Trichomonas

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Trichomonas

  1. 1. TRICHOMONAS Profa . Dra . Maria do Socorro Vieira dos Santos MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI FACULDADE DE MEDICINA MÓDULO: MB0302 – RELAÇÃO PARASITO- HOSPEDEIRO
  2. 2. Trichomonas vaginalis é o agente etiológico da tricomoníase (tricomoniose, tricomose) ou ou a doença sexualmente transmissível (DST) não-viral mais comum no mundo. Estima-se que ocorram 250 a 350 milhões de casos de tricomonose no mundo anualmente.
  3. 3. As outras espécies de tricomonadídeos encontradas no homem são Trichomonas tenax, Trichomonas hominis e Trichomitus fecalis.
  4. 4. O Trichomonas tenax é não patogênico, vive na cavidade bucal humana e também de chipanzés e macacos. 4
  5. 5. O T. hominis não é patogênico, habita o trato intestinal humano. 5
  6. 6. O Trichomitus fecalis foi encontrado em um único paciente não existindo certeza se o homem seria seu hospedeiro primário. 6
  7. 7.  1836  Donné  isolou a Trichomonas vaginalis  mulher com vaginite  1894 (Marchand e Miura) – Dock (1896)  observaram este flagelo na uretrite de um homem.
  8. 8. MORFOLOGIA E FISIOLOGIA8
  9. 9.  Trichomonas vaginalis: habita o trato geniturinário do homem e da mulher, onde produz a infecção e não sobrevive fora do sistema urogenital.
  10. 10.  Célula polimorfa  hospedeiro natural / meios de cultura.  Espécimes vivos  elipsoides, ovais ou esféricos  Protozoário  capacidade de formar pseudópodes
  11. 11. Estrutura do Trofozoíto Rey, L. Parasitologia. 4 ed. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan. 2008 Fibras parabasais Flagelo recorrente (Memb. Ondulante) Axóstilo HidrogenossomosTrichomonas vaginalis
  12. 12.  Comprimento: 4,5 a 19 µm Largura: 2,5 a 12,5 µm  Desprovido de mitocôndria  apresentam hidrogenossomos  Núcleo elipsoide  nucléolo dupla e membrana nuclear
  13. 13.  Axóstilo  estrutura rígida e hialina, formada por microtúbulos  4 flagelos anteriores livres http://www.microbelibrary.org/microbelibrary/files/ccImages/Articleimages/del%20c ;
  14. 14. Flagelo anterior livre Membrana ondulante Corpo parabasal Costa Núcleo Hidrogenossomos Axóstilo Filamento parabasal Estrutura do Trofozoíto
  15. 15.  Não há formação de cistos  apresenta o estágio de trofozoíto  Reprodução  divisão binária
  16. 16.  Organismo anaeróbio facultativo  Cresce perfeitamente bem na ausência de oxigênio  Meios de cultura  pH 5,0 e 7,5 Temperaturas  20 e 40°C
  17. 17. TRANSMISSÃO17
  18. 18.  Transmitido por relação sexual Transmissão não sexual é incomum e pode ser aceita para explicar a tricomonose em crianças incluindo os recém nascidos, como também em virgens. 18 MODO DE TRANSMISSÃO
  19. 19.  T. vaginalis  transmissão sexual (1) Alta frequência de infecção da uretra e/ou próstata em parceiros de mulheres infectadas; (2) A infecção é observada com mais frequencia em mulheres assistidas em clínicas de DSTs e em prostitutas; 20 MODO DE TRANSMISSÃO
  20. 20. (3) O protozoário não sobrevive fora do corpo humano, a menos que esteja protegido contra a dessecação. 21 MODO DE TRANSMISSÃO
  21. 21.  Pode ser transmitida também por roupas íntimas, roupas de cama, toalhas de banho úmidas contaminadas, assentos de banheiros e por instrumentos ginecológicos. 22 MODO DE TRANSMISSÃO
  22. 22.  Estima-se que 2 a 17% de meninas recém-nascidas de mães infectadas por Trichomonas vaginalis podem adquirir infecção no trato urinário ou na vagina. 23 MODO DE TRANSMISSÃO
  23. 23. No recém-nascido, a tricomonose pode ocorrer durante a passagem pelo canal do parto, em consequência da infecção materna, quando a mãe não toma medidas profiláticas contra a parasitose durante a gestação. Aproximadamente 5% dos neonatos podem adquirir a doença verticalmente de suas mães infectadas.
  24. 24.  Varia geralmente entre 4 a 28 dias, todavia muitas pessoas são carreadoras assintomáticas do parasito por longos períodos. 25 PERÍODO DE INCUBAÇÃO
  25. 25.  Algumas mulheres possuem o Trichomonas por meses antes de surgirem sintomas, tornando muito difícil definir a data em que ocorreu a contaminação. 26 PERÍODO DE INCUBAÇÃO
  26. 26.  A infecção por T. vaginalis promove uma agressiva resposta imune celular local com inflamação do epitélio vaginal e exocérvice em mulheres e da uretra em homens. 27 TRANSMISSÃO DO HIV
  27. 27.  Essa resposta inflamatória induz uma grande infiltração de leucócitos, incluindo células alvo do HIV como linfócitos TCD4+ e macrófagos, aos quais o HIV pode se ligar e ganhar acesso. 28 TRANSMISSÃO DO HIV
  28. 28.  O T. vaginalis frequentemente causa pontos hemorrágicos na mucosa, permitindo o acesso direto do vírus para a corrente sanguínea. 29 TRANSMISSÃO DO HIV
  29. 29. Estima-se que 24% das infecções pelo HIV são diretamente atribuídas à tricomonose. Essas descobertas sugerem que o diagnóstico e o tratamento para a infecção por Trichomonas vaginalis em homens e mulheres podem reduzir significativamente a transmissão do HIV.
  30. 30. CICLO BIOLÓGICO31
  31. 31.  O Trichomonas vaginalis apresenta alta especificidade de localização, sendo capaz de produzir infecção somente no trato urogenital humano, pois não se instala na cavidade bucal ou no intestino. 32
  32. 32.  O estabelecimento do Trichomonas vaginalis no sítio de infecção se inicia com o aumento do pH (3,8- 4,5 5,0 – 7,5). 33
  33. 33.  Um contato inicial entre Trichomonas vaginalis e leucócitos resulta em formação de pseudópodes e fagocitose das células imunes nos vacúolos fagocíticos do parasito. 34
  34. 34.  O Trichomonas vaginalis pode se autorrevestir de proteínas plasmáticas do hospedeiro, impedindo que o sistema imune reconheça o parasito como estranho. 35
  35. 35. SINTOMAS37
  36. 36.  O Trichomonas vaginalis tem se destacado como um dos principais patógenos do trato urogenital humano e está associado a sérias complicações de saúde. 38
  37. 37.  Promove a transmissão do vírus da imunodeficiência humana (HIV);  Causa de baixo peso de bebês e de nascimento prematuro; 39
  38. 38.  Predispõe mulheres à doença inflamatória pélvica atípica, câncer cervical e infertilidade. 40
  39. 39. NA MULHER
  40. 40.  O espectro clínico da tricomonose varia da forma assintomática ao estado agudo. 42 Assintomáticas: 25% a 50%
  41. 41.  Provoca uma vaginite  caracteriza por um corrimento vaginal fluido abundante de cor amarelo- esverdeada, bolhoso, de odor fétido. Frequentemente no período pós-menstrual 43
  42. 42. Aspecto da cavidade vaginal Congestão Aspecto dos genitais externos Secreção espumosa https://lh6.googleusercontent.com/-aR9FNUN-jtY/UDK0jw44Z6I/AAAAAAAACUY/0oTfILdWzK0/s512/tricomoniase-sintomas.jpg
  43. 43.  Processo infeccioso  prurido ou irritação vulvovaginal de intensidade variável e dores no baixo ventre. O pH vaginal tende a tornar-se alcalino. 45
  44. 44. A infecção a Trichomonas pode oscilar entre a ausência de sintomas e uma doença inflamatória com sintomatologia como: desconforto pélvico, sensibilidade vulvovaginal aumentada, prurido e eritema vulvovaginal. http://medicinaemcasa.com/sinais-e-sintomas-trichomonas-vaginalis/
  45. 45.  Dor e dificuldade para as relações sexuais  dispareunia  Desconforto nos genitais externos  Dor ao urinar  disúria  Aumento na freqüência miccional  poliúria 47
  46. 46. O Trichomonas vaginalis está relacionado com doença inflamatória pélvica, pois infecta o trato urinário superior, causando resposta inflamatória que destrói a estrutura tubária e danifica as células ciliadas da mucosa, inibindo a passagem dos espermatozóides ou óvulos através da tuba uterina.
  47. 47.  A vagina e a cérvice podem ser edematosas e eritematosas  erosão e pontos hemorrágicos na parede cervical  "colpitis macularis" ou cérvice com aspecto de morango. 49
  48. 48. http://images.slideplayer.com.br/3/378854/slides/slide_26.jpg
  49. 49. A tricomonose é mais sintomática durante a gravidez ou entre mulheres que fazem uso de medicamento anticoncepcional oral.
  50. 50.  Ruptura prematura de membrana fetal;  Parto prematuro;  Baixo peso ao nascer;  Endometrite pós-parto;  Feto natimorto e morte neonatal. 52 NA GRAVIDEZ
  51. 51. NO HOMEM
  52. 52.  Comumente assintomática;  Ocorre geralmente um aumento da necessidade de urinar, o que pode ser doloroso. 54
  53. 53.  Em alguns casos, a infecção pode se apresentar como uma uretrite com fluxo leitoso ou purulento e causar uma leve sensação de prurido na uretra. 55
  54. 54.  Pela manhã  antes da passagem da urina  pode ser observado um corrimento claro, viscoso e pouco abundante, com desconforto ao urinar (ardência miccional) e por vezes hiperemia do meato uretral. 56
  55. 55.  Durante o dia  secreção é escassa.  O protozoário pode se localizar ainda na bexiga e na vesícula seminal. 57
  56. 56.  É possível que os homens apresentem algum desconforto após o sexo, podendo o prepúcio tornar-se inflamado.  A uretra pode emitir um corrimento branco, especialmente após a ejaculação. 58
  57. 57.  Além disto, pode diminuir a vitalidade dos espermatozóides, reduzindo a chance de concepção durante esses períodos. 59
  58. 58.  Infecções crônicas podem permanecer latentes durante anos transformando o homem em um vetor. 60
  59. 59.  Complicações Prostatite  aumento crônico da frequência da micções, ardor ao urinar e sensação de não esvaziamento completo da bexiga. 61
  60. 60. Balanopostite  é uma inflamação conjunta da glande e prepúcio. 62 Balanite: inflamação da glande Postite: inflamação do prepúcio
  61. 61. Cistite  inflamação na bexiga, normalmente causada por infecção de bactérias naturais da flora intestinal. 63
  62. 62. DIAGNÓSTICO64
  63. 63.  O quadro clínico das vaginites apenas sugerem a causa mais provável, não sendo possível estabelecer o diagnóstico sem exames complementares. 65
  64. 64.  Para se confirmar a presença do Trichomonas vaginalis o ginecologista realiza um exame ginecológico, que normalmente detecta uma vagina inflamada e com pequenas úlceras. 66
  65. 65. O diagnóstico da tricomonose não pode ser baseado somente na apresentação clínica, pois a infecção poderia ser confundida com outras DSTs.
  66. 66. Se a clínica fosse utilizada isoladamente para o diagnóstico, 88% das mulheres infectadas não seriam diagnosticadas e 29% das não infectadas seriam falsamente indicadas como tendo infecção.
  67. 67.  O diagnóstico da tricomonose depende da observação microscópica do protozoário móvel, através do exame direto de esfregaços a fresco, bem como pela microscopia de esfregaços fixados e corados. 69 EXAMES PARASITOLÓGICOS
  68. 68. Esfregaço de secreção vaginal http://www.cytologystuff.com/site~/section3.htm
  69. 69.  O material colhido de pacientes que não for examinado em preparações a fresco, imediatamente após a colheita ou inoculado em meios de cultura, deverá ser preservado em líquidos ou em meios de transporte. 71 EXAMES PARASITOLÓGICOS
  70. 70. NA MULHER  A cavidade vaginal é o local mais facilmente infectado e os tricomonas são mais abundantes durante os primeiros dias após a menstruação. 72
  71. 71. NA MULHER  Não deve realizar a higiene vaginal durante um período de 18 a 24 horas anterior à colheita do material, e não deve ter feito uso de medicamentos tricomonicidas há 15 dias. 73
  72. 72. NA MULHER  O material é usualmente colhido na vagina com swab de algodão não absorvente ou de poliéster, com o auxílio de um espéculo não lubrificado. 74
  73. 73.  Durante o exame colhe-se uma amostra de secreção vaginal para ser estudada no microscópio.  Em até 70% dos casos é possível identificar o protozoário se movendo nas secreções. 75 NA MULHER
  74. 74. http://depts.washington.edu/nnptc/online_training/std_handbook/gallery/pages/trichomonasdischg.html http://www.saude.df.gov.br/003/00318005.asp?ttCD_CHAVE=22627 http://www.jornallivre.com.br/206318/o-que-causa-tricomoniase.html 70% dos casos de leucorreia feminina são positivos para Trichomonas vaginalis
  75. 75.  Se o quadro clínico e o exame ginecológico forem muito sugestivos, mas o exame microscópico for negativo, é possível fazer uma cultura da secreção, que costuma dar o resultado entre 3 a 7 dias. 77 NA MULHER
  76. 76. (A) Two trophozoites of T. vaginalis obtained from in vitro culture, stained with Giemsa. (B) Trophozoite of Trichomonas vaginalis stained with iron hematoxylin. http://www.dpd.cdc.gov/dpdx/HTML/ImageLibrary/Trichomoniasis_il.htm
  77. 77. O exame de papanicolau pode também detectar o Trichomonas, mas sua sensibilidade é baixa, deixando passar cerca de 50% dos casos, além de ter uma alta taxa de falso positivo.
  78. 78. NO HOMEM  Deve comparecer ao local da colheita pela manhã, sem ter urinado no dia e sem ter tomado medicamento tricomonicida há 15 dias. 80
  79. 79. NO HOMEM  É colhido material uretral com uma alça de platina ou com swab de algodão não absorvente ou de poliéster.  O parasito é mais facilmente encontrado no sêmen do que na urina ou em esfregaços uretrais. 81
  80. 80.  Reações de aglutinação  Métodos de imunofluorescência (direta e indireta)  Técnicas imunoenzimáticas (ELISA) 82 EXAMES IMUNOLÓGICOS
  81. 81.  Apresentam maior significado em pacientes assintomáticos  permitindo uma triagem adequada com a possibilidade de um tratamento precoce e uma diminuição do risco da transmissão. 83 EXAMES IMUNOLÓGICOS
  82. 82. EPIDEMIOLOGIA84
  83. 83.  A tricomose é a DST não viral mais comum no mundo.
  84. 84.  A Organização Mundial de Saúde registra 170 milhões de casos/ano  Faixa etária de 16 a 35 anos Exames Papanicolau acusam 20% a 40% de mulheres em idade reprodutiva infectadas com Trichomonas vaginalis.
  85. 85.  Incidência da infecção depende  idade, atividade sexual, número de parceiros sexuais, fase do ciclo menstrual e condições sócio- econômicas. 87
  86. 86. A tricomonose é incomum na infância (1 a 10 anos de idade), tendo em vista que as condições vaginais (baixo pH) não favorecem o desenvolvimento da parasitose.
  87. 87. A adolescência, caracterizada por alta atividade estrogênica, que acompanha mudanças anatômicas e fisiológicas dos órgãos genitais com aumento do pH vaginal, favorece um ambiente suscetível ao estabelecimento do Trichomonas vaginalis.
  88. 88.  A perpetuação do protozoário parasito depende da sobrevivência no hospedeiro humano. 90
  89. 89.  O parasito, não tendo a forma cística, é suscetível à dessecação e às altas temperaturas, mas pode viver, surpreendentemente, fora de seu hábitat por algumas horas sob altas condições de umidade. 91
  90. 90.  O Trichomonas vaginalis pode viver durante 3 horas na urina coletada e 6 horas no sêmen ejaculado.  Entre homens estima-se uma positividade de 10% a 15%. 92
  91. 91.  A taxa de prevalência da infecção em homens é pouco conhecida, mas provavelmente é 50 a 60% menor que em mulheres. 93
  92. 92. A tricomonose parece ser autolimitada em muitos homens, possivelmente devido a uma ação tricomonicida de secreções prostáticas ou à eliminação mecânica dos protozoários que se localizam na uretra, durante a micção.
  93. 93. TRATAMENTO95
  94. 94.  O Metronidazol e o Tinidazol são as duas opções de tratamento para a tricomoníase.  Taxa de cura > 90% 96
  95. 95.  A tricomoníase não tratada é fator de risco para infertilidade e câncer do colo do útero. 97
  96. 96.  Esquema indicado  consiste em 2 gramas de Metronidazol ou Tinidazol por via oral (4 comprimidos de 500mg) em dose única 98
  97. 97. É importante evitar relações sexuais durante uma semana e o(a) parceiro(a) também deve ser tratado(a), mesmo que esteja assintomático(a) para evitar a reinfecção. Cerca de 70% dos parceiros de um paciente infectado também estão infectados pelo parasito.
  98. 98. CONTROLE100
  99. 99.  Usar sempre camisinha durante as relações sexuais; 101
  100. 100.  Fazer exames periódicos; 102
  101. 101.  Evitar ter múltiplos parceiros(as); 103
  102. 102.  Evitar relações com pessoas sabiamente contaminadas e ainda não tratadas. 104
  103. 103. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS  NEVES, D. P. et al. Parasitologia Humana - 10ª. ed. – São Paulo: Atheneu, 2011.  REY, Luís. Parasitologia - 4ª. ed. – Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan S. A., 2001. 105
  104. 104. 106

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