Educação                                                  sem fronteiras                                      SERVIÇO     ...
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AULA 1 — A Base do Pensamento Econômico                                     Sumário                               ________...
AULA 4  Condições de trabalho e respostas profissionais. A relação assistente social e usuários  dos serviços sociais .......
AULA 1 — A Base do Pensamento EconômicoUNIDADE DIDÁTICA – CONSELHOS POPULARES E CIDADANIAAULA 1  Contexto da cidadania ......
AULA 3 — Produção Social e Valor                                            Módulo                  PROCESSO DE           ...
Unidade Didática — Processo de Trabalho em Serviço Social    Apresentação  Prezados acadêmicos!   Sejam bem-vindos ao módu...
AULA 1 — Trabalho e Relações Sociais na Sociedade Contemporânea                                              AULA         ...
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AULA 1 — Trabalho e Relações Sociais na Sociedade Contemporâneado cérebro, e os homens acostumaram-se a explicar          ...
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AULA 2 — Divisão Social do Trabalho                                                                      e sua aplicação t...
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AULA 3 — Produção Social e Valorhumano, mas há uma tendência à dominação do                  bendo por ele menos do que mu...
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AULA 3 — Produção Social e ValorAo mesmo tempo, existe o movimento contrário                     uma concepção de natureza...
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  1. 1. Educação sem fronteiras SERVIÇO SOCIAL Autores Edilene Maria de Oliveira Araújo Elisa Cléia Pinheiro Rodrigues Nobre Helenrose Aparecida da Silva Pedroso Coelho Maria Aparecida da Silva Maria Roney de Queiroz Leandro 5 www.interativa.uniderp.br www.unianhanguera.edu.br Anhanguera Publicações Valinhos/SP, 200900 - Servico Social - 5 Sem.indd 1 1/5/09 3:52:57 PM
  2. 2. © 2009 Anhanguera Publicações Ficha Catalográfica produzida pela Biblioteca Central da Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, Anhanguera Educacional resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. Impresso no Brasil 2009 S514 Serviço social / Edilene Maria de Oliveira Araújo ...[et al]. - Valinhos : Anhanguera Publicações, 2009. 224 p. - (Educação sem fronteiras ; 5). ISBN: 978-85-62280-06 1. Serviço social – Processo de trabalho. 2. Serviço social – Cidadania. I. Araújo, Edilene Maria de Oliveira. II. Título. III. Série. ANHANGUERA EDUCACIONAL S.A. CDD: 360 CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DE CAMPO GRANDE/MS Presidente Prof. Antonio Carbonari Netto Diretor Acadêmico Prof. José Luis Poli Diretor Administrativo Adm. Marcos Lima Verde Guimarães Júnior CAMPUS I Reitor ANHANGUERA PUBLICAÇÕES Prof. Guilherme Marback Neto Vice-Reitor Diretor Profa. Heloísa Gianotti Pereira Prof. Diógenes da Silva Júnior Pró-Reitores Pró-Reitor Administrativo: Adm. Marcos Lima Verde Guimarães Júnior Gerente Acadêmico Pró-Reitora de Graduação: Prof. Paulo de Tarso Camillo de Carvalho Prof. Adauto Damásio Pró-Reitor de Extensão, Cultura e Desporto: Prof. Ivo Arcângelo Vendrúsculo Busato Gerente Administrativo Prof. Cássio Alvarenga Netto PROJETO DOS CURSOS Administração: Prof. Wilson Correa da Silva / Profa. Mônica Ferreira Satolani ANHANGUERA EDUCACIONAL S.A. Ciências Contábeis: Prof. Ruberlei Bulgarelli UNIDERP INTERATIVA Enfermagem: Profa. Cátia Cristina Valadão Martins / Profa. Roberta Machado Pereira Diretor Letras: Profa. Márcia Cristina Rocha Prof. Ednilson Aparecido Guioti Pedagogia: Profa. Vivina Dias Sol Queiroz / Profa. Líliam Cristina Caldeira Serviço Social: Profa. Maria de Fátima Bregolato Rubira de Assis / Coodernação Profa. Ana Lucia Américo Antonio Prof. Wilson Buzinaro Tecnologia em Gestão e Marketing de Pequenas e Médias Empresas: Profa. Fabiana Annibal Faria de Oliveira COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Tecnologia em Gestão e Serviço de Saúde: Profa. Irma Marcario Profa. Terezinha Pereira Braz / Profa. Eva Maria Katayama Negrisolli / Tecnologia em Logística: Prof. Jefferson Levy Espíndola Dias Profa.Evanir Bordim Sandim / Profa. Maria Massae Sakate / Tecnologia em Marketing: Prof. Jefferson Levy Espíndola Dias Profa. Lúcia Helena Paula Canto (revisora) Tecnologia em Recursos Humanos: Prof. Jefferson Levy Espíndola Dias00 - Servico Social - 5 Sem.indd 2 1/5/09 3:52:57 PM
  3. 3. AULA 1 — A Base do Pensamento Econômico Nossa Missão, Nossos Valores ____________________ A Anhanguera Educacional completa, em 2009, 15 anos. Desde sua fundação, buscou a ino-vação e o aprimoramento acadêmico em todas as suas ações e programas. É uma Instituição deEnsino Superior comprometida com a qualidade dos cursos que oferece e privilegia a preparaçãodos alunos para a realização de seus projetos de vida e sucesso no mercado de trabalho. A missão da Anhanguera Educacional é traduzida na capacitação dos alunos e estará semprepreocupada com o ensino superior voltado às necessidades do mercado de trabalho, à adminis-tração de recursos e ao atendimento aos alunos. Para manter esse compromisso com a melhorrelação qualidade/custo, adotou-se inovadores e modernos sistemas de gestão nas instituições deensino. As unidades no Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais,Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul preservam a missão e difundem os valores daAnhanguera. Atuando também no Ensino à Distância, a Anhanguera Educacional orgulha-se de poder es-tar presente, por meio do exemplar trabalho educacional da UNIDERP Interativa, nos seus pólosespalhados por todo o Brasil. Boa aprendizagem e bons estudos! Prof. Antonio Carbonari Netto Presidente — Anhanguera Educacional iii
  4. 4. Apresentação ____________________ A Universidade Anhanguera/UNIDERP, ao longo de sua existência, prima pela excelência nodesenvolvimento de seu sólido projeto institucional, concebido a partir de princípios modernos,arrojados, pluralistas, democráticos. Consolidada sobre patamares de qualidade, a Universidade conquistou credibilidade de par-ceiros e congêneres no País e no exterior. Em 2007, sua entidade mantenedora (CESUP) passoupara o comando do Grupo Anhanguera Educacional, reconhecido pelo seu compromisso coma qualidade do ensino, pela forma moderna de gestão acadêmico-administrativa e pelos seuspropósitos responsáveis em promover, cada vez mais, a inclusão e ascensão social. Reconhecida por sua ousadia de estar sempre na vanguarda, a Universidade impôs a si maisum desafio: o de implantar o sistema de ensino a distância. Com o propósito de levar oportuni-dades de acesso ao ensino superior a comunidades distantes, implantou o Centro de Educaçãoa Distância. Trata-se de uma proposta inovadora e bem-sucedida, que em pouco tempo saiu das fronteirasdo Estado do Mato Grosso do Sul e se expandiu para outras regiões do País, possibilitando oacesso ao ensino superior de uma enorme demanda populacional excluída. O Centro de Educação a Distância, atua por meio de duas unidades operacionais, a UniderpInterativa e a Faculdade Interativa Anhanguera(FIAN), em função dos modelos alternativos ofe-recidos e seus respectivos pólos de apoio presencial, localizados em diversas regiões do País e ex-terior, oferecendo cursos de graduação, pós-graduação e educação continuada e possibilitando,dessa forma, o atendimento de jovens e adultos com metodologias dinâmicas e inovadoras. Com muita determinação, o Grupo Anhanguera tem dado continuidade ao crescimento daInstituição e realizado inúmeras benfeitorias na sua estrutura organizacional e acadêmica, comreflexos positivos nas práticas pedagógicas. Um exemplo é a implantação do Programa do Livro-Texto – PLT, que atende às necessidades didático-pedagógicas dos cursos de graduação, viabilizaa compra pelos alunos de livros a preços bem mais acessíveis do que os praticados no mercado eestimula-os a formar sua própria biblioteca, promovendo, dessa forma, a melhoria na qualidadede sua aprendizagem. É nesse ambiente de efervescente produção intelectual, de construção artístico-cultural, deformação de cidadãos competentes e críticos, que você, acadêmico(a), realizará os seus estudos,preparando-se para o exercício da profissão escolhida e uma vida mais plena em sociedade. Prof. Guilherme Marback Neto
  5. 5. AULA 1 — A Base do Pensamento Econômico Autores ____________________ EDILENE MARIA DE OLIVEIRA ARAÚJOGraduação: Serviço Social – Faculdades Unidades Católica de Mato Grosso – FUCMT – 1986 Especialização: Formação de Formadores em Educação de Jovens e Adultos – Universidade Nacional de Brasília – UNB – 2003 Especialização: Gestão de Iniciativas Sociais – Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ – 2002 ELISA CLÉIA PINHEIRO RODRIGUES NObRE Graduação: Serviço Social – Universidade Católica Dom Bosco, UCDB – 1992 Especialização em Políticas Sociais – Universidade do Estado e da Região do Pantanal – UNIDERP – 2003 Mestrado em Educação – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, UFMS – 2007 HELENROSE APARECIDA DA SILVA PEDROSO COELHO Graduação: Ciências Sociais/Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, Campinas /SP – 1982 Graduação: Psicologia/Universidade Católica Dom Bosco – UCDB, Campo Grande/MS – 1992 Graduação: Direito/Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal – UNIDERP, Campo Grande/MS – 2004 Especialização: Gestão Judiciária Estratégica Centro Federal de Educação Tecnológica de Mato Grosso, CEFETMT – 2007 Mestrado: A Construção dos Sentidos de Promoção e Prevenção de Saúde na Mídia Impressa – UCDB – Campo Grande/MS, 2006 MARIA APARECIDA DA SILVA Graduação: Serviço Social/Faculdades Unidas Católicas Dom Bosco – FUCMT/ Campo Grande-MS – 1984 Especialização: Educação na Área da Saúde/Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro/RJ, 1985 Mestrado: Saúde Coletiva/Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Campo Grande/MS, 1998 MARIA RONEY DE QUEIROZ LEANDRO Graduação: Serviço Social/Faculdades Unidas Católicas Dom Bosco – FUCMT/Campo Grande-MS/1987 Especialização: Saúde Pública – Escola Nacional de Saúde Pública/Fundação Oswaldo Cruz/1993 v
  6. 6. AULA 1 — A Base do Pensamento Econômico Sumário ____________________MÓDULO – PROCESSO DE TRAbALHO EM SERVIÇO SOCIALUNIDADE DIDÁTICA – ESTÁGIO SUPERVIONADO EM SERVIÇO SOCIALAULA 1 O diagnóstico como ferramenta de trabalho do serviço social ......................................... 3AULA 2 Projetos sociais: solucionando problemas .......................................................................... 10UNIDADE DIDÁTICA – PROCESSO DE TRAbALHO EM SERVIÇO SOCIALAULA 1 Trabalho e relações sociais na sociedade contemporânea ................................................. 19AULA 2 Divisão social do trabalho ................................................................................................... 24AULA 3 Produção social e valor ........................................................................................................ 29AULA 4 Trabalho assalariado, capital e propriedade ........................................................................ 37AULA 5 Processos de trabalho e produção da riqueza social ........................................................... 43AULA 6 O trabalho coletivo – trabalho e cooperação ...................................................................... 48AULA 7 Trabalho produtivo e improdutivo ...................................................................................... 52AULA 8 A polêmica em torno da crise da sociedade do trabalho .................................................... 59AULA 9 Trabalho e sociedade em rede .............................................................................................. 65UNIDADE DIDÁTICA – ESTRATÉGIAS DE TRAbALHO EM SERVIÇO SOCIALAULA 1 A inserção do assistente social nos processos do trabalho e as estratégias de trabalho em serviço social ................................................................................................................... 75AULA 2 Trabalho e serviço social: demandas tradicionais e demandas atuais ................................ 78AULA 3 O redimensionamento da profissão: o mercado, as condições de trabalho, as perspectivas e competências profissionais........................................................................... 81 vii
  7. 7. AULA 4 Condições de trabalho e respostas profissionais. A relação assistente social e usuários dos serviços sociais ............................................................................................................... 86AULA 5 As demandas e a intervenção profissional no âmbito das relações entre o estado e a sociedade ............................................................................................................................... 89AULA 6 A dimensão ético-política da prática profissional e o serviço social como instrumento de cidadania e garantia de direitos....................................................................................... 92AULA 7 Estratégia profissional e instrumental técnico-operativo utilizados no desempenho do trabalho profissional – Parte 1 ............................................................................................. 95AULA 8 Estratégia profissional e instrumental técnico-operativo utilizados no desempenho do trabalho profissional – Parte 2 ............................................................................................. 99AULA 9 Instrumentos, metodologias e técnicas utilizados pelo serviço social na busca de respostas as demandas do trabalho...................................................................................... 103SEMINÁRIO INTEGRADO...................................................................................................... 108MÓDULO – SOCIEDADE E CIDADANIAUNIDADE DIDÁTICA – TERCEIRO SETOR E SERVIÇO SOCIALAULA 1 Considerações históricas sobre a emergência do terceiro setor ......................................... 111AULA 2 Terceiro setor: conceitos, objetivos e características ........................................................... 114AULA 3 Questões sociais, serviço social e as relações com o terceiro setor ..................................... 118AULA 4 Organizações de interesse público e legislações pertinentes .............................................. 122AULA 5 As organizações de interesse público e a gestão das políticas sociais ................................. 127AULA 6 Responsabilidade social e suas dimensões........................................................................... 131AULA 7 Voluntariado ......................................................................................................................... 135AULA 8 O voluntariado no terceiro setor.......................................................................................... 140AULA 9 Financiamento do terceiro setor .......................................................................................... 144
  8. 8. AULA 1 — A Base do Pensamento EconômicoUNIDADE DIDÁTICA – CONSELHOS POPULARES E CIDADANIAAULA 1 Contexto da cidadania .......................................................................................................... 153AULA 2 Participação e controle social: instâncias de cidadania....................................................... 159AULA 3 Conselhos de políticas públicas: assistência social .............................................................. 169AULA 4 Conselhos de políticas públicas: saúde ................................................................................ 174AULA 5 Conselhos de defesa de direitos: do idoso e da pessoa com deficiência ............................. 179AULA 6 Conselhos de defesa de direitos: da criança e do adolescente (ECA)................................. 187AULA 7 Conselhos de defesa de direitos: da mulher ........................................................................ 192AULA 8 Conselhos de defesa de direitos: do indígena e do negro ................................................... 199AULA 9 Atuação do profissional na efetivação do controle social ................................................... 207SEMINÁRIO INTEGRADO...................................................................................................... 215 ix
  9. 9. AULA 3 — Produção Social e Valor Módulo PROCESSO DE TRABALHO EM SERVIÇO SOCIAL Professora Especialista Edilene Maria de Oliveira Araújo Professora Especialista Maria Roney de Queiroz LeandroProfessora MSc. Helenrose Aparecida da Silva Pedroso Coelho 17
  10. 10. Unidade Didática — Processo de Trabalho em Serviço Social Apresentação Prezados acadêmicos! Sejam bem-vindos ao módulo TRABALHO E SOCIEDADE. Espero que vocês estejam preparados parapromover boas reflexões sobre a questão do trabalho e sua importância para nós, seres humanos. O tema é bastante instigante porque faz parte de uma realidade que nos é muito familiar e por isso mesmonos provoca tanto envolvimento, ora para criticar o modo capitalista de produção, ora para considerá-lo im-portante para o desenvolvimento social. De qualquer forma, são imprescindíveis para o futuro profissional do serviço social o conhecimento daforça-motriz de nossa sociedade e as relações decorrentes do trabalho. O entendimento de como se dão asrelações no trabalho e quais são as origens do capital e da força de trabalho promoverão uma melhor compre-ensão do processo de alienação e da cristalização de ideologias dominantes. Assim, teremos um profissionalapto para lidar com as relações advindas do ambiente de trabalho, posto que compreenderá os mecanismosde produção de valor em nossa sociedade. Desejamos as boas-vindas e sigamos o nosso curso. Professora Helenrose Aparecida da Silva Pedroso Coelho 18
  11. 11. AULA 1 — Trabalho e Relações Sociais na Sociedade Contemporânea AULA ____________________ 1 Unidade Didática – Processo de Trabalho em Serviço Social TRABALHO E RELAÇõES SOCIAIS nA SOCIEDADE COnTEMPORânEA Conteúdo • Noções sobre trabalho • Importância do trabalho na sociedade capitalista • As relações sociais que envolvem o ser humano e o trabalho Competências e habilidades • Compreender a importância do trabalho em nossa sociedade • Refletir sobre as relações oriundas das relações do trabalho e sua importância para o serviço social Textos e atividades para auto-estudo disponibilizados no Portal • Os textos para auto-estudo e as atividades serão disponibilizados no portal. • Sites relacionados: http://www.dieese.org.br • Filme: O Germinal. Diretor: Claude Berri Caracteriza perfeitamente o processo de produção do trabalho do modelo capitalista, a expansão do chamado capital, mostrando assim, de uma forma bem clara, os opostos entre as necessidades humanas e as materiais. O filme se passa na França do século XIX e transmite muito bem aquele determinado momento histórico e seu contexto social, econômico e político e, é claro, cultural. Para obtermos uma análise satisfatória se torna necessário o conhecimento dos antecedentes da Revolu- ção Industrial, nele presentes. Duração 2h/a – via satélite com o professor interativo 2h/a – presenciais com o professor local 6h/a – mínimo sugerido para auto-estudoINTRODUÇÃO elemento inerente à existência do homem e como Vamos verificar nos nossos estudos a impor- mola propulsora de seu desenvolvimento perante astância do trabalho para o ser humano. O trabalho limitações primitivas impostas pela sua fragilidadeaparece desde os primórdios como a necessidade diante do meio ambiente.de o homem intervir sobre a natureza, produzindo A partir do trabalho, o homem foi tornando-seos meios de sua sobrevivência e, dessa forma, clari- capaz de criar novas formas de interação com afica-se a noção de que o trabalho afigura-se como natureza, as quais permitiram o desenvolvimento 19
  12. 12. Unidade Didática — Processo de Trabalho em Serviço Socialamplo do gênero humano, estendendo-se às formas atores sociais que buscam apresentar soluções ede organização social, sempre alicerçadas na orga- fazer reflexões para um dos principais problemasnização do trabalho e da produção social, conforme enfrentados por grande parte dos países. E nãoentendimento de Engels, 1979, p. 269-280. apenas a isso se resume o debate. Distribuição de Com a consolidação do sistema capitalista, como renda, diminuição de desigualdades e promoção demodo de produção, essa noção de centralidade do desenvolvimento social são temas recorrentes, des-trabalho na sociabilidade humana desvendado sob dobramentos, ainda que superficiais, daquilo quea ótica de exploração dentro de uma sociedade de pode ser considerado uma das principais crises noclasses foi objeto de vasta produção teórica e políti- mundo do trabalho dentro da sociedade burgue-ca, impulsionando grandes transformações e revo- sa. E daí a importância do profissional do serviçoluções sociais a partir de meados do século XIX. social na compreensão e reflexão sobre essas ques- Dentro do processo histórico, inúmeros abusos tões, compreendendo sua origem e os rumos toma-foram cometidos dentro do mundo do trabalho e dos na atualidade.impulsionaram a luta social pelo reconhecimento Não é só a sobrevivência que dá significado aode direitos mínimos da dignidade humana e, com trabalho, mas, no dizer de Engels, op. cit., tambémbase no desenvolvimento de ideários novos de or- o desenvolvimento de habilidades manuais e inte-ganização social do trabalho, instaurou-se, no cam- lectuais é proporcionado por ele, porque o homempo ideológico, uma grande disputa no seio da so- com a necessidade desenvolveu técnicas utilizandociedade burguesa, até mesmo dentro do campo de o corpo nas atividades de trabalho e iniciou umaatuação do assistente social, pois o trabalho na área nova forma de vida em grupo, desenvolvendo a lin-social vai saindo paulatinamente das mãos da Igreja guagem e as relações sociais.e do ideário da caridade e passando ao Estado e à Graças à cooperação das mãos, dos órgãos dasociedade dentro das idéias capitalistas. linguagem e do cérebro, não só em cada indivíduo, mas também na sociedade, os homens foram apren- No art. 193, Título VIII, Capítulo II, Seção I – Da Or- dendo a executar operações cada vez mais comple- dem Social, a Constituição Federal de 1988 aponta xas, a propor-se a alcançar objetivos cada vez mais que a ordem social brasileira tem como base o prima- elevados (ENGELS, 1979, p. 275). do do trabalho e como objetivo o bem-estar e a justiça A especialização da mão implica o aparecimento sociais. da ferramenta, que, por sua vez, implica atividade especificamente humana, a ação do homem sobre a Assim, grande parte da história do século XX en- natureza, que resultará na produção de bens. E essecerrou a disputa entre concepções diversas no que homem vai cada vez mais exercer sua força sobretange à organização social do trabalho, e o mundo a natureza, para dominá-la, diferenciando-se dosdividiu-se geopoliticamente na afirmação dessa dis- animais.puta, com conseqüências como a Guerra Fria, a Cri- No início o homem praticava a caça e a pesca e,se do Petróleo etc. mais tarde, a agricultura. Com o passar do tempo Nos dias de hoje, o debate sobre o mundo do tra- surgem a fiação, a tecelagem, a elaboração de me-balho continua desenvolvendo-se com enfoque na tais, a olaria e a navegação, tudo graças a esse de-hegemonia político-ideológica capitalista. Obser- senvolvimento de habilidades oriundas do trabalho.va-se essa questão discutida através do espaço cada Aparecem o comércio e os ofícios acompanhadosvez maior que se dá ao debate cujo tópico é em rela- das artes e das ciências, bem como as nações e osção ao emprego na sociedade contemporânea, im- Estados. De acordo com Engels, 1979, p. 275, o rá-pulsionando pesquisadores, políticos, movimentos pido progresso da civilização foi atribuído exclusi-sociais, organizações internacionais e tantos outros vamente à cabeça, ao desenvolvimento e à atividade 20
  13. 13. AULA 1 — Trabalho e Relações Sociais na Sociedade Contemporâneado cérebro, e os homens acostumaram-se a explicar tituindo a divisão do trabalho entre as diversas cor-seus atos pelos seus pensamentos em vez de procu- porações pela divisão do trabalho dentro de cadarar essa explicação em suas necessidades. oficina. Continuando a crescer, vemos o mercado da ma- Diferentemente dos animais que utilizam a natureza e nufatura também se tornando insuficiente para abas- a modificam pelo simples fato de sua presença, o ho- tecê-lo, tomando o seu lugar a grande indústria mo- mem modifica a natureza, dominando-a por meio do derna, através da Revolução Industrial, onde a má- trabalho. quina a vapor revolucionou a produção industrial. A grande indústria criou o mercado mundial, para o qual a descoberta da América preparou oRETROSPECTIVA HISTÓRICA terreno. O mercado mundial deu um imenso desen- Ao fazermos uma rápida retrospectiva histórica, volvimento ao comércio, à navegação e às comuni-percebemos que a Grécia Antiga valorizava o ócio cações por terra. Esse desenvolvimento, por sua vez,para seus cidadãos, o qual somente era possível pela reagiu sobre a extensão da indústria; e na proporçãoexploração do trabalho escravo. Em um determi- em que a indústria, o comércio, a navegação, as fer-nado momento, quem sabe por oposição aos ideais rovias cresciam, a burguesia também se desenvolvia,greco-romanos de ócio, o cristianismo intentou aumentava seus capitais e colocava num plano se-recuperar o valor do trabalho sem colocá-lo como cundário todas as classes legadas pela Idade Média.valor maior da existência. Podemos observar até Entretanto, a partir da segunda metade do sécu-os dias de hoje que o trabalho ainda é utilizado e lo XVIII, iniciou-se na Inglaterra a mecanizaçãovalorizado como ponto central da dinâmica social industrial, desviando a acumulação de capitais daem que atuamos, sem que haja uma reflexão maior atividade comercial para o setor da produção. Essesobre o contexto em que ela foi gerada e com que fato trouxe grandes mudanças, tanto de ordem eco-finalidade, pois à época era necessário incutir esse nômica quanto social, que possibilitaram o desapa-ideal, pois o capitalismo iniciava seu processo de recimento dos restos das relações e práticas feudaisdesenvolvimento como novo modelo econômico e ainda existentes e a definitiva implantação do modoprecisava conquistar aliados para seu ideal. de produção capitalista. Para o entendimento dos fatores que envolvema crise do mundo do trabalho atual, é fundamen- Simultaneamente ao desenvolvimento do capital tam-tal a compreensão do desenvolvimento histórico da bém se desenvolve o proletariado, a classe operáriasociedade capitalista. Para tanto é preciso situar a moderna, que para Marx e Engels, (2001):transição do regime feudal ao capitalista pela expan- (...) vivem apenas na medida em que encontram tra-são ultramarina e a formação de novos mercados: o balho e que só encontram trabalho na medida em quemercado das Índias Orientais e da China, a coloni- o seu trabalho aumente o capital. Tais operários, obri-zação da América, o intercâmbio com as colônias, o gados a se vender por peça, são uma mercadoria comoaumento dos meios de troca e das mercadorias em qualquer outro artigo de comércio...”geral deram ao comércio, à navegação e à indústriaum impulso jamais conhecido e, em conseqüência, Nessa fase inicial do capitalismo notadamente, ofavoreceram o rápido desenvolvimento do elemen- proletariado acaba concentrado em grandes massas,to revolucionário na sociedade feudal em decom- submetidas a péssimas condições de trabalho.posição. A primeira metade do século XX foi marcada por Diante do crescimento desses novos mercados, uma série de calamidades: as duas guerras mun-o modo de exploração feudal não atendia mais às diais, os impérios coloniais que ruíram, duas ondassuas necessidades, dando lugar à manufatura, subs- de rebelião e revolução que significaram a ascensão 21
  14. 14. Unidade Didática — Processo de Trabalho em Serviço Socialao poder de um sistema colocado como alternativa ma capitalista, um grau esclarecedor do processohistórica à sociedade burguesa e que, após a Segunda de desenvolvimento filogenético da espécie e repre-Guerra Mundial, representou um terço da popula- sentativo da condição humana. O exercício de ativi-ção mundial. Além disso, o ano de 1929 apresentou dades coletivas e de trabalho conjunto é apontadouma crise econômica sem precedentes, até mesmo como responsável pelo surgimento das especifici-abalando economias capitalistas mais fortes, cau- dades próprias do homo sapiens, como pensamento,sando o quase desaparecimento das instituições e consciência e linguagem (LEONTIEV, 1978). Porda democracia liberal. meio da análise do trabalho alienado, Marx (1989) Enquanto a economia balançava, as instituições o apresenta como conferindo a qualificação de hu-da democracia liberal praticamente desapareceram mano ao seu portador, a partir de uma concepçãoentre 1917 e 1942; restaram apenas uma borda da de natureza humana que se constitui na inserção noEuropa e partes da América do Norte e da Austrália. mundo das relações sociais.Enquanto isso, avançavam o fascismo e os movi- O trabalho é um momento efetivo de colocaçãomentos e regimes autoritários. de finalidades humanas, dotado de intrínseca di- A democracia só se salvou porque houve uma mensão teleológica. E, como tal, mostra-se comoaliança temporária entre o capitalismo liberal e o co- uma experiência elementar da vida cotidiana, nasmunismo: basicamente a vitória sobre a Alemanha respostas que oferece às necessidades sociais. Reco-de Hitler foi conseqüência do Exército Vermelho. nhecer o papel fundamental do trabalho na gêneseDe muitas maneiras, esse período de aliança capita- e no fazer-se do ser social nos remete diretamente àlista-comunista contra o fascismo – sobretudo nas dimensão decisiva dada pela esfera da vida cotidia-décadas de 1930 e 1940 – constitui o ponto crítico na, como ponto de partida para a generalidade para si dos homens (ANTUNES, 2001, p. 168).da história do século XX e seu momento decisivo. O trabalho aparece, definitivamente, como um Após a depressão de 1929, o fascismo e a guerra, operador fundamental na própria construção dohouve um surpreendente salto para a Era do Ouro sujeito, revelando-se também como um mediador(denominação de Eric Hobsbawn), que dura de privilegiado, senão único, entre inconsciente e cam-1947 a 1973. po social e entre ordem singular e ordem coletiva. Neste contexto a recuperação dos estragos da Não é apenas um teatro aberto ao investimentoguerra foi a prioridade para os países europeus e subjetivo, mas um espaço de construção do sentidoo Japão, sendo que ela significava, acima de tudo, e, portanto, de conquista de identidade, da conti-o medo de revolução social e avanço comunista. A nuidade e da historicização do sujeito (DEJOURS epartir de meados da década de 1950, os avanços ma- ABDOUCHELI, 1994).teriais se tornaram palpáveis para estas nações. Em uma perspectiva materialista histórico-dialé- Este grande desenvolvimento foi alcançado gra- tica, o trabalho é a fonte de toda riqueza, conformeças à implantação de modelos de produção que se explicitado por Engels no texto O papel do trabalhodisseminaram pelas indústrias de todo o mundo, na transformação do macaco em homem, fonte tam-buscando a ampliação de mercados a partir da pro- bém de prazer e de realização humanas. A categoriadução para um mercado de massa. Estudaremos ontológica do marxismo permite entender que, aomais detalhadamente esses modelos de produção realizar trabalho, o ser humano abandona a depen-nas próximas aulas. dência para com a natureza e adentra a aventura do especificamente humano. Visto assim, o trabalho éCONSIDERAÇÕES FINAIS produto do homem e ao mesmo tempo produtor O trabalho alcançou, na sociedade ocidental, a do ser, da cultura e da civilização humana, objeti-partir da implantação e da consolidação do siste- vando sistemas de comunicação e de inter-relação 22
  15. 15. AULA 1 — Trabalho e Relações Sociais na Sociedade Contemporâneahumanos que determinaram o desenvolvimento de existência em tempos distintos, porém articulados ànossa sociedade. Trabalhar, então, tem o significado dimensão da produção necessária ao capital. A alie-de garantir as condições objetivas e subjetivas para nação do trabalho consiste no fato de o trabalhadora manutenção e o desenvolvimento da existência do não conseguir ter a visão de pertencer ao processohomem, o que só poderia trazer satisfação e prazer. de produção, de ser o gerador de um determinado Entretanto, quando se analisa o sistema produ- produto, de fazer parte daquele trabalho; ele acabativo capitalista, o trabalho, para uma grande fatia não se reconhecendo como parte do produto final.da população, deixa de possuir tais possibilidades e Esse conceito é muito importante para o futuro pro-expectativas e se consolida, na verdade, como fon- fissional de serviço social, porque ele é fator geradorte de desprazer, causando tensão e sofrimento, não de sérios mecanismos desencadeadores de mal-es-permitindo a criatividade e até mesmo o usufruto tar, sofrimento e desigualdades na esfera social.de seus resultados. Todos esses motivos consolidam Assim, concluindo, observamos a importância doum tipo de trabalho chamado por Marx de traba- trabalho na interação do ser humano com os outroslho alienado, haja vista que se baseia na exploração e na formação da sociedade e sua estruturação emdo tempo de trabalho do trabalhador e divide sua torno do trabalho. * AnOTAÇõES 23
  16. 16. Unidade Didática — Processo de Trabalho em Serviço SocialUnidade Didática – Processo de Trabalho em Serviço Social AULA ____________________ 2 DIVISãO SOCIAL DO TRABALHO Conteúdo • A divisão social do trabalho • A estruturação da sociedade capitalista Competências e habilidades • Entender como se dão a divisão social do trabalho e os seus reflexos em outros setores da sociedade • Compreender a importância para o serviço social da divisão social do trabalho • Refletir sobre a repercussão da divisão social do trabalho no cotidiano dos trabalhadores Textos e atividades para auto-estudo disponibilizados no Portal • Os textos para auto-estudo e as atividades serão disponibilizados no portal. • Sites relacionados: http://mariag.multiply.com/reviews/item/135 • Filme: Tempos Modernos. De e com Charles Chaplin, fala sobre o modo da produção capitalista, retratando a exploração do trabalho e a forma mecanicista adotada no trabalho da indústria a partir do início do século XX. Duração 2h/a – via satélite com o professor interativo 2h/a – presenciais com o professor local 6h/a – mínimo sugerido para auto-estudo INTRODUÇÃO ria e determinado pelo tempo de trabalho socialmen- Veremos como nasceram as teorias clássicas da te necessário para a produção da mercadoria. Economia para podermos entender como foram Desenvolveu o estudo sobre a mercadoria a partir elaboradas as teorias sobre o trabalho. do pressuposto de que a riqueza das sociedades, regi- A economia política clássica nasceu na Inglaterra, o das pela produção capitalista, é a acumulação de mer- mais evoluído país capitalista. Estudando o seu regime cadorias (considerada em qualidade e quantidade) e econômico, Adam Smith e David Ricardo lançaram as que a mercadoria, a forma elementar dessa riqueza, bases da teoria do valor do trabalho. Marx deu um possui dois fatores: valor de uso e valor de troca. fundamento estritamente científico a essa teoria, de- O valor de uso está relacionado à utilidade da senvolvendo-a de maneira coerente, e inovou-a com o mercadoria, sua utilização ou seu consumo, e é con- conceito de valor como sendo intrínseco à mercado- siderado como o conteúdo material da riqueza. 24
  17. 17. AULA 2 — Divisão Social do Trabalho e sua aplicação tecnológica, a organização social Marx observa que para se chegar ao valor-de-uso e do processo de produção e as condições naturais. como conseqüência gerar a riqueza material não basta (...) Generalizando: quanto maior a produtividade apenas o trabalho, é necessário combiná-lo com os re- do trabalho, tanto menor o tempo de trabalho re- cursos naturais, como nessa passagem: querido para produzir uma mercadoria, e quanto “O homem, ao produzir, só pode atuar como menor a quantidade de trabalho que nela se crista- a própria natureza, isto é, mudando as formas liza, tanto menor seu valor. Inversamente, quanto da matéria. E mais. Nesse trabalho de trans- menor a produtividade do trabalho, tanto maior formação, é constantemente ajudado pelas o tempo de trabalho necessário para produzir um forças naturais. O trabalho não é, por conse- artigo e tanto maior seu valor. A grandeza do valor guinte, a única fonte dos valores de uso que de uma mercadoria varia na razão direta da quanti- produz da riqueza material. Conforme diz dade e na inversa da produtividade do trabalho que Willian Petty, o trabalho é o pai, mas a mãe é nela se aplica.” a terra.” (p. 50) DIVISÃO SOCIAL DO TRABALHO Quando a mercadoria passa a ser trocada por ou- Para Marx, em seu livro Manifesto Comunista, atra, ela adquire um valor de troca e, se for trocada sociedade moderna não substituiu a luta de clas-por mais de uma mercadoria, diz-se que pode ter ses, apenas trocou classes antigas por novas, novasum ou mais valores de troca de espécies diferentes. condições de opressão e, da mesma forma, novasComo exemplo, Marx cita a possibilidade de uma formas de condições de luta. Nessa época da bur-quantidade de trigo ser trocada por uma quantida- guesia a sociedade cada vez mais caminhava parade de seda, outra de ouro e outra de graxa. dois grandes blocos inimigos – o proletariado e a Na relação de troca entre a quantidade de um burguesia –, tendo passado, para Marx e Engels, porproduto e a de outro é que se percebe o seu valor. E um longo processo de desenvolvimento, pelos dife-o valor é entendido como a quantidade de dispên- rentes modos de produção, haja vista o vertiginosodio do trabalho humano, da força de trabalho gas- papel fundamental que ocupou a burguesia ao lon-ta em sua produção ou, melhor, da quantidade de go da história.trabalho humano que nele se armazenou (trabalho Marx concebe a idéia de que a sociedade estáhumano abstrato). A quantidade de trabalho mede- dividida em classes, cada uma com suas regras ese pelo tempo de sua duração e o tempo de trabalho, condutas apropriadas, mas que estão inseridas empor frações do tempo, como hora, dia, etc. um único sistema, que é o modo de produção ca- Há desdobramentos a serem considerados para pitalista. A divisão social do trabalho é para Marxse compreender a substância do valor de uma mer- “a totalidade das formas heterogêneas de trabalhocadoria, que é o trabalho. Valor é mais bem enten- útil, que diferem em ordem, gênero, espécie e va-dido conjugando quantidade produzida com a pro- riedade” (O Capital I, Cap. I).dutividade alcançada nesse processo de produção, É interessante observar que Marx considera aconforme Marx (p. 46-47) explana: divisão do trabalho não só como um meio para se alcançar a produção de mercadorias, mas considera “A grandeza do valor de uma mercadoria perma- neceria, portanto, invariável, se fosse constante o a divisão de tarefas entre os indivíduos, e ainda nas tempo do trabalho requerido para sua produção. relações de propriedade. Assim, a divisão do traba- Mas este muda com qualquer variação na produti- lho e a especialização das atividades em classes são vidade (força produtiva) do trabalho. A produtivi- basicamente a divisão dos meios de produção e da dade do trabalho é determinada pelas mais diversas força de trabalho. Modernamente, essa divisão se circunstâncias, entre elas a destreza média dos tra- refere também à divisão internacional do trabalho, balhadores, o grau de desenvolvimento da ciência que trata do trabalho nos diversos países e da divi- 25
  18. 18. Unidade Didática — Processo de Trabalho em Serviço Socialsão sexual do trabalho, referindo-se às diferencia- Revolução Industrial que se intensificaram-se e seções de gênero e de sexo feitas no trabalho. fragmentaram as tarefas, aumentando, por sua vez, a produtividade. No dicionário do Pensamento Marxista de Tom Bot- Observem que, nesse contexto, a força de traba- tomore (p. 112) encontramos a seguinte definição lho se torna uma mercadoria, vendida ao empresá- para a divisão do trabalho: rio capitalista por um salário, o que vem a reforçar Primeiro, há a divisão social do trabalho, en- a teoria do economista inglês Adam Smith, de que tendida como o sistema complexo de todas o trabalho seria a verdadeira fonte de riqueza da formas úteis de trabalho que são levadas a sociedade. Esse conceito foi apropriado e ampliado cabo independentemente umas das outras por Marx, o qual demonstra que a força de traba- por produtores privados, ou seja, no caso do lho significa criação de valor, mas este é um valor capitalismo, uma divisão do trabalho que se apropriado pelo capitalista e que aparentemente se dá na troca entre capitalistas individuais e “perde” dentro do produto. independentes que competem uns com os A força de trabalho, ao ser negociado como mer- outros. cadoria, promove a completa separação do traba- Em segundo lugar, a divisão de trabalho en- lhador dos meios de produção, alienando o homem tre trabalhadores, cada um dos quais execu- de sua própria essência, que é o trabalho. Assim, a ta uma operação parcial de um conjunto de operações que são todas executadas simulta- divisão social do trabalho e a divisão industrial do neamente e cujo resultado é o produto social trabalho promovem a alienação e destroem as rela- do trabalhador coletivo. Esta é uma divisão ções entre os homens, uma vez que eles não têm do- de trabalho que se dá na produção, entre o mínio do processo de produção e não se beneficiam capital e o trabalho em seu confronto dentro do produto de seu trabalho. do processo de produção. Embora esta divi- É sobre essa base material que se ergue a superes- são do trabalho na produção e a divisão de trutura da sociedade moderna, segundo Marx. A su- trabalho na troca estejam mutuamente rela- perestrutura é formada pela esfera jurídica, política e cionadas, suas origens e seu desenvolvimento ideológica da sociedade, que, por sua vez, representa a são de todo diferentes. forma como os homens estão organizados no proces- so produtivo. Como afirma Marx: “O modo de pro- Para Marx, as relações sociais de produção divi- dução condiciona o desenvolvimento da vida social,dem os homens entre proprietários e não-proprie- política e intelectual em geral.” Nesse sentido, o Esta-tários dos meios de produção. Esta formação, carac- do surge para garantir o interesse da classe dominan-terística da sociedade capitalista, expressa as desi- te. Apesar de o Estado liberal difundir a idéia da defe-gualdades nas quais se baseiam as classes sociais. sa da igualdade, Marx assim denuncia no Manifesto Aqui cabe salientar que, no entender de Marx, a do Partido Comunista (1848): “A sociedade burguesadivisão social do trabalho sempre existiu em todas moderna, que brotou das ruínas da sociedade feudal,as sociedades. Essa divisão é inerente ao trabalho não aboliu os antagonismos de classe. Não fez senãohumano e ocorre em relação a tarefas econômicas, substituir novas classes, novas condições de opressão,políticas e culturais. Desde as sociedades tradicio- novas formas de luta às que existiram no passado”,nais, a divisão do trabalho correspondia à divisão de referindo-se aos nobres e senhores feudais.papéis por gênero, sendo sucedidas, mais tarde, pela Marx ressalta aqui a idéia de que é a burguesia adivisão das atividades como a agricultura, o artesa- classe social que irá controlar o poder político, ide-nato e o comércio. A divisão do trabalho surge com ológico e jurídico da sociedade.o excedente da produção e a apropriação privada O estado de alienação do proletariado, resultadodas condições de produção. Foi ainda por meio da da divisão do trabalho, também se reflete nessas for- 26
  19. 19. AULA 2 — Divisão Social do Trabalhomas de dominação da burguesia. Marx afirma que tão integrados na coletividade pela tradição e peloo Estado é um instrumento criado pela burguesia costume, ou seja, por uma consciência coletiva quepara garantir seu domínio econômico sobre o pro- indica suas formas padronizadas de pensamento ouletariado, preservando e protegendo a propriedade conduta. O tipo de solidariedade apresentado nes-privada dos meios de produção. O aparato jurídi- sas sociedades é a solidariedade mecânica.co, por sua vez, seria o responsável por garantir a A solidariedade orgânica seria a solidariedadeigualdade entre os homens, camuflando a divisão típica da sociedade capitalista moderna. Essa soli-da sociedade entre classes sociais distintas e com in- dariedade decorre da evolução da sociedade, queteresses opostos. A ideologia seria a encarregada de promove a diferenciação social por meio da divi-difundir a visão de mundo e os valores burgueses, são do trabalho. Portanto, a função da divisão so-legitimando e consolidando seu poder. Conforme cial do trabalho seria a de criar um sentimento deafirma Marx (1993): solidariedade entre os homens. Para Dürkheim, as diferenças sociais criadas pela divisão social do tra- “As idéias da classe dominante são, em cada época, balho unem os indivíduos pela necessidade de troca as idéias dominantes, isto é, a classe que é a força material dominante da sociedade é, ao mesmo tem- de serviços e pela sua interdependência: “O ideal de po, sua força espiritual dominante. A classe que tem fraternidade humana só pode ser realizado na razão à sua disposição os meios de produção material dis- do progresso da divisão do trabalho.” põe, ao mesmo tempo, dos meios de produção es- Esta é uma das diferenças fundamentais entre piritual, o que faz com que a ela sejam submetidas, a teoria marxista e a teoria durkheimiana. Para ao mesmo tempo e em média, as idéias daqueles Marx, as sociedades tradicionais apresentam uma aos quais faltam os meios de produção espiritual. forma de divisão do trabalho, mesmo que baseadas As idéias dominantes nada mais são do que a ex- na idade, gênero ou força física. O que diferencia pressão ideal das relações materiais dominantes, as essa forma de divisão natural do trabalho pela divi- relações dominantes concebidas como idéias; por- são do trabalho no capitalismo é a ausência de um tanto, a expressão das relações que tomam a classe excedente na produção. dominante; portanto, as idéias de sua dominação.” Se para Dürkheim a divisão social do trabalho Para Marx, a divisão do trabalho se estende para gera solidariedade, para Marx, a divisão do trabalhoalém da produção material e exerce uma função de expressa os meios de segmentação da sociedade. Emdominação da classe burguesa sobre a classe prole- caráter primeiro, a divisão do trabalho se refere àtariada. Essa dominação se expressa nas formas de apropriação dos meios de produção pelo empresáriosegmentação da sociedade, seja pela divisão social capitalista; em segundo, essa apropriação que distan-do trabalho ou pela sua divisão industrial. cia o trabalhador dos meios de produção distancia o No que se refere à divisão do trabalho, Dürkheim, trabalhador de si mesmo, provocando nele um estadosociólogo e autor de um estudo sobre a divisão so- de alienação. Como vemos, ao se dividir a sociedadecial do trabalho, considera que a característica fun- entre proprietários e não-proprietários dos meios dedamental da sociedade moderna é a divisão social produção, as classes sociais que daí surgem passamdo trabalho, porque suas diferentes esferas se dife- a lutar por interesses antagônicos, apesar da interde-renciam entre si e se especializam, o que concorre pendência que se estabelece entre elas.para a integração dos indivíduos na sociedade. Para Marx, a sociedade moderna está organizada Dürkheim considera a existência da divisão social sobre a produção econômica da mais-valia, ou seja,do trabalho como determinante do grau de coesão a exploração da força de trabalho proletária pelaentre os indivíduos de uma determinada sociedade. classe burguesa. Portanto, o sistema capitalista pro-No caso das sociedades tradicionais, como não há porciona à burguesia a difusão de suas ideologiasuma divisão social do trabalho, os indivíduos es- por meio do controle do aparelho do Estado. 27
  20. 20. Unidade Didática — Processo de Trabalho em Serviço Social Enfim, para Dürkheim, a divisão social do tra- divisão do trabalho gera uma relação de exploraçãobalho irá ocupar o lugar da Igreja, do Estado e das da classe burguesa sobre o proletariado, promoven-demais instituições sociais na função de integrar o do a sua alienação por meio da propriedade priva-indivíduo ao corpo social, promovendo a coesão na da dos meios de produção. Nesse caso, a alternativasociedade, levando-a ao progresso, o que se dará para a classe proletária será promover uma revolu-por meio da especialização de funções que cria uma ção capaz de solucionar os antagonismos sociais,interdependência entre os indivíduos. Para Marx, a eliminando a sociedade de classes. SÍnTESE QUAL O SIGNIFICADO DO TRABALHO? • QUAL O SIGNIFICADO DO TRABALHO NO CAPITALIS- • É a expressão de funcionamento, “metabólica”, entre o MO? ser social e a natureza. • O trabalho se transforma em valor de troca. • O homem, por meio do trabalho, transforma a natureza • O homem vende sua força de trabalho para realizar a e produz coisas com valor de uso. reprodução social – consumir e produzir. • O trabalho tem, desde o seu nascimento, uma in- • É um trabalho alienado – o trabalhador não se reconhe- tenção voltada para o processo de humanização do ce naquilo que produz, não conhece nem domina todo homem em seu sentido amplo – nas inter(ações) que o processo de produção. realiza. • O trabalhador não é o dono dos meios de produção e de • É por meio do trabalho que o homem se reconhece en- trabalho. quanto sujeito histórico capaz de agir e transformar a • Baseia-se no lucro e na mais-valia, ou seja, no excedente do sua realidade. trabalho humano, que não é repassado ao trabalhador. ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO: • É FEITA POR MEIO DA DIVISÃO DO TRABALHO • DIVISÃO DE TAREFAS: O CONTEÚDO, O RITMO • DIVISÃO DE HOMENS: RESPONSABILIDADES, SISTEMA HIERÁRQUICO, RELAÇÕES DE PODER E CONTROLE • DIVISÃO BASEADA NA ESPECIALIZAÇÃO FUNCIONAL DO TRABALHO = BUROCRACIA * AnOTAÇõES 28
  21. 21. AULA 3 — Produção Social e Valor AULA 3 Unidade Didática – Processo de Trabalho em Serviço Social ____________________ PRODUÇãO SOCIAL E VALOR Conteúdo • O trabalho social • O processo de produção social Competências e habilidades • Aprofundar o conhecimento sobre relações de trabalho • Analisar a importância do trabalho como fator de geração de capital e de riqueza • Refletir sobre a importância para o serviço social dos aspectos relacionados com a geração de riqueza e os efeitos sobre o ser humano Textos e atividades para auto-estudo disponibilizados no Portal • Os textos para auto-estudo e as atividades serão disponibilizados no portal • Sites relacionados: http://www.mpt.gov.br • Filme: Gaijin – Caminhos da Liberdade – 1980, Brasil Diretora: Tizuka Yamazaki Em meio às festas comemorativas ao centenário da imigração japonesa para o Brasil, este filme nos faz refletir sobre o contexto e os conflitos em que se deu este processo histórico. A miséria e a falta de perspectivas de trabalho no Japão “empurraram” muitos nativos a emigrarem em busca de novas oportunidades. Duração • 2h/a – via satélite com o professor interativo • 2h/a – presenciais com o professor local • 6h/a – mínimo sugerido para auto-estudoINTRODUÇÃO emprego ou em outras formas de atuação na socie- Colocamos no primeiro capítulo a importância dade. Deriva daí, assim, a importância que tantosdo trabalho para o desenvolvimento físico, psicoló- estudiosos dão ao tema trabalho.gico e social do ser humano, pois é pelo exercício A centralidade do trabalho precisa ser focalizadade determinadas tarefas que sentimos a necessidade tendo em vista o processo de produção e reprodu-de desenvolver habilidades técnicas, tanto manuais ção material da vida humana em sociedade, em suacomo mentais, e também nos relacionamos com interação com os outros homens e com a natureza.os outros, ampliando nosso círculo de relações no É dessa maneira que os homens produzem para si 29
  22. 22. Unidade Didática — Processo de Trabalho em Serviço Socialpróprios, a sociedade e as próprias formas sociais Nessa sociedade atual o nexo com o trabalho é contra-em que produzem, ou seja, é por essa forma que o ditório. A melhor formulação disso ainda é de Marx:homem produz as riquezas humanas e consegue dar “O capital é, ele próprio, a contradição em processoprosseguimento ao desenvolvimento social. (porque) procura reduzir o tempo de trabalho a um O trabalho social tem uma dupla “natureza”, por- mínimo, ao mesmo tempo em que, de outro lado, dis-que ele é tanto o trabalho envolvido no processo de põe o tempo de trabalho como única medida e fonteprodução da sociedade em que se trabalha, que de- da riqueza (...) Por um lado conclama à vida todos ostermina socialmente, quanto o trabalho concreto na poderes da ciência e da natureza, bem como da com-sociedade vigente, socialmente determinado, isto é, binação social e do intercâmbio social para tornar auma via de mão dupla onde temos o homem exer- criação da riqueza (relativamente) independente docendo suas habilidades socialmente e a sociedade tempo de trabalho neles aplicado. De outro lado, pre-determinando a forma de atuação do ser humano. tende medir as enormes forças sociais assim criadas pelo tempo de trabalho e aprisioná-las nos limites exi- De volta a Marx, um dos maiores estudiosos do gidos para conservar como valor o valor já criado.”tema trabalho, ele se refere a essa questão no capítu-lo seis, Inédito, de O Capital: “(...) os economistas burgueses, enredados nas Percebam que o capitalismo se estrutura na so-idéias capitalistas, vêem sem dúvida como se pro- ciedade de forma a tentar manter-se e por isso apre-duz no interior da relação capitalista, mas não como senta a relação capital e trabalho como a necessáriase produz esta relação propriamente dita (...)” para a manutenção da vida social, para gerar rique- Temos assim que a denominada “sociedade do zas, gerando um nexo de dependência da socieda-trabalho” é uma construção social constituída por de em todas as suas formas sociais com o trabalho,homens e mulheres no curso do processo de re- ao mesmo tempo em que ocorre uma dominaçãoprodução de sua vida material, na interação social social em função desse trabalho, que se exerce pore com a natureza. Vivemos numa sociedade capi- meio do próprio trabalho, “aprisionado nos limitestalista focada no trabalho sob a forma social de- exigidos para conservar como valor o valor já cria-terminada da acumulação do capital. O processo do”. Ou melhor, junto com uma tendência à genera-de construção da sociedade capitalista exigiu uma lização da “natureza” social capitalista como socie-série de condições históricas antes não existentes dade do trabalho, há uma imposição dos critérios e– uma ética do trabalho, a conversão de trabalho das condições da acumulação em todos os âmbitosem mercadoria, o apoio social à acumulação sem das relações dos homens entre si. O próprio modopropósito de uso – apontadas de modo exemplar de apreender a sociedade por parte de seus sujeitosna obra de Max Weber, A ética protestante e o espí- efetivos se encontra marcado pelas determinaçõesrito do capitalismo. da sociedade do capital, tudo girando em torno da Para nós, em nosso dia-a-dia, a formação social produção de riquezas e consumo. O capitalismoassim constituída parece natural, como produto quer, mediante os mecanismos sociais, manter-se,abstraído do processo de formação material. En- privilegiando o capital em detrimento da mão-de-caramos a constituição atual da sociedade, pautada obra, que trabalha por meio do convencimento deno trabalho com base na ideologia capitalista, como que essa é a única forma de se produzir trabalho. Esendo parte integrante e imutável de nossa socieda- as instituições são organizadas de forma a reprodu-de. Mas esquecemos que nem sempre foi assim, já zir as formas de vida social necessárias à prolonga-passamos por diversos modelos de produção, como ção da vida dessa forma de exploração econômica.o feudalismo, por exemplo, e continuaremos ainda Existe uma relação necessária entre formaçãoadiante vivenciando outras formas de geração de social, capital e trabalho, isso é evidente, porque oriquezas. trabalho representa algo de muito valor para o ser 30
  23. 23. AULA 3 — Produção Social e Valorhumano, mas há uma tendência à dominação do bendo por ele menos do que muitas vezes produziucapital sobre o trabalho que configura uma deter- no mês.minada formação social. Portanto, há na formação “Sem produção”, afirma Marx, “não há consumo,social vigente uma estrutura de dominação no que porém sem consumo tampouco há produção, já quese apresenta como relações entre capital e trabalho. neste caso a produção não teria objeto.” A reprodu-A sociedade capitalista existente é uma sociedade ção social revela-se inicialmente como um processodo trabalho pela perspectiva dominante do capital, produtivo, forma pela qual o ser social integra-seque desenvolve formas de dominação. A base des- à natureza, garantindo sua autoperpetuação. Marxsa dominação seria apreendida por Marx enquanto alinha produção, distribuição, intercâmbio e consu-processo de alienação na relação dos homens com mo, afirmando que: “O resultado a que chegamosa sociedade e a natureza, a partir de sua análise do não é que a produção, a distribuição, o intercâmbiotrabalho alienado enquanto processo de objetiva- e o consumo sejam idênticos, senão que constituemção invertida, em que se constitui uma abstração do as articulações de uma totalidade, diferenciaçõesproduto em relação ao seu processo de produção. dentro de uma unidade.” Nas palavras de Marx, trata-se de “uma formação Marx, por sua vez, abre O Capital chamando asocial onde o processo de produção domina os ho- atenção para o fato de que a riqueza – uma catego-mens e os homens ainda não dominam o processo ria aparentemente absoluta – é, na verdade, históricade produção”. e socialmente determinada. No modo de produção Isso porque para esse autor poderia ser diferen- capitalista, a unidade essencial da riqueza não é ote. A sociedade poderia não privilegiar o capital e a bem material – o valor de uso –, mas a mercadoria,propriedade privada, dando ênfase ao proprietário marcada pela dupla determinação de valor de uso –da mão-de-obra, o trabalhador, mas tal não ocorre conteúdo material da riqueza – e valor de troca – seudevido ao processo que denominou de alienação, no conteúdo social. O valor de troca, que historicamentequal o trabalhador não se vê como proprietário dos se sobrepõe ao valor de uso, é uma unidade absoluta-bens produzidos, pois não detém a propriedade das mente social, cuja grandeza é determinada pelo tem-ferramentas de produção e por isso se deixa explo- po de trabalho socialmente necessário à produção derar vendendo o que possui, sua força de trabalho, ao um determinado valor de uso – reduzido a mero su-empresário, dono da indústria ou da empresa, por porte daquele. Se seguirmos acompanhando a análiseum determinado valor. de Marx ao longo do primeiro capítulo de O Capital, Ocorre que isso gera o que Marx chamou de mais- ao duplo caráter da mercadoria corresponde o duplovalia, que é o valor que não é entregue ao empregado caráter do trabalho: trabalho concreto – produtor depelo desempenho de seu trabalho. Exemplificando, valor de uso, riqueza material – e trabalho abstrato –o valor que o proprietário da empresa paga ao tra- produtor de valor, cuja objetividade é absolutamentebalhador não inclui na realidade tudo o que deveria social. Nesse contexto, a contradição entre as forçasser pago a ele, porque o empresário paga somen- produtivas e as relações de produção, tal como postu-te um valor que atribui na categoria salário e nesse lada por Marx, está diretamente vinculada ao carátervalor não está incluído todo o valor da mercadoria social da riqueza, ou seja, ao valor, que é a manifesta-que foi produzida. Então, o que resta e não é pago ção social desta sob o capitalismo. É importante ob-ao trabalhador fica nas mãos do empresário, que se servar que, da perspectiva marxista, o trabalho não éutiliza do valor da forma que lhe aprouver. A aliena- compreendido como forma absoluta de produção doção ocorre porque o trabalhador não se apercebe do mundo e da riqueza, mas num sentido absolutamen-que produz porque não consegue ter consciência de te histórico. O trabalho como elemento essencial datodo processo produtivo e não visualiza em termos riqueza sob o capitalismo é a abstração do trabalhofinanceiros quanto é o valor do seu trabalho, rece- concreto – dispêndio de força de trabalho (cérebro, 31
  24. 24. Unidade Didática — Processo de Trabalho em Serviço Socialmúsculos, nervos, mãos etc.) sem consideração pela reitos estabelecidos na vida em sociedade, mas se oforma como foi despendida – seja ele manual ou in- sujeito é o mercado, o capital, o determinante socialtelectual, que se desenvolve sobre certas condições é a acumulação do capital, e toda a estrutura socialsociais específicas, ou seja, como trabalho assalaria- irá girar em torno do crescimento desse capital.do posto a serviço da valorização do capital. Assim, o As condições de produção da mercadoria envol-trabalho não é considerado como a forma universal vem a divisão e a hierarquização do trabalho dose absoluta de atividade humana, de relação sujeito e indivíduos, que vão fazer parte de um processo deobjeto, mas a forma social a que são convertidas as trabalho que é coletivo. A divisão do trabalho nãoatividades humanas em geral sob o capitalismo. só potencia, dinamiza a capacidade produtiva, mas Para Marx, o trabalho é o próprio elemento es- também limita o trabalhador a tarefas cada vez maistruturador das relações sociais, haja vista constituir “parciais”, mais “simples”, tarefas que restringem,esse a atividade que permite a satisfação das ne- no trabalhador, o uso de sua sensibilidade, de suacessidades básicas do indivíduo. O autor referido criatividade, para executar com rigor aquilo que areconhece que a divisão do trabalho é responsável máquina pede.por um grande progresso material, mas contrapõe a A história da sociedade industrial é uma históriaesse um processo ininterrupto de alienação do indi- de lutas dos trabalhadores contra a imposição davíduo, ou seja, à medida que o modo capitalista de disciplina do trabalho, da disciplina de quartel, daprodução evolui, o trabalho dos indivíduos passa a organização e racionalização dos processos de tra-ser encarado na sua forma abstrata, as mercadorias balho, que geram o esvaziamento completo dos in-parecem que adquirem vida própria e as relações teresses e motivações pessoais no ato de trabalhar.sociais passam a ser encaradas como relações entre A produção da existência humana e a aquisiçãocoisas. A produção capitalista desenvolve-se em bus- da consciência se dão pelo trabalho, pela ação sobreca do aumento da mais-valia relativa, visando a di- a natureza. O trabalho, nesse sentido, não é empre-minuir o valor da força de trabalho pela redução do go, não é apenas uma forma histórica do trabalhotempo necessário para a produção. Segundo Marx, em sociedade, é a atividade fundamental pela qualos indivíduos se realizam, por meio da execução de o ser humano se humaniza, se cria, se expande emalguma tarefa, também pelo trabalho. Entretanto, conhecimento, se aperfeiçoa. O trabalho é a baseo modo capitalista de produção, ao impor um tra- estruturante de um novo tipo de ser, de uma novabalho parcelado e repetitivo, retira dos indivíduos a concepção de história. O que nos permite fazer aoportunidade de criar algo novo, colocando-os sub- distinção entre duas formas fundamentais de traba-missos à lógica capitalista de produção. lho: o trabalho como relação criadora, do homem com a natureza, produzindo a existência humana,O QUE É O TRABALHO ENTÃO? o trabalho como atividade de autodesenvolvimen- O trabalho humano efetiva-se, concretiza-se em to físico, material, cultural, social, o trabalho comocoisas, objetos, formas, gestos, palavras, ações coti- manifestação de vida; e o trabalho nas suas formasdianas, realizações materiais e espirituais. O ser hu- históricas de sujeição, de servidão ou de escravidão,mano cria e recria os elementos da natureza que es- ou do trabalho moderno, assalariado, alienado natão ao seu redor e lhes confere novas formas e novos sociedade capitalista.sentidos. Dessa forma, o trabalho é o fundamento Dessa forma, entendemos que o trabalho funcio-da produção material e espiritual do ser humano na como uma forma que gera um produto que podepara sua sobrevivência e reprodução. trazer satisfação ao ser humano, mas isso não ocor- O trabalho ou as atividades a que as pessoas se re na sociedade capitalista porque existe o mascara-dedicam são formas de satisfazer as suas necessida- mento das contradições entre capital e trabalho parades que, por sua vez, são os fundamentos dos di- que essa forma de produção nunca deixe de existir. 32
  25. 25. AULA 3 — Produção Social e ValorAo mesmo tempo, existe o movimento contrário uma concepção de natureza humana que se consti-para que se reorganize o trabalho, direcionem-se tui na inserção no mundo das relações sociais.os objetivos para a realização do trabalhador pormeio de movimentos sociais, grupos organizados O trabalho é, portanto, um momento efetivo de co-e inúmeras outras maneiras de questionamento e locação de finalidades humanas, dotado de intrínsecareflexão. dimensão teleológica. E como tal mostra-se como uma Em síntese, as relações de trabalho na constru- experiência elementar da vida cotidiana, nas respostasção da personalidade do trabalhador influenciam que oferece aos carecimentos e necessidades sociais.os processos da alienação ou a reificação (coisifica- Reconhecer o papel fundante do trabalho na gênese e no fazer-se do ser social nos remete diretamente àção), cujas origens residem nas relações capitalistas dimensão decisiva dada pela esfera da vida cotidiana,de produção. como ponto de partida para a generacidade para si dos Quer se trate de caça num clã primitivo, quer do homens (ANTUNES, 2001, p. 168).trabalho agrícola de um servo ou da corvéia na terrado senhor, os homens têm sempre consciência, em Os diversos locais de trabalho vão constituir-semaior ou menor escala, da necessidade de produzir em oportunidades diferenciadas para a aquisição decertos bens para alimentar-se, vestir-se etc. (GOLD- atributos qualificativos da identidade de trabalha-MANN, 1967, p. 126). dor. São inúmeros os estudos que têm como tema a investigação de características identificatórias Para Goldmann (1967), é a sobrevivência que dá signi- próprias da classe operária e/ou de determinadas ficado ao trabalho, sendo que, nas sociedades de econo- categorias profissionais, os quais apontam que o mia de troca, o produto do trabalho tinha apenas valor exercício de certas atividades e o convívio com algu- de uso, trocava-se pela importância daquilo naquele momento. É nas sociedades pré-capitalistas (economia mas relações sociais constituem modos de ser que mercantil) que o produto do trabalho passa a ser um qualificam os pares como iguais (mesmo facultando bem, isto é, transforma-se em mercadoria. Essa trans- diferenças individuais) e se expressam em compor- formação desloca o valor de uso do produto para o tamentos similares (modos de vestir e de falar etc.). consumidor final e acrescenta o valor de troca, mas esse Apontam, ainda, a incorporação desses modos de valor não é agregado ao salário do trabalhador. ser como constitutivos da identidade. Desse modo, o trabalho propriamente dito, aquele que envolve o produtor e o produto numa relação tal que a O PROCESSO DE PRODUÇÃO SOCIAL produção é como um objeto fabricado pelo produtor, reconhecendo-se em sua obra, passa a ser um traba- O processo de tornar-se homem acontece na cor- lho “abstrato”, em que a produção é qualitativamente relação com o ambiente natural e humano, ou seja, igual, pois, seja o que for produzido, o valor de troca o ser humano em desenvolvimento não somente se igualará tudo pelo nivelador comum – o preço – e o correlaciona com o ambiente natural, como tam- produto do trabalho será todo dirigido para o mer- bém com uma ordem cultural e social. Em suma, cado. está submetido a uma contínua interferência social- mente determinada; na verdade, a uma multiplici- O exercício de atividades coletivas e de trabalho dade de determinações socioculturais. Embora seconjunto é apontado como responsável pelo sur- possa dizer que o homem tem uma natureza, é maisgimento das especificidades próprias do Homo sa- significativo dizer que ele constrói sua natureza, quepiens, como pensamento, consciência e linguagem ele se produz a si mesmo.(LEONTIEV, 1978). Pela análise do trabalho alie- Os pressupostos genéticos do eu são, está claro,nado, Marx (1989) o apresenta como conferindo a dados no nascimento. Mas o eu, tal como é experi-qualificação de humano ao seu portador, a partir de mentado mais tarde como uma identidade subjeti- 33
  26. 26. Unidade Didática — Processo de Trabalho em Serviço Socialva e objetivamente reconhecível, não é. Os mesmos trabalho e/ou categorias profissionais, pelas suas es-processos sociais que determinam a constituição do pecificidades próprias, em geral associadas a prestí-organismo produzem o eu em sua forma particular, gio ou desprestígio social, proporcionam atributosculturalmente relativa (BERGER, 1985, p. 73). de qualificação ou desqualificação do eu. O eu como produto social não se limita a como Dejours (1993) relata que, a partir de seus estu-o indivíduo entende ou se identifica como sendo dos, foi possível mostrar que as pressões do trabalho,ele mesmo, mas abrange o equipamento psicológi- que põem particularmente em causa o equilíbrioco (emoções, por exemplo) amplo, que serve como psíquico e a saúde mental, provêm da organizaçãocomplemento. Disso tudo, deduz-se que o organis- do trabalho em contraposição aos constrangimen-mo humano e o eu não podem ser compreendidos tos perigosos para a saúde somática, que se situafora do contexto social em que se formaram. A nas condições de trabalho, mais precisamente nasinstabilidade do organismo humano gera uma ne- condições físicas, químicas e biológicas, cujo alvocessidade de que o homem forneça a si mesmo um principal é o corpo.ambiente estável para sua conduta. O trabalho também pode ser fonte de prazer e, A humanidade e a socialidade do homem estão mesmo, mediador da saúde. Conforme Dejoursentrelaçadas, ou seja, ao se organizarem os fenôme- (1993), em sua luta contra o sofrimento, às vezes,nos humanos está-se entrando no reino do social. o sujeito elabora soluções originais, que são favo-Nesse reino, há uma ordem social que precede o de- ráveis tanto à produção quanto à saúde. Tal formasenvolvimento individual orgânico. Essa ordem so- de sofrimento foi por ele denominada “sofrimentocial é entendida por Berger (1985) como uma pro- criativo”. Quando, ao contrário, nessa luta contragressiva produção humana, existindo como produ- o sofrimento, o sujeito chega a soluções desfavo-to da atividade humana. O ser humano, por sua vez, ráveis tanto à produção quanto à sua saúde, essetem de estar continuamente se exteriorizando na sofrimento caracteriza-se como “sofrimento pato-atividade. As ações humanas tornadas habituais ad- gênico”.quirem um caráter significativo para o indivíduo. Por intermédio do trabalho, o sujeito engaja-se Afirma Berger (1985, p. 87): “A sociedade é um nas relações sociais, para onde transfere questõesproduto humano. A sociedade é uma realidade ob- herdadas de seu passado e de sua história afetiva.jetiva. O homem é um produto social.” Cada vez que o trabalhador encontra solução para O sujeito aprende-se a si mesmo como essencial- os problemas que lhe são colocados (atividade demente identificado com a ação socialmente obje- concepção) e que obtém em troca reconhecimentotivada. Depois da ação, acontece uma importante social de seu trabalho, é também o sujeito sofredor,conseqüência, que é a reflexão do sujeito sobre ela. mobilizador de seu pensamento que recebe reco- Enquanto apresentada como um processo dialé- nhecimento subjetivo à sua capacidade para conju-tico, a identidade social facilita a incorporação de rar a angústia e dominar seu sofrimento.normas do grupo social, implica uma participação Porém, o prazer obtido dessa gratificação temativa do sujeito na construção da identidade gru- curta duração, ressurgindo o sofrimento, impelin-pal e afeta o contexto histórico onde ocorrem essas do-o para outras situações de trabalho, novas apos-relações concretas. Por sua vez, as estruturas socio- tas organizacionais e novos desafios simbólicos. Porlógicas influenciam as representações que os indi- outro lado, sendo o reconhecimento a retribuiçãovíduos fazem de si enquanto representações do eu. fundamental da sublimação, isso significa que estaDa mesma forma, o caráter inter-relacional entre representa um importante papel na conquista daidentidade pessoal e social pressupõe que não haja identidade. Identidade e reconhecimento socialidentidade pessoal que não, ao mesmo tempo e da como condição de sublimação conferem à primeiramesma forma, identidade social. Alguns espaços de uma função essencial na saúde mental. 34

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