PALAVRA: REDAÇÃO PRÉ-VESTIBULARProfessora: Val Página 1EXEMPLOS DE ALGUNS GÊNEROS TEXTUAIS TRABALHADOS NAS AULAS DE REDAÇÃ...
PALAVRA: REDAÇÃO PRÉ-VESTIBULARProfessora: Val Página 2deles seria benéfico desde que não aniquilasse a riqueza da varieda...
PALAVRA: REDAÇÃO PRÉ-VESTIBULARProfessora: Val Página 3Não sei se os senhores sabem, mas males causados por motoristas bêb...
PALAVRA: REDAÇÃO PRÉ-VESTIBULARProfessora: Val Página 4De difícil diagnóstico, o tecnoestresse é uma ameaça silenciosa, se...
PALAVRA: REDAÇÃO PRÉ-VESTIBULARProfessora: Val Página 56. Anotem o endereço e telefone do consulado do país para onde irão...
PALAVRA: REDAÇÃO PRÉ-VESTIBULARProfessora: Val Página 6EXEMPLOS: AULA DA OITAVA SEMANA DE 2013TEXTO 1 — CONTO CURTOO despe...
PALAVRA: REDAÇÃO PRÉ-VESTIBULARProfessora: Val Página 7“persona honorária” da Academia de Polícia do Rio Grande do Sul. Ho...
PALAVRA: REDAÇÃO PRÉ-VESTIBULARProfessora: Val Página 8Assim, quis o comandante do palácio consultar uma outra opinião e i...
PALAVRA: REDAÇÃO PRÉ-VESTIBULARProfessora: Val Página 9sofrem com a falta de aulas e de profissionais, o que impede que o ...
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Alguns exemplos de gêneros 2013.

  1. 1. PALAVRA: REDAÇÃO PRÉ-VESTIBULARProfessora: Val Página 1EXEMPLOS DE ALGUNS GÊNEROS TEXTUAIS TRABALHADOS NAS AULAS DE REDAÇÃOOBSERVAÇÃO: Lembrem-se de que os exemplos não são modelos de gêneros textuais que possam ser“imitados” em todas as situações de provas de redações em que esses gêneros sejam pedidos, também nãovisam a robotizar o aluno para que ele sempre faça análises que consideremos ideais. O objetivo deste material éapenas apontar como era possível trabalhar o gênero textual naquela situação de produção, apresentadanaquele determinado enunciado e com aquele texto-fonte. Assim, o que oferecemos são apenas dicas para oscandidatos que não conseguiram desenvolver bem o propósito, a interlocução e o gênero. Por causa dessasressalvas, pedimos, gentilmente, que não repassem este material para alunos que não frequentem ocurso, uma vez que estes textos apenas fazem sentido no contexto de nossas aulas, para quem asassistiu.EXEMPLOS: AULA DA SEGUNDA SEMANA DE 2013TEXTO 1 — RESENHAA seriedade do Acordo OrtográficoO Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa não é exatamente um tormento para os falantes do idioma,que terão que se adaptar a produzir textos escritos obedecendo aos novos padrões de ortografia. Porém quandose propõe adiar a implantação oficial da nova grafia, surgem impasses. É sobre estes que Arnaldo Niskier,membro da Academia Brasileira de Letras, trata no texto intitulado “Somos um país sério?”, publicado no jornalFolha de S. Paulo, no dia 14 de janeiro deste ano de 2013. Na tentativa de defender a padronização da grafia dealgumas palavras comuns às nações lusófonas, o autor perde-se um pouco no propósito que ele estabeleceu napergunta apresentada no título, uma vez que não fica claro se é ele mesmo que pergunta sobre a seriedade denossa pátria ou se refere ao emprego da célebre frase do marechal Charles De Gaule (“O Brasil é um paíssério?”) pelos brasileiros, que se enfureceram com a ação de protelar a adoção das novas regras.Como membro da ABL, ele defende o Acordo a pretexto de que este elevaria nosso status internacional,uma vez seria postulada a oficialização do português como “língua de trabalho da Organização das NaçõesUnidas”. Sua defesa, entretanto, não convence o leitor acerca de todos os benefícios da medida. Mesmoapontando o entusiasmo com que o brasileiro acatou a proposta da pretensa unificação do idioma, Niskier nãoconsegue explicar as razões para a prorrogação do prazo de adaptação dos falantes às novas normas. De formaquase autoritária, simplesmente afirma que a ABL e seus membros gozam do privilégio de ser “a última palavraem grafia”.Apesar de valer-se de uma linguagem rica, de termos bem elaborados, principalmente para criticar os“recalcitrantes” que agora viriam a público manifestar-se contra o Acordo, o autor não consegue expressar comclareza sua opinião, e sofre de uma fraqueza argumentativa para persuadir quem lê a crer que o AcordoOrtográfico da Língua Portuguesa, bem como o adiamento de sua implantação oficial são questões que trazembenefícios para o povo. Desse modo, ler Niskier em nada contribui para compreender as verdadeiras razões daAcademia Brasileira de Letras ter endossado a reforma na ortografia.ROCHA, Val Moreira. Curso Palavra. Inédito.TEXTO 2 — RESUMOResumo: O acordo ortográficoO texto intitulado “O acordo ortográfico”, publicado no caderno Notas & Informações, do jornal O Estadode S. Paulo, trata da aprovação do Acordo Ortográfico entre os países lusófonos e do prazo de sua implantaçãooficial que, em Portugal, levará mais tempo que no Brasil. Desde 1990 que se tentava aprovar essa medida,porém houve forte resistência dos portugueses para os quais a reforma será muito mais significativa,corresponderá a 1,43% do idioma — sendo este um patrimônio para os lusitanos —, quando para o brasileiro opercentual não passará de 0,43% da língua.O fato é que a língua portuguesa é também patrimônio de mais de 230 milhões de falantes em todomundo, que certamente não a empregam com o rigor formal com que é empregada em terras lusitanas. E o rigor
  2. 2. PALAVRA: REDAÇÃO PRÉ-VESTIBULARProfessora: Val Página 2deles seria benéfico desde que não aniquilasse a riqueza da variedade linguística expressada por outras naçõesda lusofonia.Essa reforma ortográfica tem importantes aspectos políticos e econômicos. Primeiro porque documentosinternacionais passariam a ser redigidos a partir de uma padronização do português, fortalecendo as pátriaslusófonas no cenário global, quando muitos documentos são rejeitados por instituições internacionais sob oargumento de que as grafias diferentes dificultam o estabelecimento de alguns tratados. Ademais, seria facilitadoo comércio de livros nos países que têm a Língua Portuguesa como oficial, atraindo bons negócios para aseditoras brasileiras que levariam suas publicações para outros territórios. O que os editores não podem esqueceré que os livreiros portugueses são experientes e tentarão dominar esse mercado na África, uma concorrênciaque pode ser apertada, todavia muito edificante.Bibliografia: Notas & Informações. O Estado de S. Paulo, 26 de maio de 2008.ROCHA, Val Moreira. Curso Palavra. Inédito.EXEMPLOS: AULA DA TERCEIRA SEMANA DE 2013TEXTO 1 — ARTIGO DE OPINIÃOUma alta dose de rigorNo último Carnaval, o Brasil comemorou uma sensível redução dos acidentes automobilísticos nasrodovias federias que, no ano passado, no mesmo período, haviam deixado 192 mortos e 2207 feridos. Oministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, atribuiu a amenização da tragédia ao sucesso do rigor da nova LeiSeca. Apesar de uma legislação mais rigorosa parecer, de fato, um mecanismo eficiente, ela não basta parainibir que tem o hábito de dirigir sob o efeito de bebidas alcoólicas.Não se pode ignorar que o brasileiro não teme mecanismos legislativos, porque acredita na impunidadepara suas transgressões, além de perceber que a fiscalização é pífia. Todos sabemos que, passado o espetáculoda mídia em torno das novas regras, o temor de soprar o bafômetro e pagar uma multa de quase dois mil reaisdesaparece por completo. Enquanto os policiais estão nas ruas fiscalizando — e agora podem empregar outrosrecursos além dos bafômetros aos quais ninguém é obrigado a submeter-se, porque a Constituição Federal nosreserva o direito de não produzir provas contra nós mesmos —, há um efeito intimidador, depois restam apenasos efeitos deletérios da combinação álcool e direção. E não importa aos transgressores se poderão ser filmadosou delatados pelos depoimentos que agora serão aceitos como prova para puni-los.Mesmo com a tolerância zero — não se aceita nenhuma quantidade de álcool ingerida por quem dirige oautomóvel —, o condutor bebe a pretexto de que o rigor legislativo é uma cassação de suas liberdadesindividuais. Assim, segue desobedecendo, porque se acostumou a negligenciar as normas da convivênciapacífica e civilizada no tráfego, prova de que a dose de rigor da Nova Lei Seca não inibirá de forma significativa aquantidade de pessoas que provocam desastres nas vias públicas brasileiras.ROCHA, Val Moreira. Inédito. Curso Palavra, 20 de abril de 2013.TEXTO 2 — CARTA DE LEITORPrezados senhores redatores do jornal Folha de S. Paulo,Desde muito jovem, passei a cultivar o hábito de leitura, assim leio frequentemente diversos jornais erevistas. Na semana passada, durante minha costumeira incursão pelas páginas desta Folha, deparei-me com amatéria intitulada “Cachorro bêbado resgatado em Curitiba ganha o nome de Whisky”, na qual se relata a estóriado cãozinho que, à beira de uma coma alcóolico, foi resgatado, tratado por dois policiais que conseguiram fazercom que o cachorrinho fosse adotado. A princípio, imaginei que fossem tratar de maus tratos contra animais.Depois vi que o interesse dos redatores era apenas causar um estado de comoção nos leitores. Comorecentemente tenho me deparado com muitas notícias sobre os riscos da embriaguez ao volante, fiqueiinconformado como o fato de a publicação — que poderia prestar um imenso serviço à sociedade, esclarecendo-a sobre os perigos da combinação álcool e direção — dedicar um importante espaço a um cachorrinho bêbado.
  3. 3. PALAVRA: REDAÇÃO PRÉ-VESTIBULARProfessora: Val Página 3Não sei se os senhores sabem, mas males causados por motoristas bêbados são globalizados. Lirecentemente que nos Estados Unidos, no ano de 1991, quase mil pessoas morreram em acidentesautomobilísticos que envolviam condutores que estavam sob o efeito de bebidas alcóolicas. No Canadá, Noruegae Chile, 50% dos desastres de automóveis foi causado por motoristas alcoolizados. No Brasil são quase 40 milmortos ao ano e muitos deles foram vítimas da irresponsabilidade dos consumidores contumazes do álcool.Diante dessa ameaça mundial, o correto não seria expor esses dados à população para gerar nela umareflexão sobre a importância de se buscar um trânsito seguro? Pensem no serviço que deveriam prestar aosbrasileiros se, ao invés de os senhores, redigirem notícias mais pertinentes aos sítios virtuais, expusessem aosleitores as estatísticas da tragédia representada pela embriaguez ao volante. Espero, nas próximas edições,poder ler conteúdos mais relevantes para todos nós.V.M.RROCHA, Val Moreira. Inédito. Curso Palavra, 20 de abril de 2013.EXEMPLOS: AULA DA QUARTA SEMANA DE 2013TEXTO 1 — COMENTÁRIOOi, Amanda! Hoje resolvi compartilhar no meu Face uma reportagem publicada no jornal Folha de S. Paulo, paraa qual você deu um depoimento. Na matéria, li que você é blogueira e também resolvi acessar seu blog e postaraqui uma mensagem. Reconheço que também adoro os mecanismos das redes sociais e fiquei fascinada com oInstagram. Essas coisas mexem conosco, pois somos jovens procurando atrações virtuais cada vez maisdinâmicas. Mas fiquei imaginando se você não estaria sofrendo de uma triste carência, pois contou que postatrês fotos por dia em sua página pessoal. Será que essa necessidade de mostrar o que veste, come e oslugares para onde vai não significa que está enfrentando uma carência afetiva terrível? E pode estar viciadanessas postagens diárias. Veja que está fazendo uma exposição danosa de sua via pessoal. Vi que posta váriasimagens de seu cãozinho, Teodorico, o que é inofensivo. Mas ficar se mostrando demais pode atrair, para suapágina pessoal, desconhecidos que queiram lhe fazer mal. Além do mais, relatou que seus amigos estãoreclamando que não aproveita os momentos com eles, porque fica tirando fotos o tempo inteiro. Veja o perigo deeles se afastarem definitivamente e você passar a viver num mundo virtual e sofrer prejuízos na vida real,comprometendo até mesmo o progresso de seus estudos. Uma pessoa que fica desesperada para fotografartudo perde coisas importantes, não desfruta dos prazeres que poderia desfrutar. Postando tudo que faz, corre orisco de ficar deprimida e perder a autoconfiança quando alguém fizer um comentário depreciando você. Jápassei por isso, contei com o controle de meus pais e agora usufruo das redes sociais com cautela.ROCHA, Val Moreira. Inédito. Curso Palavra, 20 de abril de 2013.TEXTO 2 — EDITORIALUma nova patologia digitalComo noticiou recentemente esta Folha, renomadas universidades brasileiras e internacionais têm sededicado a estudar os males causados pelo uso excessivo das novas tecnologias, sendo os jovens os maisameaçados. Assim, diagnosticou-se o tecnoestresse, uma nova patologia digital causadora de depressão eansiedade nas crianças e adolescentes, mais vulneráveis a essas doenças, porque ainda não têm discernimentoda importância de empregar esses mecanismos com cautela.Os incautos internautas tomam uma overdose de internet e mergulham no universo tentador das redessociais e seus infinitos mecanismos. Naturalmente consumidos por esse mundo virtual, passam a isolar-se cadavez mais e recusam-se a deixar o computador. Desenvolvem uma existência solitária e sentem dificuldades norelacionamento social e afetivo, rejeitando contato com pessoas que não aquelas que reúnem em suas páginasvirtuais. Há também o risco de os jovens usuários do mundo cibernético sofrerem de ansiedade. Ainda em fasede formação, seus cérebros não conseguem processar a avalanche de informações a que são submetidos.Ademais, realizam diferentes tarefas simultaneamente: pesquisam no Google, postam mensagens no Twitter eatualizam o Facebook. Vão ficando cada vez mais ansiosos por fazer tudo isto e, quando afastados dessas açõesonline, têm reações agressivas, exibem uma angústia constante e não aceitam o controle que os pais tentamexercer contra a dependência virtual.
  4. 4. PALAVRA: REDAÇÃO PRÉ-VESTIBULARProfessora: Val Página 4De difícil diagnóstico, o tecnoestresse é uma ameaça silenciosa, sendo a prevenção o tratamento maiseficiente contra o mal. Nos lares, as famílias devem cuidar para que seus rebentos não passem conectados maistempo que o necessário, alertando-os dos danos físicos — obesidade e sedentarismo são velhos algozes dageração digital — e psicológicos, recentemente analisados por estudiosos do comportamento humano. Essecontrole familiar terá êxito garantido principalmente se os pais ou responsáveis banirem do convívio com seusfilhos a internet móvel, um atrativo implacável para os mais novos e que não permite qualquer vigilância dosadultos.ROCHA, Val Moreira. Inédito. Curso Palavra, 20 de abril de 2013.EXEMPLOS: AULA DA QUINTA SEMANA DE 2013TEXTO 1 — MANIFESTOManifesto contra o tráfico internacional de mulheresSra. ministra desta Secretaria dos Direitos Humanos, autoridades públicas, nós, ativistas do movimentosocial que milita contra o tráfico internacional de mulheres, manifestamos nossa indignação com o fato de aindahaver vítimas desse crime hediondo. No mês de janeiro, uma ação da Polícia Federal do Brasil, articulada com apolícia da Espanha, libertou quatro brasileiras que viviam como escravas sexuais em uma boate em Salamanca.Elas foram aliciadas na cidade de Salvador e traficadas para prostituir-se em bordéis espanhóis. Não é aceitávelque nossas jovens deixem-se enredar por essas armadilhas quando estão em busca de melhores condições detrabalho no exterior. Precisamos adotar medidas para proteger essas pessoas exploradas.Não podemos ficar inertes diante da ação de quadrilhas internacionais que se aproveitam da ingenuidadede moças pobres e as aliciam, furtando-lhes a liberdade em um regime de servidão por dívidas, adquiridas sem oconhecimento da vítima, pois o aliciador promete que os gastos com viagem e hospedagem ficarão por conta dosuposto empregador. Depois exige que elas saldem os custos e as condenam a ficar presas em cubículosinsalubres, sendo mal alimentadas e não recebendo qualquer forma de assistência, como se viu na Espanha.Precisamos livrar essas mulheres que, desprovidas de um bom nível de instrução formal, acabam escravizadasem outros países. Devemos agir para que essa prática hedionda seja combatida.Assim, convocamos todos os presentes para lutarem pela proteção da mulher que, pobre e com baixonível de escolaridade, tem sido o alvo primordial das máfias transnacionais. É nosso dever desenvolver umaestratégia, principalmente nas regiões mais carentes do Brasil, para banir de nossa realidade essa situação debarbárie. Além disso, são essenciais políticas públicas de inclusão social e melhoria de renda, uma vez que ostraficantes valem-se das necessidades das mulheres para aliciá-las. É o momento de tornar essa prática detráfico humano algo que repudiamos totalmente no território brasileiro. Juntem-se a nós na defesa dessa causa!ROCHA, Val Moreira. Inédito. Curso Palavra, 20 de abril de 2013.TEXTO 2 — TEXTO INSTRUCIONALConhecendo-se a gravidade do crime representado pelo tráfico internacional de mulheres e o fato de que asvítimas são geralmente aquelas desprovidas de educação formal e dotadas de pouca informação sobre comoatuam as máfias transnacionais, esta edição especial do Jornal Escolar preparou um pequeno manual deinstrução para alertá-las contra esses criminosos. Seguem as orientações.1. Não se deixem enganar por promessas tentadoras de emprego com a perspectiva de receberem altos saláriostrabalhando no exterior, geralmente este é o recurso mais comum usado pelos aliciadores.2. Exijam do suposto empregador um contrato em que fiquem claras as condições da viagem e sobre quempagará pelos custos da mesma e pela hospedagem, e registre o contrato em cartório; pois geralmente oscriminosos escravizam as mulheres a pretexto de saldar esses custos.3. Não acreditem em propostas de casamentos arranjados com maridos financeiramente bem sucedidos, estespodem ser apenas uma estratégia para tirá-las do país e submetê-las à exploração;4. Verifiquem se a empresa que pretendem contratá-las é legalmente reconhecida no Brasil e se está autorizadaa empregar estrangeiras em outras nações;5. Não entreguem seus passaportes ou qualquer outro documento pessoal a estranhos, caso decidam aceitar otrabalho fora do país, pois sem documentação ficarão à mercê do sistema de exploração;
  5. 5. PALAVRA: REDAÇÃO PRÉ-VESTIBULARProfessora: Val Página 56. Anotem o endereço e telefone do consulado do país para onde irão, guardem-nos e passe a informação parasuas famílias, assim ficará mais fácil pedir ajuda se descobrirem que foram aliciadas por um traficante depessoas.Seguindo essas orientações, ficarão mais protegidas e não se deixarão enganar por máfias que exploram acarência e a ingenuidade das vítimas.ROCHA, Val Moreira. Inédito. Curso Palavra, 20 de abril de 2013.EXEMPLOS: AULA DA SÉTIMA SEMANA DE 2013TEXTO 1 — CARTA ABERTACarta aberta ao deputado Marco FelicianoCaro deputado, não sou minoria e também não milito em defesa de qualquer causa social, sou apenasmais um cidadão comum indignado com o fato de o senhor ter sido eleito para presidir a Comissão de DireitosHumanos e Minorias da Câmara. Vi que logrou o cargo por uma manobra política e pelo fato de o PT (Partido dosTrabalhadores) ter recusado esse Comitê. Sua eleição foi marcada por protestos realizados até mesmo poroutros deputados; muitos, revoltados, abandonaram a votação. E no meio do tumulto, o senhor saiu vencedor,para minha indignação.Deputado, não sou “cristofóbico”, como tem acusado quem se opõe à sua liderança nessa comissão,apenas não o julgo apto a defender as minorias. Seus discursos homofóbicos e preconceituosos têm sidoouvidos por todo o país. Fica evidente que pretende exercer um cargo político guiado por suas convicçõesreligiosas, o que é inconcebível a uma nação que se pretende laica. Ademais, o senhor mesmo declarou que nãoestá atualizado sobre os trabalhos do comitê que presidirá. E pelo que leio nos jornais, essa instituição que o terácomo líder deve zelar pelos direitos dos homossexuais, prostitutas, negros e quaisquer outros grupossocialmente discriminados. Imagino como poderá defendê-los das agressões que sofrem se os têmdesqualificado em suas falas.Acredito que a maioria dos cidadãos brasileiros estão muito descontentes com a votação que otransformou em presidente dessa comissão. Desse modo, em minha humilde condição de pessoa comum, peçoque renuncie, deputado. Mostre que respeita os anseios populares e deixe o cargo. Certamente se livrará departe da indignação que muitos de nós, que não ameaçamos os direitos humanos, sentimos diante de suapresença no cenário político brasileiro.ROCHA, Val Moreira. Inédito. Curso Palavra, 20 de abril de 2013.TEXTO 2 — RELATOUm homem transformado em bichoEu seguia de táxi para um restaurante onde faria o almoço de sexta-feira, descobrira o endereço no guiaespecializado em comer bastante e não pagar muito na cidade de São Paulo. O lugar era distante e havia otrânsito complicado do último dia útil da semana. O bairro ficava em uma região decadente, mas estavaganhando fama por uma gastronomia que seguia um novo conceito: muita comida boa por menos. Como eraesperado, o carro deixou de avançar na avenida.Desviei o olhar para o lado e deparei-me com o pátio imundo. O sinal fechara e tive como distração ummovimento de trapos que reviravam o local transformado em lixeira, para o descarte de todos os tipos de detritos.As caixas de papelão movimentavam-se como se sob elas estivesse um rato, os dejetos moviam-se, uma criaturacomia sem hesitar o que encontrava, nada levava à narina e nem observava os preciosos achados, ia devorandotudo o que conseguia.Vi o verde do semáforo, mas o motorista não conseguia avançar nada além que poucos metros. Pelacalçada, ia o alvo de minha observação, limpando as sobras nojentas nas vestes em frangalhos. A lentidão doautomóvel não me permitia ficar livre daquela visão. Avistei o lixão bem perto dali. O homem, transformado embicho, lançava-se com voracidade à montanha fétida e continuava a engolir o que lhe vinha pelas mãos.Enxotava crianças e urubus na briga pelos restos de alimentos. Andava com rapidez para ganhar a disputa, mastropeçava no lixo. Finalmente, o tráfego diminui e já me aproximava de minha farta refeição. Dei uma últimaolhada para trás e deparei-me com a criatura seguindo na direção contrária.ROCHA, Val Moreira. Inédito. Curso Palavra, 20 de abril de 2013.
  6. 6. PALAVRA: REDAÇÃO PRÉ-VESTIBULARProfessora: Val Página 6EXEMPLOS: AULA DA OITAVA SEMANA DE 2013TEXTO 1 — CONTO CURTOO despertar de ClaraClarinha era uma menina ensolarada, o verde do jardim misturava-se com o verde do vestidindo. Ela nãoprecisava comprar um novo para ser feliz. A felicidade era brincar com tantas crianças. Outra de suas alegriasera esperar o carteiro que lhe trazia as cartinhas de vovó, escritas com cuidados para a neta que passara adesvendar há pouco tempo os mistérios da escrita. Em sua existência de menina, admirava o céu sem qualquertemor, daquela imensidão azul não poderia vir qualquer ameaça. Ela temia a gripe que, uma vez por ano, apunha de cama e a impedia de flanar sob a abóboda celeste. Também não gostava dos insetos, elesmachucavam sua pele branquinha, o calor excessivo não lhe era agradável, molhava os cabelinhos enrolados edeixava gotinhas de suor na testinha alva. Seu maior medo, porém, era perder o bonde das onze horas, pois elea levava para a escola. Esta lhe permitira receber as cartinhas da avó. Era querida por todos, o guarda civilacenava-lhe, ele também não tinha o que fazer naquela tranquilidade que ia da Alemanha à China.Clara despertou, restara apenas uma lembrança do mundo antigo, não havia mais jardins, apenas ostrágicos dias marcados pela guerra. A desgraça viera do céu, o guarda, agora, precisava matar para protegercrianças, era perigoso andar de bicicleta. Ninguém mais a chamava de Clarinha, fora mutilada durante um ataqueaéreo. Nunca mais haveria manhãs com crianças no jardim. As cartas não chegavam mais, a avó se fora comtantos outros. Ainda lhes restavam os anos da juventude, mas eles eram sombrios. O pai gastara uma pequenafortuna para comprar-lhe a perna mecânica. Não importavam vestidos novos, o milionário mecanismo causava ainveja de muitas outras moças mutiladas. Quem sabe até não poderia arranjar um casamento com a correção do“defeito”. Novamente despertou, o quarto ainda estava enfeitado pelas flores, o piso colorido pelos presentes,procurou na cama desarrumada o marido, o noivo tão doce da noite anterior, as núpcias. O jardim ficou sombrio,transformara-se em abismo, quando percebeu sua tragédia: ele levara a perna mecânica, recurso valioso quandoas bombas mutilavam, da Alemanha à China.Esta narrativa tem um desfecho inspirado no conto Helga, que integra a coletânea Antes do Baile Verde, de Lygia Fagundes Telles.Inédito. Curso Palavra ROCHA, Val Moreira, 20 de abril de 2013.TEXTO 2 — ENTREVISTAIlana Casoy é escritora e, apesar de não ter qualquer formação específica na área, estuda ocomportamento de assassinos em série. Já escreveu três livros sobre o assunto e trabalha como consultora eminvestigações policiais. Recentemente, recebeu o título de “persona honorária” da Academia de Polícia do RioGrande do Sul. Ilana é a entrevistada desta edição especial.Revista Época: Ilana, como começou seu interesse por estudar a mente de serial killers?Ilana Casoy: Sempre gostei de ler histórias sobre assassinatos, fossem reais, como as de Jack, oEstripador, ou fictícias. Há seis anos, quando trabalhava como administradora de um colégio, disse ao meumarido que gostaria de escrever sobre personagens cujas estórias eu adorava ler, assim passei a procurarassassinos reais, olhar nos olhos deles e ouvi-los como ninguém ainda tinha feito no Brasil.Revista Época: Dessa sua experiência você escreveu três livros, de que exatamente eles tratam?Ilana Casoy: Em 2002, publiquei meu primeiro livro, “Serial Killer — Louco ou Cruel?” Nele reuni umacoletânea sobre crimes seriais antigos que já haviam sido solucionados nos Estados Unidos. Depois, escrevi“Serial Killers Made in Brasil”, cujo conteúdo trata de criminosos brasileiros, e narro detalhes nauseantes que tireidos laudos policiais. Minha terceira publicação é “O Quinto Mandamento”, no qual relato as circunstâncias doassassinato do casal Von Richthofen, cuja reconstituição pude acompanhar de perto. Foi perturbador porque aprópria filha, o namorado dela e o irmão dele eram acusados pelo crime.Revista Época: Como você conseguiu ter o seu trabalho respeitado pela polícia, uma vez que não temformação na área do Direito e nem da Psicologia?Ilana Casoy: Primeiro, eu participei como ouvinte em cursos para policiais e passei a compartilhar comesses profissionais os conhecimentos que eu havia adquirido em livros americanos, sobre mentes criminosas.Tornei-me consultora Comissão de Política Criminal e Penitenciária da Ordem dos Advogados do Brasil e
  7. 7. PALAVRA: REDAÇÃO PRÉ-VESTIBULARProfessora: Val Página 7“persona honorária” da Academia de Polícia do Rio Grande do Sul. Hoje, apesar da insônia e mal-estar quandolido com alguns casos, tenho imenso prazer ao levantar da cama todos os dias para realizar o meu trabalho.ROCHA, Val Moreira. Inédito. Curso Palavra, 20 de abril de 2013.EXEMPLOS: AULA DA NONA SEMANA DE 2013TEXTO 1 — CARTA RELATOSão Miguel do Gostoso, 19 de abril de 2013Caro João,Depois de ler um editorial do jornal Folha de S. Paulo, me senti motivado a vir para a cidade de Gostosoe fazer uma reportagem sobre o sucesso de um dos programas do governo federal para a melhoria de renda.Fiquei interessado, mais especificamente, em colher depoimentos das pessoas que se tornarammicroempreendedores individuais (MEIs) depois de receberem o benefício oferecido por uma linha de crédito doBolsa Família. Como você é desses jornalistas que adoram criticar as políticas assistencialistas, pensei que seriacurioso fazer-lhe um relato sobre esses empreendedores e, quem sabe, convencê-lo a escrever também umamatéria para sua revista.Meu amigo aqui me surpreendi. Conheci Silvana da Silva, uma mulher que sabe a que veio no mundo.Você acredita que apenas com o parco recurso do governo ela conseguiu abrir um mercadinho e tem prosperadoa cada dia no negócio? Ela era sacoleira, resolveu mudar de ramo e tem batido a concorrência, porque abre asportas às 5h30 e fecha às 20h, quando todos os outros abrem bem mais tarde e fecham bem mais cedo.Também fiquei surpreso ao ouvir a estória de Felipe dos Santos. O homem é dotado de uma força de trabalhoinvejável. Antes de receber a assistência estatal, estava na pobreza. Agora, é eletricista, investiu no negócio ecomprou até uma motocicleta, para carregar a escada e as ferramentas, está mudando a vida dele, não faltatrabalho. A aproximadamente 300 km daqui, fui entrevistar Giovani Paiva, outra personagem que mostra umaverdadeira obstinação para o trabalho. Antes ele vendia salgados na rua, agora é o “Rei do Pastel”. Precisa ver aalegria dele, os sonhos de expandir a pequena pastelaria que livrou a família inteira da carência extrema.Sei que você sempre falou que muita gente preferia receber a “bolsa miséria” a ter um trabalho fixo.Esses pequenos empreendedores contrariam tudo o que pensávamos sobre a utilidade dessa forma deassistência. João, todos os meus entrevistados contaram-me da felicidade que tiveram com a independênciaeconômica, agora buscam assistência técnica e mais créditos para crescerem. Veja, meu amigo, que surpresa.Você deveria deixar de ser tão conservador e vir visitar esta maravilhosa cidade, que lhe renderá excelentesreportagens. Um grande abraço.ROCHA, Val Moreira. Inédito. Curso Palavra, 20 de abril de 2013.TEXTO 2 — PEQUENO CONTOO banqueteO governador de um rico estado brasileiro mandou reunir em sua residência oficial os prefeitos das maisricas cidades, pois pretendia conhecer melhor quem eram exatamente os comandantes de receitas tão altas ecom quais poderia contar. Assim, mandou preparar um banquete para a esperada reunião. Todos estavam felizescom a ideia de gozar da companhia de tão ilustre autoridade pública. Foram levados à mesa onde estava posta arefeição: então surgiu o inusitado: toda a decoração da comida trazia estampado o rosto do anfitrião. Nas carnes,estavam desenhadas as faces dele, o mesmo se dava nas saladas, acompanhamentos, e todos os doces foramproduzidos com o formato do crânio da hedionda figura. Ele observava a reação de cada convidado quando umprefeito, estupefato, julgou um acinte tão horrorosa comida e procedeu a um discurso gritando que eram um malgosto atroz aqueles pratos, que aquilo implicava uma cafonice sem tamanho. Imediatamente, veio a segurança ebaniu da recepção o tresloucado. Um outro aplaudia a atitude do nobre político e bradava que era próprio de umhomem ilustre decorar a refeição com as próprias feições, que nunca vira gesto da mais fina sutileza, apenasuma mente muito brilhante empregaria tal recurso. Era desconhecido do bajulador o fato de que o governadornão suportava que o adulassem e mandou também que retirassem dali o incômodo convidado.
  8. 8. PALAVRA: REDAÇÃO PRÉ-VESTIBULARProfessora: Val Página 8Assim, quis o comandante do palácio consultar uma outra opinião e inquiriu uma prefeita que até entãoficara calada a admirar as esquisitas guloseimas.— E a senhora, o que pensa da decoração da comida que mandei preparar?— Eu, governador, não posso responder, pois nada enxergo sem meus óculos, que tive o azar deesquecer em meu gabinete. Já mandei que meu assessor fosse pegá-los e, assim que estiverem em minhaposse, responderei.Quem busca no mundo da política ingressar deve agir sempre assim: nem bajulação vil nem a ofensivafranqueza, deve preferir o talvez da esperteza.ROCHA, Val Moreira. Inédito. Curso Palavra, 20 de abril de 2013.EXEMPLOS: AULA DA DÉCIMA SEMANA DE 2013. SIMULADOSTEXTO 1 — DISCURSO DE APRESENTAÇÃO DE UMA PALESTRACaros colegas, professores, bom dia! Antes de mais nada, gostaria de agradecer a presença de todos.Como devem saber, sou representante do grêmio estudantil, que tem desenvolvido uma pesquisa, junto ao corpodocente, sobre o consumo de bebidas alcoólicas entre os estudantes aqui de nossa escola. Durante a análisedesse problema, deparei-me com uma entrevista do Dr. André Malbergier e resolvi convidá-lo para nos ministraresta palestra. Ele poderá nos alertar sobre as ameaças representadas pela ingestão excessiva do álcool, umavez que é coordenador da Unidade de Dependência Química do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas,Faculdade de Medicina da USP, e tem vasta experiência no tratamento e prevenção do alcoolismo.Nosso convidado, que escolheu tratar de dependentes químicos por considerar a área desafiadora,poderá nos mostrar, pelo conhecimento que acumulou, o perigo de adolescentes ingerirem bebidas alcoólicas.Ele nos alertará dos riscos que corremos quando passamos a beber nos finais de semana, com os amigos,julgando que essa prática nos é inofensiva, e quando ignoramos que podemos ter uma propensão genética aovício, além da possibilidade de passarmos a beber para não enfrentarmos conflitos familiares.O doutor André pesquisou a relação que travamos com essa droga que, apesar de lícita, causa danos.Como muitas vezes julgamos que beber é algo natural, considerei que nosso palestrante era a pessoa ideal paranos apontar como o alcoolismo é uma doença silenciosa. Passa a se desenvolver de forma sutil, desde omomento em que nos julgamos resistentes, fortes e vamos experimentando doses cada vez mais elevadas.Depois, incorporamos o ato de consumir álcool ao nosso cotidiano e formamos círculos de amigos apreciadoresdesse consumo. A dependência vai prejudicando nossas funções na escola e até mesmo no trabalho. Por tudoisso, as palavras desse capacitado profissional serão de muita utilidade para todos nós. Ele poderá nos mostrarcomo nos proteger do mal se retardarmos ao máximo nosso contato com as bebidas alcoólicas. Espero quetodos aproveitem a palestra e chamo ao palco o doutor André. Muito obrigado!ROCHA, Val Moreira. Inédito. Curso Palavra, 20 de abril de 2013.TEXTO 2 — ARTIGO DE OPINIÃOAs estruturas da exclusão acadêmicaRecentemente, universidades públicas divulgaram dados preocupantes sobre a exclusão acadêmica noBrasil: apesar das ações afirmativas, transformadas em bônus e cotas para o aluno negro ou oriundo de classessociais baixas, não registramos o aumento dessa clientela nas escolas superiores estatais.Renomadas instituições, como a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Universidade de SãoPaulo (USP), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UERJ) e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)viram cair a quantidade de graduandos oriundos dos colégios públicos. Mesmo os que prestam vestibular paraessas faculdades ainda representam minoria. As que registraram aumento dessa clientela — a exemplo daUniversidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) —,sejam em seus campus ou processos seletivos, não tiveram um crescimento expressivo nesse perfil.Essa estagnação nos revela o quanto as cotas não têm promovido a inclusão universitária queanunciaram. A política não funciona, porque ignorou questões estruturais que impedem que certa parcela dapopulação galgue os degraus da graduação em tão sonhadas universidades estatais. Uma dessas questõesreside na baixa qualidade do ensino médio dedicado aos filhos das classes trabalhadoras. Muitas dessas escolas
  9. 9. PALAVRA: REDAÇÃO PRÉ-VESTIBULARProfessora: Val Página 9sofrem com a falta de aulas e de profissionais, o que impede que o conteúdo seja desenvolvido de formasuficiente para a concorrência travada com educandos vindos de um colégio de elite. Há ainda o fato de que ainformação não chega a determinadas salas de aula, os estudantes desconhecem os mecanismos de acesso,nunca ouviram falar de reservas de vagas ou bônus para as parcelas discriminadas da população. Assim, apolítica de reservar a vaga, levando-se em conta a cor da pele ou classe social do estudante, nada pode fazerpara incluí-lo no universo acadêmico, é preciso antes corrigir as estruturas que o têm afastado da conquista deum alto nível de instrução formal.ROCHA, Val Moreira. Inédito. Curso Palavra, 20 de abril de 2013.EXEMPLOS: AULA DA DÉCIMA SEMANA DE 2013. SIMULADOSTEXTO 1 — DISCURSO DE AGRADECIMENTODoutor André, na condição de representante do grêmio estudantil, que tem desenvolvido uma pesquisa,junto ao corpo docente, sobre o consumo de bebidas alcoólicas entre os estudantes aqui de nossa escola,gostaria de agradecer-lhe por ter aceitado nosso convite e ter proferido essa brilhante palestra. Recentemente,passamos a observar entre os jovens aqui do colégio um aumento no consumo de bebidas alcoólicas eprecisávamos tomar uma atitude. Assim, sou imensamente grato por dedicar seu tempo e sua vasta experiênciaem tratar esse mal para nos alertar do risco que corremos quando passamos a ingerir bebidas alcoólicas. Osenhor nos fez refletir sobre os perigos de beber sempre, com os amigos, julgando que essa prática é inofensiva,porque ignoramos que podemos ter uma propensão genética ao vício, além da possibilidade de passarmos abeber para não enfrentarmos conflitos familiares.Expresso também minha gratidão por expor de maneira tão clara as ameaças contidas na relação quetravamos com essa droga que, apesar de lícita, causa danos. Como muitas vezes julgamos que beber é algoinofensivo, foi de suma importância ter nos apontado como o alcoolismo é uma doença silenciosa, que passa ase desenvolver de forma sutil, desde o momento em que nos julgamos resistentes, fortes e vamosexperimentando doses cada vez mais elevadas. Incorporamos o ato de consumir álcool ao nosso cotidiano eformamos círculos de amigos apreciadores desse consumo.Mais uma vez, agradeço por mostrar que para nos protegermos do mal é preciso retardarmos aomáximo nosso contato com as bebidas alcoólicas. Também foi precioso seu alerta sobre o papel que os paisdevem ter nessa proteção, ficando como responsabilidade deles vigiar a rotina dos filhos e tratar do assunto deforma direta, não banalizando o hábito de beber como se fosse natural entre os adolescentes. Assim, muitoobrigado e espero contar com sua presença mais vezes em nossa escola.ROCHA, Val Moreira. Inédito. Curso Palavra, 20 de abril de 2013.TEXTO 2 — EDITORIALAs estruturas da exclusão acadêmicaRecentemente, universidades públicas enviaram a esta Folha dados preocupantes sobre a exclusãoacadêmica no Brasil: apesar das ações afirmativas, transformadas em bônus e cotas para o aluno negro ou declasses sociais baixas, não se registrou o aumento dessa clientela nas escolas superiores estatais.Renomadas instituições como a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Universidade de SãoPaulo (USP), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UERJ) e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)viram cair a quantidade de graduandos oriundos dos colégios públicos. Mesmo os que prestam vestibular paraessas faculdades ainda representam minoria. As que registraram aumento dessa clientela — a exemplo daUniversidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) —,sejam em seus campus ou processos seletivos, não tiveram um crescimento expressivo nesse perfil.Essa estagnação revela o quanto as cotas não têm promovido a inclusão universitária que anunciaram.A política não funciona, porque ignorou questões estruturais que impedem que certa parcela da populaçãogalgue os degraus da graduação em tão sonhadas universidades estatais. Uma dessas questões reside na baixaqualidade do ensino médio dedicado aos filhos das classes trabalhadoras. Muitas dessas escolas sofrem com afalta de aulas e de profissionais, o que impede que o conteúdo seja desenvolvido de forma suficiente para aconcorrência travada com educandos vindos de um colégio de elite. Há ainda o fato de que a informação nãochega a determinadas salas de aula, os estudantes desconhecem os mecanismos de acesso, nunca ouviram
  10. 10. PALAVRA: REDAÇÃO PRÉ-VESTIBULARProfessora: Val Página 10falar de reservas de vagas ou bônus para as parcelas discriminadas da população. Assim, o malabarismo políticode reservar a vaga levando-se em conta a cor da pele ou classe social do estudante nada pode fazer para incluí-lo no universo acadêmico, é preciso antes corrigir as estruturas que o têm afastado da conquista de um alto nívelde instrução formal.ROCHA, Val Moreira. Inédito. Curso Palavra, 20 de abril de 2013.Este material está registrado em cartório sob a Lei dos Direitos Autorais. Assim, “é vedada a reproduçãodeste material — seja para fins didáticos ou comerciais — sem a devida autorização da autora. LEI Nº9.610, de 19 de fevereiro, 1998

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