"Perfeição" - Cap. 11

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"Perfeição" - Cap. 11

  1. 1. PERFEIÇÃO/ CAPÍTULO 011 PÁGINA 01Recanto das Capítulo 011Letras PERFEIÇÃO novela de: LUCAS VINÍCIUS escrita por: LUCAS VINÍCIUS PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO: Bartolomeu Leandro Carmélia Leninha Cleiton Lisa Desirée Maria Ermelita Mirela Ester Mourão Jeca Néia Joana Raquel Júlio Simone Jurema PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS: Feirantes, Figurantes, Prefeita Vera
  2. 2. PERFEIÇÃO/ CAPÍTULO 011 PÁGINA 02CENA 1.MANSÃO DE JÚLIO. INT. SALA. CONTINUIDADE DOCAP.ANTERIOR/ NÉIA —— Roubaram? Como assim?! E o que EU tenho a ver com isso? JÚLIO —— (encarando) Segundo Ester, você saiu de lá com a caixa de joias às mãos. NÉIA —— (indignada) O quê?INDIGNADA, NÉIA SE APROXIMA DE ESTER, QUE FINGE TRISTEZAAGARRADA A LEANDRO. NÉIA —— Ester... como você pode/ ESTER —— (fingindo tristeza) Oh Néia querida... espero que você possa me perdoar. Mas, uma das grandes virtudes que prezo é a verdade. Perdoe-me, querida. NÉIA —— (indignada) Mas como se/ (p/ Júlio) Dr. Júlio, eu juro, não entrei no quarto da finada Eunice. Hoje eu passei a tarde fora. Fiquei/ JÚLIO —— (cabisbaixo) Sinto muito mas você tá demitida, Néia!NÉIA FICA SEM CHÃO, PARALISADA. NÉIA —— (arrasada) De-Demitida? JÚLIO —— Me desculpe. Mas até que se prove o contrário, você ficará fora. NÉIA —— (emocionada) O senhor... o senhor tá me demitindo, dr. Júlio?ESTER DÁ UM SORRISO SATISFEITO, BEM DISCRETO. NÉIA —— (se aproxima, chorando) Eu tô demitida, dr. Júlio? Depois de anos servindo à sua família? JÚLIO —— Pode ter certeza que desamparada você não vai fica/ NÉIA —— Não é a mesma coisa! Não é dinheiro que eu quero! (T) E... acusada dum crime que sequer nem cometi? LEANDRO —— Néia, eu espero que você continue a
  3. 3. PERFEIÇÃO/ CAPÍTULO 011 PÁGINA 03 amizade com a Ester. Ela só disse o que viu. ESTER —— Verdade. Você sabe que te adoro, Néia. Mas o que é certo, é certo.NÉIA VIRA-SE RISPIDAMENTE OLHANDO POSESSA PRA ESTER, COM OSOLHOS CHEIOS DE LÁGRIMAS. SE SEGURA. NÉIA —— (forçada, com ódio) Nossa amizade, Ester... sempre... sempre será a mesma. ESTER —— (sorri) Que bom, fico feliz.CLOSE EM NÉIA. COM OS OLHOS LAGRIMADOS, NÉIA VIRA-SENOVAMENTE PARA JÚLIO. NÉIA —— Eu achava, dr. Júlio, que o senhor tinha um coração bom. Até tem... mas você e seu filho não sabem com o tipo de pessoa estão se metendo, e acobertando dentro de suas casas!COM UMA INDIRETA DESSAS, ESTER DISFARÇA O OLHAR. NINGUÉMPERCEBE. NÉIA —— Com licença.NÉIA VAI SAINDO EM DIREÇÃO À ESCADA. JÚLIO SE APROXIMA DEESTER E LEANDRO. LEANDRO —— Pai... não precisava chegar a esse ponto com a Néia. JÚLIO —— Filho, eu fui até bondoso com ela. ESTER —— (fingindo tristeza) Por mais duro que seja pra mim... porque eu adorava a Néia. Achei muito errado o que ela fez.ENQUANTO JÚLIO E LEANDRO SE OLHAM ESTARRECIDOS, ESTER SORRIDISCRETAMENTE.Corta para:CENA 2. MANSÃO DE JÚLIO. INT. QUARTO DOS FUNDOS. NOITE.NÉIA ACABA DE ABRIR UMA MALA SOBRE A CAMA. CAMINHA ATÉ O
  4. 4. PERFEIÇÃO/ CAPÍTULO 011 PÁGINA 04GUARDA ROUPA, ABRE E PEGA UMA TROUXA DE ROUPAS. JOGA TUDOSOBRE A MALA. NÉIA —— (chorando) Não é justo! Até segundos, eu tava lá... no meu serviço. E agora, demitida? (T) Injustos, injustos!ÀS LÁGRIMAS, NÉIA VAI ARRUMANDO AS ROUPAS TUMULTUADAMENTE EMSUA PEQUENA MALA.Corta para:CENA 3. APARTAMENTO DE LISA E MIRELA. INT. SALA. NOITE.CONTINUIDADE.LISA ESTÁ SENTADA AO SOFÁ. DEITADA SOBRE SEU COLO ESTÁMIRELA, TRISTE. MIRELA —— Lisa... tenho medo do que pode acontecer com o papai e com a mamãe. LISA —— (triste) Oh, minha irmã... fica assim, não. Ó, eu vou tentar ajudá-los, da melhor forma possível! MIRELA —— E se você não conseguir? LISA —— Ah, Mi... a gente tem que pensar positivo!LISA AJUDA A MIRELA A TIRAR SUA CABEÇA DE SEU COLO E SELEVANTA. LISA —— Olha, vamos pensar positivamente, e que tudo venha a dar certo! Hum? E vamos dormir agora, tá? MIRELA —— Vai indo. Eu vou checar a minha caixa de e-mail. A Sharon ou a Laísa podem ter mandado e-mails. Sabe como é, né? LISA —— Hum... você me engana não, mocinha. Fala que vai ficar aí por cinco minutos. Ontem mesmo você amanhecer desmaiada, praticamente aí na frente desse notebook. Só hoje, hein. Depois ó, zarpa pra cama! MIRELA —— Tá ok! Boa noite!
  5. 5. PERFEIÇÃO/ CAPÍTULO 011 PÁGINA 05LISA CAMINHA, DÁ UM BEIJO NO ROSTO DE MIRELA E SAI DE CENAINDO EM DIREÇÃO AO CORREDOR. MIRELA PEGA O NOTEBOOK AO SEULADO E LIGA-O. MIRELA —— Bora ver se chegou mensagem nova!MIRELA ENTRA NO SITE DA HOTMAIL. ACESSA SEU E-MAIL. VÊ QUELÁ ESTÁ ESCRITO: UMA (S) MENSAGEM (NS) NOVA (S).TENSO. MIRELA SE ESPANTA AO LER “PAULO – SEM ASSUNTO” E PÕE AMÃO NA BOCA. MIRELA —— O Paulo? Mas... como ele acessou ao meu e-mail?ELA ABRE O E-MAIL. DEPOIS DE LER, FICA PENSATIVA. MIRELA —— (p/ si) Ele quer conversar. De novo? Eu não vou... (indecisa) Não sei se eu deva ir.PAIRA A INDECISÃO.Corta para: Dia Seguinte...CENA 5. CASA DE MARIA. INT. DIA. SALA.MARIA EM FRENTE AO ESPELHO, COM DECOTE CURTO, SE EMBELEZANDO.SENTADA AO SOFÁ, A OBSERVANDO ESTÁ JUREMA. MARIA —— (animada) Ai, Jurema, você sabe que sexta-feira é meu dia preferido, né! JUREMA —— Ô! Mas também, é o dia que você pode abraçar seu filho, né. E passar com ele o fim de semana todo. MARIA —— Exatamente! É o dia também que eu posso esfregar na cara dos meus pais que eu tenho potencial pra cuidar do Pedro Júnior! JUREMA —— É, mas vê lá. Cuidado pra não armar um quiproquó lá, e assustar o menino. MARIA —— Juízo não me falta, minha amiga!
  6. 6. PERFEIÇÃO/ CAPÍTULO 011 PÁGINA 06 (vira-se) E então? Como eu tô? JUREMA —— (se levanta) Assim, Maria... você sabe que te acho lindona, né? Você é séria, mas é uma gata! Miau... mas assim, pra ver teu filho eu acho que tu devia pôr um troço mais longo. Pra mostrar que você é séria, senão teus pais nunca vão se convencer que você é séria! MARIA —— (pensativa) Hum... agora você falou bonito. Também pra dar um exemplo pro meu filho. JUREMA —— Verdade. Faça isso!MARIA VIRA-SE E VOLTA A SE OLHAR. JUREMA SENTA-SE.Corta para:CENA 6. FEIRA MUNICIPAL DE SÃO PAULO. EXT. DIA.VÁRIAS BARRACAS DE FEIRAS DE VERDURAS, FRUTAS E OBJETOSDIFERENCIADOS AO AR LIVRE. CAM SE APROXIMA DUMA BARRACA.NELA, MOURÃO (barbudo, gordinho, cabelos despenteados) ACABADE ENTREGAR A SACOLA COM AS FRUTAS QUE ELE VENDERA PRA UMASENHORA, QUE VAI SAINDO. MOURÃO —— Volte sempre, minha senhora! Aqui, freguês que paga leva fruta e até vai pra cama com aquele vos fala! (ri)ELE COMEÇA A RIR SOZINHO. UMA PESSOA VÊ MOURÃO DE COSTAS.COMEÇA A CAMINHAR. PASSOS LEVES. A PESSOA CHEGA POR TRÁS ETOCA OS OMBROS DE MOURÃO. ELE SE ASSUSTA E VIRA-SE. MOURÃO —— (assustado) Eita!REVELA ERMELITA, SÉRIA OLHANDO PRA MOURÃO. MOURÃO —— (surpreso) Ermelita? ERMELITA —— (séria) Eu mesma, em carne e gordura! Quero ter uma conversa com você, seu crápula!MOURÃO FICA CURIOSO. ERMELITA O ENCARA.Corta para:
  7. 7. PERFEIÇÃO/ CAPÍTULO 011 PÁGINA 07CENA 7. PREFEITURA DE SÃO PAULO. INT. GABINETE PREFEITA. DIA.À MESA LISA E A PREFEITA VERA. LISA SÉRIA. PF. VERA —— Sua mãe é a …? LISA —— A Joana. Joana Aparecida de Sousa. PF. VERA —— Olha, professora Lisa, já havíamos feito uma apuração, junto duma investigação. Constatamos mesmo que o terreno onde sua família mora é realmente irregular. LISA —— Sim, dona Vera, mas eles caíram num golpe! O dono do terreno, enganou eles... disse que ia providenciar a papelada formalmente. E aí houve que ele fugiu, deixando a papelada toda da casa falsa. PF. VERA —— Na certa ele então, fugiu, mas antes falsificou a papelada da casa, é isso? LISA —— Isso. Pode ser também por conta da burocracia, né, prefeita, que convenhamos, é uma falta de respeito. PF. VERA —— (se levanta) Dona Lisa... a história da burocracia nesse meio não é comigo que tem de se tratar. LISA —— (se levanta, triste) Eu sei, eu sei... mas a senhora não pode tentar nos ajudar? PF. VERA —— Professora Lisa, ouvindo suas palavras, tão sábias, o mínimo que posso fazer é ceder albergues pra sua família, até que vocês provem que foram enganados. LISA —— Não, isso não vai adiantar, dona Vera. Albergues? Meus pais não iriam se sentir bem em albergues. É lá que eu cresci, é lá que eles gostam de ficar. Entende? PF. VERA —— E o que a senhorita sugere? LISA —— Sugiro que no minimo vocês estiquem o prazo de despejo que fizeram. Não acha justo? O inocente buscar provas de que é inocente?
  8. 8. PERFEIÇÃO/ CAPÍTULO 011 PÁGINA 08PREFEITA VERA, QUE AMOLECE-SE POR UM INSTANTE.Corta para:CENA 8. CASA DE CARMÉLIA E BARTOLOMEU. INT. SALA. DIA.CARMÉLIA DE PÉ, BARTOLOMEU SENTADO. NÉIA DE FRENTE PARACARMÉLIA. CARMÉLIA —— (assustado) Demitida?! NÉIA —— Isso mesmo. Ontem a noite! BARTOLOMEU —— Mas demitida, por quê? NÉIA —— Armaram pra mim, seu Bartolomeu! CARMÉLIA —— Armaram pra você? Ué, se você é demitida é porque fez algo que certamente não agradou o patrão. NÉIA —— Escutem! A Ester armou pra mim!BARTOLOMEU E CARMÉLIA SE SURPREENDEM E FICAM BOQUIABERTOS. CARMÉLIA —— (surpresa) A … BARTOLOMEU —— (complementa) Ester? NÉIA —— Alguém roubou as joias da falecida Eunice, senhores.NESTE INSTANTE, LENINHA APONTA A CABEÇA (LÁ DO CORREDOR DACOZINHA) E FICA A ESPIONAR, PRESTANDO ATENÇÃO EM TUDO. NÉIA —— E como sabem, a empregada que é minoria sempre leva a culpa!OUVINDO ISSO, LENINHA FICA BOQUIABERTA E DIZ BAIXINHO A SI: LENINHA —— (p/ si) Então eu vou ser demitida?CARMÉLIA OUVE ALGO: CARMÉLIA —— Alguém disse/LENINHA RECUA PRA COZINHA RAPIDAMENTE. BARTOLOMEU —— Pois se não foi você que roubou as joias, quem foi? Você é uma especialista em crimes, Néia, nós sabemos.
  9. 9. PERFEIÇÃO/ CAPÍTULO 011 PÁGINA 09 NÉIA —— Olha pra mim, senhor Bartolomeu. Vê se eu tenho cara de roubar joias de defunta? Deus me livre! CARMÉLIA —— (faz “em nome do Pai”) Ui! Me arrepiou tudo! Quem roubou essas joias não há de ser feliz, pelo visto. Baixou a pomba-gira “ne” mim, que não tive nada a ver, imagina com o cidadão que roubou essas joias? NÉIA —— Eu tenho certeza de que foi a própria Ester quem roubou essas joias! BARTOLOMEU —— Tá, mas e aí? O que faremos agora? Com a Néia fora da mansão, vamos ir adiante com o plano de eu ser o detetive? NÉIA —— (decidido) Certeza! Uai! Não vão desistir agora! Porque, veja bem: não é porque saí da mansão que a Ester vai desistir de descobrir quem escancarou o cofre. CARMÉLIA —— Tem razão! Vamos ir adiante com o plano!Corta para:CENA 11. BECO DE SÃO PAULO. BARRACO MOURÃO. INT. DIA.VEM ENTRANDO MOURÃO. EM SEGUIDA ERMELITA. AO BATER OS OLHOSNA CASA TODA VELHA, QUEBRADA E DESARRUMADA, ERMELITA FICA COMRECEIO. ERMELITA —— Deus me livre! É aqui que você mora? MOURÃO —— É, por quê? Depois de tudo que você me tomou, Ermelita.ERMELITA FICA BALANÇADA. ERMELITA —— Quem mexe em passado, quer ele de volta. MOURÃO —— Não quero. Até porque viver com você foi uma das piores experiências em toda minha vida. Golpista miserável! ERMELITA —— (séria) Mourão... eu só fugi com tua herança porque tava necessitada.
  10. 10. PERFEIÇÃO/ CAPÍTULO 011 PÁGINA 010 MOURÃO —— (bravo) Ah, é?! E cadê a herança toda, hein, Ermelita?! ERMELITA —— Entenda. Também vou golpeada por um marginal fajuta! Me deram um golpe, Mourão. MOURÃO —— Te deram um golpe porque você me deu um golpe. A justiça de Deus não falha! ERMELITA —— Eu tava realmente necessitada, Mourão. E agora... agora tô vivendo do que a minha irmã Jurema tem. MOURÃO —— Ah... espero que você não dê o golpe nela também.ERMELITA FICA SENTIDA.Corta para:CENA 12. ZONA NORTE DE SAMPA. CASA PAIS DE LISA. INT. SALA.TARDE.JOANA ACABA DE ABRAÇAR LISA FELIZ E ANIMADA. CLEITON AO LADODELES, DE PÉ. JOANA —— (emocionada, p/ Cleiton) Cleiton, nossa filhinha. Nossa filhinha resolveu nosso problema. LISA —— Pra mim foi mais que uma obrigação. Mas ó, gente, a prefeita alongou o prazo de despejo de vocês a 2 meses, o que é um milagre. CLEITON —— Filha, não estamos te atrapalhando, não? LISA —— Ah, pai. Família é família! Sempre que tiver a meu alcance, eu farei. CLEITON —— (orgulhoso) E agradecemos muito, viu.O CELULAR QUE TÁ NA BOLSA, NO SOFÁ, DE LISA COMEÇA A TOCAR. LISA —— Ai, deve ser o meu!LISA PEGA O CELULAR DA BOLSA. CAMINHA PRA UM CANTO CALMO,ENQUANTO JOANA E CLEITON SE ABRAÇAM FELIZES. LISA ATENDE. LISA —— (ao cel) Alô?
  11. 11. PERFEIÇÃO/ CAPÍTULO 011 PÁGINA 011 LEANDRO —— (off ao cel) Será que você adivinha quem seja?CLOSE NO ROSTO SURPRESO DE LISA, AO MESMO TEMPO SORRIDENTE. LISA —— (ao cel) Leandro? LEANDRO —— (off, ao cel) Calma, antes de desligar o celular, pode pelo menos responder a meu convite? LISA —— (surpresa, ao cel) Convite? Que convite? LEANDRO —— (off ao cel) Estou te convidando pra ir numa pizzaria/ (corta-se) Mas calma! Não é pra nos encontramos longe de Ester nenhuma. Pra eu me explicar. LISA —— (confusa, ao cel) Se explicar? Do quê, Leandro? Concisão, por favor! LEANDRO —— (off, ao cel) Me explicar do beijo que te dei anteontem, lembra?CLOSE EM LISA QUE FICA SURPRESA.Corta para:CENA 13. FACULDADE DE SÃO PAULO. EXT. CAMPUS. TARDE.ATRÁS DUMA ÁRVORE, ENCONTRA-SE LEANDRO, QUE APÓS FALAR COMLISA DESLIGA O CELULAR E GUARDA-O.JECA, ESPIANDO EM SEGREDO,PERTO DA ÁRVORE. APÓS OUVIR TUDO, CAMINHA PRA UM CANTO MAISTRANQUILO E DIZ A SI MESMO: JECA —— (para si) Então o mauriçola vai encontrar a professora de novo? (malícia) Bom saber. Muito bom.JECA PEGA O CELULAR DO BOLSO DA CALÇA. DISCA. ALGUÉM ATENDE. JECA —— (ao cel) Alô, Raquel! RAQUEL —— (off, ao cel) Alô...? Eu não acredito que é você! JECA —— (ao cel, rindo) Eu mesmo! Seguinte. Liguei só pra avisar que mais um flagra tá prestes a acontecer entre mim, Leandro e a professora suburbana. RAQUEL —— (off, ao cel confusa) O quê? Vem
  12. 12. PERFEIÇÃO/ CAPÍTULO 011 PÁGINA 012 cá, do quê que você tá falando?! JECA —— Vem ou não vem comigo? RAQUEL —— (bufa, off ao cel) Aff! Tá bom, João Alves... me pega aqui na minha casa. (debochada) Ah! Nem te conto! Vem ver a porta nova que eu pus aqui. Tu vai amar! JECA —— (ri, ao cel) Ah! Tá nadando na grana. Bom saber.RAQUEL DESLIGA NA MAIOR CARA DE PAU E JECA FICA A VER NAVIOS. JECA —— Que safada!Corta para:CENA 14. AERO PORTO DE SÃO PAULO. EXT. ÁREA DE POUSO. TARDE.AVIÃO JÁ ATERRISSADO. Corta. ABRE-SE A PORTA DO AVIÃO. LINDA,CONSERVADA E CHIQUÉRRIMA, VEM DESCENDO DA ESCADA DO AVIÃO,DESIRRÉ. ELA CAMINHA UM POUCO. ATRÁS, SIMONE TODADESENGONÇADA COM TRÊS MALAS ÀS MÃOS, QUASE TROPEÇANDO. DESIRRÉ —— Cuidado, Simone! Você sabe o quanto amo você, pra morrer assim! SIMONE —— (toda atrapalhada) Ô!SIMONE TROPEÇA E TODAS AS MALAS VÃO AO CHÃO, JUNTO DELA.DESIRRÉ VIRA-SE. COMEÇA A RIR. SIMONE —— Rico adora rir da desgraça dos outros! DESIRRÉ —— (rindo) Ah, minha amiga! Foi engraçado! Vai! Não precisava carregar as minhas malas. Johnny faz isso. Aliás, cadê ele? SIMONE —— Ué... foi escrever novela!AS DUAS RIEM COM GOSTO. DESIRRÉ AJUDA SIMONE A LEVANTAR-SE.DESIRRÉ FICA SÉRIA. DESIRRÉ —— Mas você sabe, Si... a única coisa que me importa é achar a minha filhinha. Maria Helena! SIMONE —— Ô! Já eu penso que ela morreu tem
  13. 13. PERFEIÇÃO/ CAPÍTULO 011 PÁGINA 013 anos! DESIRRÉ —— Só pensa em tragédia, Simone! Vambora, vai! Isso já me cansou!ENQUANTO DESIRRÉ VAI SAINDO, SIMONE VOLTA A PEGAR AS MALAS DOCHÃO.Corta para:CENA 15. FAVELA DE SÃO PAULO. EXT. FACHADA BARRACO DE RAQUEL.TARDE.JECA ESTÁ ADMIRANDO A NOVA PORTA DE RAQUEL, TODA BONITA EPINTADINHA, ENQUANTO A ESPERA. JECA —— (para si) Não é que a meretriz conseguiu mesmo? Com que dinheiro ela conseguiu essa porta, hein?RAQUEL VEM SAINDO TODA LINDA, DECOTE CURTO, SORRINDO. RAQUEL —— E então? O que achou da minha porta? Digo essa porta, não aquela porta. JECA —— No caso, eu gosto das duas! RAQUEL —— Bobão!AMBOS CAMINHAM E ENTRAM NO CARRO.RAQUEL OLHA PELO VIDRO DO CARRO E VÊ NÉIA, A EMPREGADA,SUBINDO COM UMA SACOLA CHEIA DE ROUPAS. ESTRANHA. RAQUEL —— (estranhando) Olha, Jeca! Olha lá! JECA —— Olhar o quê? RAQUEL —— (aponta) A Néia, a empregada da mansão onde o Leandro mora. JECA —— (ri) E daí? Que ela é suburbana já era de se imaginar. RAQUEL —— Sim, mas o que ela faz aqui? Quando ela começou a “trampar” na casa dos Almeida Juniors ficou por lá. (T) Será que... ela foi demitida? JECA —— Taí um belo jeito de tirar essa dúvida: indo lá e perguntando. Vai lá! RAQUEL —— Não sei se ela iria me responder, mas por via das dúvidas, lá vou eu!
  14. 14. PERFEIÇÃO/ CAPÍTULO 011 PÁGINA 014RAQUEL ABRE A PORTA DO CARRO E SAI. JECA FICA OLHANDO. PV DEJECA: RAQUEL SE APROXIMA DE NÉIA, QUE SOBE O ALAMBRADO,DEPOIS UMA ESCADA. RAQUEL PRATICAMENTE BARRA NÉIA. RAQUEL —— Com licença? NÉIA —— (assusta-se) Sim? Eu te conheço? RAQUEL —— vai saber... tu é Néia, não é? NÉIA —— Sim. Néia, por quê? RAQUEL —— Você trabalhava na casa dos bacanas lá, né, do médico maduro e do filho do médico, o gostoso? O Leandro, digo! NÉIA —— (estranha) Era eu, sim. Mas por quê? RAQUEL —— Não, porque sem querer me meter, me responde: tu foi demitida, foi?NÉIA HESITA... FIM DO CAPÍTULO.

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