1
2
SIMONE ELKELES
How to Ruin a
Summer Vacation
3
Como é que uma adolescente moderna termina em uma fazenda no
meio de Israel, com seu pai quase desconhecido? Bem, nem ve...
4
Capítulo 1
Em questões de segundos os pais podem mudar o curso da
sua vida.
Como uma garota de 16 anos relativamente int...
5
causa tanta controvérsia. Você não tem que assistir às notícias no TiVo1 para
saber que Israel é um foco de hostilidade ...
6
— Não sabia que tinha uma avó — digo, acentuando o “ó” porque
Ron, como todos os outros israelenses que conheci, não pod...
7
— Está brincando, não é?
— Amy, não pode evitá-lo pra sempre. Não é justo.
Não é justo? Cruzo os braços na frente do meu...
8
— Oh, sim, ele ligou. E de alguma maneira convenceu minha mãe a
cancelar meus planos de verão para poder me levar pra Is...
9
— Você apenas riu por um instante, Jess. Sabe que nunca poderia
ficar brava com você, é minha melhor amiga.
O que dizer ...
10
De toda forma, ainda estou brava com ele por me trazer para esta
viagem estúpida em primeiro lugar. Graças a ele, tive ...
11
Capítulo 2
Ficar dentro de um avião durante doze horas deveria ser
proibido.
Caminho pelo corredor e ligo para Jessica....
12
— Depois de algum jeito conseguirei ir ao acampamento de tênis e..
Oh, não sei se Ron quer que eu seja uma filha perfei...
13
— Os passageiros das fileiras trinta e cinco e quarenta e cinco
tenham seus cartões de embarque e passaportes para most...
14
Depois de tantos anos com Ron agindo como uma figura de “apenas
aniversários”, sinto que não tem nenhum direito de dize...
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me fez querer chorar. Eu não posso fazer nada. Odeio este avião, odeio
minha mãe por me obrigar a ter essa viagem estúp...
16
E o que são essas listras ao redor de suas mãos e braços ou aquele
quadro na frente?
Agora que olho com mais atenção, a...
17
Eu me pergunto o que a avó Pearl pensaria se soubesse que Jessica
perdeu sua virgindade com Michael Greenberg sob a man...
18
Capítulo 3
Não sou grosseira, apenas sou uma
adolescente com atitude.
A oficial de Imigração do aeroporto Bem Gurion em...
19
todos, inclusive garotas, sejam mandadas para o exército com dezoito anos,
certo? Escutei isso, não tente me enganar.
S...
20
Nunca pensei que lamentaria não saber hebraico. No colégio, peguei
espanhol.
Meu coração, no entanto está batendo acele...
21
— Amy, com o drama que acaba de fazer ali atrás não vou interpretar
um pai que confia em você neste momento.
Estou sem ...
22
Toco a máquina de Coca-Cola e imediatamente me tranquilizo. Estou
pronta pra colocar meu dinheiro na abertura e pela pr...
23
— Sim, entendo. Preciso do seu número de passaporte para trocá-lo.
— Meu... Pai o tem. — digo. Ron pegou depois que não...
24
Agora Ron vai em direção à área marcada com “saída” empurrando o
carrinho com nossas malas. E eu, no entanto estou para...
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Capítulo 4
Mudanças me dão coceiras.
Vejo Ron através dos carros parados. Ele nem ao menos está
preocupado comigo ou ve...
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demoraram meia hora para arrumar, por isso. E também as mulheres não
têm pretensões de serem homens.
— Vamos — diz. — N...
27
— Ela não é um país de terceiro mundo.
Ela? Israel é “ela”? Bom, ela é muito moderna. Na verdade, o tráfego
parece como...
28
— Então, porque não vem viver comigo por um tempo? — Me
desafia.
Eu, viver com ele?
— Tem namorada? — pergunto. Quero q...
29
— Vamos esclarecer as coisas Ron. Sou uma garota completamente
americana com sangue vermelho, branco e azul correndo pe...
30
— Eu te levarei aonde quiser. Não se preocupe. E também, se você se
perder não saberá como voltar.
Ótimo, penso comigo ...
31
— Gosta de que tipo de comida? — me pergunta — Estou seguro que
posso consegui-la.
— Sushi.
— Se refere ao peixe cru? –...
32
— Pode aguentar um pouco mais? Realmente preciso falar com você
antes que conheça a minha família.
Eu tinha que ouvi-lo...
33
— Basta abrir a porta. — Ouço o clique dentro do carro. Ele me olha
como se quisesse explicar mais coisas, mas não quer...
34
Capítulo 5
Se eu fechar meus olhos, a vida deixará de girar fora de
controle?
Chegamos à frente de uma porta e um cara ...
35
O que Ron está falando? Estará suando tanto como eu? Espero que
sim.
Saio do carro e me apoio contra ele, tentando ouvi...
36
Fala inglês? Não sei, por que está aqui em silêncio.
Dois garotos chegam correndo em nossa direção. Um começa a falar
c...
37
— Amy.
— Oi Amy, sou Doo-Doo – diz. Em seguida aponta para os outros
garotos. – E estes são Moron e O’Dead.
Agora, nunc...
38
— Vamos para a praia amanhã à noite. Quer se juntar a nós? — Doo-
Doo pergunta.
— Claro — digo.
Olho para a porta abert...
39
amoroso. Me encontro apoiada em seus braços. Em seguida me libera após
um largo tempo, coloca suas mãos sobre meus ombr...
40
chateada, ela obtém MINHA famosa piada “uma de um tipo” como se ela
mesma tivesse inventado.
Não ofereço minha mão em s...
41
Capítulo 6
Pode escapar de alguns problemas, mas logo encontrará
outros.
Entrei vagarosamente na casa. Uma cozinha está...
42
cavalos, vacas e ovelhas como se estivesse em alguma fazenda produzida em
Hollywood.
Quando paro de correr e começo a a...
43
—Claro que sei — digo — Estou no topo de uma montanha no meio
de Israel. – Duh.
— Na verdade, está na parte norte de Is...
44
— Não sabe que os cães dizem “ruff”, não “argh”? – pergunto — Está
tentando ser um pirata?
O cachorro responde com outr...
45
presidencial em atividade física no ano passado, mas provavelmente estou
fazendo um recorde mundial de salto.
Realmente...
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Capítulo 7
Eu nunca me acostumarei a ser humilhada.
— Eu juro Ron, não é minha culpa.
— Você tem falado muitas vezes es...
47
— Quem é Avi?
Ele me olha com aquela cara de você-deve-estar-brincando.
Levanto-me.
— Não! Por quê? A prima Snotty diss...
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— Está descansando no seu quarto. Sem expectadores, eu prometo.
Este deveria ser o momento que eu ganho um abraço do DE...
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— Ron pensa que está muito doente — digo, e logo quero empurrar
essas palavras de volta para minha boca.
Ela nega com a...
50
— Acredito que sim – Apenas para fazê-la crer que esta viagem
poderia milagrosamente mudar minha visão da vida.
— Eu er...
51
seu rosto como se ela fosse ganhar na loteria se meu medidor de felicidade
alcançasse certo nível.
Dou-lhe um pequeno s...
52
Coloco minha mala na cama, supondo que é aquela que seria minha
pelos próximos três meses e escolho alguma roupa para t...
53
Às vezes minha boca vai numa direção, a qual não tinha intenção de
ir.
O pior é que minha prima faz caso omisso da minh...
54
Depois do banho vou em direção ao quarto, perguntando-me porque
não levei a muda de roupa comigo ao banheiro-que-não-fe...
55
Salvo que estou cheirando bem.
Olho Snotty, que tem um pequeno sorriso de satisfação no seu rosto.
Ela é uma ratazana, ...
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Capítulo 8
Você pode atrair abelhas com mel, mas porque você
gostaria de fazer isso?
A desculpa do fuso horário serve p...
57
gostaria do instituto de Arte de Chicago e o Museu de Ciência e Indústria. O
museu tem exposições geniais. Minha favori...
58
— Não, motek me levou por toda a floresta e o pobre homem era
alérgico a pólen.
— Wow. — Estaria vendida se um homem me...
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o tempo tivesse parado, exceto porque meu Ipod segue tocando nos meus
ouvidos.
— Socorro! — grito. Estou movendo minhas...
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lo parar. Há uma garota dentro do carro com ele. A garota coloca a cabeça
pra fora da janela.
— Precisa de uma carona?
...
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Capítulo 9
Antes de falar, assegure-se de saber o que diz.
A praia que vamos é arenosa, e está rodeada por um lago que
...
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— Beseder18 — diz relutante — Meu amigo aqui presente, Moron, se
perdeu em muitas ocasiões. Seu senso de lugar é lendár...
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— Sejam gentis comigo, garotas – brinca.
— Fique com as calças – brinca Ofra e todos, inclusive eu, riem.
Snotty faz a ...
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Olho para Snotty. A garota nem sequer me olha. Logo volto para Ofra.
— Em frente — diz me oferecendo a mão para ficar d...
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Doo-Doo e O’Dead estão prontos para enfrentar Avi enquanto ele
está perseguindo Moron pela praia. Assombro-me quando ve...
66
Capítulo 10
Às vezes temos que demonstrar aos outros que somos
muito mais fortes do que na realidade.
Estou em Israel h...
67
— Amy, temos estado aqui há algum tempo e te deixei sozinha. Se
continuar dormindo todo o dia, nunca superará o fuso ho...
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expressam de muitas maneiras diferentes. Não é como se fôssemos
estúpidos, só estamos tratando de descobrir aonde perte...
69
— Todah — diz ela.
— De nada — Olho minha obra. — É uma cara de palhaço.
— Muito criativo. Gosta de cozinhar?
— Na verd...
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Sou lançada para uma terrível sensação de preocupação por Safta.
Quimioterapia? Oh, não... isso significa câncer.
— Pos...
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Simone elkeles [ruin 01] - como arruinar as férias de verão

  1. 1. 1
  2. 2. 2 SIMONE ELKELES How to Ruin a Summer Vacation
  3. 3. 3 Como é que uma adolescente moderna termina em uma fazenda no meio de Israel, com seu pai quase desconhecido? Bem, nem vem ao caso descrevê-lo. Moshav? O que é um Moshav? Será que é shopping em hebreu? Quero dizer, pelo que Jéssica me disse, as lojas de Israel têm as melhores roupas da Europa. Esse vestido preto que tem é realmente lindo. Sei que seria terrível sair para comprar com o doador de esperma, mas continuo pensando em todas as roupas incríveis que podia trazer quando voltasse. Infelizmente para Amy Nelson de 16 anos, Moshav está longe de ser um shopping. Pense em cabras, não em Gucci. Ir a Israel com seu pai quase desconhecido é a última coisa que Amy quer fazer neste verão. Amy tem um grande rancor de seu pai a quem chama de “Doador de Esperma” por quase não estar presente na sua vida. E que agora a está arrastando a uma zona de guerra para que conheça uma família que nem sabia que tinha, onde provavelmente será alistada no exército. Finalmente será presa em uma casa sem ar condicionado e com apenas um banheiro para sete pessoas, sem melhor amiga, sem namorado, sem shopping, sem telefone celular... Adeus orgulho, olá Israel.
  4. 4. 4 Capítulo 1 Em questões de segundos os pais podem mudar o curso da sua vida. Como uma garota de 16 anos relativamente inteligente é presa em uma situação da qual não pode sair? Bem, penso nisso enquanto estou sentada no aeroporto internacional O’Hare em Chicago na tarde de uma segunda-feira, durante uma hora e quarenta e cinco minutos de atraso, pensando nas últimas 24 horas da minha nova “ferrada” vida. Estava sentada no meu quarto ontem, quando meu pai biológico, Ron, ligou. Não, você não entende... Ron nunca liga. Bem, a não ser que seja meu aniversário, e isso foi há oito meses. Veja, depois de sua aventura na universidade, minha mãe descobriu que estava grávida. Ela vinha de uma família com dinheiro, e Ron.. Bom, ele não. Com seus pais pressionando-a, minha mãe disse a Ron que seria melhor se não tivesse um papel importante nas nossas vidas. Pessoal, estavam errados. Mas o pior é que ele desistiu, sem sequer tentar. Eu sei que ele coloca dinheiro numa conta para mim. Ele também vem pra me levar para jantar no meu aniversário. Mas e daí? Eu quero um pai que está sempre lá pra mim. Ele costumava vir um pouco mais, mas finalmente lhe disse pra me deixar em paz, assim minha mãe poderia encontrar um verdadeiro pai. Não, sério, suponho que só estava apenas tentando testá-lo. Ele falhou miseravelmente. Bem, o cara ligou desta vez para dizer a minha mãe que quer me levar a Israel. Israel! Você sabe aquele pequeno país do Oriente Médio que
  5. 5. 5 causa tanta controvérsia. Você não tem que assistir às notícias no TiVo1 para saber que Israel é um foco de hostilidade internacional. Sei que estou me distraindo, assim, vamos voltar ao que sucedeu. Minha mãe me deu o telefone sem ao menos dizer “é seu pai” ou “é o tipo com quem tive uma aventura de uma noite, mas não me casei”, para me advertir que era ele. — Olá , Amy. É Ron. — Quem? — pergunto. Não tento ser uma sabe-tudo, simplesmente não registro que o cara que me deu 50% dos meus genes está ligando. — Ron... Ron Barak — diz um pouco mais forte e mais lento, como se eu fosse uma completa imbecil. Congelo e acabo dizendo nada. Acredite ou não, às vezes dizer nada realmente funciona a meu favor. Aprendi com o decorrer dos anos. Isso normalmente deixa as pessoas nervosas, mas antes elas do que eu. Bufo com força para que saiba que ainda estou na linha. — Amy? — Sim? — Hum, só queria que soubesse que sua avó está doente — diz com seu sotaque israelense. Uma imagem anônima de uma pequena mulher de cabelos brancos que cheira a talco de bebê e mofo, e qual objetivo na vida é assar biscoitos com lascas de chocolate, passa brevemente pela minha mente. 1 Aparelho de vídeo que permite aos usuários capturar a programação televisiva para armazenamento em disco rígido.
  6. 6. 6 — Não sabia que tinha uma avó — digo, acentuando o “ó” porque Ron, como todos os outros israelenses que conheci, não podem dizer “ó” porque esse som agudo não está na sua língua. A minha avó materna morreu pouco depois que eu nasci, assim que fui uma dessas garotas sem avó. Uma pontada de dor e pena de nunca saber que tinha uma avó e agora saber que está “doente” fez-me sentir doente. Porém empurro esses sentimentos na parte de trás da minha mente, onde estão seguros. Ron pigarreia. — Ela vive em Israel. Estou indo para lá pra passar o verão. Gostaria que fosse comigo. Israel? — Não sou judia — deixo escapar. Um pequeno som, como um de dor, escapa da sua boca antes que diga. — Não tem que ser judia para ir à Israel, Amy. Não é preciso ser um gênio pra saber que Israel está no meio de uma zona de guerra. Uma zona de guerra! — Agradeço a oferta, mas vou para o acampamento de tênis este verão. Diga à avó que espero que melhore de sua doença. Adeus — digo e desligo. Quando faço isso, menos de quatro segundos se passam e o telefone toca de novo. Sei que é Ron. Um pouco irônico, quando ele liga duas vezes por ano e aqui está ligando duas vezes em questão de segundos. Minha mãe atende ao telefone na sala de estar. Trato de escutar através da porta do meu quarto. Não posso escutar muito. Só sussurros, sussurros, sussurros. Depois de cerca de quarenta minutos, ela bate na minha porta e me diz para fazer as malas para ir à Israel.
  7. 7. 7 — Está brincando, não é? — Amy, não pode evitá-lo pra sempre. Não é justo. Não é justo? Cruzo os braços na frente do meu peito. — Desculpe, o que não é justo é vocês dois nem tentarem viver como pais. Não fale sobre justiça. Eu sei que tenho dezesseis anos e deveria ter superado isso, mas não. Nunca disse que era perfeita. — A vida não é simples, saberá quando for mais velha — disse — Todos cometemos erros no passado, mas é tempo de repará-los. Você irá. Está resolvido. O pânico começa a me dominar e decido tomar o caminho pelo sentimento da culpa. — Vão me matar. A não ser que isso não seja a última coisa que queira. — Amy, pare o drama. Ele me prometeu que te manterá segura. Será uma grande experiência. Trato de falar por mais duas horas pra sair disso, realmente tento. Deveria saber que tentar argumentar com minha mãe não ganharia nada, tirando uma dor de garganta. Decido ligar pra minha melhor amiga, Jessica. Procurando apoio e compreensão de Jessica. — Hey Amy, o que aconteceu? — responde uma voz alegre do outro lado da linha. Você tem que amar o identificar de chamadas. — Meus pais decidiram arruinar minha vida — digo. — O que quer dizer com seus pais? Ron ligou?
  8. 8. 8 — Oh, sim, ele ligou. E de alguma maneira convenceu minha mãe a cancelar meus planos de verão para poder me levar pra Israel. Posso morrer? — Hm, realmente não quer escutar minha opinião, Amy. Confia em mim. Franzo minhas sobrancelhas enquanto lentamente começo a entender Jessica, minha mais querida amiga no mundo, não vai me apoiar 110%. — É uma zona de guerra! — digo lentamente para que ela receba o impacto. É uma risada que escuto do outro lado da linha? — Está brincando? — Jessica diz — Inferno, minha mãe vai à Tel Aviv2 todo ano para fazer compras. Disse que eles têm os diamantes mais caros que alguma vez já cortaram. Sabe aquele vestido preto que amo? Ela comprou pra mim lá. Eles têm os melhores estilos europeus e... — Necessito ajuda aqui, Jess, não dou a mínima para os diamantes e as roupas — digo, cortando seu discurso de “Israel é tudo”. Deus! — Sinto muito. Têm razão — diz. — Nunca vê as notícias? — Claro que Israel tem seus problemas. Mas meus pais dizem que muito do que vemos na TV é propaganda. Simplesmente não vá a um ponto de ônibus e lojas de café. Ron te manterá salva. — Ah! — digo. — Está brava comigo? — pergunta Jess. — Podia mentir e dizer que sua vida está arruinada definitivamente. Isso faria se sentir melhor? Jessica é a única pessoa que pode tirar sarro de mim e sair intacta. 2 Cidade de Israel.
  9. 9. 9 — Você apenas riu por um instante, Jess. Sabe que nunca poderia ficar brava com você, é minha melhor amiga. O que dizer da nossa relação de amizade, quando minha melhor amiga não tem problema em me enviar para uma zona de guerra? E, menos de vinte e quatro horas depois, estou sentada no aeroporto esperando nosso vôo da El Al Israel Airlines iniciar o embarque. Olho meu pai biológico, o homem quase inexistente na minha vida, que está lendo o jornal. Ele tentou falar comigo no caminho até o aeroporto. Eu o cortei, colocando meus fones e escutando meu iPod. Como se sentisse que estou olhando-o, ele abaixa o jornal e olha para mim. Seu cabelo é curto. É espesso e escuro, como o meu. Sei que se fosse maior seria encaracolado, também. Tão difícil como é, desembaraçar meus cabelos todas as manhãs. Não gosto do meu cabelo. Os olhos da minha mãe são verdes, os meus são azuis. As pessoas dizem que meus olhos são de um resplendor azul brilhante. Considero que meus olhos são o meu melhor recurso. Infelizmente, o mais importante que herdei da minha mãe foram peitos grandes. Além de mudar meu cabelo, gostaria de ter peitos menores. Quando jogo tênis, eles ficam no caminho. Alguma vez já tentou um revés a dois3 com peitos grandes? Eles seriamente deveriam ter vantagens no tênis para pessoas com peitos grandes. Quando for mais velha talvez consiga uma redução. Jessica me disse uma vez que durante uma redução de mama, o médico corta e retira toda a auréola.. Você sabe, essa parte rosada no meio do seio, e então, depois de tirarem todo o excesso, eles a colocam de volta no lugar. Não creio que goste de minhas partes rosadas separadas do restante. Enquanto penso em auréolas separadas, me dou conta que Ron ainda me olha. Olhando para a expressão do seu rosto provavelmente pensa que estou chateada com ele. Provavelmente não posso explicar que estou pensando em partes rosadas separadas. 3 Passe de jogo de tênis. É quando, por exemplo, um jogador segurando a raquete com a mão direita tem que rebater uma bola ao seu lado esquerdo, tendo que posicionar a raquete em frente ao peito.
  10. 10. 10 De toda forma, ainda estou brava com ele por me trazer para esta viagem estúpida em primeiro lugar. Graças a ele, tive que abandonar o acampamento de tênis neste verão. O que significa que possivelmente não estarei na equipe do colégio quando as audições começarem em outubro. Totalmente quero participar da equipe do colégio. Para piorar a situação, Mitch, meu namorado, nem sequer sabe que fui embora. Ele foi acampar com seu pai por algumas semanas em umas férias “livres de celulares”. Todavia, ainda é um relacionamento novo. Se não estivermos juntos o resto do verão, ele poderá encontrar alguém que esteja lá para ele. Não sei por qual razão Ron quer que eu vá com ele. Eu nem gosto dele. Provavelmente minha mãe me queria fora de casa para que ela pudesse ter privacidade com seu último homem. Seu atual namorado, Marc com “c”, acredita que é o único. Como se fosse. Não se dá conta de que uma vez que ela encontrar alguém maior, ou melhor, ele estará fora do jogo? — Vou ao banheiro — digo a Ron. Realmente não tenho que ir, mas pego minha bolsa e caminho pelo corredor. Quando saio da visão de Ron, pego meu telefone celular e continuo andando. Mamãe me deu um telefone “só para emergências.” Definitivamente sinto uma emergência chegando.
  11. 11. 11 Capítulo 2 Ficar dentro de um avião durante doze horas deveria ser proibido. Caminho pelo corredor e ligo para Jessica. — Por favor, você tem que estar em casa. — Rezo enquanto vejo através das janelas aviões parados no estacionamento. Normalmente não rezo, não está na minha natureza. Porém tempos desesperados pedem medidas desesperadas e eu sou flexível. Bem, às vezes. — Amy? Sinto-me melhor ao escutar sua voz. — Sim, sou eu. Meu vôo está atrasado. — Diga-me, você ainda está louca? — Sim. Diga-me outra vez, porque eu não deveria estar preocupada? — Amy, não vai ser tão ruim. Se houver algo que eu possa fazer... É a hora de dizer a Jess meu plano. Acabo de pensar nisso. — Tem uma coisa... — O que é? — Venha até o aeroporto. No Terminal Internacional. Eu estarei escondida ali, hm, vem ao Air Ibéria. Espere-me ali. — Então, o quê?
  12. 12. 12 — Depois de algum jeito conseguirei ir ao acampamento de tênis e.. Oh, não sei se Ron quer que eu seja uma filha perfeita, mas ele é o pai mais horrível que alguma vez... O celular é arrancando da minha mão, cortando o discurso de “pai de merda”. O ladrão, é claro, não é outro a não ser o próprio pai de merda. — Hey, me devolva ele! – digo. — Olá. Quem é? – Ron grita no telefone como um comandante do exército com um impedimento de fala. Não posso ouvir Jessica. Espero que ela não fale para ele. — Jessica, ela te ligará quando puder — diz, e em seguida desliga o telefone. Nem sequer me deu a oportunidade de ligar pra Mitch para que saiba aonde fui no verão. — Por quê? Por que quer estragar meu verão me levando pra Israel? Ele guarda o telefone no bolso de trás da sua calça. — Porque quero que conheça sua avó antes que seja tarde demais. Por isso. Assim, isso não tem nada a ver com Ron querer me conhecer e passar algum tempo comigo. Não, de agora em diante, quero que seja o pai que sempre deveria ter sido. Não deveria estar desapontada, mas estou. — Dirijam-se para o vôo 001 de El Al à Tel Aviv com escala em Newark. — Uma voz com sotaque israelense continua falando através do alto falante.
  13. 13. 13 — Os passageiros das fileiras trinta e cinco e quarenta e cinco tenham seus cartões de embarque e passaportes para mostrar aos funcionários, por favor. — Te direi algo – diz Ron. — Devolverei o telefone se cooperar e entrar no avião. Pode tentar? — Como se tivesse outra opção. — Ok — digo e estendo minha mão. Pelo menos tenho minha pequena conexão com a sabedoria e a independência. Ele me entrega o telefone, e relutantemente, eu o sigo até o avião. Ron e eu somos resignados para a fila sessenta, a última fila. Tenho um minuto de felicidade, porque ninguém sentará atrás de mim, assim posso descansar confortavelmente durante dozes horas até chegar a Tel Aviv. A menos, é claro, que uma bomba seja plantada no avião ou terroristas nos assaltem e nos matem antes que cheguemos à zona de guerra. Quando penso em terroristas no avião, olho pra Ron. — Ouvi falar que chefes da polícia aérea estão em todos os vôos da El Al — digo e empurro minha mala embaixo do banco a minha frente. — É verdade? Não lembro de alguma vez ter começado uma conversa com Ron antes, e ele parece aturdido. Olha ao redor para ver se estou falando com outra pessoa antes de responder. — El Al sempre tem chefes de polícia aéreos. — Quantos? — Porque se houver apenas um chefe de polícia aéreo contra cinco terroristas, a polícia aérea estará perdida. — Muitos. Não se preocupe, a segurança da El Al é insuperável. — Uh huh — digo não muito convencida. Quando olho à minha esquerda, vejo um cara com uma sobrancelha levantada que parece muito suspeito. O Sr. Apenas-uma-sobrancelha sorri para mim. Seu sorriso desaparece quando percebe que Ron o está olhando.
  14. 14. 14 Depois de tantos anos com Ron agindo como uma figura de “apenas aniversários”, sinto que não tem nenhum direito de dizer que é meu pai. Quando era pequena e vinha para me levar para a minha saída de aniversário anual, adorava o chão que ele pisava. Era como um super-herói que concedia cada um dos meus desejos e me tratava como uma “princesa por um dia”. Porém quando me dei conta que um pai na realidade deveria estar ali para você todos os dias, comecei a ressentir-me dele. No ano passado eu realmente explodi com ele. Fugi de casa, deixando um bilhete pra minha mãe avisando que tinha saído com amigos, e que voltaria à noite. Minha mãe não é fácil. Ela descarta homens por esporte. Mas o que eu sei de Ron, é que ele já foi uma vez comandante das Forças de Defesa Israelense. Um comandante que foi covarde demais para lutar pelo casamento com uma mulher que engravidou não vale muito no meu livro. Eu não vou ser como minha mãe quando for mais velha. Não serei como Ron tampouco. Pouco depois aterrissamos em Newark para pegar mais passageiros. Eu nunca havia comido sardinha, mas quando as pessoas começaram a ocupar cada espaço vazio do avião, os pequenos peixes asquerosos vieram à minha memória. Minha mente estava perturbada por ver quantas pessoas entravam no avião para voar pra um lugar que está na lista de alerta aos cidadãos americanos. Enquanto decolamos, empurro aquele pequeno botão para reclinar meu banco porque começo a ficar cansada. Percebo rapidamente que desde que estamos na última fileira, os bancos não se reclinam. Bem, agora isto não é engraçado. Este não é um vôo curto para Orlando. Este é um vôo de doze horas para um lugar que não quero ir, em primeiro lugar, para encontrar uma avó doente que eu nem sequer sabia de sua existência, em primeiro lugar. (Estes são dois pontos, eu sei, mas neste momento da minha vida, tudo o que me incomodava e estava em segundo lugar... especialmente agora, tomou o primeiro lugar.) Continuo tentando e forço o banco para reclinar-se pela quinta vez e a pessoa na minha frente se reclina totalmente, agora praticamente só tenho espaço para as minhas pernas, esse sentimento na boca do meu estômago
  15. 15. 15 me fez querer chorar. Eu não posso fazer nada. Odeio este avião, odeio minha mãe por me obrigar a ter essa viagem estúpida, e odeio Ron por quase todo o resto. Depois de algumas horas consigo me levantar para ir ao banheiro, esta vez de verdade. Infelizmente, pelo menos uma centena de pessoas já havia utilizado e o chão estava coberto de pedaços de papel higiênico. Além do mais o chão está cheio de pequenas gotas. Será urina ou água? Meus sapatos Dansko4 não estão acostumados a serem submetidos a tais abusos. Volto ao meu lugar e, para minha surpresa, sou capaz de pegar no sono mesmo que em posição vertical. O sonho é o momento de felicidade pura. O capitão apaga as luzes e logo fecho meus olhos. Alguém grita, e de repente sou acordada do país dos sonhos. Justo na minha frente, praticamente na minha cara, está um judeu hassídico5. Você sabe, um daqueles caras que vestem um chapéu preto e um casaco, cabelos longos, bigode e costeletas no rosto quase chegando ao pescoço. Jessica (ela é judia) me disse uma vez que são ultra, ultra religiosos e que tratam de seguir as seiscentas, ou algo assim, regras de Deus. Custa-me muito seguir as regras da minha mãe, pra não falar das seiscentas de Deus. Demoro um minuto para perceber que seus olhos estão fechados e que está orando. Porém ele não está orando no seu assento, está orando praticamente à direita do meu assento. Se balança, com os olhos fechados, e seu rosto está totalmente concentrado. Na verdade, quando meus olhos se ajustam à escuridão, me dou conta de que todos os judeus hassídicos reuniram-se na parte de trás do avião para orar. Percebo, porém, que as orações de todos soam mais como uma música mesclada com sussurros. Eles podem até não estar orando. Mas, então, um dos homens, que acredito ser o líder, diz algumas palavras em voz alta e todos respondem e seguem fazendo sua canção entre dentes. Sim, estão orando. Será que todos têm que fazer ao mesmo tempo? 4 Marca de sapato. 5 Membro do hassidismo, um movimento religioso ortodoxo e místico dentro do judaísmo.
  16. 16. 16 E o que são essas listras ao redor de suas mãos e braços ou aquele quadro na frente? Agora que olho com mais atenção, admiro esses homens por serem tão dedicados a sua religião, orando ao invés de dormir. Não me entendam mal, os admiro, mas não faria isso. Olho Ron, dormindo profundamente. É um homem bonito, se você gosta do tipo escuro, um tipo mediano. Embora para mim não seja. Minha mãe é de pele clara com cabelos loiros e olhos verdes. Possivelmente estava na sua fase “oposta” quando ela e meu pai se conheceram naquela fatídica noite. Pergunto-me se Ron desejava que eu não nascesse. Se ele tivesse optado por ficar no dormitório do seu primo na Universidade de Illinois, ao invés de seguir minha mãe para sua casa de irmandade há dezessete anos atrás, então, não teria sido preso com uma garota que o incomodava. Seus olhos se abrem de repente e me recosto no meu banco, fingindo que estou tentando ver algo na televisão que está na minha frente sem os fones de ouvido nas orelhas. Tenho algo de bom pra dizer do avião de El Al Israel, eles têm telas de televisão integradas na parte de trás de cada assento. Um milagre mesmo. — Penso que gostará – diz Ron. — Mesmo que eu tenha vivido nos Estados Unidos durante dezessete anos, Israel sempre será parte de mim. — E... — digo. — E sua avó vai querer ser parte de você também. Não a desaponte. Viro-me e lhe dou minha famosa encarada, a qual meu lábio superior se torce na quantidade certa. — Deve estar brincando. Não desapontá-la. Eu não sabia que ela existia até antes de ontem. E se eu me decepcionar? Se você não se esqueceu, ela não foi uma avó amorosa. Acredite, conheço pessoas que tem avós carinhosas. A avó de Jessica, Pearl, gastou quatro anos tecendo uma manta. Quatro anos! E logo depois começou a sofrer de artrite.
  17. 17. 17 Eu me pergunto o que a avó Pearl pensaria se soubesse que Jessica perdeu sua virgindade com Michael Greenberg sob a manta que ela gastou trabalhando quatro anos com os dedos tortos. Ron suspira e volta à atenção a pequena tela de televisão pessoal. Noto que não está usando os fones, também. Encosto-me. Há um largo silêncio, acho que se eu olhar o encontrarei dormindo novamente. — Como a chamo? — pergunto, sem deixar de olhar a tela na minha frente. — Ela gostará que a chame de Safta. Significa avó em hebraico. — Safta — digo a mim mesma em voz baixa, vendo com o som da palavra sai da minha boca. Olhando para o doador de esperma, me dou conta que está assentindo com a cabeça. Levanta seu queixo e me dá um pequeno sorriso, como se estivesse orgulhoso. Ugh! Olhando para frente, coloco minha televisão pessoal no canal que mostra quanto tempo falta para chegar a Israel. Quatro horas e cinqüenta e cinco minutos. Neste momento os judeus hassídicos já voltaram aos seus lugares. Fecho novamente meus olhos, agradecendo que foram dormir. Antes que eu perceba, a aeromoça diz algo em hebraico. Espero que a informação se repita em inglês. — Daqui a pouco estaremos aterrissando em Tel Aviv, por favor, coloquem seus bancos em posição vertical. Notícia de última hora, meu assento já tem estado em posição vertical todo o vôo de doze horas!
  18. 18. 18 Capítulo 3 Não sou grosseira, apenas sou uma adolescente com atitude. A oficial de Imigração do aeroporto Bem Gurion em Tel Aviv pergunta a Ron (que tem dupla nacionalidade: israelense e americana) quem sou. — Minha filha — diz. — Está registrada como cidadã israelense? — pergunta. A mulher está brincando? Eu? Uma cidadã israelense? Embora quando olhe para o rosto sério da oficial de Imigração, entre em pânico. Já ouvi falar de casos de garotos americanos que são pegos nos países do Oriente Médio e que não são permitidos voltarem. Não quero ser israelense. Quero ir para casa, agora mesmo! Dou a volta, andando em direção ao avião. Esperando que o capitão me permita voltar... Irei dentro do avião, dentro de uma mala, dentro de uma maldita mala que carrega animais. Só me tire daqui! Quase estou na porta. A liberdade está na minha frente quando sinto uma mão em meu ombro. — Amy — diz o familiar tom melancólico da voz de Ron atrás de mim. Viro e o enfrento. — Não vão me deixar voltar pra casa, certo? Você me sequestrou pra este país que quer que eu seja uma cidadã. Oh, Deus. Eles fazem com que
  19. 19. 19 todos, inclusive garotas, sejam mandadas para o exército com dezoito anos, certo? Escutei isso, não tente me enganar. Sei que estou soando como uma louca de dezesseis anos agora mesmo, minha voz está um oitava mais alta que o normal. Não posso evitar e continuo falando. — Vai me fazer ficar aqui e serei recrutada no exército, não? Eu posso vê-los trocando as minhas Abercrombie & Fitch6 por uniformes. Meu coração está batendo rápido e pequenas gotas de suor começam a escorrer pelo meu rosto. Juro que não são lágrimas e sim gotas de suor. — Ron, para ser honesta, nem tenho certeza que seja sua filha. Alguma vez fez um teste de paternidade? Porque vi uma foto de um cara com quem minha mãe saiu na Universidade, que era quase igual a mim. Ron mira o teto e solta um suspiro. Quando volta a me olhar, seus olhos marrons estão mais escuros que o normal. Sua mandíbula se aperta com firmeza. — Não se preocupe Amy. Está fazendo uma cena. — Amigo — digo duro, tentando controlar minha voz. Agora sou como Angelina Jolie, na parte do filme onde ela chuta a bunda de todo mundo que cruza com ela. — Nem sequer comecei a fazer uma cena. Um soldado com uma metralhadora muito, muito grande caminha entre as pessoas. Tem a cabeça quase raspada e posso dizer somente o olhando que tem um dedo no gatilho. Fantástico, minha vida está acabada, vou ser presa num país de terceiro mundo pelo resto dos meus dias... que provavelmente estão contando desde agora. — Mah carrah? — fala o soldado a Ron em hebraico. Soa mais como, “Macarena” ou “Mata a Amy?” para mim. — há’kok b’ seder — responde Ron. 6 Marca de roupas.
  20. 20. 20 Nunca pensei que lamentaria não saber hebraico. No colégio, peguei espanhol. Meu coração, no entanto está batendo acelerado quando pergunto: — O que está dizendo? O que está acontecendo? — Tenho medo da resposta, mas trato de ser valente para poder dizer aos Agentes do Serviço Secreto toda a informação que obtiver antes de escapar. O Governo Americano vai querer saber o que está acontecendo aqui, estou segura disso. — Não é uma cidadã israelense — diz Ron. — E não será recrutada em nenhum exército. — Então, o que disse o soldado? — Perguntou-me o que está errado e lhe disse que tudo estava bem. Isso é tudo. História provável, acredito. Porém volto ao encontro da senhora da Imigração, sobretudo porque ele agarrou meu braço com força. Ele fala com a mulher em hebraico desta vez, provavelmente para assegurar que eu não entenda. Pelo que sabemos, está negociando um acordo para me vender para ser escrava infantil. Às vezes me considero bastante atualizada sobre os acontecimentos mundiais, na verdade nunca ouvi falar da escravidão infantil israelense. Pouco depois, a mulher pega meu passaporte (minha mãe havia conseguido com propósitos de emergência havia um ano e a tonta aqui, aceitou, pensando que ela estava secretamente planejando me levar à Jamaica ou às Bahamas) e nos dirigimos à área de bagagens. Só temos que caminhar doze passos antes de chegarmos lá. — Venha, irei conseguir um carro — ordena Ron. — Esperarei aqui — digo, por que quero que ele saiba que me recuso a seguir as ordens dele. Ele cruza seus braços sobre o peito.
  21. 21. 21 — Amy, com o drama que acaba de fazer ali atrás não vou interpretar um pai que confia em você neste momento. Estou sem saída, mas não posso resistir. — Não tem sido bom interpretando um amoroso pai, tampouco. — digo, as palavras passando pela minha língua como se alguém estivesse me fazendo dizê-las. Que tipo de pai pode interpretar Ron? Você sabe, para que eu possa reconhecer quando o vir. Ron não se mostra muitas vezes irritado, mas mesmo com a pequena quantidade de tempo que passei com ele, sei os sons que faz ou as mudanças respiratórias quando algo está entalado na sua garganta. — Não acredite que é velha demais para ser castigada, mocinha. Tenho meu famoso ar depreciativo preparado. — Uma pista, Papai Querido. Estar aqui com você já é castigo suficiente. Na maioria das vezes não sou tão grosseira, de verdade, não sou. Porém meu ressentimento em relação à Ron e a insegurança a respeito do seu amor paternal me fazem atuar como uma cadela. Eu nem sequer sou consciente disso metade do tempo. Suponho que se sou grosseira com ele, estou dando uma razão para não me amar. Mudança no padrão respiratório. — Espere. Aqui. Ou. Do. Contrário... — diz. Ele vai embora, mas eu não posso ficar aqui. Olho o aeroporto e meus olhos se concentram em uma das coisas que a maioria dos adolescentes não consegue resistir: Uma máquina de Coca-Cola. (Insira música de Harpa aqui, porque é isso que está tocando na minha cabeça). Caminho no meio das pessoas como se estivesse em transe. Coca- Colas geladas estão me chamando. — Amy, Amy, Amy. Sei que você está irritada e quente. Amy, Amy, Amy. Sei que está suando como um porco nojento. Amy, Amy, Amy. Resolverei seus problemas.
  22. 22. 22 Toco a máquina de Coca-Cola e imediatamente me tranquilizo. Estou pronta pra colocar meu dinheiro na abertura e pela primeira vez em vinte e quatro horas sinto um sorriso vindo. É reconfortante que até mesmo a Coca- Cola está disponível no Oriente Médio. Logo, olho o preço. Meu vício de Coca-Cola está a ponto de custar-me uma quantidade considerável de dinheiro. Minha boca se abre e dou um pequeno grito. — Sete dólares e oito centavos?! Isso é um roubo! — Esse preço é em shekels7 — diz uma mãe com acento israelense e dois filhos pendurados nela. — Sete shekels e oito ah-goo-roat. — Shekels? Ah goo-roat? — Não tenho shekels. E estou segura como o inferno que não tenho ah-goo-roats. Ou cabras8 se foi isso que ela disse. Tenho apenas dólares americanos, mas encontro um cartaz que indica que um banco se encontra no aeroporto. Sigo o cartaz, andando diretamente a ele. Ele é do outro extremo do terminal. Se me apressar, Ron nem sequer notará que saí. No entanto quando chego ao banco, há uma fila. Para piorar a situação, o maior grupo de preguiçosos está na minha frente. Deveria retornar para a área de bagagem, mas não quero perder meu lugar na fila. Se somente essas pessoas fossem um pouco mais rápidas, teria meus shekels e ah-goo-roats para minha Coca-Cola rapidamente. Quando olho no relógio, me pergunto quantos minutos estou esperando. Dez? Vinte? É tão fácil perder a noção do tempo. Finalmente, sou a próxima. Pego minha nota de vinte dólares e entrego ao amigo banqueiro. — Passaporte? — diz. — Só quero trocar esse dinheiro — digo. 7 Dinheiro israelense. 8 Cabra em hebraico é “goats”. Por isso a confusão com o “ah-goo-roats”.
  23. 23. 23 — Sim, entendo. Preciso do seu número de passaporte para trocá-lo. — Meu... Pai o tem. — digo. Ron pegou depois que não era mais necessário para que não perdesse. — Não pode simplesmente dar-me shekels sem ele? — Não. Próximo — diz, enquanto devolve minha nota de vinte dólares e olha atrás de mim para o próximo cliente. Minha boca fica aberta. Perdi todo esse tempo por uma Coca-Cola e mesmo assim não terei uma. Incrível. Caminho de volta à área de bagagens e encontro Ron. Está falando com dois soldados e quando me vê, minha primeira reação é correr na direção contrária. Não fiz nada de errado. Sim, ele disse que esperasse, mas juro que pensei que seria apenas um minuto. Chame de intuição adolescente, mas de alguma maneira não penso que Ron escutará minha explicação com uma mente aberta. Diz algo aos soldados e logo caminha na minha direção, deliberadamente lento. Penso que está demorando tanto porque é muito provável que esteja pensando nas maneiras que pode me desmembrar e matar. Ensinam Desmembramento 101 na escola de comando? Ron finalmente me alcança e preparo a mim mesma. Soa como “arrr” e “yuh” saindo da sua boca, mas depois se volta dando alguns passos para a esteira de bagagens pegando as nossas malas. Percebo que nossas malas são as últimas que sobraram. Ele as pega e coloca num carrinho como se pesassem dois quilos. Minha mala estava acima do peso permitido. Sei disto porque ele teve que pagar mais de cem dólares pelas malas extras para que subisse no avião. Nota para mim mesma: Ron é muito forte. Continuo olhando-o, esperando sua ira chegar. Acredite, sei que está chegando. O que dá medo é que está demorando pra chegar. Um pai previsível é bom. Por outro lado, um pai imprevisível é o pior pesadelo de um adolescente.
  24. 24. 24 Agora Ron vai em direção à área marcada com “saída” empurrando o carrinho com nossas malas. E eu, no entanto estou parada aqui, meus pés plantados no chão deste aeroporto estranho. Justo agora percebo que meu querido pai simplesmente me deixou pra trás. Maldição. Normalmente esperaria tanto quanto pudesse e o faria suar. Deixaria-o pensar que nunca iria segui-lo. Porém quando olho os soldados que agora estão andando na minha direção, viro as costas e ando em direção à saída. Adeus orgulho, olá Israel.
  25. 25. 25 Capítulo 4 Mudanças me dão coceiras. Vejo Ron através dos carros parados. Ele nem ao menos está preocupado comigo ou vendo se o estou seguindo. Paro na frente dele, mas ele não reconhece minha presença. Bufo com força. Ele continua sem notar-me. A mulher do departamento lhe entrega uma chave e fala algo em hebraico. Ele lhe sorri, dizendo. — Todah.9 — E começa a puxar o carrinho com nossas malas dentro. — Desculpe-me ok? — digo. — Agora pare de me ignorar. Ele se detém. — Alguma vez te ocorreu que eu poderia estar preocupado com você? Podia mentir, mas que bem isso faria? — Francamente, não — digo. Ele passa as mãos pelo seu cabelo. Porque homens fazem isso quando estão frustrados? Por acaso pensam que serão mais homens? Eu sei por que as mulheres não fazem. Elas desarrumariam os cabelos que 9 Obrigado em hebraico.
  26. 26. 26 demoraram meia hora para arrumar, por isso. E também as mulheres não têm pretensões de serem homens. — Vamos — diz. — No momento que alcançarmos Moshav estará escuro. — Moshav? O que é um Moshav? Será que é shopping em hebraico? Quero dizer, pelo que Jéssica me disse, as lojas de Israel têm as melhores roupas da Europa. Esse vestido preto que tem é realmente lindo. Sei que seria terrível sair para comprar com o doador de esperma, mas continuo pensando em todas as roupas incríveis que podia trazer quando voltasse. É engraçado, quando penso no shopping, esqueço as bombas terroristas que poderiam estar lá. À medida que passamos pela avenida em nosso Subaru10 alugado, é fácil esquecer que esta é uma zona de guerra. Parece uma avenida no meio do Novo México ou algo assim. Quando chegamos à área de Tel Aviv, o caos no trânsito começou. Eu olho pela janela os edifícios. Ron aponta para a direita. — Essa é a torre Azrieli. É o edifício mais alto no Médio Oeste — diz orgulhosamente. Talvez seja bom ter um bom olho de boi11 sobre ele. — Que ótimo alvo terrorista — murmuro, mas logo percebo que Ron me olha de lado. — Bem, isso é. — Espero que esteja bem protegido, porque 11/912 mudou todos os americanos que conheço. Eu olho para fora enquanto passamos os edifícios de alta tecnologia com nomes de companhias americanas neles. — Israel não se parece com um país de terceiro mundo — digo. 10 Marca de carro. 11 Acho que ela quer dizer sobre aquela lâmpada no alto do prédio para sinalizar a altura do edifício. 12 Referindo-se ao ataque terrorista aos EUA em 11 de setembro de 2001.
  27. 27. 27 — Ela não é um país de terceiro mundo. Ela? Israel é “ela”? Bom, ela é muito moderna. Na verdade, o tráfego parece como se estivéssemos voltando para casa. Enquanto isso, dou-me conta rapidamente que os israelenses precisam ir à escola por esse caminho feio. Todos estavam gritando pelas janelas e mostrando o dedo uns para os outros. Eu grito quando uns grupos de pessoas que estão em scooters e motocicletas entram no meio dos carros. Eles nem sequer estão andando na linha; eles estão dirigindo sobre elas! — Estamos neste carro há uma hora. Quando vamos chegar? — lhe digo. — Daqui uma hora ou algo assim. — Não me respondeu. O que é um moshav? É um shopping ou algo assim? Ele ri e começo a achar que um moshav não é um shopping. — Já escutou alguma vez sobre um kibutz? – me pergunta. — Você se refere às comunidades onde vivem pessoas e compartilham tudo? Escuta, se está me levando à uma dessas comunidades saudáveis... — Por que sempre faz isso? — Isso o quê? — Exagerar. — Para sua informação, eu não exagero. Mamãe exagera, especialmente quando trato de chegar em casa logo depois do meu toque de recolher. Oh, sim, você não sabe disso porque não está lá — digo sarcasticamente. Silêncio.
  28. 28. 28 — Então, porque não vem viver comigo por um tempo? — Me desafia. Eu, viver com ele? — Tem namorada? — pergunto. Quero que diga que não porque tenho planos pra ele e minha mãe. E será mais fácil se não houver restrições. — Não. Você tem namorado? Ok, espere um segundo. Quando ele começou a fazer perguntas? — Talvez. — Amy, quando vai aprender a confiar em mim? Não sou seu inimigo, você sabe. — Então, me diga o que é um moshav. — Um moshav é uma comunidade muito unida. É similar ao kibuts, mas cada um possui seu território e propriedades. O dinheiro tampouco se compartilha ou não. Ainda soa como uma comunidade para mim. — Espero que não fiquemos lá por muito tempo — digo. — Eu tenho que tomar um banho de hotel e desfazer minhas malas. Tenho coisas nela que provavelmente estão derretendo nesse calor. — Não iremos ficar num hotel – diz. Agora eu vou exagerar. — O quê? — digo muito alto. — Nós ficaremos com sua tia, tio, primos e Sofia. — Faz uma pausa. Sei o que vê, eu sei. Porém não estou mentalmente preparada quando ele acrescenta. — No moshav.
  29. 29. 29 — Vamos esclarecer as coisas Ron. Sou uma garota completamente americana com sangue vermelho, branco e azul correndo pelas minhas veias. Eu não fico em lugares chamados moshavs. A menos que tenha me inscrito para as garotas Scouts(bandeirantes), o que eu nao fiz. Eu preciso de serviços. Serviços! Sabe o que é isso? — Sim. No entanto não espere muito de onde vamos. A última vez que visitei, só uma família tinha eletricidade e era a minha. Abro o porta-luvas do carro. — O que está fazendo? — pergunta Ron. — Buscando um mapa para assim saber que direção tomar quando escapar do moshav — respondo. Ele ri. — Ha, Ha, engraçado, muito engraçado. Não acredito que parecerá engraçado quando acordar um dia e se dar conta de que eu voltei à civilização. Ron me deu uns tapinhas no joelho. — Estava brincando, Amy. Eles têm eletricidade. Brincando? Ron estava brincando comigo? — Sabia que era brincadeira. Acredita que sou tão crédula? Ele não responde, mas sei que sabe a verdade pelo modo que sua boca se move. — Vai dar-me as chaves para que possa ir sozinha ao shopping? — Me desculpe. Mas a idade para dirigir aqui é somente com dezoito. — Quê?!
  30. 30. 30 — Eu te levarei aonde quiser. Não se preocupe. E também, se você se perder não saberá como voltar. Ótimo, penso comigo mesma. Perder soa como uma grande ideia. Concordo e olho pela janela. De um lado do carro está o mar mediterrâneo e no outro lado há montanhas com casas construídas ali. Se estivesse de melhor humor talvez pensasse que essa paisagem era bonita, porém estou irritada, cansada e minha bunda está dormente. Começo a fazer meus exercícios de glúteos. Estava vendo um show tarde da noite, há alguns anos atrás, quando uma estrela de ação, talvez Seagal ou Antonio Banderas, estava falando como fazia exercícios de glúteos quando estava em um carro. Apenas apertar, logo relaxar. Apertar. Relaxar. Apertar. Relaxar. Estou “sentindo que queima”, mas logo depois de dez minutos minhas nádegas começam a doer por estar apertando e relaxando, assim deixo de fazer. Por agora, damos uma distância do mar e tudo que nos cerca são pequenas árvores enfileiradas. — O que é isso? — pergunto. — Oliveiras. — Odeio oliveiras. — Eu as amo. Eu imagino. — Espero que não seja desses cuspidores. — Huh? — Você sabe, essas pessoas que cospem as sementes na mesa na frente de todos. É totalmente desagrádavel. Ele não responde. Poderia apostar a roupa de baixo da mãe de Ron que ele era um desses.
  31. 31. 31 — Gosta de que tipo de comida? — me pergunta — Estou seguro que posso consegui-la. — Sushi. — Se refere ao peixe cru? – pergunta, fazendo uma careta. — Sim. Eu costumava odiar. Quando minha mãe me deu pra provar, tive nauseas e cuspi. (Em um guardanapo, muito discretamente tenho que dizer, bem diferente daqueles que cospem as sementes de azeitonas). Minha mãe ama sushi. Eu acredito que é como o álcool. Quer vomitar a primeira vez que experimenta, mas logo você cresce e gosta. É por isso que dizem que há uma linha tênue entre o amor e o ódio. Agora não só gosto de sushi, como o desejo. Ron definitivamente precisa ser apresentado ao sushi com uma comedora profissional como eu. Agora estamos dirigindo através das montanhas em uma estrada com várias curvas e estou ficando tonta. A última vez que vi a civilização foi há cerca de quinze minutos. Descemos um morro e paramos em uma estrada que nos leva à outra. Eu li um cartaz com as palavras “Moshav Menora” em inglês e outras palavras em hebraico. Ron toma a estrada para Moshav Menora. Agora o local se parece com a Suíça, com algumas montanhas cobertas de relva que nos cercam por todos os lados. Ele para em uma parada de descanso cênica construída na montanha. — Isso é tudo? — pergunto. Ele se vira para mim e tira a chave da ignição. — Estes são os Altos de Golan, um lugar muito especial e bonito. Vamos apreciar a vista. — Tenho que fazer? — pergunto. — Tenho que ir ao banheiro.
  32. 32. 32 — Pode aguentar um pouco mais? Realmente preciso falar com você antes que conheça a minha família. Eu tinha que ouvi-lo. Abri o carro e saí. Caminhamos em silêncio até a borda da montanha. Quando olho ao longo da borda, me lembro de uma cena de cartão postal. — Eles não sabem de você — Ron exclama. Huh? — Quem não sabe sobre mim? — Minha mãe, meu irmão e sua esposa... Uma pontada de dor se crava no meu peito como se o estivesse atravessando. Meu coração começa a bater mais rápido e minha respiração se torna pesada. — Por quê? — sussurro, apenas pra que entenda as palavras. — É complicado — diz, então olha pra longe de mim. — Você sabe, quando fui para a América queria provar a todo mundo que tinha conseguido. Você sabe, o sonho americano. — E você não esperava que eu chegaria e arruinaria seu sonho — falo. — Conheci a sua mãe na primeira semana que estive nos EUA, quando era um arrogante israelense que só queria passar um bom tempo. Poucos meses depois eu descobri que ia ser pai. Começo a andar para longe dele. O que queria de mim, um pedido de desculpas por ter nascido? — Te odeio — eu digo enquanto volto para o carro. Eu seco as estúpidas lágrimas que estão no meu rosto. — Amy, por favor. Apenas uma vez deixe-me explicar as coisas.
  33. 33. 33 — Basta abrir a porta. — Ouço o clique dentro do carro. Ele me olha como se quisesse explicar mais coisas, mas não quero ouvi-lo. — Vamos logo! — grito. Ele entra no carro e dirige entre as montanhas. Pensei que estava pronta pra conhecer a família de Ron, mas agora tudo o que quero fazer é cavar um buraco. Porque ele não só vai apresentar-me pra eles, como vai dizer pela primeira vez que tem uma filha ilegítima.
  34. 34. 34 Capítulo 5 Se eu fechar meus olhos, a vida deixará de girar fora de controle? Chegamos à frente de uma porta e um cara com uma metralhadora se aproxima do nosso carro. Nunca tinha visto uma metralhadora antes e tremo cada vez que penso para quê serve. Ron diz algo em hebraico. O homem sorri e acena para que abramos a porta. Dirigimos por uma estrada de terra no meio da montanha e passamos por seis fileiras de casas. Há entre sete a dez casas por estrada em ambos os lados. Ron vai para uma delas e se detém em frente a uma casa. — Não entrarei até que você diga quem sou — digo. Penso que irá discutir e me preparo para uma briga. Porém Ron simplesmente diz: — Ok. Passado o estado de choque fico parada. O observo entrando na pequena casa térrea. As janelas do carro estão abertas, mas não há brisa. Não está apenas quente, eu acho que o próprio diabo deve ter vivido nessa montanha, porque o suor escorre pelo meu rosto, pescoço e peito. Minha camiseta da Abercombrie & Fitch tem marcas repugnantes de suor. Como pode essas pessoas suportarem esse calor? Eu olho para minha unha antes de roê-la.
  35. 35. 35 O que Ron está falando? Estará suando tanto como eu? Espero que sim. Saio do carro e me apoio contra ele, tentando ouvir a repreensão que Safta deveria estar dando em Ron. O cara vai conseguir. Se eu fosse Safta lhe rasgaria em dois por negar, bem, a mim. No entanto eu não o ouvi gritar. Na verdade, você não ouve quase nada vindo daquela casa. Em seu lugar, algo golpeia meu braço. Com força. — Hey! — grito me assustando. Não sou estúpida. Sei que não é uma bala. Não que ficaria surpreendida se a família de Ron decidisse “acabar” com sua filha ilegítima uma vez que escutassem a verdade. Logo que acabo de pensar nisso, olho para baixo e vejo o objeto de ofensa. Uma bola de futebol. — Tizreki le’kan.13 — Uma voz fala atrás do carro. Como se eu pudesse entender. Contudo eu não posso, assim o ignoro. Além disso, eu já sinto uma contusão formando-se no meu braço. O som de passos correndo ressoa antes que esteja cara a cara com um garoto israelense da minha idade. — Shalom14 — diz ele. Ele usa jeans, está com uma camiseta branca rasgada e empoeirada e usa sandálias gregas. Porém isso não é a pior parte. O garoto usa meias brancas com sandálias. Meias com sandálias! Vendo que me faria rir, olho para o seu rosto em vez dos seus pés. Não queria insultá-lo. — Olá — digo. 13 “Jogue desta forma” em hebraico. 14 Oi em hebraico.
  36. 36. 36 Fala inglês? Não sei, por que está aqui em silêncio. Dois garotos chegam correndo em nossa direção. Um começa a falar com esse garoto em hebraico, mas fica em silêncio quando me percebe. — Eu, Estados Unidos — digo devagar e em voz alta como se estivesse falando com um chimpanzé. Estou esperando por um milagre pra que ele me entenda. Eles se olham com um olhar confuso nos seus rostos e me dou conta que os próximos três meses vão ser como viver em uma bolha. Uma bolha com pessoas que não entendem uma palavra do que estou dizendo, à exceção do Doador de Esperma. Poderiam minhas férias de verão estarem mais arruinadas? O primeiro garoto dá um passo na minha direção. Seu cabelo é loiro escuro e tem um áspero sorriso jovial. Eu sei, eu sei, áspero e jovial realmente não combinam. Mas esse tipo é assim, acredite em mim. — Fala inglês? — pergunta com um sotaque pesado. Hein? — Sim. E você? — Sim. No entanto o que significa “Eu, Estados Unidos”? — Nada. Só esqueça. — É uma amiga dos outros, não? — pergunta. Huh? É evidente que seu inglês não é bom. Estava perguntando se eu sou uma amiga ou não? Tenho quase medo de dizer que não. — Sim. O segundo garoto se vira para mim. — Como se chama?
  37. 37. 37 — Amy. — Oi Amy, sou Doo-Doo – diz. Em seguida aponta para os outros garotos. – E estes são Moron e O’Dead. Agora, nunca tinha dito essas quatro palavras numa linha antes. Na verdade eu não acho que alguém com menos de sessenta anos dissesse, mas saíram da minha boca automaticamente. — Você quer pedir desculpas? — digo. Meus olhos se estreitam como se isso limpasse meus ouvidos para poder ouvir melhor. Todos me olham como seu eu fosse a pessoa com problema. Tenho esse desejo de rir. Contudo suprimo porque eles provavelmente não entendem a brincadeira. O que na verdade torna tudo isso mais engraçado. Bem, algumas partes da minha viagem serão realmente divertidas. Entretanto minha surpresa acaba quando outro garoto se aproxima de nós. Ele tem o cabelo castanho escuro que combina com seus olhos. É alto, bronzeado, e não está com camisa. Os jeans modelam seus delgados quadris, um tanquinho, e olhando pra ele, é o adolescente mais forte que já vi alguma vez. — Americayit15 — Moron, diz apontando. O garoto sem camisa diz algumas coisas a Doo-Doo, Moron e O’Dead em hebraico e me ignoram por completo. O que só demonstra uma das minhas muitas teorias... Os garotos bonitos sempre são os mais idiotas. Pelo menos os outros garotos sorriram e se apresentaram. Esse garoto sem camisa só falou algumas palavras aos seus amigos e se afastou. — Quanto tempo você ficará? — Moron pergunta, olhando as malas no banco traseiro do carro. Por um fodido tempo, mais do que eu quero, penso. — O verão inteiro. 15 Americana em hebraico.
  38. 38. 38 — Vamos para a praia amanhã à noite. Quer se juntar a nós? — Doo- Doo pergunta. — Claro — digo. Olho para a porta aberta e há uma multidão de quatro estranhos com Ron de pé. Todos me olham fixamente. Como posso ter esquecido porque estava aqui, em primeiro lugar? Ron se aproxima de mim. Quero perguntar: — Como foi? — Contudo não pergunto. Então, agora me encontro caminhando por este caminho lamacento, em direção a essa pequena casa que será minha residência durante os próximos três meses. Como a cereja em cima do bolo da minha vida, vou viver com membros de uma família que nunca havia conhecido antes e um pai biológico que não conheço. — Amy, este é meu irmão, Chaim. Meu tio estende a mão e estendo a minha. É um tipo alto, com uma semelhança clara com Ron. Ambos têm a mesma estrutura forte e musculosa. O homem ri, mas posso dizer que há tensão por trás dessa fachada. Raiva também, só não sei se dirigida a mim ou ao DE(simplifiquei Doador de Esperma, estou com muito calor e suando para pensar em algo mais do que DE). — Me chame de Dodor tio Chaim — diz ele. Como se pudesse dizer este nome. A pronúncia de C-h é como se estivesse a ponto de cortar o catarro. Juro que não posso fazer esses sons de novo com a garganta na minha vida sem fazer de mim uma completa idiota. Só irei chamá-lo de Tio Chaim e deixar de fora o barulho borbulhante de volta na minha garganta. A senhora ao lado de Tio Chaim dá um passo pra frente. Surpreendentemente quando se aproxima e me abraça com força. Meu primeiro instinto é empurrar os braços, mas seu abraço é tão cálido e
  39. 39. 39 amoroso. Me encontro apoiada em seus braços. Em seguida me libera após um largo tempo, coloca suas mãos sobre meus ombros, e se sustenta com um braço estendido. — Garota bonita — diz com um profundo sotaque israelense. Ela tem aqueles brincos parecendo sinos e nenhuma maquiagem no rosto. Minha mãe não seria pega nem morta fora de casa sem maquiagem. Ou com brincos parecendo sinos. A verdade é que esta mulher é bonita sem maquiagem e os sinos só fazem seus olhar parecer angelical ao invés de estúpido. Ela me solta e diz com um sorriso. — Eu sou sua tia Yikara. Só me chame de doda Yucky, de acordo? — Okay — digo em uma voz cantante para alertar ao DE que não me sinto confortável em chamar a esta mulher de Yucky. — Doda é “tia” em hebraico. — DE explica como se isso fosse parte deste intercâmbio conjunto que necessita explicação. Há mais duas pessoas de pé ali. Uma delas é um menino pequeno, provavelmente por volta de três anos, com cachos louros em espiral na sua cabeça como se fosse as serpentes de Medusa. Estava usando nada mais que um par de cuecas do Power Rangers. — Shalom, ani Matam — diz com uma voz graciosa. Não tenho ideia do que está falando, mas é tão adorável e seus cachos balançam enquanto fala. Dou um passo e sacudo sua pequena mão carinhosamente. A última, uma adolescente loira um pouco mais alta que eu, está ali com os braços cruzados sobre o peito. Ela está usando a calça jeans mais apertada que já vi alguma vez em um ser humano e uma camisa vintage que mostra a maior parte da sua barriga lisa. Eu não preciso de um sexto sentindo para saber que está claramente chateada. — Esta é sua prima, O’snot. Desta vez, meu riso sai sem aviso prévio. No entanto quando me dou conta que ninguém mais ri, eu paro rapidamente. O’snot não está apenas
  40. 40. 40 chateada, ela obtém MINHA famosa piada “uma de um tipo” como se ela mesma tivesse inventado. Não ofereço minha mão em sinal de comprimento, porque estou bastante segura de que minha prima ignorará. Assim que simplesmente digo. — Oi. — Oi — diz ela entre dentes. Genial. — Vamos entrar para que conheça sua SAFTA – diz Tio Chaim. Consigo um pequeno pedaço de satisfação quando me dou conta que as axilas de Ron estão úmidas através da camisa. Minhas axilas estão molhadas do tamanho de uma toranja16, enquanto as de Ron são do tamanho de melancias pequenas. Ele também é o que está mais nervoso por causa de eu conhecer minha avó. Ha! 16 É o cruzamento entre um pomelo e uma laranja. É igual uma laranja só que com o interior avermelhado.
  41. 41. 41 Capítulo 6 Pode escapar de alguns problemas, mas logo encontrará outros. Entrei vagarosamente na casa. Uma cozinha está na minha frente. Sigo Ron na direção esquerda quando encontro uma mulher sentada junto a uma janela. Tem cabelos grisalhos. Ela me olha com olhos azuis tão claros que quase brilham. Nossos olhares se encontram e sinto que estou olhando meus próprios olhos em um espelho. Estou tão emocionada que quase me sufoco. O ar está mais pesado? Começo a respirar pesadamente, tratando de levar ar aos meus pulmões. Minha avó. Minha avó doente. Parece pequena e fraca. Será que está morrendo? Olho novamente para o resto da família, e me dou conta que todos estão me olhando. Parece que estou sendo julgada em algum tipo de programa de televisão pelo modo que me olham. A voz de um apresentador animado está na minha cabeça, “Amy cometerá algum erro, arruinando o primeiro encontro? Assistam na próxima semana o episódio de Filhos Ilegítimos e descubra se a avó doente a aceitará ou negará na frente de milhares de espectadores. Antes mesmo de me dar conta, dou a volta e corro para fora da casa para que ninguém note minhas lágrimas. Continuo correndo até minhas pernas quererem parar. Passo em frente a uma fileira de casas, celeiros,
  42. 42. 42 cavalos, vacas e ovelhas como se estivesse em alguma fazenda produzida em Hollywood. Quando paro de correr e começo a andar, penso que Safta deve achar que sou uma estúpida. Queria abraçá-la, de verdade, queria. No entanto não em frente ao resto da família. Sentia que estavam analisando cada movimento que fazia. Continuo andando chateada com DE fazer meu primeiro encontro com Safta um espetáculo. Uma pequena cerca me detém, e enquanto eu tento passar por cima dela, uma voz me para. — Não pode fazer isso. Congelo e dou a volta para encontrar a áspera voz. É o garoto sem camiseta de pé num palheiro de três andares. Uma camada de suor faz com que seu peito brilhe no sol, mas eu tento não prestar atenção nisso. Em vez disso, penso em algo repugnante. Como por exemplo que está fedendo a ovelhas e suor e como necessita desesperadamente de um banho. Porém, se esse for o caso, eu também preciso. Eu enxugo as lágrimas que caem pelo meu rosto com meus dedos. — Não é um país livre? — digo com atitude. A última coisa que preciso é um adolescente detestável pensando que eu sou fraca. Ele se vira e lança um feixe de feno nos alimentadores das ovelhas. — O letreiro diz que atrás da cerca há um campo minado. Se quiser arriscar-se, não a deterei — diz o idiota-lindo-sem-camiseta quando entra no curral de ovelhas. A esse ponto, entretanto estou na borda da cerca. Diabos. Está é uma zona de guerra. Olho meu pé do outro lado da cerca, me sentindo sortuda de que não passei. Levanto meu pé lentamente e volto para o campo sem minas. — Não sabe onde está, certo? — Pergunta bruscamente enquanto pega outro feixe de feno.
  43. 43. 43 —Claro que sei — digo — Estou no topo de uma montanha no meio de Israel. – Duh. — Na verdade, está na parte norte de Israel, não no centro. Em Golan Heights. — E..? — Americanos — sussurra, logo sacode lentamente a cabeça em desgosto. — Ok, o que tem de especial Golan Heights? — Só digamos que a Síria está a dez quilômetros de distância – diz, apontando. — Para uma garota judia, você não parece saber muito sobre a terra judaica. Sim, mas não sou judia. Não lhe digo isto, provavelmente tenha algo para me dizer sobre o assunto. Fico encantada quando dá a volta e retorna ao curral de ovelhas. — Argh! Pulo ao escutar um som perto dos meus pés. Um filhote de cachorro peludo e cheio de sujeira, que eu acho que alguma vez já foi branco, está abanando o rabo furiosamente contra mim. Uma vez que fazemos contato visual, tenta pular deixando suas patas no ar. — Sinto muito – digo ao animal — Não sou uma pessoa de cachorros. Ache outro idiota que passe suas mãos por esse pêlo sujo e cheio de pulgas e por sua barriga. Não sou uma pessoa de gatos, tampouco. Na verdade, eu não gosto de nenhum animal específico. E estar rodeada por um ambiente cheio de animais me dá coceira. Começo a me afastar. Infelizmente o cachorro me persegue. — Argh! – diz a coisa de novo. Continuo andando.
  44. 44. 44 — Não sabe que os cães dizem “ruff”, não “argh”? – pergunto — Está tentando ser um pirata? O cachorro responde com outro “Argh”, esta vez mais forte que a última, como se estivesse tratando de me chatear de propósito. Hey, depois do dia que estou vivendo, não duvidaria. — Ruff! Ruff! Ruff! Pensaria que o cão está de verdade brincando comigo, certo? No entanto quando dou a volta, profundos latidos me fazem dar conta que a pequena praga tem amigos. Muitos amigos. Em primeiro lugar, estava equivocada ao pensar que o cão estava sujo. Estes cinco cães estão cobertos de lama e definitivamente mais sujos que o cachorro praga. Também (em primeiro lugar) são muito, muito grandes. Estão correndo em direção a mim, latindo como se eu tivesse sequestrado seu pequeno filhote. Pânico não é a palavra para descrever como me sinto nesse momento. Enquanto minha vida passa diante dos meus olhos, reviso minhas duas opções rapidamente. Podia andar ao campo de minas ou pular dentro do curral de ovelhas. Não tenho tempo para perder, então só posso correr tão rápido quanto minhas suadas, cansadas e sentidas pernas podem correr. Enquanto corro, nem sequer estou ciente da opção que escolhi. Corro mais e mais rápido, apenas posso notar os sons “argh” aos meus pés e os incansáveis latidos não muito longe de mim. Só um pouco mais, digo à minha mente nublada. Acredito que estou gritando e xingando obscenidades, mas não estou muito segura porque estou muito ocupada preocupando-me com o que minhas pernas estão fazendo e eu não posso ser incomodada para me preocupar com a minha boca, também. Parece ter passado muito tempo, assim quando alcanço o curral meu ritmo não muda. O Sr. Haraldson, meu professor de educação física, estaria muito orgulhoso do meu ritmo. Não estava certa de conseguir um prêmio
  45. 45. 45 presidencial em atividade física no ano passado, mas provavelmente estou fazendo um recorde mundial de salto. Realmente não estou prestando atenção pra onde estou indo, tudo está nublado. E quando aterrisso, fecho meus olhos. Espero não ter esmagado uma ovelha durante minha aterrissagem forçada. No entanto ao invés de colidir com uma ovelha, algo duro e macio aguenta minha queda. Tenho medo de abrir os olhos, assim não posso ver, mas meu sentido de olfato está intensificado. Eu sei, porque a essência de suor de um garoto me rodeia. Não é um odor ruim, este odor almiscarado me faz querer inalar mais profundamente. Tudo bem, agora me dou conta do que estou fazendo, onde estou, e a quem estou sentindo – como se fosse uma maldita pétala de rosa — entretanto na realidade é só um garoto. Abro finalmente meus olhos. Não me perguntem como terminei sobre este idiota-lindo-sem- camiseta. Suas mãos estão ao meu redor. Para ser específica, uma delas está nas minhas costas e a outra no meu quadril. Fico surpresa olhando para estes olhos surpresos que poderiam colocar qualquer uma em transe. Estou a ponto de levantar-me, quando escuto a voz de alguém caminhando pelo gramado ao lado do curral de ovelhas. Olho para ver quem é. Estou plenamente consciente de que a posição que estou se vê realmente promíscua e provavelmente me colocará em muitos problemas. Quando finalmente me separo dele, consigo ver quem presenciou minha luta. Dou-me conta que é a última pessoa que quero ver. O’snot. Quando vejo seus lábios apertados numa linha fina e suas mãos acusadoramente paradas no seu quadril chego à única conclusão que consigo. O idiota-lindo-sem-camiseta é namorado da minha prima O’snot. Oh, merda.
  46. 46. 46 Capítulo 7 Eu nunca me acostumarei a ser humilhada. — Eu juro Ron, não é minha culpa. — Você tem falado muitas vezes essas palavras ultimamente, Amy – diz. — Agora, me explique de novo por que fugiu antes de se encontrar com Safta e logo em questão de quinze minutos, acaba em cima de um garoto. No meio de um monte de feno, nada menos que isso. Eu tiro um pouco da sujeira que está nas minhas unhas, enquanto o Doador de Esperma está falando muito sério. — De fato, tecnicamente caí sobre ele — digo, limpando uma parte do meu cabelo que estava com barro. — Na verdade não recordo exatamente como caí sobre ele. Estamos sentados no gramado da frente da casa da minha avó/tio/tia/primos. Ron faz essa coisa novamente de passar as mãos no cabelo. Há um silêncio interminável. Devo explicar o que aconteceu? Não tenho medo de admitir que tenho o controle da minha vida. Não me pergunte o porquê, eu só sei. — Senti como se todos estivessem me observando e me analisando, me cansei disso e fugi. — Beijou o Avi?
  47. 47. 47 — Quem é Avi? Ele me olha com aquela cara de você-deve-estar-brincando. Levanto-me. — Não! Por quê? A prima Snotty disse que eu o fiz? Escuta, havia cachorros me perseguindo... Olho para baixo, Mutt não tinha se dado conta que meus pés não são seu pátio particular de diversão. — Como este? – diz. Sacudo para que saia da minha perna. — Não. Sim. Bom, parecia com ele, mas eram bem maiores. E, então, corri e caí em cima do namorado de Snotty. — Seu nome é O.S.N.O.T. O’snot. É um nome bonito. — Não sei de onde veio. — Só... apenas lhe dê uma oportunidade. Não a julgue antes de conhecê-la. Eu realmente gostaria de argumentar, dizer ao DE que foi Snotty que me odiou antes de conhecer-me, no entanto fico em silêncio. Agora mesmo vou atribuir a minha falta de capacidade de argumentar à privação do sono, porque normalmente estou pronta para uma boa guerra verbal. — Ok — digo. — E pare de chamá-la de Snotty. Deus, você dá ao cara um pouco e como um aspirador ele quer absorver toda a sujeira, não só os pequenos pedaços de pano. — Ok. Onde está Safta? Estou pronta pra conhecê-la agora, já que não tem mais expectadores.
  48. 48. 48 — Está descansando no seu quarto. Sem expectadores, eu prometo. Este deveria ser o momento que eu ganho um abraço do DE. Entretanto, me sentiria estranha porque não o abraço em anos. O DE se levanta e eu o sigo pra dentro de casa. Uma vez que entramos, o cheiro de pão recém saído do forno está em toda a cozinha fazendo com que meu estômago ronque. — Venha comer — Dodo Yucky diz. Ela perdeu um pouco do seu caráter alegre. Será porque pensa que beijei o namorado de O.S.N.O.T? — Obrigada, mas não estou com fome. – Estou muito nervosa pra comer. Ron me leva a uma pequena habitação de madeira na parte de trás da casa, eu dou uma olhada através da porta. Safta está deitada na sua cama. Quando me vê entrar, se senta. Respiro fundo quando a porta se fecha atrás de mim. O quarto é pequeno, o piso é como se fosse de telhas, e as paredes de cimento branco estão marcadas. As cortinas foram fechadas, então estava um pouco escuro. No entanto foi essa a maneira que eu queria, porque não quis que o mundo ficasse olhando secretamente minha conversa. — Oi, Safta. Sou Amy – digo. Minha voz se quebra enquanto digo e me sinto um pouco tonta. Ela concorda com a cabeça e acaricia o espaço ao lado dela na cama. — Venha aqui, Amy. Sente ao meu lado. Dou pequenos passos lentos até sua cama. Quando alcanço, cuidadosamente me sento na beirada. Para minha surpresa, ela pega minha mão entre as suas. — Está realmente doente? – pergunto timidamente. — Vou ficar bem. Você sabe que os médicos gostam de fazer um grande alarde por nada.
  49. 49. 49 — Ron pensa que está muito doente — digo, e logo quero empurrar essas palavras de volta para minha boca. Ela nega com a cabeça. — Necessitam examinar a cap do seu pai. Isto significa “cabeça” em Yiddish. Imagine, manter distante de mim minha neta durante dezesseis anos. — Sim — falo, a apoiando. Imediatamente gosto da minha Safta. — Como é sua mãe? — pergunta, mudando de assunto. Como descrever minha mãe? — Ela é bonita, para uma mãe – digo — E tem um trabalho onde ganha bem. Não tem muitos amigos, por sempre estar trabalhando. Estou observando como Safta recebe isto. — E o que me diz de você? — Vou bem na escola, acredite. O nome da minha melhor amiga é Jessica... é judia — falo para fazer uma conexão com Safta em relação à religião. — Gosto de jogar tênis, esqui, e ir às compras. Assente com a cabeça. — Vou gostar de conhecê-la Amy. Aparenta ser uma garota muito enérgica e interessante. — Devo adiantar que não tenho uma atitude muito positiva – digo nervosa enquanto mordo meu lábio inferior. Quero dizer, a menina que imagina irá sumir mais cedo ou mais tarde, assim tinha que mostrar diretamente a ela. — Talvez essa viagem sirva para mudar isso. Duvido muito, mas não digo.
  50. 50. 50 — Acredito que sim – Apenas para fazê-la crer que esta viagem poderia milagrosamente mudar minha visão da vida. — Eu era como você na sua idade – diz. — Como assim? Era ilegítima, também? — Não – diz ela, segurando minha mão — Porém minha família passou por momentos difíceis e não tivemos uma casa por alguns anos. — Onde viveram? — Na praia. Já faz muito tempo. A vida te surpreende quando menos espera. Essa informação ainda está em processamento no meu cérebro, quando Safta me diz para ir relaxar e desfazer as malas. Eu sorrio como se tivesse sido minha avó desde sempre. Não posso continuar culpando-a por não estar para mim nos últimos dezesseis anos. A pobre mulher nem sequer sabia da minha existência. — Onde está minha mala? — pergunto a Ron depois da minha conversa iluminadora com Safta. — No quarto de O’snot – diz. Talvez não tenha escutado bem. Ele não podia ter dito isso. — Está brincando, não é? — Existem poucos quartos aqui – explica o DE — Irá dormir no quarto de O’snot. E eu ficarei no sofá. — E onde fica o menino? — Matan? Dorme em uma cama no quarto dos seus pais. Estava a ponto de sugerir dormir no chão, mas vi três formigas no azulejo. Asqueroso. E quando olho Doda Yucky, tem esse olhar patético no
  51. 51. 51 seu rosto como se ela fosse ganhar na loteria se meu medidor de felicidade alcançasse certo nível. Dou-lhe um pequeno sorriso e ao que parece funciona porque se dirige à cozinha cantando uma canção alegre. Agora falando sério, se há uma coisa que uma adolescente americana necessita, é privacidade. Eu posso pedir a O’snot que saia do quarto? Sim, de fato é seu quarto, assim, não creio. Graças a Deus eu não tenho uma gêmea. Por exemplo, existem estas gêmeas na minha escola, Marlene e Darlene, elas não só tem que compartilhar o mesmo quarto, como também o dividem com sua irmã mais velha, Charlene. Não pergunte. O DE me leva a um quarto na parte de trás da casa. Caminho pro quarto enquanto Snotty está maquiando-se na sua cama. Ela sabia que estava ali, mas fingiu, como se não tivesse me reconhecido. O Doador de Esperma fica ao meu lado. — Precisa de ajuda? — Não, estou bem – respondo. Ele toma isso como um sinal para sair. Gostaria que tivesse ficado. Apenas para passar por essa barreira entre mim e Snotty. — Olhe, sinto muito pelo seu namorado – digo. Ela levanta a cabeça e me olha e eu vejo como está exagerada a maquiagem nos seus olhos. É como se tivesse delineado seus olhos com carvão e agora minha prima parece ter vinte anos ao invés de parecer uma adolescente. Que idade têm, de todo modo? Poderia utilizar alguns conselhos sobre aplicação de maquiagem. Um dos clientes de mamãe é de uma empresa de cosméticos. De fato me usaram em um dos lançamentos da sua linha para adolescentes. Aprendi muito sobre como a maquiagem deve ressaltar suas melhores características e não parecer Gloppy e escura (como Snotty). Depois que minha foto apareceu na maioria das revistas para adolescentes, meu grupo me apelidou de guru da maquiagem.
  52. 52. 52 Coloco minha mala na cama, supondo que é aquela que seria minha pelos próximos três meses e escolho alguma roupa para trocar-me por algo que não esteja coberto de barro e palha. — Avi não é meu namorado. Não estava segura se foi Snotty que falou, ou se minha imaginação estava brincando comigo. Encaro minha prima. — O quê? Ela olha com seus olhos de carvão na minha direção. — Eu não tenho namorado. Escolho um par de shorts curtos roxos iguais à cor da minha mala. A palavra “CADELA” está escrita na parte da frente com grandes letras brancas. Jessica me deu esses shorts em razão do meu aniversário como uma brincadeira, junto com uma tornozeleira que não era uma brincadeira. Nunca pensei que alguma vez os colocaria de novo, mas também nunca pensei que estaria em um sítio em cima de uma montanha no meio de uma zona de guerra. No entanto, para ser honesta comigo mesma, Israel na realidade não se parece como uma zona de guerra. Bom, exceto pelos guardas fortemente armados no aeroporto e o campo de minas que eu quase pisei. Olho para baixo, vendo meus shorts curtos. Acreditava que ninguém aqui seria capaz de falar inglês, assim o levei. Estive tentada a oferecê-lo a Snotty em vez de perguntar. — Avi tem uma namorada? Bem, me desculpe pela minha grosseria, acabei de “meter os pés pela cabeça”. Não me importo se esse garoto tem uma namorada ou não, mas aqui estou eu perguntando a Snotty sobre ele.
  53. 53. 53 Às vezes minha boca vai numa direção, a qual não tinha intenção de ir. O pior é que minha prima faz caso omisso da minha pergunta. Assim mesmo que eu não tivesse intenção de fazer essa pergunta, estou mais curiosa do que nunca pra saber a resposta. Porém nunca lhe daria a satisfação de perguntar sobre Avi duas vezes. Ela havia inventado falsos rumores sobre eu estar em cima de um garoto. Seria um porre se realmente pensasse que me interessava se tinha namorada. Coloco minha roupa sobre a cama, e penso no ÚNICO banheiro de toda a casa. Estou tratando de não pensar sobre o que acontecerá nos próximos três meses em uma casa com sete pessoas e apenas um banheiro. Assustador, não? Em casa temos três banheiros... E só eu e minha mãe vivemos ali (junto com Marc com “c” às vezes). Tenho uma amiga, Emily. Ela está obcecada com o cheiro de TUDO. Como quando você cheira a comida antes de colocá-la na boca. Eu odeio almoçar com ela porque cada vez que escuto seus sons para comer, me irrito extremamente. E eu não gosto de nada quando estou irritada, exceto talvez Jessica. Ao entrar no banheiro, meu medidor indicava leituras baixas de qualquer cheiro estranho que emanava do meu próprio corpo. Cara, Emily terá um dia de campo comigo. Estou TÃO ansiosa para conseguir ficar limpa. Se pensar no tempo que passou desde que eu tomei um banho, dá pra ficar tonta. Fecho a porta do banheiro e olho para a maçaneta buscando uma fechadura. O problema é que não existe uma. Apenas um buraco, como se houvesse um buraco no tempo. Isso não é legal. Há sete pessoas que vivem nessa casa e não tem fechadura na porta do banheiro. E a maldita porta tem uma rachadura onde deveria estar a fechadura. Tenho que ir para a cama rápido antes que este dia piore. Não queria que existisse a visão de eu ficar nua, então fecho a cortina e tiro minha roupa. Fico imaginando como ligar a água. Afortunadamente, um pouco de água quente sai forte e rápido. Não posso deixar escapar um gemido da minha boca. As duchas de água quente são as melhores. Estou tão cansada que apenas suporto, assim rapidamente me lavo.
  54. 54. 54 Depois do banho vou em direção ao quarto, perguntando-me porque não levei a muda de roupa comigo ao banheiro-que-não-fecha. Estou segura que não quero me trocar na frente de Snotty. Enquanto penso em como colocar meu pijama, envolvo uma toalha firmemente ao meu redor. Não quero fazer contato visual com ela, porque quero evitar ter que fazer gestos faciais alegres, como um sorriso. Não tinha nenhum gesto positivo, pelo menos por hoje. De fato, todos meus gestos positivos amanhã também estarão esgotados. Então eu olho para o chão quando entro no quarto, fecho a porta e vou diretamente para a mala. Sabia que Snotty se encontrava no quarto, podia ouvir sua respiração. Pego uma camiseta e a roupa íntima da minha bolsa. Não poderia voltar ao banheiro porque seria uma grande idiota por estar envergonhada de me trocar na frente dela ou podia suportar e me trocar aqui, de costas. Deixo cair a toalha e coloco minha roupa íntima, depois os shorts curtos que dizem “CADELA”. Quando pego minha camiseta branca, a porta abre. Rapidamente cubro com minha camiseta meus grandes seios e me preparo para gritar com o intruso. O intruso suponho que não seja outro além do DE. — Se importa? – digo. No entanto a pessoa que entra no quarto não é DE. É Snotty. O que significa que tem alguém mais na sua cama. Viro minha cabeça e encontro Avi sentado ali. — Aaahhhh! – grito com toda a força dos meus pulmões. Avi acaba de escutar um grande grito protagonizado sinceramente. Desafortunadamente, meu grito apenas avisa o DE e o tio Chime, que entram no quarto. Os olhos do DE vão de Avi pra mim, meio nua com meus shorts que dizem “CADELA”. — O que está acontecendo aqui? – grita DE, acusando-me com os olhos. Com certeza Avi me viu nua... minha bunda, meus seios, minhas coxas, minhas celulites. Minha língua está em estado de choque, igual o resto de mim. Mesmo se pudesse falar, não saberia o que dizer.
  55. 55. 55 Salvo que estou cheirando bem. Olho Snotty, que tem um pequeno sorriso de satisfação no seu rosto. Ela é uma ratazana, não há dúvidas sobre isso. Tio Chime olha acusadoramente para Ron. Sei que não disse nada, mas me sinto horrível, de verdade. Pelo canto dos meus olhos me dou conta que Avi se levantou. Ele diz algo em hebraico para DE que não posso entender. Ron lhe responde com irritação. Snotty começa a discutir com Ron. Tio Chime está tão reto como um soldado, bloqueando a porta, com as mãos na cintura. E eu só estou aqui em pé, meio nua. Empurro tio Chime e corro para o banheiro. Depois de colocar a camiseta, ainda escuto as altas conversas que vem do quarto de Snotty. Sento na borda da banheira até que parem de discutir. Se este é meu começo em Israel, tenho medo de descobrir o que acontecerá nos próximos três meses aqui.
  56. 56. 56 Capítulo 8 Você pode atrair abelhas com mel, mas porque você gostaria de fazer isso? A desculpa do fuso horário serve para enganar Doador de Esperma e continuar sonhando no meu segundo dia em Israel, com o benefício adicional, consigo dormir quase o dia inteiro. Porém agora está bem tarde e já estou totalmente descansada. Depois de comer alguma coisa, coloco minha roupa de corrida pego o meu Ipod e vou pra fora. Enquanto subo a estrada, vejo Safta sentada numa cadeira à beira da montanha. Quando me vê, move as mãos para me cumprimentar. Ando pelo caminho de terra e paro ao lado dela, olhando as montanhas, o lago ao lado, e as montanhas ao longe, me fazendo perder o fôlego. — Chicago é tão reta quanto... – Estou a ponto de dizer “Snotty”, mas não digo. Ao invés falo outra coisa. — Não tem montanha onde vivo. Eu acho que é por isso que fazemos arranha-céus, são como as montanhas de Chicago. — Nunca estive em Chigaco. – diz Safta. — Bem, você tem que ir me visitar. Poderia te levar à Sears tower17. Pode ver quatro estados do último andar. É totalmente genial. E tem também o Lago Michigan. É tão largo que não pode ver através dele. Emociono-me só de pensar em dar um passeio com ela em Chicago quando for me visitar. Ela vai amar o parque Millennium, onde pode ver várias pessoas e almoçar no parque justo no centro da cidade. Aposto que 17 É um arranha-céu localizado em Chicago, nos Estados Unidos, sendo o mais alto edifício da América do Norte desde 1974, quando foi inaugurado. http://www.eluniversal.com.mx/img/2009/07/Nue/torreSears.jpg
  57. 57. 57 gostaria do instituto de Arte de Chicago e o Museu de Ciência e Indústria. O museu tem exposições geniais. Minha favorita é do bebê morto. Na verdade é chamado de exibição Neonatal, mas a chamo do que ela é. É muito real, bebês mortos em todas as etapas, todos envolvidos em formol e outros líquidos. Têm por volta de trinta embriões e fetos que vão de uma semana de vida até nove meses. Ainda mais, mostram embriões de gêmeos idênticos. É a coisa mais genial que já vi. Sim, isso seria adicionado à lista quando Safta me visitar. Eu olho, tentando aproveitar o momento. — Sinto como se pudesse olhar o país inteiro daqui. — No entanto, logo penso sobre os shoppings que estão tão longe daqui – Mas aqui é tão longe de tudo. — É uma garota da cidade, não? — Do começo ao fim. Dê-me uma bolsa Kate Spade e um jeans Lucky e sou uma garota feliz. Ela ri, o som é suave e cálido no ar. — Amo estar aqui. Longe de ruídos, longe da multidão. É o lugar mais perfeito em todo o mundo para uma mulher velha como eu. Também, na minha idade não preciso de uma bolsa Kate Spades e jeans Lucky. — Estou segura que foi uma mãe quente quando era adolescente – digo, e imediatamente desejo não ter falado estas estúpidas palavras. Falar com ela como se fosse uma das minhas amigas é algo estúpido de fazer. — Me casei com seu avô quando tinha dezoito anos. — Foi amor à primeira vista? — Não. Não, suportava nem olhá-lo. Até o dia em que me levou flores. Flores? É o truque mais velho do livro. — Então te levou algumas rosas e se apaixonou? É uma linda história, só que algo chato. Safta segurou minhas mãos.
  58. 58. 58 — Não, motek me levou por toda a floresta e o pobre homem era alérgico a pólen. — Wow. — Estaria vendida se um homem me levasse à minha própria loja de Abercombrie&Fitch. Agora, isso deveria ser amor verdadeiro. Safta começou a ficar de pé, então agarrei seu cotovelo para ajudá-la. Mesmo quando me disse que estava bem, tive um sentimento que não estou sabendo toda a história. — Vou me deitar — me diz quando para — Vá e explore o moshav, seu pai já deve estar chegando com a comida. Fico observando-a enquanto toma o caminho de casa. Respirando fundo, me dirijo à entrada do moshav. É um sinuoso caminho para correr. Enquanto chego com segurança a casa, um garoto enfia a cabeça pra fora da janela. — Vou correr — digo. Ele assente com a cabeça e abre a porta. Quando começo a correr, o ar fresco nos meus pulmões me dá energia. A vista das montanhas é como se tivesse saído de um filme, e a música nos meus ouvidos me lembram de casa. Eu estou no céu quando meus passos se sintonizam com a canção que estou escutando. Se apenas Mitch pudesse me ver agora, correndo abaixo de uma montanha. É um louco por natureza. Minha melhor amiga Jessica também é. Ela provavelmente estaria com inveja de mim. Enquanto penso em Mitch e Jess, passo por uns sacos brancos. Depois de passar por eles me dou conta do que eram. Colmeias. Que diabos estão fazendo as colmeias ao lado da estrada? Penso que estou segura, até ver que uma das abelhas está me seguindo. — Vá embora — digo correndo mais rápido. A abelha me segue, e está fazendo círculos ao meu redor. Eu paro tão quieta como posso, assim como os guardas de Londres que ficam do lado de fora dos palácios, esperando que vá embora. No entanto ela não vai, isso só atrai outra abelha. E outra. E outra. Sinto como se
  59. 59. 59 o tempo tivesse parado, exceto porque meu Ipod segue tocando nos meus ouvidos. — Socorro! — grito. Estou movendo minhas mãos como uma mulher louca, tratando de manter as abelhas longe de mim. Desagradável, penso quando uma delas entra no meu cabelo. Estou correndo. Movendo minhas mãos. E movendo minha cabeça. Quando vejo um carro vindo pela estrada, estou esperando que seja Ron. Porém como estou movendo minha cabeça de um lado para outro não consigo ver quem é. O carro me passa, então ouço o carro frear. Corro para onde o carro está, até que vejo quem sai do lado do condutor. Avi. A última pessoa do mundo que queria ver. — Entra — me diz abrindo a porta do passageiro. Tenho duas opções: entrar no carro com um idiota que me viu quase nua ou ser picada por sete abelhas. Chame-me de louca, estúpida, mas eu escolho a opção número dois. — Vai pro inferno — digo enquanto corro para baixo pela montanha. Mais ou menos depois de três quartos do caminho, as abelhas finalmente me deixam só. Por algum milagre, consegui evitar ser picada. No entanto agora estou presa no meio da montanha. E eu não quero voltar e passar pelas colmeias novamente. Tenho uma ideia brilhante. Vou esperar o Doador de Esperma. Safta disse que chegaria logo. Assim que espero. E espero. Quarenta e cinco minutos e continuo esperando. Juro que estas férias estão sendo um total desastre. Se estivesse em minha casa estaria jogando tênis e saindo com meus amigos. Demora uma hora antes que um carro passe na estrada. Reconheço que é Doo-Doo. Movo meus braços no ar como um desses tipos que controlam o tráfico, para fazê-
  60. 60. 60 lo parar. Há uma garota dentro do carro com ele. A garota coloca a cabeça pra fora da janela. — Precisa de uma carona? — Uh, sim. — Entra. Doo-Doo me apresenta a garota enquanto entro no banco de trás. Seu nome é Ofra, e também vive em Moshav. Inclino-me para trás e desfruto o ar condicionado do carro. — O’Dead disse que você vai à praia com os outros esta noite — Ofra se vira e me encara — É uma ocasião especial. — Seu aniversário? – adivinho. — Não. Moron vai para o exército. Isso é algo que tenha que se comemorar? Ofra parece emocionada quando diz. — Tem que levar algo seu para dar a ele, e logo oferecer um conselho. É um ritual do Moshav. Ritual? Creio que sou alérgica a rituais.
  61. 61. 61 Capítulo 9 Antes de falar, assegure-se de saber o que diz. A praia que vamos é arenosa, e está rodeada por um lago que segundo me disseram se chama Kineret. Somos sete essa noite: Ofra, Snotty, Avi, Moron, Doo-Doo, O’Dead e eu. Os garotos fizeram uma grande fogueira e estamos sentados ao redor dela. Avi guia Moron para uma cadeira que está colocada na areia. Logo tira uma camiseta do bolso com letras hebraicas escritas nela. Quando a mostra, todos riem. Exceto eu, claro, porque não tenho a mínima ideia do que está escrito na camiseta. — O que diz? – pergunto a Ofra. — Onde é o banheiro? – fala. — Não sei – digo — Suponho que vai ter que esperar ou urinar na areia. Todos riem ainda mais forte. E me dou conta que estão rindo de mim. — O quê? — pergunto. Ofra me dá um tapa nas costas. — Não estava te perguntando aonde é o banheiro, estava te dizendo o que é que diz a camiseta. Oh, Deus. — Avi, fale em português para que a Amy possa entender — diz Ofra. Ele fica parado ali, totalmente intimidante.
  62. 62. 62 — Beseder18 — diz relutante — Meu amigo aqui presente, Moron, se perdeu em muitas ocasiões. Seu senso de lugar é lendário, se não o pior. Assim com esta camiseta, pode não ser capaz de encontrar o caminho de casa, mas será capaz de encontrar o sheruteem mais próximo. — Então me olha e diz — Isso significa banheiro. Todos riem e aplaudem. — E meu conselho é.. Não flerte com nenhuma das instrutoras femininas. Todas elas têm acesso a uma arma maior que a sua. Isso entretém a todos. Assumo que Moron tem uma reputação por flertar com garotas. Depois que Avi se senta, Ofra e Snotty param na frente de Moron para dar um presente que está embrulhado. Ele o abre e segura um par de shorts tipo boxer na frente de todos. Na frente é todo branco, mas atrás tem um mapa de Israel desenhado. — Desta maneira — diz Snotty — Quando se perder poderá encontrar seu caminho de volta para casa. — Sim, mas ele precisará ficar nu para ver o mapa – diz Doo-Doo, rindo. Eu rio também. Imaginando Moron ocioso no meio do deserto, perdido, vestindo uma camiseta que diz Onde está o banheiro? Enquanto está nu da cintura pra baixo examinando o mapa na sua cueca, é bastante hilário. Ofra se senta em uma das pernas de Moron e Snotty na outra. — Nosso conselho é... Deixe-nos raspar sua cabeça ao invés de alguém no exército fazer isso. Vejo Ofra tirando um barbeador do seu bolso. Moron sorri nervoso para nós. Para ser honesta, tem um cabelo grande. É marrom arenoso, quase chegando aos seus ombros e é realmente fino. Permitirá que raspem? Ofra liga o barbeador, logo Snotty se move e fica atrás dele. — Tire a camiseta – sugere Doo-Doo. Moron tira a camiseta sobre a cabeça e logo levanta a cabeça. 18 Significa Ok em hebraico.
  63. 63. 63 — Sejam gentis comigo, garotas – brinca. — Fique com as calças – brinca Ofra e todos, inclusive eu, riem. Snotty faz a primeira linha justa no meio da cabeça de Moron quando ele fecha seus olhos. O’dead tira fotos quando Snotty termina com uma linha. Logo Ofra toma o barbeador e faz outra linha. Todos estão passando um bom momento. Até eu, tenho que admitir. —Dê uma oportunidade a Amy – sugere Doo-Doo, logo me dá um empurrão de animo. Nego com a cabeça. — Não sou muito boa com barbeadores – digo. Especialmente não sou bom com os elétricos. Ofra e Snotty terminam de raspar a cabeça de Moron. Divertem-se fazendo desenhos em sua cabeça enquanto fazem o trabalho. Depois de terminado, O’Dead se move pro lado de Moron. — Temos sido amigos desde os três anos, e sei o quanto tem medo do escuro. –O’Dead pega uma pequena lanterna. – Assim, agora, quando estiver no deserto Negev, não terá nada a temer. — Exceto as serpentes venenosas — diz Doo-Doo, fazendo com que todos riam novamente. — Contanto que sempre tenham mulheres na minha unidade — diz Moron — Não precisarei de nenhuma luz, se é que me entende. — O que nos leva ao meu presente — diz Doo-Doo, que logo tira um pequeno urso cor de rosa. — Isto é para você dormir com ele e abraçá-lo quando se sentir solitário à noite e necessitar alguém para abraçar. — Nosso conselho é... Quando dormir armado, tenha certeza que a arma esteja travada. Moron assente com a cabeça. — Bom conselho, garotos. — Agora é a vez da Amy — diz Ofra.
  64. 64. 64 Olho para Snotty. A garota nem sequer me olha. Logo volto para Ofra. — Em frente — diz me oferecendo a mão para ficar de pé. Caminho nervosa até Moron, sustentando um pedaço de pano. — É uma bandana – explico — Com um signo de paz nela. Ele a pega da minha mão e observa. — Todah, obrigado. — Disseram-me que deveria lhe dar um conselho – digo. Logo limpo minha garganta. Todos estão me olhando, até Snotty. Sinto que estou suando. Nem fale de pressionada. — Meu conselho é... Juro que tinha algo para dizer, mas esqueci. Minha mente está em branco. Merda. Olho para longe, onde o sol está refletindo na água. A primeira coisa que penso é o que falo. — Não nade depois de comer. Oh meu Deus. Não acredito que acabei de dizer isso. O garoto vai pro deserto pra seu treinamento básico. Quais são as probabilidades de que irá nadar no deserto em pleno treinamento militar? Meu conselho é recebido com silêncio. — Isto foi muito... Profundo, Amy – diz Snotty, claramente brincando com a minha cara. — Está brincando? Se soubesse como voltar ao Moshav, iria agora mesmo. Porém, não posso, assim me sento e trato de me esconder o melhor possível. — Bom, suponho que deveria dizer algo – diz Moron, colocando-se de pé — Obrigado por essa festa, pelos presentes e os conselhos. A amizade de vocês significa muito para mim. Agora, se supõe que vocês têm que me jogar no Kineret, mas nem sequer tentem. — Você tem que se molhar – diz Avi como se fosse um fato, apontando para o lago.
  65. 65. 65 Doo-Doo e O’Dead estão prontos para enfrentar Avi enquanto ele está perseguindo Moron pela praia. Assombro-me quando vejo que o alcançam e o jogam na água, salpicando muita água. Moron está completamente molhado, mas não está bravo. Eu estaria se meus amigos me jogassem, com roupa e tudo, dentro de um lago. No entanto ele ri junto com os outros. Ofra oferece a mão para ajudar Moron a sair da água, mas ele pega seu braço e a puxa para dentro também. Snotty se une ao grupo. Observo como envolve seus braços ao redor de Avi dentro do lago. Que seja. Estas pessoas não sabem que para nadar precisam de roupas de banho ao invés de roupa normal? Claro que não estou com inveja de que eles estejam na água, rindo e divertindo-se. Estou absolutamente feliz de estar aqui sozinha. — Amy, venha com a gente — Moron me chama. — Sim — diz Ofra — A água está ótima. — Não, obrigada — digo. A primeira a sair do lago é minha prima. Para em frente à fogueira, se aquecendo. Trato de evitar contato visual, com medo de que minha boca me meta em problemas. No entanto deveria tentar conhecê-la como disse Ron. Apesar de ter sido rude, poderia não saber o quanto sou grandiosa e divertida. Suponho que não dei uma oportunidade de me conhecer. Tratei de tentar corrigir algumas coisas em primeiro lugar. — Osnat, de verdade gostei de conhecer seus amigos — digo, lembrando como Ron disse que pronunciava seu nome. Juro que mereço uma medalha por ser tão amável. Ela provavelmente irá dizer que está encantada que tenha tentado criar laços entre nós. Provavelmente no final do verão, ela será a irmã que nunca tive. Meus pensamentos são afastados quando a vejo me olhando, balançando seu cabelo. — Só se lembre Amy. São meus amigos, não seus. E desta maneira volta a ser a mesma Snotty.
  66. 66. 66 Capítulo 10 Às vezes temos que demonstrar aos outros que somos muito mais fortes do que na realidade. Estou em Israel há três semanas até agora. Felizmente sou capaz de evitar Snotty e Avi. Isso significa que estou passando muito tempo em casa com Safta, que é muito boa comigo. Ela me contou histórias sobre quando era criança aqui em Israel e sobre meu avô, que morreu antes que eu nascesse. Também me disse que seus pais escaparam da Alemanha durante Segunda Guerra Mundial. Aprender sobre minha extensa família tem aberto meus olhos pra outro mundo. No entanto, enquanto eu acordo uma manhã, Ron me diz alegremente. — Acorde e brilhe dorminhoca! — Só quero voltar a dormir. Que hora é, de todo modo? As palavras do DE giram ao redor da minha cabeça como uma daquelas abelhas que não queriam me deixar sozinha. Olho de relance pro meu relógio. — Seis e meia! — digo com uma voz vacilante. — Por favor, tem que haver uma boa razão para que esteja me acordando antes que o brilho do sol atravesse a janela. Agora, sei que estou de mau humor, mas não sou uma madrugadora. Nunca fui, nunca serei. Na minha opinião, seis e meia da manhã nem pode ser considerado manhã, acredito que continua sendo o meio da noite.
  67. 67. 67 — Amy, temos estado aqui há algum tempo e te deixei sozinha. Se continuar dormindo todo o dia, nunca superará o fuso horário. Além do que, existe trabalho para fazer por aqui e todos trabalham. Quero que ao menos atue como minha filha e me ajude. Sento-me e digo. — Escute, ainda estou cansada e de mau humor. Só volte hein, digamos daqui a algumas horas e podemos discutir qualquer coisa que deseje. — Sempre está cansada e de mau humor, e precisa sair da cama para que Yucky possa lavar os lençóis. Provavelmente tem algo crescendo sobre eles. — Muito engraçado. — Prometi ajudar seu tio a vender algumas das ovelhas nestas semanas. Depois disso quero te mostrar meu país. — Sim, vamos fazer isso. Daqui a algumas semanas — digo apenas para que me deixe em paz. Deito de novo e coloco a coberta por cima da cabeça. Eu só preciso dormir um pouco mais, não trabalhar durante minhas férias ou passear. Deixo escapar um suspiro quando peço para que saia do quarto. Olhando a cama de Snotty, vejo que está vazia. Provavelmente está na casa de Avi. Não que eu seja ciumenta, não sou. Apenas não sei por que ele é amigo dela. Ela pode ser bonita, mas é má. Ou apenas comigo seja má, o que me faz odiá-la ainda mais. Fecho meus olhos e trato de pensar em coisas boas, como voltar para casa. Nada realmente me faria mais feliz agora. É disso que se trata ter dezesseis anos? Se for assim, posso entender porque os adolescentes se
  68. 68. 68 expressam de muitas maneiras diferentes. Não é como se fôssemos estúpidos, só estamos tratando de descobrir aonde pertencemos. Eu? Não pareço encaixar em nenhum lugar esses dias. Sou como um pino quadrado tentando me encaixar em uma sociedade redonda. Agora que penso mais, não sou quadrada ou redonda. Mais como um octógono. E eu não me encaixo em nenhum lugar agora. Eu pensei no que havia dito, mas meu bonito e super-ditado mundo tem complicado tudo isso. Pergunto-me como está Mitch sem mim. Será que sente saudades? Durmo de novo, e quando acordo meu estômago grunhe, então vou pra cozinha. Todo mundo já saiu e a casa está em completo silêncio. Olho de relance pra Sofia, que está sentada em uma cadeira de veludo lendo algum livro. — Boker Tov, Amy — diz com uma voz solene enquanto abro a geladeira procurando alguma coisa. — Sinto muito — digo. — Não sei o que isso significa. Finalmente aprendi que shalom significa três coisas: oi, adeus e paz. Meu conhecimento de hebreu é patético, na melhor hipótese. — Boker Tov significa “bom dia”. — Oh. Boker Tov pra você também. A avó parece estar tranquila esta manhã. Sentarei com ela e conversarei enquanto tomamos café da manhã, talvez isso a anime. De fato, vou preparar algo especial pra ela. Enquanto pego um prato de frutas, tomo meu tempo e corto pequenos pedaços de banana e melão com formas que a mãe de Jessica me ensinou. Jessica chama essas coisas de delírios das pessoas sobre “prazeres da multidão”. Um pouco de fruta picada em forma de uma cara de palhaço é um deleite ao público definido. Coloco o prato diante dela em uma mesa ao lado.
  69. 69. 69 — Todah — diz ela. — De nada — Olho minha obra. — É uma cara de palhaço. — Muito criativo. Gosta de cozinhar? — Na verdade não. Gosto de comer. Vamos a todos os restaurantes perto de casa. — Seu pai não cozinha pra você? Sei o que está pensando. Essa é uma grande oportunidade para eu dizer a Sofia o que realmente acontece em casa. No entanto, quando olho seus brilhantes olhos azuis de uma velha mulher, me sinto protetora com ela. Por mais que gostaria que minha avó tivesse vergonha do Doador de Esperma, não posso lhe dar um mal-estar. — Bom, quando vai me ver faz uma grande lasanha — digo, minha boca movendo-se sem que meu cérebro pense muito tempo nisso. — E sua picatta de frango19 é de outro mundo. Até faz muffins de blueberry assados para mim nas manhãs de domingo. — Picatta de frango, huh? — diz. Oh, merda. Ela está me olhando. Provavelmente deveria ter deixado de lado os muffins ou deveria ter dito churrasco ao invés de Picatta. Entretando continuo com minha história para o bem ou para o mal. — Sim. Estou segura que se pedir te fará alguns – digo enquanto olho meus pés e vejo que meu esmalte está descascado. Ouço a porta abrir e Doda Yucky vem entrando pra dentro de casa. — Amy, Safta começa seu tratamento de quimioterapia em uma hora — diz. Ambas ajudamos minha avó a se levantar. — Todo mundo está com as ovelhas — diz Doda Yucky. — Estão te esperando. 19 Piccata é um método de preparação de alimentos: a carne é cortada, empanadas, douradas, servidos em um molho
  70. 70. 70 Sou lançada para uma terrível sensação de preocupação por Safta. Quimioterapia? Oh, não... isso significa câncer. — Posso ir com você? — pergunto. — Posso, se você quiser. Safta acaricia as costas da minha mão suavemente. — Não se preocupe, estarei bem. Vá com os jovens e desfrute de sua estadia aqui. Não quer ficar dando voltas por um hospital durante o dia todo. Está bem? — Ok. Quero ir com ela para assegurar que o médico saiba que ela é minha Safta e necessita da melhor atenção possível. Sabem como ela é importante? Doda Yucky sai com Safta pela porta e estou sozinha de novo. Continuo evitando as ovelhas hoje. Ron quer me ajudar, mas por que me dá um trabalho que não posso fazer? Não quero lhe dar uma razão para se ressentir de sua filha. E se ocorre o contrário, se é que presume a todos o quão ótima eu sou, não quero que a verdade apareça, que sou tudo, menos perfeita. Na verdade, apesar de que tenhamos problemas importantes para superar, quero que se orgulhe de mim. Sei que é uma ideia boba, mas é verdade. Passo a hora seguinte reorganizando meu lado do armário. Meu olho vê a pouca roupa do outro lado. Seguramente Snotty gosta de mostrar muita pele. Caminho para fora sem saber que um filhote de cachorro me esperava na porta. Genial, o único que gosta de mim aqui é um cachorro. — Arg! — Estúpido Mutt — murmuro. — Arg!

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