Vigotsky pensamento e linguagem

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Vigotsky pensamento e linguagem

  1. 1. 0 2. A TEORIA DE PIAGET SOBRE A LINGUAGEM E O PENSAMENTO DAS CRIANÇAS^ " Ã •—^— Í9! t A p s i c o l o g i a d e v e m u i t o a J e a n P i a g e t . N ã o é e x a g e r o a f i r m a r q u e e l e r e v o l u c i o n o u o e s t u d o d a l i n g u a g e m e d o p e n s a m e n t o d a s crianças. P i a g e t d e s e n v o l v e u o método clínico d e investigação d a s i d e i a s i n f a n t i s , q u e v e m s e n d o a m p l a m e n t e u t i l i z a d o d e s d e a s u a criação. F o i o p r i m e i r o p e s q u i s a - d o r a e s t u d a r s i s t e m a t i c a m e n t e a percepção e a lógica i n f a n t i s : além d o m a i s , t r o u x e p a r a o s e u o b j e t o d e e s t u d o u m a n o v a a b o r d a g e m , d e a m p l i - t u d e e o u s a d i a i n c o m u n s ^ j E m v e z d e e n i j m e r a r a s d e f i c j e n c i a s d o raciocí- n i o i n f a n t i 1, e m ç p m p a r a ç ão c o r n o d o s aidujtos_^ -se n a s características d i ^ t i n t i v a s d o p e n s a m e n t o d a s c r i a n ç a s , n a g u ^I^^s^^ JlfííL'_lJ2Í9-il^-9^Í^ ^ ^ ^ ^ d e s s a abordagem^^poíntTvlí^ d e m o n s t r o u q u e a diferença e n t r e o p e n s a m e n t o i n f a n t i l e o p e n s a m e n t o a d u l t o e r a m a i s qualitativa d o q u e q u a n t i t a t i v a . C o m o m u i t a s o u t r a s g r a n d e s d e s c o b e r t a s , a i d e i a d e P i a g e t é tão s i m p l e s q u e p a r e c e óbvia. Já h a v i a s i d o e x p r e s s a n a s p a l a v r a s d e R o u s - s e a u , c i t a d a s p e l o próprío P i a g e t , n o s e n t i d o d e q u e u m a críança não é u m a d u l t o e m m i n i a t u r a , a s s i m c o m o a s u a m e n t e não é a m e n t e d e u m a d u l t o e m e s c a l a m e n o r . P o r trás d e s s a v e r d a d e , p a r a a q u a l P i a g e t f o r n e c e u p r o v a s experímentais, e n c o n t r a - s e o u t r a i d e i a , t a m b é m s i m p l e s — a i d e i a d e evolução, q u e p r o j e t a u m b r i l h o i n c o m u m s o b r e t o d o s o s e s t u d o s d e P i a g e t . N o e n t a n t o , a d e s p e i t o d e t o d a a s u a g r a n d e z a , a o b r a d e P i a g e t s o f r e d a d u a l i d a d e c o m u m a t o d a s a s o b r a s p i o n e i r a s d a p s i c o l o g i a contemporâ- n e a . E s s a cisão c o i n c i d e c o m a c r i s e q u e a p s i c o l o g i a está a t r a v e s s a n d o , à m e d i d a q u e s e t r a n s f o r m a n u m a ciência, n o v e r d a d e i r o s e n t i d o d a p a l a v r a . A c r i s e é d e c o r r e n t e d a a g u d a contradição e n t r e a matéria f a c t u a l d a O 0 7. E s i e capílulo c u m a versão a b r e v i a d a d o p r e l a c i o c s C r i l o p o r V y g o í s k y p a r a a edição r u s s a d o s d o i s p r i m e i r o s l i v r o s d e P i a g e i ( G o s i z d a l . M o s c o u . 1932). A crílica d e V y g o í s k y . b a s e a d a n a s p r i m e i r a s o b r a s d e P i a g e i . p o u c o s e a p l i c a ãs rormulaçòes p o s t e r i o r e s d e P i a g e i n o q u e d i z . respeiío ãs s u a s t e o r i a s . {NOKI dti ('(/içào inf^lcsa.)
  2. 2. ^ PE>'SA MENTO E LING UA GEM . f Ciência e s u a s p r e m i s s a s metodológicas e teóricas, q u e há m u i t o são o b j e t o d e d i s p u t a e n t r e a s concepções m a t e r i a l i s t a e i d e a l i s t a d o m u n d o . A l u t a é t a l v e z m a i s a c i r r a d a n a p s i c o l o g i a d o q u e e m q u a l q u e r o u t r a d i s c i p l i n a . E n q u a n t o nào d i s p u s e r m o s d e u m s i s t e m a u n a n i m e m e n t e a c e i t o , q u e m c o r p o r e t o d o o c o n h e c i m e n t o psicológico e x i s t e n t e , q u a l q u e r d e s c o - b e r t a f a c t u a l i m p o r t a n t e levará à criação d e u m a n o v a t e o r i a q u e s e a j u s t e a o s f a t o s r e c e n t e m e n t e o b s e r v a d o s . T a n t o F r e u d q u a n t o L e v y - B r u h l e B l o n d e l c r i a r a m o s s e u s próprios s i s t e m a s i n d i v i d u a i s d e p s i c o l o g i a . A d u a l i d a d e p r e d o m i n a n t e r e f l e t e - s e n a i n c o m p a t i b i l i d a d e e n t r e e s s a s e s t r u - A t u r a s teóricas, c o m s e u s t o n s m e t a l T s i c o s e i d e a l i s t a s , e a s b a s e s e m p í r i c a s / v . d s o b r e a s q u a i s s e e d i f i c a r a m . À~cãdã~día, g r a n d e s d e s c o b e r t a s são f e i t a s n a p s i c o l o g i a m o d e r n a , m a s l o g o a c a b a m s e n d o e n c o b e r t a s p o r teoriasá?7u>^ pré-científicas e semimetafísicas. _ ' AJI-.^ P i a g e t t e n t a e s c a p a r d e s s a d u a l i d a d e inevitável a t e n d o - s e a o s f a t o s ^ V p ^ ^ " ^ f ^ E v i t a d e l i b e r a d a m e n t e a s generalizações, m e s m o e m s e u próprio c a m p o , e l o m a u m c u i d a d o e s p e c i a l p a r a não r e s v a l a r p a r a o s domínios c o r r e l a t o s d a lógica, d a t e o r i a d o c o n h e c i m e n t o o u d a história d a f i l o s o f i a . O e m p i r i s m o p u r o p a r e c e s e r , p a r a e l e , o único t e r r e n o s e g u r o . O s e u l i v r o , e l e e s c r e v e , é a n t e s d e m a i s n a d a . e a c i m a d e t u d o . u m a compilação d e f a t o s e d o c u m e n t o s . O s e l o s q u e u n e m o s vários capítulos são a q u e l e s q u e u m método iJnico p o d e p r o p i c i a r a d i v e r s a s d e s c o b e r t a s — de m a n e i r a n e n h u m a o s d e u m a exposição sistemática | 2 9 . p . 1 | . ffí-'' N a v e r d a d e , o s e u p o n t o f o r t e é r e v e l a r f a t o s n o v o s , analisá-los e x a u s t i v a m e n t e e classificá-los — a c a p a c i d a d e de escutar xi m e n s a g e m e s . n o d i z e r d e Claparòde. D a s páginas d e P i a g e t , caí . s o b r e a p s i c o l o g i a i n f a n t i l u m a a v a l a n c h e d e f a t o s g r a n d e s e p e q u e n o s , q u e d e s v e n d a m n o v a s p e r s p e c t i v a s o u vêm s o m a r - s e a o c o n h e c i m e n t o a n t e r i o r . S e u método clínico r e v e l a - s e u m i n s t r u m e n t o r e a l m e n t e v a l i o s o p a r a o e s t u d o d o s t o d o s e s t ! * u t u r a i s c o m p l e x o s d o p e n s a m e n t o i n f a n t i l e m s u a s t r a n s f o r m a - ções e v o l u t i v a s . E s s e método u n i f i c a a s s u a s d i v e r s a s investigações e n o s p r o p o r c i o n a u m q u a d r o v i v o , c o e r e n t e e p o r m e n o r i z a d o d o p e n s a m e n t o i n f a n t i l . O s n o v o s f a t o s e o n o v o método c o n d u z e m a m u i t o s p r o b l e m a s , a l g u n s d o s q u a i s t o t a l m e n t e n o v o s p a r a a p s i c o l o g i a científica, a o p a s s o q u e o u t r o s s u r g e m s o b u m a n o v a l u z . O s p r o b l e m a s d e r a m o r i g e m a t e o r i a s , a p e s a r d a determinação d e P i a g e t e m evitá-las, a o l i m i t a r - s e e s t r i t c i m q i t e a o s f a t o s e x p e r i m e n t a i s c a o e x c l u i r , d e m o m e n t o , a p o s s i b i - l i d a o f e d e q j e a s hipóteses i n f l u e n c i a s s e m a própria e s c o l h a d a s experiên- c i a s i M a s />s f a t o s são s e m p r e e x a m i n a d o s à l u z d e a l g u m a t e o r i a , e não p o d e ' m T T ^ ) r t a n t o , s e r t o t a l m e n t e d e s v i n c u l a d o s d a f i l o s o f i a . I s s o é p a r t i c u - l a r m e n t e v e r d a d e i r o p a r a o s f a t o s r e l a t i v o s a o p e n s a m e n t o . P a r a e n c o n t r a r a c h a v e d o ri(^depósij.p d e d^^^^ . t e m o s p r i m e i r o q u e e x p l o r a r a ( 3 C | X . - - m / ' : ^ J^JPÍl..c/^ -^JJ^^Yr^'~' • A TEORIA DE PIAGET.., . 1 1 f i l o s o f i a q u e está PO[trás_de s u a b u s c a d o s f a t o s — e p o r trás d a s u a interpretação, q u e só e a p r e s e n t a d a n o final d e s e u s e g u n d o l i v r o [30], n u m r e s u m o d e s e u conteúdo. A o a b o r d a r e s s a t a r e f a , P i a g e t l e v a n t a a questão d a inter-relação o b j e t i v a d e t o d o s o s traços característicos d o p e n s a m e n t o i n f a n t i l p o r e l e • ; o e s s e s traços f o r t u i t o s e i n d e p e n d e n t e s , o u c o n s t i t u e m i I u m t o d o o r d e n a d o , c o m u m a lógica própria, a o r e d o r d e u m f a t o u n i f i c a d o r ' ! c e n t r a r ? _ P i a g e t a c r e d i t a n a s e g u n d a hipótese. A o r e s p o n d e r à questão, e l e " p a s s a d o s f a t o s à t e o r i a , e i n c i d e n t a l m e n t e m o s t r a o q u a n t o a s u a análise d o s f a t o s f o i i n f l u e n c i a d a p e l a t e o r i a , m u i t o e m b o r a , e m s u a a p r e s e n t a ç ã o , a t e o r i a v i e s s e d e p o i s d o s f a t o s . S e g u n d o P i a g e t , o e l o d e ligação d e t o d a s a s caract^ns^uças espec^^^^^^ c a s d a lógica d a j j c r j a ^ ^ ^ o e g o c e n t r i s m o d o p e n s a m e n t o i n f a n t i l , _ A e s s e i"MÇ^ik^L-^^AÍficretismo e a d i f i c u l d a d e d e c o m p r e e n d e r a s relações. E l e d e s c r e v e o e g o c e n t r i s m o c o m o o c u p a n d o u m a pos,içÂa^gilélka, e s t r u t u r a l e f u n c i o n a l m e n t e intermediária^entre o p e n s a m e n t o a u j i ^ t i c o j o ^^p^^^^^^^^^ ^ " A idéia d e p o l a r i d a d e d o p e n s a m e n t o d i r i g i d o e não-dirigido é t o m a d a d e empréstimo à t e o r i a psicanalítica. D i z P i a g e t : W,vvvUv.»:-..U. ^ o p e n s a m e n t o d i r i g i d o é c o n s c i e n t e , i s t o é, p e r s e g u e o b j e t i v o s q u e estão ^.«.^loi^^^^^ij p r e s e n t e s n a m e n t e d a q u e l e q u e p e n s a . É i n t e l i g e n t e , i s t o é, e n c o n t r a - s e ^ ^ a d a p t a d o à r e a l i d a d e e l u t a p a r a influenciá-la. É suscetível d e v e r d a d e e e r r o yx^-wrv.cA V ^ ^ ^ ^ ^^^^ ser c o m u n i c a d o p o r m e i o d a l i n g u a g e m . O p e n s a m e n t o autístico é H ^ c f ^ ^ s u b c o n s c i e n t e , i s t o é. o s o b j e t i v o s q u e p e r s e g u e e o s p r o b l e m a s q u e c o l o c a a v"» ^ j ^. estão p r e s e n t e s n a consciência. Não está a d a p t a d o à r e a l i d a d e e x t e r n a , m a s c r i a para s i m e s m o u m a r e a l i d a d e d e imaginação o u d e s o n h o s . T e n d e a g r a t i f i c a r d e s e j o s , e não a e s t a b e l e c e r v e r d a d e s , e p e r m a n e c e e s t r i - t a m e n t e i n d i v i d u a l e incomunicável c o m o tal p o r m e i o d a l i n g u a g e m , u m a v e z q u e o p e r a b a s i c a m e n t e e m i m a g e n s e , p a r a ser c o m u n i c a d o , p r e c i s a r e c o r r e r a métodos i n d i r e t o s , e v o c a n d o , p o r m e i o d e símbolos e d e m i t o s , o s s e n t i - m e n t o s q u e o g u i a m | 2 9 . p p . 5 9 - 6 0 ) . O p e n s a m e n t o d i r i g i d o é s o c i a l . À m e d i d a q u e s e d e s e n v o l v e , v a i s e n d o c a d a v e z m a i s i n f l u e n c i a d o p e l a s l e i s d a experiência e d a lógica p r o p r i a m e n t e d i t a . O p e n s a m e n t o autístico, a o contrário, é i n d i v i d u a l i s t a e o b e d e c e a u m c o n j u n t o d e l e i s próprias e s p e c i a i s . E n t r e e s s a s d u a s f o r m a s c o n t r a s t a n t e s d e p e n s a m e n t o há m u i t a s v a r i e d a d e s q u a n t o a o s e u g r a u d e c o m u n i c a b i l i d a d e . E s s a s v a r i e - d a d e s intermediárias d e v e m o b e d e c e r a u m a lógica e s p e c i a l , intermediária também e n t r e a lógica d o a u t i s m o e a lógica d a inteligência. P r o p o m o s d a r o n o m e d e pensamciuo ciioccntrico à p r i n c i p a l dessas formaTjmermedjánã^
  3. 3. 12 PI-:NSAMI::NTO E UNCUACEM a a s u a função p r i n c i p a l c o n t i n u e s e n d o a satisfação d a s n e c e s - s i d a d e s p e s s o a i s , j a i n c l u i a l g u m a s adaptações m e n t a i s , u m p o u c o d a ^orientação p a r a a r e a l i d a d e característica d o p e n s a m e n t o d o s a d u l t o s . . O p e n s a m e n_£o_egocê n t r i c o d a criança " f i c a d a m e i o c a m i n ^ h o e n t r e o a u t i s m o , " ^ n o ' s e n T i c I o e s t r i t o _ d a palavra,_^e o p e n s a m e ^ - j K E i m p o r t a n t e o b s e r v a r q u e , a o l o n g o d e t o d a s u a o b r a , P i a g e t enfatizaÇ>. ^' m a i s o s traços c o m u n s e n t r e o p e n s a m e n t o egocéntriçjo^^o^utismo, d o - - k V v ^ ? ^ ^ q u e o s traços q u e o s d i s t i n g u e m . N o r e s u m o a o I T n a l d e s e u l i v r o , a f i r m a ^ e n f a t i c a m e n t e : ' ' A c i m a d e t u d o , o b r i n q u e d o é a l e i s u p r e m a d o p e n s a - m e n t o e g o c ê n t r i c o " 30. p . 3 2 3 j . E s s a m e s m a tendência é e s p e c i a l m e n t e m a r c a n t e q u a n d o e l e a b o r d a o s i n c r e t i s m o , e m b o r a o b s e r v e q u e o m e c a - n i s m o d o p e n s a m e n t o sincrético r e p r e s e n t a u m a transição d a lógica d o s s o n h o s p a r a a lógica d o p e n s a m e n t o . ZiâêSl^O.!]]!.^^^^^^^^^ e n t r e o a u t i s m o e x t r e m o e a ]S!ÉS3.Aíl rMãôV f i i a i L o 9^!Í5Í?l9.jg!?iniente C ( ) Í 7 T O " esn-ijturãí e f u n c i o n a l - / m e n t e . S u a concepção d o d e s e n v o l v i m e n t o d o p e n s a m e n t o " b a s e i a - s e n a ! ! premissa,_extraída d a psicanálise, d e q u e o p e n s a m e n t o i n f a n t i l é o r i g i n a l e n a t u r a l m e n t e autístico, só s e t r a n s f o r m a n d o e m p e n s a m e n t o r e a l i s t a s o b u m a l o n g a c p e r s i s t e n t e pressão s o c i a l . P i a g e i aíirmíi q u e i s s o não d e s v a l o - r i z a a inteligência d a criança. " A a t i v i d a d e lógica não é t u d o o q u e e x i s t e p a r a a inteligência'" 3(), p . 2 6 7 | . A imaginação é i m p o r t a n t e p a r a s e d e s c o b r i r a solução d e p r o b l e m a s , m a s não s e p r e o c u p a c o m a verificação e a comprovação q u e a b u s c a d a v e r d a d e pressupõe. A n e c e s s i d a d e d e v e r i f i c a r n o s s o p e n s a m e n t o — i s t o é, a n e c e s s i d a d e d e a t i v i d a d e lógica — s u r g e m a i s t a r d e . E s s a d e m o r a é d e s e e s p e r a r , d i z P i a g e t , u m a v e z q u e o p e n s a m e n t o s e r v e p r i m e i r o à satisfação i m e d i a t a , m u i t o a n t e s d e p r o c u r a r a v e r d a d e : a f o r m a m a i s espontânea d e p e n s a m e n t o é o b r i n q u e d o o u jmaginação mágica, q u e f a z c o m q u e o desejável pareça possível d e s e r ' o b t i d o . Até o s s e t e o u o i t o a n o s , o b r i n q u e d o p r e d o m i n a d e f o r m a t ã o ' l ^ b s o l u t a n o p e n s a m e n t o i n f a n t i l , q u e s e t o r n a m u i t o difícil s e p a r a r a invenção d e l i b e r a d a d a f a n t a s i a q u e a criança a c r e d i t a s e r v e r d a d e i r a . E m V é s ú m o , o a u t i s m o é v i s t o c o m o a f o r m a o r i g i n a i eniaís^prirnitiva d o p e n s a m e n t o ; a lógica a p a r e c e r e l a t i v a m e n t e m a i s t a r d e , e o p e n s a m e n t o egocêntrico é o e l o genético^entre a m b o s . E m b o r a Tíligei n u n c a ténTia a p r e s e n t a d o e s s a concepção d e f u m a ' " f o r n i a c o e r e n t e e '^í'^iemruica,_ela é^^^^^^^^^ í^.^P.PJiÇu edifício -Í?iI'lS£: ^-^^ a f i r m a m a i s d e u m a v e z q u e o p r e s s u p o s t o d a n a T u r e z a T i n i e r m e d i a n a d o p e n s a m e n t o i n f a n t i l e hipotético, m a s também d i z q u e e s s a hipótese esiá tào próxima d o b o m s e n s o , q u e l h e p a r e c e p o u c o m e n o s discutível d o q u e o próprio f a t o d o e g o c e n t r i s m o i n f a n t i l . S e g u e a evolução ) d o e g o c e n i n s m o a l e a n a t u r e z a d a a t i v i d a d e prática d a criança e o d e s e n - v o l v i m e n t o p o s t e r i o j - d a s a t i t u d e s s o c i a i s . ,1 TEORIA DE El AG ET 13 E c l a r o q u e . d o p o n t o d e v i s t a genético, d e v e - s e p a r t i r d a a t i v a d a d £ C ^ p a r a c o m p r e e n d e r j ) s e j j j ^ e n s a m e n t c r . e e s s a a t i v i d a d e é i n d i s c u t i v e l m e n t e ' egõcenTncirêTgo"t isTa d e s e n v o j v e m a i s t a r d e . O p r i m e i r o p e r í o d o _ c n n ^ võTIãl]os"scte o u õiTõ a n o s d e i d a d e | J ^ ^ , p . 1 7 6 | . A n t e s d e s s a i d a d e , P i a g e t t e n d e a v e r o e g o c e n t r i s m o c o m o u m a característica t o t a l m e n t e d o m i n a n t e . C o n s i d e r a d i r e t a o u i n d i r e t a m e n t e egocêntricos t o d o s o s fenómenos d a lógica i n f a n t i l , e m s u a pródiga v a r i e - d a d e . A r e s p e i t o d o s i n c r e t i s m o , u m a i m p o r t a n t e expressão d o e g o c e n - t r i s m o , d i z c l a r a m e n t e q u e p e r m e i a t o d o o p e n s a m e n t o d a criança, t a n t a n a e s f e r a v e r b a l q u a n t o n a p e r c e p t u a l . D e p o i s d o s s e t e o u o i t o a n o s , q u a n d o o p e n s a m e n t o s o c i a l i z a d o c o m e ç a a t o m a r f o r m a , a s característi- c a s egocêntricas não d e s a p a r e c e m r e p e n t i n a m e n t e . D e s a p a r e c e m d a s operações p e r c e p t u a i s d a criança, m a s c o n t i n u a m c r i s t a l i z a d a s n a área m a i s a b s t r a t a d o p e n s a m e n t o p u r a m e n t e v e r b a l . A s u a concepção d o predomínio d o e g o c e n t r i s m o n a infância l e v a - o a c o n c l u i r q u e o e g o c e n t r i s m o d o p e n s a m e n t o está tão i n t i m a m e n t e r e l a c i o - n a d o c o m a n a t u r e z a psíquica d a criança, q u e é impenetrável ã experièn- c i a . A s influências às q u a i s o s a d u l t o s s u b m e t e m a criança não f i c a m g r a v a d a s n a m e n t e d e s t a c o m o s c s e t r a t a s s e d e u m a c h a p a fotográfica: são " a s s i m i l a d a s " , i s l o c , d e f o r m a d a s p e l o s e r v i v o a e l a s s u b m c : , n d o , e f i x a m - s e e m s u a própria substância. E e s s a substância psicológica d a criança, o u . e m o u t r a s p a l a v r a s , a e s t r u t u r a c o f u n c i o n a m e n t o p e c u l i a r e s a o p e n s a m e n t o i n f a n t i l , q u e leníamos d e s c r e v e r c , e m c e r l a m e d i d a , e x p l i c a r 30. p . 3 3 8 1 . E s s e t r e c h o s i n t e t i z a a n a t u r e z a d o s p r e s s u p o s t o s básicos d e P i a g e t e l e v a - n o s à questão g e r a l d a s u n i f o r m . i d a d e s s o c i a i s e biológicas d o d e s e n - v o l v i m e n t o psíquico, ã q u a l v o l t a r e m o s n a Seção I I I . E m p r i m e i r o l u g a r , e x a m i n e n o s a s o l i d e z d a concepção d e P i a g e t s o b r e o e g o c e n t r i s m o i n f a n - til ã l u z d o s f a t o s e m q u e s e b a s e i a . U m a v e z q u e a concepção d e P i a g e t s o b r e o e g o c e n t r i s m o d a criança é d e importância f u n d a m e n t a l e m s u a t e o r i a , t e m o s q u e e x a m i n a r q u a i s f a t o s o l e v a r a m não a p e n a s a aceitá-la c o m o hipótese, m a s também a d e p o s i t a r n e l a t a n t a confiança. E m s e g u i d a , c o l o c a r e m o s e s s e s f a t o s à p r o v a , c o m - p a r a n d o - o s c o m o s r e s u l t a d o s o b t i d o s e m n o s s a s próprias experiências K 6 , 47. A b a s e f a c t u a l d a crença d e P i a g e t é f o r n e c i d a p e l a s p e s q u i s a s q u e r e a l i z o u q u a n t o a o u s o d a l i n g u a g e m p e l a s crianças. S u a s observações sistemáticas l e v a r a m - n o à conclusão d e q u e t o d a s a s c o n v e r s a s d a s c r i a n -
  4. 4. 14 Pl-NSAMENTO íí LINGUAGEM ças p o d e m s e r _ ^ d i v i d i ^ ^ e m d o i s g r u p o s : o egocêntrico e j j s o a a l i z a d o . A diferença e n t r e a m b o s d e c o r r e b a s i c a m e n t e d e suasÇfun-^ ções) N a l a l a e g o c ê n t r i c a ^ a _ c r i a n ( ^ a f a l a a p e n a s d e s[_p_rópria^rn i r U e - _ T e s s e p e l o s^^ c o m u n i c a r - s e . não e s p e r a r e s p o s t a e ^ " f r e q u e n t e m e n t e , seque^r s e £ r e o ç i i p a e j i ] s a b e r s e alguém a o u v e . E u m a f a l a s e m e l h a n t e a _ u m _mpjnd^^^ e m u m a peça d e t e a t r o : , a criança está p e n s a n d o e m v o z a l t a , f a z e n d o u m comentário.sJ.muÍtáneo a o q u e q u e r q u e ^ r e g ^ j á fazelulõ" N a falajsociaíizada, eía t e n t a e s t a b e l e c e r u m a espécie d e C O m u n i c a ç à o coni"õs"cnTtíx)s"— ! ; > e d e , òTdena, ameaça, t r a n s m i t e i n f o r m a - ÇÕes,_faz pa^^^ Ãs experiências d e P i a g e t m o s t r a r a m q u e a m a i o r p a r t e d a s c o n v e r s a s d e ci'ianças e m i d a d e pré-escolar é egocêntrica, E l e c h e g o u à conclusão d e q u e 4 4 a 4 7 p o r c e n i o d o n ú m e r o t o t a l d a s c o n v e r s a s d e crianças d e set£ a n o s e i - a d e n a t u r e z a egocêntrica. N o c a s o d a s crianças m a i s n c w a s , d i z P i a g e i . e s s e n i i m e r o d e v e s e r c o n s i d e r a v e l m e n t e m a i s e l e v a d o . 1 nvestigaçòes p o s t e r i o r e s , c o m crianças d e s e i s e s e t e a n o s , c o m p r o v a r a m q u e , n e s s a i d a d e , n e m m e s m o a f a l a s o c i a l i z a d a está t o t a l m e n t e l i v r e d e p e n s a m e n t o egocêntrico. E m a i s , a l e m d o s p e n s a m e n t o s q u e e x p r e s s a , a ci-iança g u a r d a p a r a s i m u i t o s o u t r o s p e n s a m e n t o s . A l g u n s d e s s e s p e n s a - m e n t o s , s e g u n d o P i a g e t , não são e x p r e s s o s e x a t a m e n t e p o r s e r e m egocên- t r i c o s , ^ i s i o e , incomimicáveis. P a r a t r a n s m i t i - l o s a o s o u t r o s , a criança . p r e c i s a r i a s e r c a p a z d e a d o l a r o s .seus p o n t o s d e v i s t a . ^I,P2Sl?JÍíâÍlJí.?IL4^- q u e u m a d u l t o p e n s a s o c i a l m e n t e m e s m o q u a n d o es]á_só, e n q u a n t o u m a ^ c i M a n ç a c o m mF^^^^ a n o s p e n s a e f a l a e g o c e n t r i c a n n e n t e m e s m o q u a n d o esiá e m c o m p a n h i a d e o u t r a s p e s s o a s * ' | 2 9 , p . 5 6 | . D e s s e m o d o , o c o e f i c i e n t e d e p e n s a m e n t o egocêntrico d e v e sei* m u i t o m a i s e l e v a d o d o q u e o c o e f i c i e n t e d e f a l a cgocênlric;i. M a s são o s d a d o s s o b r e a f a l a — q u e p o d e s e r m e d i d a — q u e n o s f o r n e c e m a p r o v a documentíd s o b r e a q u a l P i a g e t f u n d a m e n t a a s u a concepção d e e g o c e n t r i s m o i n f a n t i l . S u a s e x p l i - caçòes d a f a l a egocêntrica e d o e g o c e n t r i s m o i n f a n t i l e m g e r a l são idênti- c a s . E m p r i m e i r o l u g a r , a s c r i a n v a s c o m m e n o s d e sele o u o i t o a n o s não mantém u m a v i d a s o c i a l e s i a v o l : e m s e g u n d o l u g a r , ii v e r d a d e i r a l i n g u a g e m s o c i a l d a criança, i s l o c . a l i n g u a g e m q u e e l a u t i l i z a e m s u a a t i v i d a d e f u n d a m e n t a l — o b r i n q u e d o —, c u m ^ i l i n g u a g e m d e g e s t o s , m o v i m e n t o s e mímica, t a n t o q u a n i o d e p a l a v r a s | 2 9 . p . 561. Q u a n d o , a o s s e t e j M i o i t o a n o s , m a n i f e s t a - s e na^^^ t r a b a l h a i * c o m o s o u t r o s , a f a l a egocèmii^^^^^^ Em~'sIialIescriçáo datala""egocênlrica e d g _ ^ e u d e s e n v o l v i m e i i t o ijlcNitável, PiagcM_ e n j u ^ e l a não c u m p r e f n e n h u m a função v e r d a d e i _ - T a m e n t ê ^ ú ^ criança, e q u e s i m p l e s m e n t o ^ ^ ^ a t r o ^ ^ ^ " I T a l a m e T l i d a q u e a criança s e l i p i m i m r r d a i d a d e e s c o l a r . A s experiências A TEORIA DE PIAGET... 15 q u e r e a l i z a m o s s u g e r e m u m a interpretação d i f e r e n t e . A c r e d i t a m o s q u e a f a l a egocêntrica a s s u m e , c i e s d e j m u i t o c e d o , u m p a a d ^ m i i i l Q j d e f m i d o e ^ i m p o r t a n t e ^ ^ J t t n d d a d e j ^ ^ ^ _ ~"" - A f i m d e d e t e r m i n a r a s c a u s a s d a f a l a egocêntrica e a s circunstâncias q u e a p r o v o c a m , o r g a n i z a m o s a s a t i v i d a d e s d a s crianças d e u m m o d o m u i t o s e m e l h a n t e a o d e P i a g e t , m a s a c r e s c e n t a m o s u m a série d e f m s t r a - - çòes e d i f i c u l d a d e s . P o r e x e m p l o , q u a n d o u m a criança e s t a v a l e p r e p a - r a n d o p a r a d e s e n h a r , d e s c o b r i a s u b i t a m e n t e q u e não h a v i a p a p e l , o u n e n h u m lápis d a c o r q u e e l a n e c e s s i t a v a . E m o u t r a s p a l a v r a s , a o i m p e d i - l a _ d e a g i r l i v r e m e n t e , nós a forçávamos a e n f r e n t a r p r o b i e m a s V T D e s c o b r i m o s q u e n e s s a s situações difícds^ocoeficiente d e j f a l a _ e g o - cêntrica q u a s e d u p l i c a v a , e m ç o f M a r a ç á o c o m o n ú m e r o j i o r m ã l l ) b s e ^ ^ " ^ M g p o r P i a g e t p a r a crianças E L ^ s m a j ^ e t a m b é m em^coínpãTãçáo" £OEP-QLngssojpm p a r a c r i a n ç a s q u e não t i n h a m q u e s e d e p a r a r ; c o f g e s s e s p r o b l e m a _ s . A criança t e n t a r i a d o m i n a r e r e m e d i a r a sítuaçãoT; f a l a n d o c o n s i g o m e s m a : ' ' O n d e está o lápis? P r e c i s o d e u m lápis a z u l . N ã o ' f a z m a l , v o u d e s e n h a r c o m o v e r m e l h o , e v o u umedecê-lo c o m água; a s s i m , v a i f i c a r m a i s e s c u r o , p a r e c e n d o a z u l . " N a s m e s m a s a t i v i d a d e s s e m obstá.culos, o c o e t l c i e n t e d e íaJajigpcên:__ J i l ^ J . . È^aaté^^ á q u d e j 3 b s e i A / a ^ ^ Ç pSí^ ^ PJ?:"^'^^^^^^ a s íntemípcões n o f l u x o r e g u l a r d a a t i v i d a d e _ ^ ' 1 c o n A t i U i e m ^ u m e s t i r p u l o i m p o r t a n t e pára a f a l a e l O c g n t l a c a . I ^ desço-' b e r t a s e a j u s t a às d u a s p r e m i s s a s a q u e P i a g e t s e retere"vanãs v e z e s e m s e u l i v r o . U m a d e l a s é a c h a m a d a l e i d a consciência, s e g u n d o a q u a l u m obstácuio o u u m a pe^^^^ e m u m a a t i v i d a d e automática dS^^^ n a q u e l e q u e a p r a t i a consciência d e s s a a t i v i d a d e . à o u t r a p r e m i s s a é dg^^ .que a F a i a é u r n a e x p r e s s a b d e s s e ^p^^^^ N o s s a s descòberti"^^^ p o r m j j i t o j e j T i p o c o m o u m m e r o a c o j T j p a n h a m e n t o d a a t i v i d a d e d a ^™Il£âi-Alg"^ s e r u m m e i o d e expressão e d e fiBeração d a tensão,j _ ^ ^ Q j ' V Q . /-ij-^tH v^ç:! u m ^ i i i c i u u c c x p i c s s a o e ^ u e n o e r a ç a o u a l e n s a o , ^ o m a - s e l o p n n m i n . q t r u m e n t o d o p e n s a m e n t o , n o senT?dõl)róprio d o t e r m o L i z : _ a b u s c a T o p l a n e j a m e n t o dg/soluç^ft d e u m p r o b l e m a . j U m a c i d e n t e o c o r r i d o d u r a n t e u m a d e n o s s a s experiências i l u s t r a b e m " a " f o r m a c o m o a M a egocêntrica p o d e a l t e r a r o c u r s o d e u m a ' ' a t i v i d a d e : u m a criança d e " c i n c o a n o s e m e i o e s t a v a d e s e n h a n d o u m b o n d e , q u a n d o a p o n t a d e s e u lápis q u e b r o u . E l a t e n t o u , m e s m o a s s i m , c o m p l e t a r o círculo d e u m a d a s r o d a s , p r e s s i o n a n d o f o r t e m e n t e o lápis s o b r e o p a p e l , m a s n a d a s u r g i u , a não s e r u m a l i n h a f u n d a e i n c o l o r . A criança m u r m u r o u p a r a s i m e s m a : " E s t á q u e b r a d o " ; pôs o lápis d e l a d o , p e g o u a a q u a r e l a e começou a d e s e n h a r u m honát quebrado e m a l g u m a c i d e n t e ; v e z p o r o u t r a , c o n v e r - s a v a c o n s i g o m e s m a a r e s p e i t o d a alteração e m s e u d e s e n h o . A e x p r e s s ã o J^.cal_egocêntnca^da_^^^ y e l í T ^ n t e a s u a j u é impossível c ^ s i d e r á - l a , e r r a d a m e n t e ^ m CW-X^XJII m e r o s u b p r o d u t o , u n i a c o m j D a j i h a m e n t o q u e não i n t e r f e r e n a m e l o d i a .
  5. 5. 16 pi'Ns.Mi::sr() t: LINGUAGEM ^ ' N ossasj;xpei^ências d e n i o n s l r a r a m aI(çraçocs e x t i ; e ' ^ n í t ê r M - e l a ç ã o d a ãnvidiide c o m a l f a i a e g o c ê n m c o m o a "'Tala^egoc^nma^^^^ a princípio, o r e s u l t a d o f i n a l o u u m m o m e n t o crítico e m u m a a i i v i d a d e , d e s l o c a n d o - s e e m s e g u i d a , g r a d u a l m e n t e , p a r a o m e i o e , f i n a l m e n t e , p a r a o início d a a t i v i d a d e . a s s u m i n d o u m a função d i r e 11 v a e e 5 m ; a ^ e e l e v a n d o a a t ^ i v j d a d e cia j ^ - j a j i ç j ^ "cõniportamento mtencic^^^^^^ U q u e a c o n t " e c e n e s s e c a s o é s e m e l h a n t e a " c o n h e c i d a s e q u e n c i a e v o l u t i v a p o r m e i o d a q u a l a criança d a n o m e s a o s s e u s d e s e n h o s . U m a criança p e q u e n a p r i m e i r o d e s e n h a , e só d e p o i s d e - c i d e o q u e é q u e d e s e n h o u ; u m a criança u m p o u c o m a i s v e l h a dá n o m e a o s e u d e s e n h o q u a n d o e s t e está q u a s e p r o n t o e , p o r f i m , d e c i d e d e antemão o q u e p r e t e n d e d e s e n h a r . A concej)ção r e y j s d a f a l a egocêntrica d e v e tanabém i n f l u e n c i a r a nos,sa__copcepção d e _ . s e u . . d e s i i n o p o s t e r i o r , e terá q u e s e r eVc)cicrã"no q u e d i z r e s p e i t o ã q u e s u i o d o s e u d e s a p a r e c i m e n t o n a i d a d e e s c o l a r . A s experiências p o d e m n o s d a r u m t e s t e m u n h o i n d i r e t o q u a n t o ás ^ c a u s a s c i e s s e _ d e s a p a r e c i r i i e n t o , m a s n e n h u m a r e , s p o s t a d e f i n i t i v a j N ã o ? l o b s t a n t e , o s cFacíos o b t i d o s s u e e r e n T f o r t e m e n t e ;t hipótese d e q u e a f a l a e.^ocèntrica é u m estágio transitório n a evolução d a f a l a o r a l p a r a a f a l a ^ T m e i M o r . l R T r s ~ l n ó s s a s e x p e r i ê n c i a s , as" criariças m a i s vêíhas, q u a n c i o s e c i e p a i ' a v a m c o m o b s t f i c u l o s , c o m p o n a v a m - s e cie m a n e i r a d i f e r e n t e d a s m a i s n o v a s , F^reqúentemcnie. e x a m i n a v a m a situação e m silêncio e , e m e g 1.1 í d cl. e n c o n 11 -a v a m u m ; t s o k i ç; i c). Q u a n c 1 o s c ..P,cj;.u taU a v a a _ s o h r e o q u e e l a e s l a v a p e n s a n d o , a s r e s p o s t a s e r a n i m u i t o s e m e l h a n t e _ s a o _ p e n s a m e n t o e n . i v o z a i t c i n a Fase p r é - e s c o l a r . I s s o i n d i c a r i a q u e a s m e s m a s operações m e n t a i s r e a l i z a d a s p e l a criança e m i d a d e pré-escolar p o r m e i o d a f a l a egocêntrica .jii estão, i i a criança e m i d a d e e s c o l a r , r e l e g a d a s j i f a l a i n l e r i q r .silêncios;!. _ E _ c l i i r o q u e c m P i a g e i n a o h i i n a d a n o n i c s n i o e j l t i d o , u m a v e z q u e , s e j ^ u n d o e l e , a _ f a l a _ e ^ E m s e u s e s t u - d o s , F-^iaget não e l u c i d a s a t i s f a l o r i a m c n l c a questão d o d e s e n v o l v i m e n t o d a f a l a i n t e r i o r n a criança. M a s c o m o a f a l a i n t e r i o r e a f a l a egocêntrica s o n o r a p r e e n c h e m a m e s m a função, issc^ i m p l i c a r i ; i c j u e . s e a f a l a egocên- t r i c a , c o m o a f i r m a P i a g e i . p r e c e d e a l a l a s o c i a l i z a d a , então a f a l a i n t e r i o r também d e v e p r e c e d e r a l a l a s o c i a l i z a d a — u m p i - e s s u p o s t o insustentável d o p o n t o cie v i s t a genético. A f a l a i n t e r i o r d o a d u h o . i ; e p r e s e n i a ^ V ^ ^ P i n s a r j ^ a n ^ ^ ^ ^ r n u i t o m a i v s " ^ 3 o ' q i f e a d a p í a ç á o social.^j..s..io..ç^..dese a.mesimi(funçãc^a f a l a egc^cèjitrica m v s a^^^^^ . Teni_j£mbc'"'"'.Jj:'^.H^.^L^^D^^s Cç.^!2^cteris11cas^gstru- t u i - a i l : fc)_rci c o n t e x t o , s e m i n c o m p r e e n s í v e 1 p a r a j ) s o u t r o s , u m a v e z q u F o m i t e " m e n c i o n a r ^ ' o.q.ue,.çí,áb,yj.o p j i Q i l l l o C U t O r ; ^ " J E S S a S S e m e 1 ham- ças l e v a m - n o s a a d m i t i r q u e , a o d e s a p a r e c e r d e visía, a f a l a egocêntrica não s e a t r o f i a s i m p j e s n i e n t e , m a s ^ s e e s c o n d e " , i s t o e . t r a n s f o r m a - s e e m f a l a i n t e i ' i o r . N o s s a observação d e q u e . n a K l ; i d e e m q u e o c o r r e e s s a •1 7/iOR/A D L : PIAGET 17 modificação, a s crianças q u e estão p a s s a n d o p o r situações difíceis r e c o r - r e m o r a ã f a l a egocêntrica, o r a ã reflexão s i l e n c i o s a , i n d i c a q u e a m b a s p o d e m s e r f u n c i o n a l m e n t e e q u i v a l e n t e s . E n o s s a a hipótese d e q u e o s " p f ^ i ^ s o s d a r a l a m t e r K ) r s e d e s e n v o l v e m e s e e s t a b i l i z a m a p r o x i m a d a - m e n t e n o início d a i d a d e e s c o l a r , e q u e i s s o p r o v o c a a súbita diminuição d ^ f a l a egocêntrica o D s e r v a d a n a q u e l e estágio.^X[. /^'. C o m õ n o s s a s hipóteses são d e ãmbito~lunitado, a c r e d i t a m o s q u e n o s ajudarão a v e r , a p a r t i r d e u m a p e r s p e c t i v a n o v a e m a i s a b r a n g e n t e , a direção g e r a l d o d e s e n v o l v i m e n t o d a f a l a e d o p e n s a m e n t o . S e g u n d o P i a g e t , a s Bu"ãsTunç_ões s e g u e n i unj.a m e s m a trajetória, d a f a l a autística ã f a l a _ s g c i a l i z a d a , d a f a n t a s i a s u b i e t i v a ã lógica d a s relações. N o cursõTiessa Í£§I!.§forgiIÇãQ> ^J-Pfl^ência d o s a d u l t o s e d e f o r m a d a p e l o s p r o c e s s o s psíquicos d a s crianças, m a s a c a b a s e n d o v i t o r i o s a . P a r a P i a g e t , o d e s e n - y o l v i m e n j o d o p e n s a m e n t o é a história d a socialização g r a d u a l d o s e s t a d o s n i e n t a ^ i s autísticos, p r o f u n d a m e n t e m t i m o . s e p e s s o a i s . Até m e s m o a f a l a _ .^ââL^.J.e.^^^ c o m o s e n d o s u b s e q u e n t e , e não a n t e r i o r , à f a l a egocêntrica. ~ " ' -li ' í.I^Jh[pótese q u e p r o p o m o s i n v e r t e ^ e s s e j ^ ê r c ú ^ ^ a d i r e - ção d o d e s e n v o l v i m e n t o ~ d o pens'ámênTo p o r u m b r e v e i n t e r v a l o d e t e m p o , d e s d e o s u r g i m e n t o d a f a l a egocêntrica até o s e u d e s a p a r e c i m e n t o , s o b o p o n t o d e v i s t a d o d e s e n v o l v i m e n t o d a l i n g u a g e m c o m o u m t o d o . C o n s i d e r a m o s q u e o d e s e n v o l v i m e n t o t o t a l e v o l u i d a s e g u i n t e f o r m a : a tunção p r i m o r d i a l d a f a l a , t a n t o n a s crianças q u a n t o i m s a^^^^ é a 'i[LÍ?íÍiri^iíi.iiJi9JlL^Í£ • A f a l a m a i s p r i m i t i v a d a criança é, p o r ^ í c m t o , essencia^^^^^^ A princípio, é g l o b a l e muliifuncíonal; p o s T e - r i o r m e n t e , s u a s funções t o r n a m - s e d i f e r e n c i a d a s . N u m a c e r t a i d a d e , a f a l a s o c i a l d a críança d i v i d e - s e m u i t o n i t i d a m e n t e e m f a l a egocêntrica e f a l a c o m u n i c a t i v a . ( P r e f e r i m o s u t i l i z a r o j e r m o ^(>J^!2!1!1Í^^ C ) J i p p _ d e ^ e i o r n m ^ ^ s ^ ^ d u a s íbi^^^^ a c o m u n i c a t i v a e a egocêntrica, são .sociais^ a i f e r e n t e . s . ) A f a l a egocêntrica e m e r g e q u a n d o a criança t r a n s f e r e f o r m a s s o c i a i s e c o o p e r a t i v a s d e c o m p o r t a m e n t o p a r a a e s f e r a d a s funções psíqui- c a s i n t e r i o r e s e p e s s o a i s . A tendência d a criança a t r a n s f e r i r p a r a o s s e u s p r o c e s s o s i n t e r i o r e s o s padrões d e c o m p o r t a m e n t o q u e i n i c i a l m e n t e e r a m s o c i a i s é b a s t a n t e c o n h e c i d a p o r P i a g e i . E m o u t r o c o n t e x t o , e l e d e s c r e v e c o m o a s discussões e n t r e crianças o r i g i n a m a s p r i m e i r a s manifestações d a reflexão lógica. A c r e d i t a m o s q u e a l g o s e m e l h a n t e a c o n t e c e q u a n d o a criança começa a c o n v e r s a r c o n s i g o m e s m a d a m e s m a f o r m a q u e c o n v e r s a c o m o s o u t r o s . Q u a n d o a s circunstâncias o b r i g a m - n a a p a r a r e p e n s a r , o m a i s provável é q u e e l a p e n s e e m v o z a l t a . A f a l a egocêntrica, d i s s o c i a d a d a f a l a s o c i a l g e r a l , l e v a , c o m o t e m p o , ã f a l a i n t e r i o r , q u e s e r v e t a n t o a o p e n s a m e n t o autístico q u a n i o a o p e n s a m e n t o lógico. A f a l a egocêntrica, e n q u a n t o u m a f o r m a linguística s e p a r a d a , é o e l o
  6. 6. 18 PLNSAMl-NTO E LINGUAGEM geriéiico d e e x t r e m a impAmáncia n a txansiçào d a f a l a o r a j p a r a a f a l a _ i n t e r i o r , u m estágio intermediário e n t r e a diferenciação d a s fijnç"oêsda f a l a JíJ^íiL^.ili.!;^^'''^,!^ u m a f ) a r t e d a faUtoraJ^em t a l a i n t e r i o r . É ...csse p a p e 1 c i e i n i n s ^ i ^ ~i££'^£2JÍ^l-^IÍ^'^ ~ T o d a a concepção d o d e s e n v o l v i m e n t o d a f a l a v a r i a p r c S f u n d a m e n t e . ^[c^<ic()rdc^jam^^^ 'lll.c^lPfctaç^^^^^^ d j i d a a o p a p e l d a ^'i^íLf^^^rlLÍí^^i^-^csse m c x i o , o n o s s o e s q u e m a d e c i e s e n v o l v i m e n t o — " p r i m e i r o T a l a scícial, d e p o i s egocêntrica, e então i n t e r i o r — d i v e r g e t a n t o d o e s q u e m a b e h a v i o r i s t a — l a l a o r a l , s u s s u r r o , f a l a i n t e r i o r — q u a n t o d a sequência d e P i a g e i — q u e p a r t e d o p e n s a m e n t o autístico não-verbal àfala S D c i a l i z a d a e a o p e n s a m e n t o lógico, através d o p e n s a m e n t o e d a f a l a egocêntricos. S e g u n d o a nc)ssa concepção, o v e r d a d e i r o c u r s o d o d e s e n - ..Y.Qj_y.íni!?illo ç1.o^ p a r a o s o c i a l i z a d o , m a s d o s o c i a l p a r a o i n d i v i d u a l . I I I D e n t r o d o s l i m i t e s d o p r e s e n t e e s i u d o não é possível a v a l i a r t o d o s o s a s p e c t o s d a t e o r i a d e P i a g e t s o b r e o d e s e n v o l v i m e n t o i n t e l e c t u a l ; c o n c e n - t r a m o s n o s s o i n t e r e s s e n a s u a concepção d o p a p e l d o e g o c e n t r i s m o n a relação e v o l u t i v a e n t r e a l i n g u a g e m e o p e n s a m e n t o . V a m o s , n o e n t a n t o , i n d i c a r ! ' e s u m i d a m e n t e , d e n t r e o s s e u s p i e s s u p o s t o s teóricos e metodoló- g i c o s básicos, a q u e l e s q u e c o n s i d e r a m o s erróneos, b e m c o m o o s f a t o s q u e e l e d e i x a d e e x a m i n a r e m s u a caracterização d o p e n s a m e n t o i n f a n t i l . A p s i c o l o g i a m o d e r n a , e m g e r a l , c a p s i c o l o g i a i n f a n t i l , e m p a r t i c u l a r , r e v e l a m u m a tendência p a r a c o m b i n a r questões psicológicas e filosóficas. U m p a c i e n t e d o psicólogo alemão A c h r e s u m i u m u i t o b e m e s s a tendência a o o b s e r v a r , a o término d e u m a sessão: ' ' M a s i s s o é f i l o s o f i a e x p e r i m e n - t a l ! " E , d e f a t o , m u i t a s d a s questões d o c o m p l e x o c a m p o d o p e n s a m e n t o i n f a n t i l b e i r a m a t e o r i a d o c o n h e c i m e n t o , a lc)gica teórica e o u t r o s r a m o s d a f i l o s o l l a , M u i t a s v e z e s . P i a g e t a p r o x i m a - s e i n a d v e r t i d a m e n t e d e u m a o u d e o u t r a , m a s , c o m notável coerência, c o r r i g e - s e e s e detém. T o d a v i a , a d e s p e i t o cie s u a intenção e x p r e s s a d e e v i t a r teorizações, s u a o b r a a c a b a e x t r a p o l a n d o o s l i m i t e s d a ciência f a c t u a l p u r a . A r e c u s a d e l i b e r a d a d a f i l o s o f i a já é. e m s i m e s m a , u m a f i l o s o f i a — e u m a f i l o s o f i a q u e p o d e e n v o l v e r o s s e u s p i * o p o n e n t e s e m m u i t a s contradições. C o m o e x e m p l o , p o d e m o s c i t a r a concepção d e P i a g e i q u a n t o a o p a p e l o c u p a d o p e l a e x p l i - cação c a u s a l n a ciência. A o a p r e s e n t a r s u a s d e s c o b e r t a s , P i a g e t t e n t a a b s t e r - s e d e c o n s i d e r a r as c a u s a s . A g i n d o a s s i m , a p r o x i m a - s e p e r i g o s a m e n t e d a q u i l o q u e , n a criança, e l e c h a m a d e " p r é - c a u s a l i d a d e " , e m b o r a p o s s a v e r s u a abstenção c o m o u m s o f i s t i c a d o estágio ' ' s u p r a c a u s a f e m q u e o c o n c e i t o d e c a u s a l i - A TEORIA DE PIAGET. 19 d a d e t e r i a s i d o a b a n d o n a d o . E l e propõe q u e s e s u b s t i t u a a explicação d o s fenómenos e m t e r m o s d e c a u s a e e f e i t o p o r u m a análise genética e m t e r m o s d e u m a seqíjência t e m p o r a l , e p e l a aplicação d e u m a fórmula, m a t e m a t i c a m e n t e c o n c e b i d a , d a interdependência f u n c i o n a l d o s fenóme- n o s . N o c a s o d e d o i s fenómenos i n t e r d e p e n d e n t e s , A e B , A p o d e s e r c o n s i d e r a d o u m a função d e B , o u B u m a função d e A . O p e s q u i s a d o r r e s e r v a - s e o d i r e i t o d e o r g a n i z a r s u a descrição d o s d a d o s d a f o r m a q u e s e j a m a i s c o n v e n i e n t e p a r a o s s e u s o b j e t i v o s n o m o m e n t o , e m b o r a g e r a l m e n t e p o s s a c o l o c a r o s fenómenos d e d e s e n v o l v i m e n t o m a i s p r i m i t i v o s e m u m a posição v a n t a j o s a , p o r s e r e m m a i s e x p l i c a t i v o s d o p o n t o d e v i s t a genético. E s s a substituição d a interpretação f u n c i o n a l p e l a interpretação c a u - s a l p r i v a o c o n c e i t o d e d e s e n v o l v i m e n t o d e q u a l q u e r conteúdo r e a l . M u i t o e m b o r a P i a g e t reconheça q u e , a o d i s c u t i r o s f a t o r e s biológicos e s o c i a i s , o e s t u d i o s o d o d e s e n v o l v i m e n t o m e n t a l t e m o d e v e r d e e x p l i c a r a relação e n t r e e l e s , s e m n e g l i g e n c i a r q u a l q u e r u m . S u a solução é a s e g u i n t e : M a s , para começar, é necessário e s c o l h e r u m d o s i d i o m a s e m prejuízo d o o u t r o . E s c o l h e m o s o i d i o m a sociológico, m a s e n f a t i z a m o s q u e n a d a há d e e x c l u . s i v o n i s t o — r e s e r v a m o - n o s o d i r e i t o d e vc^ltar à explicação biológica d o p e n s a m e n t o i n f a n t i l e t r a d u z i r , e m seus t e r m o s , a descrição q u e t e n t a m o s e m p r e e n d e r a q u i lií^^.p. 2 6 6 ) . I s s o n a v e r d a d e r e d u z t o d a a a b o r d a g e m d e P i a g e t a u m a e s c o l h a p u r a - m e n t e arbitrária. A e s t r u t u r a básica d a t e o r i a d e P i a g e t apóia-se n o p r e s s u p o s t o d e u m a sequência genética d e d u a s f b r m a s o p c ) s t a s d e j n t e l e c ç ã o , a s quais_,_se^^ g u n d j L a j t e o r i a psicanalíucaTservem^ax^^ ^*?JÍDQ£!PÍÇL j J a T e a l i d a d e y D o n o s s o p o n t o d e v i s t a , o " l m f 3 U l S O p s r a ^ i satisfaçã^orrlSs" necessíHaJes e o i m p u l s o p a r a a adaptação à r e a l i d a d e não p o d e m s e r c o n s i d e r a d o s c o m o c o i s a s s e p a r a d a s e n t r e s i e m u t u a m e n t e o p o s t a s . U m a n e c e s s i d a d e só p o d e s e r v e r d a d e i r a m e n t e s a t i s f e i t a m e d i a n t e u m a c e r t a adaptação à r e a l i d a d e . Além d o m a i s , não há n a d a q u e s e p o s s a c h a m a r d e adaptação p e l a adaptação; e s t a é s e m p r e d i r i g i d a p e l a s n e c e s s i d a d e s . T r a t a - s e d e u m truísmo i n e x p l i c a v e l m e n t e n e g l i g e n c i a d o p o r P i a g e t . P i a g e t c o m p a r t i l h a _ c o m F r e u d náo_>só a conçepj^áojnsu uDlpripcípio d o prazeTãnjjrior a u m , princípio d a r e a l i d a d e , m a s tambérna a b o r d a g e m metafísica_que e 1e y a q _ d e s e j o ^ d o _ P I § z e r ^ e _ ^ s e ^ u j j ^ d a ^ s t a t u s , o d e f a t o r secundário b i o l o g i c a m e n t e i n i p o n a n t ^ _ a g _ j e ^ ^ ^ ^ v d t a i j n d e p e n d e n t e , força m p l H F p r i m e i r a d o d e s e n v o j y j m e n t o £s^^^^^^^^^ X?MÇ-^Ç.PM2^.^Ç. a n e c e s s i d a d e ^ e o p r a z e r d a adaptação à r e a h d j j e , P i a g e t é forçado p e l a lógica a a p r e s e n t a r o p e n s a m e n t o r e a l i s t a c o m o a l g o d i s s o - c i a d o d a s n e c e s s i d a d e s , i n t e r e s s e s e çlesejojs c o n c r e t o s , c o m o " p e n s a - m e n t o p u r o ' a única função é a b u s c a d b v e r d a d e p e l a v e r d a d e .
  7. 7. 2 0 /'is..i/:./() I'/./NCUAc:/:'M ;),.^! O p e n s a m e n t o autístico —• o i a g i n a l m e n t e o p o s t o a o p e n s a m e n t o r e a - " l i s t a , s e g u n d o o e s q u e m a p r o p o s t o p o r P i a g e i — e , e m n o s s a opinião, u m d e s e n v o l v i m e n t o t a r d i o , u m r e s u l t a d o d o p e n s a m e n t o r e a l i s t a e d o s e u corolário, o p e n s a m e n t o c o n c e i t u a i , q u e l e v a a u m c e r t o g r a u d e a u t o n o - I m i a d a r e a l i d a d e , p e r m i t i n d o a s s i m a satisláção, n a f a n t a s i a , d a s n e c e s s i - d a d e s f r u s t r a d a s d u r a n t e a v i d a . E s s a concepção d o a u t i s m o é compatível c o m a d e B l e u l e r | i | . O a u t i s m o é u m d o s e f e i t o s d a diferenciação e polarização d a s d i v e r s a s funções d o p e n s a m e n t o . A s n o s s a s experiências t r o u x e r a m a p r i m e i r o p l a n o o u t r o a s p e c t o i m p o r t a n t e , até então d e s p e r c e b i d o : o p a p e l d a a t i v i d a d e d a criança n a evolução d e s e u s p r o c e s s o s m e n t a i s . V i m o s q u e a f a l a egocêntrica n à o p a i r a n o v a z i o , m a s t e m u m a relação d i r e t a c o m o m o d o c o m o a criança l i d a c o m o m u n d o r e a l . V i m o s q u e i s s o é p a r t e i n t e g r a n t e d o p r o c e s s o d e a t i v i d a d e r a c i o n a l , a d q u i r i n d o inteligência, p o r a s s i m d i z e r , a p a r t i r d a s [-; ações i n t e n c i o n a i s d a criança, q u e a i n d a são i n c i p i e n t e s ; e q u e a f a l a egocêntrica v a i , p ! " o g i ' e s s i v a m e n t e , l o r n a n d o - s e a p r o p r i j c l a j ^ ^ ^ ^o^<.> e r e . s Q T v e r pi-ob'lemas."ã' mêcTiOá q u e a s a t i v i d a d e s d a criança t o r n a m - s e m a i s c o m p l e x a s . E s s e p r o c e s s o é d e s e n c a d e a d o p e l a s ações d a criança; o s fírA'^.a/) o b j e i o s c o m o s q u a i s e l a l i d a r e p r e s e n t a m a r e a l i d a d e e dão f o r m a a o s s e u s p r o c e s s o s m e n t a i s , .A l u z d e s s e s l a l o s , a s conclusões d e P i a g e i r e q u e r e m a l g u n s e s c l a r e - ( J ; c i m e n t o s r e l a t i v o s a d o i s a s p e c t o s i m p o r t a n t e s . E : m p r i m e i r o l u g a r , a s P£P u l i a r K l a d e s _ d o e n s j i n^e i]j C M C U t i d t).s _ 2 0 r _ P i a j j e t , t a l c o m o o • " ^ ' n e r e t i s m o , não a b r a n g e m u m a ái'ea tão e x t e n s a q u a n t o e l e i m a g i n a . S o m o s l e v a d o s a s u p o r ( c n o s s a s experiências n o s a u t o r i z a m a i s s o ) q u e a criança p e n s a d e t o r m a s i n c r e t i c a s o b r e a s s u n t o s d e q u e não l e m c o n h e c i - I m e m o o u experiência, m a s não r e c o r r e a o s i n c r e t i s m o c o m relação às I ; c o i s a s f a m i l i a r e s o u q u e s e j a m d e fácil c o m p r o v a ç ã o prática — e o número | : : I d e s s a s coisajs d e p e n d e d o m éj o d o de^educaçãq^^ m e s m o m o d o , n o j âmbito"^crsincreiismo p r o p r i a m e n t e d i t o , é d e s e e s p e r a r q u e e n c o n t r e m o s a l g u n s e l e m e n t o s p r e c u r s o r e s d a s f u t u r a s concepções c a u s a i s q u e o pró- p r i o P i a g e i m e n c i o n a d e p a s s a g e m , O s próprios e s q u e m a s sincréticos, a d e s p e i t o d e s u a s ílutuações, l e v a m g r a d u a l m e n t e a criança a u m a a d a p t a - ção: s u a u t i l i d a d e não d e v e s e r s u b e s t i m a d a . M a i s c e d o o u m a i s t a r d e , p o r m e i o d e u m a r i g o r o s a seleção, redução c adaptação mútua, serão t r a n s - f o r n i a d o s e m e x c e l e n t e s i n s t r u m e n t o s d e investigação, n a s áreas e m q u e as hipóteses são passíveis d e aplicação. 9 / . 0 s e g u n d o a s p e c t o q u e j ^ r e d s t i s e r r e a v a l i a d o e d e l i m i t a d o é a a p l i c a - J2jjjjfljg„^^ emgêraj r S"ua^ experjências___ ..kj^iiD;yDJ:iUL.a^^^^ q u e a criança é impermeável ã s r e x p e n ê n c i a s . P i a g e t f a z u m a a n a l o g i a q u e c o n s i d e r a m o s r e v e l a d o r a : o h o m e m p r i m i t i v o , d i z e l e , a p r e n d e a p a r t i r d a experiência a p e n a s e m a l g u n s p o u c o s c a s o s e s p e c i a i s e l i m i t a d o s d e a t i v i d a d e p r a t i c a — e c i l a a a g r i c u l t u r a , a caça e a m a n u f a t i i r a d e o b j e t o s c o m o e x e m p l o s d e s s e s c a s o s r a r o s . 1 i lORIA Dl-: PiACET. 2 1 M a s esse c o n t a l o efémero c p a r c i a l c o m a r e a l i d a d e não afeta e m n a d a o t l u x o geral d e s e u p e n s a m e n t o . O m e s m o s e a p l i c a , c o m m a i s v e r d a d e a i n d a , ãs crianças p p . 2 6 S - 2 6 9 | . N o c a s o d o h o m e m p r i m i t i v o , não chamaríamos a a g r i c u l t u r a e a caça d e c o n t a t o s desprezíveis c o m a r e a l i d a d e , p o i s e s s a s a t i v i d a d e s c o n s t i t u e m p r a t i c a m e n t e t o d a a s u a existência. A concepção d e P i a g e t p o d e s e r válida p a r a o g r u p o específico_de_criançairqiue e s t u d o u , m a s n ã o f c m a l c a n c e ImTvérsal. E l e próprio n o s r e l a t a a c a u s a d a q u a l i d a d e e s p e c i a l d e Pjeris.ai m e n t o q u e o b s e r v o u e n i _ s u a s crianças: A c r i a n ç a n u n c a e s t a b e l e c e u m c o n l a i o r e a l e v e r d a d e i r o c o m a s c o i s a s , p o r q u e n ã o I r a b a l h a . E l a b r i n c a c o m a s c o i s a s , o u a s a c e i t a s e m q u e s t i o n á - l a s p . 2 6 9 1 . A s _ u n i f o r m i d a d e s d e . f J e s e n v o l v i m e n t o ^ e s t a b ^ ^ t > a p l i c a m - s e a o m e io d a d o , j i a s çp n d içõ e s_ e m q u e P i a g e t. r e a l i z p u s e u e s- ; uído. N ã o sáõnérs~dã""natureza, m a s s i m íeis histórica e s o c i a l m e n t e , d e t e r i r i j h a d ^ j . . t^iaget ]á f o i c r i t i c a d o p o r S t e r n p o r n ã o t e r d a d o a d e v i d a importância ã situação s o c i a l e a o m e i o . O f a t o d e a f a l a s e r m a i s égócên^ ' t r i c a o u m a i s s o c i a l d e p e n d e não só d a i d a d e d a criança, m a s também d a s condições q u e a c e r c a m . P i a g e t o b s e r v o u crianças b r i n c a n d o j u n t a s n u m d e t e r m i n a d o j a r d i m d e infância, e s e u s c o e f i c i e n t e s são válidos a p e n a s Píiríl e s s e iXLejo^^ Q u a n d o a a t i v i d a d e d a s crianças l i m i t a - ' se e x c l u s i v a m e n t e a o s b r i n q u e d o s , e a c o m p a n h a d a p o r u m e l e v a d o g r a u d e solilóquios. S i e r n m o s t r a q u e n o . s j a r d i n s d e infância alemães, o n d e m o v ^ m a j s ^ m m e n o i ' , e j j u e e m c a s a a f a I a d a s c r i a n ç a s t e n d e a s e r p r e d o m j n a n t e n i e n t e S Q C j a j j e s d e m u i t o ^ c e d o . S e i s s o é v e r d a d e , n o q u e d i z r e s p c j t o à.s crianças a j e m l § . , ^ d i f e ^ ^ P i a g e t „^ydpuj]o^jarxi[m^ d e v e .ser a j n d a m a i o r 7 N o prefácio q u e e s c r e v e u p a r a a edição r u s s a d e s e u l i v r o , PÍageí a d m i t e q u e é necessário c o m p a r a r o c o m p o r t a m e n t o d e crianças c o m formação s o c i a l d i f e r e n t e , p a r a q u e p o s s a m o s s e p a r a r o a s p e c t o s o c i a l d o i n d i v i d u a l , e m s e u p e n s a m e n t o . P o r e s s a razão, a c o i t a c o m p r a z e r a colaboração d o s psicólogos soviéticos. D e n o s s a p a r t e , e s t a m o s c o n v e n c i d o s d e q u e o e s t u d o d o d e s e n v o l v i m e n t o d o p e n . s a m e n t o e m crianças d e u m m e i o s o c i a l d i f e r e n t e , e e m e s p e c i a l d e crianças q u e , a o contrário d a s e s t u d a d a s p o r P i a g e t , t r a b a l h a m , levará c o m c e r t e z a a r e s u l t a d o s q u e n o s permitirão f o r m u l a r l e i s c o m u m a e s f e r a d e aplicação m u i t o m a i s a m p l a .

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