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Vida           Editora do grupo                       Dirqão executiva                                                  ET...
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EXPULSO   19mo cheque-desemprego veio somenre com merade da quanriacostun1eira. Não havia nenhu111a nota de observação aco...
20   O   CARÁTER APERFEIÇOADO PELOS CONflITOS   Tentamos explicar. "Para nós, ir a igreja é um pouco diferentedo conceito ...
ExPULSO   21    Adolescentes, particularmente, podem fazer parte de muitasdiscussões de família sobre a perda de um empreg...
22   O   CARATER APERFEiÇOADO PELOS CONFLITOSta, jogar tênis, carninhar, aln10çar juntos. Essas atividades nos apro-ximara...
EXPULSO   23Escrever no diário pernlitiu-nlC expressar pensanlentos e sentinlen-tos injustos. Ao fazê-lo, questões como re...
24   O   CARÁTER APERFEIÇOADO PELOS CONFLITOS   freqüentar uma igreja era algo que precisávamos resolver. Du-rante as seis...
ExPULSO   25    Na igreja que servi, outros dois homens haviam perdido seusempregos recenremente. Encontrava-me com eles r...
26   O   CARÁTER APERFEiÇOADO PELOS CONFLITOSTinha de vencer o meu medo de pedir avaliações transparentes demeus dons, hab...
JOGAR MACHUCADOR   ecentcrnente li sobre um jogador profissional de hóquei. Ele é    uma das estrelas do time da Liga Naci...
28    O   CARÁTER APERFEiÇOADO PELOS CONFLITOSplenamente. Urna alma ferida não sara rapidamente, n1as a D1aioriade nós pre...
JOGAR MACHUCADO   29mais isto. Por que você não Ine contou que a vida no ministériopoderia ser tão brutal?".   Ao ouvir se...
30   O   CARÁTER APERFEiÇOADO PELOS CONFLITOS   Pela graça de Deus achei a cura para o conflito na igreja e a espe-rança q...
JOGAR MACHUCADO    31      Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que      este poder que a tudo excede pr...
32   O   CARÁTER APERFEiÇOADO PELOS CONfliTOSperando que Deus conflrnlasse meu vacilo e lne perlllitisse voltar,abri minha...
JOGAR MACHUCADO   33   Participar do culto naquela Sexta-Feira Santa, me fez começar aentender as palavras, até então, con...
34    O   CARÁTER APERFEiÇOADO PELOS CONFLITOSsurra dada por invasores japoneses na propriedade da missao emTsechow. Além ...
JOGAR MACHUCADO   35   Atuar machucado no trabalho pastoral não é o ideal de diverti-mento de ninguém. De alguma maneira, ...
MANTER PERTO OS INIMIGOSE   stava em meu novo pastorado há mais ou 111cnos três meses    quando um dos memhros-fundadores ...
38   O   CARÁTER APERFEiÇOADO PELOS CONFLITOS    Parece ser normal em rodas as igrejas a exisrência de algumaspessoas difí...
MANTER PERTO OS INIMIGOS   39semana. Ela se despediu de mim com um abraço e dirigiu-me umolhar que transmitiu um "obrigado...
40   O   CARÁTER APERFEiÇOADO PELOS CONfLITOS     MANTENHA AS BRIGAS PARTICULARES, PARTICULARESUm de meus grandes erros na...
MANTER   IERTO OS INIMIGOS   41                      PRATIQUE A BONDADEUm adesivo enfeita o pára-choque dc muitos catros e...
42   O   CARÁTER APERFEiÇOADO PElOS CONFLITOS     QUANDO OS MELHORES ESFORÇOS NÃO FUNCIONAMÉ claro que nenhuma técnica de ...
MANTER PERTO OS INIMIGOS   43assim decidiram ser melhor procurar outra igreja. Agradeci pelosanos de estada conosco e conv...
RESISTiR AO IMPULSO DE REVIDARA     cabara de receber a carta tTIordaz de um casal descontente so-      bre uma questão da...
46   O   CARÁTER APERFEiÇOADO PELOS CONFLITOSdo ministério de jovens era só um de uma série de conflitos comeles. Sua atit...
RESISTIR AO IMPULSO DE REVIDAR   47   -   Você faria mesmo essas coisas com eles?   -   É claro, assim como qualquer um qu...
48   O   CARÁTER APERFEiÇOADO PELOS CONFLITOStraI como é errado criticar alguém quando não se conhece todos osfatos. Duran...
RESISTIR AO IMPULSO DE REVIDAR   49aos outros, porque o amor perdoa muitíssimos pecados". Mas quan-do a ofensa é severa, o...
50   O   CARÁTER APERFEIÇOADO PELOS CONFLITOSque Deus a trouxera a minha menre. À, vezes, aquilo levava algunsdias para se...
RESISTIR AO IMPULSO DE REVIDAR   51negativos ao Senhor permitiu-me pedir a Deus que me perdoassepor meu pecado. Podia, ent...
PREGAR DURANTE CONTROVÉRSIASN     este último verão, minha família participou de uma confe-      rência sobre a família cr...
54   O   CARÁTER APERFEIÇOADO PELOS CONFLITOS    Foi um lembrete poderoso do desafio peculiar enfrentado pelospastores ao ...
PREGAR DURANTE CONTROVÉRSIAS   S5      reição, tiveram de volta os seus mortos. Uns foram torturados e      recusaram ser ...
56   O   CARÁTER APERFEIÇOADO PELOS CONFLITOS         o meu Deus suprirá todas as necessidades de vocês, de acordo        ...
PREGAR DURANTE CONTROVERS1AS   57não tenha acontecido, Deus usou a proclamação de Paulo para con-vencer Agripa da inocênci...
58   O   CARÁTER APERFEiÇOADO PELOS CONFLITOSIDa e não nas pessoas discordantes com o que acontecia. Para isso,usei a mens...
PREGAR DURANTE CONTROVERSIAS   59ja. A maior parte da conversa à toa centralizava-se nas diferenças deopinião sobre nosso ...
60   O   CARATE.R APERFEiÇOADO PELOS CONFLITOSpara uma congregação sem antes aplicá-las a si mesmos. PhillipBrooks, o gran...
PREGAR DURANTE CONTROVERSIAS   61pregação. Contou: "Quando descarrego minha frustração durantea semana na minha almofada, ...
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  1. 1. Da mesma orma Que o mll1Jster o proporoona m tas a egnas, porvezes lançao pas or ao redemOInho dos con h os. t Impera IVO que os ,deres estejampreparados para que esse prob ema ão co um não hes roube O gor een raq eça se mlOlS éno(O venCido e que há hções na VIda Que só podem ser aprendidas em e oaos prob emas, Ga Pres on au Ilta companheiros de mlOlSteno a resga ar apaIX~O em seus cha ados, ainda q e murtos sonhos e IdeaIS estejamadormeCIdos em d~orrenCla das lu as co dianaso carater aperfeiçoado pelos confllros aJudara pastores Que se encontram em erra seca e é1 da a deseobor agua resca na fenda de uma rocha Sob amlse cordlosa mão d na, estarão ap os a preservar tem o a luz de De squanto o chamado de e em suas dasGARY PRf I é pastor da Igreja Batista Be ãOla em Boulder, Colorado,onde v e com a mulher, 5uzanne, e os dOIS filhos, Nate e TIm. Ele escreve paraa revista Leadershíp [Liderança] e para o Disopleship JoumaJ.DAV ID ETZ. orgamzador da coleção A Alma do Pastor. é editor darevista Leadership. a mais respeitada publicação americana direcionada apastores e lideres GAR TON
  2. 2. Vida Editora do grupo Dirqão executiva ETil. hl(iI"J" Zl)t"lILR·: I LIRPERC()] I li"S Supervisão de produçjo • S.-:ll[{.-LnTT Editor,l filiada a Cerênci;l financeiraC-l.~k" RHAS11,rTRA [)() Llk() A,SOClAÇAO BRASIIYIIU Gerencid de cOlllunicaçJo c marktting llE EUITORES CR1ST",US S(R ~l() PAV.-HlNI ASSUCIA(An NAClCI".[ 111 LIRARI.-V; C.::rência editorial .!()( :I..v,~,() N . CIUr-:Al 1Ir LIVRA.R1AS FVA-;(;II IC, Coordenação editorial Obras de interesse geral VrRA VIl.l--j( Obras para igreja c úmília AlJlo 1111;1.; Obra.. leológicas c de referênód AIII() 1l-"I-I.LS Obras em língua portUgU<::S:l SilVEI JUSII~() Ohras infantis e juvenis R.n"""A BR-:"nAu Bíblias ROSA FrRRul}
  3. 3. o IZ (; A .J [ 7 / D O R DAVID c.;OfTZ TKADUÇÀU MARCELLO TOLENTINOGARY PRESTON =I Vida
  4. 4. C:01ec,J.o A Alma do f:lstor •() poder de mnl1l .fila igrcjtlPI1:i!oreando com JtrmezfI e tlctcrminil(tlO ~:;1()()9, de C,ny D, PrmOll Aptlixonado Pc/li pregll(iio lítulo do origin:J.1 C(,I/rtl,-ur fhrger//nilf! um/lid, d,1 ~éric The Pastors Sou!, Ouvindo fi IJOZ de /JellJ publicada pelaLidaando com inltxrir/(uie f)FI 11.·<Y If( H,,I, PUH.ISlllR (IvliIlneapoli~, Minnesot:l, l:u) • 7(Jdo. 0< dirá/os cm /íngllil/,lIr/lIgllc-iI InllT"dos pOI EDITORA VIDA Rua lúliq de C:astilho~, 280 ~ Beic·lllinho UI03059-000 SO Paulo, 1 Te/.: O xx 11 (-j(í18 7000 Fax: O xx 11 (í(-j18 7050 www.ediloravida.colll.br • Pl( llHIlH ,-. InIllll[1lAI1]( li, Ql Ih()lll( IJ,]( )" ",1) I:,t 811[, u[.(.:m,s, CU~t [:<111( :,(,,1) 11 H 1:<11 . rodas as citaçfJes bíblicas foram extraídas d,1 "VOl-rI tásâo Illtem,lcioua! (1"1), i:,2001, pllblic~d;l por Editora ida, salvo indicação em col1ldrio. Dados lnlnnacionais de Catalogação na Publi~açã{) ((:111 (Câmara Brl.ilcira do Livro, 1, Brasil) Pro,,,,n. ( C I) I l, ]r,,,,nn [1a.-i,(;,>cU; Lei",,,, 21104. _ :( :"",-l(l , 1, Admil;,,- ,It1i"" ,, (I",,, _ ~Iini"l-ril ," (:1":,,, - I,ci< Clero - Vou,,,,, ~ /1. - (:"n",m:"i.,, (, ",.I",;() de f"obkllL.L I. ,; David, 11, Tí1Ld" 111 Índice para ~atálogo sistem,itiw
  5. 5. AGRADECIMENTOSM inha. mulher come.lltüu certa vez que embora tivesse me es- colhIdo como mando, certamente não escolhera nossa voca-ção corno pastor e mulher de pastor. Ela disse: "A vocação veiocomo brinde no pacore do casamemo". Com o passar dos anos aprendemos que, muitas vezes, há umpreço alto a ser pago no nlinisrério pastoral. A rnaior parte destelivro narra a nossa história. Sem dúvida, há recompensas significa-tivas c grandes alegrias no ministério. No entanto, se o crescentenúmero de pastores que deixam o 111inistério eclesiâstico pode sertomado como referência, parece que o preço a ser pago é mais altoque a intensidade da alegria. Escrever este livro tCIn sido a minha tentativa de ajudar os C0111-panhciros pastores a resgatar a paixão por seu chamado, que podeter esfriado por causa das batalhas e feridas do ministério pastoral.As palavras destas páginas foram moldadas na fundição da minhavida. Assim como a maioria dos meus colegas, algumas vezes quistrocar o pastorado por algo difereme. No entanto, Deus não rne permitiu fazer isso. Em tl10111cntoscruciais USOll all1igos maravilhosos c companheiros pastores pararenovar meu chamado e restaurar nlinha visão do ministério. Mi-nha mulher e cu somos profundamente agradecidos a Bob e SandySeweH por seu amor e compreensão ao nos mostrar como é a vida dooutro lado do púlpito. A família Sewell é co-fundadora do SonscapeMinistries, ministério de renovação, no sudoeste do Colorado, para
  6. 6. B o CARÁTER APERFEiÇOADO PELOS CONFLlTOSministros. Se não fosse pela família Sewell, ao menos do ponto devista humanO provaveltnenre eu estaria exercendo outra proflssão lem vez de ser pastor. Também quero agradecer a Dave Goetz da revista Leadership[Liderança] e da corporação Christianity Today [Cristianismo Hoje],por sua amizade e sábios conselhos ao longo dos anos. Dave meconvenceu sobre a possibilidade do surgimento de um livro comalgumas de nossas experiências com partilhadas no trabalho daigreja. Seu encorajamento, além da orientação técnica, ajudou aescrevê-Ias. Acima de tudo, agradeço a Deus pela companheira certa quenle deu há vinte anos. Dedico este livro a rninha amorosa esposaSuzanne. Ela escolheu viver o resto de sua vida comigo e recebeujunto com isso o papel de mulher de pastor! Sem seu amor, conse-lhos e amizade nunca teria chegado rão longe.
  7. 7. SUMÁRIOlntroduçao 11 I. Expulso 15 2. Jogar machucado 27 3. Manter perfo os inimigos 37 4. Resistir ao impulso de revidar 45 5. Pregar durante controvérsias 53 6. Necessidades bmiliares 65 7. MalHcr o equilíbrio 73 8. Anjos na turbulência 81 9. O momento de retfoceder 911(). Livre da dor 101
  8. 8. INTRODUÇÃOA lguns podem alegar que escrever um livro sobre o conAiro no 111inistério é COl110 uma rllulher divorciada convidar seuex-marido para o jantar. Provavehncnte não haveria muita paz, nemuma atmosfera saudável, durante a noite. Haveria um grande po-tencial para que antigas hrigas fossem rctOlnadas, rnemórias dolo-rosas descobertas c uma penosa dor na altna se intensificaria. Ctlráter ilpelftiçotldo pelos cor~flíto5 não diz respeito a vencer bata-lhas ou reiterar erros que sofri nas rnãos de membros de igrejas. Seassim 6)sse, não seria um exercício útil. De fato, se esse fosse meupropósito, seria evidência muito boa de que o conflito na igrejahavia ganhado vantagem enl minha alma. Iodo pastor cxperinlenta conHitos no ministério, e alguns 111Uitoseveros. Creio que precisamos lidar com o conflito de maneira queDeus possa trazer à nossa vida algo bom tirado de algo mau. Tiago,innão de Jesus, estendeu-nos esta esperança quando escreveu: Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provaçocs, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ar.;ão completa, a fIm de que vocês sejam maduros e íntegros, sem lhes bltar coisa alguma (Tg 1.2-4). Muitos anos atrás, ouvi LIma afirmação de um pastor experiente:"Na igreja de Jesus Cristo hoje, freqüentemente o conflito é a nor-ma, enquanto a paz entre os irmãos é exceção".
  9. 9. 12 O CARÁTER APERFEiÇOADO PELOS CONFLITOS A princípio entendi a frase COlllO um exagero ministerial. Po-rém, mais tarde, reconsiderei minha conclusão. O conflito na igre-ja não é onipresente ou a única condição das congregações em queservimos, mas é inevitável e provavelmente mais conlUlll do quegosraríamos de admirir. Isso me confunde, especialmente quando abro os evangelhos.No discurso do cenáculo, Jesus disse a seus discípulos: "A minhapaz lhes deixou". Disse que a arena de conflito deles seria o mundo.O apóstolo Paulo escreveu que a paz é a marca distintiva do Reinode Deus (Rm 14.17). De acordo com Gálatas 5.22, a paz tambémresulra da ação do Espírito Santo em nossa vida. A grande herançados que possuem a jusriça de Cristo é a paz (Rm 5.1). Por que, então, há tanto conflito na igreja? Quando nossos dois filhos eram mais novos, passaram por umperíodo de brigas. Eles têm dois anos de diferença. Pareciam pensarque Deus havia lhes dado um sparring para toda a vida. Um dia osseparei e perguntei: - Por que vocês estão brigando tanto hoje? O mais velho respondeu: - Brigar significa que amamos um ao outro. - Como assinl? - perguntei. - Porque brigar é divertido! - disse sorrindo. Às vezes penso que as pessoas eln nossas igrejas acreditam nissotalnbénl. Não que call1inhern nessa direção intencional ou consci-entemente. Há irmãos virtuosos que regularmente fazem nlais nlaIdo que bem, e ainda estão convencidos de sua defesa da verdade ouda realização do que Deus pede. Dificilmente afastam-se de umbom conflito. Em vez de se tornarem o sal que tempera o ministé-rio da igreja, esses pilares de piedade podem ser lágrimas amargasque secam nossa alma e nos deixam a ponto de abandonar nossochamado. Por isso estou escrevendo este livro. Creio que nós pastores pre-cisamos ser melhores ao lidar com o conflito na igreja, de maneiraa preservar a luz de Deus em nossa alma e o chamado de Deus em
  10. 10. INTRODUÇAO 13nossa vida. Minha oração em defesa deste livro é que, de algumalnancira, quando o n1inisrro estiver na terra seca e árida do conflito,possa encontrar uma fenda na rocha onde Deus nos auxilie porlneio de seu profundo amor e nos proteja com sua lnáo. Son1entequando isto acontecer podercn10s continuar a experimentar sua graçaem nossa alma e ministrá-la em meio aos conflitos na igreja.
  11. 11. EXPULSO oQ uando bati à porta sólida de carvalho do casal, uma mulher respondeu. Seu marido estava ao telefone. Seus olhos avermelhados indicavam imediatamente que aquelapoderia não ser UnlJ visita pastoral rotineira de un13 hora comoplanejara. Rick c Becky eram novos na igreja, e queria conhecê-losmelhor. "Quase cancdalnos sua vinda aqui esta noite", ela dissesem pensar. Rick e eu perdemos nossos empregos nesta Inanhã.Nosso chefe nos procurou às nove horas e informou que, devido àreorganização da companhia "para o benl de todos os interessados",nós estávamos dispensados a partir de hoje. O choque, disse ela, só foi ultrapassado pela falta de compaixãoda companhia - investiram quinze anos de sua vida nela. E sempensar ctn ninguém em particular, Becky perguntou com desespe-ro: "Como podem crer que esta reorganização fosse o melhor pararodos os envolvidos Quem eles pensam que são?". "Muito rultn que as corporações não lidem con1 demissões deulTla Inaneira I1lais cristã" - pensei. Fiquei ali várias horas, IDas antes de sair sugeri não tomaremqualquer decisão radical c, então, ajoelhei-me ao lado deles, termi-nando com urna oração que iria me incomodar algunlas sclnanasmais tarde. Orei assim: "Senhor, ajude Rick e Becky a permanecerem abertosa ti durante este momento difícil. Dê-lhes paciência para esperarem
  12. 12. 16 O CARÁTER APERFEiÇOADO PELOS CONFLITOSem ti. Talvez esta seja a época quando tu os conduzirás a uma novae radical direção". Após a oração, senti que nosso momento juntos lhes dera espe-rança. Quando ia saindo nos abraçamos, e eles disseram: "Deussabia que não poderíamos ter cancelado este encontro com vocêesta noite. Obrigado por seu encorajamento". Era quase meia-noite. Ao dirigir para casa pela rodovia sinuosa eiluminada pela lua, em silêncio agradeci ao Senhor pela visita pro-videncial. Deus seria fiel durante aquela hora de agitação, acrediravanisso firmemente, e poderia ser um momento de significante cres-cimento para eles. Tenho de admitir, entretanto, que minha mente também cogi-tou outro pensalnento enquanto dirigia. "Que bom que as chances disso acontecer comigo sejam remo-tas", pensei. "É claro que muitos riscos acolllpanham o chamadodo pastor, mas ser mandado embora de surpresa não é um deles." Senti-me confortado - ao menos estava livre dessa preocupação. Seis semanas mais tarde, às 22h 15, nosso telefone tocou. Aten-di, reconhecendo a voz do presidente do conselho. Esrava esperando a ligação. O conselho estava reunido naquelanoite e haviam me prOlnetido informações após a reunião. Fiz UIllaproposta aos líderes sobre como responder a alguns dos assuntostransitórios enfrentados pela igreja. Informei-lhes achar melhorrenunciar à congregação dentro de seis meses, de maneira que outropastor pudesse trazer um novo começo para a igreja. Confirmandominha decisão a um ministério debilitado por brigas, esperava usara transição para levar a cura tão necessária à congregação. - O conselho pediu que ligasse para você esta noite - o presi-dente começou - porque sou um grande amigo seu e minha es-posa é sua assistente na igreja. Quase sem respirar, continuou - o conselho pediu para in-formar-lhe sobre a votação do término do seu período comonosso pastor. Decidimos efetivar sua demissão planejada imedia-tamente.
  13. 13. EXPULSO 17 - Quer dizer que o conselho está me mandando embota? -fàlei hesitante. - É claro que não - corrigiu. Estamos somente efetuando suademissão esta noite em vez de após seis meses. - E como fica o voto dos dois membros ausentes) - repliquei. Ele não foi dissuadido; minha demissão eta definitiva e imediata.Na verdade, ele talllbém não queria prolongar essa dolorosa con-versa. Concluiu da seguinte forma: - O conselho acredita que esta é a decisão cerra e será a melhorcoisa para todos os envolvidos. Ocorreu a lllim ter ouvido palavras semelhantes algu111as sema-nas atrás. Quando desliguei o telefone, t11inha esposa sentoU-se ao nlCUlado na cama. MeSIllO tendo ouvido somente parte da conversanão lhe custou imaginar o acontecido. Com nossos braços entrela-çados, ficamos em proflJndo silêncio. -Acho que nosso trabalho acahou por aqui - finalmente falei. Com desespero na voz e lágrimas nos olhos, ela replicou: - Como podem fàzer isso? O que vamos fazer DEPRESSÃO, DO TIPO "MO-L-IA")"Descobrira em primeira mão que desemprego também atinge pas-cores. No entanto, não se tratava de uma reestruturação corporativa.Fui sumariamente despedido. Na primeira senlarn senti-me vencido por uma depressão debaixa intensidade, um sentimento de inlpotência. Por uma peque-na provocação, ou por ncnhullla, gritava com rneus filhos ou ex-plodia com minha esposa. Alguns dias sentava-me paralisado napoltrona da sala, quase incapaz de responder ao telefone. O apoiodos anligos parecia vazio. "É fácil para você Etlar sobre a fidelidade de Deus, quando temseu emprego" - pensava. Vários dias se passaram antes de fazer algo além de ficar olhandopara a floresta de pinheiros, da janela de nossa sala. Minha esposa
  14. 14. 18 O CARÁTER APERFEiÇOADO PELOS CONFLiTOSfinalmente persuadiu-me a sair da "poltrona da MO-I.-ZA", com oseguinte convite: "Você iria comigo a urna caminhada no par-que?" - então, comecei a recon1por-me. Não queria deixar asegurança de minha poltrona, mas sua paciência com a minhairrirabilidade fez-me sentir em débito com ela. Com relutânciacedi. Andando por trilhas naquela tarde, comecei a sentir-mecom esperanças pela primeira vez desde o recebimento do telefo-nema. Olhando para trás, tenho certeza de que navegar nas :íguas tur-bulentas do desemprego seria mais fácil se eu conhecesse algumaexperiência anterior de desemprego como pastor. Mas nunca leraqualquer coisa sobre o assunto. Precisava de ajuda para minhas in-finitas perguntas diárias: "Como explicar para família, amigos ecolegas o acontecido? Como sobreviveríamos financeiramente atéachar outro emprego. E, é claro, a pergunta fundamental: "O que Deus estaria tentan-do me ensinar com essa terrível experiência?". Quanto à primeira questão, sobre o que dizer à família e aosamigos, decidimos ser abertos, dizer às pessoas que não estávamosmais naquela igreja, ern vez de deixar as notícias correrern. Entãotelefonamos para nossos familiares e amigos íntimos repetindo osfatos sobre a quebra dos laços pastorais com a igreja. Não toi fácil.O maior desafio foi ficar preso somente aos fatos. Rapidamentedescobrimos a ajuda provida por conversas breves. Quanro maisfalávarnos, lnais propensão tínhamos para criticar os rnernbros doconselho ou extravasar sentimentos contraditórios. Quando os vizinhos perceberam minha presença em casa todosdias, informei-os com uma resposta adequada: "A igreja e eu deciodimos juntos que seria melhor se eu me aposentasse rnais cedo".Acei taram e raramente perguntaram detalhes. A igteja prometeu um pacote de desligamento que nos ajuda.ria financeiramente nas primeiras semanas. Infelizlnentc, por cau-sa da queda na arrecadação e no declínio da freqüência, ela nãopôde cumprir sua promessa. Descobri isso quando nosso últi-
  15. 15. EXPULSO 19mo cheque-desemprego veio somenre com merade da quanriacostun1eira. Não havia nenhu111a nota de observação acompa-nhando o cheque ou uma ligação relefônica de aviso, somenre amerade do valor do cheque. Mais uma vez senri-me irado e de-sapontado. Para suprir o que faltava financeitamente, tessuscitei minhas ha-bilidades de carpinreiro e tornei-me um reparador. Suzanne tam-bém pôde acumular um dia a mais por sen1ana no escritório ondetrabalhava meio período. O restanre foi providenciado por Deuspor meio de doaçôes especiais de amigos da igreja e da comunida-de. 1ambém tivemos ajuda de um ministério do sudoeste doColorado, chamado Somcape, devotado a auxiliar ministros desilu-didos com o ministério e suas esposas. Uma semana naquele lugarnos fez começar a restaurar nossa caminhada com Deus, renovandonosso desejo de servir. Ao andar pelo vale do desemprego, comecei a aprender váriaslições importanres. SR. MAMÃEQuando perdi o trabalho no ministério não tive de lidar somenrecom a perda da autoconfiança e estabilidade financeira, mas tam-bém com as perdas experimenradas pelos meus filbos, que estavamna escola primária na época. Não conseguiam entender por quenão podiam ir mais àquela igreja e por que o papai não pregavaIl1ais aos domingos. Durante as priIneiras seis semanas após a nlinha demissão,Suzanne e eu fomos incapazes de ir a outra igreja. Primeiramente,nossos dois garotos fIcaram entusiasmados corn o pensamento defaltar à igreja. "Vamos faltar à igreja amanhã de novo, papai" tornou-se umarotinei ra pergunta de s<lbado;l noite. De algwua forma, sentiam-sef~lzendo uma travessura, C01110 se estivessem escapando impunes dealgo.
  16. 16. 20 O CARÁTER APERFEIÇOADO PELOS CONflITOS Tentamos explicar. "Para nós, ir a igreja é um pouco diferentedo conceito das pessoas freqüentadoras de nossa igreja" - disse-lhes. "Não somente ffeqüentávamos a igreja, mas lá também eraonde eu trabalbava. E como não estou mais trabalhando lá, não ébom freqüentarmos aquela igreja." Não entenderam totalmente a relação entre as coisas. Mais tardeperguntaram: "Por que não podemos cantar no coral das crianças,que dará um concerto na pritnavera?", e "Por que não vanl0S aoacampamento das famílias neste verão?". Ainda que nossos garotos não pudessem compreender comple-tamente o significado de rninha demissão, acreditávamos ser itn-portante mantê-los informados. Nossa comunicação aberta pareciaacalmar a agitação causada pela perda de meu emprego. Também descobrimos um livro que apresenta perguntas básicasque pais desempregados podem não imaginar que seus filhos pos-sam fazer. When a parem loses a job [Quando um dos pais perde oemprego], publicado pelo National Childhood GriefInstitute [Ins-tituto Nacional da Infância em Sofrimento], na cidadc de Edina,no Estado de Minnesota, ajudou nossos filhos a enfrentar a gamade emoções associadas a minha perda de emprego. F. comum aperda de emprego desencadear problemas familiares e até levar aodivórcio. Mas não precisa ser assiln. Pode ser o momento para afamília ficar junta e para as crianças ajudarem os pais a aceitar umpouco do sofrimento ao compartilh,-lo. A imaginação das criançasvai longe. As crianças podem acreditar que coisas piores vão aconte-cer e imaginar-se culpadas pelos problemas. Ao observar seus pais, as crianças podem aprender liçôes impor-tantes sobre conlO Inanter a esperança e a fé. Antes de ir para acama, por exemplo, nossos garotos regularmente oravam pedindopela ajuda divina nesta situação diHcil. Certa noite, nosso filho maisnovo pediu o seguinte: "Deus, ajude o papai a encontrar outra igre-ja onde possa ser pastor e ajude-o a não atropelar (com o carro) os membros do conselho". Os garotos tinham noção das minhas ne-cessidades, e senso de humor.
  17. 17. ExPULSO 21 Adolescentes, particularmente, podem fazer parte de muitasdiscussões de família sobre a perda de um emprego. É claro, a dis-crição deve ser usada, sem detalhamento quando as crianças estão lpresentes. Com oossos filhos pré-adolescentes, por exemplo, mi-nha Inulher e eu nunca usamos nomes de mernbros do conselho.Embora os garotos flcassem curiosos, achávamos desnecessário oconhecimento de quais pais de seus amigos decidiram demitir-me. Os garotos sofreram durante o tempo de adaptação à nova situ-ação financeira. "Papai agora valnos ser pobres?" tornou-se uma lpergunta freqüente. Assegurei-lhes que Deus proveria nossas neces-sidades. Decidimos compartilhar com eles as várias maneiras provi-denciadas por Deus para suprir os recursos financeiros. Quandorecebíamos um bom cheque de um vizinho cristão pelo correio,imediatamente mostdvamos aos garotos a carta e o cheque. O fato de estarmos com o orçamento apertado também ajuda-va nossa família a discernir rl1ais cuidadosanlente entre necessidadese vontades. Todos reconhecemos a urgência do replanejamento dasférias de verão. Perguntamos aos garotos: - Embora não tenhatnos grandes férias neste verão vocês ain- lda imaginam ter o que precisam - Bem, sim. - responderam - Mas não vemos a hora devocê conseguir um enlprego para poder comprar um brinquedonovo. Em vez de deixá-los fora do acampamento da igreja, de que tantogostavam, engolimos nosso orgulho e pedimos ajuda financeira. Meu desemprego foi uma ótima oportunidade para eu passarmuito tempo com meus filhos. Aprendi a arte de dar e pegar carona.Levar meus filhos até o ônibus escolar tornou-se o ritual nlatinal. Uni-me a várias mães da escola de nosso filho mais novo para levaros garotos em uma excursão chamada "um dia em Denver". Nossofilho era o mais orgulhoso da classe naquele dia, o único que teve o pai junto. Minha mulher também me via mais. Coisas sobre as quais haví-amos somente conversado antes agora fazíaInos: andar de bicicle- l
  18. 18. 22 O CARATER APERFEiÇOADO PELOS CONFLITOSta, jogar tênis, carninhar, aln10çar juntos. Essas atividades nos apro-ximaram muito naquele momento difícil. Sem o apoio de Suzanne,meu desemprego teria sido negativo em vez de positivo para osrelacionamentos de nossa família. Embora nosso dinheiro estivessecurto, tínhamos tempo de sobra, e decidimos gastá-lo livrementeum com o OUtro. felizmente tínhamos casa própria e não sentimospressão imediata para mudarmos. Pastores que vivem na casa pas-toral devem lidar com situações muito mais complexas, tais con10encontrar um local para mudar de imediato e deslocar a famíliapara outro lugar. Não precisamos privar nossos filhos da escola edos amigos. NÃo TÃO PESSOALo fato de ter sido despedido fez-me sentir um fiacasso total. Mi-nha tendência era aceitar toda a culpa ou jogá-la sobre o conselho.Nenhuma das posturas ajudava. Tive de reconhecer a necessidadedos dois para que haja uma briga c para que cada um tome o seucaminho. Comecei a enumerar mentalmente algumas das lições dessa pro-vação, tentando analisar o que poderia ter feito de forma diferenteou melhor. Este processo ajudou. Reconheci minha culpa parcialem relação ao fracasso, e isto era tudo o que Deus estava pedindopara eu aceitar. Reconheci que outros também tioham parte da culpa. Registreiacusações iracundas em meu diário naqueles primeiros dias após ademissão: "Como aquele conselho pôde ser tão cego e dono daverdade?". Mas ao passo que a tinta fluía da caneta para o papel, umpouco da ira da minha alma saía também. Reconheci a necessidadede ter me comunicado mais ahertamente com o conselho sohre osproblemas profundos da igreja. Também deveria ter visto o conse-lho, os assistentes e a mim mesmo como companheiros de equipe,em vez de oponentes. Ninguém jamais leu as palavras escritas por mitn, mas ao revê-las agora, reconheço corno o rneu diário tornou-se meu terapeuta.
  19. 19. EXPULSO 23Escrever no diário pernlitiu-nlC expressar pensanlentos e sentinlen-tos injustos. Ao fazê-lo, questões como responsabilidade pessoal,perdão, aceitação e confiança vieram à tona. A perda de meu emprego demonstrou de maneira dura a inca-pacidade de controlar a minha vida - mas precisava administrar oque podia. Por causa das exigências do ministério, tinha negligenci-ado atividades apreciadas. O tempo de desemprego pode ser uma oportunidade para aalimentação e o exercício adequados. Aperfeiçoar habilidades ador-mecidas, cultivar um hobby e divertir-se não são coisas pecamino-sas. Antes de nosso cheque-desemprego acabar, dei andamento avários projetos encostados de marcenaria. Construí um novo ba-lanço para a varanda e uma mesa de piqueniques. Nossa garagemnunca ficou tão organizada e a lista da lllinha mulher de coisaspara consertar finalmente foi concluída. Investi mais tempo com minha família e com Deus. Após aque-la terrível ligação telefônica, um dos primeiros amigos com quemainlocei desafiou-me a me aproximar do Senhor mais do que nun-ca. "Só porque você se sente excluído da igreja neste momento, nãosignifica que o Senhor não queira a sua amizade" - disse. foi um bom conselho. Usava a primeira hora do dia, após osgarotos saírem para a escola, com o Senhor, e de fato isso mos-trou-se uma bênção. Em vez dos dez ou quinze minutos rápidosde devoção selnpre feitos enllneu escritório, podia agora pergun-tar coisas ao Senhor e ouvir respostas; lia capítulos em vez deversículos e descobri a alegria de usar um hinário para ter comu-nhão com Deus. Foco NA FAMíLIAMinha esposa observou que quando cu, como pastor, perdi meuemprego, perdemos mais do que um salário. Perdemos tambémnossa família da igreja, a mesma comunidade de outras pessoas de-sempregadas que ainda podem se aproxilnar dda para encontrarconforto, cOlnpreensao e encorajamento.
  20. 20. 24 O CARÁTER APERFEIÇOADO PELOS CONFLITOS freqüentar uma igreja era algo que precisávamos resolver. Du-rante as seis primeiras semanas após a minha demissão, não tive-rnos o desejo de colocar os pés en1 uma igreja. Aceitamos nossossentimentos c nos permitimos aproveitar o domingo assim COll10nossos vizinhos não-freqüentadores da igreja. A única diferença erao 1l1on1ento de culto crn família, nos sábados à noite ou nos do-mingos pela manhã, após o cafe. Então, usávamos o domingo comodia de descanso familiar. Quando finalrnente nos sentitnos confortáveis para ir a un1 cul-to público, procuramos uma das maiores igrejas da região, ondepudessemos ficar no anonimato. Foi uma boa ideia. Tanto Suzannequanto eu sofremos nos primeiros cultos. Tenho certeza de que aspessoas sentadas ao nosso redor perguntavam-se qual seria nossoproblema, mas ao menos pernlitiam nossa reserva. J-<inaln1ente estávamos prontos para estabelecer alguns relacio-namentos pessoais nas nossas experiências de culto público. Foiquando começamos a freqüentar uma grande igreja onde conhe-cíamos algumas pessoas. Ficamos ali agradecidos por encontrarliberdade e recobrar nossas forças sem qualquer pressão de envol-vifnento. Para completar nossa freqüência esporádica à igreja precisamosdo apoio de an1igos cristãos. Eu e Suzanne f011105 convidados aparticipar de dois grupos pequenos. Embora tivéssemos recusado aparticipação selnanal nos encontros, ocasionallnente nos reunÍan10scom eles e era algo encorajador. Sabíamos de suas orações por nóse, quando Ían10S às reuniües, nos sentíalnos aceitos e incondicio-nalmente amados. Embora a última coisa que tivesse vontade de fazer fosse falarsobre como fui despedido, esta não era hora de ficar isolado. Des-cobrimos haver pessoas em nossa antiga igreja que nos amavam eestavall1 chateadas com a tninha demissão. Queriam nos dar apoio,mas precisavam de nossa permissão para fazê-lo. Iniciamos contatocom eles e aceitamos a aproximação.
  21. 21. ExPULSO 25 Na igreja que servi, outros dois homens haviam perdido seusempregos recenremente. Encontrava-me com eles regularmente paraapoio n1útuo e encorajamento. Quando un1 deles conseguiu Ulnemprego, seu sucesso aumentou nossa confiança de tambéln ver-mos Deus agir. Dutante as semanas finais de batalha em nossa igteja, decidi dei-xar o lninistério pastoral após lninha demissão. Concluí: "Nenhumemprego vale isto". Minha mulher descreveu melhor o meu sentin1ento: "É colnose nossa vida tivesse sido arruinada". Era con10 se alguém tivesseinvadido nossa vida, roubado nossos bens mais preciosos e avaria-do o que nos era mais caro. Nossa confiança nos cristãos evaporo ll-se, assim como nosso a1l10r para dar e servir. A idéia de considerarourra igreja era impossível; simplesmente não tínhamos mais nadapara oferecer. Semanas após 1l1inha delnissáo, no entanto, o Senhor me fezrepensar sobre aquela conclusão. A primeira pessoa usada para issofoi un1 professor do senlinário que encontrei. Mencionou ter ouvi-do a notícia de minha demissáo. Após me consolar por alguns Ini-nutos. disse: - Espero que não deixe o pastorado; a igreja precisa de pastorescomo você. - Talvez você não entenda o que passan10S; todas as pressões eexigências do ministério da igreja - repliquei. É bem diferente deensinar em um seminário, onde todos manifestam uma significantematuridade espiritual. - Nenhum serviço ou ministério vale a perturbação e a dor decaheça que experin1entei no ano passado - continuei. Deve haveroutro modo aceitável para servir ao Senhor sem ser pastor eIl1 mnaigreja local. Repetidas vezes, no entanto, a mensagem do professor era reite-rada com palavras diferentes de conhecidos meus que observarammeu lninistério durante anos. Conversar COIl1 quen1 tinha fàmilia-ridade com meu ministério fez-me reconsiderar o meu chamado.
  22. 22. 26 O CARÁTER APERFEiÇOADO PELOS CONFLITOSTinha de vencer o meu medo de pedir avaliações transparentes demeus dons, habilidades, da minha efIcácia e do meu chamado. Personalidade, temperamento e teste vocacional também eramde muita ajuda. Eu e minha mulhet tecebemos essa ajuda no retirono sudoeste do Colorado. Uma pergunta inquiridora de um amigo também ajudou a mi-nha reavaliação: "Se Deus lhe desse qualquer habilidade desejada eo abençoasse com sucesso, o que você faria para ganhar a vida?". Cada vez que tespondia aquela questão, set pastor estava emprimeiro lugar na minha lista. Quanto mais o tempo passava, maisacreditava na vocação divina para servir C0l110 pastor. Seis mesesapós minha demissão, tornei-me pastor-auxiliar da igreja que fre-qüentával110S. Quando saí da residência daquele casal que perdera seu empre-go, o conselho oferecido naquela noite era acadêtnico c não experi-mentado. Mas isso não acontecia mais. Minha vida mudou parasempre. O desemprego, descobri, pode ser redimido por Deus, aofazer alguém concentrar-se no clel11cnto mais precioso de nossorelacionamento: a fidelidade divina. O conflito na igreja, conclUÍ, pode ser a ferramenta mais eficazpara Deus moldar nosso caeiter. Essa é a tese deste livro. Tanto noexell1plo específico de minha dcnússão quanto no conflito diáriodo ministério pastoral, descobri a operação de mudanças em mim.Não teria escolhido este caminho, mas a frustração, a dor e a soli-dão do conflito foram usadas por Deus para desenvolver a minhaalma.
  23. 23. JOGAR MACHUCADOR ecentcrnente li sobre um jogador profissional de hóquei. Ele é uma das estrelas do time da Liga Nacional de Hóquei, na re-gião onde moro. A medida do valor daquele homem como joga-dor de hóquei não se devia ao seu salário, ao núrnero de pontosmarcados, ou ao tempo CIn campo. Antes, o jornalista desportivolocal destacou-o por sua capacidade de "jogar mesmo machucado". Analise os sintomas deste atleta depois de receber uma pancadano primeiro tempo de jogo, em uma recente partida de hóquei:não podia respirar profundamente, teve machucados sérios no troncoe seu ombro e costelas doÍaln C01110 se tivessem passado por umrnoedor de carne. A descrição dos seus ferimentos me assustou:"Não podia respirar. Tive a sorte de minha cabeça não parar nochão. Poderia esrar quase mono". Não poderia mais jogar aquela partida. Agora, considere o prognóstico para esse atleta: esperava-se seuretorno àquela posição após a ausência em um OlI dois jogos, nomáximo. Para os atletas, jogar machucado é questão de honta, re-flexo da medida de suas intenções. O time precisa deles. Eles de-vern competir no evento. A rnissão deve ser cumprida. Isso tanlbém é verdadeiro no ministério. Às vezes, precisan10sjogar mesmo machucados. Aliás, freqüentemente jogamos machu-cados. É como considero, em alguns dias, o trabalho pastoral. Osconflitos na igreja deixam cicatrizes; algumas delas nunca saram
  24. 24. 28 O CARÁTER APERFEiÇOADO PELOS CONFLITOSplenamente. Urna alma ferida não sara rapidamente, n1as a D1aioriade nós precisa pôr comida na mesa - vamos todos os dias ao tra-balho que nos causa dor. Permanecer no rrabalho pastoral significajogar machucado. freqüentemente sornas chamados a pregar, orar, ensinar, visi-tar, aconselhar, casar e realizar funcrais, estando com o coraçãoferido. Tenho um all1igo com quase oitenta anos, pastor aposentado,ainda forte apesar da idade. Muitas vezes conversamos sobre os la-do., bom e mau do ministério. Uma de suas afirmações permane-ceu comigo: ele me disse após avaliar quantitativan1ente seus anosde lninistério, a parte boa excede a má. E, então, continua: quandofaz a mesma avaliação da perspectiva qualitativa, o bom não est:assim tão longe do 111JU. E 111ais: diz ter perseverado porque seapoiava na esperança expressa pelo apóstolo Paulo, de que à luz daeternidade, "... nossos sofrimentos leves e momentâneos estão pro-duzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todoseles" (lCo 4.17). Em minhas leituras bíblicas, comuna ficar impressionado com aminha vantagem aparentell1ente injusta sobre os santos da Escritura.Quando leio relatos sobre Noé, Abraão, José, Davi, Jó, e muitosoutros, sei o final da história. (~ueln vive as histórias, naturalmente,não teve essa perspectiva. Tinham dúvidas sobre o destino durante ajornada. Não sabiam os desígnios de Deus. Assim vivemos a vida. Também não sabemos os detalhes do fimde nossa história. Somos chamados para viver fielmente sem saherC0l110 nossa história terminará. Aplicado ao ministério, somos cha-mados para jogar machucados, sem saber quando, ou se nos senti-remos melhor. POR QUE É TÃO DURO?Com o passar dos anos orientei vários jovens desejosos de ser pas-tores ou ter outra vocação ministerial. Não é incornum para 111imouvir deles após algum tempo no trabalho ministerial: "Não agüemo
  25. 25. JOGAR MACHUCADO 29mais isto. Por que você não Ine contou que a vida no ministériopoderia ser tão brutal?". Ao ouvir seus questionamentos e incertezas sobre seu chamado,geralmente lhes faço uma pergunta, a qual já me fiz inúmeras vezes: - Você i,i se questionou o porquê de Deus não cuidar melhorde nós no ministério~ Surpresos de lhes fazer tal pergunta, normalmente respondem: - Siln, já fiz tal pergunta, C01110 você sabe? Pensei que nin-guém mais levantasse tal questão! Se estivesse no lugar de Deus, fazendo seu trabalho por algumtempo, iria 111e assegurar de proporcionar um cuidado especial paraos que estão na linha de frente do ministério. Mas Deus parece nãoEtzer isso. Achamos não existir muito favorecirnento para ministrosvocacionados. Às vezes, parece que não va1110S .lupanar a dor. Nem todo pastor que está lendo minhas palavras será capaz dedizer: "Passei pelo conflito e emergi melhorado, e não amargurado,curado por meio da dor". Há vezes em que a palavra curar, desafian-do a definição, parece longe de nós. Algumas vezes petguntei sealgum dia me sentiria completo novamente. Não renho chavõespiedosos. Tenho unl drnigo que orientei durante seus anos de seminário.Permanecemos em contato hei quinze anos, desde sua graduação eseu primeiro pastorado. Muitas vezes, ele comenta sobre sua atualigreja: "Sinto-me travado aqui. Essas pessoas não querem progre-dir; querem só suprir suas necessidades c, depois, exigir mais ainda.Querem tanto, pagam tão pouco e, então, chutam-me quando es-tOU desanimado. Sinto-me usado e abusado por elas, mas Deusnão parece fãzer qualquer coisa sobre isto". Se meu amigo lesse esre livro poderia perguntar: "Mas o quevocê faz com as feridas não curadas? Quando estão cicatrizando,alguém venl e arranca a casquinha". Ouvi meu amigo parafrasear tanto as palavras de Já, que as me-morizei: "Como dois e dois são quatro, assim o pastot tambémestá destinado a ser usado e abusado".
  26. 26. 30 O CARÁTER APERFEiÇOADO PELOS CONFLITOS Pela graça de Deus achei a cura para o conflito na igreja e a espe-rança que o excede. Mas isso aconteceu ao desenvolver uma teolo-gia do conflito na igreja. Não eliminou a dor, mas ajudou-me aseguir adiante quando estava no meio da luta. GRAÇA PLENAo apóstolo Paulo aprendeu que na sua fraqueza a força de Deus eraevidente. Deus não removeu a dificuldade. Ao contrário, Deus ofe-receu a Paulo a garantia de que" Minha graça é suficiente para você,pois o meu poder se aperfeiçoa na traqueza" (2Co 12.9). Nossaesperança não é tanto a remoção da dificuldade, mas a força divinano momento exato de Slla necessidade. Isso não é muito confortopor um lado - quero alívio das críticas constantes - mas, poroutro, a promessa da força de Deus significa tudo. Outro aluno que orientei há alguns anos confidenciou-me te-l11er levantar-se para pregar ern sua igreja por causa da ira e rnágoasentidas. Preocupava-se em dizer algo de que se arrependeria. Paraseu assombro, descobriu que enquanto lutava contra a ira e o res-sentimento, Deus continuava a falar uma mensagem poderosa eclara à congregação a cada domingo. Meu amigo se perguntava comoaquilo acontecia, quando acreditava proferir muitas daquelas men-sagens na fraqueza de sua carne. Descobriu a permanência do poder de Cristo nele, mesmo emsua fraqueza. Não acho que Deus estivesse desculpando o ressenti-rnento do rneu amigo, nem sua incapacidade para perdoar seus ini-migos, ou seja qual fosse sua parte no conflito. Mas a graça de Deusainda operava em sua vida. Assim como meu amigo era fiel à tarefada pregação, Deus era fiel à sua Palavra. Acho mais estimulante ler sobre os infortúnios do apóstoloPaulo do que, talvez, sobre qualquer outra personagem bíblica. Suaspalavras e seu exemplo ajudam-me a seguir em frente. Paulo reco-nheceu o valor da mensagem do Evangelho que lhe fora confiadacomo servo de Jesus Cristo. Reconheceu sua fraqueza c tiagilidadepara a tarefa. Com base neste entendimento, escreveu:
  27. 27. JOGAR MACHUCADO 31 Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus, e não de nós. De todos os lados somos pressionados, mas náo desanima- dos; ficamos perplexos, mas náo desesperados; somos perse- guidos, mas não abandonados; abatidos, mas rúo destruídos. Trazemos sempre em nosso corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus também seja revelada em nosso corpo (2Co 4.7-10). Embora os conflitos rasguem o coração, Deus nos dá seu podetpara fazermos sua obra. Isso nos desnuda do orgulho e da auto-suficiência ~ algul11as vezes sigo adiante em meu serviço C0l110pastor enl fraqueza total, rnovendo-111c unicamente no poder deDeus. Paulo parece indicar que esta é a norrna, e não a exceção: Traí..cmos sempre em nosso corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus também seja revelada em nosso corpo. Pois nós, que estamos vivos, somos sempre emregues à morte por amor a Jesus, para que a sua vida também se manifeste em nosso corpo monal (2Co 4.10-11). Com Cristo nunca estamos desprovidos de esperança, abando-nados à própria força. Deus nunca nos desampata. Nossa fraqueza,nossas feridas e fragilidade são oportunidades de experimentar opoder e a presença de Cristo em nós. ErTI meus primeiros anos de ministério pastoral experimenteitudo isto de uma nlaneira que nunca mais me esqueci. Servia enluma igreja fora do país c fui fustigado por lutas constantes com umjovem casal que me criticava e era contra nossa igreja. Temia até ofàto de vê-los aos domingos pela manhã. Aquilo não parecia nadaetn relação às suas expectativas. Por sugestão de um amigo da igreja, um líder leigo, programeiuma visita a esse casal para Ul11a terça-feira de 111anha. Ao atravessara cidade de bonde até o apartamento deles, a ansiedade me impor-tunava e comecei a me arrepender de ter 111arcado o encontro. Es-
  28. 28. 32 O CARÁTER APERFEiÇOADO PELOS CONfliTOSperando que Deus conflrnlasse meu vacilo e lne perlllitisse voltar,abri minha Bíblia enquanto o bonde ruidosamente se arrastava porruas estreitas em direção a meu temido destino. Duas paradas antes da minha, li o seguinte: Mas agora assim diz o Sr:-:1l0R, aquele que o criou, ó Jacó, aquele que o formou, ó Israel: "Não tema, pois eu o resgatei; eu o chamei pelo nome; você é meu. Quando você atravessar as águas, eu estarei com você; quando você atravessar os rios, eles não o encobrirão. Quando você andar através do fogo, não se queimará; as chamas não o deixarão em brasas. Pois eu sou o SENHOR, o seu Deus, o Santo de Israel, o seu Salvador; dou o Egito como resgate para livrá-lo, a Etiópia e Seb,i em troca de você" (Is 43.1-3). Naquele momento senti a presença de Deus, corno se seu podernão estivesse só dentro de mim, mas ao meu redor. Naquele dia meu relacionamento com aquele casal começou anludar. Durante os quatro meses seguintes experinlentalnos umarenovada aInizade e parceria no ministério. IDENTIDADE SOFREDORALembro-me como se fosse esta manhã a primeira vez que li as pala-vras de Paulo em filipenses 3.10-11: "Quero conhecer Cristo, opoder da sua ressurreição e a participação em seus sofrimentos, tor-nando-me como ele em sua morte para, de alguma forma, alcançara ressurreição dentre os lnortos". Como pôde Paulo honestanlente escrever isso? Estava na f:lCuldade quando senti a alegria de servir a Cristo:certamente não estava interessado em saber muito sobre o sofri-Inento. Duas décadas lllJis tarde eu e minha nlulher participáva-mos de um culto de Sexta-Feira Santa. Eu havia renunciadorecentemente ao pastorado na igreja onde ministrava. Estava forado pastorado. Suzanne e eu ainda estávamos chocados pela dor edesilusão dos últimos dois anos.
  29. 29. JOGAR MACHUCADO 33 Participar do culto naquela Sexta-Feira Santa, me fez começar aentender as palavras, até então, confusas do "PÓS tolo Paulo. Demeu sofrirnento por Cristo veio un1 entendimento mais profundodo sofrimento que cle suportou para obter minha salvação. Nãopude escapar ao pensamenro de que se Jesus havia sofrido tantoassim por mim, não tinha cle o direito de me pedir para participardaquele sofrimento? Cheguei ao entendimento mais profundo do amor de Deus pormim - Onls realizou tudo para trazer-nlc para sua fanlí1ia. Assim,pude suportar momentos de sofrimento, sabendo que isso faz par-te do senhorio de Cristo em minha vida. APRENDENDO A CONFIAR E OBEDECERUma verdade final da Palavra de Deus que me sustcnta em meio aoconflito, em momentos de "jogar machucado" é; até Jesus, o Filhode Deus, "embora sendo Filho, ele aprendeu a obedecer por meiodaquilo que sofreu" (Hb 5.8). Jesus não estava seguindo um rotei-ro. Ele viveu plenamente sua vida, escolhendo a obediência em cadasituação. Os evangelhos registram como algumas dc suas cscolhasresultaram em sofrimento, mesmo para o Filho de Deus. Mas foidaquele sofrimento - aruar machucado - que Jesus aprendeurnais sobre a obediência contínua à vontade de seu Pai. fiquei impressionado com essa verdade na vida de GladysAylward, missionária na China durante e depois da Segunda Guer-ra Mundial. O ministério de Gladys na China foi descrito no filmeThe irm o[the Jixth happiness [A pOUJrlda drl sextrl ftlicidade]. Elasofreu terrivelmente durante sua viagem por entre as montanhas daChina par" levar cem órfãos em segurança até Sian, em Shensi. Ascrianças, entre quatro e quinze anos de idade, foran1 salvas por cau-sa da obediência fiel de Gladys a Deus. Mas não foi sem custo. Quando Gladys chegou em Sian com as crianças, estava grave-mente doente e quase delirante. Sofrera ferimentos internos de uma
  30. 30. 34 O CARÁTER APERFEiÇOADO PELOS CONFLITOSsurra dada por invasores japoneses na propriedade da missao emTsechow. Além do mais, teve febre reincidente, tifo, pneumonia,desnutriçao, choque e fadiga. Apesar de sua provaçao, Gladys aprendeu a escolher Cristo sobrequalquer outra coisa oferecida pela vida - tanto que quando o ho-mem que a amava, coronel Linnan, veio visitá-la em Sian enquantoela se recuperava, e a pediu em casamento, Gladys nao aceitou. Emseu coraçao sabia que nao poderia se casar com ele e continuar a obraque Deus tinha para ela entre as crianças da China. Pela obediência aDeus despediu-se de Linnan na estaçao de trem de Sian e nunca maiseles se viram de novo. Gladys continuou servindo a Deus fielmentena China e na Inglaterra até sua morte em 1970. Por meio de nossos sofrimentos no ministério, Deus quer au-mentar nossa maturidade em Cristo. Hoje sou mais capaz de con-fiar em Deus e obedecer por causa de minhas experiências dolorosas.Críticas duras recebidas no passado ensinaram-me a escutar mais e aresponder de maneira mais suave a meus críticos de hoje. Do sofri-mento aprendi mais sobre obediência. Recentemente um homem de nossa igreja disse em uma reuniãoque eu havia mentido à congregaçao durante um sermao. Houveum tempo em minha vida em que não o deixaria terminar sua fraseantes de questioná-lo e colocá-lo em seu devido lugar. Mas, às ve-zes, há sabedoria em permanecer silencioso diante de nossos acusa-dores. Nunca tive chance de responder às suas acusações. Uma pessoaapós outra levantou-se, confrontou suas declarações errôneas e de-safiou suas acusações ásperas. Sua resposta depois das repreensões,foi: "Acho que fui precipitado em minhas conclusões e áspero emmeus julgamentos". Entao, virando-se para mim, falou: "Sintomuito pelo que disse". Estou aprendendo mais sobre o significado de permitir que Deusseja meu defensor, em vez de saltar em defesa própria. É difícilconfiar em Deus com relaçao a esse assunto, mas faz parte da obe-diência, permite o cumprimento de seu plano em minha vida e pormeio dela.
  31. 31. JOGAR MACHUCADO 35 Atuar machucado no trabalho pastoral não é o ideal de diverti-mento de ninguém. De alguma maneira, por meio da dor e daperseverança podemos descobrir a verdade que Paulo expressou tãoeloqüentemente: Não só isso, mas tamhém nos gloriamos nas trihulações, por- que sabemos que a trihulação produz perseverança; a perseve- rança, um caráter aprovado; c o caráter aprovado, esperança. E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu (Rm 5.3-5).
  32. 32. MANTER PERTO OS INIMIGOSE stava em meu novo pastorado há mais ou 111cnos três meses quando um dos memhros-fundadores da igreja, um leigo, con-vidou-me para almoçar. "Parece-me", começou ele, "e já conlIrmeiisto com outras pessoas importantes da igreja, que você provavel-mente não é a pessoa certa para este trabalho". Destacou algumas mudanças feitas por mim nos cultos, insigni-fiGll1tes, e corno isso havia ofendido algumas pessoas envolvidasC0111 111ÚSICa na igreja. "Na verdade", disse, "há muitas pessoas na igreja que não gos-tam de você ou do rumo dado à igreja. E não tenho certeza seessas pessoas permanecerão nela se você ficar". Este é um outro exemplo do que contei no capítulo 1. Talvezlosse o prenúncio do futuro. Isto nem passava pela minha cabeçana época. Após minha saída forçada, percebi ter ignorado, evitado,ou ainda, não reconhecido um papel chave da liderança: como pas-tor, devo manter bons relacionamentos com todas as pessoas daigreja, mesmo quando 101 muito difícil. Posto de modo claro, devoorientar pessoas que não gostam de mim - c aqueles de quenl eutanlbérn não gosto. Isso é llIn grande desafio, especialmente quando você está exaus-to, inseguro e a ponto de desistir de tudo. Outro desafio pode seradlnitir honest31TICI1te não gostar de certas pessoas na igreja. Tenta-mos acreditar que amamos todos os filhos de Deus.
  33. 33. 38 O CARÁTER APERFEiÇOADO PELOS CONFLITOS Parece ser normal em rodas as igrejas a exisrência de algumaspessoas difíceis de gostar, e em conseqüência difíceis de guiar. Po-rém, nao cuidar de quem nos persegue somente tornará as coisaspiores no futuro. Nossos instintos nos levam a evitar o desconfor-ro, mas isso pode ferir nossa eficácia como líderes. Em nenhum lugar nas Escrituras sou instruído a pasrorear so-mente a ovelha agradável. RESISTA AO QUE É NATURALNo ministério, Elzer o que ven1 naturahncnte é muitas vezes a lnc-lhor opção. Ao lado da cama de um doente em um hospital, junto afamílias em um funeral ou compartilhando o Evangelho com umdescrente, meus instintos pastorais geralnlcnte me guiam na direçaocerta. No entanto, isto não é verdade quando orientamos pessoasdifíceis. Uma de minhas reações naturais é distanciar-me delas. Portanto, tive de aprender a procurar pessoas difíceis e gastaralguns lnomentos em conversa COIn elas. Recentemente, urna mulher em nossa igreja tornou pública suaopinião ao dizer que eu havia tomado uma atitude com hase naraiva e no rigor. Ela pronunciou suas críticas após nlC mandar umacarta desculpando-se por seu papel na questão e elogiando-me pelamaneira corno havia lidado com o assunto! Quando a encontrei em um evento da igreja dias depois, passoupor mim sem dizer nada além de "oi". Poderia ter deixado aquilopassar e racionalizado que a frieza era seu prohlema. Em tais situa-ções geralmente penso: "Ela vai superar o caso". Queria ignod-Ia,deixá-la de molho e esperar que viesse até mim. Em vez disto, decidi não ti,zer o que para mim seria o maisnatural. Tive praticamente de persegui-la pelo corredor. Quandoa alcancei não a confrontei con1 suas ações ou COIn a raiva contramitn; conversei an1igavelmente, deixando claro meu desejo deaproximar-me dela. Foi maravilhoso o que aqueles dois minutos produziram. Aca-bamos rindo sohre um comentário de um de seus tIlhos naquela
  34. 34. MANTER PERTO OS INIMIGOS 39semana. Ela se despediu de mim com um abraço e dirigiu-me umolhar que transmitiu um "obrigado por convetsar comigo; eu esta-va precisando disto". Mesmo que o nosso contato com a pessoa não resolva o proble-rna, construirá uma ponte, en1 vez de unla parede entre nós. Háalguma coisa positiva e tetapêutica no contato face a face com pes-soas em desarmonia conosco. CONVITE PARA UMA CONVERSA SÉRIAQuando enconttei aquela mulher outra vez estávamos dispostos aconversar com nlaÍs tranqüilidade. Então, levantei o assunto de nossoconflito. Meu propósito não era defender um ponto de vista ouacrescentar algo ao assunto. Simplesmente disse: "Estive pensandoem como você tem lidado com a sua frustração. Saiba que meimporto con1 isso". O segundo contato foi mais fácil para nós dois e transmiti-lhe odesejo de conversar sobre a questão. O assunto não precisaria serignorado. É importante as pessoas saberem que mesmo assuntosreferentes a conflitos podem ser discutidos; não precisam pôr fim aum relacionarnento. Tive muitas diferenças de opinião com um casal sobre o esti-lo de nosso culto. Encontrei-me com eles algumas vezes para tà-lar especificamente sobre a questão. Continuamos discordando.Encontramo-nos regularrnente e, às vezes, quando conversamossobre algo não relacionado ao culto, intencionalmente puxo oassunto. Às vezes, pergunto assim: "Gostaria de saber se vocêstêm notado alguma diferença positiva nos cultos ultimamen-te?", ou: "Vocês gostaram do fato de termos cantado mais hinoshoje?" . Não estou tentando causar controvérsia; simplesmente quero informar que não h:í problemas em conversar sobre algo acerca doqual discordamos. Podemos discordar e ainda assim trabalhar- mos Juntos.
  35. 35. 40 O CARÁTER APERFEiÇOADO PELOS CONfLITOS MANTENHA AS BRIGAS PARTICULARES, PARTICULARESUm de meus grandes erros na ,irea de relacionamentos surgiucln unla reunião da igreja. Ulna pessoa havia refutado várias ve-zes minha ênfase no evangelismo. Em uma reunião administra-tiva o assunto "evangelismo" surgiu e muitas pessoas expressaranlseu cntusiaS1110 sobre C01110 a igreja estava finalmente se expan-dindo. Aproveitei a oportunidade e disse: "Há algumas pessoas na igre-ja julgando esrarmos perdendo mais pessoas que ganhando, pelogrande foco no evangelismo". Quase todos reconheceram a referência aos "anti-evangelismo".A maioria das pessoas apoiava nossa filosofia de evangclismo. Fi-cou claro a referência em minha crítica a Ulna pequena minoria.Havia alcançado importante vitória naquela questão, e publicamente- ao menos foi o que pensei. Mais tarde aquela declaração virou-se contra n1im. Da rncslnaforma que uma propaganda negativa de uma campanha políticapode gerar simpatia pelo oponente, o mesmo pode acontecer comum ataque público a um membro da igreja. Nas semanas seguin-tes ouvi comentários assim: "Achei justo o que disse sobre o Ed.Ele não deve ser tão contrário ao evangelismo quanto você colo-cou". Outra pessoa disse: "Não foi uma atitude correta falar sobre aposição de Ed sem ele estar presente para responder". Poderia sustentar todas as afirmações feitas snbre a oposição deEd ao evangelismo. Aquilo não parecia importante. Mesmo que aspessoas não concordassenl COln sua posição, discordavarn lnuitomais do meu ataque público contra ele. Moral da história: é melhor não dizer algumas coisas - umprincípio óbvio ignorado quando o assunto começa a esquentar.Não leve brigas parriculares para o ambiente público. Isso se aplicaa reuniões do conselho da igreja, ao púlpito ou a urna conversacom quem não precisa saber daquilo.
  36. 36. MANTER IERTO OS INIMIGOS 41 PRATIQUE A BONDADEUm adesivo enfeita o pára-choque dc muitos catros em meu bair-ro. Diz o seguinte: "Pratique boas ações para quem quer que seja ebelas atitudes desptendidas". É uma boa lembrança de uma das li-ções mais úteis que já aptendi sobte como otientar pessoas queacho diflceis de amar. Procuro oportunidades para sct gentil com elas. É impressio-nante como atos bondosos constroem pontes de relacionamento.U1TI h0l11elTI de Ulna antiga igreja deixava claro todas as vezes quefalhava em atingir suas expectativas. Quer retornando uma liga-ção telefônica dentro do prazo estipulado por ele, tetribuindoum convite para aln10çar ou saudando-o na I11esma proporção,parecia sempre marcar os pontos que fariam de mim um eternoperdedor. Achava muito diflcil ficat próximo dele. Depois de Deus con-denar Il1inha atitude, comecei a procurar Il1anciras de mostrar bon-dade para com esse homem. Fui até ele em um domingo, após o culto, e disse: "Estava pen-sando se você teria um teI11pO na próxin1a semana para me ensinara pescar". Ele era um ávido pescador e eu não conseguia pescar nada.Nas semanas após nossa saída, sempre se referia à lição sobre pescaao conversar comigo e C01n os outros. Pescando sozinho mais tarde, finalmente consegui pegar um peixegtande o suficiente. No caminho de volta, parei na casa do meu"instrutor" e dei-lhe de presente meu ptimeiro peixão por ter meajudado a aprender a pescar. ()utra vez, cOl1videi-o para esquiar, c ele pediu-Ine para Inostrar-lhe colno remar. Em alguns encontros conversalnos sobre sua ne-cessidade de manter um registro do comportamento das pessoaspara poder ser melhor que elas, vencê-las. Finalmente admitiu cornoisso aferava negativamente sua esposa e seu filho mais velho. Ofere-ci-lhe ajuda para lidar com aquilo.
  37. 37. 42 O CARÁTER APERFEiÇOADO PElOS CONFLITOS QUANDO OS MELHORES ESFORÇOS NÃO FUNCIONAMÉ claro que nenhuma técnica de como lidar com pessoas difíceisserá um sucesso com todos o tempo todo. Em Romanos 12.18 oapóstolo Paulo diz: "Façam todo o possível para viver em paz comtodos". Paulo reconhece que nem todo mundo vai querer viver empaz conosco. O que fazer quando nossos melhores esforços não são suficientes Em uma igreja em que fÍJi pastor havia uma senhora sempre insa-tisfeita com o que eu fazia. Era raro falar-me diretamente sobre seudesapontamento; geralmente sabia de sua crítica por outras pessoas. Enconrrei-a e disse: "Não consigo adequar-me a seus padrões dedesempenho e suas expectativas em relação ao meu rninistério. Sin-to-me como se não pudesse lhe agradar". Então, eu iria parar detentar. Ela afirmou que não precisava agradá-Ia. Respondi: "Então não vai se importar se não me preocupar maisem agradá-la em todas as ações e decisões. Disse que não. Aquilo aliviou a tensão e afastou algumas recla-mações constantes. Compartilhei com os presbíteros sobre mi-nha conversa com aquela mulher, de maneira que, se suasreclamações continuasscrn, poderianl tratar da questão conl eladireta e decisivamente. É claro que, às vezes, as pessoas decidem não mais fazer parte denlinha vida ou ministério e saenl da igreja. Aprendi nlesmo ncssasituaçao a abrir a porta da conlunicação o máxirno possível. Um casal disse não agüentar mais nleu ministério ou minhaspregações. Minha reação natural seria deixá-los ir embora e nuncamais contatá-los. Em vez disso, telefonei e perguntei se poderiafazer-lhes uma breve visita. Com dificuldade concordaram. Quando nos encontramos, falei que não estava ali para convencê-los a mudar sua decisão. Perguntei se em algum momento haviaerrado ou ofendido os dois. Queria pedir desculpas se fosse o caso.Disseram tratar-se mais de uma diferença de filosofia e direção,
  38. 38. MANTER PERTO OS INIMIGOS 43assim decidiram ser melhor procurar outra igreja. Agradeci pelosanos de estada conosco e convidei-os para voltatem quando quises-sem. Antes de sair perguntei se poderia orar C0111 eles. Ao caminhar em direção à porta, a mulher pegou em minhalnão e disse: "Fiquei surpresa por querer vir nos visitar, n1as estoufeliz com isso. Agora, quando o vit no supermetcado não ptecisateievitar falar COln você". A porta da comunicação ainda estava aberta. Podem até nãovoltar mais para a igreja, nus ao n1enos não Saíralll com o espíritoamargurado. Essa forma de abordagem não só é útil para cOllStruir bonsrelacionamentos, nlas pron1ove o crescinlcnto pessoal na minharclacão com Cristo. Quanto lnais procuro alnar pessoas difíceis,mais DellS as usa para moldar-me segundo a imagem de Cristo.Afinal de contas, aprender a amar as pessoas é um dos modos denos tornar como Cristo. Talvez seja o instrumento principal dospastores nesse processo. O fato de ficarmos perto de nossos inimigos geralmente abridas portas do sacerdócio alénl do que itnaginamos. Isso deve nosIllotivar a dar importância até aos santos mais difíceis.
  39. 39. RESISTiR AO IMPULSO DE REVIDARA cabara de receber a carta tTIordaz de um casal descontente so- bre uma questão da mocidade. A reação deles não foi espiri-tual; certamente não entendianl toda a situação. Ainda não conse-guira encontrar-me C0l11 eles. Quando subi para pregar naquele domingo pela manhã, sentia-111C 1113 e carregava um rcssentinlentO. Enl 111inha introdução fizalgumas observações extclnporáneas que IIIcxeram cotn todo mun-do - todos, menos o casal autor daquela carta. Enquanto a con-gregação explodia em risadas, o casal estava estoicamente sentado,lá no segundo banco da fileira do meio, com os braços cruzados, osolhos fixos a me atravessar. Quando tcrl11inei o sermão (senl outras brincadeiras), senti-mefisicamente mal e espiritualmente desgastado. Minha inflexibilidadeestava se transfornlando rapidanlCl1te em anlargura e ressentinlcnto- as duas tentações do conflito na igreja. Muitos pastores já prega-ranl que a tentação não é pecado, IDas que cair em tentação é. Paramim, aquela tentação era difícil de resistir. Perdão é uma questão decaráter, e minha tendência a não perdoar quando sou ofendido força-me a pensar claramente sobre os passos necessários para restaurar llleurelacionanlento COIn Deus e com o ofensor. RECONHEÇA SUAS FRAQUEZASA nlaioria das pessoas são suscetíveis onde foram machucadas váriasvezes. A crítica lançada sobre mim pela raiva da família com o evento
  40. 40. 46 O CARÁTER APERFEiÇOADO PELOS CONFLITOSdo ministério de jovens era só um de uma série de conflitos comeles. Sua atitude, destituída de boa vontade, foi a gota dágua paramim. Senti que não tinham interesse em dar a ninguém o benefí-cio da dúvida. Talvez porque alguns de meus piores conflitos no ministérioenvolveram pessoas sem boa vontade e entendimento, acabo rea-gindo com ira em tais situações. Sou facilmente provocado porquem se excede em achar erros nos outros. Ao aprender a reconhecer minhas fraquezas, descobri poder con-trolar melhor minhas reações. Meu desafio é receber graça e perdãodo Espírito Santo para esses irmãos, em vez de revidar com ira,falta de perdão e amargura. RESISTA AOS PRIMEIROS IMPULSOSQuando leio sobre alguém ter escondido uma arma no bolso deseu casaco para acertar as contas com o chefe que o havia tratadoinjustamente, ou sobre alguém ter bombardeado um prédio cheiode cidadãos inocentes, geralmente penso assim: "Como alguém podefazer tal coisa? Pessoas nornlais não reagenl assim". Mas já tive todos os tipos de maus pensamentos sobre acertar ascontas com qnem me ofendeu. Talvez esta seja a próxima atitudee1l1 direção ao perdão - reconhecer que as circunstâncias poderi-am gerar uma vingança cruel. Na verdade, se não perdôo uma pes-soa, posso começar a fantasiar meios de ficar qnite com ela. Após uma devastadora discórdia com uma família da igreja quehavia se levantado contra Jnim em praticamente todos os aspectose temas, pensei: "Se Deus não trouxer um julgamento rápido, po-derei dar uma mãozinha". Pensei em alertar a Receita Federal sobre suas irregularidades fis-cais, por acaso, de meu conhecinlento. Ou poderia irrid-Ios à noiteao passar de carro pela casa deles buzinando, com o rádio alto cdando farol alto em direção às suas janelas. Quando compartilhei esses covardes pensalnentos secretos comum amigo, ele olhou-me com espanto.
  41. 41. RESISTIR AO IMPULSO DE REVIDAR 47 - Você faria mesmo essas coisas com eles? - É claro, assim como qualquer um que cai em tentaçáo poderiafazer para se vingar, em vez de cuidar do desafio do perdão - respondi. Lembro-me da observação que James Broderick fez sobre o papaPaulo IV: "Nunca se esqueceu de tais ofensas, uma de suas fraquezasfundamentais. Podia fàzer as pazes por um tempo, mas dava a im-pressão de estar sempre vigilante". Evitei isso ao cortar quaisquer fantasias de vingança. ADMITA SUA CULPAEm Deuteronômio 32.35, Deus instruiu o povo por meio deMoisés: "A mim pertence a vingança c a retribuição. No devidotempo os pés deles escorregarão: o dia da sua desgraça está chegan-do e o seu próprio destino se apressa sobre eles". Minha obsessão a respeito da vingança é uma tentativa de parti-cipar do julgamento de Deus. Isto somente agrava o conflito, exa-cerba a lembrança e causa mais dor. É como se uma das partesculpadas em uma disputa contratual participasse do julgamento esentença da outra parte. O fato de ser também, muitas vezes, culpado, de não ser perfei-tamente justo nas suas ações, pode ser difícil de aceitar. Em muitassituações há duas partes culpadas em conflito. Portanto, não possoretribuir o mal. fico me perguntando quantas oportunidades dereconciliação não aconteceram porque os dois lados se reuniram afim de perdoar, mas esravam despreparados para serem perdoados.John Oglethorpe, amigo de John Weslcy, supostamente lhe disse: - Eu nunca perdôo. O senhor Weslcy replicou sabiamente: - Então, senhor, espero que nunca peque. EVITE O REVIDE DO PÚLPITODescobri que demorar em perdoar pode levar a abusos no ministé-rio público de pregação. Uma vez usei uma carta recebida para ilus-
  42. 42. 48 O CARÁTER APERFEiÇOADO PELOS CONFLITOStraI como é errado criticar alguém quando não se conhece todos osfatos. Durante o sermão li urna parte da carta contendo acusaçües econclusües baseadas em desinf()fmação. Então, esclareci tudo à con-gregação ao descrever os fatos. É claro que os fatos demonstravamcomo nleus críticos tiraram a conclusão errada e estavanl equivoca-dos. A congregação pareceu concordar comigo e viu meu acusadorcorno um antagonista negligente e nocivo. Havia ilustrado um as-pecto bíblico e silenciado meu oponente ao mesmo tempo. Na senlana seguinte recebi outra carta desse homern, dizendoestar se desligando da igreja com sua família e pedindo-me que nãoligasse para eles, nem tentasse fazer qualquer contato. Ainda quetenha cuidadosamente protegido a identidade deles naquela ilustra-ção do sermão, todos sabiam a quem estava me referindo. Não lhesdei outra opção senão deixarem a igreja. Não iInporta o quão ofendido possa ter me sentido; não inl-porta o quão forte era a tentação; o foro público não é o lugar paraconfrontar urna crítica. Isso me dá urna vantagem desigual que fre-qüentemente resulta eIll urna apresentação tendenciosa de nleu ladoda história, sem dar oportunidade para uma réplica justa. Descobri que o melhor caminho para evitar essa tentação é ofe-recer perdão em particular. PERDOE UM DE CADA VEZGostaria de dizer que descobri a fórmula para o perdão, que fiJl1ci-ona todas as vezes. Mas não descobri. Perdão não é algo que possofazer uma vez e, então, esd acabado. O alcance do perdão é geral-mente proporcional à severidade da dor. O perdão se assemelha maisa escrever UIn livro do que unla carta. Quando escrevo uma carta,ponho meus pensamentos no papel, assino, selo o envelope e aenvio. Escrever um livro envolve aparentemente Uln ciclo infinitode escrever e reescrever. Geralmente consigo lidar com pequenos conflitos rapidamente,no espírito de [Pedro 4.8: "Sobretudo, amem-se sinceramente uns
  43. 43. RESISTIR AO IMPULSO DE REVIDAR 49aos outros, porque o amor perdoa muitíssimos pecados". Mas quan-do a ofensa é severa, o processo de perdão pode ser igualmenteduro. Após a experiência mais diHcil no ministério - minha de-missão - aptendi mais sobre o processo de perdão do que gostariade saber. Iodo o processo levou uns dois anos. Parecia que meuperdão estava completo depois de alguns meses após a saída daque-la igreja. Levei o assunto ao Senhor em oração e disse-lhe quererperdoar a quem para mim eram os responsáveis. Até Inencioneiseus nOlnes. O perdão pareceu libertar-me. Algumas semanas mais tarde deparei-me com um dos líderes daoposição em um restalltante da região. Depois que cu e meu amigorerminanl0S nosso café da rnanhã, paran10s à mesa daquela pessoapara uma breve e cordial conversa. Ao sairmos do restalltame, meuamigo fez a seguinte observação: - Puxa, você realInente parecia tranqüilo ao conversar C0111Steve. Acho que conseguiu deixat todas aquelas coisas sobre a igrejano passado. Murmurei: - É, agora é tudo passado; é hora de prosseguir. Mas, pelo resto do dia, toda vez que tinha um minuto ocioso, onome de Steve, seu rosto e suas atitudes surgiam em minha mente.Não conscguia livrar-me de meus pensamentos. Aquele velho res-sentimemo parecia tão real e poderoso como nunca - um cboquepara meu equilíbrio espiritual. Pensei ter petdoado os participames daquele mau momento.Por que estava reagindo daquela maneira? - Senhor, já não foi o suficieme colocar toda aquela confusãoCn111Ill pacote, amarr<l-lo beIn apertado e, então, escrever nele "per-doado" Evidentemente não. Ainda tinha que perdoar cada um dos oitoindivíduos do conflito. Ao pensar que poderia pcrdoar a todos deuma só vez, descobri tcr de perdoá-los um a um. O processo durou muitos meses. Cada vez que imaginava umapessoa, identificava claramente o sentimento a respeito dela c por-
  44. 44. 50 O CARÁTER APERFEIÇOADO PELOS CONFLITOSque Deus a trouxera a minha menre. À, vezes, aquilo levava algunsdias para ser digerido completamente. Mas finalmente conseguiategistrar meus sentimentos, assim como identificar as razões portrás deles. Descobri que o simples ato de orar por alguém, mesmoquando parecia vazio e ensaiado, de alguma forma abria meu cora-ção para aquela pessoa. Deus foi muito criativo ao mostrar a próxima pessoa que preci-sava perdoar. Eu estava no supermercado procurando pasta de den-te e creme de barbear, quando vi de relance outro casal que haviacontribuído para a minha saída da igreja. Minha reação foi escon-der-me entre as prateleiras de verduras. Mas era tarde demais. Ouviaquela familiar fala lenta: "Oi, Gary". Depois de trocarmos algu-mas palavras, cada um foi para seu lado. Soube imediatamente qual seria a próxima pessoa a perdoar. FALAR DA PESSOA PARA OS OUTROSUma técnica que me ajudou a perdoar foi falar sobre o ofensor aoconversar com alguém. Lembro-me de falar sobre um de meus opositores a um amigoque o conhecia; assim, coloquei-Ine eIn uma posição que Ine força-va a falar gentilmente a seu respeito. Mas descobri ser irrelevante omeu interlocutor conhecer ou não quem eu precisava perdoar. Aofalar de maneira positiva sobre alguém, sentia-me inclinado à re-conciliação; as palavras positivas provenientes de meus lábios co-meçaram a operar nos sentimen tos de meu coração. A tranqüilidadedaquelas palavras também se tornou um medidor de meu perdão- quanto mais fácil fluíam, mais próximo estava do perdão. LEVE-OS AO SENHOR EM ORAÇÃOO passo final que me ajudou a perdoar foi reunir meus pensamen-tos e sentimentos e levá-los ao Senhor. Às vezes, escrevia-os no pa-pel e lia para Deus em oração. Outras vezes, recitava-os para Deusdiretamente de meu pensamento. Recitar pensamentos e sentitnentos
  45. 45. RESISTIR AO IMPULSO DE REVIDAR 51negativos ao Senhor permitiu-me pedir a Deus que me perdoassepor meu pecado. Podia, então, seguir em frente e oferecer perdãoaos outros. Essa longa experiência ensinou-nle o quanto o perdão divinome capacita a perdoar os outros. Há a história de um viajante atravessando a floresta de Burma comum guia. Chegaranl a um rio largo e raso c o atravessaram. Quando oviajante saiu do rio, várias sanguessugas estavanl grudado em seu torsoe pernas. Seu primeiro insrinto foi agarrá-las e arranGÍ-las. O guia impediu-o, avisando que ao puxar as sanguessugas pe-quenos pedaços delas ficariam sob a pele. E, conseqüentemente, ainfecção apareceria. A melhor maneira de se livrar das sanguessugas, segundo o guia,era um banho de banheira morno e aliviador por alguns minutos.O banho incharia as sanguessugas e elas logo se soltariam do corpo. Quando sou muito mach ucado por outra pessoa, não possosimplesmente arrancar o machucado de minha alma e esperar quetoda amargura, malignidade e emoção vão embora. O ressentimentoainda se esconde sob a superfície. O único modo de livramentototal da ofensa e perdoar os ourros é mergulhar no banho suave doperdão de Deus. Quando finalmente sentimos a extensão do amorde Deus em Jesus Cristo, perdoar os outros acontece naturalmente.
  46. 46. PREGAR DURANTE CONTROVÉRSIASN este último verão, minha família participou de uma confe- rência sobre a família cristã conduzida pelo serviço 111inistc-rial radiofônico de um pastor norre-americano ben1 conhecido.Acompanho suas pregações por anos, j<l ouvi inúmeros de seus ser-mões, tanto pessoalmente quanto gravados. Suas exposições dasEscrituras fazem ben1 ao mell espírito. Durante uma mensagem na conferência, ele usou um exemploextraído de sua vida. Aquilo não foi surptesa. Era muito comuminserir experiências pessoais e111 seus sermões. FreqüentC111cntc, ashistórias contadas eram do tipo "acontecimentos na viagcIll de féri-as da família". Aquela, no entanto, era diferente. Um silêncio pai-rou sobre a audiência quando contou sua história. Discorria a respeito de um conflito íntimo e doloroso que afe-tou toda a sua fàmília. Mas não foram os detalhes da hisrória queme prenderam a atenção - os detalhes eram até vagos por causa danatureza pessoal e intensa da dor. O impacto não proveio de suaspalavras, mas de seu silêncio. A hisrória não tinha uma conclusão; ele e a família ainda esta-vam no meio da luta. Assim que finalizou a ilustração, disse: "Que-ria poder concluir essa hisrória contando-lhes a resolução de tudoc o toque fiel da cura divina, mas não posso, porque isso nãoaconteceu. Ainda estamos feridos e esperando para ver C01110 Deusresolverá. E assim eSpera1110S ... esperamos ... e continuamos espe-rando".
  47. 47. 54 O CARÁTER APERFEIÇOADO PELOS CONFLITOS Foi um lembrete poderoso do desafio peculiar enfrentado pelospastores ao pregar sobre as grandes promessas de Deus durante mo-mentos em que nós mesmos ainda esperamos o seu cUlnprimento.Às vezes, suportamos a dor e o sofrimento do conflito enquantopregamos extensamente sobre a esperança em Deus. Talvez esse de-safio não seja tão grande como quando pregamos para quem per-petra a dor em nossa vida. Falar as verdades de Deus para quemsabemos conspirar contra nós não é nada encorajador. Entro emconflito ao pregar quando sei que uma pessoa na congregação nãogosta de mim. Como pregar, em meio à dor, para pessoas de quem não gosta-mos e nos desconsideram? C0l110 levar a 1l1Cnsagern de Deus en-quanto lutamos contra a ira c todas as feridas não saradas Emboratenha pregado por mais de vinte anos, ainda tento responder a to-das essas questões. As conclusões esboçadas neste capítulo são certa-mente provisórias, visto que em cada novo conflito aprendo lllaissobre o significado da proclamação das verdades de Deus em meioà fragilidade da vida. PROMESSA NÃO CUMPRIDAUm dos desafios dos santos do Antigo Testamento era proclamaras promessas de Deus e demonstrar fé inabalável, quando eles mes-mos ainda não tinham recebido a promessa. Na conclusão do grande capítulo da fé, Hebreus 11, o autorsurpreende seus leitores ao anunciar que os heróis da fé morreramsem receber o cumprimento total das promessas de Deus: Que mais direi? Não tenho tempo para falar de Cidcão, Baraquc, Sansão, Jefré, Davi, Samuel e os profetas, os quais pela te con- quistaram reinos, praticaram a justiça, alcançaram o cumpri- mento de promessas, fecharam a boca de leões, apagaram o poder do fogo e escaparam do fio da espada; da fraqueza tira- ram força, tornaram-se poderosos na batalha e puseram em fuga exércitos estrangeiros. I louve mulheres que, pela rcssur-
  48. 48. PREGAR DURANTE CONTROVÉRSIAS S5 reição, tiveram de volta os seus mortos. Uns foram torturados e recusaram ser libertados, para poderem alcançar uma ressur- reição superior; outros enfrentaram zombaria e açoites; outros ainda foram acorrentados e colocados na prisão, apedrejados, serrados ao meio, postoS à prova, mortos ao fio da espada. An- daram errantes, vestidos de pele de ovelhas e de cabras, neces- sitados, afligidos e maltratados. O mundo não era digno deles. Vagaram pelos desenos e montes, pelas cavernas e grutas. To- dos estes receberam bom testemunho por meio da fé; no en- tanto, nenhum deles recebeu o que havia sido prometido. Deus havia planejado algo melhor para nós, para que conosco fos- sem eles aperfeiçoados (Hb 11.32-40). Mesmo assim, esses líderes ainda proclamaram as promessas deDeus para a nação necessitada. Suspeito que Deus chama os pasto-res para fazer isso. No meio do conflito a ser resolvido devemosproclan1ar as prOlnessas de Deus. Pois são as promessas, e não so-mente o cumprimento delas, que requerem fé. Quando prego durante um período de conflito, pergunto-mequais promessas específicas de Deus podem ser relevantes naquelasituação. Uma vez, um homem na igreja acusou-me de ser ganancio-so porque pedi que a comissão de finanças desse um metecido au-mento (que nunca vinha) a todos os empregados da igreja. Ele nãoparecia entender que um princípio espiritual de semear e colherestava em jogo na maneira como a igreja tratava seus colaborado-res. Em sua mente, quando pedi tal aumento de salário para todo opessoal, estava demonstrando usura, e não generosidade. Depois deun1a crítica particularmente dura feita em un1a reunião da comis-são de finanças, fui para casa nervoso e machucado. Relutei o restoda semana com o fato de precisar ficar à frente da igreja no domin-go e pregar a graça de Deus, quando a minha vontade era aplicar aira de Deus. Então, sábado de manhã, sentei-me e comecei a listar as pro-messas de Deus aplicáveis àquela situação. Em um pedaço de papelescrcvt:
  49. 49. 56 O CARÁTER APERFEIÇOADO PELOS CONFLITOS o meu Deus suprirá todas as necessidades de vocês, de acordo com as suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus. (Fp 4.19). Não estou dizendo isso porque esteja necessitado, pois aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância (Fp 4.11) . O Deus de toda a graça, que os chamou para a sua glória eterna em Cristo Jesus, depois de terem sofrido durante um pouco de tempo, os restaurarcÍ, os confirmará, lhes dará forças e os porá sobre firmes alicerces (1 Pe 5.10). Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas (Mt 6.33) . Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu pró- prio mal (Mr 6.34). Memorizara a maioria daqueles versículos na escola dominicalquando criança. Durante a minha vida, Deus os cumprira váriasvezes. Mas não nesse momento ~ ao lncnos ainda não. Contudo,o processo de escrever no papel essas promessas, embora ainda nãocumpridas, ajudou a livrar-me do meu desapontamento e hostili-dade. Entendi que a questão estava nas mãos de Deus; reler as pro-messas ajudaram-me a entregar de volta a responsabilidade daquilo. CORAÇÕES TERNOSQuando o apóstolo Paulo confí-ontou seus acusadores em Atos 24,usou o método da pregação. Diante do governador romano lélix,a resposta de Paulo ao advogado de acusação, Térrulo, foi em for-ma de sermão. A defesa de Paulo foi tão eficaz que T érrulo se caloue o governador Félix foi movido a dar a Paulo maior liberdade,mesmo sob custódia. Novamente, em Atos 26, Paulo respondeu aos acusadores comum sermão perante o rei Agripa. Paulo falou no poder do EspíritoSanto querendo convencer Agripa a tornar-se cristão. E1l1bora isso
  50. 50. PREGAR DURANTE CONTROVERS1AS 57não tenha acontecido, Deus usou a proclamação de Paulo para con-vencer Agripa da inocência do apóstolo. Pregar durante o conflito pode ser um meio de permitir que oEspírito Santo enterneça o coração dos adversários. Certamente issoé perigoso, pois conftontar adversários com a pregação requer habi-lidade e integridade. Há uma linha muito tênue entre pregar alllen-ticamente a verdade bíblica aos acusadores e usar o sermão e a Bíbliapara ameaçá-los. Surgiu um dehate em nossa igreja sobre o aumento do númerode jovens presentes nos cultos. Muitos jovens haviam descobertorecenten1ente um relacionan1ento pessoal com Deus por n1eio dafé em Jesus Cristo. Para enlàtizar a ação divina entre os adolescen-tes, pedimos ao pastor dos jovens que guiasse a igreja no culto emum domingo. A mocidade atirou-se à proposta, com energia, criatividade eentusiasmo. O resultado foi uma instigadora experiência de cultopara toda a comunidade. Deus nos pennitiu envolver corações ementes de três gerações simultanean1ente, aproxirnando-as no cul-tO eil1 uma só direção. Face a esse encontro forte com Deus, fiquei surpreso ao ouvircríticas sobre o modo C01no alguns jovens cstavarn vestidos no cul-to. Disseram estar vesridos de modo casual, inadequado para o tra-balho em nome do Espírito Santo, e também falta de respeito paracom alguns adultos na igreja. Nas duas semanas seguintes discllli ofato COln as pessoas descontentes. As conversas pareciarn inúteis,somente a virulência aumentava e começava a ser dirigida contramim. Igualtnente, a mocidade e seus partidários davam n1ais vozaos seus argumentos. Un1a nlldher lne disse de maneira precisa: "Setivennos de escolher entre a reverência a Deus no culto e ter nossosjovens participando daquela maneira, então, tanto os jovens quan-to o senhor perderão!". A disputa esrava maior do que pensei. Em vez de continuarno eaminho do diálogo particular, decidi tratar do problemapublicamente. Cuidadosamente, focalizei a mensagem no proble-
  51. 51. 58 O CARÁTER APERFEiÇOADO PELOS CONFLITOSIDa e não nas pessoas discordantes com o que acontecia. Para isso,usei a mensagem de Atos 15 e intitulei o sermão "Liberdade pelaqual vale a pena lutar". O ponto era que nossa liberdade espiritual eautononlia são valores cristãos centrais. Tentei mostrar COlno desde olivro de Atos houve constantes araques à liberdade conquistada porJesus Cristo para nós na cruz. Atos 15 diz que nosso relacionamentoCOIll Deus COIlleça solllente pela graça, por lneio da fe; a vida resul-tante é uma vida de liberdade e autonomia em Jesus Cristo. Em minha exposição tratei de ambos os grupos que entreolha-vam-se separados pelo corredor. Mostrei como a decisão do concí-lio de Jerusalém, em Atos 15, dificulta determinar a intenção docoração de uma pessoa para com Deus apenas julgando-a pelo esti-lo de sua roupa ou a ausência de sapatos ou meias. Entretanto, aliberdade de não calçar sapatos não deve menosprezar as convicçõesdos outros. Antes, devemos exercitar nossa liberdade em Cristocom um espírito de sensibilidade e interesse pelos outros membrosda família de Deus. A resposta ao sermão foi maior do que havia pedido a Deus. A primeira pessoa a conversar comigo após o culto foi uma se-nhora idosa que havia chorado duas semanas antes, após o culto dejovens, tanto pelo desgaste quanto pelo desrespeito dos jovens pelacasa de Deus. Segurou na minha mão e disse: "Não sei se posso meacostumar com as pessoas não usaretn sapatos na igreja, mas agoravejo que isto não diz nada sobre o quanto amam o Senhor". Senti-mentos similares foram externados repetidamente naquela manhãpor pessoas de ambos os lados do problema. Fiquei maravilhadocom a força da palavra de Deus para trazer reconciliação. VENDA NOS OLHOSNo conflito posso ficar muito centralizado em cruzar a nlensagemdas Escrituras com a vida de quem discordo. Isso inibe o impactodas Escrituras em minha vida. Uma vez preguei uma série de sermões baseados na epístola deTiago quando havia uma guerrinha de palavras acontecendo na igre-
  52. 52. PREGAR DURANTE CONTROVERSIAS 59ja. A maior parte da conversa à toa centralizava-se nas diferenças deopinião sobre nosso projeto de construção. Ao planejar a série de sermões, quase não podia esperar até che-gar ao capítulo 3. O que Tiago tinha a dizer sobre "dominar a lín-gua" era justamente o que tnuitos precisavam ouvir! Finalmentechegou o domingo de pregar aquela passagem. Orei a semana todapara que o Senhor usasse a mensagelu para abrandar os coraçõesendurecidos. Fiz o mel bar que pude para relacionar a mensagemde Tiago às palavras ditas por membros de nossa congregação.Senti Deus responder minhas orações. Depois do sermão pessoasadmitiram para mim que o Senhor lhes falara naquela manhã eintencionavam consertar alguns erros naquela semana. N a terça-feira à tarde, no grupo de estudos dos homens, trans-miti n1eu entusiasrno sobre con10 Deus tinha usado o sermão dedomingo para contestar as pessoas. Alguns dos homens admitiramestar também graros pelo jeito como Deus usara a minha mensa-gem. Então, um deles limpou a garganta, olhou-me direto no ros-to, e disse: - Isso significa que você quer esclarecer conosco algllIuas dascoisas que tem dito nas últimas sen1anas? Eu não tinba idéia do que ele queria dizer. A princípio penseique estava tentando pegar-me com seu hurnor seco, assill1, reagiC0l11 uma IronIa. - Não, nós estamos falando sério - disse. Enquanto ouvia amensagem no domingo me perguntei se vocês oLIviam o que falavam. Eles me pegaram. Falaram direro comigo, lembrando-me das afir-mações que lhes havia feito durante o conflito sobre a construção.Alguns dos meus comentários tinham sido fofoqueiros e até malicio-sos. En1 meio à preparação e pregação do sermão sobre "dorninar alíngua", ficara surdo à voz do Espírito sobre minhas transgressões. Eutambém precisava prestar atenção à mensagem de Tiago. Aquele incidente lembrou-me da importância de dirigir meuestudo e minha pregação primeiramente a mim. É facil para ospregadores estudar, preparar e pregar as verdades santas de Deus
  53. 53. 60 O CARATE.R APERFEiÇOADO PELOS CONFLITOSpara uma congregação sem antes aplicá-las a si mesmos. PhillipBrooks, o grande reitor da Trinity Church [Igreja de Trindade] deBoston no século XIX, ilusuava este perigo com a analogia de umcondutor de trem que passa a acreditar já ter estado em todos oslugares anunciados aos passageiros por ter falado alto e por muitotempo os nomes daqueles lugares. Permitir que minha pregação seja endereçada a mim primeiroevita o uso do sern1ão con10 anna. Assiln, deixo Ul11 caderno deanotações sobre minha escrivaninha durante o estudo do sermão.Durante a Sen1al1a peço ao Espírito Santo trazer a minha Inenteproblemas particulares ou situações da minha vida em que a men-sagem em preparação possa aplicar-se. Quando tais questões vêmao meu pensamento, escrevo-as para poder orar sobre elas antes daconclusão de meu estudo naqnela manhã. Sempre fico impressio-nado colno Deus aplica minuciosalncnte en1 minha vida as verda-des estudadas para o domingo. Isto me ajuda a identificar a vendasobre meus olhos, antes de ficar obcecado com a dos olhos dosoutros. A IMPRESCINDíVEL ALMOFADAUnl anúgo estava envolvido em um conflito en1 sua igreja nos úl-timos seis meses. A situação era tão complicada que ele estava pla-nejando desligar-se dentro de duas semanas. Quando falei com elenaquela selnana, perguntei-lhe como conseguia pregar todo dOInin-go enquanto seus adversários fllavam mal dele e ganhavam terrenona btiga ao dividir a igreja. Sua resposta foi: "Coloquei uma almofada entre mim e a con-gregação". Explicou que um senhor da igreja, amigo e ctistão maduro, colo-cara-se na lacuna aberta entre pastor e congregação. Aquele senhorpern1itiu a meu amigo externar seus pensamentos e en10ções em Ulllambiente seguro. Meu amigo pastor diz que aquilo evitava que elelançasse um ressentin1cnto envenenador na congregação durante sua
  54. 54. PREGAR DURANTE CONTROVERSIAS 61pregação. Contou: "Quando descarrego minha frustração durantea semana na minha almofada, não sinto a necessidade ardente def:tzê-Io no sermão de domingo". Durante meus dias sombrios no ministério, descobri o valor detais amigos. Um homern de negócios, um oftalrnologista, urTI en-genheiro e um cientista foram os amigos procurados para desabafarminhas frustrações, fázer algumas perguntas e oferecer minhas so-luções. Na nlaioria das vezes ouviam, ocasionalmente ofereciamconselhos, mas sempre me deram suporte e torça. Em um momento bem ruim liguei para um desses amigos,como últirna esperança: - Posso dar unla passadinha por aí e tOnIar um pouco de seutempo esta noite - perguntei. - Venha sim - respondeu - o café estará prontO quandovocê chegar. Dez minutos depois, sentava conl ele e sua rnulher à mesa dasala de jantar e dizia-lhes não sentir mais vontade de continuar. Falei: "Ser pastor requer doação constante, tcnIO não ter nadanIais a oferccer para ninguélTI. Preciso sair antes que isso me l1late".Nunca pensei dizer tais palavras. Queria me livrar daquilo, um sen-timento estranho para mim. Bebemos duas garrafas de café durante nossa conversa naquelanoite. Finalmente meus amigos me convenceram de não ser o nlO-menta de pendurar as chuteiras. Disseram: "Cobriremos seu lugar.Tire duas selnanas de folga e irenI0s até o conselho e a igreja e expli-caremos que você precisava de algum tempo longe daquela pressão". Como meu amigo rambém era presbítero, sabia que sua decisãoseria aceitável ao conselho. Também entendi ter o apoio da congre-gação. Minha preocupação era com as três famílias líderes da opo-sição e derentoras do poder na igreja. O que poderiam fazer dianteda notícia de minha vulnerabilidade? Dariam o golpe final? Meus al1Iigos me disserarn que aquilo não deveria ser mais mi-nha preocupação. Estava de folga por duas semanas. Queriam quefosse esquiar e deixasse a igreja um pouco de lado.

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