Leite
REVISTA




   Integral
   Revista Técnica da Bovinocultura de Leite - Número 25 - Ano 5 | Fevereiro/Março 2010




...
NFT Alliance

                                                         Programação
                                       ...
Compromisso com a qualidade da informação

                                 Acredito, sinceramente, que a informação      ...
06
     reprodução                                  destaque




42
                                                      ...
Destaque




                                                                                      Destaque



           ...
Revista Leite Integral - Fevereiro/Março 2010




Mcal de NEL por dia (aproximada-        •       O fornecimento de di-   ...
Nutrição




              FONTES DE FÓSFORO PARA USO
                NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL:
                 UMA QUESTÃO ...
Revista Leite Integral - Fevereiro/Março 2010




   Essas “novas opções” normal-      se elas são tecnicamente viáveis   ...
Nutrição



            cultura, pelo fato de os bovinos    aspecto prático da suplementa-          Dentro   desse   conte...
Revista Leite Integral - Fevereiro/Março 2010
Nutrição




            ETIOLOGIA DO BAIXO PH RUMINAL E POSSÍVEIS
              MEDIDAS PARA REDUZIR A INCIDÊNCIA DE
    ...
Revista Leite Integral - Fevereiro/Março 2010




Introdução                          15 fazendas em Wisconsin (EUA)      ...
Nutrição



                  dos tipos de ácidos produzidos          minui, algumas bactérias sen-          consumo levar...
Revista Leite Integral - Fevereiro/Março 2010




uma vez que consomem açúcares,        excede a capacidade de proces-    ...
Mercado de Trabalho




                                              FALAR EM PÚBLICO
                         Dicas para...
Revista Leite Integral - Dezembro/Janeiro - 2009/2010




                                                        17
Mercado de Trabalho



                       ração da palestra e conhece seu       claro que cabe, mas metade do       as...
Revista Leite Integral - Fevereiro/Março 2010
Manejo




           Como economizar energia
          elétrica em fazendas leiteiras
                     Parte I




20
Revista Leite Integral - Fevereiro/Março 2010




Eduardo Carvalhaes Nobre
Engº Eletricista
Eficiência Máxima Consultoria
...
Manejo



          porque pensamos sempre nos           retas do seu medidor de energia,        Na Figura 1, a leitura do...
Revista Leite Integral - Fevereiro/Março 2010




   Este valor pode ser influen-       de leite no período, quantidade   ...
Manejo


                                                                                                      Figura 2. S...
Revista Leite Integral - Fevereiro/Março 2010
Manejo



          posição inverno para verão e você vai reduzir sua        de energia local e faça os mesmos cálculos, c...
Revista Leite Integral - Fevereiro/Março 2010




Identifique quem mais consome energia               consumo. Logo, vamos...
Sanidade




                                 MASTITE EM NOVILHAS
                                         PARTE II: IMPAC...
Revista Leite Integral - Fevereiro/Março 2010




na CCS acima de 50.000 céls/mL.           carte a principal foi a mastit...
Sanidade



               Comparando-se os custos dos            leite devem identificar e tratar             rapia de va...
Revista Leite Integral - Dezembro/Janeiro - 2009/2010

Está chegando a

Quallydade
 que faltava para o seu leite.

       ...
Sanidade



            Tabela 3. Desempenho de novilhas tratadas com antibiótico no pré-parto e não tratadas (controle) d...
Revista Leite Integral - Fevereiro/Março 2010




intramamárias por S. aureus,            25% na prevalência de infecções ...
Sanidade



            Em relação aos principais pató-                 estabelecer medidas de     bem-estar e a saúde de...
O MAIOR EVENTO
                           DO SETOR NAS AMÉRICAS
                           Venha participar do 11º Congres...
Mercado




           ÍNDICE DE CUSTO DE PRODUÇÃO DE LEITE/
                   EMBRAPA GADO DE LEITE
                    ...
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Revista 25
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Revista 25

3.849 visualizações

Publicada em

ENERGIA ELÉTRICA: Saiba como minimizar esse importante custo da fazenda leiteira

0 comentários
3 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
3.849
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
3
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
0
Comentários
0
Gostaram
3
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Revista 25

  1. 1. Leite REVISTA Integral Revista Técnica da Bovinocultura de Leite - Número 25 - Ano 5 | Fevereiro/Março 2010 FIQUE POR DENTRO A pecuária leiteira e as redes sociais NUTRIÇÃO Fontes de fósforo para uso na alimentação animal ENERGIA ELÉTRICA Saiba como minimizar esse importante custo da fazenda leiteira
  2. 2. NFT Alliance Programação de eventos Novo conceito estratégico Nova linha de mundial produtos Programa de controle de micotoxinas O amanhã Palestras on-line está nascendo. www.nutron.com.br Revista on-line E-books Para comemorar seus 15 anos de história, a Nutron está passando por um alinhamento estratégico mundial de marca e lançando seu novo site, que vai oferecer a você informações e ferramentas com tecnologia de alta performance. Você está convidado a participar desta evolução que está começando e que vai ajudar a moldar a nutrição do amanhã. Acesse: www.nutron.com.br
  3. 3. Compromisso com a qualidade da informação Acredito, sinceramente, que a informação sas que estão se benefici- editorial deveria ser tratada e consumida, tal qual os ando, e muito, com essas itens mais básicos para a sobrevivência huma- ferramentas. na. Faço aqui uma comparação com as nossas Nessa edição apresenta- escolhas diárias, de alimentos, por exemplo, mos, ainda, vários outros assuntos e com as prescrições médicas de medicamen- de grande interesse para o dia-a-dia de téc- tos para restabelecer a nossa saúde. Qualquer nicos e produtores. Exemplo disso é o artigo falha nessas “escolhas” pode representar, do Dr. Eduardo Carvalhaes Nobre, da Eficiên- em curto ou longo prazo, riscos potenciais cia Máxima Consultoria, que traz dicas valio- à nossa sobrevivência. Assim também fun- sas de como economizar energia elétrica em ciona a informação. Se idéias equivocadas e fazendas leiteiras. amplamente refutadas pelas pesquisas são Na sessão Nutrição, apresentamos um ar- lançadas, sem um respaldo técnico, corre-se tigo sobre a etiologia do baixo pH ruminal e o risco de gerar sérios prejuízos econômicos possíveis medidas para reduzir a incidência de para uma determinada atividade. Nesse con- acidose ruminal subaguda (ASAR). A segunda texto, convidamos o Dr. Marcos Baruselli, ge- parte do artigo sobre mastite em novilhas rente de assuntos regulatórios da Tortuga, enfoca os impactos econômicos e as formas para esclarecer alguns pontos acerca da uti- de controle e prevenção, visando minimizar lização de fontes de fósforo na alimentação impactos na vida produtiva futura desses ani- animal. Como ele diz, com muita proprie- mais. Na sessão Mercado de Trabalho apre- dade, trata-se de um assunto técnico, e que sentamos dicas para ajudar aqueles que são deve ser abordado como tal. tímidos, mas que querem ou precisam falar Essa edição traz um assunto inovador e em público. Não deixe de ler! polêmico para a pecuária leiteira – as redes Além desses, muitos outros assuntos de sociais. Para aqueles que pensam que elas são extrema relevância são apresentados nessa passa-tempo de quem não tem o que fazer, edição. Esperamos que gostem e desejamos a apresentamos exemplos de pessoas e empre- todos uma ótima leitura! Flávia Fontes Editora Chefe expediente Editora Chefe Flávia Adriana Pereira Vieira Fontes Álan Maia Borges - UFMG Ana Luíza da Costa Cruz Borges - UFMG Diagramação Alessandra Alves SIGA-NOS DSc. Ciência Animal - CRMV-MG 5741 Angela Maria Quintão Lana - UFMG Antônio Último de Carvalho - UFMG Assinatura Anual (11 edições) Editora Técnica Elias Jorge Facury Filho - UFMG Brasil - R$ 95,00 Nadja Gomes Alves José Luiz Moraes- UNESP/Botucatu www.revistaleiteintegral.com.br Profa. Adjunta do Departamento de Zootecnia, Marcos Neves Pereira - UFLA Universidade Federal de Lavras Mônica M. O. Pinho Cerqueira - UFMG Norberto Mário Rodriguez - UFMG twitter.com/LEITE_INTEGRAL Jornalista Responsável Ronaldo Braga Reis - UFMG Alessandra Alves - MTB 14.298/MG Capa As idéias contidas nos artigos assinados não Consultoria Técnica Fazenda Leite Verde expressam, necessariamente, a opinião da revista Adriana de Souza Coutinho - UFLA (Jaborandi e Cocos/BA) e são de inteira responsabilidade de seus autores. milkpoint.com.br/mypoint/ revistaleiteintegral Administração / Redação Av. Getúlio Vargas, 874 - sala 607 | Funcionários 30112-020 | Belo Horizonte/MG Horário de atendimento: 9h às 17h30 Telefax: (31) 3281-5862
  4. 4. 06 reprodução destaque 42 08 informes publicitários nutrição 50 resolva, se puder mercado de trabalho 16 52 manejo 20 você sabia? 54 sanidade 28 fique por dentro 56 aconteceu mercado 36 62 índice
  5. 5. Destaque Destaque DR. THOMAS OVERTON Professor Associado de Ciência Animal da Universidade de Cornell, Ithaca NY Diretor-Associado PRÓ-DAIRY O Dr. Thomas Overton é uma das maiores autori- dades mundiais em sólidos do leite. Convidado pela Nutron e Novus, ele participou de um Seminário Inter- nacional em Poços de Caldas/MG (veja matéria nesta edição). Veja abaixo os principais conceitos apresenta- dos e discutidos nas suas apresentações: Pontos-Chave para se obter maior produtividade 1) Controle da ingestão de macro-minerais e teor de sólidos no leite: 2) Controle da ingestão de energia 3) Assegurar que as dietas sejam formuladas • Adequado manejo, principalmente nutri- para máximo consumo, por meio do manejo de cional, durante o período de transição fornecimento da alimentação e da minimização da • Fornecimento de forragens de excelente seleção no cocho qualidade • No manejo geral o ponto mais importante • Utilização de modelos para balancear as seria minimizar o estresse e evitar variações na in- exigências de nutrientes, visando à maximização gestão de matéria seca dos sólidos do leite • Implementação de adequado manejo de Recomendações para consumo de energia no fornecimento da dieta período seco: Principais fatores de manejo a serem trabalha- • Até 3 semanas pré-parto: 15-17 Mcal de dos durante o período de transição: NEL (energia líquida para lactação) por dia (aproxi- madamente 1,30 Mcal/Kg de NEL) • No manejo nutricional merecem destaque: • De 3 semanas pré-parto até o parto: 16-18 6
  6. 6. Revista Leite Integral - Fevereiro/Março 2010 Mcal de NEL por dia (aproximada- • O fornecimento de di- dem representar aumento na in- mente 1,40 Mcal/Kg de NEL) etas com mais de 15% de PB não cidência de retenção de placenta • Variar a densidade ener- traz vantagens e pode ser até e cetose, e redução na produção gética da dieta de acordo com o prejudicial de leite. consumo de matéria seca: • Fornecimento de Lisina: • Dosagem de BHB (beta- - Se o consumo estiver baixo, 6,4 a 6,8% da PM hidroxibutirato), que indica o aumentar a densidade energética • Fornecimento de Metio- nível de corpos cetônicos no - Se o consumo estiver alto, nina: 2,2 a 2,3% da PM sangue. Deve ser menor que 10- reduzir a densidade energética 12 mg/dL. Valores superiores a • A única forma de mini- Aspectos relacionados ao am- esses, em mais de 15% das vacas, mizar variações entre vacas, no biente que têm maior impacto indicam necessidade de revisão consumo de alimentos, causadas no sucesso do período de tran- no manejo da transição, pois po- por problemas no manejo ou nas sição: dem representar aumento na in- instalações, é assegurar que to- cidência de retenção de placenta das as vacas do grupo estejam • Evitar a superlotação e cetose, e redução na produção “completamente alimentadas”, • Separar novilhas e vacas de leite. ou seja, atinjam seu consumo • Evitar as constantes mu- • Variações na produção máximo de matéria seca danças de lotes diária de leite no início da lacta- • Minimizar o estresse ção Recomendações para consumo calórico de proteína e aminoácidos no • Promover conforto e hi- Principais estratégias nutricio- período seco: giene do ambiente nais para maximizar o desem- penho de vacas em lactação: • A recomendação do NRC Como monitorar a adequação (2001) de aproximadamente do manejo de vacas de tran- • Otimizar o uso de forra- 900g/dia de proteína metabo- sição: gens lizável (PM) não inclui as exigên- • Balancear adequada- cias para a mamogênese • Dosagem de NEFA (ácidos mente os carboidratos: • A inclusão das exigências graxos não-esterificados), que -Efetividade da FDN para mamogênese aumenta para são os principais sinalizadores -Digestibilidade da FDN aproximadamente 1100g/dia o do balanço energético negativo. -Amidos e açúcares consumo recomendado de PM (se Deve ser menor que 0.3 mEq/L no • Balancear adequada- a formulação em termos de car- pré-parto e de 0.6 - 0.7 mEq/L no mente os teores de proteína me- boidratos estiver adequada, esta pós-parto. Valores superiores a tabolizável (PM) exigência pode ser suprida por esses, em mais de 15% das vacas, • Balancear adequada- uma dieta contendo 13 a 15% de indicam necessidade de revisão mente os aminoácidos. • proteína bruta-PB) no manejo da transição, pois po- 7
  7. 7. Nutrição FONTES DE FÓSFORO PARA USO NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL: UMA QUESTÃO TÉCNICA, E NÃO POLÍTICA Marcos Baruselli Gerente de Assuntos Regulatórios da Tortuga Nós, latino-americanos, talvez por influência comportamento peculiar. dos nossos colonizadores, temos a tendência de Volta e meia assistimos ao lançamento de “novas buscar soluções para problemas técnicos por meio opções” de fósforo para uso na alimentação animal de caminhos exclusivamente políticos. A questão como se fossem a “salvação da lavoura”, ou como referente às fontes de fósforo para uso na alimenta- se fossem a última novidade em tecnologia voltada ção animal é apenas mais um exemplo desse nosso para o campo. 8
  8. 8. Revista Leite Integral - Fevereiro/Março 2010 Essas “novas opções” normal- se elas são tecnicamente viáveis do sal”. mente estão acompanhadas por ou não e, nesta hora, devemos um pacote de soluções mirabo- refletir com total imparcialidade, 2. Nível de biodisponibilidade lantes que incluem, por exemplo, focados apenas em aspectos téc- do fósforo na fonte: argumentos como “a salvação do nicos, e não políticos. pequeno produtor”, “a luta pelo Os aspectos a serem consi- Quanto mais biodiponível o barateamento do sal mineral”, derados na hora da escolha da fósforo contido na fonte, maior o ou então “a solução definitiva fonte de fósforo para uso na ali- aproveitamento deste por parte para o problema da deficiência mentação animal são, resumida- do organismo do animal, sendo de fósforo dos nossos rebanhos”. mente, os seguintes: o contrário também verdadeiro. Para os menos avisados e Formular suplementos minerais desprovidos de conhecimento 1. Custo de fósforo biologica- com fontes de fósforo de baixo técnico, tais argumentos podem mente ativo na fonte: nível de biodisponibilidade não agir como premissas para liberar representa uma correta suple- e propagar a utilização de fontes Em uma análise técnica crite- mentação mineral, em função da de fósforo não tradicionais em riosa, faz-se necessário conside- baixa taxa de absorção e reten- nossa pecuária, como fosfato de rar não apenas o preço por kg da ção do fósforo presente nestas rocha, o superfosfato triplo, en- fonte de fósforo ou do suplemen- fontes. É preciso deixar claro que tre outros fosfatos agrícolas. Por to mineral, mas também o valor suplementos minerais formulados oportuno, informamos ao leitor biológico do fósforo contido na com fontes de fósforo de baixa que o fosfato de rocha nada mais fonte, isto é, o quanto de fósforo biodisponibilidade expõem os é do que a rocha fosfática bruta, será efetivamente disponibiliza- animais às deficiências minerais, meramente moída e ensacada do para o animal. Este é um as- com consequentes quedas na e que, portanto, não sofreu ne- pecto muito importante, e revela produtividade. nhum tipo de tratamento químico o clássico exemplo do barato que com o objetivo de purificá-la e/ sai caro. Ou seja, no momento de 3. Nível de flúor na fonte: ou de torná-la mais biodiponível formular um suplemento mineral, aos animais. aquele que analisar meramente o Elevados teores de flúor na Na verdade, as fontes não preço da fonte de fósforo, sem fonte de fósforo podem ocasionar tradicionais de fósforo para uso levar em conta o valor biológico intoxicação, denominada de fluo- na alimentação animal, e que ativo deste macroelemento con- rose, que traz uma série de con- voltaram a ser chamadas de “no- tido nesta fonte, estará come- sequencias negativas sobre a bio- vas fontes”, não são tão novas as- tendo um erro técnico primário química do organismo animal. Os sim, pois este tema já vem sendo que poderá comprometer a cor- efeitos negativos da fluorose são discutido no Brasil há pelo menos reta suplementação mineral, irreversíveis, o que desperta uma quatro décadas. O que precisa- simplesmente com base na alega- grande preocupação na produção mos verdadeiramente saber é ção unilateral de “barateamento animal, em especial na bovino- 9
  9. 9. Nutrição cultura, pelo fato de os bovinos aspecto prático da suplementa- Dentro desse contexto, a serem os animais domésticos de ção mineral. Na bovinocultura, fonte de fósforo mundialmente maior sensibilidade à toxicidade em especial a de corte, os suple- reconhecida como sendo de alto do flúor. Entre os sintomas de mentos minerais são fornecidos valor biológico e livre de im- intoxicação por flúor incluem-se ad libitum, isto é, são fornecidos purezas continua sendo o fosfato anomalias dentárias (manchas, à vontade aos animais, por meio bicálcico. Seu uso na alimenta- desgaste acelerado, destruição de cochos estrategicamente posi- ção animal é capaz de proporcio- do esmalte dos dentes, quebra e cionados nas pastagens. Neste nar uma relação custo/benefício queda dos dentes), manqueiras, caso, o uso de fontes de fósforo positiva, gerando lucros para o calos ósseos nas arcadas costais, não palatáveis e/ou que empe- produtor rural em função, basica- fraturas e diminuição do consumo dram, e inviabilizam o consumo mente, do aumento da produção de alimentos. Portanto, deve-se do suplemento por parte dos ani- animal e do estado de saúde dos analisar com muito critério téc- mais, deve ser evitado para não rebanhos. nico o nível de flúor contido na comprometer a suplementação Um artigo publicado na Folha fonte de fósforo. A AAFCO – As- mineral de qualidade e a produ- de São Paulo em 1999, assinado sociation of American Officials tividade animal. pelo professor Felix Ribeiro, da Publication, 2004 estabelece que A presença de certos metais USP de Pirassununga, com o título todas as fontes de fósforo para a indesejáveis nas fontes alternati- “o melhor fosfato para o gado”, alimentação animal devem con- vas de fósforo também deve ser já ressaltava, naquela época, que ter no máximo 1% de flúor em avaliada com muito critério para o fosfato bicálcico é o suplemen- relação ao teor de fósforo, o que não prejudicar, nem o desem- to alimentar de fósforo mais no- equivale a uma relação fósforo/ penho, nem a saúde animal. Nas bre e mais amplamente usado no flúor de no mínimo 100/1. Tra- análises técnicas mencionadas mundo para fornecer aos animais balhos de pesquisa realizados na acima, citamos apenas o caso do teores de fósforo de alta quali- USP – Universidade de São Paulo, flúor, mas outros metais indese- dade. Também ressaltava que, e também na UEL – Universidade jáveis, como cádmio e vanádio, embora seja grande a tentação Estadual de Londrina, demons- chumbo e arsênio também devem de uso das fontes alternativas, tram que fosfatos de rocha po- ter seu uso evitado na alimen- como os fosfatos de rocha e os dem apresentar relação fósforo/ tação animal. O uso das fontes fosfatos agrícolas, o uso destes flúor menor que 8/1, o que põe alternativas de fósforo pode ser deve ser restrito às plantas em em risco à saúde dos animais. uma via de contaminação de me- função dos seus altos níveis de tais pesados, como demonstram impureza e da sua menor biodis- 4. Palatabilidade da fonte para estudos realizados na UEL em ponibilidade. • os animais: 2003, que observaram níveis e- levados de vanádio e cádmio em A questão da palatabilidade amostras de fosfato de rocha e está diretamente relacionada ao superfosfato triplo. 10
  10. 10. Revista Leite Integral - Fevereiro/Março 2010
  11. 11. Nutrição ETIOLOGIA DO BAIXO PH RUMINAL E POSSÍVEIS MEDIDAS PARA REDUZIR A INCIDÊNCIA DE ACIDOSE RUMINAL SUBAGUDA (ASAR) PARTE I Alex Bach ICREA (Institució Catalana de Recerca i Estudis Avançats), Barcelona, Espanha Unitat de Remugants, IRTA (Institut de Recerca i Tecnologia Agroalimentàries), Caldes de Montbui, Espanha O adequado funcionamento do rúmen é essen- muito comum nos sistemas intensivos ou semi-in- cial para assegurar a saúde e a produtividade das tensivos de produção de leite e de acometer gru- vacas leiteiras. A acidose subaguda (ASAR) é uma pos de animais, a ASAR, normalmente, passa des- desordem da fermentação, caracterizada por lon- percebida pelos produtores. Neste artigo, serão gos períodos de baixo pH no rúmen. Apesar de ser identificadas as causas mais comuns de ASAR. 12
  12. 12. Revista Leite Integral - Fevereiro/Março 2010 Introdução 15 fazendas em Wisconsin (EUA) sendo que os diferentes tipos de revelaram a presença de acidose ácidos diferem em sua habilidade O rúmen contém uma popu- ruminal em 19% e 26% de vacas de reduzir o pH. Por exemplo, lação de bactérias, fungos e pro- no início e no meio da lactação, dentre os AGV, o acetato é mais tozoários que pode fermentar respectivamente. Outro estudo, potente do que o propionato e o alimentos de valor nutritivo re- na mesma região, revelou uma butirato. Entretanto, estas dife- lativamente baixo, suprindo o a- incidência de acidose em 20,1% renças tornam-se relativamente nimal com os produtos finais des- das vacas no início e no pico de pequenas quando consideramos a sa fermentação. O produto final lactação. altíssima capacidade acidogênica mais importante da fermentação do ácido láctico. A implicação microbiana são os ácidos graxos destas diferenças é que, quando voláteis (AGV), que podem re- Etiologia da acidose ruminal a fermentação ruminal produz presentar uma proporção signifi- muito ácido láctico, as probabi- cativa das exigências de energia Devido à maior densidade lidades de reduzir o pH do rúmen da vaca, dependendo do nível de nutricional, em relação às forra- são muito maiores do que quando produção de leite. Além disso, a gens, a quantidade de leite pro- os produtos finais da fermentação digestão dos microrganismos ru- duzida, por unidade de massa di- são principalmente AGV. minais no intestino delgado provê etética, é maior com a utilização O rúmen, no entanto, pode uma valiosa fonte de proteína de concentrados. compensar a redução do pH, au- para os ruminantes. Entretanto, na medida em mentando a absorção de ácidos A acidose ruminal subaguda que fornecem mais energia ao orgânicos. À medida que o pH (ASAR) é o resultado da produção animal, os concentrados igual- ruminal diminui, a absorção de excessiva de AGV, que excede a mente fornecem mais substra- AGV aumenta, pois os mesmos capacidade da parede ruminal tos para a fermentação ruminal. se tornam mais indissociáveis. para absorvê-los, e caracteriza- Conseqüentemente, na tentativa Entretanto, a proporção de se por longos períodos de pH de suprir energia suficiente às va- ácido láctico indissociável, em baixo (entre 5,2 e 5,6) no rúmen. cas de alta produção, a propor- qualquer valor de pH ruminal, Em adição aos distúrbios de ção dos concentrados na dieta é será mais baixa que aquela dos saúde, a acidose ruminal pode freqüentemente aumentada em AGV. Assim, mesmo com a ab- causar redução na digestão da detrimento da fibra proveniente sorção aumentada, se a fermen- fibra e da proteína, acarretando da forragem. Este tipo de dieta, tação ruminal produzir excesso queda no consumo de alimentos rapidamente fermentável no rú- de ácido láctico, a ASAR poderá e alterações na composição do men e com baixo índice de fibra, ocorrer. leite. é considerado potencialmente Como ocorre em muitos pro- Períodos de baixo pH rumi- acidogênico. cessos biológicos, a ASAR não é nal são comuns em vacas lei- A causa principal de ASAR é somente uma conseqüência de teiras. Um estudo conduzido em o acúmulo de ácidos no rúmen, um desequilíbrio na proporção 13
  13. 13. Nutrição dos tipos de ácidos produzidos minui, algumas bactérias sen- consumo levaria a uma recupe- durante a fermentação, mas da síveis sofrem um rompimento ração progressiva do ambiente combinação dos efeitos do tipo e expõem seus conteúdos no ruminal, com retorno do pH aos e da quantidade total de ácidos fluído ruminal. Esse conteúdo, valores normais, redução da os- produzidos no rúmen. Quando o em combinação com o acúmulo molaridade e da inflamação e, consumo diário total de carboi- de produtos finais da fermenta- posteriormente, recuperação do dratos não fibrosos (CNF) é con- ção (responsáveis pela diminu- apetite. Entretanto, a diminuição siderado (figura 1), as diferenças ição do pH no rúmen), causam na biodiversidade microbiana no no pH podem facilmente ser ex- um aumento da osmolaridade do rúmen, associada com a morte plicadas, mostrando que a causa fluido ruminal, com conseqüente de diversas espécies de microrga- principal de ASAR é o consumo redução do apetite. Além disso, nismos, aumenta a instabilidade total de CNF que apresentam o baixo pH pode propiciar o sur- da flora ruminal, e assim, o rú- altas taxas de fermentação, con- gimento de lesões no epitélio do men torna-se mais susceptível a duzindo a um acúmulo de ácidos rúmen, induzindo uma resposta distúrbios ou a novos episódios de no rúmen. inflamatória local que pode igual- acidose, em caso de alterações mente afetar o apetite. súbitas na dieta. Conseqüências da acidose rumi- Com a redução no consumo Em relação aos microrganis- nal de alimentos, menos energia es- mos do rúmen, os protozoários tará disponível para a produção ciliados são mais sensíveis do que A acidose ruminal está, geral- de leite, podendo ainda ocorrer as bactérias à redução no pH. Es- mente, associada com a redução alterações nos teores de proteína tes microrganismos são capazes no consumo de alimentos. e gordura. de reduzir a taxa e a extensão da Quando o pH do rúmen di- Teoricamente, a redução do fermentação do amido no rúmen, Figura 1. Relação entre o pH médio do rúmen e o consumo de CNF (expressados como porcentagem do PC ou kg/d) medido no gado de corte (quadrados) e leiteiro (círculos) consumindo diferentes rações. 14
  14. 14. Revista Leite Integral - Fevereiro/Março 2010 uma vez que consomem açúcares, excede a capacidade de proces- nas papilas do rúmen, afetando a reduzindo a disponibilidade para samento pelas bactérias e o pH absorção dos AGV. Períodos pro- as bactérias produtoras de ácido do rúmen começa a cair. Com a longados de baixo pH podem re- lático. queda do pH, as bactérias que sultar na formação de ulcerações Algumas bactérias, como a degradam as fibras (celulolíti- e de tecido cicatricial, prejudi- Megasphera elsdenii e a Sele- cas), assim como os protozoários cando ainda mais a absorção de nomonas ruminatium, podem ciliados, são fortemente inibidas AGV. processar o ácido lático produ- e a população de lactobacilos A ocorrência de abscessos no zido, evitando quedas muito (produtores de ácido lático) au- fígado, o aumento na incidência acentuadas no pH ruminal. menta. Com isso, o pH cai ainda de mastite ambiental e de pro- Porém, quando ocorre um for- mais e ocorre uma redução na blemas de casco, e a baixa necimento excessivo de grãos na fermentação da fibra. eficiência do sistema imune tam- dieta (ricos em CNF), a taxa na A queda do pH pode também bém têm sido associados aos qual o ácido lático é produzido ser responsável por alterações quadros de ASAR. • Na próxima edição apresentaremos as formas de controle da ASAR. Rúmen com aspecto normal Rúmen com lesões causadas pela acidose 13
  15. 15. Mercado de Trabalho FALAR EM PÚBLICO Dicas para pessoas tímidas que querem ou precisam falar em público Marcelo Pereira de Carvalho Diretor Executivo da AgriPoint Não sou daqueles palestrantes que têm o dom da comunicação. Pelo contrário: minha timidez praticamente me impedia de falar ao público. Há uns 8-9 anos (ou seja, eu já era bem crescido), tive que pedir emprestado um lenço ao participar de um programa de TV ao vivo, de tanto que suava. Eu simplesmente travava. Porém, com o tempo, pela necessidade ou desafio, não sei, fui controlando o processo, a ponto de hoje ser bem razoável. Apresento entre 20 e 30 palestras por ano, sendo que, no último ano , três delas foram no exterior, em outra língua. Outro dia estava pensando o que havia mudado para que passasse de um desastre total para alguém que dá conta do recado e, nessas divagações, pensei que talvez pudesse dar umas dicas que funcionaram para mim e que talvez funcionem para pessoas como eu que não são comunicadores natos. Vamos lá então: 1. Domine o assunto: não aceite falar sobre preparando. Dentro disso, nunca inclua slides com aquilo que você não sabe. Ou você fará feio, ou tópicos feitos por terceiros, porque cada um tem acabará por ignorar o tema e falar sobre o que sabe seu estilo de raciocinar. É comum, no meio da pa- (o que implica em fazer feio de qualquer forma). lestra, você parar para pensar: mas o que mesmo Dentro do seu tema, evite incluir itens sobre os ele queria dizer com isso? Não pode. quais você não tem muito conhecimento. Conhe- 3. Encontre seu estilo: se você não é daqueles cendo o tema, a auto-confiança melhora e a chance que fazem piadas e todo mundo ri, não tente fazer da palestra ser boa é bem maior. piadas. Você provavelmente se sairá melhor dentro 2. Conheça a seqüência de slides: se você es- do seu estilo do que tentando imitar um suposto tiver usando o Powerpoint, precisa conhecer bem a padrão que simplesmente não é o seu jeito. seqüência de slides de forma a criar uma transição 4. Não corra: é fundamental saber a duração lógica entre eles, um encadeamento que seja com- da apresentação e se nesse tempo eventuais per- preensível para a platéia. Não economize tempo se guntas já estarão incluídas. Como você sabe a du- 16
  16. 16. Revista Leite Integral - Dezembro/Janeiro - 2009/2010 17
  17. 17. Mercado de Trabalho ração da palestra e conhece seu claro que cabe, mas metade do as pessoas falarem como se não ritmo, não coloque slides a mais tempo, não dá). houvesse ninguém na sala. É pre- do que conseguirá abordar. A pior 8. Conheça o evento, os ciso criar a conexão, olhando as coisa é ter que correr ou ficar pu- parceiros, as empresas: são mui- expressões, vendo se tem gente lando slides por falta de tempo. to comuns gafes do tipo falar mal dormindo, percebendo se o nível Isso demonstra amadorismo e de um patrocinador do evento, de impaciência aumentou. Acho despreparo. Se você não conhece ou até do cliente (sim, isso e- que hoje, de certa forma, con- seu ritmo ou o tempo que cada xiste!), sem perceber na hora. sigo imaginar se as coisas estão quadro irá gastar, simule antes. Ok, se você quiser falar mal, vá indo bem ou não. Nem sempre 5. Use slides sem excesso em frente, mas se não é sua in- você acerta, nem sempre cria de informação: slide não é livro; tenção se indispor, vale a pena uma química com a platéia. Mas, o ideal é ter apenas tópicos e o dar uma pesquisada. Às vezes cabe a você tentar sentir isso em restante, você fala. Se você ti- você consegue passar o recado tempo para procurar corrigir. ver que ler todos os slides, não de uma outra forma e evita saias- 12. Esteja descansado: nem precisa da palestra, é só enviar o justas. sempre isso é possível, mas mui- PDF. Palestra boa é aquela que só 9. Tenha seu material atu- tas vezes o cansaço pode ser com o PDF a pessoa não entende alizado: se você fala de temas minimizado. Hoje, eu não faço muita coisa. Isso vale para grá- dinâmicos (como tendências de mais coisas como chegar às 03:00 ficos e tabelas: não inclua dados mercado), não dá para utilizar da manhã no aeroporto, ou diri- que não serão discutidos na hora. dados defasados. Quando alguém gir 6 horas até chegar ao local da 6. Conheça a platéia: cada coloca um gráfico cujo último palestra. Chego de véspera, com público tem conhecimentos e in- dado, digamos, é de 2006, causa calma. Com meu notebook, tele- teresses distintos. Não use o mes- uma tremenda má impressão. fone e internet, tanto faz onde mo conteúdo e a mesma forma Dependendo da situação, um mês estou. independentemente da platéia. ou até uma semana já é consi- 13. Mantenha exigência e- 7. Evite ao máximo mudan- derado defasado. levada em relação ao mate- ças de última hora: Certa vez, 10. Cuidado com o português rial que preparou e ao formato minutos antes de entrar para e a formatação: evite ao máximo da apresentação: se você for dar uma palestra de 1 hora, me os erros de português, letras exigente e gostar do que apre- foi avisado que eu teria apenas muito pequenas e cores que não senta, provavelmente o cliente 30 minutos por causa de atrasos permitem boa leitura. A apresen- e ouvintes também gostarão. na programação. Se você tem tação não é só conteúdo. A forma Seja crítico quando as coisas não alta capacidade de improvisa- importa bastante e pode jogar forem tão bem, mas não desa- ção, pode até achar razoável a por terra um bom conteúdo. nime. Comemore quando seu mudança. No meu caso, ou é o 11. Tente se ver do outro desempenho for bom e receber tempo previsto (e cabe a você lado: hoje, eu procuro, à medida elogios. Seja melhor da próxima também respeitar esse tempo), que falo, imaginar como a platéia vez. • ou nada feito (um ou outro ajuste está acompanhando. É comum 18
  18. 18. Revista Leite Integral - Fevereiro/Março 2010
  19. 19. Manejo Como economizar energia elétrica em fazendas leiteiras Parte I 20
  20. 20. Revista Leite Integral - Fevereiro/Março 2010 Eduardo Carvalhaes Nobre Engº Eletricista Eficiência Máxima Consultoria Soluções para Redução de Custos Em tempos nos quais a sustentabilidade tornou-se uma necessidade em todos os setores produtivos, a gestão da energia elétrica assume importância primordial. Comparati- vamente a algumas outras atividades da agropecuária, a bovinocultura de leite exige grandes quantidades de energia elétrica em suas operações. Aprenda nesse artigo como ler o medidor de energia, como calcular o consumo exibido na fatura e o de cada equi- pamento individualmente, e como evitar os desperdícios. Introdução mesmo tinha controle de tudo e de todos”. Era mais uma pessoa relutante a novos métodos de gestão, Durante vários anos tive a oportunidade de mi- e que não admitia que em qualquer setor da ativi- nistrar treinamentos sobre esse tema a centenas de dade produtiva existe desperdício. Na hora, sem ter profissionais de diversos ramos de atividade. Em to- argumentos mais convincentes tracei a seguinte es- dos estes eventos percebia que as pessoas tinham tratégia: propus ao gerente que toda economia que uma imensa boa vontade em aprender a economizar nós obtivéssemos à partir daquela data, até o fim energia elétrica. Entretanto, nunca faziam o “dever do ano, fosse revertida na compra de um carro zero de casa” com resultados razoáveis, muitas vezes quilometro, que seria sorteado entre seus emprega- por desconhecimento técnico, outras por acharem dos na festa de Natal. Ele, obviamente espantado, que em casa, no trabalho ou na fazenda não existia começou a perceber com o desenrolar da conversa possibilidade de reduzir as despesas com a fatura que o desperdício existe em qualquer lugar e que de energia. precisa ser identificado, e os resultados podem ser No decorrer do treinamento ensinava a estas significativos, podendo representar um ganho para pessoas que economizar energia não era um “bicho todos. de sete cabeças”, e sim um método de identifica- Este fato mostra as seguintes verdades: as pes- ção, ação e avaliação, contínuo e persistente, que soas não sabem mensurar (e não é por culpa de- deve fazer parte do dia-a-dia de todos nós. las!) o quanto de energia que se pode economizar, Em certa ocasião, realizando uma consultoria e acreditam que em suas propriedades não existe em uma fazenda produtora de leite, o gerente in- desperdício de energia elétrica, ou de outro insu- formou que ali não havia desperdício e que “ele mo qualquer. Todos nós somos muito imediatistas, 21
  21. 21. Manejo porque pensamos sempre nos retas do seu medidor de energia, Na Figura 1, a leitura do medi- ganhos e despesas do mês e não anotá-las a lápis, em papel de dor em 10/06/2001 é 3366. Veja fazemos o cálculo anual. pão, do que ter a mais alta tecno- que no 1° número o ponteiro está Estas dificuldades, técnicas logia de medição sem saber como entre os números 3 e 4. Considere ou gerenciais, podem ser contor- usá-la. sempre o menor valor, ou seja, o nadas. É só entender que energia Para avaliar o desperdício número 3. O mesmo raciocínio elétrica é um insumo caro, finito não é necessário ser um grande deve ser feito para os demais e perfeitamente gerenciável. matemático, e sim um bom ob- ponteiros: quando o ponteiro es- Basta que todos abram suas men- servador. tiver entre 2 números considere tes e descubram um novo mundo: Vamos começar pelo medidor sempre o menor número. Agora, a geração de recursos a partir do de energia elétrica, mais co- leia as informações de consumo desperdício. nhecido como “relógio de luz”. O da segunda leitura. Este artigo vai orientá-lo so- modelo mais comum é o que pos- Para calcular o consumo de bre como obter resultados ex- sui quatro ou cinco mostradores energia entre as duas datas faça pressivos de redução de despesas de ponteiros, que giram uns no a seguinte conta: com energia elétrica. Siga-nos... sentido horário, e outros no sen- tido anti-horário, conforme as se- Consumo de energia medido = Ler o medidor é fundamental tas indicativas. As leituras devem Consumo do dia 10/06/2001 – ser feitas sempre no sentido do Consumo do dia 10/05/2001 Existe uma máxima na gestão menor para o maior algarismo, e energética que diz: quem não do mostrador da esquerda para O resultado é: mede não gerencia. Isto é um o mostrador da direita, conside- Consumo = 3860 kWh – 3366 kWh fato. Para gerenciar qualquer rando-se que você está de frente = 494 kWh negócio temos que ter números, para o medidor. e saber lidar com eles. É impor- tante transformar números em informações úteis para que pos- samos avaliar se nossas ações es- tão sendo eficazes. Em linhas gerais temos que aprender a obter estes números da maneira mais fácil possível. Não adianta termos sistemas de monitoramento de energia de última geração, se não sabemos interpretar as informações obti- das. É melhor fazer leituras cor- 22 Figura 1. Medidor de Energia
  22. 22. Revista Leite Integral - Fevereiro/Março 2010 Este valor pode ser influen- de leite no período, quantidade Aprenda a calcular o consumo ciado pela quantidade e potência de pessoas que trabalham na pro- de cada equipamento dos equipamentos que você tem priedade, quantidade de dias de em sua propriedade, o tempo de produção, etc. A utilização deste Todo equipamento elétrico uso por dia, a época do ano, sua índice de controle determina se possui uma potência, que nor- produção, etc. você esta economizando energia malmente está apresentada em O medidor de energia regis- elétrica ou não. Se de um mês Watts cujo símbolo é W. Esta tra o consumo em determinado para outro este valor diminui, informação vem estampada no período de leitura, que é a quan- você está economizando energia; produto ou na embalagem. Para tidade de dias que uma conces- se aumenta está havendo aumen- calcular o consumo de um equi- sionária faz uma leitura, e pode to de consumo ou desperdício. pamento elétrico você necessita variar de acordo com o planeja- Veja este exemplo: desta potência e do tempo de mento de cada empresa. Em mé- • A leitura realizada no funcionamento do equipamento. dia este período de leitura varia mês passado foi de 494 kWh/28 Depois é só fazer este cálculo: entre 28 e 32 dias. Na Figura 1 o dias. O cálculo do consumo espe- Consumo = Potência x Tempo período de leitura é de 30 dias, cífico é 17,6 kWh/dia (é só dividir Veja este exemplo por isso falamos que este medi- 494 por 28); dor registrou o consumo de 494 • A leitura realizada neste Um determinado equipamento kWh por mês. O certo seria con- mês foi de 463 kWh/28 dias. O tem a potência de 200 W e tra- siderar 494 kWh pelo período de cálculo do consumo específico é balha 15 horas por dia, durante o leitura. Se o período de leitura de 16,5 kWh/dia; período de 32 dias. uma fatura for de 28 dias, então • Logo, houve economia o consumo de energia é igual a de energia neste mês porque o Consumo = 200 W x 15 h/dia x 32 494 kWh por 28 dias e deve ser consumo específico foi menor, dias = 90.000 Wh/32 dias. escrito assim: 494 kWh/28 dias. porque houve uma diminuição do Este período de leitura vem es- consumo no mesmo período de Aqui temos que fazer uma peque- crito na fatura e pode ser visto no tempo. na conta que é transformar Wh box “Datas de Leitura”, campos Não considere o valor do con- (Watts hora) em kWh (quilo Watts Anterior e Atual. sumo mensal (kWh/mês) ou o va- hora). É só dividir o resultado Outro importante conceito é o lor pago (R$) no mês para verificar por 1000, similar ao cálculo que índice de controle que chamamos se você está economizando, pois fazemos quando queremos trans- de “Consumo Específico”, que se houver aumento da produção formar 1 km que é igual a 1000 pode ser definido como a relação ou da tarifa de energia elétrica metros ou 1 kg que é igual a 1000 entre o consumo de um determi- seu controle ficará comprometi- gramas. nado equipamento ou de uma ins- do. Faça os cálculos considerando No nosso exemplo, a geladeira talação por determinados parâ- o consumo específico. consome 90.000 Wh/32 dias que metros que podem ser: produção é equivalente a 90 kWh/32 dias. 23
  23. 23. Manejo Figura 2. Selo Procel Este é o consumo de um e- necessita de um motor de 3 CV, anualmente quipamento elétrico em um de- trabalhando com um de 5 CV? aos produtos terminado período de tempo. Avaliando sobre outra ótica, re- que apresen- duzir a potência de um equipa- tam os me- A aritmética do desperdício de mento é uma ação tecnológica, lhores índices energia enquanto reduzir o seu tempo de eficiência de funcionamento é uma ação de energética Para economizar energia você gestão. dentro das tem que reduzir o consumo dos Ações tecnológicas, muitas suas catego- equipamentos elétricos, porque vezes, requerem investimentos. rias. o medidor de energia registra Para trocar um motor por outro Conheça esta grandeza. Lembra-se do cál- mais moderno, ou para trocar a relação culo Consumo = Potência x Tem- lâmpadas de alta potência por completa dos equipamentos que po? Desta forma, você tem dois outras de menor potência, mas têm esta garantia no site da Ele- caminhos: ou reduz a Potência do com alta luminosidade, é ne- trobrás no endereço eletrônico equipamento ou o seu Tempo de cessário investir. Aqui vai uma www.eletrobras.gov.br/procel funcionamento. orientação: equipamentos elé- Lembre-se que, se você não Para reduzir a potência você tricos não devem ser adquiridos levar em consideração a quanti- deve verificar se os seus equi- pelo seu custo inicial, e sim pelo dade de energia que um aparelho pamentos estão corretamente seu valor, acrescido da quanti- consome em determinado período dimensionados. Se estiverem su- dade de energia elétrica que ele de tempo, você pode economizar perdimensionados, com valores vai consumir durante sua vida na hora da compra porém, com acima do necessário, você estará útil. certeza, vai gastar muito mais desperdiçando energia. Neste Veja neste exemplo em energia elétrica durante anos caso, você necessita de um es- Uma geladeira com Selo Pro- e anos. Por isso, dizemos que na pecialista para determinar o e- cel Classe “A” custa R$1.500,00 aritmética do desperdício temos quipamento correto. Se o equipa- e consume 26,9 kWh por mês e que pensar em dimensionar os mento está correto, mas você o outra, modelo Classe “E” custa equipamentos elétricos correta- deixa ligado desnecessariamente, R$1.300,00, porém consome 63,7 mente e usá-los no tempo estrita- também ocorrerá desperdício de kWh por mês. Veja que a gela- mente necessário. E se pudermos energia. Desta forma, a correta deira Classe “A” consome menos reduzir a potência do equipamen- especificação de uma máquina, da metade da energia consumida to e ao mesmo tempo reduzir o aliada ao seu tempo de funcio- pela geladeira Classe “E”. seu tempo de uso? Neste caso es- namento, é que vai determinar a Quando for adquirir eletrodo- taremos reduzindo ainda mais o quantidade de energia gasta em mésticos ou outros equipamentos consumo e, conseqüentemente, o sua propriedade. escolha os que têm o Selo Procel gasto com energia elétrica. Vire Imagine uma picadeira que (Figura 2). Este Selo é concedido a chave do chuveiro elétrico da 24
  24. 24. Revista Leite Integral - Fevereiro/Março 2010
  25. 25. Manejo posição inverno para verão e você vai reduzir sua de energia local e faça os mesmos cálculos, conside- potência em 30%. Se você reduzir o tempo de banho rando as tarifas praticadas, no mês da simulação. em alguns minutos, vai economizar ainda mais. Este cálculo também vale para avaliar o quanto custa o desperdício. É só conhecer o valor a ser Calcule o custo da energia e do desperdício economizado por mês e multiplicar pela tarifa de energia elétrica vigente. Como exercício, vamos Para calcular quanto custa o consumo de equi- ver um exemplo: pamentos elétricos é necessário conhecer as tarifas Na residência, um chuveiro elétrico de 5 kW fun- em sua região. Na Cemig (Companhia Energética de ciona 60 minutos por dia (3 banhos de 20 minutos Minas Gerais), considerando as tarifas de BT (Baixa cada um, totalizando 1 hora de banho por dia), du- Tensão), em dezembro de 2009, sem impostos e rante o período de 30 dias. taxas os valores são: • Tarifa residencial (normal) é R$ 0,37652/ Consumo = Potência x Tempo = 5 kW x 1 hora x 30 kWh dias = 150 kWh/30 dias • Tarifa industrial, comercial e serviços é R$ 0,36859/kWh Custo (antes) = Consumo x Tarifa = 150 kWh/30 dias • Tarifa rural é R$ 0,22033/kWh x R$ 0,37652/kWh= R$ 55,00/30 dias Se um equipamento que consome 62 kWh/período Qual o valor em reais da economia se mudar a for ligado na residência, seu custo mensal será: chave da posição inverno para posição verão e o Custo = Consumo x Tarifa residencial tempo de cada banho for reduzido em 5 minutos? Custo = 62 kWh/ período x R$ 0,37652 = R$ 23,34/ período Potência = 3,5 kWh (redução de 30%) Tempo = 45 minutos (3 banhos de 15 minutos cada Se este equipamento for ligado na indústria o seu um totalizando 45 minutos ou ¾ de hora) custo mensal será: Novo Consumo = 3,5 kW x 3/4 hora x 30 dias = 78 Custo = 62 kWh/ período x R$ 0,36859 = kWh/30 dias R$ 22,85/ período Custo (depois) = Consumo x Tarifa = 78 kWh/30 dias x R$ 0,37652/kWh = R$ 28,00/30 dias E se for ligado na área rural o seu custo mensal será: Economia = Custo (antes) – Custo (depois) Custo = 62 kWh/ período x R$ 0,22033 = Economia = R$ 55,00 – R$ 28,00 = R$ 27,00 R$ 13,66/ período Com esta economia você pode comprar 9 quilos Analisando os resultados concluímos que o custo de feijão a cada 30 dias (em 12/11/2009). do funcionamento de equipamentos é mais caro na residência e mais barato no campo. Se você estiver em outra região do País, consulte a concessionária 26
  26. 26. Revista Leite Integral - Fevereiro/Março 2010 Identifique quem mais consome energia consumo. Logo, vamos nos preocupar somente com estes dois itens. Na indústria, os motores elétricos Para se fazer um programa de economia, é ne- representam de 50% a 80% do consumo , por isto cessário saber quais são os equipamentos que mais devemos dedicar bastante tempo em conhecê-los bem, porque é aí que possivelmente existe o des- Gráfico Consumo Residencial perdício e, conseqüentemente, as oportunidades para reduzi-lo. No agronegócio, especificamente na pecuária leiteira, a utilização de motores elétricos é um fa- tor preocupante, pois os equipamentos de várias áreas desta atividade são acionados por estas má- quinas. Isto não quer dizer que motores são os vilões do desperdício, pois eles são fundamentais para qualquer setor. Podemos e devemos tratá-los com muito carinho, fazendo freqüentemente ma- consomem energia. Veja no gráfico a seguir os va- nutenções preventivas e corretivas. Temos que nos lores aproximados de consumo em uma residência. preocupar também com sua instalação, sua pro- Em valores aproximados, o aquecimento de teção elétrica, os acoplamentos, a partida, etc. água representa 30% da conta de energia, a refri- Vários procedimentos são fundamentais para que o geração outros 30%, e a iluminação mais 20%. De- motor elétrico trabalhe sem desperdiçar energia. vemos nos preocupar basicamente com estes três Além disso, a operação dos equipamentos de apoio itens e esquecer o ferro elétrico que consome só de uma fazenda leiteira são muito importantes para 5%. Nas áreas comercial e de serviços, a ilumina- se economizar energia e aumentar a vida útil das ção e o ar condicionado representam quase 80% do máquinas. •
  27. 27. Sanidade MASTITE EM NOVILHAS PARTE II: IMPACTO ECONÔMICO, CONTROLE E PREVENÇÃO Mônica Maria Oliveira Pinho Cerqueira1; Renison Teles Vargas2; Adriano França da Cunha3; Arianna Drumond Lage3; Leorges Moraes da Fonseca1; Ronon Rodrigues1; Mônica de Oliveira Leite1; Cláudia Freire de Andrade Morais Penna1; Marcelo Resende de Souza1 1 Professores da Escola de Veterinária – UFMG 2 Professor do Centro Federal de Educação Tecnológica-Bambuí 3 Estudante do Curso de Pós-Graduação da Escola de Veterinária – UFMG. A mastite continua sendo uma das mais onerosas enfermidades que acometem os rebanhos leiteiros. Embora pouco diagnosticada, a mastite em novilhas pode ter impactos econômicos negativos na atividade leiteira. Na primeira parte desse artigo (edição dez/jan) apresentamos a prevalência, fontes de infecção e formas de identificação da mastite em novilhas. Nessa edição o enfoque serão os impactos econômicos e as formas de controle e prevenção, discutindo os prós e contras de estratégias como terapia da vaca seca, vacinação, aplicação de selantes, dentre outras. 1. Impacto econômico da mastite em novilhas autores em todo o mundo. Em novilhas, no entanto, esta estimativa não é muito freqüente. Pesquisas O impacto econômico da mastite sobre a estimaram uma redução na produção de leite de produção de leite tem sido descrito por diferentes primíparas em 0,4 kg/dia por aumento de duas vezes 28
  28. 28. Revista Leite Integral - Fevereiro/Março 2010 na CCS acima de 50.000 céls/mL. carte a principal foi a mastite, vacinado com a vacina contra Na lactação, perdas de aproxima- responsável por 96% dos casos. O Escherichia coli – Cepa J5 - Envi- damente 80 kg na produção de isolamento de patógenos primári- racor J5® - Pfizer); leite por aumento de duas vezes os causadores de mastite entre da média geométrica da CCS são o parto e cinco dias de lactação G2 (somente tratado com an- também descritas. foi associado com um risco maior tibiótico Albadry plus®); Estudos sobre a associação que 60% de remoção dos animais negativa entre CCS no início da infectados do rebanho durante a G3 (somente vacinado com lactação e produção de leite são primeira lactação. Entre as cau- Enviracor J5®), recentes. Uma novilha com CCS sas mais comuns de descarte, de 50.000 céls/mL, aos 10 dias destacaram-se os problemas rela- G4 (não vacinado e não tra- de lactação, produziu de 119 a cionados à fertilidade. tado) 155 kg de leite a mais durante No Brasil, um estudo realizado os primeiros 305 dias. Uma maior para avaliar o efeito da antibioti- Embora não tenha sido obser- CCS entre 5 e 14 dias de lactação coterapia de vaca seca, associada vada diferença significativa na está associada com maior número ou não à vacinação contra mas- produção média dos animais dos de casos de mastite sub-clínica. tite ambiental em novilhas, resul- diferentes grupos, economica- Pesquisas relatam que a taxa tou em avaliação custo-benefício mente a produção foi menor no de descarte aumenta 4% no caso favorável para estas estratégias. G4 (não vacinado e não tratado). de novilhas com mastite clínica Os animais foram divididos nos Em relação aos grupos, o próximo ao parto. Aproxima- seguintes grupos: G1 teve um ganho substancial damente 11% das novilhas que em relação aos demais, pois os foram tratadas contra os patóge- G1 (tratado com antibiótico animais desse grupo produzi- nos causadores de mastite clínica específico para vaca seca a base ram leite com maior percentual antes do parto, ou nos primeiros de penicilina G procaína 200.000 de constituintes,apresentaram 14 dias após o parto, foram des- UI associado à novobiocina sódica menor freqüência de mastite cartadas um mês após o trata- 400 mg, em base de liberação clínica e ainda, a maior média de mento. Entre as causas do des- lenta - Albadry plus®- Pfizer e produção de leite. Tabela 1. Média da produção de leite (kg de leite, vaca/dia) de primíparas submetidas ou não a antibioticoterapia e vacinação no pré-parto durante o período de avaliação (191 dias). Grupos Produção de leite (kg de leite/vaca/dia) (Médias +/- s) G1 30,75+/- 2,90a Fonte: Vargas (2005) G2 29,61+/- 4,01a G3 27,66+/- 6,24a G4 26,57+/- 5,03a a Médias seguidas de letras iguais não diferem estatisticamente pelo teste SNK (p > 0,05). 29
  29. 29. Sanidade Comparando-se os custos dos leite devem identificar e tratar rapia de vaca seca em novilhas é tratamentos preventivos em cada a infecção durante o período normalmente de 90 a 100%. Esse grupo e os custos da mastite pré-parto. As taxas de cura es- índice é bem maior que os 25% clínica com os ganhos financeiros pontânea para os principais pató- observados quando se faz o trata- no período do experimento, ob- genos causadores da mastite são mento durante a lactação. servou-se que o G1 teve um ganho extremamente baixas. Sem anti- Além do maior percentual de de R$3.092,67 referente à maior bioticoterapia, somente 9% das cura de infecção, diversos pes- produção de leite no período, infecções causadas por Staphy- quisadores têm observado maior quando comparado ao G4. Esse lococcus e 6% daquelas causadas produção de leite de novilhas ganho correspondeu a um valor por Streptococcus ambientais submetidas a tratamento com igual a R$386,58 por animal. O G2 serão curadas. Desta forma, vári- infusões intramamárias de an- teve um ganho no período de R$ os estudos realizados nos Estados tibiótico no pré-parto, quando 2.499,21, equivalente a R$277,69 Unidos têm demonstrado o suces- comparadas com novilhas não por animal. No G3, o ganho to- so do tratamento de vaca seca tratadas. Estudos realizados na tal do grupo foi de R$542,49 e para controlar e curar infecções Universidade de Tennessee (EUA) de R$67,81 por animal, quando intramamárias de novilhas no demonstraram que novilhas comparado ao dos animais do G4 pré-parto. tratadas produziram 10% a mais (Tabela 3). Pesquisadores da Louisiana de leite que animais não trata- (EUA) observaram que as infusões dos antes do parto (Tabela 3). O 2. Controle e prevenção de intramamárias de antibiótico du- tratamento com antibiótico no mastite em novilhas rante a gestação ou 60 dias an- pré-parto levou a um ganho de tes do parto apresentaram uma US$174,92 por novilha, demons- 2.1. Tratamento de vaca seca eficácia superior a 90% na cura trando que este tratamento é das infecções. O índice de cura economicamente compensador. Para controlar a mastite da mastite causada por Staphylo- Outra pesquisa realizada para em novilhas, os produtores de coccus aureus após o uso de te- avaliar o impacto econômico do Tabela 2. Avaliação financeira dos tratamentos preventivos (antibioticoterapia e vacinação) e curativos com uso de antibióti- co durante a lactação de primíparas em relação à produção de leite do G4 (191 dias). Parâmetros avaliados Custos e benefícios/grupos experimentais (R$) G1 G2 G3 G4 Custo do tratamento (R$ 51,12 x 8) (R$ 28,02 x 9) (R$ 23,40 x 8) - preventivo 408,96 252,18 186,40 0 Custo dos casos de mas- (2 casos) (3 casos) (2 casos) (6 casos) tite clínica 330,61 384,02 270,39 1.318,34 Ganho em produção de (798,38 Kg x 8) (580,64 Kg x 9) (208,19 Kg x 8) - leite em relação ao (G4) 3.832,24 3.135,42 999,28 0 SALDO 3.092,67 2.499,21 542,49 - 1.318,34 30
  30. 30. Revista Leite Integral - Dezembro/Janeiro - 2009/2010 Está chegando a Quallydade que faltava para o seu leite. $$ $$$ DESAFIO www.biovet.com.br
  31. 31. Sanidade Tabela 3. Desempenho de novilhas tratadas com antibiótico no pré-parto e não tratadas (controle) durante a lactação. Grupo experimental Produção de leite (kg) 305 dias Escore de CCS Controle (n = 82) 5005 2,63 Tratado (n = 111) 5464* 2,04* *p<0,05 tratamento de novilhas no pré- mutantes tais como E. coli J5. dias após o parto. Os resultados parto mostrou que os animais Essa vacinação tem sido reco- demonstraram redução da gravi- tratados produziram uma média mendada aos 60 e 30 dias antes dade e duração dos sinais locais, de 2,5 kg de leite a mais nos dois do parto e 15 dias pós-parto. baixa contagem bacteriana em primeiros meses de lactação do Resultados economicamente fa- amostras de leite às 12, 15 e 48 que os não tratados. Conside- voráveis foram observados na horas após o desafio, e maior tí- rando o preço do leite naquele avaliação de uma vacina consti- tulo de imunoglobulina G ao parto momento, a maior produção re- tuída por E. coli J5 em novilhas de e imediatamente após o desafio. presentou 42 dólares a mais por uma fazenda comercial de Minas Tem-se recomendado tam- animal, compensando muito bem Gerais. Os animais dos grupos que bém a utilização de vacina contra o custo com o tratamento. receberam a vacina Enviracor S. aureus em novilhas. Estudos (três doses conforme recomenda- de pesquisa têm demonstrado 2.2. Vacinação ção do fabricante), associada ou redução no número de quartos não ao antibiótico de vaca seca com infecção crônica nos animais A utilização de vacinas cons- (Albadry Plus), produziram maior vacinados, diminuição na taxa de titui outra estratégia para o con- volume de leite e tiveram menor novas infecções intramamárias trole de mastite em novilhas. percentual de mastite clínica durante a prenhez e menor taxa Os anticorpos representam um durante os 191 dias de lactação de novas infecções no período mecanismo de resistência mui- avaliados, quando comparados pós-parto. to importante na imunidade da às primíparas do grupo controle Em estudo recente, avaliou-se glândula mamária, porque são (não vacinado e não tratado). a eficácia de bacterina S. aureus dirigidos especificamente contra Em um estudo realizado nos em um grupo de novilhas vacina- bactérias causadoras de mastite. Estados Unidos, novilhas foram das com duas doses da bacterina Além disso, as concentrações imunizadas por meio de injeção no intervalo de 14 dias. Nenhum de anticorpos no soro e no leite subcutânea de bacterina E. coli animal apresentou nova infecção podem aumentar com a vacina- J5 aos 60 dias antes do parto, 28 intramamária por S. aureus após ção. O maior progresso tem sido dias depois e dentro de 48 horas a vacinação, tanto no grupo de observado com vacinas contra após o parto. Elas ainda foram novilhas vacinadas quanto no coliformes usando bacterinas desafiadas pela infusão intrama- grupo controle. No rebanho com constituídas de microorganismos mária de E. coli entre 23 e 27 baixa prevalência de infecções 32
  32. 32. Revista Leite Integral - Fevereiro/Março 2010 intramamárias por S. aureus, 25% na prevalência de infecções em polímeros que são aplicados, a vacina não reduziu a taxa de intramamárias e 55% na incidên- tal como as soluções de imersão novas infecções estafilocócicas, cia de mastite clínica até 135 pré e pós-ordenha, com o intuito provavelmente pela insuficiente dias de lactação. Outra conse- de formar uma camada protetora vacinação. qüência desta ação é a redução sobre os tetos. Apesar de alguns estudos da contagem de células somáti- Já os selantes internos são científicos comprovarem resulta- cas pós-parto. Esses efeitos são compostos à base de subnitrato dos favoráveis, a eficácia da vaci- possivelmente causados pela de bismuto, contendo antimicro- nação para prevenção de mastite redução do edema intramamário. bianos ou não, que são colocados em novilhas ainda não é consis- No entanto, a ordenha pré-parto no interior dos tetos da mesma tente. Uma vantagem significa- aumenta os riscos de problemas forma que as bisnagas utilizadas tiva dessa estratégia (vacinação) relacionados com acidose sub- para tratamento de mastite. Essa é a não utilização de antimicro- clínica e causa maior perda de alternativa tem a função de re- bianos. Com isso, minimizam-se condição corporal. O aumento duzir a prevalência de infecções os riscos de resistência antimi- da produção de leite causado intramamárias e a incidência de crobiana e os problemas potenci- pela ordenha pré-parto resulta mastite clínica durante a lacta- ais de contaminação do leite com em maior demanda de energia ção subseqüente pela remoção resíduos desses medicamentos. e, conseqüentemente, maior de infecções existentes e redução No entanto, uma desvantagem risco da ocorrência de balanço nos riscos de novas infecções. é que, em geral, a vacinação é energético negativo ao longo Um estudo desenvolvido na “patógeno-específico”. Conside- do período periparto. Portanto, Nova Zelândia demonstrou a im- rando que a mastite em novilhas embora a ordenha pré-parto re- portância da utilização de se- é causada por diversos microor- duza a incidência e prevalência lantes internos (subnitrato de ganismos, a vacinação contra um de mastite, cuidados no manejo bismuto aos 30 dias pré-parto) único patógeno não irá eliminar dos animais são necessários para em novilhas. Observaram-se novas infecções causadas por minimizar quaisquer efeitos reduções de 68% na incidência patógenos que não são alvos da secundários. de mastite clínica e de 84% no vacina. risco de infecções intramamárias 2.4. Selantes causadas por Streptococcus ube- 2.3. Ordenha pré-parto ris nos primeiros 14 dias de lac- Outra ferramenta para con- tação. Outra estratégia, ainda em es- trole da mastite em novilhas são Em outro estudo de campo tudo, refere-se à ordenha diária os selantes (barreiras físicas) ex- realizado nos Estados Unidos, a de novilhas aproximadamente ternos ou internos de tetos. aplicação de selante externo em duas semanas antes da previsão Os selantes externos são com- novilhas, 10 dias antes do parto, do parto. Estudos demonstraram postos à base de látex não irri- diminuiu a incidência de todas as redução de aproximadamente tante, acrílico ou filmes baseados infecções intramamárias em 19%. 33
  33. 33. Sanidade Em relação aos principais pató-  estabelecer medidas de bem-estar e a saúde desses ani- genos causadores da mastite, a controle de moscas, uma vez que mais traduz-se em maior produ- redução foi de 40%, enquanto que em rebanhos que não são sub- tividade e rentabilidade da ativi- para Streptococcus ambientais, metidos a esses controles, as no- dade leiteira. É importante que o foi de 50%. Tais resultados indi- vilhas apresentam maiores taxas produtor e o veterinário estejam cam que esta prática preventiva de infecção intramamária; atentos ao problema da mastite de mastite pode ser um potencial  manter programas ade- em novilhas, uma vez que o per- substituto da terapia antimicrobi- quados de nutrição para novilhas, centual de animais com infecção ana no período seco, diminuindo incluindo eficiente suporte de subclínica é elevado, podendo ainda os riscos de contaminação minerais relacionados à melho- levar a uma redução significativa do leite por resíduos no início da ria da resposta imune, como por na produção e na qualidade do lactação. exemplo, selênio, cobre, zinco e leite. vitaminas (principalmente vita- Identificar o problema na pro- 2.5. Outras medidas mina E); priedade é o primeiro passo im-  monitorar a glândula portante para se implantar um Outras medidas importantes mamária desses animais, visando programa efetivo de controle de de prevenção incluem: detectar qualquer sinal de anor- mastite. Muitas vezes, os pro-  monitoramento de CCS malidade na consistência e/ou na blemas que ocorrem nos animais no leite, 15 dias após o parto: secreção mamária. durante a lactação, reduzindo a novilhas não infectadas têm uma  minimizar a incidência produção de leite na fazenda, CCS menor que 75.000 céls./mL; de distocias e distúrbios no peri- podem estar relacionados às  novilhas devem parir em parto, como hipocalcemia, pela práticas de manejo adotadas na locais limpos e secos, separadas possível associação desses pro- criação de bezerras e novilhas. É de outros animais; blemas com alto risco de mastite preciso rever tais práticas para  não fornecer leite de va- em novilhas. que esses animais possam ex- cas com mastite e com resíduos pressar seu potencial máximo de de antibióticos para bezerras; 3. Conclusões produção de leite, na idade certa  manter bezerras em e com o menor custo. Para que “casinhas individuais” para evitar As novilhas representam o isso ocorra, a mastite em novi- que uma mame na outra; futuro do rebanho. Garantir o lhas deve estar sob controle! • 34
  34. 34. O MAIOR EVENTO DO SETOR NAS AMÉRICAS Venha participar do 11º Congresso Pan-Americano do Leite, o evento que vai debater e planejar os rumos da cadeia produtiva do leite, reunindo os maiores especialistas da área. Além disso, serão realizadas diversas atividades simultâneas, com destaque para a Exposição Industrial e Comercial. Faça sua inscrição e construa um setor cada vez mais forte e saudável. 22 a 25 de março de 2010 Belo Horizonte MG Minascentro Inscrições www.congressofepale.com REALIZAÇÃO PATROCÍNIO PATROCÍNIO MASTER PLATINA ORGANIZAÇÃO APOIO
  35. 35. Mercado ÍNDICE DE CUSTO DE PRODUÇÃO DE LEITE/ EMBRAPA GADO DE LEITE (ICPLEITE/EMBRAPA) REFERENTE A JANEIRO/2010 Alziro Vasconcelos Carneiro Lorildo Aldo Stock Jacqueline Dias Alves No mês de janeiro de 2010, o ICPLeite/Embrapa para os últimos doze meses. A metodologia com- foi 143,85. Este valor é 0,32% maior, em relação ao pleta está disponível na edição 21 do Panorama do mês de dezembro de 2009. Leite em http://www.cileite.com.br/panorama/ Em relação aos últimos 12 meses houve redução edicao21.html. no custo dos insumos de 0,44% (Figura 1). O Índice de Custo de Produção de Leite (IC- Variação do ICPLeite/Embrapa em janeiro de PLeite/Embrapa) mede a variação no custo de ma- 2010 nutenção de uma empresa de produção de leite lo- calizada no Estado de Minas Gerais. A base, igual a Em janeiro, o ICPLeite/Embrapa foi 143,85 ante 100, refere-se ao mês de abril de 2006. 143,30 de dezembro de 2009. A variação foi positiva de 0,32% em relação aos preços Figura 1. Índice de custo de produção de leite - ICPLeite/Embrapa no período de praticados no mês de dezembro de jan/2009 a jan/2010. Base: abr/2006 = 100. 2009. Os grupos que tiveram alta foram mão-de-obra, que apresen- tou elevação de 7,38%; reprodução, 0,72%; qualidade do leite, 0,26%; e energia e combustível, 0,01%. O grupo mão-de-obra sofreu in- fluência, principalmente, da e- levação do salário mínimo que tem repercussão no custo do serviço de ordenha. No grupo reprodução a elevação foi puxada pelo preço A Tabela 1 ilustra a estrutura de ponderação do sêmen, e no grupo qualidade do leite a alta foi para o cálculo do ICPLeite/Embrapa, e as variações devida à elevação no preço do material de limpeza. percentuais calculadas para o mês de janeiro/10 e Os grupos dos insumos que tiveram queda nos 36

×