Dialética

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Dialética

  1. 1. A Dialética Lucila Pesce
  2. 2. Histórico <ul><li>Pré-socráticos e socráticos: Sócrates, Platão e Aristóteles </li></ul><ul><li>Estóicos: Plotino e Sto. Agostinho </li></ul><ul><li>Idade Média e Moderna: Descartes e Kant </li></ul><ul><li>Nova dialética: lógica da contradição em Hegel (base idealista) e Marx (base materialista). </li></ul>
  3. 3. Enfoques <ul><li>Epistemológico: dialética enquanto método científico. </li></ul><ul><li>Ontológico: dialética conjunto de leis ou princípios que governam uma ou a totalidade da realidade. </li></ul><ul><li>Relacional: o movimento da história. </li></ul>
  4. 4. Em Hegel <ul><li>Plano das idéias – essência do fenômeno na análise de suas contradições (tese – antítese – síntese) </li></ul><ul><li>Dialética como razão e como processo – compreensão dos contrários em sua unidade ou do positivo no negativo. </li></ul>
  5. 5. Em Marx e Engels <ul><li>Materialismo histórico : ciência filosófica do marxismo que estuda as leis sociológicas que caracterizam a vida e a sociedade, sua evolução histórica e a prática social dos homens, no desenvolvimento da humanidade. </li></ul><ul><li>Conhecimento e teoria do conhecimento como expressões históricas. </li></ul>
  6. 6. Em Marx e Engels <ul><li>Relevam a análise das contradições para se chegar à essência do fenômeno, mas a partir da sua materialidade histórica. As contradições são a chave para se compreender a essência do fenômeno. </li></ul><ul><li>A consciência humana ergue-se em meio à sua materialidade histórica. </li></ul>
  7. 7. Em Marx e Engels <ul><li>A dialética marxista não está reduzida à lógica, nem a um método de investigação. Ela é uma postura ontológica e epistemológica, um método e uma práxis. </li></ul>
  8. 8. Em Marx e Engels <ul><li>Como permanência, o devir. O conhecimento é sempre relativo, pois se constitui em parte de um todo em movimento (o em si ). “A forma de ser dos seres e dos fenômenos é estar sempre em mudança, portanto, de já ter sido o que foram, de estarem sendo o que são e de estarem produzindo o que serão” (SANFELICE, 2005, p. 89). </li></ul>
  9. 9. Princípios <ul><li>Princípio da contradição como elemento fundante: estudo da contradição na essência dos objetos. A luta dos contrários é inerente à identidade dos fenômenos; ou seja, o pensamento por antíteses. </li></ul><ul><li>Tensão : entre qualquer forma e o que ela é, há também o vir a ser. </li></ul><ul><li>Superação : toda evolução resulta de uma fase anterior menos desenvolvida. </li></ul>
  10. 10. Características <ul><li>Materialidade do mundo : todos os fenômenos são aspectos diferentes da matéria em movimento. </li></ul><ul><li>A matéria é anterior à consciência, ou seja, a consciência se constitui na realidade objetiva. </li></ul><ul><li>O mundo é passível de ser conhecido: pressuposto epistemológico da dialética. Para tanto, o pesquisador caminha das aparências para a essência do fenômeno , procurando captar o conflito, o movimento, a tendência predominante da sua transformação. </li></ul>
  11. 11. Categorias <ul><li>Matéria : realidade objetiva eterna, que se auto-desenvolve. Existe externamente à consciência humana. A essência das coisas é relativa, por exprimir o aprofundamento histórico e provisório do conhecimento humano. A matéria existe sob a forma de sistemas concretos (nunca é isolada). </li></ul>
  12. 12. Categorias <ul><li>Consciência : propriedade do cérebro. A matéria mais altamente organizada que existe na natureza. Como grande propriedade, a reflexão sobre a realidade objetiva. O trabalho e a linguagem são elementos basilares ao desenvolvimento da consciência. </li></ul>
  13. 13. Categorias <ul><li>Prática social : atividade, processo objetivo de produção material que constitui a base da vida humana. Também atividade transformadora do mundo. É considerada como sendo um critério de verdade na teoria do conhecimento do materialismo dialético. </li></ul>
  14. 14. Leis <ul><li>Da passagem da quantidade à qualidade : </li></ul><ul><li>Os fenômenos se distinguem pela sua qualidade, isto é, pelo conjunto de propriedades que os caracterizam. </li></ul><ul><li>As mudanças quantitativas originam as qualitativas e vice-versa. </li></ul><ul><li>Conceitos: </li></ul><ul><li>a) evolução – mudanças que não afetam a estrutura essencial do objeto (ex: mudam as tecnologias, mas não a lógica do capital); </li></ul><ul><li>b) revolução – afeta os traços essenciais da formação social, originando uma formação material diferente; portanto, com nova qualidade (ex: revolução socialista – da propriedade privada à social). </li></ul>
  15. 15. Leis <ul><li>Da unidade e da luta dos contrários (contradição) : </li></ul><ul><li>Os opostos estão em interação permanente. </li></ul><ul><li>A contradição é a fonte genuína do movimento, da transformação dos fenômenos. </li></ul><ul><li>Unidade dos contrários: os contrários não podem existir independentemente, mas se interpenetram. </li></ul><ul><li>Dialeticamente, tanto na unidade como na luta existe movimento, absoluto na primeira, e relativo na segunda. </li></ul>
  16. 16. Leis <ul><li>Da negação da negação (superação) : </li></ul><ul><li>Diferentemente da negação metafísica, a negação dialética pauta-se no movimento evolutivo da matéria e é resultado da luta dos contrários. </li></ul>
  17. 17. Pesquisa dialética <ul><li>Os métodos e técnicas de estudo do fenômeno advêm das suas características e diferentes tipos de teorias podem orientar a atividade do pesquisador. </li></ul><ul><li>A riqueza cultural do pesquisador é o que garante o êxito da pesquisa . </li></ul><ul><li>A pesquisa dialética parte do princípio de que existe uma realidade objetiva fora da consciência , a qual advém da sua materialidade histórica . </li></ul>
  18. 18. Pesquisa dialética <ul><li>Inicia com a contemplação viva do fenômeno, procurando perceber sua singularidade e delimitando suas principais características. </li></ul>
  19. 19. Pesquisa dialética <ul><li>Prossegue com a análise do fenômeno, observando os elementos ou partes que o integram, estabelecendo relações sócio-históricas e, se necessário, determinando os traços quantitativos do fenômeno. </li></ul>
  20. 20. Pesquisa dialética <ul><li>Finaliza com estabelecendo os aspectos essenciais do fenômeno, sua realidade concreta , mediante estudos das informações e observações, descrição, classificação, analise e síntese. </li></ul>
  21. 21. Referências bibliográficas <ul><li>SANFELICE, J. L. Dialética e pesquisa em educação. In: LOMBARDI, José Claudinei & SAVIANI, Dermeval. (orgs.). Marxismo e educação: debates contemporâneos. Campinas, SP: Autores Associados, 2005a. pp. 69-94. </li></ul><ul><li>TRIVIÑOS, A. O materialismo histórico. In: Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987. p. 49-74. </li></ul>
  22. 22. Apêndice I – 1º. exemplo de categorias dialetizadas <ul><ul><li>Vera Candau delineia a bipolaridade dessas reformas curriculares mediante 2 categorias: </li></ul></ul><ul><ul><li>descentralização-centralizadora : mediante municipalização do ensino; </li></ul></ul><ul><ul><li>centralização-descentralizada : mediante implementação de sistemas nacionais de avaliação, conteúdos básicos do currículo nacional e estratégias centralizadas de formação de professores. </li></ul></ul><ul><ul><li>CANDAU, Vera. Reformas Educacionais na América Latina. In: In: MOREIRA, A. F. (org.). Currículo: políticas e práticas. 4ª. ed. Campinas: Papirus, 1999. p. 29-42. </li></ul></ul>
  23. 23. Apêndice II – 2º. exemplo de categorias dialetizadas <ul><ul><li>Silva Jr. tece uma crítica à institucionalização da EAD, em algumas tensões, com predomínio da segunda sobre a primeira: </li></ul></ul><ul><ul><li>Salários x capitalização / formação : a EAD tem situado a capacitação como elemento-chave à formação do profissional produtivo. De qualidade subjetiva, passa a ser uma propriedade objetiva do ser social. </li></ul></ul>
  24. 24. Apêndice II – 2º. exemplo de categorias dialetizadas <ul><ul><li>Conhecimento do professor x aprendizagem do aluno : os documentos legais norteadores da reforma educacional (PCN, RCN, Diretrizes Curriculares...) professam uma pedagogia cognitivista, expressa no movimento favorável ao trabalho com o desenvolvimento de competências e ao aprender a aprender. </li></ul></ul>
  25. 25. Apêndice II – 2º. exemplo de categorias dialetizadas <ul><ul><li>Formação inicial x capacitação em serviço : a EAD tem privilegiado a segunda, mediante a implementação de cursos rápidos para a formação de um profissional produtivo, em atendimento à racionalidade mercantil. </li></ul></ul><ul><ul><li>Professores x TIC : o movimento mercantil e instrumental redutor do horizonte de possibilidades tem sido uma porta de entrada para o capital industrial, nicho de mercado para empresas e universidades. </li></ul></ul><ul><ul><li>SILVA JR., J. R. Uma estratégia mercantil para a concretização da reforma educacional. In: Reforma do Estado e da Educação no Brasil de FHC . São Paulo: Xamã, 2002. pp. 105-33. </li></ul></ul>
  26. 26. Apêndice II – 2º. exemplo de categorias dialetizadas <ul><ul><li>Presencial x EAD : nesse ponto de tensão há um acento dos valores mercantis na atividade formativa. </li></ul></ul><ul><ul><li>Saber geral (matérias, conteúdos) x saber pedagógico : o cognitivismo presente nos documentos legais, os quais consubstanciam-se como instrumentos de consolidação da reforma educacional, enfatizam a dimensão metodológica. </li></ul></ul><ul><ul><li>Gestão pedagógica x gestão administrativa : a racionalidade orientada pelo ethos econômico percebe a escola como empresa. A ênfase metodológica, de caráter técnico, instrumental e cognitivista, está em concordância com os princípios da reforma educacional dos anos de 1990. </li></ul></ul>
  27. 27. Apêndice III – 3º. exemplo de categorias dialetizadas <ul><ul><li>Pesce analisa as contradições da institucionalização da EAD, pelo Estado, nas políticas de formação de professores, com predomínio da primeira sobre a segunda: </li></ul></ul>Intrínsecas Extrínsecas Mudanças Kairológico Cronológico Tempo Periféricas Centrais Demandas Perspectiva dialógica (Mundo da vida) Perspectiva sistêmica (Sistema) Categorias de análise dialetizadas
  28. 28. Apêndice III – 3º. exemplo de categorias dialetizadas Referencial teórico pautado na tematização do mundo da vida da escola: indicadores históricos do contexto Referencial teórico pautado no cognitivismo ( habilidades e competências ), uso perverso de contextualização e interdisciplinaridade Demandas de formação emanadas do mundo da vida da escola Demandas da SEE (resultados de avaliação de aprendizagem e orientações legais DCN Pedagogia e demais licenciaturas) Discussão colegiada : currículo, avaliação (aprendizagem e institucional), metodologia de ensino e aprendizagem Institucionalidade da EAD pelo Estado , na formação de educadores DEMANDAS PERIFÉRICAS DEMANDAS CENTRAIS
  29. 29. Apêndice III – 3º. exemplo de categorias dialetizadas <ul><ul><li>Hegemonia das demandas centrais – desdobramentos </li></ul></ul><ul><ul><li>Dimensão mercadológica – elevação dos patamares educacionais brasileiros no cenário mundial / preparação para o mercado de trabalho (empregabilidade) </li></ul></ul><ul><ul><li>Educação a serviço da competitividade – eficiência e viabilidade econômica </li></ul></ul><ul><ul><li>Colonização do mundo da vida dos educadores </li></ul></ul><ul><ul><li>DEMANDAS PERIFÉRICAS SEM VEZ E VOZ </li></ul></ul>
  30. 30. Apêndice III – 3º. exemplo de categorias dialetizadas Tempo vivencial respeitado Tempo vivencial solapado Temporalidade atenta às circunstâncias históricas dos educadores (formação em serviço, múltiplas demandas sociais etc.) Temporalidade desatenta às circunstâncias históricas dos educadores: muitos conceitos complexos, em tempo exíguo Homem Tempo Tempo Homem Inerente ao mundo da vida Inerente ao sistema Tempo vivencial Tempo do relógio KAIRÓS CHRÓNOS
  31. 31. Apêndice III – 3º. exemplo de categorias dialetizadas <ul><li>Hegemonia da dimensão cronológica - desdobramentos </li></ul><ul><li>Fugacidade dos tempos, das relações de trabalho, das relações interpessoais, dos momentos reflexivos </li></ul><ul><li>O frenesi do fast food , dos contornos imagéticos dos videoclips , dos enredos cinematográficos hollywoodianos banalizam os espaços sociais nos quais nos constituímos como sujeitos históricos e provocam relacionamentos planificados e aligeirados </li></ul><ul><li>A sociedade do capitalismo tardio se organiza nesse torpor </li></ul><ul><li>O tempo frenético estende seus tentáculos para a educação e para os programas de formação de educadores </li></ul><ul><li>Tempo vivencial dos educadores solapado – ativismo e consciência coisificada </li></ul><ul><ul><li>TEMPO KAIROLÓGICO SEM VEZ E VOZ </li></ul></ul>
  32. 32. Apêndice III – 3º. exemplo de categorias dialetizadas Formação de educadores e anseios genuínos ( concretude histórica ) Formação de educadores e diretrizes ( agências multilaterais – capital) Inerentes ao mundo da vida Inerentes ao sistema Oriundas da racionalidade comunicativa Oriundas da racionalidade instrumental Voltadas à emancipação dos educadores Voltadas à adaptação dos educadores à Reforma Educacional MUDANÇAS INTRÍNSECAS MUDANÇAS EXTRÍNSECAS
  33. 33. Apêndice III – 3º. exemplo de categorias dialetizadas <ul><li>Hegemonia das mudanças extrínsecas - desdobramentos </li></ul><ul><ul><li>Consciência coisificada dos educadores </li></ul></ul><ul><ul><li>Colonização sistêmica do mundo da vida dos educadores </li></ul></ul><ul><ul><li>Ações estratégico-instrumentais – sociabilidade e produtividade / sobrevivência do capital </li></ul></ul><ul><ul><li>MUDANÇAS INTRÍNSCECAS SEM VEZ E VOZ </li></ul></ul><ul><ul><li>PESCE, Lucila. As contradições da institucionalização da EAD, pelo Estado, nas políticas de formação de educadores: resistência e superação. Tese. Pós-doutorado em Filosofia e História da Educação. UNICAMP, 2007. </li></ul></ul>

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