9Introdução                                                       "Cada dia é um dia roubado da morte (...)               ...
10Atenção Psicossocial para as práticas em Saúde Mental contemporâneas. No 3º capítulo é, porsua vez, onde foi realizado m...
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12recreação ou mesmo de ocupação para distração de alienados. Em termos de clínica, este usoda ocupação como meio psicoter...
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14II. Ocupação Humana como Forma de Tratamento: Evolução da Clínica em TerapiaOcupacional                                 ...
15de aplicação num contexto clínico da Terapia Ocupacional. Por se basear numa crençapedagógica e moralizadora de que o tr...
16Cria seu método de tratamento mais ativo ou tratamento hiper-ativo. Preconizando o uso decapacidades, como um método edu...
17de um profissional terapeuta ocupacional devidamente regulamentado para tal exercício;sendo esta “Terapia Ocupacional” r...
18Terapia Ocupacional. Paradigma que ali compreendia a atividade humana no centro deestudos, pesquisas e reflexões deontol...
19III. O Cotidiano: Fundamentação Teórica                                                                    “A vida só é ...
20   Tendo como finalidade uma ação cuidadora, num contexto clínico, portanto terapêutica:                  “para o terape...
21manejo da psicoterapia ocupacional com o uso de atividades livres, criativas e expressivas),veio evidenciar, no campo da...
22   Interessa-nos deste momento em diante compreender o contexto da Atenção Psicossocialpara refletir no cotidiano como e...
23IV. A Atenção Psicossocial: Campo de Práticas da Reforma em Saúde Mental                                                ...
24Ronaldo Guilherme Vitelli Viana, do Grupo de Estudos Profundos de Terapia Ocupacional -GES.TO (nota nossa: trata-se de u...
25    Ainda no país, as oficinas ganham maior vitalidade e visibilidade a partir da década de 70(GALLETTI, 2004), em espec...
26   Já na década de 80, o Brasil assiste a elaboração de: “POR UMA SOCIEDADE SEMMANICÔMIOS” – incisiva temática do Movime...
27                   e pluri-disciplinar. A doença mental deve ser pensada no campo da saúde coletiva,                   l...
28   Desafiando-se à construção na desconstrução do modelo asilar segregacionista,assistencialista manicomial e hospitaloc...
29   A Reforma Psiquiátrica brasileira esboça seu projeto de Saúde Mental e lutaantimanicomial através da militância - “pr...
30   Neste momento observa-se um fenômeno de ampliação da participação do portador desofrimento psíquico no campo social, ...
31terapêuticas, com nova cultura de intervenções e escapismo do modelo segregacionistanormalizador.   A Terapia Ocupaciona...
32                    “de propor uma técnica terapêutica para resolver os problemas das demais técnicas,                  ...
33de experimentação; - efetuação da transdisciplinaridade. - possibilidades de experimentarbordas e limites criando novas ...
34V. Terapia Ocupacional e o Cotidiano Ressignificado: Produção de Vida                                                   ...
35                  “a Terapia Ocupacional deva assumir, cada vez mais, o papel de promoção do                  homem (......
36    Numa visão marxista histórica, de onde se baseia o paradigma praxicológico da profissão,temos que em Terapia Ocupaci...
37   Ressignificar o cotidiano, produzir a vida toda, são os pilares da ciência da ocupaçãohumana da Terapia Ocupacional: ...
38Considerações Finais                                                           “Compreender inclui, necessariamente,    ...
39ReferênciasAMARANTE, P. D. de C. & TORRE, E. H. G. A Constituição de Novas Práticas no Campo daAtenção Psicossocial: Aná...
40OLIVEIRA, A. J. Terapia Ocupacional: Perspectiva para a Educação em Saúde doTrabalhador. In: LANCMAN, S. (org.) Saúde, T...
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LVV - Clínica Centrada no Cotidiano - Monog Esp Saúde Mental (FASI) 2008

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Clínica Centrada no Cotidiano:
Uma Contribuição da
Terapia Ocupacional
Autor: Leonardo Valesi Valente
Faculdade de Saúde Ibituruna – FASI / Santa Casa
Especialização Lato Sensu em Saúde Mental e Atenção Psicossocial

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LVV - Clínica Centrada no Cotidiano - Monog Esp Saúde Mental (FASI) 2008

  1. 1. 9Introdução "Cada dia é um dia roubado da morte (...) é viver o momento com toda intensidade. Compreender que o hoje é o que existe de real. Soltar as amarras, voar, sonhar, ser com profundidade" Clarice Lispector O presente trabalho monográfico é resultado do curso de pós-graduação Latu Sensu deEspecialização em Saúde Mental e Atenção Psicossocial promovido pela Faculdade deSaúde Ibituruna – FASI de Montes Claros / MG em parceria com a Escola Nacional de SaúdePública – ENSP da Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ. Objetivamos neste, especificamente, aprimorar o pensamento técnico-acadêmico para aatuação no campo da Atenção Psicossocial referente ao resgate do cotidiano dos usuários dosserviços de Saúde Mental como elemento norteador da clínica em Terapia Ocupacional. O campo da Atenção Psicossocial, a partir dos contextos da Reforma Psiquiátrica, emâmbitos locais e macro-regionais, interpola os trabalhadores dos serviços de Saúde Mental aengajarem-se em práticas centradas na superação dos modelos segregacionistas em funçãoda doença mental para a emancipação de sujeitos ditos “loucos”, numa perspectiva socialsempre ampliada. Assim, dada a emergente necessidade de promoção, desenvolvimento eaprimoramento de recursos em Saúde Mental, que gradualmente devam favorecer o processode inclusão cidadã das pessoas portadoras de sofrimento mental nos cenários sócio-políticos eculturais da sociedade organizada brasileira, acredito que a reflexão do presente estudo venhasomar esforços e contribuir na transformação da realidade que, por ora, é apresentada a nós –trabalhadores da Saúde Mental na construção da Atenção Psicossocial. Este trabalho compreende-se como um breve estudo de revisão bibliográfica cuja temáticafoi desenvolvida em 05 capítulos. No primeiro é apresentada a concepção ontogênica docotidiano a partir de alguns primórdios do estudo da atividade humana, que representaráalicerce para conceber mais amplamente a importância dos processos de fazer como forma deconstituição pessoal, social, cultural, histórica. No capítulo seguinte é iniciada a discussãosobre o alcance do uso da atividade humana através da óptica da clínica, que se dá pelaevolução das técnicas de atividades - forma primitiva de tratar em Terapia Ocupacional;outrossim, há correlação do 2º com o 4º capítulo, que se presta a identificar a perspectiva da
  2. 2. 10Atenção Psicossocial para as práticas em Saúde Mental contemporâneas. No 3º capítulo é, porsua vez, onde foi realizado maior aprofundamento revisional teórico do Cotidiano como foco doestudo; para, então, culminar na reflexão científica da Terapia Ocupacional como Produção deVida - veículo para ressignificação do cotidiano em contextos específicos de cuidado, daclínica ocupacional e dos serviços prestados. Sou terapeuta ocupacional, profissional da área da Saúde, habilitado ao exercício na saúdepública e privada, nos três níveis de atenção, interessado na atuação integral, global etotalizante do sujeito frente às suas incessantes demandas de bem-estar bio-psicossocial paralidar com o seu cotidiano de vida – sempre particular e intransferível. O cotidiano é, portanto,para mim o cerne de todas as possibilidades de ação e perspectivas da clínica – do debruçar-se sobre outrem no intuito de fomentar cuidados e fronteira para aproximação. A partir desteengajamento encontro aqui um espaço de reflexão diante dos caminhos que passo a entendercomo norteadores do meu trabalho clínico-vivencial através da Terapia Ocupacional na SaúdeMental. Almejo que esta escrita seja um veículo de necessidade e entrelace entre os terapeutasocupacionais: profissionais que ousamos fazer e ter de refazer processos de viver todos osdias, em nossos ofícios práxicos de cuidado, orientados pelo convívio cotidiano.
  3. 3. 11I. O Fazer Humano: Ontogênese do Cotidiano "Tudo é verdade e caminho" Fernando Pessoa O fazer humano, isto é: trabalho, atividades de autocuidado, lazer, recreação, atividadessocializantes, religião, sexualidade, enfim, toda a pluralidade de interferências do indivíduodiante do que lhe seja externo através de processos culturais serve como atributo paraconcebermos o cotidiano da pessoa em sua dimensão histórica e evolucional. O fazer humanoé, assim, atividade contínua de colocar-se como um ser capaz, que pode responder demandase solucionar questões com ações transformadoras, permitindo que o indivíduo ocupe um papelsujeito de sua própria existência, ou seja, o ser é o elemento ativo através de seu fazer -responsável pelo processo da realização humana sócio-histórica, de vir-a-ser pessoa, cidadão,singular em seus elementos sociais e culturais. A noção teórico-filósofica de fazer humano, objeto de estudo da Terapia Ocupacional, emsua cientificidade contemporânea, remonta a palavra grega práxis, que se traduz comoatividade, ação, realização. A evolução da Terapia Ocupacional se deu através do uso dotrabalho por determinado paciente, inicialmente empírico, ou ainda nos primórdios donascimento da clínica (FOUCAULT, 1980) quando concebida como mera ocupação comoforma de distração ou correção pedagógico-moralizante para, finalmente, constituir-se (hoje)em a Ciência da Ocupação Humana. De técnicas já consideradas arcaicas como alaborterapia, a ergoterapia e a praxiterapia - técnica de tratamento usada com doentes mentaiscrônicos internados em manicômios visando a utilização do trabalho como ocupaçãoterapêutica se forma crescentemente complexa (FRANCISCO, 2001), a profissão encontra-se,desde os últimos vinte anos em atividade de pesquisa profissional sistemática (PÁDUA eMAGALHÃES, 2003). Neste momento temos que a Terapia Ocupacional consolida-se como aCiência da Ocupação Humana, portanto do cotidiano humano. O uso de atividades como forma de cura, inicialmente denominada praxiterapia, técnica dotipo terapêutica ocupacional (no Brasil, com extensiva visibilidade científica na década de 60),na qual a ocupação terapêutica sempre fora compreendida como: “psicoterapia” de acordocom Simon foi se dar como logos entre a atividade somática e psíquica” Arruda (1962, p. 15),desta forma, ocupar através de atividades para utilização na clínica marcou-se como oprimórdio da clínica em Terapia Ocupacional; o que ainda se mantêm como pré-concepção porinstituições e profissionais que conceituam o ofício do terapeuta ocupacional como de
  4. 4. 12recreação ou mesmo de ocupação para distração de alienados. Em termos de clínica, este usoda ocupação como meio psicoterápico e também fisioterápico, portanto recurso terapêutico, foino sentido de prover tratamento, por ora empírico e dogmático, para fins morais e espirituaisde acordo com a máxima “corpo são, mente sã”. Marcos históricos da Terapia Ocupacional, no que tange à clínica através do fazer humano,estão relacionados a dois contextos distintos. O primeiro referente às experiências lúdicas dasculturas greco-romanas, nas quais as atividades contemplativas e hedonistas de artes, tais amúsica, a leitura, a poesia, os jogos serviam como pilares da organização social e de valoresético-estéticos naquelas sociedades. Mais tarde, o segundo momento que ainda repercuteconsiderável influência para a compreensão atual de clínica e cuidado em Saúde Mental,temos a égide da Psiquiatria incorporando a atividade humana com o uso da ocupaçãoterapêutica para efeitos ora disciplinadores, educativos, de técnica de “psicagogia” – termo deHermann Simon (ARRUDA, 1962) e ora de ressocialização como no caso do TratamentoMoral de Phillipe Pinel (ARRUDA, 1962). Herança esta, última, que representa o imagináriodo que venha a ser o papel a Terapia Ocupacional e sua contribuição metodológica àsinstituições psiquiátricas / de Saúde Mental / de Atenção Psicossocial, portanto, concebido deforma reducionista ao ocupar por ocupar. Portanto, o fazer humano, inerente à espécie humana, primórdio da evolução quando ohomem primata em suas necessidades de sobrevivência na tribo descobriu formas de superarobstáculos, saciar a fome, subir em árvores para proteger-se e alimentar, construirequipamentos para manejar desafios do seu ambiente, é resultado da própria evolução e étambém um causador dela. Também é válido ressaltar a natureza lúdica do ser humano cujobrincar é o seu rudimento mais antigo que a cultura (chamado de Huizinga): “o brinquedorealiza na imperfeição do mundo e na confusão da vida uma perfeição temporária e limitada”Arruda (1962, p. 18-19), através do brincar (entendido de forma ampla em termos derecreação, lazer, ludicidade) se coletiviza saberes no grupo e trocas inter-geracionais, portantotransmissão de cultura e emancipação da espécie. A vida em si é (toda) atividade, é fazer para realizar-se, e o ser cria à medida que sedepara com necessidades de mudar e superar a substancialidade do que vive, enfim. SegundoArruda (1962, p. 17) viver é atividade pelo seu “princípio psicofísico da existência humanaoposto à inatividade absoluta que é a morte”. Para Friedrich Niestzche (ARRUDA, 1962) esteprincípio era denominado Leistungstherapie: a atividade criadora, princípio finalista dopsiquismo humano, ou seja, atividade que cria e que desenvolve a condição psíquica dosujeito.
  5. 5. 13 Elementos do tipo: atividade, ocupação, trabalho – termo derivado do tripaliare: uminstrumento de três tranças usado para torturar servos e vassalos chamado de tripálio, deacordo com Barahona Fernandes citado por Arruda (1962), e ainda exercício ou labor –correlacionado ao termo do latim labore que se traduz como fadiga, bem como lazer,recreação, ludicidade e outros múltiplos resultantes das atividades sócio-culturais do indivíduoirão compor a extensão do que significa o fazer humano, por extensão, o cotidiano.
  6. 6. 14II. Ocupação Humana como Forma de Tratamento: Evolução da Clínica em TerapiaOcupacional "Assim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer pensamento, assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade" Fernando Pessoa Remonta à antiguidade o uso intuitivo das atividades para obtenção de benefícios,experimentação de técnicas como empirismo e transmissão de conhecimento e cultura. Noentanto, o uso de atividades com intenção terapêutica surge entre os egípcios, datando 2000a.C. em que as atividades artísticas ou lúdicas eram usadas como entretenimentos em seitasatravés de passeios de jardins, cantos, rituais, danças, configurando à atividade humana umprimeiro fim de intencionalidade. Em 1030 a.C. Saul, rei de Israel, foi tratado de depressão pelas músicas da harpa de Davi– primeira cura utilizando a atividade como recurso terapêutico ou mesmo uma técnica demusicoterapia pioneira. Platão, em “A República” considera a saúde espiritual e corporalpassíveis de serem obtidas e mantidas através da música, do relaxamento e da atividadecontemplativa com o uso da música; Aristóteles, por sua vez, relacionou efeito benéfico damúsica a uma catarse emocional, encontrando aí a primeira explicação para o uso de umaatividade humana de acordo com fim que se destinaria a ela. O valor terapêutico reconhecido àmúsica foi concebido, originalmente, a partir das considerações de Conidorus e Pitágoras. Tais são os precursores do uso de atividades com fins curativos, terapêuticos, paliativos.No entanto, a concepção que se tem hoje de clínica em Terapia Ocupacional ultrapassa olimite de prescrições de atividades como recursos isolados em si mesmos para finsterapêuticos. Vale ressalvar que o termo clínica, na acepção do termo klinus “inclinar-se sobreo leito” ou ainda klinikós “ leito ou cama, estar ao leito” conforme observações de PauloAmarante em seu texto “A (clínica) e a Reforma Psiquiátrica”, remete-nos a um processodinâmico, ao qual o ofício do terapeuta ocupacional também evoluiu ao longo dos séculos atéa contemporaneidade. O Tratamento Moral Pineliano, de Philippe Pinel, em sua origem moderna do século XVIII,aplicado inicialmente em 1791, no Asilo de Bicêtre com a proposta de “quebra dos grilhões quemantinham presos os insanos do espírito” Arruda (1962, p. 25), influenciou o principal método
  7. 7. 15de aplicação num contexto clínico da Terapia Ocupacional. Por se basear numa crençapedagógica e moralizadora de que o trabalho deveria ser utilizado como elementonormatizador do funcionamento comportamental e social do portador de transtornos mentaisna instituição asilar psiquiátrica: “A terapêutica ocupacional limitava-se então “aos exercícios metódicos, as distrações e o trabalho, que constituem a base do tratamento moral, deveriam ser ordenados e presididos pelos médicos” Teixeira (1997, p. 315). Pode-se apontar que o Tratamento Moral foi implicar numa herança pedagogizante para aconsolidação da Terapia Ocupacional, naquele contexto histórico, uma vez que “imprimia amarca de seus ensinamentos critérios pelo aprendizado da ordem, do trabalho, da realidade eda sociabilidade”; Oliveira (2004, p. 4) as atividades eram prescritas conforme umanecessidade de educar, disciplinar, efetivar coerção e norma à loucura no manicômio –instrumento de correção pedagógica, de acordo com “a prescrição médica habilidosa” Teixeira(1997, p. 313), para os alienados mentais, os desvalidos da razão, os contraditórios. Faz-se importante apontar, de forma meramente didática, as principais correntes dopensamento psiquiátrico contemporâneo, que representam os primórdios do paradigmacientífico da Terapia Ocupacional, de acordo com Silveira (1966, p. 5-18):a) Organicismo: - Emil Kraepelin admite que a ociosidade agrava e apressa o processo de “demênciaprecoce”, recomenda trabalhos físicos, jogos de solução fácil, leituras leves. Indicaçãoterapêutica das fases tumultuosas da doença já instaladas e espera-se a completa ruína morale mental do doentes “dementes”. Ocupações não são agentes curativos, meros suporteselementares, pragmáticos, realizáveis; - Bleuler e Simon – nova concepção da demência precoce de Kraepelin agora denominadade esquizofrenia, que segundo verificou Bleuler reações afetivas intensas com manifestaçõestardias. Distinção entre sintomas fundamentais orgânicos e sintomas acessórios psíquicos.Mudança da atitude do psiquiatra com novas perspectivas e tentativas terapêuticas; - Simon – declara-se afinidade de pensamento com Bleuler e foi o pioneiro em constituiruma concepção teórica sobre o tratamento ocupacional. Associa conceitos psiquiátricos à umaconcepção filosófica de vida – a idéia de logos, sentido de ação regida por sabedoria(concepção que se encontra no Evangelho de S. João), assim a vida é atividade incessante.
  8. 8. 16Cria seu método de tratamento mais ativo ou tratamento hiper-ativo. Preconizando o uso decapacidades, como um método educativo, a dita psicagogia, contrária ao laissez faire ou o“dolce far niente” – sinonímias de ociosidade, portanto inércia. Neste momento, encontra-se aeliminação do comportamento do louco, uma tentativa de afastamento transitório do queprovoca distúrbios mentais, buscando equipar tal finalidade através da hospedagem doportador de sofrimento psíquico no hospital psiquiátrico, onde ali as ocupações seriamescolhidas de forma individualizadas de acordo com os sintomas do paciente, uma espécie deprojeto terapêutico primevo; - Carl Schneider – Simon estabelece a ocupação terapêutica como psicoterapia, umapsicagogia, para Schneider é puramente uma terapêutica biológica. Os exercícios dasatividades para envolver somático e psíquico, totalidade do ser humano. Configurando assimcomo um método de pesquisa se dá através do uso da terapêutica ocupacional. Alcançandoum conhecimento profundo e prévio da patologia para uma terapêutica realmente ativa: buscade entender as leis do dinamismo psíquico, uma aposta para as indicações específicas paracada doença e para cada síndrome;b) Pensamento Jacksoniano: - o neurologista inglês John Hughlings Jackson estudou funções nervosas e psíquicasdentro de uma hierarquia estrutural, propôs então sua dissolução das funções nervosas quepoderiam se dar invertidamente do menos organizado para o mais, do mais complexo para omais simples, do mais voluntário para o mais automático;c) Neo-Jacksonianos: - Paul Sidavon focalizou sua terapêutica ocupacional na doença mental, na perturbaçãodas funções de adaptação, onde ocorre dissolução das funções superiores de adaptaçãosocial de acordo com a condição patológica. Encontrar adaptação ao mundo exterior para osníveis funcionais ainda intactos, assim encontrar e fornecer condições de relações entre osinternos dos asilos / manicômios através de trabalhos vantajosos, úteis, solidários parareestruturar a personalidade de forma progressivamente elevada. Propôs-se, então, o grupo detrabalho, escolha de ocupação para sociabilidade do doente, com ritmo de trabalho e uso dematerial em ocupações lúdicas, expressivas, cópias e reproduções, criações artesanais eutilitárias (nota nossa: método, que apesar de rudimentar, aproxima-se maiscaracteristicamente com o que se é praticado hoje em Terapia Ocupacional nas modalidadesde serviços assistenciais de Saúde Mental onde freqüentemente não há garantida a presença
  9. 9. 17de um profissional terapeuta ocupacional devidamente regulamentado para tal exercício;sendo esta “Terapia Ocupacional” realizada por leigos ou profissionais de nível médio ousuperior de outras áreas do conhecimento);d) Psicanálise: - Sigmund Freud compreendeu o trabalho como um dos melhores meios de deslocamentoda libido, possibilitando satisfação de exigências instintivas e com atividades aceitassocialmente (sublimação). Assim, a terapêutica seria uma orientação vital à realidade comexecução de trabalhos, através da incorporação sólida do sujeito à comunidade humana. Asatividades seriam indicadas para saciar necessidades libidinosas e que promovam gozo deaceitação por parte do meio social. Prescritas mediante conhecimento da dinâmica dossintomas, afinal “só se pode progredir pelo prazer” conforme Mme. Sechehaye compreende aatividade que liga o sujeito ao que lhe interessar, neste caso; e há outro uso de atividadescriadoras por Frieda Fromm Reichmann como forma de viabilizar a expressão artística nocontexto psicanalítico;e) Psicologia Analítica: - Carl Gustav Jung, apesar de não usar as terminologias vigentes de ocupação terapêuticaou mesmo terapêutica ocupacional, estabelece psicoterapia intimamente impregnada deatividade, onde há segundo Silveira (1996) maior aprofundamento teórico para a suaterapêutica ocupacional. Atividades ocupacionais escolhidas intencionalmente para solicitar oemprego de quatro funções: pensamento, sensação, sentimento, intuição. O indivíduo procuratraduzir suas emoções em imagens no caminho de sua cura que é dar forma objetiva àsexperiências internas. Considerando nisso os elementos culturais e artísticos comofenomenologia humana que possam ser estimulados na condução terapêutica. A clínica na Terapia Ocupacional, finalmente, relacionar-se-á, sob concepçãopsicobiológica e interacionista social de Adolph Meyer, ao “reconhecimento de que a saúde de um indivíduo estava vinculada às complexidades das experiências diárias em um mundo físico e social complexo e propunha o enfoque de sua abordagem mais sobre o estilo de vida do homem que sobre sua doença” Oliveira (2004, p. 5). Tais concepções psiquiátricas para o uso da atividade como elemento terapêutico, passívelde aplicação clínica, estruturaram assim um primitivo desenho do paradigma científico da
  10. 10. 18Terapia Ocupacional. Paradigma que ali compreendia a atividade humana no centro deestudos, pesquisas e reflexões deontológicas da profissão, o que contemporaneamente veiose consolidar mais ampliadamente como a ciência da ocupação humana enfatizando avivência, logo o cotidiano do ser, como objeto de estudo e de produção tecnológica. A Terapia Ocupacional compreende a saúde “dentro do contexto da vida diária, com seuequilíbrio de trabalho, repouso, lazer” Oliveira (2004, p. 5), sendo a partir disso, definida como“a própria Terapia Ocupacional é um processo de mudança através do fazer” Hagedorn (1999,p.127-149), o que confere caráter inovador e holístico à clínica na concepção da TerapiaOcupacional. Tal holismo será desenhado através das amplas necessidades humanas,sensíveis a partir do cotidiano de vidas daqueles aos quais a profissão comprometer-se-á acuidar Oliveira (2004, p. 5-6). Para Hahn apud Oliveira (2004, p. 6) a abordagem da Terapia Ocupacional, no que serefere à promoção de saúde, guarda profícua correlação com o cotidiano como seu pilar daclínica. Aponta ainda: “A promoção da saúde tem a ver com o dia-a-dia saudável, de tal modo que o indivíduo possa usufruir o melhor que a vida tem a oferecer, seja da forma como ele se alimenta ou como ele lida com o stress. É exatamente aí que a Terapia Ocupacional tem a responsabilidade da intervenção em promover a saúde do indivíduo, podendo-se usar as atividades da vida diária (AVD) e atividades da vida prática (AVP) com qualidade, como sinônimo de estilo de vida saudável” Hahn apud Oliveira (2004, p. 6). Portanto, a clínica em Terapia Ocupacional é construída a partir do processo complexo demanutenção, recuperação, adaptação, proteção e ou promoção do cotidiano dos seus clientesa partir de eixos sustentadores da clínica – áreas de performance ocupacional: 1) trabalho /atividades produtivas, atividades instrumentais e/ou da vida prática; 2) lazer e atividadesrecreativas, atividades sociais e comunitárias; 3) autocuidado e demais atividades da vidadiária.
  11. 11. 19III. O Cotidiano: Fundamentação Teórica “A vida só é possível reinventada" Cecília Meireles O cotidiano concebido como eixo de referência para a composição do presente estudomonográfico faz-se essencialmente é uma fonte inesgotável de saber para as atuações emTerapia Ocupacional. Eixo de referência, estrutura axial, cerne da clínica, é o cotidiano emTerapia Ocupacional matéria-prima para uma clínica que inaugura possibilidades aos sujeitospara que estes edifiquem sua existência a partir da transformação de seu próprio mundorelacional do fazer humano; bem como, a estruturação do dia-a-dia de um indivíduo irápromover sua inserção em contextos relevantes de vida, seja no trabalho produtivo, namanutenção de autocuidado diário, nas performances da vida prática sócio-comunitária, sejano lazer ou na atividade criadora que gera linguagem e singularidade sempre emancipatórias. Cotidiano é o alicerce para o desenvolvimento das potencialidades humanas nos contextosde vida significativos para a pessoa e, portanto, suas relações existenciais com aquilo que lheseja a priori relevante, ou seja: que lhe seja causador de realização pessoal, de enfrentamento,de causalidade de escolhas, de manutenção de independência, promoção de autonomia,superação de limites, reconhecimento de potenciais e alargamento de compreensões diante desi mesmo. A Terapia Ocupacional vem trazer ao dia-a-dia das pessoas, que procura ajudar,formas de inovar e superar demandas, para que possibilidades sejam incorporadas aodesempenho de um sujeito em atividades significativas. Eis que a Terapia Ocupacionalinteressa-se por abordar o ser humano em suas interfaces relativas ao seu contexto de vida(intrínseco ou extrínseco do sujeito e dos grupos), utilizando uma avaliação de uso de lentessistêmicas holísticas, para alcançar inovação de concepções para a saúde e a proporcaminhos para o sujeito, na clínica, de maneira singular em sua terapêutica de vir-a-ser. O cotidiano é por excelência o ferramental de trabalho próprio do ofício de terapeutaocupacional. “Sempre faz parte do repertório da Terapia Ocupacional a atenção às experiências, às produções, às narrativas dos sujeitos envolvidos (...) nestes contextos variados, nas situações cotidianas é ou tem sido, na prática do terapeuta ocupacional, juntar os pedaços, costurar os retalhos, os fragmentos, os ‘fios de Ariadne’ da vida desses sujeitos envolvidos nas ações” Oliveira (2004, p. 11).
  12. 12. 20 Tendo como finalidade uma ação cuidadora, num contexto clínico, portanto terapêutica: “para o terapeuta ocupacional, que tem, entre seus princípios, que o fazer / trabalho é um organizador do comportamento humano e que, usado terapeuticamente, produz uma organização do comportamento cotidiano” Oliveira (2004, p. 12). O que irá construir a clínica para e pelo cotidiano, esse seu pilar diante o objeto maior deestudo que é a ocupação humana “uma viagem de autoconhecimento na reconstrução de suabiografia” Oliveira (2004, p. 13). Numa perspectiva filosófica temos que o cotidiano seja todo o modo de fazer, a vivência doser, uma característica ontológica inerente ao ser social na sua dimensão cotidiana, intrínsecaàs objetivações genéricas das formas de pensamento e ação, pelos quais, o indivíduo serelaciona imediatamente com o mundo à sua volta (HELLER, 1989, 1994). O cotidiano é aestrutura de referência de promoção e continuidade da vivência de qualquer pessoa. EmTerapia Ocupacional há a retomada desta instância para a promoção da clínica que secompromete com a edificação da autonomia do sujeito. Assim, identificar o cotidiano do clientee dali propor intervenções que resgatem bem-estar, que promovam habilidades para o ser sefazer, que identifiquem limites a serem ampliados se torna o desafio criador da TerapiaOcupacional, são ações que corroboram para a visibilidade de sua especificidade científica.Nos dizeres do terapeuta ocupacional Luiz Gonzaga Pereira Leal: “itinerário que conduz a esse ‘centro’ está permeado de obstáculos e que tão bem se encontram desenhados nas circunvoluções, muitas vezes complicadas e confusas, que o paciente exerce para nele ancorar-se. Podendo, a exemplo do ‘labirinto’, adentrá-lo e dele regressar, tendo o ‘centro’ do mesmo como ‘marco e guia’” Leal (2005, p. 27). Assim, o cotidiano reproduzido na clínica da Terapia Ocupacional através de dispositivosgrupais como as oficinas terapêuticas, os grupos de atividades ou os grupos terapêuticos, serádimensionado num contexto socializante, portanto, promotor de possibilidades de inserçãosocial e pertencimento ao grupo / entrelaçamento interpessoal e processos de vínculos. “Nas situações dos grupos de Terapia Ocupacional, a interação com o outro é tanto marcada pelas narrativas das histórias dos fazeres cotidianos como pela reconstrução destes fazeres, uma vez que isto traz a possibilidade de uma ressignificação da realidade com muito mais premência do que outras situações” Oliveira (2004, p. 14). A Terapia Ocupacional, através de suas diferentes metodologias (avaliação do históricoocupacional, análise do processo de atividade, prescrição de atividades ditas terapêuticas,treino das atividades da vida diária, da vida prática e/ou instrumentais da vida diária, do
  13. 13. 21manejo da psicoterapia ocupacional com o uso de atividades livres, criativas e expressivas),veio evidenciar, no campo da Saúde Mental, uma prática legítima do fazer humano que geratransformações de sujeitos para a clínica e a Atenção Psicossocial. A atividade humana utilizada na clínica é a dinâmica totalizante dos sujeitos em suasrelações consigo, com o outro e com o mundo, num processo, por excelência terapêuticoocupacional, incessante de transformação, autoconhecimento e inserção social. Portanto, épossível depreender que “a principal importância da Terapia Ocupacional reside no fato de seoferecerem ao paciente oportunidades de intervir na realidade externa segundo sua intenção,vontade e com liberdade” Jorge (1990, p. 13) estabelecendo-se, então, “como sendo um modocrítico-laborativo das relações humanas” numa perspectiva psicoterapêutica Jorge (1981, p.84). Nesta mesma concepção psicoterapêutica da Terapia Ocupacional, tem-se que o indivíduoao fazer passa a se modificar, atualiza-se naquilo que o objeto o informa de seu processo defazer e autodescoberta; portanto, espécie de relação na qual o ser se reconhece no processode fazer e no produto um conhecimento próprio sobre si mesmo - daí vai estabelecer com ocotidiano um universo relacional mediado por processos de fazer, de mudança, de utilizaçãodo princípio de liberdade e de criação através da atividade humana na clínica ocupacional. Tendo no cotidiano seu eixo de saber e atuação - desta forma, tecnologia, que é aaplicação deste saber, nos serviços e demais dispositivos de ajuda onde é convocada acontribuir, a Terapia Ocupacional se constrói de forma complexa ao se debruçar no fazerhumano como objeto de estudo (BARTALOTTI e DE CARLO, 2001) e o cotidiano, finalmente,faz-se a matéria-prima de toda a substancialidade de sua clínica, numa dinâmica desafiadoraque “em cada momento histórico e em cada realidade social, terapeutas ocupacionais depararam com transformações que se por um lado influenciaram suas ações, por outro exigiram que novas ações fossem propostas, novos olhares fossem construídos” Bartalotti e De Carlo (2001, p. 173). A Terapia Ocupacional segue seus caminhos e descaminhos, ao adaptar atividadeshumanas e processos de fazer, ampliar possibilidades de ação individual e/ou manejos deinteração entre sujeitos na clínica, à medida que conota sua preocupação com o universorelacional humano na eleição de que o cotidiano é o meio pelo qual vai emancipar a pessoahumana diante o processo de superar e realizar-se.
  14. 14. 22 Interessa-nos deste momento em diante compreender o contexto da Atenção Psicossocialpara refletir no cotidiano como eixo norteador para as práticas da Terapia Ocupacional, em suaclínica na Saúde Mental: possibilitar reflexão e pontos de diálogo.
  15. 15. 23IV. A Atenção Psicossocial: Campo de Práticas da Reforma em Saúde Mental “Todo terapeuta que queira estar à altura dos desafios de nossa época precisa desenvolver a maestria para facilitar que o outro desperte o seu próprio mestre interior” Graf Dürckheim Dar-se-á prosseguimento ao presente estudo monográfico, considerando, deste marcoadiante, a transformação do Modelo Hospitalocêntrico-Manicomial (Segregacionista) no deAssistência em Saúde Mental, que de acordo com Galletti (2004) caracteriza-se por umcomplexo de ações que incluem: - rompimento da estrutura asilar segregacionista (física eideológica); - redução das internações manicomiais tradicionais (mudanças estruturais nosistema de saúde brasileiro); - criação de propostas para valorização do processo desubjetivação (ampliação e diversificação das ações multi, inter e transdisciplinares em SaúdeMental); - inovações de tecnologias terapêuticas e experiências grupais – surgimento dasoficinas terapêuticas a partir da Terapia Ocupacional e incorporadas ao sistema público desaúde de forma ampliada. Entende-se, aqui, que as oficinas serão dispositivos de maiorrepercussão do cotidiano dos usuários de Saúde Mental, em função da oferta em maiornúmero nos serviços e serem elas a principal ferramenta de organização das ofertas nasmodalidades assistenciais psicossociais. Introdutoriamente é possível fazer uma caracterização das ditas Oficinas Terapêuticas(GALLETTI, 2004): - não há um universo homogêneo de intervenção clínico-terapêutica, nemmesmo um único tipo de objetivação para as ações ali realizadas; - não há um único regime deprodução; - multiplicidade de formas, processos e linguagens, portanto de produção desaberes e trocas clínicas; - suposta liberdade nas novas invenções para a Clínica de SaúdeMental; - naturalização de práticas em oficinas veio correlata à destruição da práticamanicomial-hospitalocêntrica; as oficinas estruturam-se à medida que o manicômio foi sendodesconstruído. As oficinas terapêuticas surgiram como dispositivos de socialização e / ou agrupamento eforam eleitas como o dispositivo da Atenção Psicossocial que se identificam como espaços deo homem se fazer, portanto, cotidiano institucional onde é produzida a vida e reproduzidasformas de vivências – objetivo próprio e particular da Terapia Ocupacional que foi ampliado eincorporado à lógica da assistência da Atenção Psicossocial. Segundo o terapeuta ocupacional
  16. 16. 24Ronaldo Guilherme Vitelli Viana, do Grupo de Estudos Profundos de Terapia Ocupacional -GES.TO (nota nossa: trata-se de um grupo de renome especializado na formação continuadade terapeutas ocupacionais de acordo com a orientação do Professor Rui Chamone Jorge,inestimável estudioso da área de Terapia Ocupacional e Psicoterapia Ocupacional, em BeloHorizonte / MG), a oficina é o espaço de o homem se fazer, é na clínica o ferramental para oindivíduo conhecer a si mesmo, fazer na vida, fazer para a vida, produzir a si mesmo eestabelecer relações significativas para o seu cotidiano a ser emancipado, logo, a TerapiaOcupacional estabelece, assim, sua clínica para emancipação humana através do fazer e docotidiano. O termo oficina que tem etimologia no Latim: officina, palavra relativa ao universo dotrabalho, de acordo com o Novo Dicionário Aurélio - Século XXI, [Do lat. officina.] significa: - “S. f. 1. Lugar onde se exerce um ofício. 2. Lugar onde se fazem consertos em veículos automóveis. 3. Dependência de igreja, convento, etc., destinada a refeitório, despensa ou cozinha. 4. Fig. Lugar onde se verificam grandes transformações - Oficina pedagógica. Educ. Esp. 1. Ambiente destinado ao desenvolvimento das aptidões e habilidades de portadores de necessidades especiais, mediante atividades laborativas orientadas por professores capacitados, e em que estão disponíveis diferentes tipos de equipamentos e materiais para o ensino ou aprendizagem, nas diversas áreas do desempenho profissional” (FERREIRA, 1999). Desta forma, compreende-se a abrangência que o termo implica no que se refere a umdispositivo de ações para a Saúde Mental. As Oficinas Terapêuticas conceituadas comoespaços das oficinas, onde são realizadas atividades, relacionam-se às ênfases em: trabalho,ofício, ferramenta, instrumento, atividade, indústria, arte e profissão (GALLETTI, 2004).Necessidade de atuar diante dos usuários de Saúde Mental numa perspectiva de AtençãoPsicossocial e constituir as intervenções para uma clínica ampliada em Saúde Mental, além deestabelecer um universo de significação através da prática de oficinas que sustente a propostaterapêutica ou clínica. Oficinas se tornam práticas de produções de saber, com interfaces nacultura, no social / cidadania e na humanização do cuidado e vão consolidar-se na oferta dosdispositivos da reforma em Saúde Mental brasileira.
  17. 17. 25 Ainda no país, as oficinas ganham maior vitalidade e visibilidade a partir da década de 70(GALLETTI, 2004), em especial ao pioneirismo da Drª. Nise da Silveira* - célebre psiquiatrabrasileira que por sua práticas anti-psiquiátricas, em sua terapêutica ocupacional humanitária erevolucionariamente inclusiva, atemporal, marcou definitivamente um diálogo entre cuidado,terapia, arte e processos de fazer para a Saúde Mental. Neste contexto do surgimentohistórico das oficinas, há um questionamento quanto à hegemonia dos saber médico centrado(Psiquiatria) que poderia ser discutido através da produção dos pacientes nas ditas oficinas.Mais tardiamente, houve a busca de profissionais com outras formações no que tange àutilização de oficinas como métodos favoráveis à humanização da assistência em SaúdeMental e que suscitassem a descronificação de paciente, que inicialmente ainda foramtentativas e experiências isoladas, mas representaram tentativas de modernização detratamento e equipamentos institucionais em Saúde Mental nacionalmente. Paralelamente ao surgimento das oficinas terapêuticas há mudança no panorama brasileirocom o acirramento da Reforma Psiquiátrica e da Abertura Política no país. Agravam-se naocasião o Movimento dos Trabalhadores de Saúde Mental através de denúncias, produçõesartístico-jornalísticas com grande visibilidade na mídia e nos meios acadêmicos. O quetambém repercutiu na mobilização de familiares e outros movimentos comunitários associadosà causa da Saúde Mental, representando uma ampliação da postura revolucionária de meadosda década de 70. Soma-se ao panorama a luta de trabalhadores contra a exploração capital, o choque entreorganismos governamentais e não-governamentais, e as tentativas de constituição de políticaspúblicas de Saúde Mental para a desconstrução do paradigma psiquiátrico, asséptico,normalizador e excludente (GALLETTI, 2004): este é o cenário do nascimento da ReformaPsiquiátrica e da Saúde Mental.* Drª. Nise da Silveira foi um dos maiores expoentes da história da Psiquiatria brasileira, exercendogrande influência para a concepção da Terapia Ocupacional em sua atuação em Saúde Mental.Psiquiatra alagoana de uma personalidade única, que ao propor práticas humanitárias contráriasàquelas vigentes da Psiquiatria - limitadas ao uso indiscriminado de psicotrópicos e métodos decontenção físico-química, inaugurou um panorama de pesquisa científica sobre a Psique. Alcançou,assim, tamanha repercussão ao propor e conduzir o tratamento das doenças mentais pelo uso deatividades criativas associado aos processos de lidar, através das emoções e a subjetividade dospacientes internos das instituições manicomiais. Definitivamente uma dita ousadia jamais concebida atéentão no país. Sua indispensável biografia pode ser apreciada em artigos como: -“A Biografia de umaPioneira”, pelo poeta Ferreira Gullar, para o Jornal Folha de S. Paulo, em 1963; - “Nise da Silveira -Homenagem a uma Guerreira da Luz”, pela psicoterapeuta Teresa Vignoli, além de sua própriapublicação, que inclui, dentre vários, os títulos: “Jung, Vida e Obra”, “Terapêutica Ocupacional - Teoria ePrática”, “A Emoção de Lidar”, “Imagens do Inconsciente” e o “Mundo das Imagens”. Indica-se,oportunamente, outro profícuo registro de sua historicidade e obra no sítio eletrônico:www.museuimagensdoinconsciente.org.br/
  18. 18. 26 Já na década de 80, o Brasil assiste a elaboração de: “POR UMA SOCIEDADE SEMMANICÔMIOS” – incisiva temática do Movimento Nacional da Luta Antimanicomial, proferidaem um Encontro Nacional de Saúde Mental. Tal temática iria se consolidar como aconfiguração de todo o ideário brasileiro reformista na área psiquiátrica, em especial na criaçãoda Atenção Psicossocial e na influência da formação profissional dos diversos atoresenvolvidos com a produção da Reforma. Assistiu-se em São Paulo a inovação de serviçospioneiros de Atenção Psicossocial em São Paulo, Santos, mais tardiamente em BeloHorizonte, a partir de 1982, 1989 a 1996, São criados os Centros de Atenção Psicossocial -CAPS, os Núcleos de Atenção Psicossocial - NAPS, as unidades básicas de saúde UBS’s(“centros de saúde”) estruturam-se com as primeiras equipes de Saúde Mental, são tambémestruturadas as Unidades de Emergências Psiquiátricas, as Enfermarias de Saúde Mental e aSaúde Mental Hospitalar, os Hospitais-Dia em Saúde Mental, os Centros de Convivência e asCooperativas solidárias do trabalho e geração de renda em Saúde Mental. Enfim, o cenáriopara o movimento reformista brasileiro foi sendo equipado de forma intensa com a aberturapolítica brasileira e a formulação do Sistema Único de Saúde – SUS. Em Belo Horizonte / MG a criação dos Centros de Referência em Saúde Mental –CERSAM’s, deu-se de acordo com o território microrregionalizado da capital mineira, cominspiração antimanicomial, segundo os dizeres de Osvaldo Giacoia Júnior, atribui naexperiência mineira um diferencial à Atenção Psicossocial: “a luta manicomial implica necessariamente a politização da clínica – uma clínica que é essencialmente do cuidado, feita à contracorrente da alegada auto-suficiência da medicalização terapêutica da doença mental grave, que se pretende apolítica, inebriada com a suposta onipotência dos modernos psicofármacos” Giacoia Júnior (2003, p. 10). Assim, a clínica antimanicomial a partir da Reforma Psiquiátrica brasileira, sobretudo amineira, almeja “politizar o espaço da clínica e agenciá-lo na luta pela transformação denossas relações com a loucura” Giacoia Júnior (2003, p. 11). A Atenção Psicossocial com os projetos pioneiros em São Paulo do Centro de AtençãoPsicossocial Prof. Luiz Cerqueira e do Núcleo de Atenção Psicossocial de Santos, a partir de1987, tem seu escopo para a caracterização dos novos serviços de Saúde Mental jácomprometidos com a lógica integral: “a assistência é definida como de atenção integral (no sentido psicossocial), personalizada, exercida através de “programas de atividades psicoterápicas, socioterápicas de arte de terapia ocupacional” dentro de um enfoque multidisciplinar
  19. 19. 27 e pluri-disciplinar. A doença mental deve ser pensada no campo da saúde coletiva, levando-se em conta os contextos micro e macro social, como a família, o trabalho e seu contexto histórico, tentando produzir uma reinterpretação de elementos culturais” Amarante e Torre (2001, p. 29). Neste sentido, pode-se inferir que a Atenção Psicossocial representa um processo deaquisição a partir de interfaces com a produção de uma nova cultura: “do lado dos chamados novos dispositivos assistenciais (...) um CERSAM, um centro de convivência e uma moradia protegida não são, nem se propõem a ser, espaços que refletem ou reproduzem as conquistas científicas de nosso tempo; são inovações da cultura que inscrevem num outro registro” Lobosque (2003, p. 153). Sendo aqui uma possibilidade de questionamento, portanto de proposição, a partir daconcepção da clínica antimanicomial da psiquiatra mineira Ana Marta Lobosque: - este outroregistro perpassa o cotidiano dos usuários dos serviços de Saúde Mental como um qualificadorda clínica em Saúde Mental com ênfase na Atenção Psicossocial? A autora aponta-nos umaespécie de lema: “aos serviços substitutivos, cabe romper com esta antipática posição de razão diante da loucura; serão novos se, e apenas se, buscarem para o sofrimento psíquico um lugar de cidadania” Lobosque (2003, p. 154),logo, o presente estudo irá identificar quais os elementos da Reforma Psiquiátrica, em especialda construção da Atenção Psicossocial, mais se articulam com a proximidade deste “lugar decidadania”, buscando apontar respostas que a Terapia Ocupacional encontrou em si a partir doeixo no cotidiano como produção de clínica e a clínica militante como almejo da categoria deseus profissionais. Rede de Serviços, ditos substitutivos ao Modelo Manicomial, de acordo com a necessidadede desconstrução do Modelo Asilar-Manicomial, foram articulados entre si, com equipesmultiprofissionais em todos os projetos, fortalecimento da rede de funcionamento extra-hospitalar, territorialização dos serviços de Saúde Mental, abertura de dispositivos paraatender vários níveis de complexidades. Lógica substitutiva para enfrentar a segregação.Assim: “tornar cada vez mais fluidas, mais transitáveis, mais flexíveis, as fronteiras entre as instituições destinadas a eles [portadores de sofrimentos mentais] e a sociedade onde se desenrola a vida e o destino de todos nós, loucos ou não” Lobosque (2003, p. 17).
  20. 20. 28 Desafiando-se à construção na desconstrução do modelo asilar segregacionista,assistencialista manicomial e hospitalocêntrico em uma clínica da Saúde Mental, com ênfasena política antimanicomial e na Atenção Psicossocial como eixo de cuidados – “retirar a clínicada Saúde Mental de sua tradicional função de controle social, feita em nome dos ditamestécnicos e científicos, para colocá-la a trabalho da autonomia e independência de pessoas”Lobosque (2003, p. 20), sobretudo àquelas privadas do convívio social durante internaçõescrônicas longuíssimas em instituições asilares manicomiais nacionais. Neste momento histórico, terapeutas ocupacionais são convocados a desenvolvertrabalhos de readaptação social, com vieses de reinserção sócio-comunitária, mas aindafortemente marcados por uma concepção organicista de adaptação, conserto, manejo deseqüelas com as quais os indivíduos egressaram dos manicômios voltaram totalmentedespreparados para o laço na vida fora dos muros. Mais tarde veremos a preocupação daTerapia Ocupacional através das suas primeiras experiências de acompanhamento terapêuticoexterno, na comunidade e no território, dos egressos de longas internações psiquiátricas, comoprodução de uma aposta na emancipação dos sujeitos através da circulação social e daampliação de redes e suportes sociais. A Terapia Ocupacional como produção de laços sociais e possibilidades de inserção nogrupo, a partir dos dispositivos de oficinas terapêuticas, de produção, de geração de trabalho erenda: priorização do fazer do portador de sofrimento psíquico no seu cotidiano, assimconstituído, seja ele institucional ou sócio-familiar em função de um processo de emancipação,que culmina com graus de autonomia e independência para ampliação da participação na vidasocial. Tal lógica psicossocial na Terapia Ocupacional assemelha-se ao que Lobosque (2003, p.166) enfatizou na “luta política: a luta antimanicomial aí se situa, com seu importante lugar nocenário brasileiro das políticas de emancipação”. A autora ainda explicita: “criar na cidade um tipo de funcionamento e de trânsito, de produção e de trocas, que afirme entre todos os homens, loucos ou não, esta igualdade negada, não me parece ser uma questão, digamos, setorial, uma questão exclusivamente da Saúde, ou da Saúde Mental: creio tratar-se de uma crucial questão política” Lobosque (2003, p. 166);neste lugar encontramos a preocupação da Terapia Ocupacional em produzir sua clínicamilitante através da promoção do cotidiano, portanto, destes fazeres e enlaces sócio-políticosdos indivíduos, em grande relevância com a proposta da Atenção Psicossocial - aqui expostaneste trabalho monográfico.
  21. 21. 29 A Reforma Psiquiátrica brasileira esboça seu projeto de Saúde Mental e lutaantimanicomial através da militância - “projeto de uma sociedade sem manicômios, para fazer-se valer, necessita de movimentos sociais que se constituam com independência emantenham acesa a combatividade” Lobosque (2003, p. 49). Dentro do movimento detrabalhadores da Saúde Mental a crítica aponta para a necessidade de erradicar resquícios deuma clínica voltada para um ortopedismo mental (nota nossa: neologismo utilizado pelosmilitantes da luta antimanicomial ao se referir ao manicômio mental que favorece segregação eexclusão social dos indivíduos portadores de sofrimento mental), o que em TerapiaOcupacional viu-se a gradual superação da clínica centrada nos sintomas, nos desajustes doscomponentes psíquicos a partir dos transtornos mentais diversos para uma clínica engajadacom a emancipação cotidiana dos sujeitos em processos de empoderamento de si mesmos,através do fazer terapêutico, e no estabelecimento de novas conquistas do laço social seja noacompanhamento terapêutico de circulação social, seja na estruturação das oficinasterapêuticas como o espaço de o homem se (re)fazer. No que tange à estruturação da Política Pública de Saúde Mental, as oficinas terapêuticassofreram nova concepção: “Todos os dispositivos que usam de alguma forma o trabalho como instrumento terapêutico (...). Um dispositivo quase sempre experimental, que não segue uma fundamentação teórica rígida, nem modelo padrão de funcionamento, um dispositivo que é essencialmente constituído no quotidiano por seus pacientes e técnicos” Lopes (1996, p. 78-82) apud Galletti (2004, p. 31). Nesse contexto, as oficinas passaram a coabitarem-se como mecanismos de manutençãopara uma efetivação da política pró-Saúde Mental. Foram se constituindo obedecendo algunsaspectos: - articulação de uma demanda no campo “reabilitador” Lopes (1996, p. 78-82) apudGalletti (2004, p. 31), as experiências de Terapia Ocupacional apontariam, então, as oficinascomo espaço privilegiado de reaprendizados, de readaptação frente à exclusão experimentadanos períodos das grandes internações; - ofertas criadas com ligação direta ao trabalho, umavez que terapeutas ocupacionais priorizaram a ênfase na atividade produtiva, remunerável,como forma de inserção da clientela marginalizada, visando sua reintegração e tambémsobrevivência material; - produção de recursos financeiros para os usuários, estruturação dainserção / reinserção do sujeito à sociedade através de redes de apoio ao trabalho protegido e/ ou solidário, num viés institucional, pouco emancipador naquela ocasião; - encontro entretrabalho e função social através da terapia, contribuição mais significativa da TerapiaOcupacional no que se refere à expansão das oficinas no sistema público de saúde brasileiro.
  22. 22. 30 Neste momento observa-se um fenômeno de ampliação da participação do portador desofrimento psíquico no campo social, com ampliada a assistência de forma dinâmica, comotambém sustentação dos processos coletivos e solidários do trabalho. Enuncia-se, então, que “as oficinas foram estruturando-se de forma expandida na SaúdeMental encontrando no viés terapêutico sua característica mais visível” Rocha (1997, p. 29)apud Galletti (2004, p. 33). Observa-se assim a supremacia da terapia (nota nossa: aqui nãose refere à especificidade da Terapia Ocupacional, e sim ao genérico do termo; quando odispositivo de oficina começou a se relacionar ao estatuto terapêutico) em relação aos outroscampos de saber, utilização de diversificados ditos recursos terapêuticos como modalidadespara a promoção da Clínica em Saúde Mental, como as redes de suporte social e aparticipação dos familiares. As oficinas terapêuticas vão contribuir aí para a diferenciação entre clínica entendida peloconceito de instituição de assistência à Atenção Psicossocial e situando a terapia como seuinstrumento privilegiado. Uma vez que a relação de trabalho e artes nas oficinas produzinserção no coletivo não só para pacientes portadores de sofrimento psíquico como qualquerser humano: produção de arte e da vida material, sendo assim interessou-se ampliar o métodoterapêutico ocupacional como produtor de ações para toda a Saúde Mental, assistiu-se aí umadescaracterização das oficinas como um domínio de saber e aplicação tecnológica exclusivosdo terapeuta ocupacional. Tais oficinas passam a se caracterizar como veículos para a produção de intercessoresclínicos para a Saúde Mental: “Esses espaços [das ditas oficinas] têm promovido na desestabilização nos enquadramentos específicos de cada área. Nos espaços de oficinas, estão envolvidos profissionais de diversas origens – Psicologia, Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia, Serviço Social, que não seguem uma corrente específica, mas geralmente estão comprometidas a propiciar aos usuários na gama de experimentações sociais e, a partir daí, criar possibilidades diversificadas de ser e estar-no-mundo” Galletti (2004, p. 36). Estes dispositivos vão formatar uma diversidade de possibilidades de ações sempre comespaços clínicos que valorizaram o hibridismo, a mobilidade, a instabilidade (mutabilidade deestruturas e ofertas), sem identidade única, com experimentação múltiplas e incessantes,interseção com vários campos e saberes, espaço agora pouco restrito quanto à especializadaprofissional, dando possibilidade de problematização e descontinuidade das produções
  23. 23. 31terapêuticas, com nova cultura de intervenções e escapismo do modelo segregacionistanormalizador. A Terapia Ocupacional, por sua vez, vai se apropriar, como veremos adiante no presenteestudo monográfico, das oficinas como espaço para a produção de vida cotidiana, da vidadiária humana. As oficinas produtivas, ou ainda oficinas de trabalho, são aquelas que oterapeuta ocupacional media processos de fazer em que as relações com o trabalho, asfunções produtivas, os ofícios, portanto, são (res)significados numa dimensão emancipatóriado fazer humano. “O trabalho, na vida adulta, é o mediador central da construção, do desenvolvimento e complementação dessa identidade e do indivíduo, na medida em que o confronta com um mundo externo, com lógicas, desafios, regras e valores que necessariamente se chocarão com a história singular de cada um” Lancman (2004, p. 73). Deste modo, “(...) o trabalho tem esta função central na produção da identidade e é um elemento- chave na constituição psíquica dos indivíduos (...), o trabalho, aquilo que se faz, a relação com todos os aspectos que o envolvem, produz a inteligência, modifica o corpo, as relações sociais e constitui o indivíduo psiquicamente. Neste sentido, o trabalho é entendido como um continuum, que se estende para além dele e influencia todas as esferas da vida humana” Lancman (2004, p. 74). As oficinas em Terapia Ocupacional guardam um aspecto significativo dado à socializaçãoe ao agrupamento dos indivíduos, de aporte à reinserção de usuários e parcelas sociaisestigmatizadas e ou deficitárias em termos de aceitação social. São oficinas ditas deconvivência para combater “o isolamento, a ruptura com o social e a impossibilidade decoletivizar experiências pessoais, é o produtor de sofrimento psíquico” Leal (1999, p. 79) apudGalletti (1994, p. 65), que se importem em valorizar a diversidade de atividades e propostaspara o fazer, que se articulem com o funcionamento institucional para acolhimento dedemandas encaminhadas de usuários da Rede de Saúde Mental. As oficinas de TerapiaOcupacional, historicamente, vão demonstrar recusa sistemática dos profissionais para que aclínica ocupacional não seja vista como mera técnica, ou com um aporte teórico único,destinada ao entretenimento, à distração e ao combate ao ócio excessivo dos usuários nosdispositivos públicos da Saúde Mental, uma vez que os terapeutas ocupacionais sepropuseram a estruturar o seu saber através da atividade humana aplicada aos contextos davida diária, ao cotidiano, à ocupação em termos de funcionalidade, papéis, desempenhoscotidianos. Por isso não há o interesse
  24. 24. 32 “de propor uma técnica terapêutica para resolver os problemas das demais técnicas, e sim problematizar, promover estratégias particulares, singulares, que digam respeito aos problemas também circulares que a clínica nos propõe” Neves et al (1996, p. 183) apud Galletti (2004, p. 85).E a Terapia Ocupacional vai se comprometer com sua clínica dita pelos profissionais da áreacomo militante, transdisciplinar (idem) e holística, uma vez que é erguida para e pelo cotidianodos indivíduos. “Preocupada com a criação de novas maneiras de viver, uma clínica que se ocupasse das produções do inconsciente para além de uma pura fantasmagoria, tiranias da intimidade)” Neves et al (1996, p. 183) apud Galletti (2004, p. 85)essas experiências foram efetivadas na área comprometidas com o viés aglutinador dasoficinas. Um exemplo relevante foi aquele em que os terapeutas ocupacionais da Universidade deSão Paulo propuseram a criação do Espaço Lúdico Terapêutico - ELT (parceria entreUniversidade, Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, daí articularam com profissionaisde outras áreas, dentre elas Psicologia e Fonoaudiologia, estratégias para atendimentos decrianças, famílias, adolescentes, internações, alcançando assim uma atuação para o forainstitucional em prol de estabelecimento de parcerias em redes mútuas de ação. Tais oficinas, neste contexto, foram traçadas com o caráter de organização entre o social eo indivíduo para intermediar totalidades, em que se reconhece o holismo da visão de homem esaúde em Terapia Ocupacional. Foi no ELT que as identidades sociais tornaram ampliadaspelo lugar de os ditos “normais’ e “loucos” conviverem, se dando aos encontros entreterapeutas e pacientes como cidadãos. A Terapia Ocupacional ali desenhada como o lugar detrabalhar e a sua oficina é um laboratório de produção de vida e da vivência (sócio-cultural,grupal). A instituição é transformada em um renovado dispositivo social, criação de uma funçãoarticuladora, tem sua proposta ampliada para toda a rede de atenção à Saúde Mental nacapital paulista. As oficinas em Saúde Mental contemporâneas (GALLETTI, 2004), produzidas nos serviçosde Atenção Psicossocial, podem ser caracterizadas por: - profusa heterogeneidade / hibridismode práticas; - outras intervenções da clínica (com a incorporação de diferentes modalidades deespecialistas); - oficinas não se dão atreladas a nenhum paradigma científico isolado; - háprecariedade constitutiva de dispositivos – constituídos na conexão de diversos saberes; -extravasamento de fronteiras científicas para elevação da experiência clínica; - potente espaço
  25. 25. 33de experimentação; - efetuação da transdisciplinaridade. - possibilidades de experimentarbordas e limites criando novas formas de subjetividade; - subversão de padrões majoritários deassistência à Saúde; - não estão limitadas ao terreno da Saúde Mental; - operar com encontroshíbridos nos espaços clínicos; - afinidade grande da prática expansiva de oficinas com ospostulados da Reforma Psiquiátrica e da Luta Antimanicomial; - instrumento intercessor paraocupar lugar terapêutico de originalidade, singularidade, sem rigor de práticas assistenciais(GALLETTI, 2004).
  26. 26. 34V. Terapia Ocupacional e o Cotidiano Ressignificado: Produção de Vida “A alma é um cenário. Por vezes, ela é como uma manhã brilhante e fresca, inundada de alegria. Por vezes, ela é como um pôr do sol, triste e nostálgico” Rubem Alves “Ao produzir o mundo, o homem produz a si mesmo” Marx e Engels A Terapia Ocupacional, finalmente, entendida como Ciência da Ocupação Humana,portanto tendo como primordial preocupação a própria experiência humana, anuncia que: “a atividade humana seja entendida como espaço para criar, recriar, produzir um mundo humano. Que esta seja repleta de simbolismo, isto é, que a ação não seja meramente um ato biológico, mas um ato cheio de intenções, vontades, desejos e necessidades (...); não basta fazer, fazer e fazer, acreditando que o simples curso das coisas com isso se modifique. O fazer deve acontecer através do processo de identificação das necessidades, problematização e superação do conflito [nota nossa: no cotidiano mais significativo do indivíduo] (...) é necessário um profissional preparado, cuja tarefa é a de se dispor, também, como instrumento terapêutico ou recurso terapêutico, com o propósito de incomodar, de ativar e revelar o conflito para a sua proposição” Francisco (2005. p.17). Neste ínterim, a ação do terapeuta ocupacional, em sua clínica do cotidiano, faz-se daproblematização de um fazer que mereça ser ressignificado pelo indivíduo que passa a possuira si mesmo e a possuir o seu próprio processo de transformação. Esse um processoterapêutico de fazer que se proponha incessante, ainda que o sujeito diante disto se deparecom sua incompletude, inerente à sucessão de vivências e possibilidades que é viver. Umaclínica para e pelo fazer que não se deponha a extinguir as lacunas do ser, mas que oemancipe a superá-las através de uma postura sucessivamente marcada pelo desejo e anecessidade de transformar, lidar. Assim, cabe ao sujeito emergir; afinal “existir, seja como for”(de acordo com a poesia de Carlos Drummond de Andrade, em Passagem da Noite). Não há mudança do objeto de estudo em Terapia Ocupacional, que continua a ser o fazerhumano. No entanto ao eleger o cotidiano como o eixo da clínica, neste presente estudomonográfico, ouve a ousadia de ressignificar o objeto de estudo da Terapia Ocupacional –
  27. 27. 35 “a Terapia Ocupacional deva assumir, cada vez mais, o papel de promoção do homem (....) tal promoção se dá por meio do desenvolvimento da personalidade e das potencialidades ou capacidades humanas” Francisco (2005. p. 20). De tal forma, depreende-se uma concepção ampliada da clínica que poderia serdisplicentemente dimensionada a partir dos processos daqueles clientes que mantém um fazerativo, sem dar devida discussão àquele cotidiano de que não empreende um processo demudança, de transformação de si ou do universo relacional ao seu redor, e ainda assimsobrevive. Este não-fazer cotidiano é motivo de discussão, algo objeto de intervenção, quegera processos de saúde-doença que interpolam à Terapia Ocupacional objetivar ações econtextos de cuidados. Terapeutas ocupacionais são cientistas do fazer humano, conforme os dizeres de Reillyapud Francisco (2005. p. 39): tais profissionais consideram que o “objetivo da TerapiaOcupacional é encorajar o encontro aberto e ativo com tarefas que razoavelmente pertencem aseu papel de vida”, assim fabricam a clínica do cotidiano. Procuram envolver seus clientes emprocessos de fazer mobilizadores de mudanças, de transformações complexas para além dasexperiências do setting ocupacional qualificado como mediador de proteção e estimulação nosgrupos, oficinas ou sessões individuais de psicoterapia ocupacional para então edificar juntoao cliente um cotidiano ressignificado. Este acontecimento é a produção de vida, geração devivência do que seja apropriação por parte do sujeito diante do seu mundo relacional na buscade resgatar significação para aquilo que viva diariamente. A superação daquilo que foraconfigurado como limite eleva o ser a seu status práxico no empossamento da vida que advémrepleta de desejo e criação particulares, ou ainda “por intermédio do terapeuta ocupacional, uma variedade de experiências essas que permitirão ao indivíduo desenvolver aquelas capacidades, habilidades e destrezas necessárias para uma vida satisfatória e produtiva” Mosey apud Francisco (2005. p.39). O processo de ressignificação do fazer, da atividade de realização humana e por extensão,do cotidiano, alcança na Terapia Ocupacional um processo psicoterapêutico a partir dadinâmica entre atividade e produção de significado para a vida, por parte do indivíduo. “Como processo psicoterapêutico [nota nossa: a Terapia Ocupacional] deve seguir- se necessariamente que o produto sendo feito e o trabalho de fazê-lo são considerados secundários ao julgamento de como o produto e o processo de fazê-lo afetam suas relações com os outros. A ocupação passa então a ser a ferramenta da manipulação de suas relações com outras pessoas e não o objetivo primordial em si” Fidler e Fidler apud Francisco (2005. p.41).
  28. 28. 36 Numa visão marxista histórica, de onde se baseia o paradigma praxicológico da profissão,temos que em Terapia Ocupacional, a produção de vida seja a partir da produção práxica derelações do ser com o seu processo de trabalho, de inter-relação com o grupo social e suaatribuição de valor ao processo da produção, uma vez que através dela o indivíduo se projetano mundo dos objetos, problematiza o alcance de seu próprio trabalho produtivo e integra valora si como humano, inserido numa fabricação do mundo humano, portanto. “Como a Terapia Ocupacional é uma prática de saúde que propõe o uso da atividade como recurso terapêutico, uma das possibilidades de ela vir a ser um espaço para transformar a si mesma e assim contribuir para a transformação social mais significante é através desse fazer. Um fazer que busca conscientizar os homens da opressão a que estão submetidos como membros de uma sociedade classista. Um fazer que desvela as determinações sociais vividas, busca descobrir formas revolucionárias, mostra a contradição e o conflito da saúde numa sociedade de classes” Francisco (2005. p.66). O que se denomina de produção de vida é a suma produção de atividade humanapropriamente dita, de enfrentamento de contextos cotidianos que possibilitem a transformaçãodo ser: “a atividade propriamente humana só se verifica quando os atos dirigidos a um objeto [nota nossa: ou a uma relação ou contexto de vida] para transformá-lo se iniciam com um resultado ideal ou finalidade e terminam com um resultado ou produto efetivo real” Vasquez apud Francisco (2005. p. 46),em função da natureza práxica do ser humano: “o homem é um ser que em suas relaçõesnecessita estar sempre encontrando novas soluções para as situações de vida que seapresentam” Francisco (2005. p. 47) e assim ressignificar seu cotidiano e existência. A produção de vida é alcançada na diversidade da existência do indivíduo e suasperspectivas de ascensão, superação ou mesmo adaptação para uma qualidade de vida emtermos de automanutenção, inserção social e participação em papéis da vida diária. Pelasquais, o terapeuta se empresta a um caminho compartilhado de experiências e vivênciassempre desafiado junto ao cliente, este principal interessado nas possibilidades de ser eexistir. “Assim, lidar com o cotidiano é sempre intervenção que exige um lidar com a concretude do homem, esse movimento de múltiplas relações. O cotidiano não é rotina, não é a simples repetição mecânica de ações que levam a um fazer por fazer [nota nossa: fazer alienado ou mecanicista]. O cotidiano é o lugar onde buscamos exercer nossa atividade prática transformadora, é o social; é o contexto em que vivemos” Francisco (2005. p.76).
  29. 29. 37 Ressignificar o cotidiano, produzir a vida toda, são os pilares da ciência da ocupaçãohumana da Terapia Ocupacional: “uma ciência que tem, como sujeito e objeto de seu conhecimento, o homem. Um homem que não é o homem natural, mas o homem que transforma a natureza em humanidade e que, também e principalmente, é um homem que faz, que ao fazer simboliza e se objetiva e, com isso, se torna ser de sua existência” Carvalho (2005, p.26).E no seu ofício o profissional tem como desafio: “com base na leitura do cotidiano e seus contextos e da histórica ocupacional dos envolvidos é que o terapeuta ocupacional deverá encaminhar a ação. Dessa forma poderá auxiliar o sujeito, o grupo e a coletividade a compreender suas próprias necessidades e definir suas estratégias de lidar com os conflitos cotidianos, a ressignificar seu fazer e pensar sua ação no mundo, respeitando-se os diferentes momentos e possibilidades dos envolvidos. Será por meio da ação grupal e coletiva que poderá dar a manifestação das solidariedades e o fortalecimento da trama social” Galheigo (2005, p. 44). Daí, ressignificar a produção de suas vidas emana nos indivíduos uma necessidade vital deexistir, de inscreverem-se singulares e potencializados no cotidiano mais idiossincrático, peloconvívio salutar de inserção no grupo, ao qual se pode pertencer, fortalecer-se, emancipar-seou ainda remover-se, declinar-se, transitar, reconhecer. Nos dizeres do filósofo Félix Guattari“os indivíduos devem se tornar a um só tempo solidários e cada vez mais diferentes”. E lograro cotidiano como estatuto do fazer em uma fonte de ressignificação, tal qual atribuição deoutros símbolos para apropriar-se de si mesmo numa dinâmica incessante de transformaçãodo que se é ou se está sendo, por vir-a-ser enfim.
  30. 30. 38Considerações Finais “Compreender inclui, necessariamente, um processo de empatia... Sempre intersubjetiva, a compreensão pede abertura, simpatia e generosidade” Edgar Morin O presente trabalho monográfico traçou uma reflexão a respeito da contribuição da área deconhecimento da Terapia Ocupacional, no que se refere ao cotidiano de vida dos ditosusuários dos serviços de Saúde Mental - os portadores de sofrimentos psíquicos, como umeixo norteador de práticas, e, portanto, produtor de tecnologias e discurso, além de norteadorde práticas para o cuidado. O campo da Atenção Psicossocial é uma diversidade de interfaces, nas quais a SaúdeMental destaca-se pela procura de inserção dos “loucos” nos cenários de vidacontemporâneos seja na cultura, no trabalho formal ou protegido, no núcleo familiar, nosistema de educação e nas relações de saúde. Tal procura é atravessada por um modo defazer que encontra, entre outras áreas científicas e discursos ideológicos, a TerapiaOcupacional como ferramenta articuladora de processos de emancipação para os sujeitos nasmodalidades de inserção social ampliada e de reabilitação de recursos e contextos para a vidadiária. A eleição do cotidiano, como um eixo para a clínica terapêutica ocupacional, aqui objeto doestudo, refletiu o compromisso em repensar a vida de cada indivíduo que se atravessa peloscaminhos e descaminhos do fazer de si mesmos, dia após dia, mantendo-se num processoinadiável entre saúde-doença, conquista e ruptura de fazeres para o ser. Marcando essasingularidade para a contribuição da Terapia Ocupacional em Saúde Mental. Os desafios de desenhar esta clínica da ocupação humana ultrapassam os limites depráticas ortodoxas centradas em processos esvaziados de técnicas alienantes de atividades,para enfim privilegiar o dimensionamento do ser como o principal artífice de sua própriaexistência, práxis e historicidade.
  31. 31. 39ReferênciasAMARANTE, P. D. de C. & TORRE, E. H. G. A Constituição de Novas Práticas no Campo daAtenção Psicossocial: Análise de Dois Projetos Pioneiros na Reforma Psiquiátrica no Brasil. In:Saúde em Debate, Rio de Janeiro, v. 25, n.58, p-26-34, mai./ago. 2001.ARRUDA, E. Terapêutica Ocupacional Psiquiátrica. Rio de Janeiro: 1962.BARTALOTTI, C. C. e DE CARLO, M. M. R. P. In: BARTALOTTI, C. C. e DE CARLO, M. M. R.P. (org.). Terapia Ocupacional no Brasil – Fundamentos e Perspectivas. São Paulo: PlexusEditora, 2001.CARVALHO, F. B. O Conceito de Símbolo em Cassirer, Freud e Ricoueur como Fundamentopara a Terapia Ocupacional. In: PÁDUA, E. M. M. & MAGALHÃES, L. V. Terapia Ocupacional– Teoria e Prática. 3 ed. Campinas, SP: Papirus, 2005. p. 15-26.FERREIRA, A. B. H. Dicionário Aurélio Eletrônico - Século XXI. Versão 3.0. Nova Fronteira eLexikon Informática, 1999.FOUCAULT, M. O Nascimento da Clínica. 2 ed. Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 1980.FRANCISCO, B. R. Terapia Ocupacional. 2 ed. Campinas, SP: Papirus, 2001.GALHEIGO, S. M. O Social: Idas e Vindas de um Campo de Ação em Terapia Ocupacional. In:PÁDUA, E. M. M. & MAGALHÃES, L. V. Terapia Ocupacional – Teoria e Prática. 3 edCampinas, SP: Papirus, 2005. p. 15-26.GALLETTI, M. C. Oficina em Saúde Mental: instrumento terapêutico ou intercessor clínico?Goiânia: Ed. da UCG, 2004.GIACOIA JÚNIOR, O. Prefácio. In: LOBOSQUE, A. M. Clínica em Movimento. Rio de Janeiro:Garamond Universitária, 2003.HAGEDORN, R. Fundamentos da Prática em Terapia Ocupacional. São Paulo: Dynamis, cap.2, 1999. p. 127-149.HELLER, A. Cotidiano e História. Rio de Janeiro: Paz & Terra, 1989.HELLER, A. Sociologia de La Vida Cotidiana. 4.ed. Barcelona: Península, 1994.JORGE, R. C. O Objeto e a Especificidade da Terapia Ocupacional. Belo Horizonte: GES.TO,1990.JORGE, R. C.. Terapia Ocupacional Psiquiátrica, Aperfeiçoamento. Belo Horizonte: FUMARC /PUC MG, 1981.LEAL, L. G. P. Terapia Ocupacional – Guardados de Gavetas e Outros Guardados. Recife: Ed.do Autor, 2005.LOBOSQUE, A. M. Clínica em Movimento. Rio de Janeiro: Garamond Universitária, 2003.
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