A linguagem cênica

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A linguagem cênica

  1. 1. A LINGUAGEM CÊNICA Caixa cênica A caixa cênica é uma construção cúbica que não tem janelas e nem sistema de ar condicionado. É recomendável um pé direito no mínimo 2 vezes e meia a altura da boca de cena, sendo seu limite superior uma grelha metálica com recursos técnicos nela instalados. Não se deve condicionar o ar para o palco, pois, normalmente, os atores aquecem a voz e o corpo antes de entrar em cena, um resfriamento do ar poderia acarretar em uma situação prejudicial à sua saúde e seu consequente desempenho. Além disso, uma circulação de ar dentro da caixa provocaria movimentação das vestimentas, cenários e equipamentos de luz instalados às varas. Deve-se evitar a passagem da tubulação de ar-condicionado dentro da caixa cênica, mesmo sem a função de resfriar o ambiente, pois fatalmente prejudicaria a instalação e manobra da maquinaria cênica. UrdimentoÉ a altura superior da caixa cênica, o espaço vazio acima do ângulo de visão do espectador. Oseu limite superior é a grelha, onde são fixados recursos técnicos e operacionais, tais como asroldanas ou gornes, que vão permitir o deslocamento das varas de luz e cenário. Tem comofunção abrigar os cenários que farão as mudanças das cenas, subindo ou descendo. Permite ainstalação de equipamentos de luz e de efeitos, montagens das maquinarias e manobras paraefeitos especiais como os aparecimentos e voos das personagens. Quanto maior o número devaras instaladas maior serão os recursos para as montagens. VarandasSão construções como passadiços ou janelas construídas nas paredes laterais da caixa cênica,sobre o espaço das coxias. Têm a função cênica de manipulação dos cenários, equipamentos emanobras especiais instaladas nas varas. São no mínimo dois níveis de varanda. A varanda demanobra instalada acima do nível da boca de cena, onde o maquinista faz a manipulação dasmudanças dos cenários. A varanda de lastro, no nível abaixo da grelha e numa altura quepermita o total percurso das varas e consequentes carros de contrapeso, é o espaço destinadoao armazenamento dos lastros ou pesos e que serão utilizados na contrapesagem dos cenáriose equipamentos instalados. As varas deverão atingir o nível do piso do palco e os carros decontrapeso atingirão o nível das roldanas de cabeça. Este é o percurso das varas na altura totaldo urdimento. A parede lateral da caixa que recebe as guias dos carros de contrapeso nosistema metálico, e que recebe a barra de malaguetas é chamada parede de maquinaria edefine a altura da caixa cênica. Deve ser livre de vãos ou aberturas de qualquer natureza, pois,a sua montagem perpendicular à linha da boca de cena, é prevista de recursos operacionais emtoda a sua largura, que é a profundidade da área de cena ou palco.
  2. 2. CoxiasSão os espaços laterais da caixa cênica e tem a função de albergar os cenários que entram esaem de cena, espaço para organização da contraregragem, espaço para preparo econcentração do artista, espaço para impulso e freagem dos movimentos dos bailarinos,espaço de direção interna da cena e concentração de técnicos operadores. Devemos ter coxiasgenerosas, pois, quanto maiores, maior será a liberdade criativa e dinâmica dos espetáculos. Aaltura das coxias deve corresponder à altura da caixa cênica. Para os palcos dos grandesteatros que recebem montagem de óperas devem-se propor coxias no mínimo da mesmalargura da boca de cena, resguardados os espaços das fugas que são definidos pelasvestimentas instaladas. PalcoConceitualmente palco é a área de cena e não tem limites laterais definidos. A boca de cenadefine a abertura da área de encenação. O palco será definido a partir das linhas de visão doespectador numa relação com a área de cena proposta pela cenografia. É o espaço doespetáculo visto. Recomenda-se uma profundidade no mínimo igual à boca de cena. Estaforma "quadrada" de propor a área de cena permite que a arquitetura cênica não seja umagente limitador na estética da encenação. O palco e as coxias poderão receber equipamentospróprios. Os elevadores de palco e do fosso da orquestra, palcos móveis e giratórios deverão,para o seu projeto e instalação, receber a consultoria de profissionais especializados emcenotécnia para a definição do equipamento a ser utilizado e de suas exigências para ainstalação, funcionamento e manutenção. PorãoÉ o espaço vazio inferior da caixa cênica. Tem como função à continuação do palco comoespaço cênico, permitindo o aparecimento de personagens e equipamentos de efeito. Quandoo piso do palco é montado em quarteladas (placas de madeira removíveis) o porão épreenchido por macaquinhos. Num palco com elevadores ou outros recursos o porão é oespaço de percurso e de máquinas. Iluminação cênicaA iluminação cênica exige cuidados quanto ao cabeamento, plugs e equipamentos comodimmers, refletores, mesa de comando e demanda quase sempre total dos pontos instalados.Os pontos instalados deverão prover ao máximo as possibilidades de uma luz cênica, sem umlimite de potencial criativo, e, portanto definidos e montados por um profissional especialista. PlateiaÉ considerada uma boa inclinação para a plateia degraus com altura entre 15 a 18 cm epatamares de 95 cm de largura. Com este perfil ficam inviável circulações internas rampa das o
  3. 3. que seria ideal para atender aos idosos e paraplégicos. Soluções como espaços reservados naúltima fileira e quando possíveis acessos externos em diferentes níveis da plateia por meio derampas ou elevadores são as soluções adotadas. As cadeiras são colocadas desencontradas emrelação a sequencia das filas, ou seja, o eixo das cadeiras de uma fila não coincide com o eixoda fila frontal ou posterior. As circulações internas da plateia devem fugir do eixo central, pois,sendo o melhor ângulo de visão do espectador é ideal que seja ocupado por cadeiras. O idealsão as circulações laterais.Para a acústica é necessário um apoio técnico de um profissional e em conjunto definir orevestimento das paredes, forro e chão numa combinação de materiais ora reflexivos, oraabsorventes. A forma definida pela arquitetura deve colaborar com a acústica, ou seja, paredeslaterais não paralelas e uma boa cubagem. Estima-se que uma boa cubagem fica em torno deum volume igual a 5 a 6 m3 por espectador.Um importante elemento cenotécnico presente na plateia é a ponte de iluminação. Seuposicionamento, próximo ao palco, é definido pela angulação máxima e mínima dos refletoresem relação ao palco e ao proscênio. A ponte de luz deverá ter dimensões confortáveis (100 xextensão da plateia x 190) para o técnico afinar os refletores. Para o melhor posicionamentodos refletores, é interessante que o comprimento da ponte de luz se prolongue por toda aextensão transversal da plateia. Uma passarela de serviço, sobre o forro da plateia interligandoo palco e a cabine de operação, agiliza o trabalho do cenotécnico além de ser necessária paramanutenção das lâmpadas.Quanto à cabine de operação, é ideal que esteja situada no eixo da plateia, consequente eixodo palco. As dimensões são baseadas nos equipamentos a serem adquiridos. Quando possível,possibilitar uma instalação sanitária para o operador. O visor pode ter vidro, mas nunca fixoisto impossibilitaria o operador de ouvir o espetáculo e, consequentemente, equalizar o som. FoyerO foyer com sua iluminação suave proporciona ao espectador uma preparação para oespetáculo. Pelas ansiedades e expectativas do público, o ambiente deve se apresentarbastante aconchegante aos seus sentidos. Apoios como sanitários e um café seguem aproporção do número de espectadores.A bilheteria é interessante que esteja dentro do teatro para proporcionar mais segurança aopúblico. Uma sala para a administração que esteja próxima à bilheteria e ao foyer é uma boasugestão. Teatro italiano:Caracterizado pela disposição frontal da plateia ao palco, o palco italiano é o mais utilizado,dentre as tipologias existentes. Além dessa disposição frontal da plateia, outros elementoscaracterizam o teatro italiano: palco delimitado pela boca de cena e sua consequente cortina e
  4. 4. a presença da caixa cênica com urdimento, coxias e varandas. Teatro elizabetano ou esporão: Nesta configuração a relação palco x plateia é diferente da estabelecida no teatro italiano. A plateia envolve o palco em três lados – frente e laterais. Não há, na maioria das vezes, a presença da boca de cena e da caixa cênica, ficando toda a estrutura da área de cena à vista do espectador – varas de cenário, iluminação e outros recursos técnicos e operacionais. Teatro de arena: Palco inserido no meio da plateia. Nesta tipologia a plateia é disposta em todos os lados ou em toda a circunferência do palco, podendo sua forma ser circular, triangular, quadrada, trapezoidal, etc. Esta configuração é muito comum ser instalada ao ar livre. É preciso observar ventos dominantes e os anteparos naturais como árvores e montanhas ao implantar as arenas, pois, estes são elementos que definirão acústica. Assim como no teatro elizabetano ou esporão, toda a estrutura do palco fica à vista do espectador, como por exemplo, a grelha para iluminação. Poucos edifícios teatrais são construídos nessa relação palco e plateia. Teatro de rua ou passarela Palco instalado longitudinalmente entre duas plateias distintas. Estes palcos são, muitas vezes, instalados nas ruas, praças, parques etc. Com ou sem caixa cênica, o espetáculo estabelece uma diferente estética de encenação, com saídas e entradas de cena sempre pelas laterais do palco. Teatro múltiplo Os teatros chamados múltiplos são caracterizados pela possibilidade de montagem do palco em diversas posições, não possuindo uma caixa cênica propriamente dita. Varas de cenário e iluminação, varandas de manobra e carros contrapesados, são colocadas visíveis aos olhos do espectador, distribuídos por toda a extensão do espaço possibilitando a liberdade de escolha do local e da configuração do palco e da plateia a ser instalada.http://www.lazuliarquitetura.com.br/frame_teatros.htm

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