para detectar atitudes, motivações e opiniões dos entrevistados. </li></ul></ul>
  10. 10. Tipologia <ul><li>Não estruturada ou não diretiva: </li></ul><ul><ul><li>Permite um grau máximo de liberdade e aprofundamento. Todavia, o tratamento de dados é mais complexo que nas modalidades acima. </li></ul></ul><ul><ul><li>Não há um guia; ao contrário, o entrevistador apenas orienta e estimula o entrevistado, para que ele desenvolva suas opiniões da maneira que estimar conveniente. </li></ul></ul><ul><ul><li>A entrevista não estruturada pode ser de pesquisa, de seleção ou de aconselhamento. </li></ul></ul>
  11. 11. Tipologia <ul><li>Não estruturada ou não diretiva: </li></ul><ul><ul><li>No caso de entrevista de pesquisa, os objetivos são: a) obter informações do entrevistado (de fato que conheça ou do seu comportamento); b) conhecer a opinião do entrevistado, explorar suas atividades e motivações; c) mudar opiniões ou atitudes, modificar comportamentos (ex: criança difícil). </li></ul></ul><ul><ul><li>Princípios: a) não dirigir o entrevistado, apenas guiá-lo; b) levar o entrevistado a precisar, desenvolver e aprofundar os pontos que coloca espontaneamente; c) facilitar o processo da entrevista (para manter o foco, retornar às colocações feitas pelo entrevistado); d) esclarecer a importância do problema para o entrevistador. </li></ul></ul>
  12. 12. Roteiros das entrevistas <ul><li>Roteiro geral para: </li></ul><ul><li>1) sintetizar as questões levantadas a partir da pesquisa em fontes primárias e secundárias; </li></ul><ul><li>2) orientar as atividades subseqüentes </li></ul>
  13. 13. Roteiros das entrevistas <ul><li>Roteiro individual : instrumento de consulta e de apoio durante a entrevista. </li></ul><ul><li>Roteiro parcial : desdobramento do roteiro individual, é elaborado a partir das entrevistas efetuadas </li></ul>
  14. 14. Preparação de uma Entrevista <ul><li>Seleção do entrevistado </li></ul><ul><li>Escolha do(s) pesquisador(es) </li></ul><ul><li>Contato inicial: relevância do depoimento para a pesquisa; franqueza na descrição dos propósitos do trabalho e na condução da entrevista; respeito pelo entrevistado e por suas posições </li></ul><ul><li>Cessão de direitos da entrevista (esclarecer a necessidade desse contrato, que será selado ao final do conjunto de entrevistas) </li></ul>
  15. 15. Realização da entrevista <ul><li>A relação de entrevista (códigos e padrões de conduta específicos; interesse comum pelo tema; criação de um clima de confiança e diálogo; escutar e intervir apropriadamente; singularidade de cada entrevista) </li></ul>
  16. 16. Realização da entrevista <ul><li>As circunstâncias da entrevista: o local da entrevista (decisão conjunta, conforto e funcionalidade, evitar a dispersão); a duração (respeitar os limites do entrevistado, especialmente; avaliação do momento apropriado para encerrar uma sessão); apresentação física do entrevistador (deve adequar-se à realidade e ambientação do entrevistado); outras pessoas presentes à entrevista (não é adequado); o gravador (é meio e não fim). </li></ul>
  17. 17. INSTRUMENTOS DE ACOMPANHAMENTO DA ENTREVISTA <ul><li>Ficha da entrevista (instrumento de controle geral da pesquisa, inicia-se na preparação da mesma, devendo ser atualizada e arquivada em ordem alfabética). Deve conter: nome/endereço do entrevistado, tipo de entrevista, nomes dos pesquisadores e entrevistadores (ver p. 67) </li></ul><ul><li>Caderno de campo (deve ser elaborado pelo entrevistador, ao final de cada sessão de entrevista). Deve conter: observações sobre o entrevistado, a relação estabelecida, reações diversas, dificuldades, etc. </li></ul>
  18. 18. Etapas <ul><li>Introdução: </li></ul><ul><ul><li>Explicações e solicitações (o que se pretende e por que se está fazendo a entrevista). </li></ul></ul><ul><ul><li>Explicar o objetivo da entrevista. </li></ul></ul><ul><ul><li>Assegurar o anonimato e o sigilo das respostas. </li></ul></ul><ul><ul><li>Explicitar que as opiniões e experiências do entrevistado são relevantes. </li></ul></ul><ul><ul><li>Deixar o entrevistado livre para interromper, a qualquer momento. </li></ul></ul><ul><ul><li>Antes de gravar, solicitar autorização. </li></ul></ul>
  19. 19. Etapas <ul><li>Início: </li></ul><ul><ul><li>Utilizado para conhecer as características sociodemográficas. </li></ul></ul><ul><ul><li>Pode ser apresentado em folha. </li></ul></ul><ul><ul><li>Dados usuais (avaliá-los, de acordo com a problemática de pesquisa): a) nome do entrevistado e no. da entrevista; b) data; c) lugar; d) sexo do entrevistado; e) idade; f) nível de escolaridade; g) endereço; h) naturalidade; i) ocupação (no caso de estar trabalhando). </li></ul></ul>
  20. 20. Etapas <ul><li>Transcrição: </li></ul><ul><ul><li>A entrevista deve ser transcrita e analisada. </li></ul></ul><ul><ul><li>Em geral, se gasta para transcrever o dobro do tempo da entrevista. </li></ul></ul><ul><ul><li>Em entrevistas não diretivas, não mais que 20, pela complexidade da análise. </li></ul></ul>
  21. 21. Condução da entrevista <ul><li>Melhor em dupla ( divisão das tarefas de condução da entrevista e controle técnico); </li></ul><ul><li>No máximo três (mais do que isso vira debate). </li></ul>
  22. 22. Condução da entrevista <ul><li>Atitude dos pesquisadores (baseada na ética e respeito ao entrevistado): </li></ul><ul><li>conversa (diálogo informal e prolongado); </li></ul><ul><li>informar o depoente (sobre: a carta de cessão, os objetivos e destino da entrevista; </li></ul><ul><li>desligar o gravador sempre que solicitado; </li></ul><ul><li>atender a eventuais solicitações do entrevistado. </li></ul>
  23. 23. Condução da entrevista <ul><li>PRESTAR ATENÇÃO permanente, OLHANDO para o entrevistado, EXPRESSANDO o acompanhamento e compreensão do relato. </li></ul><ul><li>Conduzir a entrevista com CALMA e TRANQUILIDADE, evitando expressar impaciência ou ansiedade para encerrar o depoimento, cobrir os pontos do roteiro, ou questionar o que está sendo dito. </li></ul><ul><li>Aprender a conviver com os SILÊNCIOS, aguardando que o entrevistado recomponha sua narrativa. </li></ul>
  24. 24. Dicas <ul><li>Crie um clima de cordialidade com o entrevistado. </li></ul><ul><li>Ajude-o a adquirir confiança. </li></ul><ul><li>Não apresse o entrevistado e permita que ele conclua seu relato (cuidado para não atropelá-lo), evitando autoritarismo ou ser o protagonista. </li></ul><ul><li>Formule perguntas compreensíveis, evitando as de caráter pessoal, ou privado. </li></ul><ul><li>Não discuta a partir das conseqüências das respostas, não dê conselhos, não faça considerações moralistas. </li></ul>
  25. 25. Referências bibliográficas <ul><li>ALBERTI, Verena. História Oral: a experiência do CPDOC. Rio de Janeiro: Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, 1989, p. 45-100. </li></ul><ul><li>LAVILLE, C. & DIONNE, J. Entrevistas. In: ______. A construção do saber : manual de metodologia de pesquisa em ciências humanas. Porto Alegre: Artmed, 1999. pp. 186-190. </li></ul><ul><li>RICHARDSON, R. J. Entrevista. In: ______. Pesquisa social: métodos e técnicas. 3ª ed. ver. ampl. São Paulo: Editora Atlas, 1999. pp. 207-219. </li></ul>

×