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Design nos espacos publicos - Um presente para a cidade

  1. 1. Design nos espaços públicos: um presente para acidadeDesign in public spaces: a gitf to the cityBeraldo, Leyla; Graduanda em Design de Produto e Pesquisadora PET Design; InstitutoFederal de Santa Catarina. leylaberaldo@gmail.comJorge, Letícia Pinto; Graduanda em Design de Produto e Pesquisadora do CNPQ; InstitutoFederal de Santa Catarina. leticiapjorge@gmail.comLevitan, Cynthia; Graduanda em Design de Produto e Pesquisadora PET Design; InstitutoFederal de Santa Catarina. cynthia.levitan@gmail.comSielski, Isabela Mendes; Dr. e Profª. do Curso Superior de Tecnologia em Design de Produto,Instituto Federal de Santa Catarina. isabelasielski@hotmail.comSilva, Ramon Martins da; Graduando em Design de Produto e Pesquisador PET Design;Instituto Federal de Santa Catarina. ramonms9@gmail.comResumoOs espaços públicos da cidade, em geral, carecem de atrativos e cuidados causando certodesinteresse nas pessoas pelos ambientes urbanos, o que dificulta uma relação experiencialdireta entre o espaço público e todos os outros elementos que compõem uma cidade. É nessecenário que entra o design como uma alternativa capaz de modificar a relação existente entreas pessoas e o espaço público, ao utilizar seu potencial criativo e referencial para odesenvolvimento de projetos que valorizem os espaços públicos.Palavras Chave: espaço público; cidade; arte pública.AbstractThe citys public spaces, in general, lack of attractive and care causing disaffection in certainpersons for urban environments, which complicates a direct experiential relationship betweenpublic space and all other elements that make a city. Is this scenario going into the design asan alternative capable of modifying the relationship between people and public space, to usetheir creative potential and reference for the development of projects making use of publicspaces.Keywords: public spaces; city; public art.§
  2. 2. Design nos espaços públicos: um presente para a cidade1 Introdução Este artigo é resultado de um projeto interdisciplinar, que relacionou as disciplinas deSemiótica, Estética, Metodologia de Projeto, Fotografia e Rendering, proposto no terceiromódulo do Curso Superior de Tecnologia em Design de Produto do Instituto Federal de SantaCatarina (Campus Florianópolis). Esse projeto, o qual foi orientado por um grupo deprofessores, teve como tema o “ato de presentear”, sendo que a partir disso, a equipe deveriaencontrar um problema que relacionasse essa questão, para que fosse desenvolvida umafundamentação teórica que impulsionasse o desenvolvimento de um produto capaz de gerarsoluções para tal problema. Ao encontrar problemas referentes à carência de design nos espaços públicos e sensíveisa isso, desenvolveu-se um projeto com o objetivo de proporcionar um dispositivo urbano quepresenteasse os lugares da cidade por meio da interação dos elementos que a compõem. Naexecução das etapas do projeto de produto, o processo projetual foi dividido em dois gruposde ações, os quais, compostos por tarefas, foram solucionadas por meio de artifícioscientíficos: análise do problema e desenvolvimento conceitual. A primeira etapa, análise do problema, serviu para fundamentar o desenvolvimentoconceitual de um dispositivo urbano que veiculasse a comunicação entre a sociedade e oespaço urbano, tendo como foco o design para espaços públicos. E é dessa fundamentaçãoreferente ao design incorporado aos espaços públicos que o presente artigo se ocupa. Portanto,a seguir, reflete-se o problema encontrado e a partir disso são discorridos temas que são deinteresse ao design para espaços públicos: o presentear, a cidade e a arte da cidade.2 A problemática da falta de design nos espaços públicos Todo objeto que é transformado em presente carrega consigo algo que vai além de suainterface, geralmente eles visam transmitir uma mensagem ao indivíduo que o recebe, assim,possuem funções tanto práticas quanto estéticas, e principalmente simbólicas (LÖBACH,2001). Portanto, quando se escolhe um presente, logo, acrescenta-se um significado aomesmo, subentendendo-se que, de acordo com a mensagem transmitida, o indivíduopresenteado terá uma relação muito mais afetiva com o produto recebido. Segundo Flüsser(2007), o ser humano tem tido cada vez mais consciência do caráter efêmero dos produtos,toda matéria tende a perder sua forma, ou seja, sua informação; assim pode-se dizer que partedas escolhas feitas por quem quer presentear possui características muito mais simbólicas. Ao ter-se a ciência de que a relação homem-objeto se torna cada vez mais próxima,percebeu-se uma carência dessa relação no espaço público da cidade, local onde a integraçãoentre as pessoas deveria ser intensificada. As cidades caracterizam-se por serem áreas urbanas que possuem uma população e umestatuto legal. Suas culturas e histórias variam de região para região, mas não modificam ofato de que é por seus bairros e ruas que a sociedade transita diária e continuamente. Assim: Surgem dois planos nem sempre harmônicos, mas sempre coincidentes na estrutura da cidade enquanto fenômeno de comunicação: de um lado, está o plano construtivo como suporte da cidade que se transforma em meio a criar um ambiente comunicativo e, de outro lado, concretiza-se a imagem midiática da cidade que agasalha o cotidiano, a sociabilidade e as trocas interativas que transformam a cidade na maior experiência comunicativa da humanidade. (FERRARA, 2008, p. 42) Quando se tem em mente o espaço ‘cidade’, não se pode pensar em cada elemento que oconstitui de maneira particular, deve-se refletir como um conjunto de partes que secomplementam e permeiam uma população. Cada elemento possui seu valor e contribui para9º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design
  3. 3. Design nos espaços público: um presente para a cidadea construção de um ambiente no qual a comunidade e a estrutura citadina funcionem demaneira social (FERREIRA, 2002). Essa mesma função social, assim como está previsto noEstatuto das Cidades que regulamentou os artigos 182 e 183 da Constituição Federal, deve serassegurada em qualquer planejamento urbano (ESTATUTO DA CIDADE). Todavia, verificou-se, no Brasil e em especial na cidade de Florianópolis, que faltam nosespaços urbanos meios e atrativos que propiciem a interação entre as pessoas e o ambienteurbano. Praças, ruas e vias públicas estão abandonadas. Além desta problemática ainda existea questão dos condomínios que têm projetado suas áreas de lazer, de certa forma, retirando dopoder público a obrigação de revitalização desses espaços. Essa carência de atrativos ecuidados provoca nos indivíduos certo desinteresse pelos ambientes urbanos, o que faz comque eles não se sintam familiarizados com os elementos integrantes da cidade.Presentear – Um ato afetivo Não se sabe ao certo o momento exato do nascimento da tradição em dar e receberpresentes. Independente da motivação para se presentear, os presentes não representamapenas objetos que atuam em rituais de comemoração, representam também a materializaçãode uma relação criada ou mantida pelos indivíduos por meio desse ato (ANTUNES, 2009). Oreal sentido do ato de presentear tem como finalidade criar ou reavivar as relações sociais. Apreocupação atual em relação a sugestões afetivas e emocionais no design indica anecessidade de reinserir as relações humanas no meio social: [...] a preocupação atual de sugestões afetivas e emocionais no design parece indicar a vontade de reinserir as relações humanas no ambiente imediato. Cada vez mais as relações institucionais e pessoais tomam-se soltas nas dimensões de tempo e de espaço. O novo papel do design de objetos e sistemas de comunicação parece ser o de reinserir os valores humanos e da sensibilidade humana no mundo material, para fazer nossas interações com o produto, menos impessoais e estritamente funcionais, e mais relacionais, agradáveis e confiáveis. (NIEMEYER, 2003, p. 51) Segundo Pépece (2002) o ato de presentear está intimamente ligado à integração e talprática atua como agente descritivo e mantenedor dos relacionamentos. Tal afirmação se deveao fato de que apesar de os presentes, em algum momento, serem dados com o objetivo deatender alguma função prática (LÖBACH, 2001), a relação que esses estabelecem com osindivíduos, coloca os aspectos simbólicos e estéticos em primeiro plano. Graças a tais aspectos, os produtos contêm inúmeros significados, logo, por meio dospresentes, as pessoas procuram comunicar sua identidade, seus valores intrínsecos e crençasem relação aos objetos. Portanto, os produtos, como veículos de comunicação entre aspessoas, possibilitam, pela interação, experiências únicas e singulares. Partindo dessas considerações, verifica-se que o ato de presentear transcende asfunções mercadológicas e econômicas imbuídas em seu contexto. Juntamente ao design nosespaços urbanos podem-se explorar elementos que façam os cidadãos sentirem-sepresenteados por meio de um produto que incentive as práticas sociais e que promova,mediante a coletividade de uso do produto, encontros, inserções e interações com o espaçourbano.A cidade – Um organismo A cidade pode ser entendida como o mundo criado pelo homem, assim como descreve osociólogo urbano Robert Park (apud HARVEY, 2008, p. 11): 9º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design
  4. 4. Design nos espaços públicos: um presente para a cidade [...] a mais consistente e, no geral, a mais bem sucedida tentativa do homem de refazer o mundo onde vive de acordo com o desejo de seu coração. Porém, se a cidade é o mundo que o homem criou, então é nesse mundo que de agora em diante ele está condenado a viver. Assim, indiretamente, e sem nenhuma idéia clara da natureza de sua tarefa, ao fazer a cidade, o homem refez a si mesmo. A partir dessa e de outras concepções, a cidade apresenta-se como ponto central docruzamento entre espaço, tempo e variantes como a liberdade cultural e significativa. Porhaver essa intersecção de elementos, o que a torna repleta de características que constituemsignificados diferentes, não é possível ter uma leitura geral que sintetize uma definição exatacapaz de expressar precisamente qualquer cidade do espaço no qual se vive. Talvez essadefinição precisa e com seus limiares bem definidos seja aquela que se encontra em umdicionário: CIDADE, s.f. Centro populacional permanente, altamente organizado, com funções urbanas e políticas próprias; o conjunto dos habitantes desse centro; o centro comercial; sede do município. (TERSARIOL, 1996, p. 129) Porém, a morfologia da palavra cidade vai além da definição aparentemente inequívocaque qualquer dicionário carrega, observa-se aqui que é levada em consideração a capacidadede geração de signos, advindos principalmente por meio da estética, que o sistema nomeadocidade possui. Como afirma Jeudy (2005, p. 82), “a cidade se nutre de tudo que serve designo”, portanto, a integração e a maneira como esses signos se relacionam e coexistem nomesmo espaço faz surgir o que é conhecido como cidade. Ferrara (1988, p. 15) sustenta aidéia da relação entre signos para fazer existir: A integração de signos produz associação de idéias pelas relações de similaridade, causalidade e contigüidade entre aqueles signos, referência da e na cidade, o contexto e as conexões produzidas pelo usuário no seu dia-a-dia, um uso-leitura que incorpora e integra movimento, cor, textura, dimensão, frio ou calor, cheiro, envolvência: uma cidade-organismo dotada de elementos e propriedades bioquímicos. Ferrara (1988, p. 45) elucida alguns dos principais signos que fazem parte do espaçourbano de uma cidade: [...] o ambiente urbano é um complexo de signos: os formais (a própria forma do objeto construído), os lingüísticos (nome das ruas), os de propaganda (cartazes), os indicadores de direção, os estéticos (os materiais empregados, as características estilísticas de fachadas, jardins, iluminação etc.), os contextuais (a situação urbana em que se localiza), e os signos usuários (a especificidade dos comportamentos humanos tomados como signo). Ao falar dos elementos que constituem o organismo cidade, Ferrara (1988) entra naestética como fator desencadeador para a construção de significado. Pode-se considerar então,o design como uma ferramenta para atribuir tais aspectos estéticos aos elementos que compõeo organismo, utilizando seu potencial criativo para o desenvolvimento de projetos quevalorizem os espaços públicos. Esses espaços públicos são espaços onde há o direito de ir e vir. Ruas, parques, praças ejardins que possuem livre circulação e são destinados à coletividade são ditos como públicos.É de extrema importância para a saúde social de uma cidade que espaços desse tipo sejamoferecidos às mais diversas formas de socialização dos membros de uma sociedade. Logo:9º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design
  5. 5. Design nos espaços público: um presente para a cidade As cidades precisam oferecer para seus cidadãos espaços de convivência, de lazer, de integração e de cultura, para que homens e mulheres possam exercer o direito de uso coletivo, de ‘estar na rua ou no parque com a família’, da (re)valorização das relações humanas, enfim, a cidade deve ter em seus espaços lugares que oferecem qualidade de vida. Os cidadãos identificam-se com lugares, na medida que reconhecem sua importância, que assumem a condição de espaços de uso coletivo e que representem a identidade local ou global. (REIS, p. 02) Portanto, um espaço público, teoricamente, é aquele no qual é possível encontrar pessoasde todas as camadas sociais, culturais e econômicas; ou seja, a diversidade é característicaprincipal desse lugar. No entanto, a realidade atual das cidades nos mostra outro panorama, segundo Ferreira(2002). A perda e o descuido dos espaços públicos degradam a relação de convivência dosindivíduos dentro desses espaços, e assim, há uma maior busca por entidades privadas pararealizar tais encontros. O aparente descaso do Estado com os espaços sociais da cidade tem seintensificado, uma vez que grupos empresariais têm procurado parcerias com o poder públicopara “presentear” a cidade com obras como shopping centers, obras com carátermajoritariamente comercial, o que acentua ainda mais o desenvolvimento urbano desigual. Osespaços urbanos comuns devem ser pensados de maneira inclusiva (HARVEY, 2008) paraque possam cumprir com eficiência o seu papel social para com os cidadãos. Harvey (2008, p. 14) afirma que a grande urbanização que ocorre nesses últimos temposnão permite que haja reflexão da sociedade a respeito do fato de que “[...] individualmente ecoletivamente, fazemos nossa cidade através de nossas ações diárias e de nossosengajamentos políticos, intelectuais e econômicos”. Portanto, há necessidade de fazer comque os cidadãos se sintam os próprios personagens desse espaço, que são capazes de interferirna cidade através das práticas diárias, mesmo inconscientes de seus atos, pois estes possuemdireito à cidade. Kunsch (2008, p. 04) explica esse direito com base numa abordagem deHarvey: Harvey defende o direito à cidade como ‘inalienável’, ou seja, o direito do qual não podemos abrir mão. Exercer o direito à cidade significa assumir a nossa responsabilidade no processo de produção e de transformação da cidade.A Arte da cidade A cidade é uma temática complexa compreendida por diversas áreas do conhecimento.Ítalo Calvino, em Cidades Invisíveis, nos lembra que o espaço nada significa numa meraexterioridade, ele só existe em relação aos sujeitos que os significam. Intrínseca à cidade, estásua história, seu cotidiano e os atores que estão inseridos no contexto do espaço. Na contemporaneidade, os centros urbanos são cenários concretos de diversidade e dedesigualdade. Por esse fato, faz-se necessário pensar a estética relacional (BOURRIAUD,2006) como alternativa à sociabilidade, e percebê-la como estimuladora de experiências etambém como artifício para solucionar a carência de laços sociais que uma sociedadecapitalista e globalizada provoca. Em benefício do individualismo, a sociedade do consumo esquece as questõessubjetivas, as ligações afetivas e os espaços coletivos. Como meio de revitalizar as relações evivência dos lugares, busca-se analisar três áreas do conhecimento em que ocorre umaprofunda intersecção em relação ao contexto urbano, são elas: a arte, o design e a arquitetura. 9º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design
  6. 6. Design nos espaços públicos: um presente para a cidadeDialogando entre a arte, o design e a arquitetura Como conseqüência da “era Pós-Industrial”, a urbanização e o desenho da cidade foramexpandidos e, como conseqüência, criou-se espaço para o surgimento do design nos espaçosurbanos, o que estreitou as fronteiras entre a arte e a arquitetura. Na sociedade contemporânea, o sistema capitalista nos induz a criar as relações com osobjetos meramente com o intuito de comercializá-los, o que pode gerar um grande vazio designificações. Assim sendo, o papel do designer nos espaços urbanos é de tentar criar táticasrestauradoras das relações. O design passa a ser compreendido como intervenção cultural no espaço, que é dadoatravés do complexo de idéias que englobam a estética, a sociologia e a semiótica. Para isso,Flüsser (1992) afirma que o design é a essência funda da cultura. É através dessa cultura que odesign vai atuar como mediador entre o objeto e o espectador, possibilitando a vivência deexperiências estéticas que gerem situações intensificadas de encontro e socialização. Esta vertente que relaciona o design no espaço público como intervenção cultural podeser compreendida pela transformação da arte no último século. As décadas de sessenta esetenta foram o estopim para as grandes manifestações artísticas e culturais. A arte passounesse período por uma imensa expansão em seus conceitos e práticas que acabaram porrefletir na visão do que seria considerado “arte pública”. Interpretada anteriormente comouma escultura e/ou monumento que visava valorizar o espaço físico, a arte era representadapor meio da história da arte e muitas vezes não considerava a própria cidade, seu contexto e ahistoria cultural de seus habitantes. Assim como elucida Krauss (1979, p. 88): [...] ao longo que os anos 60 se prolongavam aos 70, o termo escultura começou a se tornar problemático e obscuro, no sentido de que cada vez mais abarcava um campo tão heteróclito que corria o risco de entrar em colapso. Essa transição da arte para fora dos museus possibilitou uma maior relação com opúblico e foi de suma importância para o desenvolvimento de uma arte pública, crítica epolítica. Jeudy (2005, p. 129) enfatiza que: Não se trata mais da arte dentro dos museus, mas da arte nas ruas ou em lugares indeterminados. E essa arte coletiva, arte cotidiana, pode se tornar um procedimento de salvação pública contra a degradação das relações sociais. Para Amaral (1998), a experiência artística vem em busca de um olhar crítico por meiode uma arte que seja problematizadora de espaços, lugares, campos e estruturas, e assim odesign também deve se portar. A arte pública, e consequentemente o design para o ambienteurbano, não está focada especificamente no objeto estético, mas no contexto da obra e naintervenção social que a mesma ocasiona. Como principal característica nota-se aflexibilidade por possibilitar a mudança de acordo com as circunstâncias e condições de cadalugar específico, criando provocações e gerando o debate cívico. O artista passa, nesse contexto, a ter o papel de criar descontinuidades, não só no espaçopúblico, urbano e coletivo, mas também no seu próprio cotidiano e percurso. O percursomencionado converge para o que Bourriaud (2006) chama de “estética relacional”, umaestética centrada nas práticas sociais que busca ampliar ao máximo as suas possibilidadesconotativas, a procurar a participação ativa do espectador. Através da interação, visaproporcionar um intercâmbio mediante a experiência da proximidade, ao transformar a arteem um estado de encontro.9º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design
  7. 7. Design nos espaços público: um presente para a cidadeConsiderações Tratar os elementos que compõem um espaço público da cidade como um presente àsociedade é uma alternativa para o desenvolvimento de dispositivos que contribua para o bemestar social, na medida em que esses sejam capazes de proporcionar novas experiênciasestéticas e afetivas às pessoas. É nesse contexto que o design encontra mais um âmbito em que pode desempenhar seupapel de agregar valores aos produtos:o design nos espaços públicos. A partir disso,impulsiona-se a discussão de novas abordagens acerca do envolvimento do designer nosespaços que formam a cidade.ReferênciasAMARAL, Lilian. Arte pública: Arte do público. 1998.ANTUNES, Vinícius R.S. Caliente!: Linha de presentes para a empresa Uati. Trabalho deConclusão de Curso do curso de Design de Produto, Instituto Federal de Educação, Ciência eTecnologia de Santa Catarina, Florianópolis, 2009.BOURRIAUD, Nicolas. Estética relacional. Buenos Aires: Adriana Hidalgo, 2006 .ESTATUTO DA CIDADE. Disponível em: <http://www.estatutodacidade.com.br/>. Acessoem: out. 2009.FERRARA, Lucrecia D’Aléssio. Ver a cidade. São Paulo: Nobel, 1988.FERREIRA, William Rodrigues. O espaço público nas áreas centrais: a rua comoreferência - um estudo de caso em Uberlândia-MG. Tese de doutorado. Universidade de SãoPaulo, 2002. Disponível em <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-28042006-103725/ >. Acesso em 19 de setembro de 2009.FLÜSSER, Vilém. O mundo codificado. São Paulo: Cosac & Naify, 2007.______. On the term "design". Artforum, 1992.HARVEY, David. A liberdade da cidade. Revista Urbânia 3. Editora Pressa, 2008.JEUDY, Henri-Pierre. Espelho das cidades. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2005.KRAUSS, Rosalind. A escultura no campo ampliado. Revista Gávea da PontifíciaKUNSCH, Graziela. Editorial. Urbânia 3. Pressa, 2008. Universidade Católica - PUC. Rio deJaneiro, 1995.LÖBACH, Bernard. Design Industrial: Base para a configuração dos produtos industriais.São Paulo: Edgar Blücher, 2001.NIEMEYER, Lucy. Elementos da Semiótica Aplicados ao Design. Rio de Janeiro: 2AB,2003. 9º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design
  8. 8. Design nos espaços públicos: um presente para a cidadePÉPECE, Olga M.C. O ato de presentear: o único capaz de transmitir mensagens semutilizar palavras, de expressar carinho sem utilizar o toque. In: CONGRESSO BRASILEIRODE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, XXV, 2002, Salvador. Anais, São Paulo: Intercom,2002.REIS, Fábio José Garcia. Patrimônio cultural: revitalização e utilização. Disponível em:<http://www.google.com.br/url?sa=t&source=web&ct=res&cd=1&ved=0CAsQFjAA&url=http%3A%2F%2Fwww.lo.unisal.br%2Fnova%2Fpublicacoes%2Fpatrimoniocultural.doc&ei=I2HOSszsA4iZ8AbU0f36Aw&rct=j&q=patrim%C3%B4nio+cultural+revitaliza%C3%A7%C3%A3o+e+utiliza%C3%A7%C3%A3o&usg=AFQjCNHr7JamFTUjLxdXhglwlc5Z3N-aGA&sig2=aX-tee0v2LLu6lotoscLww> Acesso em: out. 2009.TERSARIOL, Alpheu. Minidicionário da língua portuguesa. 2. ed. Rio Grande do Sul:Edelbra, 1997.ZIMERMANN, Giovana. Arte pública na cidade contemporânea. Jul. 2009. Disponivelem: <http://artepublicaemflorianopolis.blogspot.com>. Acesso em: out. 2009.9º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design

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