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Introdução


      O estudo sobre a formação de professores me lançou o desafio de
refletir sobre os anseios e as razões que me conduziram ao magistério. Desfio
que me fez reportar, de modo reflexivo, as minhas origens.
      Nasci no estado de Minas Gerais, na cidade de Belo Horizonte, no dia
22 de janeiro de 1.984, numa família relativamente numerosa. Tenho seis
irmãos, dentre os quais sou a quarta filha.
      Entrei para a escola aos sete anos de idade, não fiz a pré-escola, pois,
não era oferecido pelo governo como atualmente. Sempre estudei em escola
pública, num primeiro momento foi à municipal e num segundo momento foi
estadual.
      Lembro-me de que ainda criança, tinha muita vontade de aprender a ler
e a escrever, porque meus três irmãos mais velhos já sabiam, e eu não
conseguia entender o significado daqueles símbolos.
      Quando cheguei à escola estava eufórica para conhecer a minha
professora e a turma, confesso que me assustei, estava matriculada em uma
turma de “repetentes” da 1ª série, todos os outros alunos eram mais velhos, só
eu tinha sete anos.
      A professora foi muito importante para minha adaptação, o nome dela
era Realina, gostei do nome dela, por ser diferente como o meu, mas além do
nome ela também era diferente das demais professoras que via passando pelo
corredor, ela sorria, brincava, abraçava, e assim, mesmo fazendo parte de uma
turma tão heterogênea, consegui me sobressair e passar de ano.
      Em casa sempre fomos incentivados a estudar. Meu pai, todo fim de
semana fazia a mesma coisa: escolhia um texto e chamava cada um dos filhos
para ler, depois fazia a mesma coisa com a tabuada.
      O tempo foi passando, e eu tinha certeza de que queria ser professora.
Até o momento que iniciei o ensino médio. Nessa época surgiu uma
interrogação enorme em minha cabeça: E agora, vou ser mesmo professora? E
a resposta foi negativa.
      Almejava uma profissão que fosse respeitada, valorizada e que o retorno
financeiro fosse significativo. Os professores do ensino médio demonstravam
justamente o contrário.
Durante os três anos do ensino médio, a escola que estudava, realizou
testes vocacionais com os alunos, todos os que eu fiz apontava para a área de
Humanas, mais especificamente a Pedagogia. Mesmo assim, prestei vestibular
para enfermagem, não deu certo e precisei ir para o mercado de trabalho sem
uma formação.
       Neste tempo, comecei a dar aulas de reforço para crianças perto da
minha casa e gostei, meu pai ficou orgulhoso e dizia para as pessoas que tinha
uma filha professora.
       O tempo passou, em 2005 me casei e vim morar no estado de São
Paulo, na cidade de Cotia e, surgiu à oportunidade de cursar o Magistério. Foi
um curso em EAD, oferecido em parceria pela Secretaria Municipal de
Educação de Cotia e o IESDE – Inteligência Educacional e Sistema de Ensino,
todo ministrado por vídeo-aulas, com atividades presenciais e a distancia.
       Por ser um curso na modalidade EAD, foi muito criticado, as pessoas
não confiavam que se pudesse aprender com vídeo-aulas, eu até entendo, mas
felizmente não é o meu caso.
       Iniciei o curso e me apaixonei pelas disciplinas. Percebi quanto tempo
perdera tentando realizar outras atividades as quais não me identificava.
       Quando realizei o estágio fiquei apreensiva com o número de alunos, as
condições de trabalho, a valorização, o respeito, mas como tinha me decidido
resolvi correr o risco.
       Antes de terminar o magistério iniciei a graduação em Pedagogia. Em
2007 ingressei por concurso público na rede municipal de Cotia. Comecei a
lecionar e me senti perdida, só tinha a prática do estágio. Que desafio!
       Nesta época conheci duas professoras: Ângela e Viviane, que
ingressaram comigo e por coincidência fomos para a mesma escola. Alguns
meses depois para completar a “nossa turma”, chamada carinhosamente de
“Isabetes” chegou a Nilde. Acabamos nos tornando companheiras de trabalho,
por semelhança em nossos ideais e, consequentemente amigas.
       Foi junto com elas que aprendi a por em prática a teoria estudada no
magistério e na graduação, e a realizar o projeto “Roda de Leitura”, que faz
toda a diferença em minha prática pedagógica.
       Em 2008 me formei, que sensação boa! Porém, percebi que faltava algo
em minha formação. Queria algumas respostas que a graduação não tinha
fornecido. Minhas indagações eram diferentes daquelas que me levaram a
realizar a graduação.
         Desejava saber como trabalhar com alunos especiais; como favorecer o
processo ensino aprendizagem dos alunos; como trabalhar com os alunos
indisciplinados; como relacionar a teoria e a prática; dentro do meu contexto,
da minha realidade de sala de aula.
         Dentre essas questões que me afligiam, busquei a Pós-Graduação em
Psicopedagogia. O atendimento psicopedagógico foi essencial para responder
algumas dessas questões e também para embaralhar outras, por exemplo,
como favorecer os alunos com problemas de aprendizagem em uma sala de
aula     com   35   alunos,   se    eles   precisam   de   um   acompanhamento
individualizado?
         Novamente, vem a questão da teoria e da prática. Na teoria tudo parece
possível, mas a prática é complexa e desafiadora.
         Terminei a especialização e decidi dar um tempo em meus estudos
acadêmicos para realizar meu anseio de ser mãe e dedicar-me ao meu filho.
         Em agosto de 2010, surgiu uma oportunidade única, realizar o curso de
Pós-Graduação com acesso ao mestrado europeu, juntamente com meu
marido e minhas amigas. Relutei, porque agora não teria mais todo o tempo
para dedicar-me aos estudos, visto que agora tenho um filho que requer minha
atenção.
         No entanto, por ser uma oportunidade única, aceitei o desafio e hoje
estou aqui persistindo nessa jornada para melhor compreender minha prática
em sala de aula e, assim aperfeiçoá-la.




                                   UM NOVO DESAFIO...
         Decidir iniciar o curso foi desafiador, permanecer nele está sendo mais
ainda.
         Durante o módulo de Modelos e Práticas de Formação de Professores,
pude refletir sobre a minha formação, desde a mais tenra idade e, percebi que
desde os primeiros anos escolares até a graduação, minha formação foi
tradicional, ou seja, transmissão de conhecimentos, os quais seriam cobrados
em avaliações.
Neste módulo, além de refletir sobre minha formação, refleti também
sobre a formação dos professores no Brasil e em Portugal, tendo em vista a
contextualização histórica da formação de professores, suas incumbências e o
desafio de formar professores crítico-reflexivo.
   Partindo da contextualização histórica, Tanuri (2000), refaz o percurso
histórico da formação docente, no Brasil, em seu artigo “História da Formação
de Professores”. A autora percorre os diversos períodos históricos do país,
desde a colonização, onde as escolas normais fizeram parte do sistema
provincial com o modelo europeu, devido a nossa colonização; até chegar a
atual LBD 9394/96, onde estabelece a formação em nível superior para os
professores, porém, admitindo a formação em nível médio.
       Nóvoa (1995 ), em seu texto “Os professores e sua formação”, refaz o
percurso histórico da formação docente em Portugal, citando as principais
mudanças ocorridas, dentre elas:
   •   a substituição da igreja, que até o final do século XVIII era responsável
       pela educação, pelo professor;
   •   investimento na formação de professores, devido ao último lugar nas
       estatísticas euorpeias;
   •   a profissionalização dos professores, devido ao excesso de professores
       sem formação especifica;
   •   e a formação continuada, para assegurar o sucesso da Reforma do
       Sistema Educacional
       Em decorrência do contexto histórico, a profissão docente, ao longo
       século XIX, é associada ao apostolado e ao sacerdócio, como uma
       vocação. Neste mesmo período, a profissão docente vive uma
       ambigüidade, como Nóvoa (1995), escreve que o professor “não deve
       saber demais, nem de menos; não deve se misturar com o povo, nem
       com a burguesia; não devem ser pobres, nem ricos”
   Portugal foi impelido a realizar mudanças, uma vez que o país estava em
   desenvolvimento, e a educação não poderia ficar em último plano.
       Penso que estas questões co locadas por Nóvoa estão acontecendo na
atualidade do nosso país, uma vez que não se tem claro quem é o professor,
qual sua formação e sua incumbência, citando Nóvoa ainda, “a tendência no
sentido da intensificação do trabalho dos professores, com uma inflação de
tarefas diárias e uma sobrecarga permanente de actividades.”(p.24)
      Hoje o professor em vez de dedicar-se ao processo ensino
aprendizagem do aluno, fica tão ocupado com a burocracia, o preenchimento
de papelada, que na maioria das vezes ficam engavetadas, que o essencial na
profissão docente se perde que é a dedicação ao processo ensino
aprendizagem.
      Se formos olhar o que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional, (LDBEN) nº 9394/96, nos diz sobre as incumbências dos
professores, encontraremos no artigo 13 o seguinte:
      Os docentes incumbir-se-ão de:
      I - participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento
de ensino;
      II - elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica
do estabelecimento de ensino;
      III - zelar pela aprendizagem dos alunos;
      IV - estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor
rendimento;
      V - ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de
participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação
e ao desenvolvimento profissional;
      VI - colaborar com as atividades de articulação da escola com as
famílias e a comunidade.
      Assim, de acordo com minha experiência profissional, é possível afirmar
que a teoria muitas vezes não tem relação com a prática vivenciada no
cotidiano escolar, justamente por conseqüência da inflação de tarefas
delegadas ao professor.
      Paralelamente as incumbências do professor, temos a sua formação,
que atualmente fala-se em professor crítico-reflexivo, inspirado na proposta de
Schon (1990).
      A formação do professor crítico-reflexivo inicia-se na graduação, tendo
seqüência nos cursos de formação continuada e não tem um fim, visto que
uma formação crítico-reflexivo deve estimular a autoformação, o pensamento
autônomo, havendo trocas e partilhas, pois, o professor é simultaneamente
formado e formando.
      O grande desafio atual na formação de professores, segundo Nóvoa é
conceber a escola como um espaço educativo, onde todos os envolvidos
possam aprender e ensinar, tendo objetivos comuns entre o grupo de docentes
pertencentes à escola.

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Formação de professores e desafios da prática pedagógica

  • 1. Introdução O estudo sobre a formação de professores me lançou o desafio de refletir sobre os anseios e as razões que me conduziram ao magistério. Desfio que me fez reportar, de modo reflexivo, as minhas origens. Nasci no estado de Minas Gerais, na cidade de Belo Horizonte, no dia 22 de janeiro de 1.984, numa família relativamente numerosa. Tenho seis irmãos, dentre os quais sou a quarta filha. Entrei para a escola aos sete anos de idade, não fiz a pré-escola, pois, não era oferecido pelo governo como atualmente. Sempre estudei em escola pública, num primeiro momento foi à municipal e num segundo momento foi estadual. Lembro-me de que ainda criança, tinha muita vontade de aprender a ler e a escrever, porque meus três irmãos mais velhos já sabiam, e eu não conseguia entender o significado daqueles símbolos. Quando cheguei à escola estava eufórica para conhecer a minha professora e a turma, confesso que me assustei, estava matriculada em uma turma de “repetentes” da 1ª série, todos os outros alunos eram mais velhos, só eu tinha sete anos. A professora foi muito importante para minha adaptação, o nome dela era Realina, gostei do nome dela, por ser diferente como o meu, mas além do nome ela também era diferente das demais professoras que via passando pelo corredor, ela sorria, brincava, abraçava, e assim, mesmo fazendo parte de uma turma tão heterogênea, consegui me sobressair e passar de ano. Em casa sempre fomos incentivados a estudar. Meu pai, todo fim de semana fazia a mesma coisa: escolhia um texto e chamava cada um dos filhos para ler, depois fazia a mesma coisa com a tabuada. O tempo foi passando, e eu tinha certeza de que queria ser professora. Até o momento que iniciei o ensino médio. Nessa época surgiu uma interrogação enorme em minha cabeça: E agora, vou ser mesmo professora? E a resposta foi negativa. Almejava uma profissão que fosse respeitada, valorizada e que o retorno financeiro fosse significativo. Os professores do ensino médio demonstravam justamente o contrário.
  • 2. Durante os três anos do ensino médio, a escola que estudava, realizou testes vocacionais com os alunos, todos os que eu fiz apontava para a área de Humanas, mais especificamente a Pedagogia. Mesmo assim, prestei vestibular para enfermagem, não deu certo e precisei ir para o mercado de trabalho sem uma formação. Neste tempo, comecei a dar aulas de reforço para crianças perto da minha casa e gostei, meu pai ficou orgulhoso e dizia para as pessoas que tinha uma filha professora. O tempo passou, em 2005 me casei e vim morar no estado de São Paulo, na cidade de Cotia e, surgiu à oportunidade de cursar o Magistério. Foi um curso em EAD, oferecido em parceria pela Secretaria Municipal de Educação de Cotia e o IESDE – Inteligência Educacional e Sistema de Ensino, todo ministrado por vídeo-aulas, com atividades presenciais e a distancia. Por ser um curso na modalidade EAD, foi muito criticado, as pessoas não confiavam que se pudesse aprender com vídeo-aulas, eu até entendo, mas felizmente não é o meu caso. Iniciei o curso e me apaixonei pelas disciplinas. Percebi quanto tempo perdera tentando realizar outras atividades as quais não me identificava. Quando realizei o estágio fiquei apreensiva com o número de alunos, as condições de trabalho, a valorização, o respeito, mas como tinha me decidido resolvi correr o risco. Antes de terminar o magistério iniciei a graduação em Pedagogia. Em 2007 ingressei por concurso público na rede municipal de Cotia. Comecei a lecionar e me senti perdida, só tinha a prática do estágio. Que desafio! Nesta época conheci duas professoras: Ângela e Viviane, que ingressaram comigo e por coincidência fomos para a mesma escola. Alguns meses depois para completar a “nossa turma”, chamada carinhosamente de “Isabetes” chegou a Nilde. Acabamos nos tornando companheiras de trabalho, por semelhança em nossos ideais e, consequentemente amigas. Foi junto com elas que aprendi a por em prática a teoria estudada no magistério e na graduação, e a realizar o projeto “Roda de Leitura”, que faz toda a diferença em minha prática pedagógica. Em 2008 me formei, que sensação boa! Porém, percebi que faltava algo em minha formação. Queria algumas respostas que a graduação não tinha
  • 3. fornecido. Minhas indagações eram diferentes daquelas que me levaram a realizar a graduação. Desejava saber como trabalhar com alunos especiais; como favorecer o processo ensino aprendizagem dos alunos; como trabalhar com os alunos indisciplinados; como relacionar a teoria e a prática; dentro do meu contexto, da minha realidade de sala de aula. Dentre essas questões que me afligiam, busquei a Pós-Graduação em Psicopedagogia. O atendimento psicopedagógico foi essencial para responder algumas dessas questões e também para embaralhar outras, por exemplo, como favorecer os alunos com problemas de aprendizagem em uma sala de aula com 35 alunos, se eles precisam de um acompanhamento individualizado? Novamente, vem a questão da teoria e da prática. Na teoria tudo parece possível, mas a prática é complexa e desafiadora. Terminei a especialização e decidi dar um tempo em meus estudos acadêmicos para realizar meu anseio de ser mãe e dedicar-me ao meu filho. Em agosto de 2010, surgiu uma oportunidade única, realizar o curso de Pós-Graduação com acesso ao mestrado europeu, juntamente com meu marido e minhas amigas. Relutei, porque agora não teria mais todo o tempo para dedicar-me aos estudos, visto que agora tenho um filho que requer minha atenção. No entanto, por ser uma oportunidade única, aceitei o desafio e hoje estou aqui persistindo nessa jornada para melhor compreender minha prática em sala de aula e, assim aperfeiçoá-la. UM NOVO DESAFIO... Decidir iniciar o curso foi desafiador, permanecer nele está sendo mais ainda. Durante o módulo de Modelos e Práticas de Formação de Professores, pude refletir sobre a minha formação, desde a mais tenra idade e, percebi que desde os primeiros anos escolares até a graduação, minha formação foi tradicional, ou seja, transmissão de conhecimentos, os quais seriam cobrados em avaliações.
  • 4. Neste módulo, além de refletir sobre minha formação, refleti também sobre a formação dos professores no Brasil e em Portugal, tendo em vista a contextualização histórica da formação de professores, suas incumbências e o desafio de formar professores crítico-reflexivo. Partindo da contextualização histórica, Tanuri (2000), refaz o percurso histórico da formação docente, no Brasil, em seu artigo “História da Formação de Professores”. A autora percorre os diversos períodos históricos do país, desde a colonização, onde as escolas normais fizeram parte do sistema provincial com o modelo europeu, devido a nossa colonização; até chegar a atual LBD 9394/96, onde estabelece a formação em nível superior para os professores, porém, admitindo a formação em nível médio. Nóvoa (1995 ), em seu texto “Os professores e sua formação”, refaz o percurso histórico da formação docente em Portugal, citando as principais mudanças ocorridas, dentre elas: • a substituição da igreja, que até o final do século XVIII era responsável pela educação, pelo professor; • investimento na formação de professores, devido ao último lugar nas estatísticas euorpeias; • a profissionalização dos professores, devido ao excesso de professores sem formação especifica; • e a formação continuada, para assegurar o sucesso da Reforma do Sistema Educacional Em decorrência do contexto histórico, a profissão docente, ao longo século XIX, é associada ao apostolado e ao sacerdócio, como uma vocação. Neste mesmo período, a profissão docente vive uma ambigüidade, como Nóvoa (1995), escreve que o professor “não deve saber demais, nem de menos; não deve se misturar com o povo, nem com a burguesia; não devem ser pobres, nem ricos” Portugal foi impelido a realizar mudanças, uma vez que o país estava em desenvolvimento, e a educação não poderia ficar em último plano. Penso que estas questões co locadas por Nóvoa estão acontecendo na atualidade do nosso país, uma vez que não se tem claro quem é o professor, qual sua formação e sua incumbência, citando Nóvoa ainda, “a tendência no
  • 5. sentido da intensificação do trabalho dos professores, com uma inflação de tarefas diárias e uma sobrecarga permanente de actividades.”(p.24) Hoje o professor em vez de dedicar-se ao processo ensino aprendizagem do aluno, fica tão ocupado com a burocracia, o preenchimento de papelada, que na maioria das vezes ficam engavetadas, que o essencial na profissão docente se perde que é a dedicação ao processo ensino aprendizagem. Se formos olhar o que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, (LDBEN) nº 9394/96, nos diz sobre as incumbências dos professores, encontraremos no artigo 13 o seguinte: Os docentes incumbir-se-ão de: I - participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino; II - elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino; III - zelar pela aprendizagem dos alunos; IV - estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento; V - ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento profissional; VI - colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade. Assim, de acordo com minha experiência profissional, é possível afirmar que a teoria muitas vezes não tem relação com a prática vivenciada no cotidiano escolar, justamente por conseqüência da inflação de tarefas delegadas ao professor. Paralelamente as incumbências do professor, temos a sua formação, que atualmente fala-se em professor crítico-reflexivo, inspirado na proposta de Schon (1990). A formação do professor crítico-reflexivo inicia-se na graduação, tendo seqüência nos cursos de formação continuada e não tem um fim, visto que uma formação crítico-reflexivo deve estimular a autoformação, o pensamento
  • 6. autônomo, havendo trocas e partilhas, pois, o professor é simultaneamente formado e formando. O grande desafio atual na formação de professores, segundo Nóvoa é conceber a escola como um espaço educativo, onde todos os envolvidos possam aprender e ensinar, tendo objetivos comuns entre o grupo de docentes pertencentes à escola.