Enterobíase e Estrongiloidíase

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Aula Enterobíase e Estrongiloidíase

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Enterobíase e Estrongiloidíase

  1. 1. Enterobíase
  2. 2. Perguntas 1. Por que resultados parasitológicos negativos podem não indicar ausência de infecção? 2. Qual das drogas do tratamento de estrongiloides é a mais teratogênica? 3. Quais as principais complicações da Enterobíase?
  3. 3. Perguntas 4. Qual método de transmissão pode progredir para hiperinfeccao atingindo intestino e pulmão? 5. Qual a característica de uma reinfecção do parasito na superfície cutânea?
  4. 4. Enterobíase • Verminose intestinal devida ao Enterobius vermiculares • Nematóide da ordem Oxyuroidea • Infecção benigna • Intenso prurido anal • Complicações em crianças • Incidência em regiões de clima temperado
  5. 5. Enterobius vermicularis
  6. 6. Fisiologia • Região cecal do intestino grosso humano • Na luz do apêndice cecal • Alimentação saprozoica • Oviposição: Fêmeas acumulam de 5 a 16 mil ovos • No períneo: ressecamento e rompimento das fêmeas liberando os ovos ou liberação dos ovos pelo orifício vulvar • Na ausência de reinfecção o parasitismo cessa • Macho: vida curta e limitada a uma única cópula com a fêmea.
  7. 7. Os ovos • Ligeiramente achatados • Superfície pegajosa • Larva já formada 1. Até o segundo estágio em anaerobiose 2. Atmosfera com oxigênio para completar o desenvolvimento 3. Maturação do ovo 4. Ovo infectante (quinto estágio)
  8. 8. 5. Eclosão dos ovos no intestino delgado do novo hospedeiro. 6. Alimentação e crescimento das larvas 7. Transformação em vermes adultos 8. Migração para região cecal *Apesar da curta vida dos helmintos, o parasitismo pode durar muitos anos, dada a facilidade de reinfecção.
  9. 9. Transmissão • Heteroinfecção ou primoinfecção • Indireta • Auto-infecção externa ou direta • Auto-infecção interna • Retroinfecção
  10. 10. Profilaxia e Controle • Eliminar as fontes de infecção: tratamento do paciente e de todos os membros da família • Medidas higiênicas pessoais e gerais – Mudança de roupas de baixo; roupas de dormir; lençois de cama e toalhas. – Instalações sanitárias adequadas – Manter as mão limpas e as unhas curtas – Combater a onicofagia – Evitar coçar a região anal desnuda
  11. 11. Manifestações Clínicas • A maioria dos casos são assintomáticos; • Principais sintomas: – Prurido perianal (noturno) Irritabilidade; Desconforto; sono intranquilo.
  12. 12. Manifestações Clínicas – Escoriações na região anal Inflamação com pontos hemorrágicos; Infecções secundárias; – Sintomas inespecíficos do aparelho digestivo • Vômitos, dores abdominais e fezes sanguinolentas
  13. 13. Manifestações Clínicas – Vulvovaginites, salpingites e ooforite; – Granulomas pelvianos ou hepáticos. Fonte: Quasem A, Salam A. Ectopic Enterobiasis: A case report and review of literature
  14. 14. Diagnóstico • Clínico: prurido anal noturno; • Laboratorial: Método de Graham
  15. 15. Método de Graham 1. Corta-se um pedaço de 8 a 10 cm de fita transparente; 2. Coloca-se a mesma com a parte adesiva para fora sobre um tubo de ensaio ou uma espátula; 3. Opõe-se várias vezes a fita na região perianal; 4. Coloca-se a fita sobre uma lâmina e observa-se ao microscópio.
  16. 16. Tratamento • Pamoato de Pirantel – 10mg/Kg/VO – Dose única • Pamoato de Pirvínio – 10mg/Kg/VO - Dose única • Albendazol – 10mg/Kg/VO - Dose única Todos são contraindicados em gestantes; Efeitos colaterais: náuseas, vômitos e cefaleia.
  17. 17. Epidemiologia • É uma das helmintíases mais frequentes na infância, inclusive em países desenvolvidos, sendo mais incidente na idade escolar; • Afeta mais de um membro na família; • Possui distribuição geográfica mundial, mas tem incidência maior nas regiões de clima temperado.
  18. 18. Estrongyloides
  19. 19. Morfologia e Biologia
  20. 20. Morfologia • Ovos: Os ovos apresentaram forma elipsoidal, extremidades polares simétricas e uma casca delgada, com as superfícies interna e externa lisas, composta por uma camada uniforme.
  21. 21. Morfologia • Larvas 1º estágio: Vistas lateralmente, possuem a extremidade anterior com dois lobos cefálicos (dorsal e ventral), separados pela abertura da cavidade bucal, que é curta, com paredes delgadas e pouco refringentes.
  22. 22. Morfologia • Larvas 1º estágio: Apresenta esôfago do tipo rhabditiforme, com corpo, istmo e bulbo distintos e evidentes.
  23. 23. Morfologia • Larvas 2º estágio: Semelhantes a L1º, a mudança ocorre na morfologia do esôfago, que ainda é Rhaditiforme, porém mais alongado, com divisões do corpo, istmo e bulbo menos pronunciadas.
  24. 24. Morfologia • Larvas 3º estágio: O Esôfado passa a ser do tipo Filariforme, com corpo, istmo e bulbo indistintos. Os lobos cefálicos são incospícuos e com pequena cavidade bucal.
  25. 25. Morfologia Secreção respiratória
  26. 26. Morfologia
  27. 27. Biologia • Ciclo de vida livre: • Larvas rabdiformes são eliminadas nas fezes; • Larvas filariformes infectantes penetram na pele do hospedeiro humano.
  28. 28. Biologia • Ciclo de vida livre: As larvas filariformes no solo contaminado penetram a pele humana.
  29. 29. Transmissão
  30. 30. Transmissão • Hetero ou primo-infecção • Auto-infecção externa ou exógena • Auto-infecção internar ou endógena
  31. 31. Imunidade • As larvas L3 auto infectantes foram descritas somente nas infecções por S. stercoralis. • Imunidade da larva L3 é dependente do complemento, eosinófilos e IgM. • Possibilidade em indivíduos infectados: 1. •Erradicação da infecção; 2. •Cronicidade decorrente da autoinfecção; 3. •Hiper-infecção ou disseminação. • Infecção limitada em macacos e cães → Hipótese de defesa local responsável pelo controle da intensidade da infecção.
  32. 32. • A maioria dos indivíduos desenvolve anticorpos IgG, IgM, IgA, IgE específicos. • Aumento da resposta IgG4 (anticorpo bloqueador) na cronicidade. • IgG4 → Modula reações alérgicas mediadas por IgE por competição ou inibição. • Resposta local e sistêmica mediada por anticorpos IgA (Estudo das imunoglobulinas intestinais).
  33. 33. • Redução do IgM nos assintomáticos, sintomáticos leves e graves, não há alteração de IgG. • Células T, predominantemente, Th2 → IL-4, IL-5, IL-10 e IL-13 e Células B → IgE e IgG4. • TCD4 são essenciais para matar a larva, enquanto as TCD8 não possuem esse efeito. • As infecções severas estão associadas a imunossupressão.
  34. 34. Manifestações Clínicas
  35. 35. Sintomatologia cutânea Lesões urticariformes ou maculopapulares
  36. 36. Lesão serpiginosa ou linear pruriginosa migratória (larva currens)
  37. 37. Alterações pulmonares • Tosse seca, dispneia ou broncoespasmo; • Edema pulmonar(síndrome de Loefler).
  38. 38. Manifestações intestinais Diarréia, dor abdominal e flatulência Vômitos, síndrome disentérica com esteatorréia Dor epigástrica (úlcera péptica)
  39. 39. Enterite catarral
  40. 40. Enterite ulcerosa
  41. 41. Sintomatologia Disseminada Meningite, Endocardite, Sepse e Peritonite
  42. 42. Diagnóstico
  43. 43. Diagnóstico Clínico • Difícil – 50% dos casos sem sintoma • Sinais comuns a outras helmintíases intestinais • Tríade clássica é sugestiva • Eosinofilia e achados radiográficos e sorológicos auxiliam na suspeita diagnóstica
  44. 44. Diagnóstico Diferencial • Ancilostomíase, ascaridíase, giardíase, pneumonia, urticária, colescitite, pancreatite e eosinofilia pulmonar tropical. • Diagnóstico diferencial é difícil Requer métodos laboratoriais
  45. 45. Diagnóstico Laboratorial • Divide-se em parasitológicos (diretos) e indiretos • Diretos se fundamentam no encontro das formas evolutivas de S. stercoralis. • Indiretos, destacam-se imunológicos Usados como testes de screening Pesquisa do parasito
  46. 46. Métodos Diretos • Confirmação pode ser dificultada pelo pequeno número de parasitas e liberação mínima de larvas nas fezes • Resultados negativos podem não indicar ausência de infecção
  47. 47. Métodos Diretos  Exame de Fezes • Métodos de Baermann-Moraes e de Rugai. • Baseiam-se no hidro e termotropismo das larvas. • Identificação morfológica fundamental. • Uma única amostra falha em 70% dos casos em detectar larvas. • 50% com três amostras.
  48. 48. Métodos Diretos  Exame de Fezes • Fezes diarréicas pode-se identificar larvas acompanhadas de ovos da S. stercoralis. • Simples e rápida execução • Necessita fezes frescas e possibilidade de contaminação do manipulador
  49. 49. Métodos Diretos  Coprocultura • Método de Looss, método de Brumbt, método de Harada & Mori e método de cultura em placa de agár • Indicado: I. exame de fezes repetidamente negativo II. material fecal escasso • Demora de obtenção de resultado e risco de infecção durante manipulação
  50. 50. Métodos Diretos  Pesquisa de larvas em secreções e outros líquidos orgânicos  Endoscopia Digestiva  Biópsia Intestinal  Esfregaços Citológicos
  51. 51. Métodos Indiretos  Auxiliam no diagnóstico em caso de suspeita clínica  Hemograma • Fase aguda, eosinófilos até 82% elevados • Fase crônica, 8 a 15% • Evolução grave, desaparecem • Eosinopenia – prognóstico ruim
  52. 52. Métodos Indiretos  Diagnóstico por imagem • Raios X de tórax • Ultrassonografia • Tomografia computadorizada
  53. 53. Métodos Indiretos  Métodos Imunológicos • Elevada sensibilidade • Fenômeno da “reação cruzada” – equistossomose e filariose • Intradermorreação – pioneira • Detecção de anticorpos IgG, IgA, IgM e IgE – soro, saliva ou LCR
  54. 54. Métodos Indiretos  Métodos Imunológicos • Imunofluorescência indireta (IFI) • Ensaio Imunoenzimáticos (ELISA) • Teste de Western blotting (WB)
  55. 55. Métodos Indiretos  Métodos Imunológicos • Usados como testes complementares – áreas endêmicas • Testes sorológicos não distinguem infecções passadas ou presentes • Teste sorológico tem sido usados como screening
  56. 56. Métodos Indiretos  Diagnóstico por Biologia Molecular • Avaliação de antígenos recombinantes (P1, P4 e P5) – S. stercoralis • Elevada sensibilidade e especificidade • Antígenos recombinantes 5a e 12a detectam anticorpos IgE e IgG4 específicos – estrongiloidíase crônica
  57. 57. PROFILAXIA E TRATAMENTO
  58. 58. Strongyloides stercoralis • Profilaxia *Medidas gerais – Evitar construir fossas próximas a fontes de água – Evitar fontes de água que possam ser contaminadas por excrementos animais – Manter sanitários sempre limpos – Trocar areia de parquinhos e de áreas de lazer de condomínios
  59. 59. Strongyloides stercoralis • Profilaxia *Medidas individuais – Não defecar nem jogar fezes no chão – Não andar descalço – Lavar bem roupas íntimas e de cama – Ter cuidados básicos com higiene – Procurar o médico periodicamente
  60. 60. Strongyloides stercoralis • Tratamento *Drogas do grupo dos benzimidazólicos(tiabendazol, cambendazol e albendazol) e a ivermectina. -Tiabendazol *Forma líquida para crianças(dose de 30 mg/kg/dia) *Forma de comprimido para adultos (dose de 50mg/kg/dia)divididas em duas tomadas, por dois ou três dias *Dose diária não pode ultrapassar 3 g por dia *Em hiperinfecção, o tratamento é mantido por 10 dias. *Contra-indicado para grávidas e lactantes
  61. 61. Strongyloides stercoralis • Tratamento *Cambendazol -Forma líquida e comprimido -Recomendada dose única de 5 mg/Kg tanto para crianças como para adultos *Albendazol -Forma líquida e comprimido -Recomendado para crianças acima de 2 anos como para adultos -Uso em adultos é de 400mg/dia ,durante 3 dia seguidos
  62. 62. Strongyloides stercoralis • Tratamento *Ivermectina -Usado por infectados com HIV -Dose única oral de 200microgramas/kg -No caso de auto-infecção interna deve ser administrada a ivermectina com algum laxativo para reestabelecimento da função intestinal.
  63. 63. EPIDEMIOLOGIA
  64. 64. Strongyloides stercoralis • Epidemiologia – Distribuição mundial heterogênea – Infecta de 30 a 100 milhões de pessoas no mundo – Regiões mundiais de acordo com a prevalência (Stuerchler, 1981): • < 1%  esporádica • 1 a 5 %  endêmica • > 5%  hiperendêmica
  65. 65. Strongyloides stercoralis • Epidemiologia – Ocorre mais em regiões tropicais e sutropicais – Nos países desenvolvidos a infecção prevalece em agricultores, hortigranjeiros, trabaladores rurais, imigrantes e viajantes que visitaram áreas endêmicas. – No Brasil há variação regional em função da idade,de diferenças geográficas e socieconômicas – Os estados que mais diagnosticam essa parasitose são: Minas Gerais, Amapá, Goiás e Rondônia. – Atinge muito crianças ,idosos e imunossuprimidos
  66. 66. Strongyloides stercoralis • Epidemiologia – Fatores que influenciam no aparecimento, manutenção e propagação da estrongiloidíase: • Fezes infectadas no solo • Larvas infectantes no solo • Solo arenoso ou arenoso-argiloso, úmido, com ausência de luz solar direta • Temperatura entre 25 a 30 °C • Condições higiênico-sanitárias inadequadas • Alimento contaminado com água de irrigação poluída • Andar descalço
  67. 67. Equipe • Deryk Alves • Lais Chaves • Lucas Alves • Lucas Fortes • Racquel Brito • Thais Luedy • Victoria Miná

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