Livro Colossenses 2:16

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Livro Colossenses 2:16

  1. 1. 1COLOSSENSES 2:16Leandro Bertoldo COLOSSENSES 2:16 Leandro Bertoldo
  2. 2. 2COLOSSENSES 2:16Leandro Bertoldo Dedicatória Dedico este livro às três mulheres da minha vida: Anita, Daisy e Beatriz, respectivamente, mãe, esposa e filha querida.
  3. 3. 3COLOSSENSES 2:16Leandro Bertoldo “Muitos há que procuram confundir estes dois sistemas, usando os textosque falam da Lei Cerimonial para provar que a Lei Moral foi abolida; mas isto é perversão dasEscrituras”. (Patriarca e Profetas, 365). Ellen Gould White Escritora, conferencista, conselheira, e educadora norte-americana. (1827-1915)
  4. 4. 4COLOSSENSES 2:16Leandro Bertoldo SumárioDados biográficosPrefácioCapítulo 1 “Havendo riscado a cédula”Capítulo 2 “que era contra nós”Capítulo 3 “Nas suas ordenanças”Capítulo 4 “a qual de alguma maneira nos era contrária”Capítulo 5 “tirou do meio de nós”Capítulo 6 “cravando-a na cruz”Capítulo 7 “Portanto ninguém vos julgue”Capítulo 8 “pelo comer, ou pelo beber”Capítulo 9 “por causa dos dias de festa”Capítulo 10 “da lua nova”Capítulo 11 “dos sábados”Capítulo 12 “que são sombras das coisas futuras”Capítulo 13 “mas o corpo é de Cristo”BibliografiaRelação de Endereços
  5. 5. 5COLOSSENSES 2:16Leandro Bertoldo Dados biográficos Leandro Bertoldo é o primeiro filho do casal José Bertoldo Sobrinho e Anita LeandroBezerra. Tem um irmão chamado Francisco Leandro Bertoldo. Os dois seguiram a carreira nojudiciário paulista, incentivados pelo pai, que via algo de desejável na estabilidade do serviçopúblico. Leandro fez as faculdades de Física e de Direito na Universidade de Mogi das Cruzes –UMC. Seu interesse sempre crescente pela área das exatas vem desde os seus 17 anos, quandocomeçou a escrever algumas teses sérias a respeito do assunto. Em 1995, publicou o seuprimeiro livro de Física, que foi um grande sucesso entre os professores universitários. O seucomprometimento com o Direito é resultado de suas atividades junto ao Tribunal de Justiça doEstado de São Paulo. Em 1986, influenciado pela colega de trabalho Célia Regina de Souza Xavier, converteu-se ao cristianismo, recebendo as suas primeiras orientações doutrinarias do professor ValdirGonçalves Xavier. Posteriormente estudou na Classe Bíblica com o eminente professor PedroB’ärg. Pouco tempo depois começou a ministrar estudos bíblicos nos lares de diversosinteressados. Mais tarde, ao assumir a direção da Classe Bíblica, teve grande êxito em prepararalgumas almas sinceras para o santo batismo. Porém, a sua atividade principal tem sidorealizada na Classe Pós-batismal, onde tem preparado dezenas de novos lideres para trabalharemnos ministérios da igreja e na obra evangelística voluntária. Leandro casou-se duas vezes e teve uma linda filha do primeiro matrimônio chamadaBeatriz Maciel Bertoldo. Sua segunda esposa Daisy Menezes Bertoldo tem sido sua grandecompanheira e amiga inseparável de todas as horas. Muitas de suas alegrias são proporcionadaspelos seus cachorros: Fofa, Pitucha, Calma e Mimo. Durante sua carreira como cientista contabilizou centenas de artigos e dezenas de livros,todos defendendo teses originais em Física e Matemática, destacando-se: “Teoria Matemática eMecânica do Dinamismo” (2002); “Teses da Física Clássica e Moderna” (2003); “CálculoSeguimental” (2005); “Artigos Matemáticos” (2006) e “Geometria Leandroniana” (2007), osquais estão sendo discutidos por vários grupos de pesquisas avançadas nas grandesuniversidades do país. Em teologia suas principais obras são as seguintes: “Estudos BíblicosAvançados” (2006); “Exercícios de Estudos Bíblicos” (2008); “Profecias Sobre o Tempo doFim” (2009); “A Lei, o Sábado e o Domingo” (2010) e “Perguntas e Respostas” (2011), os quaisestão sendo utilizados em pequenos grupos e classes bíblicas. Muitas igrejas estão realizandoseminários bem-sucedidos com o livro “Profecias Sobre o Tempo do Fim”. No primeiro semestre de 2012, a convite do dedicado missionário voluntário “EdsonFelix” – pioneiro em organizar e dirigir duas igrejas em César de Souza – teve o privilégio derealizar todos os domingos, durante um período de seis meses, um enriquecedor semináriointitulado “Profecias Sobre o Tempo do Fim”, baseado em seu livro “Conflito Final”. Em sua denominação religiosa foi Secretário do Ministério Pessoal, Tesoureiro,Professor da Escola Sabatina, Promotor de Literatura, Professor da Classe de Visitas, Ancião e,atualmente, Coordenador de Classe Bíblica.
  6. 6. 6COLOSSENSES 2:16Leandro Bertoldo Prefácio A razão da existência desta obra surgiu da necessidade de realizar um estudo popular esistemático de caráter didático, exegético, sintático e intertextual dos seguintes versículos:“Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneiranos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. Portanto ninguém vos julguepelo comer, ou pelo beber ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, quesão sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo” (Colossenses 2:14 e 16-17). A estrutura básica deste livro está fundamentada na análise lógica indutiva das idéiasexpressas nos versículos bíblicos acima considerados. A obra leva em consideração o contextoimediato e mediato dos referidos versículos. Também considera o capítulo, a epístola e toda asEscrituras Sagradas que porventura tenham relação com o assunto em pauta. Entre os princípiosbíblicos adotados nesta obra, destacam-se os seguintes: 1º. O princípio da sola Scriptura, que etimologicamente significa “somente a Escritura”,estabelece que a Bíblia e somente a Bíblia Sagrada é a norma de fé, conduta e doutrina.(Deuteronômio 4:2; Lucas 10:26; João 5:39; 10:35; Atos 17:11; Tiago 1:22); 2º. O princípio da nuda Scriptura, estabelece que a “Escritura interpreta-se com aprópria Escritura”. Na Hermenêutica tal princípio é conhecido como “interpretação contextual”.(Eclesiastes 7:27; Isaías 8:20; II Coríntios 13:8); 3º. O princípio da tota Scriptura, considera a análise da totalidade das EscriturasSagradas: Antigo e Novo Testamento. (Mateus 4:4; Romanos 15:4; II Timóteo 3:16-17). Este livro apresenta um caráter didático-popular de grau médio. Encontra-se dividido emtreze capítulos razoavelmente eqüitativos, que destrincham metodicamente as diferentes partesconstituintes dos versículos bíblicos registrados em Colossenses 2:14; 16-17. Tudo com vista auma profunda análise da anatomia do texto bíblico em observação. Devido ao meticuloso estudo dos versículos recortados, bem como à sua análisesistemática, algumas repetições são simplesmente inevitáveis, para não dizer que são até mesmonecessárias à perfeita compreensão da passagem bíblica considerada. O livro faz uma profunda análise hermenêutica do significado bíblico das palavras“cédula”, “ordenanças” e “sombras”; e das frases “contra nós”, “dias de festa”, “lua nova”, “dossábados” etc. Na maior parte das vezes a obra procura confrontar a Lei Moral com a LeiCerimonial e o Sábado Semanal com o Sábado Cerimonial, com o fito de destacar suasprincipais diferenças. Em alguns aspectos a obra é inovadora, sem querer ser pretensiosa. Os assuntos aquiabordados foram maciçamente pautados em dezenas de versículos bíblicos de natureza clara eobjetiva a qualquer leitor médio. Espero de coração, que os temas aqui ventilados sejam do maior interesse ao leitor, e queos meus esforços numa área tão difícil, sejam bem sucedidos em ajudar os estudiosos acompreenderem um pouco mais do rico e imenso universo que caracteriza as EscriturasSagradas. leandrobertoldo@ig.com.br
  7. 7. 7COLOSSENSES 2:16Leandro Bertoldo Capítulo 1 “Havendo riscado a cédula” “Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneiranos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz”. Colossenses 2:14 Em sua epístola aos Colossenses, o apóstolo Paulo afirma o seguinte: “havendo riscadoa cédula”. Com essa expressão ele procura informar aos seus leitores que uma determinadacédula foi riscada. O vocábulo “riscado” e “cédula” que aparecem no versículo bíblico em análise precisamser estudados mais minuciosamente para que o seu verdadeiro sentido, significado e alcancesejam plenamente compreendidos. A princípio, as perguntas que se manifestam na mente de qualquer pessoa interessada noassunto são as seguintes: – O que é uma “cédula”? – Qual é a definição apresentada pelas Escrituras Sagradas para a palavra “cédula”? – Em qual contexto as Escrituras Sagradas empregam a expressão “cédula”? – Em qual contexto a palavra “cédula” foi empregada pelo apostolo Paulo em suaepístola? Essas são algumas questões fundamentais que o presente capítulo vai procurar responder.1.2 A definição dos dicionários Pela definição do “Dicionário on-line de Português”, a expressão “cédula” é sinônimo dechapa, apontamento, bilhete, lembrança, nota e voto. O “Minidicionário Ediouro da Língua Portuguesa” define “cédula” do seguinte modo:“documento escrito, de natureza variada”. O “Dicionário Completo da Língua Portuguesa Folha da Tarde” define “cédula” como“documento escrito, para efeitos legais”, “papel representativo de moeda de curso legal”,“simples declaração de dívida, escrita, mas sem caráter legal”, “papelada com nome ou nomesde candidato(s) a cargo eletivo”. A Enciclopédia e Dicionário Ilustrado Koogan/Houaiss define o vocábulo “cédula” como“papel representativo de dinheiro de curso legal”; “papel com nome de candidato a cargoeletivo”; “chapa eleitoral”; “documento escrito”; “confissão de dívida escrita, mas nãolegalizada”; etc.1.3 A definição do texto original A Bíblia Sagrada foi escrita em hebraico, aramaico e grego. Sendo que o NovoTestamento foi totalmente escrito em grego. Do ponto de vista etimológico, a palavra traduzidaem português por “cédula” na Bíblia Sagrada produzida por João Ferreira de Almeida, vem dovocábulo grego χειρογραφον (“Textus Receptus”, Ed 1894), que corresponde a “keirographon”e tem o significado de “manuscrito”. Ao traduzir a Bíblia Sagrada do grego para o latim, Jerônimo verteu o vocábulo grego“keirographon” para “chirographum”.
  8. 8. 8COLOSSENSES 2:16Leandro Bertoldo O Padre Matos Soares, ao traduzir as Escrituras Sagradas, a partir da tradução latina feitapor Jerônimo para a língua portuguesa, transliterou o vocábulo “chirographum” para“quirógrafo”. Sabe-se que “quiro” tem o significado de mão, e “grafo” tem o significado dedescrever. Portanto, trata-se da mesma coisa que um “autógrafo”. De “quirógrafo” originou-se o adjetivo “quirografário” que juridicamente são os atos econtratos, que constam de documento particular não reconhecido em juízo. Por exemplo,“credor quirografário”, “dívida quirografária” etc. A “Sociedade Bíblia Britânica” e a “Almeida Revisada Imprensa Bíblica” verteram aexpressão grega “keirographon” para “escrito de dívida”. A “Versão Revisada” da Tradução de João Ferreira de Almeida verteu a referidaexpressão para “documento escrito”. A “Bíblia de Jerusalém” verteu tal expressão para “título de dívida”. A tradução feita pelo “Centro Bíblico Católico” a partir da versão dos monges demaredsous (Bélgica) verteu a referida expressão para a língua portuguesa como “documentoescrito”.1.4 A espécie de cédula Pesquisando a Bíblia Sagrada pode-se constatar que a palavra “cédula” (keirographon)aparece apenas uma vez em toda a extensão das Escrituras Sagradas. Ela foi aplicadaunicamente pelo apóstolo Paulo na passagem de Colossenses 2:14. Portanto, a análise rigorosa desse vocábulo depende somente da etimologia da palavra,da definição apresentada pelos dicionários e do contexto empregado por Paulo em sua carta aosColossenses. Como foi dito, a “Enciclopédia e Dicionário Ilustrado Koogan/Houaiss”, define aexpressão “cédula” como uma “confissão de dívida escrita, mas não legalizada”. O “Dicionário Completo da Língua Portuguesa da Folha da Tarde” define “cédula” como“simples declaração de dívida, escrita, mas sem caráter legal”. No mundo civilizado do Império Romano da época do apóstolo Paulo, a expressão“keirographon” referia-se juridicamente a um documento escrito pelo qual o devedor reconheciaa sua divida, mas sem o caráter legal. No contexto da passagem bíblica de Colossenses, o sentido para a expressão “cédula”(keirographon) indica, com toda certeza, uma dívida insolvente. Era um escrito de dívida, cujopreço estipulado teríamos que pagar. O preço era a morte eterna do pecador. Todavia, “Cristopagou preço infinito pela redenção do homem”. (I Testemunhos Seletos, 464). Para compreendermos o sentido de “keirographon” dentro do seu real contexto énecessário continuarmos dissecando o versículo bíblico em suas demais partes.1.5 O vocábulo “riscado” A outra palavra que precisamos analisar é o vocábulo “riscado”. Segundo informaçõescontidas no “Dicionário on-line de Português”, o vocábulo “riscado” é definido do seguintemodo: “que se riscou ou que tem riscos”; “marcado com riscos para fins de realce ou deexclusão” etc. Pela simples leitura do contexto bíblico do versículo considerado em Colossenses estáclaro que o vocábulo “riscado” tem fins de “exclusão”. Portanto, o “keirographon” (cédula) foi riscado, ou seja, excluído, invalidado, suprimido,cassado, cessado, abolido, eliminado, extinguido, apagado, cancelado, anulado, acabado,consumido, revogado, ab-rogado, derrogado, descontinuado, detido, interrompido, sobrestado,sustado, obstruído etc.
  9. 9. 9COLOSSENSES 2:16Leandro Bertoldo1.6 A lei moral Sem nenhuma base nas evidências apresentadas pelas Escrituras Sagradas, algumaspessoas, de forma inconseqüente, advogam a suposição ilusória de que a cédula riscada é umareferência à Lei Moral, ou seja: Os Dez Mandamentos. Ocorre que as conseqüências dessaobtusa suposição são totalmente absurdas. Observe: 1ª. A Bíblia Sagrada ensina que o pecado não existe onde não há lei (Romanos 4:15;5:13). Porém, caso a Lei Moral tivesse sido riscada na cruz isto implicaria na total abolição dopecado. Porém, como o pecado ainda continua sendo imputado aos pecadores, isto prova que aLei Moral não é a cédula que foi riscada; 2ª. Caso a Lei Moral tivesse sido riscada, então o apóstolo Paulo estaria sendocontraditório em suas cartas pastorais, especialmente porque em muitas passagens outraspassagens ele defende vigorosamente a observância da Lei Moral (Romanos 3:20; 3:31; 7:7;13:9); 3ª. Considerando que a Lei Moral tenha sido riscada na cruz, então Jesus Cristo ensinouinutilmente os Seus seguidores a observar estritamente os mandamentos de uma lei que seriaabolida alguns meses depois, com a sua morte na cruz (Mateus 5:27-28; Mateus 19:9; Marcos7:21; Lucas 18:20); 4ª. Supondo que a Lei Moral tenha sido riscada, então porque o apóstolo Paulo afirmouque ela não foi anulada. Eis o que ele disse em alto e bom som: “Anulamos, pois, a lei pela fé?De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei”. (Romanos 3:31); 5ª. Conforme anunciou o apóstolo Paulo, aqueles que estão vivendo na carne não sesujeitam à lei de Deus. Obviamente, aqueles que estão vivendo no espírito sujeitam-se à lei deDeus. Eis o que diz a Bíblia Sagrada: “Porquanto a inclinação da carne é inimizade contraDeus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Portanto, os que estão nacarne não podem agradar a Deus”. (Romanos 8:7-8). 6ª. Por meio do argumento de que a Lei Moral foi riscada na cruz, alguns desmentem ofato bíblico de que Jesus e os santos apóstolos guardaram e ensinaram por preceito e exemplo oscristãos a observarem todos os Dez Mandamentos expressos na Lei Moral. 7ª. Supondo que a Lei Moral tenha sido riscada na cruz, então porque Jesus Cristoensinou a observar os mandamentos dessa lei de maneira mais profunda e rigorosa do que vinhaaté então sendo observada? Eis o que disse Jesus: “Ouvistes que foi dito aos antigos: Nãocometerás adultério. Eu porém, vos digo que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar,já em seu coração cometeu adultério com ela”. (Mateus 5:27-28). 8ª. Através da suposição destituída de fundamento bíblico de que a Lei Moral foi riscadana cruz, os antagonistas da lei, contradizem o texto sagrado do Novo Testamento, o qual ensinaque: “qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado detodos”. (Tiago 2:10). 9ª. Caso a Lei Moral tenha sido riscada na cruz, então a qual lei Jesus Cristo, os santosapóstolos, o apóstolo Paulo e todos os demais escritores bíblicos estariam fazendo referência emsuas mensagens divinamente inspiradas? 10ª. Supondo que a Lei Moral tenha sido riscada na cruz, então por que Jesus Cristo nadacomentou a respeito dessa questão? Por que Paulo e todos os demais escritores bíblicospermaneceram no mais ensurdecedor silêncio sobre a suposta abolição da Lei Moral? A respostaé muito simples: A Lei Moral jamais foi riscada na cruz.1.7 As espécies de leis A Bíblia Sagrada faz referência a várias espécies de leis, as quais estão esparsas por todaextensão do livro intitulado “Lei de Moisés”, que são os primeiros cinco livros da BíbliaSagrada, e que são conhecidos como Pentateuco.
  10. 10. 10COLOSSENSES 2:16Leandro Bertoldo Entre essas leis constatam-se claramente a existência de distintos grupos normativos, quepodem ser classificados didaticamente do seguinte modo: “Leis Morais”, “Leis Cerimoniais”,“Leis Civis”, “Leis Criminais”, “Leis de Saúde”, “Leis de Higiene” etc. Evidentemente tais nomes não estão registrados nas páginas das Escrituras Sagradas,como também não estão registradas as palavras: Bíblia Sagrada, Trindade, Onisciência,Onipresença, Onipotência, Milênio, Milagre, Plano da Redenção etc. Porém, as “ideias” e os“conteúdos” que todas essas palavras expressam estão perfeitamente contidos nas EscriturasSagradas, por essa razão é lícito o emprego de tais palavras. Porém, palavras e idéias que nãoestão registradas na Bíblia sagrada podem ser antibíblicas. A exemplo tem-se a expressão latina“domingo”, cuja palavra e a idéia de dia santo não estão registradas nas Escrituras Sagradas. Entre todas essas leis, dois conjuntos normativos merecem uma análise especial parauma perfeita compreensão dos assuntos em discussão nesta obra. São elas: a “Lei Moral” e a“Lei Cerimonial”. A “Lei Moral” concretiza a conduta que todo homem deve ter para com Deus e para comos seus semelhantes. Essa lei distingue-se de todas as demais porque foi a única a ser escritapessoalmente pelo dedo de Deus em duas tábuas de pedras (Êxodo 31:18), e posteriormente foitranscrita por Moisés (Êxodo 20:3-17) para o livro intitulado Lei de Moisés. A “Lei Cerimonial” tornava possível a expiação dos pecados cometidos pelos homens.Esses pecados resultavam diretamente da transgressão da Lei Moral. O interessante é que a LeiCerimonial não foi escrita em tábuas de pedras e tampouco escrita pelo dedo de Deus; masMoisés a recebeu por inspiração divina e a escreveu diretamente para o chamado Livro da Leide Moisés.1.8 As Leis Moral e Cerimonial em Levítico Além de centenas de passagens bíblicas esparsas por toda extensão das EscriturasSagradas, considere o exemplo logo a seguir, onde a distinção e a relação existente entre a “LeiMoral” e a “Lei Cerimonial” estão apresentadas na Bíblia Sagrada: “E se qualquer outra pessoa do povo da terra pecar por erro, fazendo contra algum dosmandamentos do Senhor, aquilo que se não deve fazer, e assim for culpada. Ou se o seupecado, no qual pecou, lhe for notificado, [Lei Moral] então trará por sua oferta uma cabrafêmea sem mancha, pelo seu pecado que pecou. E porá a sua mão sobre a cabeça da expiaçãodo pecado, e degolará a expiação do pecado no lugar do holocausto [Lei Cerimonial]”.(Levítico 4:27-29). Nos três versículos supramencionados vislumbram-se claramente a existência de duasespécies de leis: Uma que é “transgredida”, quando o homem faz alguma coisa “contra algum dosmandamentos do Senhor” (Levítico 4:27). Essa lei é conhecida como “Lei Moral”. Nos mesmosversículos também se pode constatar a existência de outra lei que “foi ordenada por causa dastransgressões” (Gálatas 3:19) e que tem a função exclusiva de fazer “expiação do pecado”(Levítico 4:29) por meio do holocausto de animais no “culto divino” do “santuário terrestre”.Essa lei é conhecida como “Lei Cerimonial”. A transgressão da Lei Moral, expressa nos Dez Mandamentos levou o Senhor Deus a darao homem as ordenanças da Lei Cerimonial. A expiação de pecados por meio do holocausto deanimais eram sombras prefigurativas que apontavam para o sacrifício do “Cordeiro de Deus, quetira o pecado do mundo” (João 1:29).1.9 As Leis Moral e Cerimonial em Isaías
  11. 11. 11COLOSSENSES 2:16Leandro Bertoldo Assim como no livro de Levítico, o profeta Isaías também faz uma clara distinção entre a“Lei Moral” e a “Lei Cerimonial” no antigo culto divino realizado no santuário terrestre. Eis oque o profeta diz: “E aos filhos dos estrangeiros, que se chegarem ao Senhor, para o servirem, e paraamarem o nome do Senhor, sendo deste modo servos seus, todos os que guardarem o sábado,não o profanando, e os que abraçarem o meu concerto [Lei Moral]. Também os levarei aomeu santo monte, e os festejarei na minha casa de oração; os seus holocaustos e os seussacrifícios serão aceitos no meu altar [Lei Cerimonial], porque a minha casa será chamadacasa de oração para todos os povos”. (Isaías 56:6-7). Nos versículos supramencionados pode-se constatar facilmente que o profeta Isaíasdistinguia duas espécies de leis, caso contrário ele estaria sendo redundante. O profeta faz clara referência à Lei Moral quando menciona os estrangeiros convertidosque guardariam “o sábado, não o profanando, e os que abraçarem o meu concerto” (Isaías56:6). Também faz referência à Lei Cerimonial ao afirmar que “os seus holocaustos e os seussacrifícios serão aceitos no meu altar” (Isaías 56:7). A Lei Cerimonial de holocausto de animais vigoraria “até que viesse a posteridade”(Gálatas 3:19), isto é “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. (João 1:29). Quando Cristo expirou na cruz essa cédula foi riscada. Com isso chegou ao fim aeficácia dos sacrifícios dos animais para remissão de pecados, que estavam fiados no sacrifíciode Cristo. Nessas condições, a expiação de pecados não poderia mais ser alcançada com base nosangue de animais imolados no santuário terrestre. Agora a expiação de pecados somente éalcançada com base na eficácia do sangue de Cristo Jesus.
  12. 12. 12COLOSSENSES 2:16Leandro Bertoldo Capítulo 2 “que era contra nós” “Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneiranos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz”. Colossenses 2:14 O versículo bíblico em apreciação afirma que a cédula “era contra nós” (Colossenses2:14). Essa expressão será objeto de dissecação no presente capítulo. A princípio, as grandesquestões que surgem em nossa mente são as seguintes: Qual cédula era contra nós? Por quê acédula era contra nós? No que a cédula era contra nós? Essas são algumas perguntas fundamentais que o presente capítulo procurará responderempregando a própria Bíblia Sagrada. Usando uma simples “Concordância Bíblica” podemos facilmente constatar que existemvárias coisas que eram contra nós. A título de exemplo, observe as seguintes passagens bíblicas:1º. “as nossas maldades testifiquem contra nós” (Jeremias 14:7); 2º. “os nossos pecadostestificam contra nós” (Isaías 59:12); 3º. “o furor do Senhor, que se acendeu contra nós” (IIReis 22:13); 4º. “a ira do Senhor se acenda contra vós” (Deuteronômio 11:17). Examinando meticulosamente as coisas que era contra nós podemos identificarclaramente qual delas o apóstolo Paulo tinha em mente quando escreveu a sua célebre carta aosColossenses.2.2 A Lei Moral e “keirographon” Alguns comentaristas, profundamente arraigados numa descabida oposição ao que aBíblia Sagrada designa por “Lei de Deus” (Romanos 7:22; 25), procuram por todo tipo deargumento, por mais absurdo que seja, encontrar algum fiapo de evidência que venha justificar oseu total desprezo pela observância da lei divina, a qual foi pelo próprio dedo de Deus registradaem duas tábuas de pedra. Tamanha era sua importância que, posteriormente, foi transcrita porMoisés para o Livro da Lei. Esses comentaristas afirmam que o “keirographon” (cédula) “que era contra nós” tratava-se de uma simples metáfora referente à “Lei Moral”. Conforme o baixo “Quociente deInteligência” desses comentaristas, a Lei Moral era contra nós porque, ao proibir o pecado,fazia-o mais abundante, tornando-nos escravos e condenando-nos à morte. Todavia, o raciocíniomíope de que a “Lei Moral” era contra nós está totalmente desfocado dos fatos, especialmenteporque o referido argumento contradiz dezenas de passagens bíblicas que ensinam justamente ocontrário. Tais comentaristas deixam transparecer nas entrelinhas que seria melhor que a LeiMoral nunca tivesse existido, do que existindo levar o homem à escravidão e à morte. Para essescomentaristas seria melhor o homem ter ficado em seu estado carnal de depravação, semnenhuma restrição para dar vazão aos seus desejos pecaminosos e maléficos, do que ter uma leipara restringir tais práticas. 1º. Não é a lei que torna o pecado abundante. A lei não produz e nem cria os pecados.Essa não é a sua função. Além disso, a própria lei não é pecado. Pelo menos é isso que diz aBíblia Sagrada: “Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum”. (Romanos 7:7). Narealidade o pecado é abundante por causa da natureza carnal decaída do ser humano. A lei nãoamplia, não multiplica e nem desenvolve o pecado. Sua função primordial consiste em“mostrar” ao homem o que é pecado, justamente para restringir o pecado e não para aumentá-lo.
  13. 13. 13COLOSSENSES 2:16Leandro BertoldoCaso todos os homens fossem santos, puros e perfeitos, não haveria pecado no mundo e aexistência da lei divina em nada alteraria o estado de pureza e santidade do homem. É claro queonde há pecadores, também há pecados, razão pela qual o pecado mostra-se abundante. Quemcomete pecados são os seres humanos e não a lei divina. Como foi dito, a lei simplesmentemostra ao homem o pecado. Eis o que diz a Bíblia Sagrada: “Porque pela lei vem oconhecimento do pecado”. “Eu não conheci o pecado senão pela lei”. (Romanos 3:20; 7:7). 2º. Não é a lei que nos torna escravos, mas sim o pecado em nossa natureza carnal quenos escraviza. Em outros termos, os homens não são escravos da lei, mas escravos do pecado.Pelo menos este é o ensino bíblico: “Todo o que comete pecado é escravo do pecado”. (João8:34). “Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servosdaquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?”.(Romanos 6:16). 3º. Não é a lei que nos leva à morte, mas sim o pecado. Eis o que diz a Bíblia Sagrada:“Porque o salário do pecado é a morte”. (Romanos 6:23). “O pecado, sendo consumado, geraa morte” (Tiago 1:15). “Ora o aguilhão da morte é o pecado”. (I Coríntios 15:56). 4º. A única conclusão lógica e honesta que faz sentido com a suposta abolição da lei é aseguinte: Ao morrer Jesus Cristo aboliu os Dez Mandamentos, sacrificando a Sua própria vidapara que pudéssemos pecar. Diante do exposto não é possível enquadrar a Lei Moral como uma cédula que era contranós com base na obtusa suposição de que ela torna o pecado abundante, levando o homem àescravidão e à morte, simplesmente porque ela não faz nada disso.2.3 A cédula riscada “que era contra nós” A cédula riscada e “que era contra nós” não se refere à Lei Moral, simplesmente porqueo próprio apóstolo Paulo afirma que “a lei é boa, se alguém dela usa legitimamente” (I Timóteo1:8). Também afirma que “a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom” (Romanos 7:12).Como pode a lei que é boa ser contra nós? Como pode o mandamento da lei que é santo, justo ebom ser contra nós? Tenha paciência! Paulo apresentou o seguinte testemunho pessoal a respeito da Lei de Deus: “segundo ohomem interior, tenho prazer na lei de Deus”. Em outro passo o referido escritor diz: “eumesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus”. (Romanos 7:22; 25). Como pode o apóstoloPaulo ter “prazer” em “servir” a uma lei riscada e que ainda “era contra nós”? Supondo que a Lei de Deus seja “contra nós”, então porque Paulo afirmou que “a lei nãoé feita para o justo, mas para os injustos e obstinados, para os ímpios e pecadores, para osprofanos e irreligiosos, para os parricidas e matricidas, para os homicidas. Para osfornicários, para os sodomitas, para os roubadores de homens, para os mentirosos, para osperjuros, e para o que for contrário à sã doutrina”. (I Timóteo 1:9-10)? Caso a Lei de Deus pudesse ser contra nós, então porque Paulo apresentou o seguinte osseguintes argumentos: “Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum”. (Romanos 7:7).“Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei”. (Romanos3:31). Decididamente, essas não são afirmações de uma lei riscada que era contra nós. Supondo que a lei de Deus tivesse sido riscada não deveria haver mais pecadores na faceda Terra, especialmente porque “onde não há lei também não há transgressão” e “o pecadonão é imputado, não havendo lei”. (Romanos 4:15; 5:13). A Bíblia Sagrada não contém contradições. As contrações encontram-se nasinterpretações que os homens dão às Escrituras Sagradas. Seria totalmente contraditório suporque a epístola aos Colossenses advoga que os Dez Mandamentos foram riscados porque eracontra nós, enquanto que todo restante do Novo Testamento torna a repetir incisivamente aobrigatoriedade de observar cada um dos Dez Mandamentos.
  14. 14. 14COLOSSENSES 2:16Leandro Bertoldo2.4 O Pecado e “keirographon” Outros pesquisadores supõem que “keirographon” – expressão vertida para a línguaportuguesa por João Ferreira de Almeida como “cédula” – o qual “era contra nós”, refere-se aospecados. Realmente, “os nossos pecados testificam contra nós” (Isaías 59:12). Porém, asuposição de que de que “keirographon” é uma referência ao pecado não está em harmonia como próprio contexto do versículo bíblico em análise. Vejamos: 1º. O versículo diz o seguinte: “Havendo riscado a cédula que era contra nós”.(Colossenses 2:14). Ora, uma cédula foi riscada, logo ela não deveria vigorar mais contra nós.No entanto, o pecado continua reinando contra nós. Eis o que diz a Bíblia Sagrada: “Não reineportanto o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências”.(Romanos 6:12). “Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido oconhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados”. (Hebreus 10:26). “Aindanão resististes até ao sangue, combatendo contra o pecado”. (Hebreus 12:4). “Se dissermos quenão temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós”. (I João 1:8). 2º. O versículo esclarece que a cédula “era contra nós”. Uma análise gramatical mostraque o vocábulo designado pela expressão “era” trata-se de uma conjugação do pretéritoimperfeito do verbo irregular “ser”. Isto indica que no passado o “keirographon” era contra nós;porém, tendo sido riscado ele não pode mais ser contra nós. Contudo o pecado ainda continuaem pleno vigor. Eis o que diz a Bíblia Sagrada: “Se dissermos que não temos pecado,enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós”. “Se dissermos que não pecamos,fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós”. (I João 1:8 e 10). “Que diremos pois?Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós, que estamosmortos para o pecado, como viveremos ainda nele?”. (Romanos 6:1-2). “Porque o salário dopecado é a morte”. (Romanos 6:23).2.5 A Lei Cerimonial e “keirographon” Qual era o “keirographon” (cédula) que era contra nós e que foi riscado? Bem,primeiramente devemos lembrar que a diferença entre a Lei Moral escrita por Deus em duastábuas de pedra e a Lei Cerimonial escrita por Moisés no livro da lei é muito grande. São leistotalmente distintas. Enquanto as duas tábuas de pedra foram colocadas dentro da arca doconcerto, o livro da lei foi colocado do lado de fora ao lado da arca do concerto: “Tomai estelivro da lei, e ponde-o ao lado da arca do concerto do Senhor vosso Deus, para que ali estejapor testemunha contra ti”. (Deuteronômio 31:26). O profeta Daniel afirmou que o Messias riscaria (suprimiria, cessaria, aboliria,eliminaria, extinguiria, cancelaria, anularia, acabaria etc.) o concerto do cerimonial religioso deculto divino representado pelo “sacrifício e a oferta de manjares”, que eram realizados pelossacerdotes levitas no santuário terrestre. Observe o que diz a Bíblia Sagrada: “E ele [Messias] firmará um concerto com muitos por uma semana: e na metade dasemana fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares”. (Daniel 9:27). Portanto, está claro que a cédula que era contra nós encontra perfeito respaldo no AntigoConcerto expresso pelas ordenanças da Lei Cerimonial, a qual estabelecia a remissão de pecadospelo holocausto de animais porque “sem derramamento de sangue não há remissão”. (Hebreus9:22). Além disso, as Escrituras Sagradas ensinam que a cédula representada pelas ordenançasda Lei Cerimonial “é uma alegoria para o tempo presente, em que se oferecem dons esacrifícios... consistindo somente em manjares, e bebidas, e várias abluções e justificações dacarne, impostas até ao tempo da correção”. (Hebreus 9:9-10).
  15. 15. 15COLOSSENSES 2:16Leandro Bertoldo Os cerimoniais de purificação de pecados realizados sob a vigência daquela cédula“servem de exemplar e sombra das coisas celestiais”. (Hebreus 8:5). “De sorte que era bemnecessário que as figuras das coisas que estão no céu assim se purificassem; mas as própriascoisas celestiais com sacrifícios melhores do que estes”. (Hebreus 9:23). Como “alegoria para o tempo presente”, “exemplar das coisas celestiais” e “figurasdas coisas que estão no céu”, as ordenanças da Lei Cerimonial não possuíam, em si mesmas,nenhuma eficácia, mas estavam fiadas unicamente no sucesso do sacrifício do Messias. “Porqueé impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados”. (Hebreus 10:14). Essasordenanças cerimoniais simplesmente apontavam para o sacrifício supremo do “Cordeiro deDeus, que tira o pecado do mundo”. (João 1:29). Com a morte do “Cordeiro de Deus”, asordenanças de sacrifícios de animais perderam sua eficácia porque cumpriram seu desígnio.2.6 Uma cédula contra nós A seguir apresentamos brevemente duas perguntas que exigem uma resposta clara eobjetiva da Bíblia Sagrada: Como a cédula (keirographon) em suas ordenanças cerimoniais “eracontra nós”? Em que essa cédula era contra nós? Bem, as razões são várias, mas vamos deixar que a própria Bíblia Sagrada aponte para asrespostas corretas: 1º. O keirographon (cédula) cerimonial expresso no primeiro concerto era contra nósporque era repreensível: “Porque, se aquele primeiro fora irrepreensível, nunca se teriabuscado lugar para o segundo”. (Hebreus 8:7). 2º. O keirographon (cédula) cerimonial expresso no antigo concerto era contra nósporque havia envelhecido e deveria acabar: “Dizendo Novo Concerto, envelheceu o primeiro.Ora, o que foi tornado velho, e se envelhece, perto está de acabar”. (Hebreus 8:13). 3º. O keirographon (cédula) cerimonial era contra nós porque os sacrifícios realizados no“santuário terrestre” eram inferiores aos celestiais: “De sorte que era bem necessário que asfiguras das coisas que estão no céu assim se purificassem; mas as próprias coisas celestiaiscom sacrifícios melhores do que estes”. (Hebreus 9:23). 4º. O keirographon (cédula) cerimonial do primeiro concerto era contra nós porqueclaramente “nenhuma coisa aperfeiçoou”. (Hebreus 7:19). 5º. O keirographon (cédula) cerimonial do antigo concerto era contra nós porque “nunca,pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que aeles se chegam”. (Hebreus 10:1). 6º. O keirographon (cédula) cerimonial do primeiro concerto era contra nós porque osadoradores continuavam com a consciência de pecado: “Doutra maneira, teriam deixado de seoferecer, porque, purificados uma vez os ministrantes, nunca mais teriam consciência depecado”. (Hebreus 10:2) 7º. O keirographon (cédula) cerimonial do antigo concerto era contra nós porque ossacrifícios de animais jamais podem tirar pecados: “E assim todo sacerdote aparece cada dia,ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar pecados”(Hebreus 10:11). 8º. O keirographon (cédula) cerimonial do primeiro concerto era contra nós “porque éimpossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados”. (Hebreus 10:14). “À medida que se apartavam de Deus, os judeus perderam de vista em grande parte osensinos do serviço ritual. Esse serviço fora instituído pelo próprio Cristo. Era, em cada uma desuas partes, um símbolo dEle; e mostrara-se cheio de vitalidade e beleza espiritual. Mas osjudeus perderam a vida espiritual de suas cerimônias, apegando-se às formas mortas. Confiavamnos sacrifícios e ordenanças em si mesmos, em lugar de descansar nAquele a quem apontavam.A fim de suprir o que haviam perdido, os sacerdotes e rabis multiplicavam exigências por suaconta; e quanto mais rígidos se tornavam, menos manifestavam o amor de Deus”. (O Desejadode Todas as Nações, 29).
  16. 16. 16COLOSSENSES 2:16Leandro Bertoldo2.7 Cédula riscada As Escrituras Sagradas deixam claro que o “keirographon” – concerto de expiação depecados pelo holocausto de animais ministrado pelo sacerdócio levítico – foi totalmente riscado,razão pela qual nenhum cristão realiza sacrifícios de animais para alcançar o perdão dos seuspecados. Lembre-se que o vocábulo “riscado” tem o sentido de suprimir, cessar, abolir, eliminar,extinguir, apagar, cancelar, anular, acabar, consumir, revogar, excluir etc. Agora observe comoessa cédula foi riscada: 1º. A Bíblia Sagrada ensina que na metade da semana profética (3,5 anos) o Messiasriscaria (cessaria) o concerto de “sacrifício” de animais e “ofertas de manjares” ministradospelos sacerdotes levitas no “santuário terrestre”. Observe: “E ele firmará um concerto commuitos por uma semana: e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferta demanjares”. (Daniel 9:27). 2º. A cédula que era contra nós foi riscada porque o Senhor não se agradou comsacrifício e oferta de manjares. Eis o que diz a Bíblia Sagrada: “Sacrifício e oferta, eholocaustos e oblações pelo pecado não quiseste, nem te agradaram (os quais se oferecemsegundo a lei)”. (Hebreus 10:8). 3º. O sacerdócio levítico foi levantado segundo a ordem de Aarão, mas foi riscado esubstituído pelo sacerdócio de Cristo, que foi levantado segundo a ordem de Melquisedeque:“De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico (porque sob ele o povo recebeu alei), que necessidade havia logo de que outro sacerdote se levantasse, segundo a ordem deMelquisedeque, e não fosse chamado segundo a ordem de Aarão?” (Hebreus 7:11). 4º. A cédula que era contra nós foi riscada e substituída por outra: “Tira o primeiro, paraestabelecer o segundo”. (Hebreus 10:9). O vocábulo “primeiro” é uma referência ao AntigoConcerto de expiação de pecados pelo sacrifício de animais; enquanto que o vocábulo“segundo” é uma referência ao Novo Concerto de expiação de pecados pelo sacrifício de Cristo. 5º. A cédula que era contra nós foi riscada causando a mudança do sacerdócio e da leisacerdotal. Eis o que diz a Bíblia Sagrada: “Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamentese faz também mudança da lei”. (Hebreus 7:12). Destarte, a mudança do sacerdócio acarretou amudança da lei do sacerdócio levítico para a lei do sacerdócio de Cristo. 6º. A cédula que era contra nós foi riscada por causa de sua fraqueza e inutilidade:“Porque o precedente mandamento é ab-rogado por causa da sua fraqueza e inutilidade”.(Hebreus 7:18). Por essa razão a lei sacerdotal do ministério levítico foi removida e em seulugar foi estabelecida a lei sacerdotal do ministério de Cristo, “perfeito para sempre” (Hebreus7:28) e estabeleceu o “mais perfeito tabernáculo”. (Hebreus 9:11). 7º. A cédula de remissão dos pecados pelo sangue de animais foi riscada e perdeu a suaeficácia, passando vigorar o concerto de remissão dos pecados pelo sangue de Cristo, o qual “seentregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave” (Efésios 5:2). Eiso que disse Jesus: “Porque isto é o meu sangue, o sangue do Novo Testamento, que éderramado por muitos, para remissão dos pecados”. (Mateus 26:28). 8º. Com a morte de Cristo foi definitivamente riscada a eficácia das ordenançasrealizadas do “santuário terrestre” (Hebreus 8:13-9:1): “E eis que o véu do templo se rasgouem dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras”. (Mateus 27:51). “Na primavera de 31 d.C., Cristo, o verdadeiro sacrifício, foi oferecido no Calvário.Então o véu do templo se rasgou em dois, mostrando que a santidade e significação do serviçosacrifical desapareceram. Chegara o tempo de cessar o sacrifício terrestre e a oblação”(Desejados de Todas as Nações, 233). “A ruptura do véu do templo mostrou que ossacrifícios e ordenanças judaicos não mais seriam recebidos. O grande Sacrifício havia sidooferecido e aceito, e o Espírito Santo, que desceu no dia de Pentecoste, levou a mente dosdiscípulos do santuário terrestre para o celestial, onde Jesus havia entrado com o Seu própriosangue, a fim de derramar sobre os discípulos os benefícios de Sua expiação. Mas os judeus
  17. 17. 17COLOSSENSES 2:16Leandro Bertoldoforam deixados em trevas completas. Perderam toda a luz que podiam ter recebido sobre o planoda salvação, e ainda confiavam em seus inúteis sacrifícios e ofertas”. (História da Redenção,306). Quando Cristo expirou na cruz, o ministério sacerdotal levítico com suas múltiplasordenanças de holocaustos e ofertas pelo pecado foi definitivamente abolido (Daniel 9:27;Mateus 27:51; Colossenses 2:14,16-17), passando a vigorar em seu lugar o ministério sacerdotalde Cristo. Isto implica que o “keirographon” (cédula), onde o pecador confessava a sua dívida(pecado) perante o Senhor Deus foi riscada. Naquela cédula de confissão de dívida, o pecadorreconhecia que era devedor (culpado) e que merecia receber o salário do pecado (a morte).Porém, em sua infinita misericórdia o Senhor Deus permitia que o pecador “confesso”substituísse a sua própria morte pela morte sacrifical de um animal limpo, tudo conforme osrequisitos prescritos na Lei Cerimonial.
  18. 18. 18COLOSSENSES 2:16Leandro Bertoldo Capítulo 3 “nas suas ordenanças” “Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneiranos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz”. Colossenses 2:14 Em que o “keirographon” (cédula) era contra nós? Eis como a Bíblia Sagrada responde a esta pergunta: – “Nas suas ordenanças”. Portanto, Paulo ensina claramente que a cédula era contra nós “nas suas ordenanças”.Mas então o que significa a palavra “ordenanças”? Pesquisando o “Dicionário online de Português” a expressão “ordenança” tem osignificado de ordem, lei ou regulamento militar. Por sua vez a palavra “ordem” apresentavários sentidos, a saber: disposição das coisas de acordo com a sua categoria. Regras, leis,estruturas que constituem uma sociedade. Classe, categoria, posição, mérito. Lei geralproveniente do costume, da autoridade. Sociedade religiosa cujos membros fazem voto de viversob certas regras etc. O “Standard Dictionary” define claramente o vocábulo ordenança como sendo “um ritoreligioso ou cerimonial ordenada por autoridade divina ou eclesiástica”. O que a Bíblia Sagrada tem a dizer sobre o significado da expressão “ordenanças”? Emqual contexto as Escrituras Sagradas empregam o vocábulo “ordenanças”? Em quais situações oAntigo Testamento aplica a expressão “ordenanças”? Que ordenanças eram essas? Essas sãoalgumas perguntas fundamentais que o presente capítulo procurará responder.3.2 Ordenanças cerimoniais O que o “Novo Testamento” tem a dizer sobre o significado da expressão “ordenanças”?Em que sentido a expressão “ordenanças” é empregada nas demais cartas do apóstolo Paulo? Em resposta a essas perguntas primeiramente vamos considerar a carta endereçada aosHebreus, onde o autor mostra claramente o que ele entendia pela expressão bíblica“ordenanças”, ao expor a todos como ela era aplicada e compreendida em sua época. “Dizendo Novo Concerto, envelheceu o primeiro. Ora, o que foi tornado velho, e seenvelhece, perto está de acabar. Ora também o primeiro tinha ordenanças de culto divino, eum santuário terrestre”. (Hebreus 8:13; 9:1). Quando o escritor da carta aos Hebreus diz textualmente que o “primeiro” concerto“tinha ordenanças de culto divino, e um santuário terrestre”, ele está deixando bem claro aosseus leitores que as “ordenanças” não se referem aos Dez Mandamentos, mas referem-se aocerimonial religioso ministrado pelos sacerdotes levitas, com seus múltiplos sacrifícios deexpiação de pecados pelo sangue de animais, os quais eram realizados somente no lugar ondeestava instalado o “santuário terrestre”. Depois de discorrer sobre a formação e constituição do “santuário terrestre”, o autor daepístola aos Hebreus conclui o seu raciocínio sobre o significado das “ordenanças” afirmando“que é uma alegoria para o tempo presente, em que se oferecem dons e sacrifícios que, quantoà consciência, não podem aperfeiçoar aquele que faz o serviço; consistindo somente em
  19. 19. 19COLOSSENSES 2:16Leandro Bertoldomanjares, e bebidas, e várias abluções e justificações da carne, impostas até ao tempo dacorreção”. (Hebreus 9:9-10). Para um bom entender meia palavra basta. Está claro, claríssimo de que as “ordenanças”estavam relacionadas com o “culto divino” e com o “santuário terrestre”, que faziam parte doantigo concerto de sacrifícios de animais para expiação de pecados. À luz da carta aos Hebreus é indefensável a suposição de que a expressão “ordenanças”refere-se à Lei Moral, simplesmente porque o contexto de Hebreus vincula as ordenanças com ocerimonial de “culto divino” realizado pela ordem sacerdotal levítica no “santuário terrestre”.Pelas Escrituras Sagradas, as ordenanças consistiam em várias orientações cerimoniais, queantes da cruz os antigos crentes estavam obrigados a praticar. Verdadeiramente era um autêntico“escrito de dívida”.3.3 Etimologia de “keirographon” Etimologicamente a palavra “keirographon”, que foi traduzida por João Ferreira deAlmeida pela expressão “cédula”, refere-se a uma nota de crédito contendo valores devidos; umdocumento reconhecendo uma dívida; uma confissão de dívida, uma obrigação de pagamento,uma cédula de dívida etc. Trata-se de uma declaração formal de débito, onde o devedorreconhece que está em dívida tendo a obrigação de pagar o preço indicado. Todos sabem que “o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23) e, sob a égide dasordenanças dessa cédula, o pecador reconhecia a sua dívida (pecado) perante Deus quandorealizava as ordenanças prescritas referentes aos cerimoniais de holocausto de animais, tendo emvista o pagamento do preço declarado por sua transgressão: a morte. Evidentemente, o ritualtodo era uma “alegoria”, cuja eficácia estava fiada na futura morte do “Cordeiro de Deus, quetira o pecado do mundo”. (João 1:29). Como o sangue de animais era totalmente inútil para o pagamento do salário do pecado“porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados”. (Hebreus 10:14),Cristo veio a este mundo e pagou o preço da dívida que todos os pecadores haviam contraído.Jesus pagou o preço dos nossos pecados, morrendo em nosso lugar. Cristo pagou a nossa dívidacom a sua própria vida. Porém, a eficácia da morte de Cristo alcança o pecador somente quandoele se arrepende de seus pecados e se converte para os caminhos do Senhor. Portanto, torna-seindispensável que o pecador venha mudar a sua maneira de viver, submetendo-se ao senhorio deCristo em obediência às santificadoras normas da Lei Moral. “Anulamos, pois, a lei pela fé? Demaneira nenhuma, antes estabelecemos a lei”. (Romanos 3:31).3.4 Lei que consistia em ordenanças Além das cartas aos Colossenses e aos Hebreus, Paulo também empregou a expressão“ordenanças” em sua carta escrita aos Efésios, onde o autor esclarece o que ele entende pelaexpressão “ordenanças”. “Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia emordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz”. (Efésios 2:15). Paulo afirma claramente que Cristo “desfez” a “lei dos mandamentos”. Ocorre que nasEscrituras Sagradas existem centenas de leis e mandamentos. Então, a pergunta que se faz é aseguinte: – A qual “lei dos mandamentos” o apóstolo Paulo estaria se referindo em sua carta aosEfésios? Observe como o santo apóstolo responde com clareza meridiana a essa pergunta: – “A lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças”.
  20. 20. 20COLOSSENSES 2:16Leandro Bertoldo Ora, sabemos que “a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças” não era a LeiMoral, cuja suma encontra-se expressa no Decálogo, mas trata-se da Lei Cerimonial ministradapelo sacerdócio levítico. Paulo – notável doutor da lei – tinha em mente que as “ordenanças” eram as LeisCerimoniais de holocausto de animais, que eram sacrificados no pátio do santuário terrestre.Como prova dessa afirmação verifica-se que o próprio apóstolo esclarece que o primeiroconcerto “tinha ordenanças de culto divino, e um santuário terrestre” (Hebreus 9:1). Diante do exposto torna-se evidente que a “a lei dos mandamentos, que consistia emordenanças” nada mais era do que os cerimoniais de “culto divino” realizados no “santuárioterrestre” por meio dos holocaustos de animais. Paulo jamais considerou que as “ordenanças” fossem os Dez Mandamentos, sobretudoporque em muitas outras passagens bíblicas, Jesus, os apóstolos e o próprio Paulo defendemvigorosamente por preceito e exemplo a observância de todos os mandamentos da Lei Moral. Caso o apóstolo Paulo estivesse considerando que os mandamentos da Lei Moral eram as“ordenanças” que foram riscadas, então ele estaria na contramão das Escrituras Sagradas econtradizendo os seus próprios escritos sobre o assunto, o que não é o caso. As EscriturasSagradas não possuem contradições. As contradições encontram-se nas interpretaçõesequivocadas produzidas pela mente humana.3.5 Ordenanças no Antigo Testamento O significado, conteúdo e aplicação da palavra “ordenanças” devem ser procurados comexclusividade absoluta nas páginas da Bíblia Sagrada, haja vista que “a Escritura interpreta-secom a própria Escritura”. Uma simples pesquisa de concordância bíblica mostra claramente que a palavra“ordenanças” é citada em várias partes das Escrituras Sagradas, especialmente no AntigoTestamento, razão pela qual é possível verificar em qual sentido ela foi empregada pelosdiversos escritores bíblicos. Vejamos as situações em que a Bíblia Sagrada reconhece e aplica apalavra “ordenanças” (plural) ou “ordenança” (singular): “Disse mais o Senhor a Moisés e a Aarão: Está é a ordenança da páscoa; nenhum filhodo estrangeiro comerá dela”. (Êxodo 12:43). “O castiçal puro com suas lâmpadas, as lâmpadas da ordenança, e todos os seus vasos,e o azeite para a luminária”. (Êxodo 39:37). “E os estatutos, e as ordenanças, e a lei, e o mandamento, que vos escreveu tereiscuidado de observar todos os dias: e não temereis a outros deuses”. (II Reis 17:37). “Pois que, porquanto primeiro vós assim o não fizestes, o Senhor fez rotura em nós,porque o não buscamos segundo a ordenança”. (I Crônicas 15:13). “E não guardastes a ordenança das minhas cousas sagradas; antes vos constituístes, avós mesmos guardas da minha ordenança no meu santuário”. (Ezequiel 44:8). “Contudo, eu os constituirei guardas da ordenança da casa, em todo o seu serviço, e emtudo o que nela se fizer”. (Ezequiel 44:14). “Mas os sacerdotes levíticos, os filhos de Zadoque, que guardaram a ordenança do meusantuário, quando os filhos de Israel se extraviaram de mim, se chegarão a mim, para meservirem, e estarão diante de mim, para me oferecerem a gordura e o sangue, diz o SenhorJeová”. (Ezequiel 44:15).
  21. 21. 21COLOSSENSES 2:16Leandro Bertoldo “Eles entrarão no meu santuário, e se chegarão à minha mesa, para me servirem, eguardarão a minha ordenança”. (Ezequiel 44:16). “E será para os sacerdotes santificados dentre os filhos de Zadoque, que guardaram aminha ordenança, que não andaram errados, quando os filhos de Israel se extraviaram, comose extraviaram os outros levitas”. (Ezequiel 48:11). Nas Escrituras Sagradas existem vinte e duas referências sobre os vocábulos “ordenança”ou “ordenanças”. Dentro do contexto religioso, é digno de nota observar que as “ordenanças”estão vinculadas com exclusividade absoluta às Leis Cerimoniais do antigo culto divino, asquais regiam as atividades sacerdotais no “santuário terrestre”. Aliás, é exatamente isso que oautor de Hebreus afirma: “Ora também o primeiro tinha ordenanças de culto divino, e umsantuário terrestre”. (Hebreus 9:1). Destarte, havia a “ordenança da páscoa” (Êxodo 12:42); as“lâmpadas da ordenança” (Êxodo 39:37); “ordenança do santuário” (Ezequiel 44:8, 15) etc. Em seu aspecto religioso, os vocábulos “ordenança” (singular) ou “ordenanças” (plural)são aplicados pela Bíblia Sagrada tão-somente aos cerimoniais relacionados ao sacerdóciolevítico. Sob essa perspectiva o “Standard Dictionary” está correto em definir a palavra“ordenança” como rito religioso ou cerimonial ordenado por autoridade divina ou eclesiástica.3.6 Lei Moral e as ordenanças Diferentemente da Lei Cerimonial, uma pesquisa exaustiva na Concordância Bíblicamostra que a palavra “ordenanças” nunca foi empregada nas Escrituras Sagradas insinuandoqualquer relação com os Dez Mandamentos. Em geral, a Bíblia Sagrada se refere ao Decálogo ou a qualquer um de seusmandamentos por expressões tais como: “lei de Deus” (Romanos 7:22; 7:25; 8:7),“mandamentos” (Marcos 10:19; Lucas 18:20) ou “mandamentos de Deus” (Apocalipse 12:17;14:12). Porém, a Santa Palavra jamais empregou a expressão “ordenança” ou “ordenanças” paradesignar o Decálogo ou qualquer um dos seus mandamentos. Diante do exposto ficademonstrado que a expressão bíblica “ordenanças” restringe-se tão-somente às LeisCerimoniais.3.7 Diversidade de leis As Escrituras Sagradas fazem uma inteligente distinção entre “ordenanças”, “estatutos”,“lei” e “mandamento” (II Reis 17:34). Isto indica que o termo “ordenanças” é um nomeespecífico e distinto dos demais, o qual não engloba “estatutos”, “leis” e “mandamentos”, casocontrário os escritores bíblicos estariam sendo redundantes em seus escritos. Portanto, a palavralei não engloba todas as leis registradas na Bíblia Sagrada. É evidente a todos que as leisrelacionadas com os sacrifícios de animais são distintas da lei expressa nos Dez Mandamentos,tanto pela sua origem e finalidade. O apóstolo Paulo faz referência à lei em Romanos 7:7. Porém, para saber a qual espéciede lei ele estava se referindo basta simplesmente verificar o contexto da passagem considerada,onde fica claro que Paulo estava tratando dos Dez Mandamentos. Isto porque o apóstolo citouum de seus preceitos: “não cobiçarás”, que é preceito do Decálogo. Tiago também fazalusão à lei (Tiago 2:10-11). Mas, para saber a qual lei ele estava se referindo basta verificar ocontexto dos versículos, onde ele cita dois preceitos do Decálogo (matar e adulterar). Porém, nocaso de Colossenses não consta nenhum dos preceitos dos Dez Mandamentos. Para ser honestoo vocábulo “lei” nem mesmo é mencionado no texto de Colossenses, mas é feita apenasreferência às ordenanças, as quais não englobam os Dez Mandamentos.
  22. 22. 22COLOSSENSES 2:16Leandro Bertoldo3.8 Contrastes entre leis A “cédula que era contra nós nas suas ordenanças” (Colossenses 2:14) não se refere demaneira alguma à Lei Moral ou mesmo à sua súmula: o Decálogo. Em todo contexto doversículo de Colossenses não existe a menor sombra de referência a qualquer preceito moral.Em sua carta, o apóstolo Paulo está fazendo referência às ordenanças da Lei Cerimonial, com osseus múltiplos holocaustos de animais, que eram realizados no santuário terrestre para expiaçãode pecados. O Decálogo é uma Lei Moral que define o que é pecado, mas não realiza expiaçãode pecados, não purifica o pecador, não perdoa o transgressor, não justifica ninguém de seuspecados e não salva os pecadores dos seus pecados, porque essa não é a sua função oufinalidade. A Lei Moral aponta para o pecado, o qual somente pode ser purificado peloderramamento de sangue, haja vista que “sem derramamento de sangue não há remissão”(Hebreus 9:22). Destarte, antes da cruz o pecador era purificado de todos os seus pecados(transgressão da lei) exclusivamente pelo sangue de animais. Após a cruz o pecador é purificadode todos os seus pecados (transgressão da lei) exclusivamente pelo sangue de Cristo (I João 1:7). As Leis Cerimoniais do culto divino tinham uma função totalmente diferente da LeiMoral, representada pelo Decálogo. Enquanto as ordenanças da Lei Cerimonial realizavamexpiação de pecados por meio dos holocaustos de animais, cuja eficácia estava fiada na mortedo “Cordeiro de Deus”; a Lei Moral apontava e ainda aponta para o pecado. Sendo que o saláriodo pecado é a morte eterna do transgressor da Lei Moral.
  23. 23. 23COLOSSENSES 2:16Leandro Bertoldo Capítulo 4 “a qual de alguma maneira nos era contrária” “Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneiranos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz”. Colossenses 2:14 A expressão “a qual” é um pronome relativo variável feminino que se encontraexpresso no grau de número conhecido como singular, e retoma a idéia do que foi ditoanteriormente. Portanto, esse pronome relativo na carta aos Colossenses não está se referindo àexpressão “ordenanças”, haja vista que tal palavra encontra-se no grau do plural. Na carta de Paulo a expressão “a qual”, está retomando ao vocábulo anterior “cédula”,possuindo todas as características de sua concordância nominal. Destarte, Paulo tinha em mentea cédula que “de alguma maneira nos era contrária”. A frase de Paulo: “de alguma maneira”, expressa algo não definido, indeterminado,incerto etc. Portanto, a expressão paulina: “a qual de alguma maneira nos era contrária”, mostraque a própria cédula era censurável porque havia nela algo não declarado explicitamente que atornava inconveniente aos adoradores. Pelo discernimento espiritual que Paulo possuía arespeito das Escrituras Sagradas, ele percebeu que a cédula tinha alguma sutileza que era nãoobvia a todos. Era algo tão sutil que o apóstolo não revelou objetivamente do que se tratava, masapenas declarou que a cédula “de alguma maneira nos era contrária”.4.2 Lei Moral Paulo afirma que a cédula (keirographon) “era contra nós” e que “de alguma maneira nosera contrária”. Porém, a grande pergunta que se faz é a seguinte: – Qual era a cédula mencionada na Bíblia Sagrada que de alguma maneira nos eracontrária? Evidentemente, o apostolo não está se referindo à Lei Moral, simplesmente porque osDez Mandamentos não “era contra nós”, que somos espirituais. Seria impossível conviverharmoniosamente com o nosso próximo e em sociedade caso a Lei Moral tivesse sido riscada.Sem a restrição divina imposta pela Lei Moral, o homem poderia livremente cometer adultérios,assassinatos, furtos, falsos testemunhos, desonrar pai e mãe, cobiçar etc. Eis algumasconsiderações sobre a Lei Moral: 1º. A Lei Moral é contrária ao comportamento dos ímpios, dos injustos e dos pecadores enão contrária ao comportamento dos justos, dos puros e dos santos, que vivem em harmoniacom os sagrados preceitos dos Dez Mandamentos. Eis o que diz a Bíblia Sagrada: “Sabendoisto, que a lei não é feita para o justo, mas para os injustos e obstinados, para os ímpios epecadores, para os profanos e irreligiosos, para os parricidas e matricidas, para os homicidas.Para os fornicários, para os sodomitas, para os roubadores de homens, para os mentirosos,para os perjuros, e para o que for contrário à sã doutrina”. (I Timóteo 1:9-10). 2º. A Lei Moral de nenhuma “maneira nos era contrária”, posto que vivemos emharmonia com os seus preceitos. Mas ela é contrária àqueles que estão vivendo para satisfazer osdesejos da carne. Eis o que diz a Bíblia Sagrada: “Porquanto a inclinação da carne é inimizadecontra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Portanto, os queestão na carne não podem agradar a Deus.” (Romanos 8:7-8),
  24. 24. 24COLOSSENSES 2:16Leandro Bertoldo 3º. A Lei Moral de maneira alguma “nos era contrária”, simplesmente porque o apóstoloPaulo recomendou veementemente a observância de seus mandamentos. Eis o que diz a BíbliaSagrada: “Com efeito: Não adulterarás: Não matarás: Não furtarás: Não darás falsotestemunho: Não cobiçarás: e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume:Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. (Romanos 13:9). 4º. A Lei Moral de maneira alguma “nos era contrária”, simplesmente porque o SenhorJesus Cristo ampliou sua aplicação para abranger as intenções do coração do homem. Eis o quediz a Bíblia Sagrada: “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu porém,vos digo que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeuadultério com ela”. (Mateus 5:27-28).4.3 Lei Cerimonial Como a Lei Moral de maneira alguma “nos era contrária” e nem “era contra nós” queprocuramos viver em harmonia com os seus preceitos, então qual era o “keirographon” (cédula)que de alguma maneira nos era contrária em suas ordenanças? Eis o que diz a Bíblia Sagrada: 1º. Segundo o profeta Samuel é melhor “obedecer” a “Palavra do Senhor” do que realizar“holocaustos e sacrifícios” para expiar os pecados cometidos pela desobediência à Lei Moral.Eis o que diz a Bíblia Sagrada: “Porém Samuel disse: Tem porventura o Senhor tanto prazer emholocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do Senhor? eis que o obedecer émelhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros”. (I Samuel15:22). 2º. Deus não se compraz em holocaustos de animais oferecido por adoradoresimpenitentes que não possuem “um coração quebrantado e contrito”. Mas se agrada dosholocaustos oferecidos por adoradores penitentes com “o espírito quebrantado”. Eis o que diz aBíblia Sagrada: “Porque te não comprazes em sacrifícios, senão eu os daria; tu não te deleitasem holocaustos. Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coraçãoquebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus. Então te agradarás de sacrifícios de justiça,dos holocaustos e das ofertas queimadas; então se oferecerão novilhos sobre o teualtar”.(Salmos 51:16-17, 19). 3º. Salomão declarou que o mais importante é ouvir a Palavra de Deus do que ser umtolo que expia os seus pecados oferecendo sacrifícios. Eis o que diz a Bíblia Sagrada: “Guardao teu pé, quando entrares na casa de Deus; e inclina-te mais a ouvir do que a oferecersacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal”. (Eclesiastes 5:1). 4º. Deus declarou que estava farto dos holocaustos de animais oferecidos por adoradoresimpenitentes, ainda mais porque as sua mãos estavam cheias de sangue. Eis o que diz a BíbliaSagrada: “De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o Senhor? Já estou fartodos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais nédios; e não folgo com o sangue debezerros, nem de cordeiros, nem de bodes. Pelo que, quando estendeis as vossas mãos, escondode vós os meus olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque asvossas mãos estão cheias de sangue”. (Isaías 1:11, 15). 5º. Deus não se agradava dos holocaustos oferecidos por adoradores que não atentavampara a Sua Palavra e que rejeitavam a Sua Lei. Eis o que diz a Bíblia Sagrada: “Ouve tu, ó terra!Eis que eu trarei mal sobre este povo, o próprio fruto dos seus pensamentos; porque não estãoatentos às minhas palavras, e rejeitam a minha lei. Para que pois me virá o incenso de Sabá ea melhor cana aromática de terras remotas? vossos holocaustos não me agradam, nem me sãosuaves os vossos sacrifícios”. (Jeremias 6:19-20). 6º. Deus não queria holocaustos de animais porque esperava que os adoradores fossemmisericordiosos e tivessem mais conhecimento de Deus. Em outras palavras, conhecendo a Deusos homens seriam misericordiosos e evitariam mais o pecado, assim não teriam que oferecertantos holocaustos. Eis o que diz a Bíblia Sagrada: “Porque eu quero misericórdia, e não osacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos”. (Oséias 6:6).
  25. 25. 25COLOSSENSES 2:16Leandro Bertoldo Deus não se agradou das práticas religiosas que eram realizadas pelos israelitas porqueestavam contaminadas pela hipocrisia. Assim os sacrifícios para remissão de pecados nãotinham nenhum valor justificatório perante o Senhor, simplesmente porque os adoradores nãotinham arrependimento de seus pecados. “Ao mesmo tempo os judeus, por seus pecados, estavam-se separando de Deus. Eramincapazes de discernir o profundo significado espiritual do seu sistema de sacrifícios. Em suajustiça própria confiaram em suas próprias obras, nos sacrifícios e ordenanças em si, em vez dedescansar nos méritos dAquele a quem todas essas coisas apontavam. Assim, ‘procurandoestabelecer a sua própria justiça’ (Romanos 10:3), edificaram-se sobre um formalismo auto-suficiente. Faltando-lhes o Espírito e a graça de Deus, procuraram ressarcir a falta medianterigorosa observância das cerimônias e ritos religiosos. Não contentes com as ordenanças que opróprio Deus havia designado, obstruíram os mandamentos divinos com incontáveis exações porsi mesmos urdidas. Quanto mais se distanciavam de Deus, mais rigorosos eram na observânciadessas formas”. (Profetas e Reis, 708-709).4.4 Ordenanças contrárias Diante dos versículos anteriormente expostos ficou claramente exposto que asordenanças da Lei Cerimonial de holocaustos de animais “de alguma maneira nos era contrária”porque naquelas ordenanças os amantes do pecado sentiam plena liberdade para cometerem todotipo de atrocidades e, posteriormente, ofereciam os holocaustos animais visando alcançar aexpiação dos seus pecados. Mas o grande problema é que eles não tinham um genuínoarrependimento e nem tinham “um coração quebrantado e contrito” em tristeza pelo pecadocometido. As ordenanças cerimoniais, instituídas para expiar a culpa do pecador contrito, geravaum círculo vicioso. Muitos agiam na plena convicção de que poderiam pecar livremente, desdeque depois oferecessem os holocausto de animais para purificação dos seus pecados, razão pelaqual essas ordenanças “de alguma maneira nos era contrária”. A atitude formal desses pecadores impenitentes desencadeou a indignação do SenhorDeus: “obedecer é melhor do que o sacrificar” (I Samuel 15:22); “inclina-te mais a ouvir doque a oferecer sacrifícios de tolos” (Eclesiastes 5:1); “já estou farto dos holocaustos decarneiros... porque as vossas mãos estão cheias de sangue” (Isaías 1:11, 15); “não estãoatentos às minhas palavras, e rejeitam a minha lei... vossos holocaustos não me agradam”(Jeremias 6:19-20); “porque eu quero misericórdia, e não o sacrifício” (Oséias 6:6). Os pecadores impenitentes haviam degenerado o real sentido das ordenanças cerimoniaisdos holocaustos de animais a uma simples formalidade ritualística, sem maiores conseqüênciasespirituais. Por essa razão esses cerimoniais “de alguma maneira nos era contrária”.4.5 Ineficácia das ordenanças Por que a cédula cravada na cruz “era contra nós nas suas ordenanças”? Por que essacédula “de alguma maneira nos era contrária”? Para responder a essas duas importantes perguntas é necessário ponderar nas seguintespassagens bíblicas: 1º. As Escrituras Sagradas falando do primeiro concerto com suas ordenanças deholocausto de animais para expiação de pecados, afirma que “se aquele primeiro forairrepreensível, não se teria buscado lugar para o segundo” (Hebreus 8:7). Portanto, a cédulaque “de alguma maneira nos era contrária” era repreensível porque dava margem para serpraticada formalmente, sem a devida compreensão do seu profundo significado espiritual queprefigurava o sacrifício do “Cordeiro de Deus”. Além disso, a eficácia de tais ordenanças estavacondicionada ao sucesso do Plano da Salvação, que seria desenrolado na vinda do Messias.
  26. 26. 26COLOSSENSES 2:16Leandro Bertoldo 2º. Discorrendo sobre a ordem sacerdotal levítica, o autor do livro de Hebreus afirma que“De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico ... que necessidade havia logo deque outro sacerdote se levantasse ... ?” (Hebreus 7:11-12). Logo, a cédula que foi riscada,refere-se às ordenanças do sacerdócio levítico, a qual não trouxe nenhuma perfeição, razão pelaqual que “de alguma maneira nos era contrária”. 3º. Falando da Lei Cerimonial, o livro de Hebreus afirma que “a lei nenhuma coisaaperfeiçoou” (Hebreus 7:19). Logo, essa a cédula não aperfeiçoou coisa alguma, razão pela qual“de alguma maneira nos era contrária”. 4º. A ordenança dos sacrifícios de animais realizados no santuário terrestre “é umaalegoria para o tempo presente, em que se oferecem dons e sacrifícios que, quanto àconsciência, não podem aperfeiçoar aquele que faz o serviço” (Hebreus 9:9). Como umasimples alegoria, essa cédula não aperfeiçoa aquele que faz o serviço religioso, razão pela qualela “de alguma maneira nos era contrária”. 5º. As ordenanças da Lei Cerimonial não podem aperfeiçoar aqueles que se chegam aesses serviços: “porque, tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata dascoisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, podeaperfeiçoar os que a eles se chegam”. (Hebreus 10:1). Portanto, como sombra dos bens futuros,essa cédula não pode aperfeiçoar aqueles que realizam esses serviços cerimoniais, razão pelaqual “de alguma maneira nos era contrária”. 6º. Ainda podemos afirmar que essa cédula “de alguma maneira nos era contrária”simplesmente “porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados”(Hebreus 10:4). A eficácia dos sacrifícios de animais estava fiada no sucesso do sacrifício do“Cordeiro de Deus”. 7º. Muitos que confiavam cegamente nos cerimoniais da lei para purificação dos seuspecados seriam levados a rejeitar a suficiência do sacrifício de Cristo, razão pela qual “dealguma maneira nos era contrária”. Eis o que diz a Bíblia Sagrada: “Alguns que tinham descidoda Judéia ensinavam assim os irmãos: Se não vos circuncidardes conforme o uso de Moisés,não podeis salvar-vos”. “Alguns, porém, da seita dos fariseus, que tinham crido, se levantaram,dizendo que era mister circuncidá-los e mandar-lhes que guardassem a lei de Moisés”. (Atosdos Apóstolos 15:1 e 5). “Os judeus estavam tão cegos pelo orgulho e pecado que apenas alguns deles podiam vermais do que a morte de animais como expiação pelo pecado; e quando veio Cristo, a quem essasofertas prefiguraram, não puderam reconhecê-Lo”. (RH, 06 de maio de 1875).4.6 Ordenanças que nos era contrária As ordenanças dos holocaustos de animais tornaram-se ineficazes para purificar opecador por culpa exclusiva do próprio transgressor da Lei Moral. Eles realizavam os sacrifíciosde animais sem o devido arrependimento e não estavam fiados no sacrifício do Cordeiro deDeus. Em vez de arrepender-se com “um coração quebrantado e contrito” (Salmos 51:17)abandonando definitivamente o pecado, o transgressor da santa Lei de Deus continuavaimpenitente, vivendo mergulhados na prática do pecado e do mal. Eles raciocinavam que, nomomento em que bem quisessem, poderia purificar-se de seus pecados por meio das ordenançascerimoniais dos sacrifícios de animais. Por causa dessa atitude, esses sacrifícios “de algumamaneira nos era contrária”. A possibilidade de alcançar facilmente a expiação dos pecados pelas ordenanças dosholocaustos de animais tornava os pecadores empedernidos mais depravados na transgressão dospreceitos morais provenientes dos Dez Mandamentos. Por essa razão as ordenanças dosholocaustos “de alguma maneira nos era contrária”. Os pecadores impenitentes que ofereciam os sacrifícios de animais esperavam alcançar apurificação dos seus pecados – não porque estivessem sinceramente arrependidos ou desejassem
  27. 27. 27COLOSSENSES 2:16Leandro Bertoldocorrigir-se do caminho do mal – mas com o fundamento nas ordenanças de expiação através doholocausto dos animais. No decorrer do tempo essas ordenanças haviam se tornado uma meraformalidade a ser seguida ao pé da letra sem a devida compreensão do seu profundo significaespiritual. Essa distorção da vontade do Senhor Jeová levou o profeta Samuel a proclamar que“obedecer é melhor do que o sacrificar”. Eis a razão porque essas ordenanças “de algumamaneira nos era contrária”. Também havia uma outra agravante com esta cédula em suas ordenanças, a qual “dealguma maneira nos era contrária”. Primeiro, as ordenanças cerimoniais eram extremamentecomplicadas com várias espécies de holocaustos para diferentes tipos de pecados, e tambémmuito onerosas. Segundo, essas ordenanças eram difíceis e até mesmo penosas para a maioriados adoradores, que tinham que viajar até o local onde se encontrava instalado do santuárioterrestre. Terceiro, essas ordenanças eram apenas figuras e sombras que se cumpriram com osacrifício redentor de Cristo Jesus. “Se tivessem sido obedientes e se dispusessem a guardar os mandamentos de Deus, estamultidão de cerimoniais e ordenanças não teria sido necessária”. (II Testemunhos Seletos, 282).Todavia, essa cédula preencheu a sua finalidade e foi riscada tornando-se desnecessária e atémesmo contrária ao cristão, que deve confiar unicamente no sacrifício do Cordeiro de Deus.
  28. 28. 28COLOSSENSES 2:16Leandro Bertoldo Capítulo 5 “tirou do meio de nós” “Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneiranos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz”. Colossenses 2:14 Todos aqueles que praticavam as ordenanças prescritas na cédula (keirographon) doAntigo Concerto, reconheciam que eram devedores (pecadores). Naqueles cerimoniais deholocausto, os pecadores reconheciam que estava em dívida para com Deus e que tinham aobrigação de pagar o preço indicado na cédula, que nada mais era do que a morte do pecador.Porém, em várias ocasiões, o Senhor recusou aceitar os sacrifícios oferecidos por Seu povo porcausa da falta de sincero arrependimento e genuína conversão. Nessas ocasiões o Senhor osadvertia de que, a menos que fossem misericordiosos uns para com os outros, Ele não seagradaria dos seus holocaustos e, portanto, não haveria purificação de pecados. Eis o que diz asEscrituras Sagradas: “Já estou farto dos holocaustos de carneiros.... porque as vossas mãos estão cheias desangue”. “Porque não estão atentos às minhas palavras, e rejeitam a minha lei... vossosholocaustos não me agradam, nem me são suaves os vossos sacrifícios”. “Tem porventura oSenhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra doSenhor? eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordurade carneiros”. “Porque eu quero misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus,mais do que os holocaustos”. (Isaías 1:11 e 15; Jeremias 6:19-20; I Samuel 15:22; Oséias 6:6). A falta de arrependimento e de conversão por parte do pecador, bem como a crençasimplista de que bastava realizar mecanicamente o ritual de sacrifício de animais para alcançar apurificação dos seus pecados, trabalhavam contra o próprio pecador impenitente, razão pela qualessa cédula que era contra nós em suas ordenanças, foi riscada e tirada do meio de nós.5.2 O que foi tirado Os judeus “crucificaram o Originador de todo o sistema judaico, para o qual apontavamtodas as suas cerimônias. Deixaram de discernir o velado mistério da piedade; Cristo Jesuspermaneceu oculto para eles. A verdade, a vida, o centro de todo o seu ritual, foi rejeitado. Elesmantinham, e ainda mantêm, simplesmente as cascas, as sombras, as figuras que simbolizavamo verdadeiro. Uma figura designada para aquele tempo, a fim de que pudessem discernir overdadeiro, tornou-se tão deturpada por suas próprias invenções, que se lhes cegaram os olhos.Não compreenderam que o tipo encontrou o antítipo na morte de Jesus Cristo. Quanto maior suadeturpação de figuras e símbolos, tanto mais confusa ficou a sua mente, de modo que nãopuderam ver o perfeito cumprimento do sistema judaico, instituído e estabelecido por Cristo, eapontando para Ele como sendo sua essência. Comidas e bebidas e diversas ordenanças forammultiplicadas até que a religião cerimonial constituiu sua única forma de culto”. (Fundamentosda Educação Cristã, 398). A Bíblia Sagrada mostra claramente que as ordenanças do “Antigo Concerto” baseada noholocausto de animais foram tiradas “do meio de nós”. O Antigo Concerto, também conhecidobiblicamente por Antiga Aliança ou Antigo Testamento estabelecia a expiação de pecados pelo
  29. 29. 29COLOSSENSES 2:16Leandro Bertoldosangue de animais e o Novo Concerto, também conhecido como Nova Aliança ou NovoTestamento estabelece a expiação de pecados pelo sangue de Cristo. Sobre Cristo (Messias) estava profetizado que Ele firmaria “um concerto com muitos poruma semana: e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares”. (Daniel9:27). O “concerto” que Cristo firmaria “com muitos por uma semana” é uma clara alusão aoNovo Testamento que tem por base a remissão de pecados pelo sangue de Cristo. Foi Elemesmo quem disse: “porque isto é o meu sangue, o sangue do Novo Testamento, que éderramado por muitos, para remissão dos pecados”. (Mateus 26:28). Quanto ao “sacrifício e a oferta de manjares” que Cristo faria “cessar” tirando “domeio de nós” é uma clara referência às ordenanças ao Antigo Concerto, que tem por base aremissão de pecados pelo sangue de animais “consistindo somente em manjares, e bebidas, evárias abluções e justificações da carne, impostas até ao tempo da correção”. (Hebreus 9:10). A cédula do Antigo Concerto com base no sacrifício de animais e oferta de manjares “foipor Cristo abolido”. (II Coríntios 3:14), com isso Ele a “tirou do meio de nós”. O sacerdócio levítico com suas ordenanças foi fundado segundo a ordem de Aarão, masfoi tirado “do meio de nós” e substituído pelo sacerdócio de Cristo, que foi fundado segundo aordem de Melquisedeque. “De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico (porquesob ele o povo recebeu a lei), que necessidade havia logo de que outro sacerdote se levantasse,segundo a ordem de Melquisedeque, e não fosse chamado segundo a ordem de Aarão? Porque,mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei”. (Hebreus 7:11-12). Quando Cristo expirou na cruz, as ordenanças do antigo ministério sacerdotal levítico,também conhecido como Antiga Aliança ou Antigo Testamento, foram definitivamente tiradas“do meio de nós” (Daniel 9:27; Marcos 15:38; Mateus 27:51; Lucas 23:45; II Coríntios 3:14;Colossenses 2:14), passando a vigorar em seu lugar, o ministério sacerdotal de Cristo, tambémconhecido como Nova Aliança ou Novo Testamento.5.3 Preço inestimável Como foi dito anteriormente, o termo grego “keirographon” foi traduzido para a língualatina como “chirographum” e para a língua portuguesa como “quirógrafo”. Esse termo tambémfoi transliterado por João Ferreira de Almeida como “cédula”. Etimologicamente a expressão “keirographon” indica uma dívida insolvente. Em geralos dicionários definem o “devedor insolvente” como sendo aquele que não tem recursos comque pagar. É o individuo que tem mais dívidas do que bens para saldá-las. O termo “keirographon” foi empregado pelo apóstolo Paulo como uma metáfora parauma dívida insolvente (pecado), cujo valor os pecadores teriam que pagar com a sua própriavida “porque o salário do pecado é a morte”. (Romanos 6:23). Ocorre que nenhum ser humanopossui recurso suficiente para resgatar a sua vida da perdição eterna, “pois a redenção da suaalma é caríssima, e seus recursos se esgotariam antes”. (Salmos 49:8). O preço para resgatar a vida do pecador era tacitamente declarado na cédula quando opecador penitente reconhecia sua dívida (culpa) para com Deus ao cumprir os requisitosexigidos nas ordenanças dos holocaustos de animais, os quais morreriam no lugar do pecadorarrependido. Evidentemente, a eficácia das ordenanças de holocaustos, subjacente à morte dosanimais, estava fiada ao inestimável preço da morte do Filho de Deus. “Foi o amor pelos pecadores que levou Cristo a pagar o preço da redenção. ‘Viu queninguém havia, e maravilhou-Se de que não houvesse intercessor’; nenhum outro poderiaresgatar os homens e mulheres do poder do inimigo; ‘pelo que o Seu próprio braço Lhe trouxe asalvação, e a Sua própria justiça O susteve.’ Isaías 59:16”. (Profetas e Reis 692). “Nós éramostodos devedores à justiça divina; mas nada possuíamos para pagar o débito. Então o Filho deDeus, que de nós teve piedade, pagou o preço de nossa redenção”. (Profetas e Reis 652). “Aredenção da alma é preciosa. Cristo pagou um preço infinito pela nossa salvação, e ninguém que
  30. 30. 30COLOSSENSES 2:16Leandro Bertoldoaprecie o valor deste grande sacrifício, ou o preço de uma alma, desprezará a misericórdia deDeus, que se lhe oferece, porque outros preferem fazê-lo”. (Patriarca e Profetas, 162). Em suma, quando o pecador arrependido cumpria todos os requisitos expressos nasordenanças dos holocaustos de animais, que prefiguravam o sacrifício de Cristo, o pecadorpenitente reconhecia o escrito de dívida contra ele (keirographon). Porém, como os seusrecursos eram limitados o pecador reconhecia sua insolvência quando admitia que outromorresse em seu lugar para resgatar a sua dívida. “O Senhor resgata a alma dos seus servos, enenhum dos que nele confiam será condenado”. “Porque o Filho do homem também não veiopara ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos”. (Salmos 34:22; Marcos10:45).5.4 Por que foi tirada O pecador reconhecia que era um “devedor insolvente” para com Deus quando praticavaas ordenanças dos holocaustos de animais, os quais figurativamente morriam em seu lugar.Apesar disso, havia sérios inconvenientes com essa cédula, posto que de alguma maneira nosfosse contrária. Eis os motivos: Primeiro, porque as práticas de tais ordenanças foram corrompidas pela naturezapervertida do ser humano, a ponto de Deus abominar tais práticas. Segundo, porque no decorrer dos séculos os pecadores foram levados a ver asordenanças como uma simples formalidade que deveriam ser cumpridas obrigatoriamente ao péda letra. Terceiro, estando enferma pela natureza carnal, as ordenanças passaram a ser vistas pelospecadores empedernidos como toda autossuficiente, quando na realizada “é impossível que osangue dos touros e dos bodes tire os pecados”. (Hebreus 10:14). Quarto, subjacente à morte dos animais estava a morte de Cristo, mas os pecadoresperderam de vista “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. (João 1:29). Eis as razõespela qual “keirographon” era contra nós nas suas ordenanças. Mas Cristo a riscou – invalidou-a– e “a tirou do meio de nós”.5.5 Vigor da Lei Moral Em mais de 150 passagens bíblicas registradas no “Novo Testamento” Jesus Cristo e ossantos apóstolos praticaram e ensinaram a observância de todos os preceitos da Lei Moral,sintetizada nos Dez Mandamentos. As Escrituras Sagradas afirmam que “o pecado não é imputado, não havendo lei”.(Romanos 5:13). Porém, supondo que a Lei Moral foi tirada “do meio de nós”, temos asseguintes conseqüências: Primeiro, “não havendo lei” nenhum ser humano pode ser considerado pecador. Segundo, caso não houvesse lei, todos os cristãos teriam liberdade para tornarem-sepoliteístas, idólatras, blasfemos, profanadores do sábado, adúlteros, ladrões, mentirosos,cobiçadores etc. simplesmente porque “onde não há lei também não há transgressão”.(Romanos 4:15). Terceiro, supondo que a Lei Moral foi tirada “do meio de nós” então teríamos queconcluir que no mundo “não há transgressão”. Mas, os fatos mostram que os homens continuampecadores porque o pecado continua sendo imputado a todos. Quarto, supondo que a Lei Moral foi tirada “do meio de nós”, então se conclui que Cristosacrificou-se para que os homens pudessem cometer qualquer espécie de pecado. Portanto, diante do exposto, restou provado que a Lei Moral ainda continua vigorando,simplesmente porque os homens continuam sendo condenados ao inferno por serem pecadoresimpenitentes. O que foi tirado “do meio de nós” foram as ordenanças de expiação de pecados

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