i 12.6

i



O ressurgimento
da vida urbana

Com as transformações do sistema feudal e o iní-
cio do renascimento comercia...
Capítulo? ? fo ressurgiríienlo dá;  na mais

  

Dos burgos e abadias fortífícadas
surgem novas cidades

 
    

Típicas c...
123

vinho,  pescado,  cerveja,  cereais) tinham preços sujeitos
a regulamentação.  Ferro e carvão eram livres.  Os salá-
...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

07.5 o renascimento da vida urbana

187 visualizações

Publicada em

História da Música Brasileira

Publicada em: Educação
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
187
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
4
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
0
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

07.5 o renascimento da vida urbana

  1. 1. i 12.6 i O ressurgimento da vida urbana Com as transformações do sistema feudal e o iní- cio do renascimento comercial, no século Xl, outro fe- nômeno ocorreu na 'Europa medieval: o renascimento das cidades. A sociedade européia, até então predomi- nantemente rural, com a maior parte das atividades econômicas e da população concentradas nos feudos, viu florescerem numerosos povoados, que cresceram e se transformaram em cidades. Muitos centros urbanos já existentes experimentaram um grande crescimento. 1, Comércio e vida urbana Mesmo no período de maior fechamento da econo- mia medieval, o comércio não desapareceu por comple- to. Sal, vinho e metais, por exemplo, continuaram a ser objeto de atividade comercial. Também sempre houve feiras e mercados negociando produtos agrícolas. As novas condições do século Xl revitalízaram e amplia- ram essas atividades, propiciando o crescimento e, so- bretudo, o surgimento de novos núcleos urbanos. Nessa época, como vimos, foi intenso o processo de marginalização social. Muitos servos que fugiam ou eram expulsos dos feudos dirigiam-se para os pequenos povoados e cidades em busca da sobrevivência; artesãos que antes trabalhavam para os senhores, nobres sem feudos, cruzados que voltavam do Oriente, todos faziam o mesmo. Aos poucos, renasciam e cresciam as ativida- des urbanas, especialmente o comércio e o artesanato. É importante notar que, mesmo durante a Alta Ida- de Média, a vida urbana não desapareceu. Mesmo redu- zidas, muitas cidades da época romana permaneceram como sedes de bispado ou mesmo centros administrati- vos e comerciais. É o caso, por exemplo, de Reims, Es- ' trasburgo, Viena, Colônia, Marselha, Veneza, Milão e Roma. Veneza é o exemplo mais claro. Fundada no pe- , ríodo das invasões germânicas do século V, a cidade voltou-se para o comércio, favorecida pela proteção dos terrenos alagados onde estava localizada. Crescendo continuamente graças a seus laços comerciais com Bizâncio, Veneza já era um grande centro econômico do Mediterrâneo por volta do século XI. O desenvolvimento comercial da Baixa Idade Mé- dia dava origem a novas cidades, e estas intensiñcavam o comércio. Uma coisa levava a outra. A zona fortiñca- da, denominada burgo, não comportava mais o casario, que ultrapassava então a fortaleza. Os castelos, símbolo da sociedade feudal, estagnaram, enquanto os povoa- UNIDADE Vl u¡ A EUROPA EM FORMAÇÃO: A BAIXA IDADE MÉDIA' it. , @na csi No norte da Europa, até o século IX, praticamente não existiam sinais de urbanização. Chamadas de fronteiras da cristandade, essas áreas acabaram À ocupadas pelas cidades episcopais, espécies de iortaiezas que garantiam a conversão e a proteção dos pagãos. Hamburgo, situada na foz do rio Elba, por exemplo, não passava de um singelo núcleo populacional até o século Xl; a partir da expansão européia, no seculo XII, transformou-se em impor- tante centro comercial da rota dovmar do Norte. Esta ilustração do século XV retrata o porto de Hamburgo. dos cresciam cheios de vida, ajudando a formar uma no- va ordem econômica. Aí se realizavam as feiras, merca- dores armavam tendas, cambistas trocavam moedas, ar- tesãos fabricavam e expunham seus produtos. A população urbana cresceu até o século XIV, quan- do veio a peste negra. Entre as maiores cidades ociden- tais estavam Paris, Milão, Veneza, Florença e Nápoles; o número de habitantes de cada uma não ultrapassava 100 mil. Londres, Colônia, Barcelona, Toulouse, Praga, Roma, Gênova, Bolonha e Palermo tinham entre 30 mil e 50 mil. Na península Ibérica dominada _pelos muçulmanos, Córdoba chegou a ter 500 mil habitantes no século XI. As cidades tiveram um crescimento desordenado. As construções se sucediam ao acaso, sem nenhum pla-i no. Pelas ruas tortuosas, os detritos eram atirados em qualquer lugar e, por uma vala, levados aos limites da cidade; lá acumulavam-se à beira dos muros, formando focos de epidemias. Como o material mais usado era a madeira, freqüentemente ocorriam incêndios.
  2. 2. Capítulo? ? fo ressurgiríienlo dá; na mais Dos burgos e abadias fortífícadas surgem novas cidades Típicas criações medievais, os burgos e as abadias fortificadas deram origem a novas cidades, aproveitan- do-se das condições benéficas dos séculos XI e XII. Burgo é a denominação das inúmeras fortalezas edificadas nos inseguros séculos IX e X. Mantinham guarnições permanentes, sediavam os tribunais e as residências dos_ grandes senhores e serviam de refú- gio às populações vizinhas, tornando-se locais natu- ralmente procurados pelos mercadores. Com o cres- cimento demográfíco, eles ficaram pequenos para abrigar o crescente número de viajantes e comercian- tes. Estes instalaram-se então em subúrbios fora das muralhas, chamados de forísburgas ou novos burgos. Com o tempo, os forisburgos cercaram-se também de muralhas que, envolvendo as antigas fortificações senhoriais, deram origem a novas cidades. Foi o caso de Bruges e Gand, na atual região da Bélgica, de Douai e “Arias, na atual França, de Oldenburg, Wüzburg e Regensburg, na atual Alemanha. As abadias, fortificadas para dar maior segurança aos monges, também abrigavam os camponeses da região em caso de invasões. A revitalização comercial fez com que ao pé de suas muralhas se estabelecessem núcleos de mercadores, que acabaram atraindo popu- lações que lã se fixaram permanentemente. Assim, muitas abadias constituíram os núcleos de novas cidades, que conservaram os nomes dos san- t_os aos quais eram dedicadas. Foi o que ocorreu com Saint-Omar, Saint-Girons e Saint-Fargeau, na atual França; com San Marino e San Gimignano, na penín- sula Itálica; com Sankt Gallen, na atual Suíça; e com Sankt Põlten, na atual "Áustria. (Adaptado de: Cyro de Barros Bezende Filho. As cidades nredíevais. São Paulo, Atica. Inédito. ) 2. Organização e administração das cidades Artesãos e comerciantes formavam o núcleo prin- cipal da população urbana. Eram conhecidos como burgueses. A maior parte da nobreza que residia em cidades da atual região da Itália, 'sul da França e parte da Espanha identificava-se com os interesses da bur- guesia mercantil. Isso ocorria, por exemplo, nas cida- des de Gênova e Veneza. No restante da Europa, os no- bres procuravam viver em seus castelos, dependentes da produção rural. A organização das cidades variava conforme os direitos ou liberdades adquiridos pelos burgueses. Cha- mados franquias, esses direitos eram conseguidos me- diante pagamento em dinheiro ao senhor feudal ou, às vezes, pelo uso da força. Para conquistar as franquias, os habitantes se associavam em confrarias: os artesãos, em corporações de oficio; os comerciantes, em guildas. As franquias eram garantidas numa carta, e as cidades que possuíam uma carta chamavam-se cidades irancas. Por vezes, os burgueses se revoltavam e passavam a governar eles mesmos a cidade, então chamada co- muna, no norte da França, ou municipalidade, no sul. Na península Itálica, algumas cidades constituíram re- públicas independentes. Em alguns casos, os nobres progressistas, perce- bendo que as cidades podiam trazer vantagens , eco- nômicas, na forma de impostos, declaravam livres as povoações sob seus domínios. O órgão administrativo mais forte da cidade era a Assembléia: escolhia os magistrados, que exerciam o go- verno de fato, sob a direção de um prefeito. Em muitas cidades, o critério democrático desapareceu, e a esco- lha ficou por conta de familias privilegiadas. A cidade medieval era um mundo fechado em si; cada individuo tinha direitos apenas em sua cidade. Em caso de peri- go, as cidades estabeleciam tratados. Muitos desses acordos acabaram formando as liansas, poderosas associações comerciais que congregavam os interesses de diversas cidades. Aos poucos, os órgãos administrativos da cidade foram adquirindo do senhor feudal o direito de cobrar impostos. Inicialmente, o tesouro era formado por im- postos diretos sobre a propriedade, indiretos sobre 'o consumo e outras rendas. Em certas cidades, criou-se um sistema de arrecadação por meio do crédito e da emis- são de empréstimos ao público, chamado divida pública. No século XIII, os 'burgueses passaram a se dife- renciar em camadas. A camada dominante era a alta burguesia, cives mejores, que se organizava em gran- des corporações e monopolizava o governo. Na metade do século XIV, as corporações menores, do povo miúdo (pequena burguesia), passaram a opor-se às corpora- ções ricas, acusando-as de abuso do poder, parcialida- de na justiça e má administração. 3. A organização corporativa da produção ' No período inicial de formação das cidades, a ativi- dade mercantil e artesanal gozou de relativa liberdade. Com o tempo, tornou-se -cada vez mais importante. As associações de artesãos e comerciantes, então, começa- ram a controlar o mercado, determinando o preço da matéria-prima e da mão-de-obra; e a elaborar normas para proteger os produtores e os consumidores contra fraudes e falsificações. Havia rigoroso controle de qualidade, com inspe- ções periódicas. Artigos de primeira necessidade (pão,
  3. 3. 123 vinho, pescado, cerveja, cereais) tinham preços sujeitos a regulamentação. Ferro e carvão eram livres. Os salá- rios dos trabalhadores também eram fixados pelas cor- porações de cada ofício. As corporações procuravam defender os interes- ses de seus associados diante dos senhores feudais. Buscavam também equilibrar a oferta de produtos dis- poníveis e limitar a concorrência entre os produtores. Para isso, proibiam as atividades de quem não perten- cesse às associações. A municipalidade e as corporações procuravam controlar a cunhagem de moedas para evitar sua desva- lorização. Desde o final do século XIII, as cidades passa- ram a adquirir o direito de cunhar moedas, com a com- pra ou o arrendamento desse direito ao senhor feudal. A unidade de produção típica era a oficina. O mes- tre era o dono da matéria-prima e das ferramentas; ele ficava com os produtos fabricados e, portanto, com os 1. O que motivou o renascimento urbano da Baixa Idade Média? à. Como o processo de marginalização social contribuiu para o crescimento das cidades? E3; Descreva como eram os centros urbanos na época medieval. 4,. Qual era a camada social marcante da cidade medie- val e como se diferenciou ao longo do período? 5. Explique a seguinte afirmação do texto: "Os castelos, simbolo da sociedade feudal, estagnaram, enquanto ' › i 'uassror-; is : :impostas UNIDADE VI 'I A EUROPA 'EM roRMAcAoíix *BAIXA IDADE MÉDIA lucros sobre a venda. Oficiais ou companheiros ajuda- vam o mestre; muitas vezes eram filhos ou parentes, que recebiam um salário. Vinham então os aprendizes, que podiam ser filhos do mestre ou de parentes. A as- censão era lenta. Para chegar a mestre o artesão devia preencher certas condições, como pagar direitos e rea- lizar uma obra, que era submetida a julgamento dos mais experientes da corporação. - Com o desenvolvimento do comércio, surgiram ar- tesãos que dependiam de um comerciante para lhes for- necer matéria-prima e instrumentos de trabalho. Conhe- cidos como jornaleiros (contratados por jornada), esses trabalhadores eram miseráveis, sujeitosàs variações do mercado e ao desemprego. O comerciante intervinha na produção para obter melhores ganhos, tratando de com- prar matéria-prima barata e pagar pouco pela mão-de- obra. Esse novo personagem, o comerciante manufatu- reiro, preparava o aparecimento das manufaturas da épo- ca moderna. os povoados cresciam cheios de vida, ajudando a for- mar uma nova ordem econômica". G. Resuma o funcionamento de uma unidade de produ- ção típica da cidade medieval. 7. Como as corporações exerciam o controle sobre pro- dutores e consumidores? 8. Pesquise em enciclopédias, em outros livros ou na ln- ' ternet a origem e o desenvolvimento na Baixa Idade Média de uma das seguintes cidades: Gênova, Floren- ça, Paris, Lübeck, Colônia, Bruges, Hamburgo, Bruxe- las, Winchester, Barcelona ou Lisboa.

×