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Nascido em lar humilde, na Rua do Cónego, perto da Sé, em

    Lisboa, foi o primogénito de quatro filhos de Cristóvão Vieira
    Ravasco, de origem alentejana cuja mãe era filha de uma mulata
    ou africana, e de Maria de Azevedo, lisboeta. Cristóvão serviu na
    Marinha Portuguesa e foi, por dois anos, escrivão da Inquisição.
    Mudou-se para o Brasil em 1609, para assumir cargo de escrivão
    em Salvador, mandando vir a família em 1618.
António Vieira chegou à Bahia com seis anos de idade. Fez os primeiros

    estudos no Colégio dos Jesuítas em Salvador, onde, principiando com
    dificuldades, veio a tornar-se brilhante aluno. Ingressou na Companhia
    de Jesus como noviço em Maio de 1623.
    Em 1624, quando aconteceu a invasão holandesa de Salvador, refugiou-

    se no interior da capitania, iniciou a sua vocação missionária. Um ano
    depois tomou os votos de castidade, pobreza e obediência, abandonando
    o noviciado. Prosseguiu os seus estudos em Teologia, tendo estudado
    ainda Lógica, Metafísica e Matemática, obtendo o mestrado em Artes.
    Foi professor de Retórica em Olinda, ordenando-se sacerdote em 1634.
    Nesta época já era conhecido pelos seus primeiros sermões, tendo fama
    de notável pregador.
    Quando da segunda invasão holandesa ao Nordeste do Brasil(1630-

    1654), defendeu que Portugal entregasse a região aos Países Baixos,
    pois gastava dez vezes mais com sua manutenção e defesa do que o que
    obtinha em contrapartida, além do fato de que os Países Baixos eram um
    inimigo militarmente muito superior à época. Quando eclodiu uma
    disputa entre Dominicanos (membros da Inquisição) e Jesuítas
    (catequistas), Vieira, defensor dos judeus, caiu em desgraça,
    enfraquecido pela derrota de sua posição quanto à questão da Região
    Nordeste do Brasil.
Após a Restauração da Independência (1640), em 1641 regressou a

    Lisboa iniciando uma carreira diplomática, pois integrava a missão que ia
    ao Reino prestar obediência ao novo monarca. Sobressaindo pela
    vivacidade de espírito e como orador, conquistou a amizade e a
    confiança de João IV de Portugal, sendo por ele nomeado pregador
    régio. Ainda como diplomata, foi enviado em 1646 aos Países Baixos para
    negociar a devolução do Nordeste do Brasil, e, no ano seguinte, à
    França. Caloroso adepto de obter para a Coroa a ajuda financeira dos
    cristãos-novos, entrou em conflito com o Santo Ofício, mas viu fundada
    a Companhia Geral do Comércio do Brasil. O pai, foi nomeado pensionista
    real.
Em Portugal havia quem não gostasse de suas

    pregações em favor dos judeus. Após tempos
    conturbados acabou voltando ao Brasil, de 1652 a
    1661, missionário no Maranhão e no Grão-Pará,
    sempre defendendo a liberdade dos índios.
    Diz o Padre Serafim Leite em quot;Novas Cartas

    Jesuíticasquot;, Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1940,
    página 12, que Vieira tem quot;para o norte do Brasil, de
    formação tardia, só no século XVII, papel idêntico ao
    dos primeiros jesuítas no centro e no sul», na «defesa
    dos Índios e crítica de costumesquot;. quot;Manuel da
    Nóbrega e António Vieira são, efectivamente, os mais
    altos representantes, no Brasil, do criticismo colonial.
    Viam justo - e clamavam!quot;
Em 1654, pouco depois de proferir o célebre quot;Sermão de Santo António

    aos Peixesquot; em São Luís, no Estado do Maranhão, o padre António Vieira
    partiu para Lisboa, junto com dois companheiros, a bordo de um navio da
    Companhia de Comércio, carregado de açúcar. Tinha como missão
    defender junto ao monarca os direitos dos indígenas escravizados,
    contra a cobiça dos colonos portugueses. Após cerca de dois meses de
    viagem, já à vista da ilha do Corvo, a Oeste dos Açores, abateu-se sobre
    a embarcação uma violenta tempestade. Mesmo recolhidas as velas, à
    excepção do traquete, correndo o navio à capa, uma rajada mais forte
    arrancou esta vela, fazendo a embarcação adornar a estibordo. Em
    pleno mar revolto, na iminência do naufrágio, o padre concedeu a todos
    absolvição geral, pedindo aos ventos, a sua salvação
Nesse transe uma outra embarcação foi avistada, mas sem que prestasse

    qualquer auxílio. Ao cair da noite a mesma retornou, mas tratava-se de um
    corsário holandês que recolheu os náufragos a bordo e pilhou a embarcação à
    deriva, que acabou por ser afundada. Nove dias mais tarde, quarenta e um
    portugueses, despojados de seus pertences pessoais, foram desembarcados na
    Graciosa, onde o padre António Vieira, com o auxílio dos religiosos da Companhia
    de Jesus, procurou providenciar-lhes roupas, calçado e dinheiro durante os dois
    meses que permaneceram na ilha. Dali, também, creditou Jerónimo Nunes da
    Costa para que este fosse a Amesterdão buscar os papéis e livros que lhe haviam
    sido tomados pelos corsários, o que se acredita tenha sido cumprido uma vez que
    dispomos hoje de cerca de duzentos sermões (este naufrágio é relatado no
    vigésimo-sexto) e cerca de 500 cartas do religioso, muitas das quais anteriores
    ao naufrágio.
    O grupo passou em seguida à Ilha Terceira, onde Vieira obteve o aprestamento

    de uma embarcação para que os seus companheiros de infortúnio pudessem seguir
    para Lisboa. Instalado no Colégio dos Jesuítas em Angra, ele aqui permaneceu
    mais algum tempo, tendo instituído a devoção do terço, que pela primeira vez foi
    cantado na Ermida da Boa Nova. Entre os sermões que pregou em diversos locais
    da ilha, destacou-se o que proferiu na Igreja da Sé, na Festa do Rosário,
    celebrada anualmente a 7 de Outubro, com aquele templo repleto.
    Uma semana mais tarde, Vieira passou à Ilha de São Miguel, onde proferiu o

    sermão de Santa Teresa, um dos mais destacados de sua autoria. Dali partiu para
    Lisboa, a bordo de um navio inglês, a 24 de Outubro. Após atravessar nova
    tempestade, o religioso chegou finalmente ao destino, em Novembro de 1654.
Voltou para a Europa com a morte de D. João IV, tornando-se

    confessor da Regente, D. Luísa de Gusmão. Com a morte de D.
    Afonso VI, Vieira não encontrou apoio.
    Abraçou a profecia sebastianina e por isso entrou de novo em

    conflito com a Inquisição que o acusou de heresia com base numa
    carta de 1659 ao bispo do Japão, na qual expunha sua teoria do
    Quinto Império, segundo a qual Portugal estaria predestinado a ser
    a cabeça de um grande império do futuro. Expulso de Lisboa,
    desterrado e encarcerado no Porto e depois encarcerado em
    Coimbra, enquanto os jesuítas perdiam seus privilégios. Em 1667 foi
    condenado a internamento e proibido de pregar, mas, seis meses
    depois, a pena foi anulada. Com a regência de D. Pedro, futuro D.
    Pedro II de Portugal, recuperou o valimento.
Seguiu para Roma, de 1669 a 1675. Encontrou o Papa às portas da

    morte, mas deslumbrou a Cúria com seus discursos e sermões. Com
    apoios poderosos, renovou a luta contra a Inquisição, cuja actuação
    considerava nefasta para o equilíbrio da sociedade portuguesa. Obteve
    um breve pontifício que o tornava apenas dependente do Tribunal
    romano.
Deixou u a obra complexa que exprime suas opiniões políticas, sendo não

    propriamente um escritor e sim um orador. Além dos Sermões redigiu o
    Clavis Prophetarum, livro de profecias que nunca concluiu. Entre os
    inúmeros sermões, alguns dos mais célebres: o quot;Sermão da Quinta
    Domingo da Quaresmaquot;, o quot;Sermão da Sexagésimaquot;, o quot;Sermão pelo Bom
    Sucesso das Armas de Portugal contra as de Holandaquot;, o quot;Sermão do
    Bom Ladrãoquot;,quot;Sermão de Santo António aos Peixesquot; entre outros.
Existem muitas lendas sobre o padre António Vieira, incluindo a que

    afirma que, na juventude, a sua genialidade lhe fora concedida por
    Nossa Senhora, e a que, uma vez, um anjo lhe indicou o caminho de volta
    à escola quando estava perdido.
Trabalho Elaborado por:
Ricardo Mendes Nº22 10ºD

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O Padre Antônio Vieira: vida e obra do notável jesuíta e orador português

  • 1.
  • 2. Nascido em lar humilde, na Rua do Cónego, perto da Sé, em  Lisboa, foi o primogénito de quatro filhos de Cristóvão Vieira Ravasco, de origem alentejana cuja mãe era filha de uma mulata ou africana, e de Maria de Azevedo, lisboeta. Cristóvão serviu na Marinha Portuguesa e foi, por dois anos, escrivão da Inquisição. Mudou-se para o Brasil em 1609, para assumir cargo de escrivão em Salvador, mandando vir a família em 1618.
  • 3. António Vieira chegou à Bahia com seis anos de idade. Fez os primeiros  estudos no Colégio dos Jesuítas em Salvador, onde, principiando com dificuldades, veio a tornar-se brilhante aluno. Ingressou na Companhia de Jesus como noviço em Maio de 1623. Em 1624, quando aconteceu a invasão holandesa de Salvador, refugiou-  se no interior da capitania, iniciou a sua vocação missionária. Um ano depois tomou os votos de castidade, pobreza e obediência, abandonando o noviciado. Prosseguiu os seus estudos em Teologia, tendo estudado ainda Lógica, Metafísica e Matemática, obtendo o mestrado em Artes. Foi professor de Retórica em Olinda, ordenando-se sacerdote em 1634. Nesta época já era conhecido pelos seus primeiros sermões, tendo fama de notável pregador. Quando da segunda invasão holandesa ao Nordeste do Brasil(1630-  1654), defendeu que Portugal entregasse a região aos Países Baixos, pois gastava dez vezes mais com sua manutenção e defesa do que o que obtinha em contrapartida, além do fato de que os Países Baixos eram um inimigo militarmente muito superior à época. Quando eclodiu uma disputa entre Dominicanos (membros da Inquisição) e Jesuítas (catequistas), Vieira, defensor dos judeus, caiu em desgraça, enfraquecido pela derrota de sua posição quanto à questão da Região Nordeste do Brasil.
  • 4. Após a Restauração da Independência (1640), em 1641 regressou a  Lisboa iniciando uma carreira diplomática, pois integrava a missão que ia ao Reino prestar obediência ao novo monarca. Sobressaindo pela vivacidade de espírito e como orador, conquistou a amizade e a confiança de João IV de Portugal, sendo por ele nomeado pregador régio. Ainda como diplomata, foi enviado em 1646 aos Países Baixos para negociar a devolução do Nordeste do Brasil, e, no ano seguinte, à França. Caloroso adepto de obter para a Coroa a ajuda financeira dos cristãos-novos, entrou em conflito com o Santo Ofício, mas viu fundada a Companhia Geral do Comércio do Brasil. O pai, foi nomeado pensionista real.
  • 5. Em Portugal havia quem não gostasse de suas  pregações em favor dos judeus. Após tempos conturbados acabou voltando ao Brasil, de 1652 a 1661, missionário no Maranhão e no Grão-Pará, sempre defendendo a liberdade dos índios. Diz o Padre Serafim Leite em quot;Novas Cartas  Jesuíticasquot;, Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1940, página 12, que Vieira tem quot;para o norte do Brasil, de formação tardia, só no século XVII, papel idêntico ao dos primeiros jesuítas no centro e no sul», na «defesa dos Índios e crítica de costumesquot;. quot;Manuel da Nóbrega e António Vieira são, efectivamente, os mais altos representantes, no Brasil, do criticismo colonial. Viam justo - e clamavam!quot;
  • 6. Em 1654, pouco depois de proferir o célebre quot;Sermão de Santo António  aos Peixesquot; em São Luís, no Estado do Maranhão, o padre António Vieira partiu para Lisboa, junto com dois companheiros, a bordo de um navio da Companhia de Comércio, carregado de açúcar. Tinha como missão defender junto ao monarca os direitos dos indígenas escravizados, contra a cobiça dos colonos portugueses. Após cerca de dois meses de viagem, já à vista da ilha do Corvo, a Oeste dos Açores, abateu-se sobre a embarcação uma violenta tempestade. Mesmo recolhidas as velas, à excepção do traquete, correndo o navio à capa, uma rajada mais forte arrancou esta vela, fazendo a embarcação adornar a estibordo. Em pleno mar revolto, na iminência do naufrágio, o padre concedeu a todos absolvição geral, pedindo aos ventos, a sua salvação
  • 7. Nesse transe uma outra embarcação foi avistada, mas sem que prestasse  qualquer auxílio. Ao cair da noite a mesma retornou, mas tratava-se de um corsário holandês que recolheu os náufragos a bordo e pilhou a embarcação à deriva, que acabou por ser afundada. Nove dias mais tarde, quarenta e um portugueses, despojados de seus pertences pessoais, foram desembarcados na Graciosa, onde o padre António Vieira, com o auxílio dos religiosos da Companhia de Jesus, procurou providenciar-lhes roupas, calçado e dinheiro durante os dois meses que permaneceram na ilha. Dali, também, creditou Jerónimo Nunes da Costa para que este fosse a Amesterdão buscar os papéis e livros que lhe haviam sido tomados pelos corsários, o que se acredita tenha sido cumprido uma vez que dispomos hoje de cerca de duzentos sermões (este naufrágio é relatado no vigésimo-sexto) e cerca de 500 cartas do religioso, muitas das quais anteriores ao naufrágio. O grupo passou em seguida à Ilha Terceira, onde Vieira obteve o aprestamento  de uma embarcação para que os seus companheiros de infortúnio pudessem seguir para Lisboa. Instalado no Colégio dos Jesuítas em Angra, ele aqui permaneceu mais algum tempo, tendo instituído a devoção do terço, que pela primeira vez foi cantado na Ermida da Boa Nova. Entre os sermões que pregou em diversos locais da ilha, destacou-se o que proferiu na Igreja da Sé, na Festa do Rosário, celebrada anualmente a 7 de Outubro, com aquele templo repleto. Uma semana mais tarde, Vieira passou à Ilha de São Miguel, onde proferiu o  sermão de Santa Teresa, um dos mais destacados de sua autoria. Dali partiu para Lisboa, a bordo de um navio inglês, a 24 de Outubro. Após atravessar nova tempestade, o religioso chegou finalmente ao destino, em Novembro de 1654.
  • 8. Voltou para a Europa com a morte de D. João IV, tornando-se  confessor da Regente, D. Luísa de Gusmão. Com a morte de D. Afonso VI, Vieira não encontrou apoio. Abraçou a profecia sebastianina e por isso entrou de novo em  conflito com a Inquisição que o acusou de heresia com base numa carta de 1659 ao bispo do Japão, na qual expunha sua teoria do Quinto Império, segundo a qual Portugal estaria predestinado a ser a cabeça de um grande império do futuro. Expulso de Lisboa, desterrado e encarcerado no Porto e depois encarcerado em Coimbra, enquanto os jesuítas perdiam seus privilégios. Em 1667 foi condenado a internamento e proibido de pregar, mas, seis meses depois, a pena foi anulada. Com a regência de D. Pedro, futuro D. Pedro II de Portugal, recuperou o valimento.
  • 9. Seguiu para Roma, de 1669 a 1675. Encontrou o Papa às portas da  morte, mas deslumbrou a Cúria com seus discursos e sermões. Com apoios poderosos, renovou a luta contra a Inquisição, cuja actuação considerava nefasta para o equilíbrio da sociedade portuguesa. Obteve um breve pontifício que o tornava apenas dependente do Tribunal romano.
  • 10. Deixou u a obra complexa que exprime suas opiniões políticas, sendo não  propriamente um escritor e sim um orador. Além dos Sermões redigiu o Clavis Prophetarum, livro de profecias que nunca concluiu. Entre os inúmeros sermões, alguns dos mais célebres: o quot;Sermão da Quinta Domingo da Quaresmaquot;, o quot;Sermão da Sexagésimaquot;, o quot;Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contra as de Holandaquot;, o quot;Sermão do Bom Ladrãoquot;,quot;Sermão de Santo António aos Peixesquot; entre outros.
  • 11. Existem muitas lendas sobre o padre António Vieira, incluindo a que  afirma que, na juventude, a sua genialidade lhe fora concedida por Nossa Senhora, e a que, uma vez, um anjo lhe indicou o caminho de volta à escola quando estava perdido.
  • 12. Trabalho Elaborado por: Ricardo Mendes Nº22 10ºD