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DIÁRIO

Conceito

O diário é um dos géneros da literatura autobiográfica. Registo das vivências e
sentimentos de um “eu” face ao mundo que o rodeia, possui, por esse motivo, um
carácter intimista e confidente. O diário é o testemunho Quotidiano, por vezes com
algumas descontinuidades, do quotidiano de alguém que fixa, através da escrita,
factos, desejos, emoções.


Estrutura


O diário possui uma estrutura bastante característica:

é repetitivo – cada dia corresponde a um registo de situações e sentimentos
diferentes e é identificado pela respectiva data;

o autor dirige-se ao diário como a um confidente, sendo frequente a utilização do
vocativo “Querido diário” ou até a criação de um nome para o saudar;

os registos são ordenados por ordem cronológica de ocorrência.



Características



Além de obedecer a uma estrutura específica, o diário encerra características
próprias:



1. o protagonista e o narrador são coincidentes, ou seja, são a mesma entidade.
Por esse motivo, a modalidade de enunciação do discurso utilizada é a primeira
pessoa. O diário é testemunha de uma situação de comunicação unilateral;



2. a matriz discursiva é muito livre, uma vez que o narrador dá livre expressão ao
curso do seu pensamento. Não existe, excepto no diário de ficção, a intenção de
agradar os leitores, porque o diário destina-se ao próprio autor;



3. o discurso é subjectivo, a escrita é confessionalista. O nível de língua é familiar,
o registo é informal e o vocabulário bastante simples;
4. utilização de deícticos, marcas da presença do sujeito no discurso que produz. A
referência deíctica pode ser dada por pronomes pessoais, determinantes
possessivos ou demonstrativos, advérbios de tempo ou de lugar,



5. por vezes, a narração é descontínua, intercalada, porque apenas ocorre quando
o sujeito de enunciação deseja registar algo.



Tipos de diário



Existem dois grandes tipos de diário, de acordo com o tipo de receptor a que se
destinam:



Diário pessoal – este diário é íntimo e destina-se apenas a ser lido pelo seu autor.
Não existem grandes preocupações literárias e a linguagem é fluida e familiar.
Poderá ser mais repetitivo em termos de forma (repetições a nível do registo
escrito que traduzem a fluência da oralidade) e de conteúdo (referência aos
mesmos episódios…) que o diário de ficção;
Trabalho:



15-07-2011



Querido diário, e pensava eu que era muito bom estar fora do país sem os meus pais e a
minha família?
Oh onde estava eu com a cabeça? Assim que cheguei a Lamballe e me vi sozinha comecei a
sentir falta daqueles a quem eu tanto chamos de “chatos”, pois é , esses mesmo a minha
família.
Estar noutro país sozinha , onde se me acontecer algo não tenho nada nem ninguém que me
possa ajudar é angustiante, ter sempre aquela sensação de solidão , de que nos falta algo .
Até a vontade se sair eu perdi, so me apetece voltar para Portugal e reencontrar aqueles que
realmente tem de estar sempre comigo .
explicando melhor, eu cheguei a Lamballe ontem de manhã, vim com os meus colegas da
escola, admito que a viagem foi muito animada e houveram sempre temas de conversa, (o
normal de adolescentes) , mas assim que me vi sozinha senti falta das pessoas que lidam
comigo diariamente, além do mais o clima lá era completamente diferente , frio constante o
que também acaba sempre por influenciar o nosso estado de espirto.
Com esta viagem consegui perceber que ir embora sozinho a descoberta do mundo não e
assim tao bom como imaginamos , apenas é muito bom descobrir mos coisas novas , quando
temos as pessoas certas do nosso lado a descoberta conosco.
Desde que cheguei tenho reparado que todas as pessoas me tem acolhido com o maior
carinho do mundo , assim que chegamos fomos a um restaurante almoçar e mais uma vez a
minha cabeça so consegui pensar na minha mãe no meu irmão e na minha avó.
Hoje consegui perceber como é estranho ter mos essas pessoas diariamente do nosso lado e
muitas das vezes não dar-moss valor, mas o que é certo é que quando essas pessoas nos
faltam apenas conseguimos sentir um vazio , um desassossego e uma enorme saudade.

Lorredana Oliveira Pereira

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  • 1. DIÁRIO Conceito O diário é um dos géneros da literatura autobiográfica. Registo das vivências e sentimentos de um “eu” face ao mundo que o rodeia, possui, por esse motivo, um carácter intimista e confidente. O diário é o testemunho Quotidiano, por vezes com algumas descontinuidades, do quotidiano de alguém que fixa, através da escrita, factos, desejos, emoções. Estrutura O diário possui uma estrutura bastante característica: é repetitivo – cada dia corresponde a um registo de situações e sentimentos diferentes e é identificado pela respectiva data; o autor dirige-se ao diário como a um confidente, sendo frequente a utilização do vocativo “Querido diário” ou até a criação de um nome para o saudar; os registos são ordenados por ordem cronológica de ocorrência. Características Além de obedecer a uma estrutura específica, o diário encerra características próprias: 1. o protagonista e o narrador são coincidentes, ou seja, são a mesma entidade. Por esse motivo, a modalidade de enunciação do discurso utilizada é a primeira pessoa. O diário é testemunha de uma situação de comunicação unilateral; 2. a matriz discursiva é muito livre, uma vez que o narrador dá livre expressão ao curso do seu pensamento. Não existe, excepto no diário de ficção, a intenção de agradar os leitores, porque o diário destina-se ao próprio autor; 3. o discurso é subjectivo, a escrita é confessionalista. O nível de língua é familiar, o registo é informal e o vocabulário bastante simples;
  • 2. 4. utilização de deícticos, marcas da presença do sujeito no discurso que produz. A referência deíctica pode ser dada por pronomes pessoais, determinantes possessivos ou demonstrativos, advérbios de tempo ou de lugar, 5. por vezes, a narração é descontínua, intercalada, porque apenas ocorre quando o sujeito de enunciação deseja registar algo. Tipos de diário Existem dois grandes tipos de diário, de acordo com o tipo de receptor a que se destinam: Diário pessoal – este diário é íntimo e destina-se apenas a ser lido pelo seu autor. Não existem grandes preocupações literárias e a linguagem é fluida e familiar. Poderá ser mais repetitivo em termos de forma (repetições a nível do registo escrito que traduzem a fluência da oralidade) e de conteúdo (referência aos mesmos episódios…) que o diário de ficção;
  • 3. Trabalho: 15-07-2011 Querido diário, e pensava eu que era muito bom estar fora do país sem os meus pais e a minha família? Oh onde estava eu com a cabeça? Assim que cheguei a Lamballe e me vi sozinha comecei a sentir falta daqueles a quem eu tanto chamos de “chatos”, pois é , esses mesmo a minha família. Estar noutro país sozinha , onde se me acontecer algo não tenho nada nem ninguém que me possa ajudar é angustiante, ter sempre aquela sensação de solidão , de que nos falta algo . Até a vontade se sair eu perdi, so me apetece voltar para Portugal e reencontrar aqueles que realmente tem de estar sempre comigo . explicando melhor, eu cheguei a Lamballe ontem de manhã, vim com os meus colegas da escola, admito que a viagem foi muito animada e houveram sempre temas de conversa, (o normal de adolescentes) , mas assim que me vi sozinha senti falta das pessoas que lidam comigo diariamente, além do mais o clima lá era completamente diferente , frio constante o que também acaba sempre por influenciar o nosso estado de espirto. Com esta viagem consegui perceber que ir embora sozinho a descoberta do mundo não e assim tao bom como imaginamos , apenas é muito bom descobrir mos coisas novas , quando temos as pessoas certas do nosso lado a descoberta conosco. Desde que cheguei tenho reparado que todas as pessoas me tem acolhido com o maior carinho do mundo , assim que chegamos fomos a um restaurante almoçar e mais uma vez a minha cabeça so consegui pensar na minha mãe no meu irmão e na minha avó. Hoje consegui perceber como é estranho ter mos essas pessoas diariamente do nosso lado e muitas das vezes não dar-moss valor, mas o que é certo é que quando essas pessoas nos faltam apenas conseguimos sentir um vazio , um desassossego e uma enorme saudade. Lorredana Oliveira Pereira