Giardia 2015.1

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Giardíase 2015.1

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Giardia 2015.1

  1. 1. GIARDÍASE Profa. Dra. Maria do Socorro Vieira dos Santos MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO CARIRI FACULDADE DE MEDICINA MÓDULO: MB0302 – RELAÇÃO PARASITO-HOSPEDEIRO CDI 10: AO7.1
  2. 2. A giardíase é uma infecção do intestino delgado causada por um protozoário flagelado unicelular que ocorre em todo o mundo, mas é mais frequente em regiões em que as condições sanitárias e de higiene são precárias.
  3. 3. Doença de distribuição mundial, mais prevalente em países em desenvolvidos.
  4. 4. Em países desenvolvidos, a Giardia é o principal parasito encontrado na população, sendo a causa mais frequente de surtos epidêmicos de diarréia associados à água para consumo.
  5. 5. Em 2004, a infecção por Giardia foi inserida no grupo WHO Neglected Diseases Intiative que reúne doenças negligenciadas nos países em desenvolvimento e guardam estreita relação com a pobreza, com a falta de saneamento básico e com a qualidade da água de consumo.
  6. 6. HISTÓRICO6
  7. 7.  1681  Anton van Leeuwenhoek  “animalúnculos móveis” em suas fezes  Giardia: primeiro protozoário intestinal humano a ser descrito HISTÓRICO
  8. 8.  1859  Vilem Lambl  denominou o parasito  Cercomonas intestinalis  1875  Davaine  estudando os flagelos intestinais de coelhos  Hexamintus duodenalis HISTÓRICO
  9. 9.  1882  Kunstler  estudando material de girinos  verificou que os gêneros Cercomonas e Hexamintus  apresentavam morfologia e biologia diferentes  criou o gênero Giardia HISTÓRICO
  10. 10.  Giardia canis  cães  Giardia muris  roedores  Giardia agilis  anfíbios  Giardia psittaci  periquitos HISTÓRICO
  11. 11.  1888  Blanchard Cercomonas intestinalis  Giardia intestinalis Hexamintus duodenalis  Giardia duodenalis HISTÓRICO
  12. 12.  1915  Stiles  estudando material de origem humana  denominou de Giardia lamblia. HISTÓRICO http://thumbs.dreamstime.com/x/giardia-5591685.jpg
  13. 13.  1952  Filice  propôs uma nova classificação  baseada na morfologia do parasito. HISTÓRICO
  14. 14. Giardia duodenalis  humanos, aves, mamíferos e répteis Giardia muris  roedores, aves e répteis Giardia agilis  anfíbios
  15. 15.  Advento das técnicas moleculares  as denominações Giardia duodenalis, Giardia intestinalis e Giardia lamblia  têm sido considerados sinônimos. HISTÓRICO
  16. 16. ETIOLOGIA16 http://giardialamblia.nl/wp-content/uploads/2010/06/Giardia-lamblia3.jpg
  17. 17.  Giardia lamblia  protozoário flagelado que existe sob as formas de cisto e trofozoíto. AGENTE ETIOLÓGICO
  18. 18. Giardia lamblia TROFOZOÍTO CISTO Giardia lamblia = Giardia duodenalis = Giardia intestinalis
  19. 19.  Trofozoíto  encontrado no intestino delgado  forma responsável pelas manifestações clínicas da infecção. AGENTE ETIOLÓGICO
  20. 20. Características morfológicas:  Formato de pera: piriforme  Simetria bilateral: 20 m de comprimento 10 m de largura  Quatro pares de flagelos
  21. 21. Protozoários flagelados: Giardia (1) Núcleos (2) Membrana (3) Citoplasma (4) Flagelos
  22. 22.  Cisto  forma responsável pela transmissão do parasito. AGENTE ETIOLÓGICO
  23. 23. Características morfológicas:  Formato oval ou elipsoide: 12 m de comprimento 8 m de largura  Parede cística (glicoprotéica): resistência a variações de temperatura, umidade e produtos químicos
  24. 24. TRANSMISSÃO24 http://www.minhavida.com.br/saude/temas/giardiase
  25. 25.  Transmissão  via fecal-oral. Os cistos são as formas infectantes para humanos e animais. 25 MODO DE TRANSMISSÃO
  26. 26.  Manuseio de solo contaminado sem a devida limpeza posterior das mãos.  Contato com fezes de cães e gatos contaminados. 26 MODO DE TRANSMISSÃO
  27. 27. A infecção ocorre quando o homem ou o animal ingere o cisto, seja através do contato com outros animais, ou pela água e/ou alimentos contaminados. http://www.zoonoses.piracicaba.sp.gov.br/site/images/s tories/com%20a%20palavra/imagens/Giardiase.gif
  28. 28.  Maioria das infecções por Giardia  ingestão de cistos presentes na água, nos alimentos ou no ambiente contaminado por fezes. 28 MODO DE TRANSMISSÃO
  29. 29. A água consiste em um importante veículo para a transmissão do parasito, seja pela ingestão direta ou indiretamente pelo consumo de alimentos ou bebidas preparados com água contaminada, além de contaminação acidental durante as atividades recreativas.
  30. 30.  Transmissão direta  pessoa  pessoa  mãos contaminadas Homossexuais masculinos  infectam-se pelo contato oral-anal. 30 MODO DE TRANSMISSÃO
  31. 31. Os parasitas são encontrados em lagos, lagoas, rios e córregos em todo o mundo, bem como no abastecimento de água, poços, cisternas, piscinas, parques e spas de água municipais. Águas subterrâneas e superficiais podem ser contaminadas a partir de fezes de escoamento agrícola, de descarga de águas residuais ou de animais.
  32. 32.  De 1 a 4 semanas Média: 7 a 10 dias 32 PERÍODO DE INCUBAÇÃO
  33. 33.  O homem e alguns animais domésticos ou selvagens  gatos, cães e castores. 33 RESERVATÓRIOS
  34. 34.  Crianças  giardíase é muito mais comum em crianças do que em adultos. As crianças são mais propensas a entrar em contato com fezes, especialmente se usam fraldas, estão aprendendo a usar o banheiro ou frequentam creches e escolas infantis. 34 FATORES DE RISCO
  35. 35. As pessoas que vivem ou trabalham com crianças pequenas também estão em maior risco de desenvolver a infecção por giárdia. 35 FATORES DE RISCO
  36. 36.  Pessoas sem acesso à água potável  a giardíase é mais incidente onde o saneamento é inadequado ou a água não é segura para beber. 36 FATORES DE RISCO
  37. 37. CICLO BIOLÓGICO37
  38. 38.  O ciclo biológico da Giardia é do tipo monoxênico;  Ingestão de cistos  10 a 100 formas  ocasiona infecção 38
  39. 39.  Após a ingestão do cisto, a Giardia, no intestino delgado, se transforma na forma trofozoíta, tornando-se organismos flagelados que medem apenas 15 m (0,015 milímetros). 39
  40. 40.  Os trofozoítos são a forma capaz de se reproduzir, multiplicando-se por divisão binária, dentro do intestino delgado do paciente contaminado, aderindo a sua parede. 40
  41. 41.  Eles ligam-se ao epitélio do duodeno e do jejuno através da ventosa. 41  No duodeno os trofozoítos estão totalmente desencistados.
  42. 42.  Se a carga parasitária for grande, ocorre o fenômeno chamado de “atapetamento”  protozoários formam um tapete que recobre as vilosidades do intestino, dificultando a absorção dos nutrientes pelo corpo. 42
  43. 43. http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Reinos/Giardiase.php
  44. 44. Dentre as barreiras naturais presentes no intestino delgado, a camada de muco que protege o epitélio contra ação de enzimas digestivas dificulta a adesão dos trofozoítos à mucosa e, assim, interfere no estabelecimento da infecção.
  45. 45.  Quando o parasita chega ao intestino grosso, ele volta a forma de cisto, pois este é o único meio de sobreviver no meio ambiente após a sua eliminação nas fezes. 45
  46. 46. A contaminação do hospedeiro ocorre por ingestão de alimentos ou água contaminados com cistos de Giardia. Ocorre o desencistamento do cisto no estômago e termina no duodeno e jejuno. Encistamento do parasito na região do ceco. Eliminação do parasito para o meio externo juntamente com as fezes.
  47. 47. 47 CICLO DE VIDA GIARDIA
  48. 48. SINTOMAS48
  49. 49.  A maioria das infecções é assintomática e ocorre tanto em adultos, quanto em crianças. 49 Giardia lamblia Foto: Janice Haney Carr / CDC
  50. 50.  50% dos indivíduos  cura espontânea da infecção  5 a 15% dos indivíduos  infecção é assintomática  eliminação de cistos nas fezes  até 6 meses. 50
  51. 51.  Diarréia  Dor abdominal  Fezes amolecidas  Anorexia  Flatulência  Distensão abdominal 51 INFECÇÃO AGUDA
  52. 52.  Primo infecção Diarréia  tipo aquosa, explosiva Odor fétido Gases Dores abdominais 52
  53. 53.  Sintomas  muitos anos Diarréia contínua, intermitentes ou esporádica Má absorção de gordura, vitaminas lipossolúveis, vitamina B12, ferro, lactose 53 INFECÇÃO CRÔNICA
  54. 54. A Giardia pode determinar alterações morfológicas e fisiológicas do epitélio intestinal sem que haja invasão tissular e celular. Colonização do intestino pelo parasito pode alterar a mucosa intestinal  organização das microvilosidades.
  55. 55. Um dos principais problemas da infecção pela Giardia é a síndrome de má absorção, caracterizada clinicamente pela perda de peso e esteatorreia. O paciente com giardíase apresenta dificuldade em digerir gorduras, carboidratos e vitaminas. Até 40%dos pacientes desenvolvem intolerância a lactose. file:///G:/Faculdade%20de%20Medicina%20-%20UFCA/Aulas%20- %20UFCA/5.%20Giardia/GIARDIA%20LAMBLIA%20_%20Sintom as%20e%20Tratamento%20%C2%BB%20MD.Sa%C3%BAde.htm
  56. 56. DIAGNÓSTICO56
  57. 57. DIAGNÓSTICO CLÍNICO
  58. 58.  Crianças  8 meses a 10-12 anos  Diarréia com esteatorreia Formação de fezes volumosas, acinzentadas ou claras, que geralmente são mal cheirosas, flutuam na água e têm aparência oleosa, ou são acompanhadas de gordura que flutua no vaso sanitário. 58
  59. 59.  Irritabilidade, insônia  Náuseas e vômitos  Perda de apetite  Dor abdominal 59
  60. 60. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
  61. 61. EXAMES PARASITOLÓGICOS  Exame microscópico de fezes  identificação de trofozoítos e/ou cistos. Fezes diarréicas  trofozoítos Fezes formadas  cistos 61
  62. 62. Imagem de Giardia lamblia, capturada em microscópio eletrônico http://www.brasilescola.com/doencas/giardiase.htm http://www.biolib.cz/IMG/GAL/17364.jpg
  63. 63. EXAMES PARASITOLÓGICOS  Exame direto de fezes Método de Faust  é um exame parasitológico de fezes, que consiste na centrífugo-flutuação em sulfato de zinco. 63
  64. 64. 64 TÉCNICA DE FAUST
  65. 65.  Coleta das amostras fecais  recipientes contendo substâncias fixadoras  formol a 10%, MIF (mertiolato-iodo-formol) ou SAF (acetato de sódio-ácido acético- formaldeído) 65 EXAMES PARASITOLÓGICOS
  66. 66.  Indivíduos parasitados não eliminam cistos de forma contínua  período negativo Coleta seriada  pelos menos três amostras fecais obtidas em dias alternados  positividade  85% 66 EXAMES PARASITOLÓGICOS
  67. 67.  Pacientes com diarréia crônica  pesquisa do parasito em amostras de fluido duodenal ou biopsia jejunal. Obtenção do fluido jejunal: Entero-Test 67 EXAMES PARASITOLÓGICOS
  68. 68. GIARDIASIS ENTEROTEST CAPSULE USED FOR DIAGNOSIS http://www.cmsp.com/stock-photo/353-00753/giardiasis%20enterotest%20capsule%20used%20for%20diagnosis.html
  69. 69. http://www.wjgnet.com/images/english/V11/585-1.jpg O dispositivo consiste em um fio de náilon de 140cm para adulto e 90 cm para crianças, unido a uma esfera de metal com 1g de peso, embebida em borracha de slilicone. O fio fica enrolado dentro de uma cápsula de gelatina revestida com borracha de silicone, tendo uma das extremidades livre. A ponta livre do fio é fixada com esparadrapo no rosto do paciente. A cápsula é administrada via oral, com o paciente em jejum. A gelatina se dissolve no estômago e o fio chega por peristalse ao duodeno. Em mais de 90% dos casos relatados, a linha fica completamente distendida em quatro horas. Após, o fio é retirado e o muco aderido é examinado a fresco ou sob coloração. http://www.uft.edu.br/parasitologia/pt_BR/exames/enterotest/conceito/index.html
  70. 70. EXAMES IMUNOLÓGICOS  Imunofluorescência indireta e ELISA  anticorpos IgG permanecen elevados por longo período Distinção infecções passadas  recentes 70
  71. 71. EXAMES IMUNOLÓGICOS  Anticorpos IgG, IgM e IgA anti- Giardia têm sido detectados no soro de indivíduos com giardíase, entretanto o papel destes anticorpos na imunidade protetora ainda não foi totalmente esclarecido. 71
  72. 72. A detecção de antígenos nas fezes (coproantígenos) empregando a técnica de ELISA tem demonstrado resultados satisfatórios. Sensibilidade: 85% a 95% Especificidade: 90% a 100%
  73. 73.  Polymerase Chain Reaction (PCR)  detecção direta do DNA do parasito em amostras biológicas e ambientais. 73
  74. 74. EPIDEMIOLOGIA74
  75. 75.  Ampla distribuição mundial  prevalência variam nas diferentes regiões do mundo. Países desenvolvidos: 2 a 5% Países em desenvolvidos: 20 a 30% 75
  76. 76.  Afeta principalmente crianças de 8 meses aos 12 anos  predomínio na faixa etária de 6 anos  Pode ocorrer em surtos epidêmicos em ambientes fechados (creches e abrigos) 76
  77. 77.  20 a 25% dos funcionários e de familiares que estão em contato com essas crianças podem se infectar  a infecção por este protozoário pode ultrapassar os limites dos estabelecimentos e acometer indivíduos da comunidade. 77
  78. 78. Os cistos excretados juntamente com as fezes do hospedeiro são capazes de permanecer viáveis por vários meses no meio ambiente, resistindo a ação de desinfetantes químicos.
  79. 79. Giardia tem sido referido como o parasito entérico mais frequente nos inquéritos coproparasitológicos em diferentes regiões, situação favorecida, em especial, pela facilidade com que os cistos são acidentalmente ingeridos com a água e alimentos contaminados.
  80. 80. TRATAMENTO80
  81. 81.  Principais drogas empregadas Derivados dos 5-nitroimidazóis  metronidazol, tinidazol, ornidazol, secnidazol Derivados dos nitrofuranos  furazolidona 81
  82. 82. Derivados dos benzimidazóis  albendazol Derivados dos 5-nitrotiazóis  nitazoxanida 82
  83. 83. Medicamento de escolha  Metronidazol  elimina a infecção em 80 a 95% dos indivíduos tratados. Metronidazol 15 a 20 mg/kg 7 a 10 dias Crianças 250 mg 2 vezes/dia 5 dias Adultos
  84. 84.  Efeitos colaterais  náuseas, vômitos, vertigens, gosto metálico ao paladar, dores de cabeça, glossite, urticária. 84
  85. 85. CONTROLE85 http://thumbs.dreamstime.com/z/giardia-13324944.jpg
  86. 86. Lavar cuidadosamente as mãos após ir ao banheiro, trocar fraldas, brincar com animais, antes de comer ou preparar alimentos.
  87. 87. É necessário lavar e desinfetar todas as frutas e verduras consumidas sem cozimento.
  88. 88. Consumo de água tratada e filtrada.
  89. 89. Verificar o parasitismo por Giardia nos animais e tratá-los.
  90. 90. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS  NEVES, D. P. et al. Parasitologia Humana - 10ª. ed. – São Paulo: Atheneu, 2011.  REY, Luís. Parasitologia - 4ª. ed. – Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan S. A., 2001.  Doenças infecciosas e parasitárias : guia de bolso / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. – 8. ed. rev. – Brasília : Ministério da Saúde, 2010. 444 p. : Il. – (Série B. Textos Básicos de Saúde) 90

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