O digital, a sustentabilidade e a viagem do open source ao open data

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O digital veio trazer novos espaços de transformação e a disseminação das plataformas digitais. Constitui um acelerador na forma como lidamos com dados e informação e tem permitido o desenvolvimento de sistemas complexos de uma sofisticação crescente. Uma das consequências é a necessidade de adaptação rápida e constante, a novos contextos e desafios. Como o fazer de forma sustentável? É neste contexto que o open source e as suas comunidades podem ter um papel (ainda mais) relevante. Nesta discussão é ainda abordado o open data como complemento importante de continuidade na evolução do open source no contexto do movimento open.

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O digital, a sustentabilidade e a viagem do open source ao open data

  1. 1. O digital, a sustentabilidade e a viagem do open source ao open data Luís Borges Gouveia Universidade Fernando Pessoa II Jornadas de Sistemas open source BAD, Universidade de Aveiro 17 de Outubro de 2016
  2. 2. II Jornadas em Sistemas Open Source 1º painel – O contexto Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas (BAD). Universidade de Aveiro • Título O digital, a sustentabilidade e a viagem do open source ao open data • Resumo O digital veio trazer novos espaços de transformação e a disseminação das plataformas digitais. Constitui um acelerador na forma como lidamos com dados e informação e tem permitido o desenvolvimento de sistemas complexos de uma sofisticação crescente. Uma das consequências é a necessidade de adaptação rápida e constante, a novos contextos e desafios. Como o fazer de forma sustentável? É neste contexto que o open source e as suas comunidades podem ter um papel (ainda mais) relevante. Nesta discussão é ainda abordado o open data como complemento importante de continuidade na evolução do open source no contexto do movimento open. • Data 17 de Outubro de 2016 Luis Borges Gouveia, Outubro 2016
  3. 3. Richard Stallman (1953 - ) homepage: https://stallman.org/ • Oriundo do Laboratório de Inteligência Artificial (MIT) • Propõe em 1983 uma abordagem alternativa à criação de software, que deve ser criado de forma colaborativa e livremente partilhado • Ativista e fundador do movimento de software livre (de quaisquer restrições) • Criador do projeto GNU (GNU’s Not UNIX), https://www.gnu.org/ • Fundador da FSF (1985) – Free Software Foundation • Organismo que se dedica à eliminação de restrições sobre cópia e modificação de sw, http://www.fsf.org/ • Software livre não é o mesmo de open source • Segundo o autor, a questão é a liberdade pelo que se deve pensar em liberdade de expressão e não em preço (“cerveja grátis”) Luis Borges Gouveia, Outubro 2016
  4. 4. Linus Torvalds (1969 - ) homepage: https://github.com/torvalds • Aluno na Universidade de Helsínquia, Finlândia • Desenvolveu em 1991 um núcleo de sistema operativo (kernel) para o GNU e partilhou de forma aberta o seu código fonte para desenvolvimento colaborativo • Criador do Linux, núcleo do sistema operativo GNU/Linux • Inicialmente com 10 K linhas de código foi livremente partilhado, “na esperança de que quem o fosse usar, o poderia melhorar e contribuir para o seu desenvolvimento” • No entanto, partes do código do Linux continha partes de binário registados, isto é, software protegido que não estava de acordo com o conceito de software livre de Stallman • Linus Torvalds afirmou que o software é “demasiado importante no mundo moderno para não ser desenvolvido através de fontes abertas” Luis Borges Gouveia, Outubro 2016
  5. 5. OSI, Open Source Initiative, https://opensource.org • Definição de open source (código aberto), OSI, 2007. Não é apenas acesso ao código fonte do software; devem ser cumpridos os seguintes critérios: 1. Redistribuição livre (isolada ou agregada e sem custos ou comercial) 2. Código fonte (deve estar pelo menos acessível e entendível) 3. Trabalhos derivados (deve ser permitida a modificação e trabalhos derivados, nos mesmos termos do software original) 4. Integridade do código de autor (podem existir restrições à transformação de código existente) 5. Sem descriminação de pessoas ou grupos (a licença não deve excluir pessoas ou grupos) 6. Sem descriminação de áreas de atividade e realização (a licença não deve excluir usos comerciais, por exemplo) 7. Distribuição da licença (a licença aplica-se a todas as redistribuições) 8. A licença não deve ser específica do produto (todas as partes de um programa devem ter o mesmo licenciamento) 9. A licença não deve restringir outro software (a licença não deve especificar licenciamento de outro software, mesmo que este acompanhe o software licenciado) 10. A licença deve ser neutra do ponto de vista tecnológico (sem especificar uma tecnologia ou estilo de interface) Luis Borges Gouveia, Outubro 2016
  6. 6. Onde está o código? Uma plataforma importante é o github, https://github.com Luis Borges Gouveia, Outubro 2016
  7. 7. Software livre: 3 questões • Custos • Quem financia o desenvolvimento? • Esforços • Quem suporta as necessidades de recursos e de tempo para realizar o desenvolvimento? • Sustentabilidade • Como assegurar que o esforço realizado retorna o valor suficiente para manter o esforço necessário? Luis Borges Gouveia, Outubro 2016
  8. 8. Desafios e porque o recurso à comunidade (parceria) pode ser uma boa solução • A questão da qualidade • Quem garante a implementação de mais/todas as funcionalidades • Quem garante a portabilidade para novos ambientes e equipamentos • Quem garante a correção de erros e falhas de desenvolvimento • Quem garante o teste e validação do desenvolvimento • Quem garante a gestão de versões e sua compatabilidade • Quem garante a interoperabilidade • Quem garante a documentação, formação e treino • Esforço colaborativo • O desenvolvimento de software é de crescente complexidade e exigência de conhecimento de crescente multidisciplinaridade • Exige muito investimento, tempo, recursos e principalmente competências de recursos humanos dificeis de encontrar, juntar, manter e coordenar Luis Borges Gouveia, Outubro 2016
  9. 9. Uso no contexto universitário Algumas propostas de um trajeto (roadmap) open source • Uma plataforma de publicação na World Wide Web – Wordpress, https://wordpress.org • Uma plataforma de e-learning – Sakai, https://www.sakaiproject.org • Uma plataforma de repositório – DSpace, http://www.dspace.org/ • Criar e manter uma página colaborativa na World Wide Web (Wiki) – MediaWiki, https://www.mediawiki.org • Uma plataforma para suporte a conferências – OCS, https://pkp.sfu.ca/ocs/ • Uma plataforma para suporte a revistas de acesso aberto, OJS, https://pkp.sfu.ca/ojs/ • Uma plataforma para suporte à atividade de I&D – OSF, https://osf.io/ Luis Borges Gouveia, Outubro 2016
  10. 10. Wordpress, facilidade na publicação e edição de recursos para a World Wide Web Luis Borges Gouveia, Outubro 2016
  11. 11. Sakai, recurso a áreas de colaboração com múltiplas funcionalidades Luis Borges Gouveia, Outubro 2016
  12. 12. DSpace, quatro coleções para publicações, relatórios internos, apresentações e dados da atividade do grupo Luis Borges Gouveia, Outubro 2016
  13. 13. MediaWiki, recurso a uma página Wiki para compilar informação técnica de um projeto Luis Borges Gouveia, Outubro 2016
  14. 14. OCS e OJS, Suporte à publicação especializada e apoio para a realização de conferências científicas Luis Borges Gouveia, Outubro 2016
  15. 15. Acesso aberto em ciência: Open Science • O esforço coletivo da ciência que se quer aberta, por natureza, com os resultados obtidos a serem disponibilizados de modo a serem garantidos dois dos seus princípios maiores: • Reprodutibilidade • Comparabilidade • MAIS: conetividade ver NATURE FAIR (http://www.nature.com/articles/sdata201618), os dados (científicos) devem ter 4 propriedades: • Recuperável • Acessível • Interoperável • Reusável Luis Borges Gouveia, Outubro 2016
  16. 16. OSF, https://osf.io Open Science Framework Rumo à cloud e a novos desafios Luis Borges Gouveia, Outubro 2016
  17. 17. Open data (dados abertos) os dados que todos podem aceder, usar e partilhar Luis Borges Gouveia, Outubro 2016
  18. 18. Open data (dados abertos) os dados que todos podem aceder, usar e partilhar • Um preocupação recente da Comissão Europeia • Ver o H2020 Programme, guidelines on FAIR Data Management in Horizon 2020. V3, 26 July 2016. http://ec.europa.eu/research/participants/data/ref/h2020/grants_manual/hi/oa_pilot/h 2020-hi-oa-data-mgt_en.pdf • Repositórios de dados • Diretório: http://www.re3data.org/ • Exemplo: Zenodo (Openaire + CERN), https://zenodo.org/ • Ferramentas para a curadoria e criação de planos de gestão de dados • JISC, UK: https://dmponline.dcc.ac.uk/ • Universidade de Zurique: Science Matters, https://www.sciencematters.io/ Luis Borges Gouveia, Outubro 2016
  19. 19. Novos desafios • Big data (de dados científicos) • De algum modo, a escala e complexidade da ciência no Séc XXI exige plataformas digitais e o esforço concertado e aberto de redes de instituições e individuos, de forma multidisplinar e atempada (oportuna e disponível) • Privacidade • Aplicam-se os princípios de privacidade cujos regulamentos de proteção de dados se estão a tornar mais restritivos e exigentes, passando a responsabilidade da sua aplicação dos reguladores para os encarregados de dados • (ciber)segurança • O crescente recurso a meios e plataformas digitais, implica um reforço dos mecanismos de segurança de modo a permitir assegurar a proteção de dados, a sua integridade, disponibilidade e confidencialidade • Data science • Novas oportunidades surgem pela possibilidade de descoberta de novos padrões, disponibilidade de enormes quantidades de dados e pelo recurso de técnicas e instrumentos de base digital para a descoberta de conhecimento Luis Borges Gouveia, Outubro 2016
  20. 20. Luís Borges Gouveia http://homepage.ufp.pt/lmbg/ | lmbg@ufp.edu.pt • Professor Associado com Agregação da Universidade Fernando Pessoa, Coordenador do Doutoramento em Ciências da Informação, ramo de Sistemas, Tecnologias e Gestão da Informação. Autor de 15 livros. Possui a Agregação em Engenharia e Gestão Industrial pela Universidade de Aveiro e Doutoramento em Ciências da Computação, pela Universidade de Lancaster (UK). • Nos últimos anos, tem estudado os temas do digital e como este impacta o dia-a-dia da atividade humana e a gestão da informação para organizações e indivíduos. Defensor das plataformas digitais para suporte à cooperação entre pessoas e organizações, aspeto onde também se insere o open source.

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