Vidros e esquadrias

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Vidros e esquadrias

  1. 1. 2004
  2. 2. Índice 1. PORTAS E JANELAS...................................................................................... 3 1.1. Tipos de esquadrias..........................................................................................................3 1.1.1. Esquadrias de madeira.................................................................................................4 1.1.2. Esquadrias metálicas....................................................................................................4 1.1.3. Esquadrias de PVC.......................................................................................................4 1.1.4. Esquadrias de alumínio................................................................................................5 1.2. Tipos de portas e janelas .................................................................................................5 1.2.1. Portas e janelas de correr ............................................................................................6 1.2.2. Portas e janelas de abrir ..............................................................................................6 1.2.3. Janela maxim ar ou projetante deslizante..................................................................6 1.2.4. Janela projetante ..........................................................................................................7 1.2.5. Janela gilhotina.............................................................................................................7 1.2.6. Janela basculante..........................................................................................................7 1.2.7. Janela pivotante (horizontal ou vertical)....................................................................8 1.2.8. Janela de tombar ..........................................................................................................8 2. VIDROS.............................................................................................................. 9 2.1. Vidros especiais..............................................................................................................10 2.2. Vidros fantasia ou impressos ........................................................................................10 2.3. Vidros de segurança.......................................................................................................11 2.3.1. Vidro temperado.........................................................................................................11 2.3.2. Vidro laminado ...........................................................................................................12 2.3.3. Vidro aramado............................................................................................................13 3. GLOSSÁRIO DE TERMOS TÉCNICOS (extraído do Manual Técnico de caixilhos / janelas).................................................................................................. 15 4. QUESTÕES DE CONCURSOS..................................................................... 16 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................... 18 Angelo Just da Costa e Silva 2
  3. 3. Este módulo trata das aberturas existentes numa edificação, de modo que aborda os aspectos importantes referentes às esquadrias, seus principais materiais componentes utilizados, tipos de aberturas e características intrínsecas de cada uma. E dentre os elementos presentes nas aberturas, são apresentados detalhes importantes no tocante aos vidros, desde o processo de fabricação, os tipos e características mais importantes, e cuidados recomendados para a aplicação. 1. PORTAS E JANELAS Em complemento ao fechamento de uma edificação, é fundamental a existência de aberturas cujas funções são das mais diversas: permitir o acesso às áreas externas das edificações; promover contato visual com o ambiente exterior; facilitar a entrada de iluminação natural, a fim de reduzir o consumo energético do ambiente; propiciar a ventilação ou troca de ar com o ambiente externo, aumentando, com isso, o conforto térmico, além de tornar o ambiente mais higienizado. As aberturas podem ocorrer por meio de portas, janelas, vãos vazados, ou qualquer tipo de elemento que permita o cumprimento das funções anteriormente relacionadas. O uso de portas e janelas tem o objetivo de proporcionar maior segurança ao usuário, além de permitir o controle adequado de contato com o ambiente externo (ventilação, iluminação). Com base nas funções a serem exercidas pelas aberturas em uma edificação, pode-se listar os requisitos de desempenho aos quais as portas e janelas devem atender: • Segurança: está relacionada com o comportamento mecânico do elemento, isto é, sua susceptibilidade à ocorrência de quebras ou arrombamentos, e também o seu comportamento ou resistência ao fogo. Alguns das avaliações relacionadas com esse requisito são: resistência aos esforços de uso, resistência a cargas de vento, manutenção; • Habitabilidade: trata-se de um conceito bastante amplo, que aborda aspectos referentes à funcionalidade do elemento associados com o seu comportamento em uso. Algumas das avaliações importantes relacionadas são: facilidade de manuseio, estanqueidade à água de chuva, ar, insetos e poeiras, iluminação, ventilação, isolação térmica e sonora (muito atrelados ao vidro, especialmente à forma de fixação); • Durabilidade: revela a conservação das características e propriedades originais e de manutenção do componente mesmo após tempo prolongado em uso. Os componentes presentes em portas e janelas são as esquadrias, os acessórios e os vidros. As características de cada tipo de abertura depende basicamente das propriedades relacionadas com estes elementos, especialmente as esquadrias e os vidros, os quais estão abordados em detalhe nos itens seguintes. Quanto aos acessórios, no item 4.0 é apresentado um glossário extraído do Manual Técnico de Caixilhos e janelas, da ABCI (Associação Brasileira de Construção Industrializada), o qual pode servir de referência para conhecimento dos diversos termos técnicos utilizados neste sistema da edificação. 1.1. Tipos de esquadrias São vários os tipos de materiais utilizados para a composição das esquadrias, tais como madeira, ferro, alumínio, PVC, entre outros. Angelo Just da Costa e Silva 3
  4. 4. 1.1.1. Esquadrias de madeira A madeira representa o primeiro tipo de material utilizado como componente para a fabricação das esquadrias, sendo, portanto, muito observada nas edificações históricas mais antigas. Com o decorrer do tempo e o surgimento de materiais alternativos, a madeira perdeu parcela significativa de mercado, o que vem sendo retomado atualmente devido à evolução no seu processo de produção, possibilitando a disponibilidade de grande variedade de modelos com desempenho compatível com as exigências do mercado. Algumas das madeiras normalmente utilizadas são a imbuia, o mogno, o angico, a jatobá, entre outras. Normalmente, as esquadrias de madeira são entregues na obra já montadas, com travamentos de proteção entre as folhas e fechos, devendo ser chumbadas às alvenarias por meio de pregos ou grapas, ou ainda fixados em contramarcos previamente colocados na parede. Dentre as vantagens relacionadas com este tipo de esquadria em relação às demais pode-se citar o custo mais acessível, facilidade de execução e de montagem, e como desvantagens encontra-se a durabilidade e a segurança. 1.1.2. Esquadrias metálicas Os componentes metálicos também representam uma tecnologia antiga para a fabricação de esquadrias, advinda desde meados do século 19, quando se utilizavam perfis de ferro laminado preparados e ajustados em pequenas serralharias. As esquadrias metálicas atualmente utilizadas para a confecção de esquadrias são de aço, mineral constituído essencialmente de ferro e carbono, com pequenas quantidades de manganês, fósforo, enxofre ou silício. Para reduzir a possibilidade de ocorrência de corrosão, as ligas são compostas também com cobre, e as esquadrias podem receber ainda revestimento superficial com camada microscópica de zinco (aço galvanizado), que atua como barreira de isolamento e como cátodo de sacrifício, ou seja, oxida-se em lugar do aço. As esquadrias metálicas são também entregues na obra prontas para o assentamento, devendo-se ter muito cuidado no tocante ao contato dos perfis com argamassa, a qual deve ser removida preferencialmente sem o auxílio de espátulas ou lixas grossas que possam danificar a proteção superficial. Além disso, não se deve expor este tipo de esquadria a ácidos, os quais podem reagir quimicamente com o aço, mesmo protegido, deteriorando o material. A instalação é, em geral, realizada em vão rigorosamente esquadrejado, o que pode ser obtido por meio da utilização de gabaritos ou contramarcos pré fixados na alvenaria. O peso elevado destas esquadrias, que dificulta a sua adequada instalação, e a necessidade de contínua manutenção preventiva quanto à ocorrência de corrosão são os principais pontos negativos relacionados com este tipo de componente, o que pode ser compensado pelo seu bom desempenho quanto à segurança, e também o seu efeito estético. 1.1.3. Esquadrias de PVC Trata-se de uma tecnologia moderna utilizada para a fabricação das esquadrias. Conforme ilustra a figura 1.1., o composto de PVC (policloreto de vinila) utilizado para esta finalidade deve ser obtido a partir de uma mistura íntima entre o etileno, cuja matéria prima é o petróleo, e o cloro. A resina de PVC formada nesta mistura recebe uma incorporação de aditivos especiais necessários para o atendimento de requisitos de desempenho importantes para o produto, tais como resistência ao intemperismo, rigidez e resistência mecânica. Angelo Just da Costa e Silva 4
  5. 5. As esquadrias de PVC possuem uma câmara interior oca que é preenchida com perfis metálicos de aço galvanizado, reforçando a estrutura quanto aos esforços mecânicos. Petróleo nafta gasolina gás ETILENO Sal (NaCl) + água CLORO PVC destilação craqueamento (separação de líquidos) (separação térmica) eletrólise corrente elétrica Composto de PVC aditivos Propriedades especiais: res.a radiações solares Algumas das características intrínsecas das esquadrias de PVC são: apresentam facilidade de manutenção e limpeza; são resistentes a agentes biológicos; são autoextinguíveis, isto é, não propagam chamas em caso de incêndio; têm maior capacidade de manutenção da temperatura interna dos ambientes, devido ao seu baixo coeficiente de transmissão do calor, entre outros. Uma das grandes vantagens quanto ao uso deste tipo de esquadria está relacionada com a moldagem dos perfis, a qual, neste caso, é realizada por meio de soldagem a quente, de modo que não há aberturas nas ligações entre os perfis, proporcionando excelente desempenho desta esquadria quanto à estanqueidade. O seu alto custo, por enquanto, representa a sua maior desvantagem, aliado ao pouco uso ainda nas condições ambientais nacionais. 1.1.4. Esquadrias de alumínio É o tipo de esquadria mais largamente utilizado na construção civil atualmente, especialmente no Brasil a partir da década de 50, tendo na construção da cidade de Brasília, no Distrito Federal, o seu grande marco inicial. As esquadrias de alumínio são também entregues prontas para instalação na parede, a qual é feita sobre contramarco assentado diretamente na alvenaria, cuja função é garantir a vedação e regularização do vão. O uso intensivo do alumínio para composição das esquadrias se deve à sua grande leveza, aliada a uma grande resistência mecânica, o que lhe proporciona facilidade de transporte e montagem, e à durabilidade satisfatória quanto à ação de agentes agressivos naturais como maresia ou regiões industriais, e sua estabilidade dimensional. 1.2. Tipos de portas e janelas A depender da geometria e distribuição das aberturas, existem diversos tipos de janelas e portas cujas vantagens e desvantagens devem ser consideradas de acordo com as características específicas de cada projeto. Os tipos mais comumente utilizados estão a seguir descritos, inclusive com as respectivas representações utilizadas para identificação em projetos. Angelo Just da Costa e Silva 5
  6. 6. 1.2.1. Portas e janelas de correr • Características: Apresentam uma ou mais folhas que se movimentam por deslizamento horizontal no plano da folha. • Vantagens: Indicadas para grandes vãos; fácil operação; ventilação regulável conforme a abertura das folhas; não interfere nas áreas internas, possibilitando a instalação de grades, persianas ou cortinas; • Desvantagens. Apresenta vão livre para circulação de ar de apenas 50%; dificuldade de limpeza na face externa; exige manutenção e limpeza constantes dos trilhos inferiores, em face do risco de infiltrações de água através dos trilhos. 1.2.2. Portas e janelas de abrir • Características: É formada por uma ou mais folhas que se movimentam mediante rotação em torno de eixo verticais fixos, coincidentes com as laterais das folhas; • Vantagens: Quando aberta, libera 100% do vão para ventilação; fácil limpeza da área externa; • Desvantagens. Ocupa espaço interno quando abre para dentro; não permite regulagem ou direcionamento do fluxo de ar; deve ser mantida fechada em caso de chuva; não permite tela ou grade, se abrir para fora, ou cortina, se abrir para dentro. 1.2.3. Janela maxim ar ou projetante deslizante • Características: possui uma ou mais folhas que podem ser movimentadas em torno de um eixo horizontal, com translação simultânea deste eixo; Angelo Just da Costa e Silva 6
  7. 7. • Vantagens: permite ventilação nas áreas inferiores do ambiente mesmo com chuva sem vento; não ocupa espaço interno; com braço de articulação adequado pode abrir em ângulo de até 90º, facilitando limpeza e ventilação; • Desvantagens. Exige cuidados quando da incidência de rajadas de vento; a abertura para o lado de fora limita o uso em áreas térreas; não permite uso de grades ou telas pela face exterior. 1.2.4. Janela projetante • Características: possui uma ou mais folhas que podem ser movimentadas em rotação em torno de um eixo horizontal fixo, situado na extremidade superior da folha; • Vantagens: apresenta as mesmas vantagens da janela projetante deslizante, com exceção da abertura até 90º; • Desvantagens. Limpeza difícil pela face externa; não permite uso de grades ou telas pela face exterior; libera o vão parcialmente; não direciona bem o fluxo de ar, podendo causar desconforto pela canalização do vento na altura das pessoas. 1.2.5. Janela gilhotina • Características: é formada por uma ou mais folhas que se movimentam por deslizamento vertical no plano da janela; • Vantagens: possui vantagens similares às da janela de correr, especialmente se as folhas possuírem sistemas de travas e balanceamento. Caso contrário, as folhas devem possuir retentores para permitir o controle de movimentos; • Desvantagens. Além das desvantagens descritas na janela de correr, exige rigorosa manutenção para regular a tensão das travas e retentores; apresenta risco de queda. 1.2.6. Janela basculante Angelo Just da Costa e Silva 7
  8. 8. • Características: possui eixo de rotação horizontal, centrado ou excêntrico, não coincidente com as extremidades superior e inferior da janela; • Vantagens: ventilação constante com chuva de pouco vento; facilidade de limpeza das áreas externas; pequena projeção interna e externa, possibilitando o uso de cortinas e grades; favorece o direcionamento de ar; • Desvantagens. Não libera totalmente o vão; apresenta estanqueidade reduzida em face do grande comprimento de juntas. 1.2.7. Janela pivotante (horizontal ou vertical) • Características: possui uma ou várias folhas que podem ser movimentadas mediante rotação em torno de um eixo horizontal vertical não coincidente com as laterais e extremidades da folha; • Vantagens: facilidade de limpeza da face externa; permite o direcionamento do fluxo de ar para cima ou para baixo (horizontal), direita ou esquerda (vertical); • Desvantagens. Dificuldade para instalação da tela, grade, cortina ou persiana. 1.2.8. Janela de tombar • Características: possui uma ou mais folhas que podem ser movimentadas mediante rotação de um eixo horizontal fixo, situado na extremidade inferior da folha; • Vantagens: ocupa pouco espaço interno; propicia abertura gradual; • Desvantagens: utilização restrita a pequenos vãos. Angelo Just da Costa e Silva 8
  9. 9. 2. VIDROS O vidro é um material largamente utilizado na construção para as mais diversas aplicações, desde a composição de fechamentos, paredes divisórias, pisos, coberturas, tampos de mesa, balcões e, até mesmo, fachadas. A estrutura atômica do vidro lhe proporciona uma singularidade interessante, uma vez que trata- se de um líquido super resfriado, ou seja, não chega a ser exatamente um líquido e nem um sólido cristalino, o que se pode verificar por meio da sua estrutura molecular. O gráfico 2.1 indica os elementos que compõem o vidro, destacando-se a sílica, o sódio e o cálcio. Em teoria, o vidro poderia ser composto apenas por sílica e sódio (chamado vidro água), porém esta composição é solúvel na água, de modo que é necessário a adição ainda de cálcio para torná-lo mais duro e insolúvel em água. Gráfico 2.1. Elementos presentes na composição do vidro O vidro apresenta ainda uma importante variante ambiental a ser discutida, quando da sua avaliação para emprego em se comparado com outros materiais: trata-se de um material totalmente reciclável, uma vez que pode ser utilizado como matéria prima para a produção de novos tipos de vidro; é retornável, ou seja, pode ser reutilizado sem comprometimento do seu desempenho após lavagem com detergente ou em temperaturas elevadas; e é reutilizável, isto é, após a aplicação inicial pode ser empregado para usos diversos daqueles para os quais foram originalmente produzidos. No tocante a aspectos conceituais a respeito dos vidros utilizados em construção civil, é importante discutir as diferenças entre as seguintes terminologias: vidro comum (ou recozido) é aquele que pode apresentar leves ondulações superficiais responsáveis pelo surgimento de distorções visuais de imagem; os vidros float, largamente utilizados em todo o mundo, em cujo processo de fabricação o material corre para um banho de flutuação (daí o nome float) em “mesa” de estanho fundido, o que garante perfeita planimetria das faces; e os cristais, que apresentam notável característica de brilho e transparência, obtidos pela inclusão de chumbo na composição (indicado para a fabricação de taças, vasos e enfeites em geral). A partir destes conceitos, pode-se fazer uma classificação geral dos tipos de vidro utilizados para construção civil conforme se segue, e cujas características serão melhor abordadas adiante: • Vidros especiais: termorefletores e coloridos (termoabsorventes) • Superfície de acabamento: Vidro liso e impresso (vidro fantasia) Angelo Just da Costa e Silva 9
  10. 10. • Processo de fabricação: Vidro comum e de segurança 2.1. Vidros especiais Os vidros especiais em geral apresentam a função de reduzir o consumo energético dos ambientes, além de proporcionar um adequando desempenho estético. A redução do consumo energético pode ser compreendido a partir da figura 2.2, a qual representa a incidência de radiação solar sobre um elemento de vidro e as diferentes maneiras que este calor pode-se dissipar. Figura 2.2. Transferência de calor pelo vidro (vidro laminado, neste caso) Como se pode perceber, o calor incidente pode ser refletido, transmitido para o interior, ou absorvido pelo elemento (para em seguida ser reirradiado para o interior ou para o exterior). As quantidades percentuais correspondentes a cada uma destas parcelas vai depender do ângulo de incidência do sol e da refletividade do vidro. Os vidros classificados como coloridos, ou termoabsorventes, podem ser obtidos por meio da adição de óxidos metálicos à composição, a fim de se obter a coloração desejada (azul, verde, cinza), reduzindo a transmissão solar e, com isso, aumentando a absorção do vidro. A coloração do vidro também pode ser conseguida por meio da laminação com película plástica colorida. No caso dos termorefletores aplica-se na superfície uma camada de metal ou óxido metálico com espessura fina o suficiente para manter o componente transparente. Esta película também pode ser adicionada durante a laminação do vidro, ou ainda a partir da deposição de átomos de metal sobre uma chapa de vidro situada numa câmara mantida sob vácuo. Trata-se do vidro mais conhecido como espelhado, o qual apresenta excelente desempenho energético (permite apenas a passagem de luz, enquanto o calor é refletido para o ambiente externo pela face do vidro), devendo-se cuidar para que a instalação seja feita na forma laminada, a fim de proteger o metal utilizado quanto à ação de agentes agressivos. 2.2. Vidros fantasia ou impressos Trata-se de vidro com a mesma composição química do vidro comum ou float, translúcido, com uma ou ambas as faces impressas com desenhos das mais diversas origens. São normalmente Angelo Just da Costa e Silva 10
  11. 11. aplicados em locais onde se deseja iluminação sem perda de privacidade, tais como boxes de banheiro, divisórias, salas de aula, portas sociais, placas de sinalização, entre outros. A maneira como é realizada a impressão determina o tipo de acabamento do vidro, que pode ser: brilhante, impresso a fogo após o estiramento; fosco, por meio de jateamento com pós abrasivos (vidro jateado) ou aplicação de ácido hidrofluorídrico; esmaltado, com a colocação de esmalte nas faces para posterior aquecimento e fundição; ou texturizado, no qual a superfície recebe um tratamento para alteração da sua planicidade, aumentando a privacidade do ambiente. A título ilustrativo estão apresentados na figura 2.3. alguns exemplos de vidros fantasia com diferentes texturas. Figura 2.3. Imagens de vidros tipo fantasia, ou impressos Canelado martelado pontilhado 2.3. Vidros de segurança Os vidros de segurança recebem esta denominação devido à sua propriedade de, quando fraturados, produzir fragmentos menos susceptíveis a cortes ou danos ao usuário. Este tipo de vidro é de uso obrigatório em diversas situações, tais como: vidraças externas sem proteção adequada, vitrines, sacadas e parapeitos, vidraças não verticais sobre passagens. Os principais vidros de segurança são: temperado, laminado e aramado. 2.3.1. Vidro temperado Este vidro recebe um tratamento especial durante a fabricação, chamado de têmpera, cujo objetivo é incrementar as suas propriedades mecânicas e, com isso, reduzir o risco de quebras ou trincas. Outro efeito interessante observado neste tipo de vidro é que, após a ruptura, são formados pequenos fragmentos de vidro sem arestas cortantes ou lascas pontiagudas (figura 2.4). Figura 2.4. Aspecto da ruptura ocorrida em vidro tipo temperado (esquerda) e não temperado (direita). Angelo Just da Costa e Silva 11
  12. 12. O processo de têmpera térmica consiste do aquecimento do material até uma temperatura crítica, denominada ponto de amolecimento, seguida de resfriamento brusco por meio de jatos de ar. Uma vez que o vidro é um mau condutor de calor, a superfície exterior se resfria e contrai, enquanto o interior permanece fluido, a alta temperatura. Com o gradual resfriamento da massa interna, a mesma tende a se contrair, sendo, porém, restringida pela face externa, de modo a gerar fortes tensões de compressão na superfície e de tração nas áreas internas, conforme representado na figura 2.5. Figura 2.5. Gráfico de distribuição de tensões em vidros temperados espessura ll Tensão Estas tensões de compressão na superfície são responsáveis pela formação dos pequenos fragmentos quando ocorre uma ruptura em qualquer ponto da chapa. Por conta deste motivo, não se admite nenhum tipo de ajuste, tais como cortes e perfurações, na obra, após a fabricação. Apenas polimentos leves podem ser realizados na superfície do vidro temperado, quando se necessita utilizar este tipo de componente em vidros do tipo fantasia, por exemplo. Um processo alternativo com o mesmo propósito é o de têmpera química, que consiste na troca iônica de sais de sódio presentes no vidro por sais de potássio encontrados em solução pré misturada. Uma vez que o raio atômico dos íons de potássio é bastante superior ao dos íons de sódio (1,33⊕ e 0,95⊕, respectivamente), e o volume ocupado é o mesmo, ocorre uma compressão na superfície onde ocorreu a troca, causando efeito similar ao da têmpera térmica. Possui a vantagem de permitir temperar espessuras de vidro de até 1mm, ao contrário dos 3mm mínimos exigidos na outra situação, além de uma grande uniformidade, apresentando, por outro lado, alto custo. Este processo não é utilizado no Brasil. 2.3.2. Vidro laminado Consiste em uma ou mais lâminas de vidro interpostas por camadas de polivinil butiral (PVB) (resina resistente e flexível), ou outra resina adequada, fortemente ligadas entre si sob pressão e calor, podendo-se apresentar em diferentes cores, a depender da película utilizada e do próprio vidro, e espessuras simples (duas camadas) ou múltiplas (três ou mais lâminas de vidro), conforme identificado na figura 2.5. Figura 2.5. Camadas presentes num vidro laminado simples Angelo Just da Costa e Silva 12
  13. 13. www.cebrace.com.br A principal característica deste vidro é que, quando fraturado, os fragmentos permanecem presos à película de butiral, a qual pode ser distendida mais de 5 vezes a sua medição inicial sem romper. São especialmente indicados para situações onde possam ocorrer grandes impactos e punções, tais como a ação de projéteis (vidro blindado), pára brisas de locomotivas, aeronaves, automóveis e joalharias. Outra importante característica relacionada com o vidro laminado é o seu bom desempenho acústico, uma vez que a película de PVB amortece e absorve as vibrações sonoras oriundas da fonte, reduzindo a transmissão para o ambiente. Por fim, este tipo de vidro ainda é um excelente filtro de raios ultra violeta. Os principais cuidados a serem tomados na instalação dos vidros laminados referem-se à borda lateral, uma vez que a penetração de umidade pode causar sérios danos estéticos e de desempenho ao componente. Alguns dos cuidados especiais a serem tomadas estão a seguir listados: os vidros devem fornecidos com as suas dimensões exatas, não se recomendando cortes na obra; o estoque deve ser realizado em local seco e arejado, com os vidros dispostos sobre cavaletes para evitar danos às bordas; os caixilhos sobre os quais os vidros serão assentados devem ser rigorosamente vistoriados imediatamente antes da instalação a fim de evitar a presença de qualquer espécie de saliência ou material inadequado; a vedação das placas não pode ser realizada com selantes que ataquem a película de PVB, como polissulfetos, óleo de linhaça ou ácido acético; a limpeza não pode ser efetuada com materiais à base de cloro, o que pode causar corrosão do caixilho e, com isso, possibilitar a ocorrência de esforços adicionais nas chapas de vidro. A depender, portanto, dos cuidados adotados durante a etapa de instalação do componente, é possível a ocorrência de uma série de defeitos, conforme a seguir listado: • Defasagem: escorregamento entre as lâminas; • Descolamento: falta de aderência entre as camadas; • Manchas de óleo: penetração de substâncias oleosas; • Embranquecimento: aparência leitosa; • Mancha de película aderente: diferença de coloração em área restrita do vidro; • Impressão digital: marca deixada entre as chapas durante o manuseio; • Inclusão: Toda substância estranha entre as chapas; • Linha: defeito na película do material aderente, com aspecto de fio. 2.3.3. Vidro aramado Trata-se de um vidro comum, que pode ser impresso, translúcido, no meio do qual é incorporada uma rede metálica de malha quadrada (1/2”) cuja função é segurar os estilhaços de vidro após o Angelo Just da Costa e Silva 13
  14. 14. rompimento (figura 2.6). Com isso, evita-se a ocorrência de invasões e o ferimento de pessoas quando da sua ruptura. Além disso, trata-se de material com bom comportamento a chamas. Figura 2.6. Aspecto do vidro aramado, neste caso também impresso (ou fantasia) Neste caso também não se recomendam cortes na obra, e as suas principais aplicações são em portas corta fogo, passagens para saída de incêndio, portas de segurança. Angelo Just da Costa e Silva 14
  15. 15. 3. GLOSSÁRIO DE TERMOS TÉCNICOS (extraído do Manual Técnico de caixilhos / janelas) • anodização: método eletroquímico de produção de uma película integral de óxidos em superfícies de alumínio; • arremates: perfis ou peças de acabamento normalmente utilizados para cobrir a junção do marco com o contramarco ou alvenaria, no vão de instalação do caixilho; • baguete: Perfil utilizado para a fixação do vidro ou de painéis nos quadros fixos, folhas móveis, geralmente encaixado por meios mecânicos nos perfis das folhas dos quadros, podendo ser removidos para a troca de vidros; • bandeira: folha fixa ou móvel situada na parte superior de portas e janelas, separadas por uma travessa horizontal; • batente: elemento fixo que guarnece o vão onde se prendem as folhas de portas e janelas; • borboleta: dispositivo articulado como uma dobradiça fixado ao montante do marco e que permite o travamento de uma ou duas folhas de uma janela guilhotina; • braço: peça longilínea que, acoplada à janela, permite articulações e mantém a abertura do caixilho; • caixilho: nome genérico para estruturas de vedação, fixas ou móveis, usado nas fachadas de edificações para garantir visão do exterior, ventilação, iluminação e isolamento acústico adequado ao uso do ambiente externo; • clarabóia: caixilho para ser utilizado em coberturas, geralmente inclinados; • contramarco: conjunto de perfis chumbados na argamassa, que dá referência para o enchimento posterior dos vãos e serve de apoio à instalação dos caixilhos; • cremona: tipo de trava utilizada em janelas de duas folhas, cuja movimentação se dá por meio de hastes; • fecho: elemento da trava, normalmente aplicado nas folhas móveis, podendo ser embutido ou de sobrepor, com a função principal de manter a folha travada quando fechada; • gaxeta: junta de vedação pré moldada com propriedades elásticas, que ao ser pressionada promove estanqueidade nas folhas ou rebaixos dos panos; • guarnições: outro nome dado às gaxetas, que podem ser de borracha, plástico, ou do tipo escova, asseguram a vedação do ar, água e ruídos; • grapa: elementos de fixação de metal, aplicados aos contramarcos ou marcos e que permitem a instalação na argamassa da alvenaria; • marco: conjunto de perfis que compõem o quadro de alojamento das folhas de um caixilho; • montante: perfil vertical, capaz de estruturar o caixilho; • pinázio: travessas intermediárias e montantes intermediários de subdivisão das folhas, de seção reduzida, que se destinam à sustentação de placas de vidro ou de outros tipos de panos; • travessas: perfis horizontais, componentes dos quadros das janelas; • vedante: material destinado à vedação das juntas, geralmente com propriedades elásticas ou plásticas; Angelo Just da Costa e Silva 15
  16. 16. 4. QUESTÕES DE CONCURSOS 1) (TRE RJ – 2001) Em relação a esquadrias, a afirmativa correta é: a) As janelas do tipo guilhotina funcionam pelo deslocamento das folhas de abrir, pela ação de um contrapeso embutido no montante do caixilho; b) A diferença de uma janela tipo basculante e uma de abertura de máximo-ar, é que nesta a esquadria, além de bascular, desloca-se na vertical permitindo uma abertura na parte superior; c) Os batentes das janelas são do tipo marco e compostos por dois montantes e uma travessa; d) A roseta é uma ferragem de uma esquadria que substitui o espelho, sendo uma peça única, com dois orifícios para introdução da chave e do eixo de comando do trinco; e) São peças para sustentação, fixação e movimentação de uma esquadria pivotante: as cremonas, as tarjetas e as carrancas; 2) (MPE MG – 2002) Caracteriza especificação inadequada em relação a esquadrias: a) As portas serão executadas de acordo com as dimensões especificadas no projeto preliminar. b) As esquadrias de madeira serão previamente secas. c) As aduelas e alisares serão de madeira de lei. d) As janelas e basculantes serão de esquadrias de alumínio. 3) (TRE RJ – 2001) Em relação à colocação de vidros em esquadrias e caixilhos, assinale a alternativa incorreta: a) Em caixilhos metálicos a fixação dos vidros ao rebaixo é feita por gaxetas; b) Em uma esquadria de madeira a divisão das peças do caixilho, verticais e horizontais, que sustentam os vidros, são os pinásios; c) O domo de vidro é uma esquadria estruturada auto-portante em vidro de segurança, com a finalidade de receber a iluminação zenital em uma cobertura; d) O vidro polido utilizado em uma esquadria tem como objetivo impedir a passagem da luz; e) O vidro transparente cristal tem suas faces absolutamente paralelas e se diferencia do vidro transparente liso por não apresentar distorção ótica. 4) (ELETROBRÁS – 2003) Ao vidro que foi submetido a um tratamento térmico, através do qual foram introduzidas tensões adequadas e que, ao partir-se, desintegra-se em pequenos pedaços, dá-se corretamente o nome de: a) recozido; b) temperado; c) laminado; d) aramado e) térmico absorvente. 5) (PM RJ – 2001) Na instalação de vidros temperados: a) podem ser utilizadas buchas e parafusos diretamente neles; b) se a peça não couber exatamente no local, ela deve devolvida à fábrica para ser reusinada; c) deve-se fazer um teste de resistência antes de sua colocação final; d) pode-se fazer qualquer tipo de polimento, se necessário; Angelo Just da Costa e Silva 16
  17. 17. e) devem se encaixar exatamente nas dimensões finais dos vãos acabados, pois não podem sofrer recortes de qualquer espécie. Angelo Just da Costa e Silva 17
  18. 18. 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CONSTRUÇÃO INDUSTRIALIZADA. Manual técnico de caixilhos e janelas. São Paulo, Pini, 1991. CEBRACE. 1º Anuário de Tecnologia e Vidro. 2002. FALCÃO BAUER, L.A. Materiais de construção. São Paulo, LTC, v.2, 1979. PETRUCCI, E.G.R.. Materiais de construção. São Paulo, Ed. Globo, 9ªed., 1993 www.abal.org.br. Visitado em fevereiro de 2004. Angelo Just da Costa e Silva 18

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