Educação                                    sem fronteiras                                  SERVIÇO                       ...
© 2009 Anhanguera Publicações             Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de                      ...
Nossa Missão, Nossos Valores                      _______________________________                A Anhanguera Educacional ...
.    00_Abertura_SSocial_6Sem.indd 4   6/5/09 10:07:40 AM
AULA 1 — A Base do Pensamento Econômico                                       Apresentação                                ...
00_Abertura_SSocial_6Sem.indd 6   6/5/09 10:07:40 AM
Autores                                    ____________________                                                           ...
MARIA MASSAE SAKATE                                              Graduação: Matemática – Universidade Federal de Mato Gros...
Sumário                                               ____________________             MÓDULO – PLANEJAMENTO E ADMINISTRAÇ...
AULA 5                                 Sistema de indicadores: requisitos para a sua construção e produção ..................
AULA 6               O Sistema Único de Assistência Social e a nova forma de gestão da assistência social: caráter        ...
Módulo                       DESENVOLVIMENTO                     LOCAL E INTEGRAÇÃO                          DA ASSISTÊNCI...
Unidade Didática — Estágio Supervisionado III                     Apresentação                Olá acadêmico(a)! É com enor...
AULA                                         ____________________          1                                              ...
Unidade Didática — Desenvolvimento Local e Territorialização             desenvolvimento local – DL, de caráter endógeno, ...
AULA 1 — Desenvolvimento Local: Reflexões & Conceitos                         e gerenciar (diagnosticar, tomar decisões, pl...
Unidade Didática — Desenvolvimento Local e Territorialização             com mudanças paradigmáticas de pensamento, e     ...
AULA 1 — Desenvolvimento Local: Reflexões & Conceitos                       planejamento estratégico tem se mostrado       ...
Unidade Didática — Desenvolvimento Local e Territorialização                     ção participação e uso sustentável dos re...
AULA                                         ____________________          2                                              ...
Unidade Didática — Desenvolvimento Local e Territorialização                     ou dois pontos; 3. região situada além da...
AULA 2 — Espaço, lugar e território                 Milton Santos,18 geógrafo brasileiro de reconheci-                    ...
Unidade Didática — Desenvolvimento Local e Territorialização                                                              ...
AULA 2 — Espaço, lugar e território                     do-se ao longo de um caminho, parando de tempo                 É n...
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Servico social 2009_6_4
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Servico social 2009_6_4

3.634 visualizações

Publicada em

0 comentários
4 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
3.634
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
1
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
93
Comentários
0
Gostaram
4
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Servico social 2009_6_4

  1. 1. Educação sem fronteiras SERVIÇO SOCIAL Autores Carmen Ferreira Barbosa Edilene Maria de Oliveira Araújo Edilene Xavier Rocha Garcia Eloísa Castro Berro Maria Massae Sakate Silvia Regina da Silva Costa 6 www.interativa.uniderp.br www.unianhanguera.edu.br Anhanguera Publicações Valinhos/SP, 200900_Abertura_SSocial_6Sem.indd 1 6/5/09 10:07:38 AM
  2. 2. © 2009 Anhanguera Publicações Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de Ficha Catalográfica realizada pela Bibliotecária impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua Alessandra Karyne C. de Souza Neves – CRB 8/6640 portuguesa ou qualquer outro idioma. Impresso no Brasil 2009 S514 Serviço social / Carmen Ferreira Barbosa ...[et al.]. - Valinhos : Anhanguera Publicações, 2009. 240 p. - (Educação sem fronteiras ; 6) ISBN: 978-85-62280-55-9 1. Serviço social – Planejamento. 2. Serviço social – Administração. 3. Serviço social – Integração da assistência. I. Barbosa, Carmen Ferreira. II. Título. III. Série. ANHANGUERA EDUCACIONAL S.A. CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DE CAMPO GRANDE/MS CDD: 360 Presidente Prof. Antonio Carbonari Netto Diretor Acadêmico Prof. José Luis Poli Diretor Administrativo Adm. Marcos Lima Verde Guimarães Júnior ANHANGUERA PUBLICAÇÕES CAMPUS I Diretor Chanceler Prof. Diógenes da Silva Júnior Profa. Dra. Ana Maria Costa de Sousa Reitor Gerente Acadêmico Prof. Dr. Guilherme Marback Neto Prof. Adauto Damásio Vice-Reitor Gerente Administrativo Profa. Heloísa Helena Gianotti Pereira Prof. Cássio Alvarenga Netto Pró-Reitores Pró-Reitor Administrativo: Adm. Marcos Lima Verde Guimarães Júnior Pró-Reitora de Graduação: Profa. Heloisa Helena Gianotti Pereira Pró-Reitor de Extensão, Cultura e Desporto: Prof. Ivo Arcângelo Vendrúsculo Busato ANHANGUERA EDUCACIONAL S.A. UNIDERP INTERATIVA Diretor Prof. Dr. Ednilson Aparecido Guioti Coodernação Prof. Wilson Buzinaro COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Profa. Terezinha Pereira Braz / Profa. Aparecida Lucinei Lopes Taveira Rizzo / Profa. Maria Massae Sakate / Profa. Adriana Amaral Flores Salles / Profa. Lúcia Helena Paula Canto (revisora) PROJETO DOS CURSOS Administração: Prof. Wilson Correa da Silva / Profa. Mônica Ferreira Satolani Ciências Contábeis: Prof. Ruberlei Bulgarelli Enfermagem: Profa. Cátia Cristina Valadão Martins / Profa. Roberta Machado Pereira Letras: Profa. Márcia Cristina Rocha Figliolini Pedagogia: Profa. Vivina Dias Sol Queiroz Serviço Social: Profa. Maria de Fátima Bregolato Rubira de Assis / Profa. Ana Lúcia Américo Antonio Tecnologia em Gestão e Marketing de Pequenas e Médias Empresas: Profa. Fabiana Annibal Faria de Oliveira Biazetto Tecnologia em Gestão e Serviço de Saúde: Profa. Irma Marcario Tecnologia em Logística: Prof. Jefferson Levy Espindola Dias Tecnologia em Marketing: Prof. Jefferson Levy Espindola Dias Tecnologia em Recursos Humanos: Prof. Jefferson Levy Espindola Dias00_Abertura_SSocial_6Sem.indd 2 6/5/09 10:07:39 AM
  3. 3. Nossa Missão, Nossos Valores _______________________________ A Anhanguera Educacional completa 15 anos em 2009. Desde sua fundação, buscou a ino- vação e o aprimoramento acadêmico em todas as suas ações e programas. É uma Instituição de Ensino Superior comprometida com a qualidade dos cursos que oferece e privilegia a preparação dos alunos para a realização de seus projetos de vida e sucesso no mercado de trabalho. A missão da Anhanguera Educacional é traduzida na capacitação dos alunos e estará sempre preocupada com o ensino superior voltado às necessidades do mercado de trabalho, à adminis- tração de recursos e ao atendimento aos alunos. Para manter esse compromisso com a melhor relação qualidade/custo, adotaram-se inovadores e modernos sistemas de gestão nas instituições de ensino. As unidades no Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul preservam a missão e difundem os valores da Anhanguera. Atuando também no Ensino a Distância, a Anhanguera Educacional orgulha-se de poder es- tar presente, por meio do exemplar trabalho educacional da Uniderp Interativa, nos seus pólos espalhados por todo o Brasil. Boa aprendizagem e bons estudos! Prof. Antonio Carbonari Netto Presidente — Anhanguera Educacional00_Abertura_SSocial_6Sem.indd 3 6/5/09 10:07:39 AM
  4. 4. . 00_Abertura_SSocial_6Sem.indd 4 6/5/09 10:07:40 AM
  5. 5. AULA 1 — A Base do Pensamento Econômico Apresentação ____________________ A Universidade Anhanguera/UNIDERP, ao longo de sua existência, prima pela excelência no desenvolvimento de seu sólido projeto institucional, concebido a partir de princípios modernos, arrojados, pluralistas, democráticos. Consolidada sobre patamares de qualidade, a Universidade conquistou credibilidade de par- ceiros e congêneres no país e no exterior. Em 2007, sua entidade mantenedora (CESUP) passou para o comando do Grupo Anhanguera Educacional, reconhecido pelo compromisso com a qualidade do ensino, pela forma moderna de gestão acadêmico-administrativa e pelos propósi- tos responsáveis em promover, cada vez mais, a inclusão e a ascensão social. Reconhecida pela ousadia de estar sempre na vanguarda, a Universidade impôs a si mais um desafio: o de implantar o sistema de ensino a distância. Com o propósito de levar oportunida- des de acesso ao ensino superior a comunidades distantes, implantou o Centro de Educação a Distância. Trata-se de uma proposta inovadora e bem-sucedida, que, em pouco tempo, saiu das frontei- ras do Estado do Mato Grosso do Sul e se expandiu para outras regiões do país, possibilitando o acesso ao ensino superior de uma enorme demanda populacional excluída. O Centro de Educação a Distância atua por meio de duas unidades operacionais: a Uniderp Interativa e a Faculdade Interativa Anhanguera(FIAN). Com os modelos alternativos ofereci- dos e respectivos pólos de apoio presencial de cada uma das unidades operacionais, localizados em diversas regiões do país e exterior, oferece cursos de graduação, pós-graduação e educação continuada, possibilitando, dessa forma, o atendimento de jovens e adultos com metodologias dinâmicas e inovadoras. Com muita determinação, o Grupo Anhanguera tem dado continuidade ao crescimento da Instituição e realizado inúmeras benfeitorias na estrutura organizacional e acadêmica, com re- flexos positivos nas práticas pedagógicas. Um exemplo é a implantação do Programa do Livro- Texto – PLT, que atende às necessidades didático-pedagógicas dos cursos de graduação, viabiliza a compra, pelos alunos, de livros a preços bem mais acessíveis do que os praticados no mercado e estimula-os a formar a própria biblioteca, promovendo, assim, a melhoria na qualidade de sua aprendizagem. É nesse ambiente de efervescente produção intelectual, de construção artístico-cultural, de formação de cidadãos competentes e críticos, que você, acadêmico(a), realizará os seus estudos, preparando-se para o exercício da profissão escolhida e uma vida mais plena na sociedade. Prof. Guilherme Marback Neto00_Abertura_SSocial_6Sem.indd 5 6/5/09 10:07:40 AM
  6. 6. 00_Abertura_SSocial_6Sem.indd 6 6/5/09 10:07:40 AM
  7. 7. Autores ____________________ CARMEN FERREIRA BARBOSA Graduação: Serviço Social – Faculdades Unidas Católica de Mato Grosso – FUCMT – 1984 Especialização: Saúde da Família – Universidade Federal de MS – UFMS – 2003 Especialização: Metodologia de Ensino Superior – FUCMAT – 1992 Mestrado: Serviço Social – Universidade Estadual Paulista/UNESP e Universidade Católica Dom Bosco/UCDB – 2002 EDILENE MARIA DE OLIVEIRA ARAÚJO Graduação:Serviço Social – Faculdades Unidas Católica de Mato Grosso – FUCMT – 1986 Pós-graduação Latu sensu: Gestão de Iniciativas Sociais – Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ – 2002 Pós-graduação Lato Sensu: Formação de Formadores de em Educação de Jovens e Adultos – Universidade Nacional de Brasília – UNB – 2003 Pós-graduação Lato Sensu: Administração em Marketing e Comércio Exterior – UCDB – 1998 EDILENE XAVIER ROCHA GARCIA Graduação: Serviço Social – Faculdades Unidas Católica de Mato Grosso – FUCMT – 1988 Especialização: Gestão de Políticas Sócias – UNIDERP – 2003 Mestrado: Desenvolvimento Local – Universidade Unidas Católicas – UCDB MS – 2007 ELOÍSA CASTRO BERRO Graduação: Serviço Social – Faculdades Integradas de Marília – 1984 Especialização: Planejamento e Serviço Social – Faculdades Unidas Católica de Mato Grosso – FUCMT – 1998 Especialização: Metodologia de Ação do Serviço Social - Faculdades Unidas Católica de Mato Grosso – FUCMT – 1983 Mestrado: Serviço Social - Universidade Estadual Paulista/UNESP e Universidade Católica Dom Bosco/UCDB – 200200_Abertura_SSocial_6Sem.indd 7 6/5/09 10:07:40 AM
  8. 8. MARIA MASSAE SAKATE Graduação: Matemática – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS, Campo Grande, MS – 1992 Especialização: Informática na Educação – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS, Campo Grande, MS – 1998 Mestrado: Educação – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS, Campo Grande, MS – 2003 SILVIA REGINA DA SILVA COSTA Graduação: Serviço Social – Universidade Católica Dom Bosco – UCDB – 2001 Especialização em Violência Doméstica Contra Criança e Adolescentes – Universidade de São Paulo – USP – 2004 Especialização: Políticas Sociais com Ênfase no Território e na Família – Universidade Católica Dom Bosco – UCDB – 2007 Mestrado em Educação – Universidade Estadual Paulista – UNESP – 200800_Abertura_SSocial_6Sem.indd 8 6/5/09 10:07:40 AM
  9. 9. Sumário ____________________ MÓDULO – PLANEJAMENTO E ADMINISTRAÇÃO UNIDADE DIDÁTICA – ESTÁGIO SUPERVISIONADO III AULA 1 O estágio supervisionado III - o estágio como atividade integradora entre o saber e a ação ......... 3 AULA 2 A Intervenção em Serviço Social ........................................................................................................ 7 UNIDADE DIDÁTICA – PLANEJAMENTO DE INTERVENÇÕES SOCIAIS AULA 1 Planejamento em Serviço Social – conceitos e definições ................................................................ 14 AULA 2 A Administração no Serviço Social – contextualizações básicas ...................................................... 18 AULA 3 Gestão Social – aspectos importantes ................................................................................................ 23 AULA 4 Políticas, Planos, Programas e Projetos – Definições ........................................................................ 29 AULA 5 Papel do Gestor Social ........................................................................................................................ 32 AULA 6 O que é um projeto social? Implicações diretas na realidade atual .................................................. 36 AULA 7 Roteiro básico de um projeto social ................................................................................................... 40 AULA 8 Fases metodológicas e a instrumentalização do planejamento social .............................................. 47 AULA 9 Avaliação e monitoramento de projetos sociais ................................................................................ 54 AULA 10 O Sistema Único da Assistência Social (SUAS) e o planejamento na administração pública......... 60 UNIDADE DIDÁTICA – TRATAMENTO DE INFORMAÇÕES E OS INDICADORES SOCIAIS AULA 1 Noções de estatística descritiva – obtenção e organização de dados ................................................ 68 AULA 2 Representações dos dados por meio da tabela................................................................................... 76 AULA 3 Representações gráficas dos dados ..................................................................................................... 82 AULA 4 Aspectos conceituais: o que são indicadores e índices ...................................................................... 8600_Abertura_SSocial_6Sem.indd 9 6/5/09 10:07:40 AM
  10. 10. AULA 5 Sistema de indicadores: requisitos para a sua construção e produção ............................................. 90 AULA 6 Fontes de indicadores sociais .............................................................................................................. 94 AULA 7 Desenvolvimento humano ................................................................................................................. 100 AULA 8 Objetivos do Desenvolvimento do Milênio - ODM.......................................................................... 106 SEMINÁRIO INTEGRADO: PLANEJAMENTO E ADMINISTRAÇÃO .............................................. 115 MÓDULO – DESENVOLVIMENTO LOCAL E INTEGRAÇÃO DA ASSISTÊNCIA UNIDADE DIDÁTICA – DESENVOLVIMENTO LOCAL E TERRITORIALIZAÇÃO AULA 1 Desenvolvimento local: reflexões e conceitos .................................................................................... 119 AULA 2 Espaço, lugar e território .................................................................................................................... 125 AULA 3 Cultura e identidade ........................................................................................................................... 132 AULA 4 Capital social ....................................................................................................................................... 138 AULA 5 Potencialidade e comunidade ............................................................................................................. 146 AULA 6 Agentes do desenvolvimento local e dimensões metodológicas ....................................................... 150 AULA 7 Solidariedade e educação .................................................................................................................... 154 AULA 8 Cultura do desenvolvimento e desenvolvimento da cultura ............................................................ 160 UNIDADE DIDÁTICA – REDE SOCIOASSISTENCIAL AULA 1 O significado de redes no contexto do trabalho socioassistencial ................................................... 171 AULA 2 A filantropia no Brasil ......................................................................................................................... 175 AULA 3 Terceiro setor e suas diversas concepções .......................................................................................... 182 AULA 4 Movimentos sociais, ONGs e redes solidárias ................................................................................... 186 AULA 5 Marco legal das entidades que compõem a rede socioassistencial ................................................... 19000_Abertura_SSocial_6Sem.indd 10 6/5/09 10:07:41 AM
  11. 11. AULA 6 O Sistema Único de Assistência Social e a nova forma de gestão da assistência social: caráter público, protagonismo e avaliação do processo................................................................................ 197 AULA 7 Oficina 1: PEAS/2006 – Pesquisa das Entidades de Assistência Social Privadas sem Fins Lucrativos ................................................................................................................................... 208 AULA 8 Oficina 2: PEAS/2006 – Pesquisa das Entidades de Assistência Social Privadas sem Fins Lucrativos .................................................................................................................................... 215 SEMINÁRIO INTEGRADO: DESENVOLVIMENTO LOCAL E INTEGRAÇÃO DA ASSISTÊNCIA .................................................................................................................................... 22700_Abertura_SSocial_6Sem.indd 11 6/5/09 10:07:41 AM
  12. 12. Módulo DESENVOLVIMENTO LOCAL E INTEGRAÇÃO DA ASSISTÊNCIA Profa. Ma. Carmen Ferreira Barbosa Profa. Ma. Edilene Xavier Rocha Garcia 117Modulo 01.indd 117 2/6/2009 12:15:53
  13. 13. Unidade Didática — Estágio Supervisionado III Apresentação Olá acadêmico(a)! É com enorme satisfação que me dirijo a você! Estamos iniciando mais uma Unidade Didática “Desenvolvimento Local e Territorialização”, um impor- tante aporte teórico cujo objetivo é fundamentar o seu exercício profissional. A Unidade Didática está dividida em oito aulas: a aula 1 – Desenvolvimento Local – Reflexões e Conceitos traz o conceito do DL, bem como o conceito de Desenvolvimento para o Local (D. para L.) e no Local (D. no L.), visando diferenciá-los; a aula 2 inicia a abordagem dos Aspectos Constitutivos do Desenvolvimento Lo- cal – Espaço, Lugar, Território; nas aulas 3 a 7, na continuação da explanação sobre os Aspectos Constitutivos do Desenvolvimento Local, seguem respectivamente Cultura e Identidade, Capital Social, Potencialidade e Comunidade e Agentes do D. L. Ainda na aula 7 discorre-se a respeito das Dimensões Metodológicas para o Desenvolvimento Local. Na última aula desta Unidade, a de número 8, discute-se a Cultura do Desenvolvi- mento e o Desenvolvimento da Cultura e a importância e aplicação de todos os conceitos aqui estudados para o profissional de Serviço Social. A ênfase desta Unidade é destacar um novo paradigma de desenvolvimento, uma nova cultura política diante do modo de produção que se nos apresenta: o capitalismo. É indispensável que você, acadêmico(a), realize o autoestudo, o que engloba a leitura do livro-texto e dos textos do Portal bem como o seu esforço no exercício de cada uma das atividades propostas nas aulas. Quero lembrá-lo(a) que o que diferencia esta modalidade de ensino das demais é a sua participação ativa! Professora Ma. Edilene Xavier Rocha Garcia 118Modulo 01.indd 118 2/6/2009 12:15:53
  14. 14. AULA ____________________ 1 Unidade Didática – Desenvolvimento Local DESENVOLVIMENTO LOCAL: REFLEXÕES & CONCEITOS e Territorialização Conteúdo • Desenvolvimento local • Desenvolvimento para o local • Desenvolvimento no local • Mudança de paradigmas Competências e habilidades • Diferenciar conceitos de desenvolvimento local do conceito de desenvolvimento no local e do desen- volvimento para o local. • Subsidiar por meio desses conceitos o trabalho com as comunidades. Textos e atividades para autoestudo disponibilizados no Portal Verificar no Portal os textos e atividades disponibilizados na galeria da unidade. Duração 2 h/a – via satélite com o professor interativo 2 h/a – presenciais com o professor local 6 h/a – mínimo sugerido para autoestudo Inicialmente, quero partilhar com vocês o hábi- Segundo Houaiss11 (2001) to de buscar o significado das palavras para tentar é o produto da faculdade de conceber; (...) Deriva- captar a totalidade e profundidade da mensagem ção: por extensão de sentido, faculdade intelectiva e proposta pelos autores, para apreender, com mais cognoscitiva do ser humano; mente, espírito, pen- exatidão, a ideia propagada. samento. Ex.: isso não entra no meu c. (...) com- Investir em qualquer atividade, principalmente nos preensão que alguém tem de uma palavra; noção, estudos e conhecimento, requer a incessante busca do concepção, ideia. Ex.: seu c. de moral é antiquado. sentido real transmitido pelo autor. Dessa forma, toda leitura, do livro didático ou dos textos do Portal, mere- É preciso o aporte teórico oferecido por diversos cem a imprescindível companhia do dicionário! autores para auxiliar na construção do conceito do Para tanto, vamos comentar um pouco sobre o 11 HOUAISS, A. Dicionário eletrônico da língua portuguesa. Barros Jr., J. significado da palavra “conceito”. J. (org) [CD-ROM]. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. 119Modulo 01.indd 119 2/6/2009 12:15:53
  15. 15. Unidade Didática — Desenvolvimento Local e Territorialização desenvolvimento local – DL, de caráter endógeno, e manifestações da pobreza”. O autor afiança Yunus13 sua aplicação no Serviço Social. Segundo Vicente ao afirmar que não se pode solucionar o problema Fideles de Ávila (2001, p. 17),12 da pobreza com o mesmo “marco teórico” que per- mitiu ou ajudou na sua criação. os conceitos constituem as ferramentas do nosso O desenvolvimento econômico e tecnológico trabalho. Habilitam-nos a investigar, discrimi- não alcançou o desenvolvimento social e humano nar, comparar, classificar, e relacionar. São espe- cialmente significativos para as ciências sociais que havia proposto, ou seja, que por seu intermé- porque a linguagem, da qual todos derivam, é ela dio solucionaria o problema da pobreza em todo o mesma, um dos fenômenos, que, como técnicos mundo. A história demonstra que não foi esse o re- desta ciência, estudamos e procuramos compre- sultado alcançado, assim surge internacionalmente ender. um novo conceito de desenvolvimento, o desenvol- vimento local endógeno, que se estende pelo desen- Assim, para analisar o DL devemos antes refletir volvimento econômico e meio ambiental, e que tem sobre cada palavra que o compõe, ou seja, compre- no desenvolvimento sociocultural o princípio e o ender o significado de desenvolvimento e de local. fim das suas ações. O que se entende por desenvolvimento? Cresci- Esse novo arquétipo de desenvolvimento propõe mento e desenvolvimento são sinônimos? a autoconsciência, a autossensibilização, a autoesti- Cidades desenvolvidas são aquelas que dispõem ma e a automobilização da comunidade-localidade de estradas intermunicipais e interestaduais, fá- envolvida para torná-la protagonista de seu próprio bricas, instalações telefônicas, rede de energia desenvolvimento. elétrica, shopping center, rede de esgoto, asfalto, Pode-se, então, compreender que o desenvolvi- emprego para seus moradores etc.? Ou será que mento local de caráter endógeno considera, respeita “desenvolvimento” é deixar de envolver-e com o e aproveita os modos de ser e de agir de cada comu- outro? nidade-localidade. O que se objetiva com essas indagações é fomen- tar a reflexão, o pensamento, o autoquestionamento. Como que procurando detectar a “semente” lá no âmago do contexto descritivo de uma “laranja” in- Não é necessário “acertar” as respostas. Essa cons- teira, já que esta existe em função daquela, (...) me trução será conjunta e gradual a partir de discussões convenço cada dia mais de que o “núcleo concei- e atividades correspondentes. tual” do desenvolvimento local consiste essencial- Citaremos alguns autores para embasar a discus- mente no efetivo desabrochamento das capacida- são. Martins (2002) recomenda mudança de para- des, competências e habilidades de uma “comuni- digmas quanto à concepção de desenvolvimento, dade definida” (portanto com interesses comuns com uma proposta humanista, holística e ecológica. e situada em determinado território ou local com Referenda Mahbub UL Haq (2002, p. 53) que apon- identidade social e histórica), no sentido de ela ta para “alguns pecados dos planejadores desen- mesma se tornar paulatinamente apta a agenciar volvimentistas, concluindo que o desenvolvimento 13 deve ser uma ação de enfrentamento real às piores Muhammad Yunus, Nobel da Paz, 2006. Junto com seu banco, o Gra- meen, é conhecido como “o banqueiro dos pobres” e considerado o grande mentor do microcrédito destinado aos desfavorecidos de Ban- gladesh. Professor de economia, Yunus começou a combater a pobre- za após uma mortífera fome que assolou seu país. Em 1976, fundou 12 Doutor em Políticas e Programação do Desenvolvimento (enfoque um pequeno banco que se propunha a oferecer acesso ao crédito aos em Educação e Emprego), atualmente, docente dos Programas de mais pobres. O conceito do banco Grameen (que significa povoado) Mestrado em Educação (área de concentração: Educação Escolar e foi exportado para mais de 40 países. Seu sistema de “microcréditos” Formação de Professores) e em Desenvolvimento Local (área de con- permite aos muito pobres ter acesso a pequenas quantidades de di- centração: Territorialidade e Dinâmicas Socioambientais) da Univer- nheiro. O banco Grameen conta com 6,5 milhões de clientes em Ban- sidade Católica Dom Bosco (UCDB), de Campo Grande (MS). gladesh, 96% deles mulheres. 120Modulo 01.indd 120 2/6/2009 12:15:53
  16. 16. AULA 1 — Desenvolvimento Local: Reflexões & Conceitos e gerenciar (diagnosticar, tomar decisões, planejar, o maior desafio para que o desenvolvimento local agir, avaliar, controlar etc.) o aproveitamento dos aconteça, considerando que, diferentemente da Eu- potenciais próprios, assim como a “metabolização” ropa, estamos diante de realidades locais nas quais comunitária de insumos e investimentos públicos persistem algumas ausências importantes: da cida- e privados externos, visando à processual busca de dania, da identificação sociocultural e territorial e soluções para os problemas, necessidades e aspi- do sentido de vizinhança. Assim, o caráter necessa- rações, de toda ordem e natureza, que mais dire- riamente participativo e democrático do DL é o seu ta e cotidianamente lhe dizem respeito (...) (Ávila, “calcanhar de aquiles” (...) (Martins, 2002, p. 52). 2000, p. 68). Para este autor, então, DL “é o resultado da ação José Carpio Martín,14 em entrevista à revista In- conjunta articulada” do conjunto dos diversos ato- terações (2000, p. 79), assinala que DL é um tipo de res (ou agentes) sociais, culturais, políticos e eco- desenvolvimento que se coloca entre a lógica do nômicos, públicos e privados, existentes no espaço mercado global e a lógica da sociedade, entre um local (município) “na construção de um projeto desenvolvimento convencional e um desenvolvi- estratégico que orienta suas ações a longo prazo”. mento na escala humana, que se posiciona entre a Por essa perspectiva, a promoção do DL depende conflituosa comodidade das pessoas e a inovação. principalmente da capacidade de organização dos Lembrando aqui que a inovação não é responsabi- atores locais, para que haja gestão de seus recursos lidade apenas das instituições governamentais (dos e da capacidade de enfrentar/confrontar os fatores governos locais), mas também de empresas priva- externos. das, universidades e da sociedade civil organizada, Evidencia-se, assim, que o DL reporta-se à ques- que deve refletir sobre novos conceitos e valorizar tão das relações sociais de confiança e solidariedade, as ciências sociais e a importância da participação de viver em comunidade, do sentimento de perten- popular. Essa é responsabilidade de todos nós. ça. Implica em existir para pessoas próximas, com Assim, iniciativas globais dão lugar às ideias lo- características ou coisas comuns, e não apenas estar cais (criatividade), por meio do saber popular. junto a, mas também compartilhar, bem como re- cuperar a sabedoria coletiva, a inteligência social. ! PARA PENSAR! “Em momentos de crise, somente a imaginação ! ATENÇÃO! é mais importante que o conhecimento.” O DL contribui com a emergência de novas Albert Einstein formas de produzir e compartilhar as riquezas, de reavivar a participação cidadã, de fazer cres- Tais referências permitem inferir que o desenvol- cer a democracia, para que cada pessoa tenha ao mesmo tempo de que viver e razões para viver vimento local ou endógeno (Sherbrooke, 2001, p. 28). seria aquele balizado por iniciativas, necessidades e recursos locais, tal como uma comunidade que O desenvolvimento que compõe o DL se encon- de fato se conduz a caminho do desenvolvimento, tra na postura que atribui e assegura à comunida- ou da promoção do seu bem-estar (...) entende-se que criar condições para que a comunidade efeti- de o papel de agente. Isso pressupõe rever a ques- vamente exerça este protagonismo se afigura como tão da participação. Há que se identificar, resgatar e potencializar valores positivos de uma localidade, 14 fomentando laços de cooperação, reciprocidade e Geógrafo espanhol. Departamento de Geografía Humana de la Uni- versidad Complutense de Madrid. solidariedade para promover o desenvolvimento 121Modulo 01.indd 121 2/6/2009 12:15:53
  17. 17. Unidade Didática — Desenvolvimento Local e Territorialização com mudanças paradigmáticas de pensamento, e zem, mas, sobretudo, à ideia que as pessoas têm a consequentemente, de ação. respeito do que fazem. Uma vez discutido o conceito de desenvolvimento o desenvolvimento sociocultural se caracteriza, podemos “pensar” o conceito de local. Vicente Fide- pois, como ponto de partida, de norteamento e de les de Ávila argumenta que a palavra local expressa chegada do desenvolvimento local (...) visando a “um espaço, uma superfície, um território de iden- autoconscientização, autossensibilização, autoes- tidade e de solidariedade, um cenário de reconhe- tima, autoconfiança, automobilização, auto-orga- cimento cultural e de intersubjetividade e também nização cooperativa (...) para a gradativa – porém um lugar de representações e práticas cotidianas contínua – busca de rumos comunitários-locais, de (Ávila, 2001, p. 26). forma que a comunidade-localidade evolua para a É inconcebível abordar o indivíduo sem consi- condição de sujeito do seu próprio desenvolvimen- derar a trama da reciprocidade (Yasbek, 1999). Ou to, a partir de suas características, de suas potencia- seja, na sociedade contemporânea, não há possibi- lidades (...) (Ávila, 2003, p. 20 e 21). lidade para tratar questões isoladas de seu contexto histórico-social e ambiental. Por isso, é importante Gabriela Isla Martins e Cid Isidoro Demarco que as universidades adaptem sua grade curricular Martins (Martins, 2001, p. 153-178) realizaram uma à realidade, preparando a sociedade acadêmica para pesquisa na qual apontam autores que conceituam atuar holisticamente em suas comunidades, for- o DL. Vejamos. mando profissionais capacitados na elaboração de • Joyal – DL é uma estratégia pela qual os repre- projetos que não desterritorializem famílias nem as sentantes locais (públicos e privados) traba- destituam de si mesmas. lham pela valorização dos recursos humanos, É oportuno ressaltar o avanço das políticas pú- técnicos e financeiros de uma coletividade. blicas na ênfase da territorialização de suas ações, • PNUD – DL é um processo de articulação, co- compreendendo que as famílias não estão destituí- ordenação e inserção dos empreendimentos das dos seus territórios, lugar em que nascem, vi- empresariais associativos comunitários, urba- vem, trabalham e se relacionam. nos e rurais, à integração socioeconômica de Nesse contexto em que se destaca a observação reconstrução do tecido social e de geração de das tramas que se desenvolvem no território, insere- oportunidades de emprego e renda. se o DL. Torna-se, assim, um modelo de desenvol- • Gonzáles – DL é a melhoria do nível de vida vimento que, antes de tudo, ressalta as potenciali- da população a partir da combinação eficiente dades endógenas de uma comunidade, valorizando das potencialidades de cada território, de seus suas especificidades. recursos e de sua força empreendedora (...) es- Trata-se de timular a participação e o comprometimento das pessoasda comunidade. uma nova filosofia de desenvolvimento no planeta (...) capaz de agenciar e gerenciar o aproveitamento • Bryant – DL é todo desenvolvimento planeja- dos potenciais próprios, assim como a “metaboli- do surgido do meio local que utiliza recursos e zação” comunitária de insumos e investimentos iniciativas locais com o objetivo de melhorar as públicos e privados externos, visando à processual condições de vida dos habitantes e atingir me- busca de soluções para os problemas, necessidades tas coletivas da comunidade. e aspirações, de toda ordem e natureza, que mais • Albuquerque – não é resultado da busca de direta e cotidianamente lhe dizem respeito (...) equilíbrios irreais de grandes agregados estatís- (Ávila, 2000, p. 68). ticos macroeconômicos, e sim fruto dos esfor- Em análise convergente, Ávila (2003) advoga que ços e compromissos dos atores sociais em seus a cultura não se refere apenas ao que as pessoas fa- territórios e meio ambientes concretos (...) o 122Modulo 01.indd 122 2/6/2009 12:15:53
  18. 18. AULA 1 — Desenvolvimento Local: Reflexões & Conceitos planejamento estratégico tem se mostrado desenvolvimento PARA O local (DpL) se refere à ideia como uma metodologia participativa efetiva de desenvolvimento que, além de se situar no local de promoção do DL. como sede física, gera atividades e efeitos benéficos às comunidades e aos ecossistemas locais, mas à maneira • Vachon – é o desenvolvimento global da co- bumerangue: brota das instâncias promotoras, vai aos munidade, tendo o papel da pessoa como prin- locais-comunidades, mas volta às instâncias promo- cipal fator do progresso social e enfatizando a toras em termos de consecução mais de suas próprias valorização das microiniciativas e dos recursos finalidades institucionais (as das instâncias promoto- locais. ras, evidentemente) que do real, endógeno e perma- • Franco – deverá dinamizar cinco tipos de capi- nente desenvolvimento das comunidades-localidades tal: capital econômico (renda e riquezas), capital visadas (Ávila, 2003, p. 22). humano (educação, saúde e cultura), capital social (associação entre pessoas e empresas), CARACTERÍSTICAS DO DESENVOLVIMENTO capital empresarial (favorecendo o surgimento LOCAL de empreendedores), que num círculo virtuoso • Territorialmente localizado, com a noção de gerará mais capital econômico. território, além de ocupação do espaço, con- Ficou patente que o reconhecimento dos recursos siderando as relações existentes (característi- físicos e humanos imprime caráter endógeno ao pro- cas físicas, históricas, culturais, inclusive) que, cesso de DL, e exige o processo prévio de motivação quando são recuperadas, geram relações soli- dárias entre os agentes. dos agentes participantes. Para os autores anterior- mente citados, DL é um conjunto original de estraté- • Participativo e democrático, com foco na auto- gias que devem ser adequadas a um território e par- nomia e emancipação da localidade. ticipação ativa e solidária da população. Só assim se • Modo endógeno de desenvolvimento, com as ini- encontrarão formas viáveis, sustentáveis, contínuas e ciativas surgindo de dentro das comunidades. organizadas de utilização integrada dos recursos ma- • Desenvolvimento sustentável, combinação de teriais, naturais e humanos disponíveis, em prol da eficiência econômica com prudência ecológica obtenção de melhorias no bem-estar deles mesmos. e justiça social. • Estratégia geradora de emprego e renda como resultado de ações conjuntas de informação, DL NÃO É “Desenvolvimento NO Local – (DnL)” sensibilização, mobilização e formação. Ávila (2000, p. 69) em Pressupostos para forma- • Busca regatar valores tradicionais e culturais das ção educacional em desenvolvimento local evidencia comunidades com inovação de estratégias de que “desenvolvimento NO local (DnL)” é um tipo ação, aproveitamento dos recursos históricos, de desenvolvimento que isenta a participação ativa tradicionais e culturais de modo a envolver a da comunidade/localidade, um empreendimento comunidade com identidade comum. no qual se utilizam apenas agentes externos para a • Apoia micro e pequenas empresas com formas sua promoção, ou seja, aqueles que não pertencem à diferenciadas de ajuste produtivo no espaço comunidade. Destaca ainda que os agentes externos territorial, que, ao dispor de uma organização são os promotores do desenvolvimento e a comuni- interna mais flexível, é capaz de gerar mais em- dade apenas se envolve participando. prego e se adequar às mudanças e imprevistos. • Conta com a descentralização para oferecer po- DL NÃO É (só) “Desenvolvimento PARA O Local” der às instâncias locais para que possam viabi- (DpL) lizar decisões mais próximas/reais das necessi- Para diferenciar DL de DpL, Ávila afirma que dades da população e possibilitar a combina- 123Modulo 01.indd 123 2/6/2009 12:15:53
  19. 19. Unidade Didática — Desenvolvimento Local e Territorialização ção participação e uso sustentável dos recursos biologia o sistema cardiorrespiratório ou o sistema disponíveis. gastrointestinal ocorre algo parecido com as ne- • Estratégia planejada, apesar não de existir uma cessidades (...) todas têm uma importância similar (...) muda o conceito de pobreza associado exclusi- fórmula a ser aplicada em todas as comunida- vamente à ausência de subsistência (...) há pessoas des é necessário estar munido de procedimen- que morrem não somente de fome senão morrem tos sucessivos organizados de forma a atingir também por carência de afeto ou por carência de os objetivos do enfoque. identidade (Elizalde, 2000, p. 52). • Favorece processos inovadores, estimula a cria- tividade a transformar os recursos disponíveis Visto que as especificidades locais devam ser con- em oportunidades para aquela localidade. sideradas, respeitadas e potencializadas, é oportuno • Movimento solidário e cooperativo de caráter advertir que não há um “desenho” pronto que possa solidário, com a existência de objetivos comuns ser aplicado, ou antes, desenvolvido, às diferentes que provoquem uma obrigação moral em cada comunidades-localidades. Muito oportunamente individuo de apoiarem-se mutuamente. Kujawiski (apud Ávila, 2000, p. 29) assinala o poeta espanhol Antonio Machado “Caminhante, não há • Conjunto de estratégias integradas e equilibra- caminho. O caminho se faz ao caminhar”. das das ações que orientam o DL na integração Para finalizar, as palavras de Ávila (2000, p. 29) poder político (federal, estadual e municipal), “se utopia, uma boa utopia”! poder local (empresas, lideranças e a popula- ção) e valores econômicos, sociais e meio am- bientais. Trata-se de um modelo mais amplo “A Utopia está lá no horizonte. que os tradicionais, e equilibrado no sentido Me aproximo dois passos, ela se afasta dois de minimizar os riscos de dependência das al- passos. terações cíclicas do mercado. Caminho dez passos e o horizonte corre dez • Processo contínuo de ações, pois a interrupção passos. ou a descontinuidade das ações provocada por Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a Utopia? um erro de planejamento poderá acarretar o Serve para isso: para que eu não deixe de descrédito da comunidade no processo. O DL caminhar.” perderá a continuidade se as pessoas perderem a (Eduardo Galeano) motivação da participação, se as estratégias não estiverem realmente integradas, se a conscienti- zação dos vários agentes participantes se desvir- tuarem, se os recursos se esgotarem, se houver * ANOTAÇÕES dependência de recursos externos, entre outros. Os dados aqui analisados demonstram claramente que o DL é um modelo de desenvolvimento que propõe identificar e respeitar as potencialidades endógenas de um grupo social (Elizalde, 2000), que deve acontecer na escala humana. A autora ainda destaca que: (...) são nove as necessidades fundamentais para o ser humano: subsistência, proteção, afeto, enten- dimento, criação, participação, ócio, identidade e liberdade (...) da mesma maneira que seria muito difícil estabelecer se é mais importante em nossa 124Modulo 01.indd 124 2/6/2009 12:15:53
  20. 20. AULA ____________________ 2 Unidade Didática – Desenvolvimento Local ESPAÇO, LUGAR E TERRITÓRIO e Territorialização Conteúdo • Conceito de espaço • Conceito de lugar • Conceito de território • Senso comum × construção científica Competências e habilidades • Conhecer três dos aspectos construtivos do Desenvolvimento Local – Espaço, Lugar e Território e saber diferenciá-los. Sua relevância está na compreensão do conceito de territorialização a fim de subsidiar o planejamento das ações do profissional de Serviço Social. Textos e atividades para autoestudo disponibilizados no Portal Verificar no Portal os textos e atividades disponibilizados na galeria da unidade. Duração 2 h/a – via satélite com o professor interativo 2 h/a – presenciais com o professor local 6 h/a – mínimo sugerido para autoestudo ESPAÇO, LUGAR E TERRITÓRIO identidade, capital social, potencialidade, comuni- Na aula anterior abordamos de forma abrangente dade e agentes do DL e dimensões metodológicas. o conceito de desenvolvimento local – DL. Essa afir- Por enquanto nos deteremos em três itens, são mação é proposital, pois o seu detalhamento como eles: espaço, lugar e território. Mas... eles não são si- já o dissemos, será construído de forma conjunta e nônimos? gradual no decorrer de nossos encontros. Rápido! Busquem um dicionário e vejam o que Quero ressaltar, caros acadêmicos, que a leitura ele traz. dos textos do Portal e do livro Educação sem frontei- O meu dicionário diz assim: ras são de suma importância para que vocês com- Espaço: preendam do que trata este assunto! São 11 os aspectos que iremos abordar como es- 1. extensão ideal, sem limites, que contém todas as senciais nesse modelo de desenvolvimento: espaço, extensões finitas e todos os corpos ou objetos exis- lugar, território, solidariedade, educação, cultura, tentes possíveis; 2. medida que separa duas linhas 125Modulo 01.indd 125 2/6/2009 12:15:53
  21. 21. Unidade Didática — Desenvolvimento Local e Territorialização ou dois pontos; 3. região situada além da atmosfera demos perder esse foco, pois nossa Unidade Didáti- terrestre (...)15 ca trata de desenvolvimento local. E quanto ao lugar? Na aula anterior já mencionei a fundamental importância de se ter sempre à mão o dicionário. (...) substantivo masculino, país, cidade, região não Constantemente irei repetir essa recomendação, to- especificada, área de limites definidos ou indefini- davia, vale notar que cada ciência tem uma termino- dos, parte do espaço que ocupa ou poderia ocupar logia própria, conceitos específicos, que podem ser uma coisa, (...) área apropriada para ser ocupada superficialmente observados com o auxílio de um por pessoa ou coisa, local onde se está ou deveria bom dicionário, contudo não compreendidos em estar (...)16 sua totalidade. O que pretendo demonstrar é que Finalmente, vejamos o que Antônio Houaiss ad- não se apreende ciência social, ou qualquer outra voga sobre território: ciência a não ser estudando sistemática e assidua- mente os teóricos correspondentes. (...) substantivo masculino, grande extensão de terra, área de município, distrito, estado, país etc., Você entregaria seu filho a um centro cirúrgico área de uma jurisdição (...) JUR extensão ou base cujo instrumentador tenha se diplomado apenas geográfica do Estado, sobre a qual ele exerce a sua com um breve dicionário? soberania e que compreende todo o solo ocupado Assim também o é na sociedade. Não se pode pela nação, inclusive ilhas que lhe pertencem, rios, “pensar”, planejar, muito menos executar projetos lagos, mares interiores, águas adjacentes, golfos, ba- e serviços sociais sem aportes teóricos que justifi- ías, portos e também a faixa do mar exterior que quem e fundamentem o agir profissional. lhe banha as costas e que constitui suas águas ter- No entendimento do senso comum, território diz ritoriais, além do espaço aéreo correspondente ao respeito a um espaço qualquer, comumente delimi- próprio território (...) ECO área que um animal ou grupo de animais ocupa, e que é defendida contra tado e defendido, espaço este de sobrevivência de a invasão de outros indivíduos da mesma espécie.17 um grupo ou pessoa. Contudo Bitoun (1999, p. 194) ensina que terri- tório não pode ser entendido como simples espaço geográfico, uma vez que, (...) para os geógrafos, os municípios não são sim- plesmente instâncias federativas no arranjo insti- tucional da nação, cada um deles é um território caracterizado pela sua posição, suas paisagens, suas Corram, voltem um pouco a página do seu livro práticas culturais e políticas desenvolvidas por didático e deem uma olhada... agentes sociais locais e de outras esferas territo- riais. Vicente Fideles de Ávila afirma ser “um cenário de reconhecimento cultural, um lugar de represen- A esse respeito Santos e Silveira (2001, p. 248) ex- tações e práticas cotidianas”, não é mesmo? Não po- plicam que: As configurações territoriais são o conjunto dos sistemas naturais, herdados por uma determinada 15 HOUAISS, A. Dicionário eletrônico da língua portuguesa. Barros Jr., J. sociedade, e dos sistemas de engenharia, isto é, ob- J. (Org.). [CD-ROM]. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. 16 jetos técnicos e culturais historicamente estabele- Ibid. 17 Ibid. cidos (...) sua atualidade (...) sua significação real advém das ações realizadas sobre elas. 126Modulo 01.indd 126 2/6/2009 12:15:54
  22. 22. AULA 2 — Espaço, lugar e território Milton Santos,18 geógrafo brasileiro de reconheci- tir do espaço, é resultado de uma ação conduzida mento internacional, afirma que herdamos um con- por um ator sintagmático (ator que realiza um ceito incompleto de território, uma velha categoria programa) em qualquer nível. Ao se apropriar de denominada região, área. Ressalta ainda que não é um espaço, concreta ou abstratamente (por exem- um conceito errôneo, porém incompleto, porque o plo, pela representação), o ator “territorializa” o espaço. (...) o território, nessa perspectiva, é um território necessita ser compreendido além de espa- espaço onde se projetou um trabalho, seja ener- ço geográfico, antes como espaço relacional, aquele gia e informação, e que, por consequência, revela no qual as pessoas vivem, trabalham, estudam, cir- relações marcadas pelo poder. O espaço é a “pri- culam, se divertem e morrem. são original”, o território é a prisão que os homens constroem para si. Santos (1996, p. 25 -27) menciona que Muito tempo e talento foram dissipados recente- mente por geógrafos numa discussão semântica sem-saída. Chegou-se mesmo a inventar novas denominações. Por exemplo, alguns preferem falar A geografia, ciência que estuda a organização do da espacialidade ou até de espacialização da socie- espaço realizada pelo homem, alerta-nos quanto à dade, recusando a palavra espaço, mesmo o espaço reconceituação de território, até então sinônimo de social. No entanto, a renovação da geografia passa espaço ocupado, “chão”. Nas palavras de Raffestin pela depuração da noção de espaço e pela investiga- (1993, p. 143-144): ção de suas categorias de análise. Quando Arman- do Corrêa da Silva (1982, p. 52) enuncia que não Espaço e território não são termos equivalentes há geografia sem teoria espacial consistente, afirma (...) é essencial compreender que o espaço é an- também que essa “teoria espacial consistente” só é terior ao território. O território se forma a par- válida analiticamente se se dispuser de um “concei- to referente à natureza do espaço”. Que espaço não é nem uma coisa, nem um sistema de coisas, senão 18 Doutorado em Geografia Humana pela Universite de Strasbourg I, uma realidade relacional: coisas e relações juntas. França (1958). Livre docência pela Universidade Federal da Bahia, Eis por que sua definição não pode ser encontrada Brasil (1961) Atuação em Geografia Humana como professor emé- rito da Universidade de São Paulo, Brasil. O prof. dr. Milton Santos senão em relação a outras realidades: a natureza e (Milton de Almeida Santos ou Milton Almeida dos Santos), nasceu a sociedade, mediatizadas pelo trabalho. Não é o em Brotas de Macaúbas, no interior da Bahia, no dia 3 de maio de espaço, portanto, como nas definições clássicas da 1926. Geógrafo e livre pensador brasileiro, homem amoroso, afá- vel, fino, discreto e combativo, dizia que a maior coragem, nos dias geografia, o resultado de uma interação entre o ho- atuais, é pensar, coragem que sempre teve. Doutor honoris causa em mem e a natureza bruta, nem sequer um amálgama vários países, ganhador do prêmio Vautrin Lud, em 1994 (o Prêmio formado pela sociedade de hoje e o meio ambiente. Nobel da Geografia), professor em diversos países (em função do exílio político causado pela ditadura de 1964), autor de cerca de 40 O espaço deve ser considerado como um conjunto livros e membro da Comissão Justiça e Paz de São Paulo, entre ou- indissociável de que participam, de um lado, certo tros. Formou-se em Direito no ano de 1948, pela UFBA, foi professor arranjo de objetos geográficos, objetos naturais e em Ilhéus e Salvador, autor de livros, que surpreenderam os geó- grafos brasileiros e de todo o mundo, pela originalidade e audácia: objetos sociais, e, de outro, a vida que os preenche O povoamento da Bahia (1948), O futuro da geografia (1953), Zona e os anima, ou seja, a sociedade em movimento. O do cacau (1955) entre muitos outros.Passou o período entre 1964 a conteúdo (da sociedade) não é independente da 1977 ensinando na França, Estados Unidos, Canadá, Peru, Venezuela, Tanzânia; escrevendo e lutando por suas ideias. Foi o único brasileiro forma (os objetos geográficos) (...). e receber um “Prêmio Nobel”, o Vautrin Lud, que é como um Nobel de Geografia. Outras de suas magistrais obras são: Por uma outra O território não se restringe a uma entidade ju- globalização e Território e sociedade no século XXI (Record). Milton Santos, este grande brasileiro, morreu em São Paulo (SP), no dia 24 rídica. É preciso considerar um sentimento de per- de junho de 2001, aos 75 anos, vítima de câncer. tencimento e de apropriação. 127Modulo 01.indd 127 2/6/2009 12:15:54
  23. 23. Unidade Didática — Desenvolvimento Local e Territorialização Para o autor, os etologistas19 demonstraram que os animais defendiam “seus nichos ecológicos” con- tra possíveis intrusos. No seu entendimento, cien- tistas e escritores populares têm extrapolado dados do mundo animal para o mundo humano. O humanista, contudo, deve ir além da analogia e perguntar como a territorialidade humana e a liga- ção ao lugar diferem daquelas das criaturas menos carregadas com a emoção e pensamento simbóli- co. Há, por exemplo, o problema de conceituação. Todos os animais, incluindo os seres humanos, ocupam e usam espaço, mas a área como unidade A singularidade e particularidade de cada territó- limitada de espaço é também um conceito. rio é que faz dele mais do que um espaço geográfico. Em seus pertinentes argumentos, Tuan (1976, O território contribui para a criação dessas especi- p. 4) destaca que raramente o território poderá ser ficidades que fomentam o sentimento de pertença observado integralmente por um animal, exceto pe- (Castells, 1999). los pássaros “empoleirados no alto de uma árvore”; Tuan (1976, p. 4) considera que o conceito de ter- os mamíferos, os répteis não o podem fazê-lo, nem ritório difere de espaço limitado. É uma “rede de ca- mesmo o ser humano. Assim sendo, o minhos e lugares”. Um lugar deve ser visto como um centro de significância, no qual há a ligação emocio- (...) território real não é um espaço limitado, mas nal a objetos, ao espaço habitado. Nele encontram- uma rede de caminhos e lugares. As pessoas são ca- pazes de manter o território como um conceito, con- se conceitos e símbolos que constroem a identidade templar mentalmente o seu formato, incluindo aque- do lugar. A concepção dimensional do território, di- las partes que não podem correntemente perceber. A ferentemente do espaço, considera que o lugar onde necessidade de fazer isso, contudo, pode não apare- a existência humana está inscrita foi construído cer. Por exemplo, os caçadores e coletores migrado- pelo homem, pela sua ação técnica e pelo discurso res têm poucas ocasiões em que necessitam divisar que mantinha sobre ela. a fronteira do seu território. O território, para eles, é Observem que aqui abordamos outro conceito, o portanto uma área não circunscrita; é essencialmen- de lugar, espaço, lugar e território estão de tal ma- te uma rede de caminhos e lugares permeáveis com os caminhos de outros caçadores. Em comparação, neira imbricados que separá-los para fins de concei- as comunidades das fazendas tendem a ter um forte tuação se torna delicado. senso de propriedade e de espaço delimitado. Tuan (1976) propõe a ideia de que a geografia humanística busca refletir a respeito dos fenômenos Percebe-se, então, uma valorização ao que até o geográficos de um modo não tradicional, ou seja, momento não foi citado, ao subjetivo, ao passional, entrosando-se às ciências sociais, na esperança de àquilo que está na mente, todavia, às vezes não tra- dispor uma visão precisa do mundo humano. zemos à tona: a emoção! A geografia humanística procura um entendimento Qual é o papel da emoção e do pensamento na liga- do mundo humano através do estudo das relações ção ao lugar? Considerem o animal como moven- das pessoas com a natureza, do seu comportamento geográfico bem como dos seus sentimentos e ideias 19 Que ou aquele que se dedica ao estudo do comportamento social e a respeito do espaço e do lugar (Tuan, 1976, p. 1). individual dos animais. 128Modulo 01.indd 128 2/6/2009 12:15:54
  24. 24. AULA 2 — Espaço, lugar e território do-se ao longo de um caminho, parando de tempo É no território que a relação existente entre cul- em tempo. O animal para por uma razão, usual- tura e espaço se materializa. Nesse contexto, Casti- mente para satisfazer uma necessidade biológica lho (2004) afirma que a religiosidade influencia a importante – a necessidade de descansar, beber, estruturação dos territórios. Sobre essa temática comer ou acasalar. A localização da parada torna-se discorreremos na Aula 4. para o animal um lugar, um centro de significância Até aqui se pode dimensionar que “a ordem in- que ele pode defender contra intrusos. Este modelo de comportamento animal e sentimento de lugar terna do lugar” é o que diferencia o ambiente or- é prontamente aplicável aos seres humanos. Nós denado por humanos (Le Bourlegat, 2000, p. 13). paramos para atender a exigências biológicas; cada Ao fazer alusão a essa ordem, Cleonice Alexandre Le pausa estabelece uma localização como sendo sig- Bourlegart pretende evocar os fenômenos da cons- nificativa, transformando-a em lugar. O humanista ciência, estimando ser o propulsor de transforma- reconhece a analogia, mas novamente está dispos- ções sociais. to a perguntar como a qualidade da emoção é do pensamento humano dão ao lugar uma gama de Nesse sentido, é hoje preciso avaliar o lugar, tanto significação humana inconcebível no mundo ani- em função de sua própria ordem interna como de mal. Um caso que esclarece a peculiaridade huma- sua combinação dialética com as informações de na é a importância que as pessoas dão aos eventos origem externa. Assim, o lugar atual, cada vez mais biológicos do nascimento e da morte. Os animais integrado ao mundo globalizado, deve ser avaliado não têm nenhuma preocupação sobre isso. As loca- sob duas óticas, ou seja, de dentro para fora e de lizações pragmáticas dos animais têm valor porque fora para dentro (Santos, 1995, apud Le Bourlegat, satisfazem suas necessidades vitais correntes. Um 2000, p. 17). chimpanzé não tem preocupações sentimentais Para o autor em voga, o lugar visto de dentro “é sobre o seu passado, sobre sua terra natal, mas ele antecipa o futuro e teme a sua própria mortalidade. o plano do vivido (...) é a escala territorial passível Santuários dedicados ao nascimento e à morte são de ser percebida, vivida”, reconhecida por meio dos unicamente lugares humanos (ibid). sentidos, um encontro sensorial (do corpo físico) com as relações de afetividade. Deixa assim de ser É de interesse específico da geografia humanísti- apenas um suporte material para alçar a dimensão ca o fato de um “mero espaço se tornar um lugar”, do simbólico. Sob esta óptica, como também o momento e de que forma ocorre a “ligação emocional aos objetos físicos, as funções (...) o ser humano identifica-se com o lugar vivido dos conceitos e símbolos na criação da identidade como materialidade impregnada de valores, que do lugar” (ibid). ganha significado pelo próprio uso cotidiano, (...) Já que nos referimos ao mundo simbólico, traze- o lugar, portanto, é onde a vida se desenvolve em todas as suas dimensões. Assim, a ordem interna mos Rosendahl e Correa (2006, p. 1), que ressaltam construída no lugar, tecida pela história e pela cul- que o território “apresenta, além do caráter político, tura, produz a identidade. É através dessa identida- um nítido caráter cultural – mundo simbólico, es- de que o ser humano se comunica como o resto do pecialmente quando os agentes sociais são grupos mundo (Le Bourlegat, 2000, p. 18). étnicos, religiosos ou de outras identidades”. Caros(as) acadêmicos(as), vocês já devem ter per- Em perspicaz e pertinente análise, Le Bourlegart cebido que é impossível separar em tópicos nossa aula (2000, p. 18) evidencia que o momento criativo e abordar um item de cada vez. Como dito anterior- acontece quando os indivíduos que compõem esse mente, espaço, lugar e território estão absolutamente lugar são capazes de perceber seu mundo interior atados, não se trata de um sem citar o outro, para isso, e interpretar suas raízes culturais ali construÀ

×