Cartilha Assédio Moral

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Cartilha Assédio Moral

  1. 1. A razão da propostaEm 2003, diante da ausência de legislaçãosobre o assédio moral, e de uma vivênciasindical, observando relações de trabalhodeterioradas que impediam o crescimentoprofissional de centenas de trabalhadores(as), apresentamos na Câmara Federal oProjeto de Lei 2369/03. Em análise nascomissões técnicas daquela Casa e emdebates em audiências públicas em Brasíliae outros estados, o projeto já tem o apoiototal do Ministério do Trabalho e Empregodo Governo Lula.O assédio moral precisa ser visto como umpéssimo negócio para as empresas porqueadoece seus (suas) funcionários (as) eprejudica a própria produtividade. E o (a)trabalhador (a) precisa saber reconhecer edenunciar o assédio moral.
  2. 2. O autor do projetoMAURO PASSOS exerce o primeiro manda-to de Deputado Federal pelo Partido dosTrabalhadores de Santa Catarina. Por 15anos foi dirigente do SINERGIA – Sindica-to dos Eletricitários de Florianópolis. Aexperiência legislativa iniciou com os doismandatos de Vereador na capitalcatarinense - 1997 a 2002, quandoassumiu a vaga na Câmara Federal.Como parlamentar pauta sua atuação nafiscalização dos recursospúblicos, na valorização epreservação ambiental edefesa dos direitos daclasse trabalhadora.É membro dasComissões de Minase Energia, doMercosul e doMeio Ambiente.
  3. 3. É o mesmo que violênciamoral. Quando um chefe, gerente,encarregado ou mesmo colega detrabalho submete o (a) trabalhador(a) a vexames, constrangimentosou humilhações de forma repetitivae prolongada, é consideradoassédio moral. A humilhação podeacontecer através de palavras oude outras atitudes autoritárias quegerem constrangimentos, comorevistas íntimas ou atitudes quetransformem o ambiente detrabalho em um ambiente ruim. Oassédio moral humilha edesqualifica, desestabilizando arelação da vítima com aorganização e o ambiente detrabalho.
  4. 4. Qual a origem do assédio moral?Essa prática que vem crescendo em todos osambientes de trabalho no mundo é resultadoda necessidade de pessoas ambiciosas e demá fé de se sobressaírem e se imporem àsoutras de forma perversa. Submetidos à pressãodo dia-a-dia, em ambientes hostis,trabalhadores (as), sofrem calados e não reagem.Não percebem o mal que estão lhe fazendo,tanto para sua profissão quantopara a saúde e auto estima.
  5. 5. Como reconhecer o assédio moral se seu chefe freqüentemente...- fala com você aos gritos, faz ameaças eintimidações- questiona seus atestados médicos- marca o número de vezes que você vaiao banheiro- diz que você tem problemas psicológicos- espalha fofocas a seu respeito- zomba de suas características físicas- passa tarefas humilhantes- sobrecarrega você de novas tarefas- isola você de outros colegas- proíbe que seus colegas falem com você- não lhe dirige a palavra e ignorasua presença, dirigindo-seapenas aos outros- critica sua vida pessoal- retira sua autonomia e seusinstrumentos de trabalho
  6. 6. O que acontececom a saúdedas vítimas deassédio moral?
  7. 7. - aumento de peso ouemagrecimento exagerado- distúrbios digestivos- palpitações, dores no peito,pressão alta, tremores- aumento no consumo de bebidasalcoólicas e outras drogas- estresse- depressão, medo acentuado,tristeza, perda de auto-estima- irritação constante, falta deconfiança em si mesmo, cansaçoexagerado- dificuldades para dormir, pesadelos- sentimento de culpa,pensamentos suicidas- mudança de personalidade,passando a praticar a violência nafamília- falta de esperança no futuro
  8. 8. Quem são asvítimas maisfreqüentesnas empresas?
  9. 9. - as mulheres (principalmenteas grávidas ou que têm filhospequenos)- os (as) portadores (as) dedoenças relacionadas aotrabalho (LER/DORT)- vítimas de acidentes detrabalho- negros (as)- homossexuais- portadores (as)denecessidades especiais- trabalhadores (as) com maisde 40 anos- pessoas que sesobressaem por sua posturacrítica e que contestemregras injustas
  10. 10. O que fazer?1 RESISTA! Não se deixe abater, converse com amigos na empresa e sobretudo com a família sobre a situação.2 FORTALEÇA LAÇOS! Cultive o companheirismo, a boa amizade, a sinceridade entre amigos, as relações afetivas que permitam haver confiança para falar o que se sente.3 SEJA SOLIDÁRIO! A solidariedade é fundamental. Ter a capacidade de sentir que uma injustiça ou um ato agressivo cometido contra colegas o afetam de alguma forma. Isto é solidariedade, que, no conjunto, propicia maior capacidade para enfrentamento dessas situações de agressões e humilhações no trabalho.
  11. 11. 4 DÊ VISIBILIDADE – DENUNCIE! O isolamento e o silêncio são muito ruins para você e para seus colegas. Se perceber que está diante de uma situação de assédio moral, denuncie, reclame. Tem que colocar a “boca no mundo” para evitar que a sua saúde física e mental sejam prejudicadas.5 ANOTE TUDO! Ao perceber que o assédio moral está ou pode vir a acontecer com você, comece a anotar, fazer um diário com todos os detalhes e datas, inclusive constando quem presenciou a cena. Esta será uma poderosa arma para você.
  12. 12. Histórias reaisNA INDÚSTRIA“Toda vez que alguém apresenta atestadomédico para a empresa, a encarregada vira umbicho, chega a nos chamar de trapaceiras,sem-vergonhas, bicho, ameaçando até chamara polícia. Algumas, só de ouvir o nome dessachefe, chegam a sentircalafrios, tontura, pavor,etc.” (Z.S. - Rio do Sul)“Na empresa eles têm ocostume de acusar asfuncionárias de roubo dealgumas coisas como, por exemplo, coisas quefaltam na cozinha, na bolsa das chefes, etc, oque não é verdade. Várias pessoas que saíramda empresa, saíram por esse motivo.” Namesma empresa, as trabalhadorasrecentemente tiveram que passar por umarevista para ver quais delas estavammenstruadas, por causa de uma mancha de
  13. 13. sangue no vaso sanitário do banheiro. “Comoera dia de encerramento e de revelação doamigo secreto, eles fizeram uma reunião antese o patrão falou que, da próxima vez que issoacontecesse, ele mesmo iria revistar e saberquem era a relaxada que tinha feito isso. (...)Que sentiria vergonha e nojo se tivesse umamulher assim.” (S.N.C. - Chapecó)NOS BANCOSComunicado do superintendente de umaagência: “A equipe é desqualificada paraa magnitude das metas”; “Melhortransformar a agência em lotérica”. Umoutro administrador chegou a colocarrodas atrás das cadeiras dos empregadosque não atingiram as metas traçadas. Oobjetivo foi intimidar osempregados, dando-lhes o rótulo de“roda presa”.(bancários doMS e PR)
  14. 14. NO SERVIÇO PÚBLICO“Você se situa no mundo pensando ‘eu souuma jornalista, eu sou uma psicóloga, eusou uma faxineira, eu faço determinado tipode trabalho’. Quando você é humilhado,assediado moralmente, cada vez que vai evolta de um afastamento médico, vaiperdendo essa identidade. Todo dia lhemudam de setor ou lhe dão tarefas que nãotêm a ver com o seu serviço. Você chegano seu trabalho e não sabe o que vai fazerhoje. Isso dá uma sensação deincapacidade muito grande. Aos poucos osseus próprios colegas tendem a ignorá-lo.Você se sente mal e sai. Quandovolta, parece um fantasma nomeio daquelas pessoas queestão fazendo as suastarefas.” (psicóloga dotrabalho TeresinhaMartins dos SantosSouza/ SP).
  15. 15. NO TELEMARKETING“Por economia, a empresa não contratou maisninguém e nos obrigou a trabalhar em dobro.Nós tínhamos 28 segundos para atender umcliente quando ele solicitava a informação.De uma hora para outra a empresa passoupara 18 segundos. Todos os dias osupervisor mostrava um relatório do diaanterior e dizia que não estávamos no perfilda empresa por que nosso tempo médio deoperação não ficava na média dos 18segundos e que até o final do mês nóstínhamos que recuperar o tempo perdido coma nossa lerdeza.” (S. A. - Florianópolis)
  16. 16. NO COMÉRCIO “O mais comum para quem trabalha no comércio é o patrão mandar a gente bater o ponto no final do dia e continuar trabalhando e essas horas extras a gente nunca conseguereceber. Se não fizemos isso, eles vão lá nocomputador e alteram. O pior é que nempodemos dizer que não vamos fazer horaextra por que se não somos demitidos.”(LMN - Florianópolis) O conteúdo desta cartilha tem como referência o trabalho da Dra. Margarida Barreto, médica, psicóloga e pesquisadora em São Paulo. Agradecemos aos (as) trabalhadores (as) que contribuíram para a elaboração desta publicação.
  17. 17. Relator é favorável Você viu nestacartilha o que essaviolência, que é o assédiomoral, representa para avida das pessoas. Nãopodemos nos calar diantede monstruosidadescotidianas. Resgatar adignidade, a identidade,o respeito e a auto-estima VICENTINHOde quem sofre com estas Deputadopráticas repressoras é um Federaldos objetivos do Projeto PT/SP2369/03, do deputado Mauro Passos. Comorelator da proposta, sou favorável. Quando esteprojeto virar lei, o juiz que julgar um caso comoos relatados nesta cartilha, poderá definir quequem deve provar que não cometeu assédiomoral é a empresa. E isso será uma grandeconquista para a classe trabalhadora do Brasil equem sabe da América Latina.
  18. 18. Saiba mais sobre Assédio Moral ttp://www.assediomoral.org http://www.tribunalpopular.hpg.com.br http://www.sindquimsp.org.br/Default.aspx http://www.fenae.org.br/assediomoral/nacaixa.htm http://www.sintrajud.org.br/assedio3.htm Se você se reconheceu como uma vítima de assédio moral, denuncie! telefone: 48 224-8023 (das 14 às 17h) assediomoral@mauropassos.com.brEsta cartilha é uma contribuição do deputado federalMauro Passos (PT/SC) para o debate sobre assédiomoral nas relações do trabalhoArte: Frank Maia/Traça EditorialApoio: Alessandra Mathyas, Schirlei Azevedo, SabrinaFranzoni e Ana Maria SokacheskiEndereço: Rua Lacerda Coutinho, 100 – CentroCEP 88015-030 – Florianópolis – SCImpresso em papel 100% reciclado.

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