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Angiotomografia e cintilografia de perfusão do
miocárdio no diagnóstico das DACs
•
•

•

O diagnóstico das DACs pela cintilografia de perfusão
do miocárdio e pela angiotomografia seguem princípios
bastante diferentes.
A cintilografia tem capacidade de mostrar visualmente
e/ou quantificar a extensão e a gravidade da isquemia,
mas ela não consegue mostrar a morfologia das artérias
coronárias ou as placas ateromatosas (calcificadas ou
não).
A angiotomografia mostra tanto o local como a
severidade da lesão. Além disso, a extensão da estenose,
distribuição, magnitude e até mesmo a composição da
placa podem ser mostradas e classificadas (calcificadas
ou não calcificadas).
•
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•

Contudo, a angiotomografia não fornece o
significado hemodinâmico relacionado com as
anormalidades das artérias coronárias, que é
muito importante no desenvolvimento das
estratégias de tratamento das DACs.
As estenoses coronais encontradas na angiotomo
nem sempre provocam uma diminuição da
perfusão do miocárdio.
Estudos anteriores mostraram que a gravidade da
estenose coronariana não era o único fator
decisivo mas apenas um substituto moderado
entre os fatores que afetam a perfusão sanguínea
do miocárdio.
• Outros fatores que afetam a perfusão do
•
•

miocárdio são a extensão e o formato do
estreitamento, excentricidade da placa e a
estenose serial.
Salm et e cols. mostraram que a cintilografia
era normal em 50% das lesões
angiograficamente importantes.
As lesões com estenose de gravidade
intermediária apresentam uma grande
variação hemodinâmica.
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Neste trabalho foram encontradas 59,8%
cintilografias de perfusão do miocárdio normais em
pacientes com angiotomografia positiva para
estenose.
Isto mostra que mais de 50% dos pacientes com
estenose acima de 50% vista na angiotomo não
apresentam lesões hemodinamicamente
significativas.
•
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•

Os resultados deste trabalho são consistentes com os
de Schuijt et cols onde foi mostrado que apenas 45%
dos pacientes com angiotomo anormal apresentavam
cintilografia do miocárdio positiva para isquemia.
Mais uma vez o trabalho de Scuijt mostrou que a
angiotomografia e a cintilografia do miocárdio têm papel
complementar no diagnóstico de DAC (detecção de
aterosclerose X detecção de isquemia).
A estenose coronariana por si só não prediz uma
anormalidade hemodinâmica correspondente.
O fato da estenose coronariana causar uma variação
hemodinâmica respectiva apresenta muitas variáveis,
especialmente nos casos das estenoses moderadas
(estreitamento de 40 a 70%).
•

•
•

Como os resultados deste trabalho mostraram, a
angiotomografia tem um maior valor preditivo
negativo para eliminar os defeitos de perfusão.
Hausleiter e cols propuseram que a angiotomo
seria um exame adequado para o manejo de
pacientes com probabilidade pré-teste
intermediária para a presença de DAC
importante.
Não seria necessário fazer uma cineangiocoronariografia se a angiotomografia mostrar
artérias coronárias normais.
Contudo, o valor preditivo positivo da angiotomo
em relação à hemodinâmica seria relativamente
baixo.
•
•
•

Por isso, a imagem funcional tem o seu importante papel para
mostrar as mudanças fisiopatológicas relacionadas com as
lesões coronárias.
Com a piora da estenose coronariana, a severidade deste
estreitamento poderia ser o fator crítico mais importante no
que se refere à perfusão miocárdica correspondente.
Deve-se enfatizar que a cintilografia de perfusão do
miocárdio normal não exclui a presença de aterosclerose e/ou
estenose coronais, ou mesmo a existência de estenoses
óbvias, mas considera-se que os pacientes que apresentam
uma cintilografia do miocárdio normal têm um baixo risco de
eventos cardíacos futuros graves.
•
•

•

Vários trabalhos mostraram que pacientes com DAC
confirmada pela cineangiocoronariografia, mas com
cintilografia negativa também apresentam um baixo índice de
eventos cardíacos graves.
Mais uma vez, vala a pena enfatizar que a angiotomografia
nos oferece diferentes informações sobre a DAC, quando
comparada com a cintilografia do miocárdio, que tem a
capacidade de detectar a carga de placa da aterosclerose
coronariana e a severidade da estenose em um período
precoce.
Com a piora da carga de placa e da estenose, aumenta
também a hemodinâmica anormal; contudo, elas não são
sinônimo de isquemia miocárdica.
•
•

A angiotomografia não somente tem a capacidade de
diagnosticar estenoses da artéria coronária, mas
também mostrar o valor prognóstico para a doença
da artéria coronariana.
O trabalho escrito por van Werkhoven et cols indica
que a angiotomo é um preditor independente de
eventos cardíacos e empresta um valor prognóstico
adicional à cintilografia do miocárdio, combinando
dados anatômicos e funcionais, melhorando assim a
estratificação de risco.
•
•
•

A avaliação anatômica não invasiva da carga de
placa, localização, composição e remodelação
com a angiotomo pode nos fornecer importante
informações.
Esta informação pode ter valor adicional no
escore de Framingham, escore de cálcio e
cintilografia do miocárdio.
Portanto, a cintilografia do miocárdio e
angiotomografia têm papeis complementares e
não se excluem no diagnóstico e avaliação das
DACs.
•

•

De acordo com os guidelines americanos de terapia e
intervenção cardíacas/cintilografia de perfusão do
miocárdio, os métodos não invasivos morfológicos e
funcionais devem ser utilizados antes do tratamento por
revascularização de pacientes com angina estável
crônica.
Já é fato conhecido que a estenose coronariana com a
isquemia que a acompanha é uma das maiores indicações
do tratamento com revascularização, enquanto que a
terapia conservadora é reservada para os casos onde a
estenose e a isquemia não são de grande monta.
•
•
•

1) um paciente com estenose e defeito de perfusão não
muito significativos deve ser submetido à prevenção
primária e controle dos fatores de risco,
2) um paciente com estenose coronariana significativa e
sem defeito de perfusão correspondente na cintilografia
deve ser submetido a tratamento clínico agressivo e
controle dos fatores de risco,
3) um paciente com estenose coronariana importante
acompanhada de defeito de perfusão pareado na
cintilografia deve ser submetido à revascularização

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AngioTC e cintilografia no diagnóstico de DAC

  • 1. Angiotomografia e cintilografia de perfusão do miocárdio no diagnóstico das DACs
  • 2. • • • O diagnóstico das DACs pela cintilografia de perfusão do miocárdio e pela angiotomografia seguem princípios bastante diferentes. A cintilografia tem capacidade de mostrar visualmente e/ou quantificar a extensão e a gravidade da isquemia, mas ela não consegue mostrar a morfologia das artérias coronárias ou as placas ateromatosas (calcificadas ou não). A angiotomografia mostra tanto o local como a severidade da lesão. Além disso, a extensão da estenose, distribuição, magnitude e até mesmo a composição da placa podem ser mostradas e classificadas (calcificadas ou não calcificadas).
  • 3. • • • Contudo, a angiotomografia não fornece o significado hemodinâmico relacionado com as anormalidades das artérias coronárias, que é muito importante no desenvolvimento das estratégias de tratamento das DACs. As estenoses coronais encontradas na angiotomo nem sempre provocam uma diminuição da perfusão do miocárdio. Estudos anteriores mostraram que a gravidade da estenose coronariana não era o único fator decisivo mas apenas um substituto moderado entre os fatores que afetam a perfusão sanguínea do miocárdio.
  • 4. • Outros fatores que afetam a perfusão do • • miocárdio são a extensão e o formato do estreitamento, excentricidade da placa e a estenose serial. Salm et e cols. mostraram que a cintilografia era normal em 50% das lesões angiograficamente importantes. As lesões com estenose de gravidade intermediária apresentam uma grande variação hemodinâmica.
  • 5.
  • 6. • • Neste trabalho foram encontradas 59,8% cintilografias de perfusão do miocárdio normais em pacientes com angiotomografia positiva para estenose. Isto mostra que mais de 50% dos pacientes com estenose acima de 50% vista na angiotomo não apresentam lesões hemodinamicamente significativas.
  • 7. • • • • Os resultados deste trabalho são consistentes com os de Schuijt et cols onde foi mostrado que apenas 45% dos pacientes com angiotomo anormal apresentavam cintilografia do miocárdio positiva para isquemia. Mais uma vez o trabalho de Scuijt mostrou que a angiotomografia e a cintilografia do miocárdio têm papel complementar no diagnóstico de DAC (detecção de aterosclerose X detecção de isquemia). A estenose coronariana por si só não prediz uma anormalidade hemodinâmica correspondente. O fato da estenose coronariana causar uma variação hemodinâmica respectiva apresenta muitas variáveis, especialmente nos casos das estenoses moderadas (estreitamento de 40 a 70%).
  • 8.
  • 9. • • • Como os resultados deste trabalho mostraram, a angiotomografia tem um maior valor preditivo negativo para eliminar os defeitos de perfusão. Hausleiter e cols propuseram que a angiotomo seria um exame adequado para o manejo de pacientes com probabilidade pré-teste intermediária para a presença de DAC importante. Não seria necessário fazer uma cineangiocoronariografia se a angiotomografia mostrar artérias coronárias normais. Contudo, o valor preditivo positivo da angiotomo em relação à hemodinâmica seria relativamente baixo.
  • 10.
  • 11. • • • Por isso, a imagem funcional tem o seu importante papel para mostrar as mudanças fisiopatológicas relacionadas com as lesões coronárias. Com a piora da estenose coronariana, a severidade deste estreitamento poderia ser o fator crítico mais importante no que se refere à perfusão miocárdica correspondente. Deve-se enfatizar que a cintilografia de perfusão do miocárdio normal não exclui a presença de aterosclerose e/ou estenose coronais, ou mesmo a existência de estenoses óbvias, mas considera-se que os pacientes que apresentam uma cintilografia do miocárdio normal têm um baixo risco de eventos cardíacos futuros graves.
  • 12. • • • Vários trabalhos mostraram que pacientes com DAC confirmada pela cineangiocoronariografia, mas com cintilografia negativa também apresentam um baixo índice de eventos cardíacos graves. Mais uma vez, vala a pena enfatizar que a angiotomografia nos oferece diferentes informações sobre a DAC, quando comparada com a cintilografia do miocárdio, que tem a capacidade de detectar a carga de placa da aterosclerose coronariana e a severidade da estenose em um período precoce. Com a piora da carga de placa e da estenose, aumenta também a hemodinâmica anormal; contudo, elas não são sinônimo de isquemia miocárdica.
  • 13. • • A angiotomografia não somente tem a capacidade de diagnosticar estenoses da artéria coronária, mas também mostrar o valor prognóstico para a doença da artéria coronariana. O trabalho escrito por van Werkhoven et cols indica que a angiotomo é um preditor independente de eventos cardíacos e empresta um valor prognóstico adicional à cintilografia do miocárdio, combinando dados anatômicos e funcionais, melhorando assim a estratificação de risco.
  • 14.
  • 15. • • • A avaliação anatômica não invasiva da carga de placa, localização, composição e remodelação com a angiotomo pode nos fornecer importante informações. Esta informação pode ter valor adicional no escore de Framingham, escore de cálcio e cintilografia do miocárdio. Portanto, a cintilografia do miocárdio e angiotomografia têm papeis complementares e não se excluem no diagnóstico e avaliação das DACs.
  • 16. • • De acordo com os guidelines americanos de terapia e intervenção cardíacas/cintilografia de perfusão do miocárdio, os métodos não invasivos morfológicos e funcionais devem ser utilizados antes do tratamento por revascularização de pacientes com angina estável crônica. Já é fato conhecido que a estenose coronariana com a isquemia que a acompanha é uma das maiores indicações do tratamento com revascularização, enquanto que a terapia conservadora é reservada para os casos onde a estenose e a isquemia não são de grande monta.
  • 17. • • • 1) um paciente com estenose e defeito de perfusão não muito significativos deve ser submetido à prevenção primária e controle dos fatores de risco, 2) um paciente com estenose coronariana significativa e sem defeito de perfusão correspondente na cintilografia deve ser submetido a tratamento clínico agressivo e controle dos fatores de risco, 3) um paciente com estenose coronariana importante acompanhada de defeito de perfusão pareado na cintilografia deve ser submetido à revascularização