Setor vinhos

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Setor vinhos

  1. 1. P á g i n a  | 1 © José Rodrigues de Farias Filho, D. Sc.    18 jan. 11   Oficina de Estratégia Nº 4    Oficina de Estratégia   
  2. 2. P á g i n a  | 2  © José Rodrigues de Farias Filho, D. Sc.    18 jan. 11        Setor de vinhos passa por transformações e inspira novos negócios O mercado mudou com a chegada dos chineses, dispostos a comprar grandes vinícolas.Programa Mundo SA1 Dois críticos de vinho, uma profissão das mais respeitadas na França, criaram um modelo de empresa em que fazem da credibilidade que eleshttp://video.globo.com/Videos/Player/No conquistaram o ponto de partida paraticias/0,,GIM1404116-7823- outros negócios. Entre eles,SETOR+DE+VINHOS+PASSA+POR+TRA publicações especializadas e um salãoNSFORMACOES+E+INSPIRA+NOVOS+ de vinhos que reúne os maioresNEGOCIOS,00.html produtores do país, em um formato que começa a ser exportado e vai chegar ao brasil. Veja as transformações que o setor está passando na França, com a chegada dos chineses, dispostos a comprar                                                            1 Este Estudo de Caso foi veiculado no grandes vinícolas, e como uma bebida Programa da GloboNews Mundo SA – milenar consegue ser inspiração para http://globonews.globo.com/Jornalismo/G novos negócios que não param de ser N/0,,MUL1639317-17665- inventados. 315,00.htmlacesso em 13/01/2011. Oficina de Estratégia   
  3. 3. P á g i n a  | 3 © José Rodrigues de Farias Filho, D. Sc.    18 jan. 11   vinhos finos possam ser considerados investimento, seu comportamento não é significativamente diferente do de Vinhos e petróleo, outras commodities, e desse modo eles muita coisa em podem não servir para melhorar a diversificação de uma carteira", comum escreveram eles. Cevik e Sedik afirmam que fatores quePor Javier Blas, Financial Times, de Londres - influem na oferta - como clima,11/01/2011 qualidade das uvas, envelhecimento e classificações de qualidade - conduzem os preços. "Os preços dos vinhos finos são sensíveis aos choquesInvestimentos Alternativos: Estudo de macroeconômicos, assim como oeconomistas do FMI mostra que aplicação em petróleo e de outras commodities",bebida traz pouca diversificação. disseram, acrescentando que a demanda é o que realmente importa. "O comércio de vinhos aumentouJornal Valor Econômico2 rapidamente na última década, assim como os níveis de renda, sobretudo nas economias emergentes, estimulando os vinhos investment grade como ativoO sabor é muito melhor, mas vinhos alternativo."finos como os Bordeaux e os Rioja nãooferecem mais diversificação ao Os dois economistas estudaram oinvestidor do que o petróleo bruto do comportamento do petróleo e os preçostipo Brent. A constatação é de uma dos vinhos finos entre janeiro de 2002pesquisa feita por dois economistas do e junho de 2010. A correlação entreFundo Monetário Internacional (FMI). eles se fortaleceu desde a criseOs investimentos em vinhos financeira, aponta o estudo dosaumentaram muito nos últimos anos, economistas, intitulado "A Barrel of Oilem parte pela crença de que eles são or a Bottle of Wine: How Do Globaluma diversificação ao riscos de se ter Growth Dynamics Affect Commodityapenas ações, bônus e commodities Prices?"como o petróleo e o cobre. Eles constataram que "oMas os economistas Serhan Cevik e comportamento estatístico do petróleoTahsin Saadi Sedik estão agora bruto e os preços dos vinhos finoslançando dúvidas sobre isso. Eles demonstraram uma correlação de maisdescobriram que o comportamento dos de 90% durante o período de amostra".preços do petróleo e dos vinhos finos Após caírem em conjunto durante atêm uma similaridade incrível. "Nossos recessão, a recuperação do pós-criseresultados sugerem que, embora os proporcionou uma alta aos preços do petróleo e dos vinhos finos, que foi                                                             respectivamente de 86% e 62% entre2 Este Estudo de Caso foi publicado na Jornal janeiro de 2009 e junho de 2010. Valor Econômico – – http://www.valoronline.com.br/impresso/i nvestimentos/119/366393/vinhos-e- Segundo as estimativas dos petroleo-muita-coisa-em-comum acesso economistas, uma queda de pontos em 13/01/2011.Oficina de Estratégia   
  4. 4. P á g i n a  | 4 © José Rodrigues de Farias Filho, D. Sc.    18 jan. 11  porcentuais no crescimento da próximo acessório fundamental paraprodução industrial nos mercados todo consumidor chinês rico.emergentes, que estão conduzindo ospreços das commodities, induziria a Vinherias estão se espalhandouma queda de 22% nos preços do rapidamente por Xangai, a reluzentepetróleo e uma queda de 15% nos capital financeira do país, onde jovenspreços reais dos vinhos. profissionais chineses se reúnem depois do trabalho e costumam gastarCevik disse ter ficado surpreso com os cerca de 1.000 iuans (152 dólares) emresultados, que ele chamou de uma garrafa de vinho.experimentais. Ele disse que a pesquisanão se concentrou inicialmente na "O povo chinês tem muitas ambições ecorrelação dos preços do petróleo e dos é muito materialista, portanto, tão logovinhos, e sim em quais eram os fatores tenha comprado a melhor marca localmais importantes que estavam eles começam a procurar algo melhor econduzindo os preços das commodities mais caro", disse Chng Poh Tiong,para cima. colunista especializado em vinhos e editor da revista The Wine Review, que tem como base o Sudeste Asiático, Hong Kong e China continental. Novos ricos da China Embora a China tenha uma crescente anseiam por vinhos produção interna de vinho, peritos do setor dizem que está mais na moda europeus caros beber o produto importado. Eles prevêem que o consumo vá dobrar nos próximos cinco anos.Plantão | Publicada em 03/01/2011 às Os favoritos incluem rótulos de13h01m - Reuters/Brasil Online vinícolas francesas como o ChateauPor Farah Master Lafite Rothschild, cujo preço inicial é de 1.000 dólares uma garrafa, e o Chateau Latour.Jornal O Globo3 "Há pelo menos duas camadas de apreciação de vinho na China. Se uma pessoas está comprando e servindo o vinho para agradecer muito a alguémXANGAI (Reuters Life!) - Depois da que lhe fez um favor, então há umaexplosão na demanda por bolsas de classificação social que significa que elaestilistas, ternos italianos e carros vai oferecer o vinho caro", disse Chng.velozes, os vinhos caros franceses eitalianos estão prestes a se tornarem o "Mas você tem também a mesma pessoa bebendo com amigos e família, e aí não há mais status ligado à                                                            3 Este Estudo de Caso foi publicado na Jornal garrafa". O Globo – – http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2011/01 Aficcionados por vinho dizem que o /03/novos‐ricos‐da‐china‐anseiam‐por‐vinhos‐ consumo na China continental cresceu europeus‐caros‐923409309.asp acesso em na base de dois dígitos nos últimos dez 13/01/2011.Oficina de Estratégia   
  5. 5. P á g i n a  | 5 © José Rodrigues de Farias Filho, D. Sc.    18 jan. 11  anos, resultando em forte incentivo importados. O consumo de vinhospara vinícolas e empresas que visam o tintos finos (feitos de uvas vinífera, delucrativo mercado chinês, o qual deve melhor qualidade) produzidos em solosuperar fortemente a demanda no nacional cresceu 14,6% em 2009, anteOcidente nos próximos anos. uma alta de apenas 2% do produto do exterior.O Chateau Lafite Rothschildincorporou o caracter chinês do As vinícolas gaúchas, que representamnúmero 8 nas garrafas de sua safra 90% do mercado nacional, produziram2008, que deverá ser colocada no 13 milhões de litros de vinhos finosmercado em 2011. tintos, ante uma comercialização de 59 milhões de litros de vinhos finos dePara ampliar as vendas, a vinícola não procedência internacional. Incluindosó usou o auspicioso número "oito", vinho de mesa (de menor qualidade),mas também a cor vermelha, além das variedades branca e rosada, aconsiderada um símbolo da sorte na produção gaúcha de vinhos sobe paratradição chinesa. 240 milhões -alta de 12% ante 2008.O Chateau Mouton Rothschild usou "O setor vive um momento deum design do artista chinês Xu Lei recuperação", diz Júlio Fante,para sua garrafa vintage 2008. presidente do Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho). "Nos últimos dezEm cidades cosmopolitas como Xangai anos, foi feito um investimento forte nae Pequim, há também robusto apetite viticultura, no plantio da uva, napor vinho como investimento de classe. escolha dos terrenos e em termos de variedade das mudas." Dados inéditos compilados pelo Ibravin mostram que a indústria Aumenta fatia do nacional de vinhos e espumantes vinho nacional no movimentou R$ 2,5 bilhões no ano passado --considerando como base os mercado valores pagos pelo consumidor final.MARIANA BARBOSA da Reportagem Local - A importação de vinhos somou R$ 34526/04/2010 - 11h21 milhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento. Considerando os valores pagos peloJornal Folha de São Paulo4 consumidor, o faturamento da categoria de importados sobe para quase R$ 900 milhões, de acordo com estimativas do Ibravin.Os vinhos finos nacionais estão em altae ganharam mercado sobre os Além de ganhar mercado em relação                                                             aos importados, os vinhos finos4 Este Estudo de Caso foi publicado na Jornal conquistam espaço dentro da produção Folha de São Paulo – – nacional. O Ibravin projeta que a http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ participação dos vinhos finos em ult91u725978.shtml acesso em relação ao total dos vinhos produzidos 13/01/2011.Oficina de Estratégia   
  6. 6. P á g i n a  | 6 © José Rodrigues de Farias Filho, D. Sc.    18 jan. 11  no país deve passar dos atuais 18% é da ordem de R$ 100 milhões. "Nóspara 80% até 2025. Mas isso não somos grandes no Rio Grande do Sul,significa o fim do plantio das chamadas mas nossa ideia, para este ano, éuvas híbridas, ou americanas, usadas conquistar o mercado de São Paulo."para produzir vinho de mesa. Estas A cooperativa já fechou com algumascontinuarão sendo plantadas, mas com redes de supermercados, como Sonda efoco na produção de suco. Hirota, e está investindo em degustação no ponto de venda.Produto saudável Estratégia similar tem a vinícola Perini,Com apelo de produto saudável, o suco que faturou R$ 40 milhões no anode uva tem crescido a taxas de 40% ao passado e planeja investimentos de R$ano. Tradicionalmente, 30% da safra 4,5 milhões para este ano. A intençãode uva americana é destinada à de Benildo Perini, presidente daprodução de sucos. Mas, no ano vinícola, é triplicar o faturamento empassado, essa fatia subiu para 45% e a cinco anos.expectativa é que, neste ano, 60% dasafra seja transformada em suco. Além Há hoje 1.200 vinícolas em atividadeda crescente demanda pelo produto, o no Brasil, o dobro de cinco anos atrás.suco de uva garante retornos A maioria é formada por vinícolas definanceiros melhores para as vinícolas. pequeno porte. Juntas, elas faturaram R$ 1,2 bilhão no ano passado, alta deEnquanto o vinho tinto de qualidade 60% em relação a 2007. "O volume degarante prestígio para as vinícolas, o uvas se manteve praticamente igualsuco de uva e os espumantes (que nos últimos dois anos. O crescimento,crescem 20% o ano) impulsionam o portanto, representa aumento do valorcrescimento e os novos investimentos agregado."no setor.A cooperativa Garibaldi reúne 340produtores localizados em dezmunicípios da Serra Gaúcha e pretendeinvestir R$ 7 milhões em aumento decapacidade nos dois segmentos.Segundo o presidente da Garibaldi,Oscar Ló, a produção de espumantes,que foi de 1,2 milhão de garrafas noano passado, deve crescer 30%. O sucodeve avançar na mesma proporção,para 2,1 milhões de litros. "Os vinhosde uvas viníferas também estãocrescendo, mas é um mercado maisdifícil, com forte concorrência com asestrangeiras", diz Ló.Com um faturamento de R$ 44milhões no ano passado, a Garibaldipretende alcançar o time das grandesvinícolas como Miolo, Salton ouAurora, cujo faturamento, com vinhos,Oficina de Estratégia   
  7. 7. P á g i n a  | 7 © José Rodrigues de Farias Filho, D. Sc.    18 jan. 11   produção, reconversão de vinhedos e até na contratação de profissionais mais especializados. Setor de vinhos precisa de “Ainda há carência de profissionais que tenham entendimento do mercado especialistas em para elaborar estratégias de marketing posicionamento, comercialização e distribuição dos vinhos nacionais”, afirma Flávio Eduardo Martins,Talita Abrantes, de EXAME.com - Veja São coordenador do curso de pós-Paulo/Arquivo graduação em marketing do vinho da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). O espaço no mercado de trabalho para quem consegue conciliar técnicas de marketing com um profundo conhecimento do mercado de vinhos nacional é extenso. As opções vão desde um trabalho mais próximo das vinícolas e centros de distribuição até os chamados setores no entorno do vinho, como supermercados, hotéis e restaurantes. Esse ano, a ESPM que já mantém uma pós em marketing do vinho no RioRevista Exame5 Grande do Sul irá lançar um curso nos mesmos moldes em São Paulo. Já a unidade paulista da Fundação Getúlio Vargas deve abrir um curso deSão Paulo – De olho no crescimento do extensão em Negócios do Vinho emconsumo de vinho no Brasil, setor de março.vinhos quer consolidar reputação doproduto brasileiro no país. E, para isso,precisa de profissionais especializadosem posicionamento de marca.Geridas por grupos familiares, asprincipais vinícolas brasileiras viveramuma revolução nos últimos dez anos.As mudanças foram materializadas eminvestimentos em novas tecnologias de                                                            5 Este Estudo de Caso foi publicado na Revista Exame – – http://exame.abril.com.br/carreira/galerias/pr ofissoes‐em‐alta/setor‐de‐vinhos‐precisa‐de‐ especialistas‐em‐marketing acesso em 13/01/2011.Oficina de Estratégia   
  8. 8. P á g i n a  | 8 © José Rodrigues de Farias Filho, D. Sc.    18 jan. 11   165,4 mil, em 2002, para um valor estimado de cerca de US$ 2,2 milhões em 2007, ou seja, um crescimentoSetor de vinhos finos superior a 1.200 % em cinco anos. investe R$ 3,8 O projeto iniciou suas atividades com amilhões na promoção adesão de apenas seis vinícolas de exportações brasileiras. Hoje, já são 28, sendo que 75% delas já efetivaram exportações e outras estão em processo de preparação. O mercado internacional tem mostrado uma tendência de demanda por vinhos vindos de áreas de produção mais novas, como é o caso do Brasil. A meta de exportações do Wines From Brazil até o final de 2009 é chegar a US$ 4 milhões, com crescimento ainda maior para os próximos anos. “Queremos cada vez mais mostrar não só para o nosso mercado, mas também para o mundo, que temos um produto de qualidade e queremos poder encher a boca para dizer que temos um dos melhoresSegunda-Feira, 03 de março de 2008 vinhos do mundo”, disse o Presidente da Apex-Brasil, Alessandro Teixeira, durante o evento de assinatura doNews Comex6 convênio.Nos próximos dois anos serão De acordo com o Presidente doinvestidos R$ 3,8 milhões em ações de Conselho Deliberativo do Ibravin,marketing internacional e de Denis Debiasi, os resultadosaproximação com o comprador. As alcançados até agora atestam o sucessoexportações brasileiras de vinhos do projeto que tem por objetivocresceram mais de cinco vezes nos promover internacionalmente o vinhoúltimos cinco anos, passando de US$ brasileiro. Ele salienta que as ações do772 mil em 2003 para US$ 4 milhões WFB incluindo a participação em feirasem 2007, sendo que as empresas e eventos internacionais trouxeramparticipantes do Wines From Brazil inúmeros benefícios às vinícolasforam responsáveis por 57% deste participantes do projeto. Entre elesvalor. O Brasil começou a exportar destacam-se: o volume exportado e ovinhos finos no início desta década. número de empresas exportadoras queDesde então, as exportações de vinhos era de apenas duas e chegou a 14 nofinos das empresas beneficiadas pelo ano passado.projeto de promoção passaram de US$ Outros resultados positivos                                                            6 Este Estudo de Caso foi publicado na News apresentados pelo Wines From Brazil Comex – – referem-se ao Projeto Comprador e ao http://www.newscomex.com.br/mostra_notici Projeto Imagem. O primeiro, contou a.php?codigo=8732 acesso em com 23 participantes e uma expectativa 13/01/2011.Oficina de Estratégia   
  9. 9. P á g i n a  | 9 © José Rodrigues de Farias Filho, D. Sc.    18 jan. 11  de negócios de U$ 1 milhão em 12 semestre, a estimativa é que omeses. Já o Projeto Imagem reuniu 37 crescimento médio tenha ficado emjornalistas, resultando em 57 28% em relação ao mesmo período dopublicações na mídia especializada, ano passado.sendo 50 só em 2007. As razões que impulsionam esse cenário são, de um lado, a retração do mercado consumidor europeu, que faz do Brasil um destino para os Importação de produtores desovarem estoques, de vinhos no Brasil outro, um movimento de antecipação de compras pelos importadores para cresce 28% no evitar gastos com a entrada em vigor, em novembro, do novo selo fiscal de semestre controle.   Entre janeiro e maio, segundo os dados Retração do mercado consumidor  consolidados do Instituto Brasileiro do europeu favorece o Brasil  Vinho (Ibravin), com base em informações do Ministério do - Consumo | 31/07/2010 11:25 Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a importação de vinho italiano aumentou 58,57%. A alta nas importações de vinho português foi de 24,8%, quase similar à compra de vinhos espanhóis, que cresceu 22,32%. Já a de vinhos franceses aumentou 11,76%. Como a demanda não experimenta uma explosão de consumo, a tendência é que o preço do vinho caia, já que a oferta vai se expandir e o produto é perecível. "O mercado europeu estáCrise na Europa impulsiona exportações para o realmente muito ruim", diz o dono da Brasil Mistral, Ciro Lilla. Ele alerta: "Há muito vinho ruim nessa oferta, produtores de pouca tradição e adegasRevista Exame7 pequenas sem produto de qualidade." A implantação do selo fiscal para garantir maior fiscalização sobre oSão Paulo - O ritmo de entrada de contrabando e diminuir a informalidade era uma reivindicaçãovinhos importados no mercado antiga do setor vitivinícola do País. Osnacional acelerou. No primeiro                                                             produtores acreditam que o selo7 Este Estudo de Caso foi publicado na Revista servirá para estimular a Exame – – competitividade do vinho nacional. As http://exame.abril.com.br/economia/noticias/i informações são do jornal O Estado de mportacao‐vinhos‐brasil‐cresce‐28‐semestre‐ S. Paulo. 583508 acesso em 13/01/2011.Oficina de Estratégia   
  10. 10. P á g i n a  | 10 © José Rodrigues de Farias Filho, D. Sc.    18 jan. 11   que só comem frutas e verduras que nunca tiveram contato com substâncias químicas podem ficar felizes ao saber O vinho "Verde" que um dos melhores vinhos do mundo Cresce a procura pelos vinhos  é tão orgânico quanto as folhas de orgânicos, feitos sem adição de  alface, chicória e acelga que eles adoram devorar. O Romanée-Conti é o substâncias químicas ‐‐ e que, dizem  mais célebre representante de um tipo os admiradores, não dão dor de  de bebida que vem causando frisson cabeça no dia seguinte  entre os ecochatos: o vinho orgânico. Trata-se de uma classificação poucoMarcelo Onaga, da EXAME - 15/12/2006 17:48 utilizada até poucos anos atrás, mas que começou a ganhar força com a onda natureba que vem invadindo os mercados do mundo inteiro. A procura é tão grande que já surgiram na Europa lojas especializadas na comercialização dos vinhos ecochatos. Os vinhos naturais entraram na moda nos últimos anos, principalmente na França. Atualmente, são consumidos cerca de 160 milhões de litros da bebida, o que representa 5% do total de 3,2 bilhões de litros vendidos por ano. Há cinco anos, a participação dos orgânicos não chegava a 2% do consumo total. "A divulgação dos produtos orgânicos como um todo e a Em alguns países da Europa, há lojas conscientização das pessoas, que se especializadas que vendem apenas vinhos preocupam mais com a saúde e com a orgânicos preservação da natureza, foram decisivas para elevar o consumo de vinhos orgânicos", diz Jean PierreRevista Exame8 Amoreau, dono do Château Le Puy, que desde 1610 produz vinhos naturais. É da vinícola de Amoreau que sai o Barthélemy, um dos melhores vinhosO que uma garrafa de Romanée-Conti naturais da França na opinião depode ter em comum com aqueles especialistas. "É um vinho semsaquinhos estufados de rúcula que nenhuma adição de sulfito", diz oficam à venda nos balcões refrigerados consultor francês Jacques Trefois, umdos supermercados? Nada, responderá, dos maiores especialistas no assunto. Ocom razão, quem pensar apenas em sulfito, aliás, é uma espécie de satanáspreço e sabor. Mas os consumidores dos vinhos para um ecoenófilo. Segundo os críticos, essa substância,                                                            8 Este Estudo de Caso foi publicado na utilizada para ajudar a conservar o Revista Exame – – vinho, é a culpada pelas dores de http://exame.abril.com.br/seu‐ cabeça que aparecem na manhã dinheiro/noticias/o‐vinho‐verde‐m0119342 seguinte a uma noite de degustação de acesso em 13/01/2011.Oficina de Estratégia   
  11. 11. P á g i n a  | 11 © José Rodrigues de Farias Filho, D. Sc.    18 jan. 11  taças e mais taças de vinhos comuns. não garante qualidade ao vinho. "Há"Vinhos naturais não dão dor de orgânicos maravilhosos e outros quecabeça. A ressaca é culpa do sulfito", são intragáveis", diz Veronique Raskin,diz o cantor Ed Motta, assumidamente fundadora da Organic Wine, uma dasradical na defesa dos vinhos naturais. primeiras lojas de vinho orgânico da"Hoje em dia só bebo vinhos orgânicos Califórnia. "O problema é que quemda Borgonha." prova um orgânico de má qualidade acha que todos os vinhos do tipo sãoMais sabor ruins."A predileção de Ed Motta pelos A classificação orgânica entre os vinhosnaturais nada tem a ver com o cuidado é um pouco mais complexa que a usadacom o corpo. O cantor é um dos entre verduras, frutas e legumes. Háentusiastas que tentam reproduzir no três divisões: orgânicos simples,Brasil o sucesso que os vinhos biodinâmicos e naturais. Os primeirosorgânicos fazem na França. Ele é são vinhos que usam apenas uvasresponsável, junto com o executivo cultivadas sem nenhum agrotóxico,Marcos Mikulis, pela nova carta de mas que podem ter substânciasvinhos do Hotel Emiliano, de São químicas adicionadas durante oPaulo. Parte dela terá vinhos orgânicos, processo de produção da bebida (comobiodinâmicos e naturais. "Os clientes o odiado sulfito). Os biodinâmicos sãocomeçam a procurar produtos desse uma espécie de "orgânicos esotéricos".tipo e queremos mostrar o que há de Além de não utilizar química nomelhor entre os vinhos", diz Mikulis. plantio das uvas, os produtoresTambém o restaurante paulistano respeitam o calendário lunar e fazemD.O.M., do premiado chef Alex Atala, preparos com ervas, água da chuva ecomeça a trabalhar com vinhos até chá de pêlos de rabo de cavalo enaturais. "É uma tendência. Os vinhos raspas de chifres de boi para borrifarnaturais são melhores que seus pares nas parreiras. Mas, durante o processonão-orgânicos", diz Celso La Pastina, de fabricação, a adição de compostosdono da World Wine, maior químicos também é permitida. Já osimportadora de vinhos orgânicos do naturais são os xiitas, os mais radicais -país. Por ter uma produtividade - e os mais desejados entre osreduzida e um processo de fabricação ecoenófilos. O cultivo das uvas é feitoquase artesanal, os vinhos orgânicos com base nos preceitos orgânicos ousão mais caros do que seus similares biodinâmicos. A grande diferença estánão-orgânicos -- chegam a custar o no processo de fabricação. "Nada podedobro de um vinho de qualidade ser acrescentado. É um vinhoequivalente. Muitas vezes, toda uma totalmente natural que reflete toda acolheita é perdida porque pragas que sua origem", diz o consultor Trefois.não foram combatidas com agrotóxicosdegustaram as uvas antes de elasvirarem vinho. Tem até chifre de boiOs fãs do produto dizem que vale apena. "São vinhos feitos por gente Não basta ser livre de agrotóxicos parapreocupada não só com dinheiro mas o vinho agradar aos enonaturistas maistambém em espalhar um estilo de vida radicaismais saudável", diz Ed Motta. A Orgânicosclassificação de orgânico, no entanto,Oficina de Estratégia   
  12. 12. P á g i n a  | 12 © José Rodrigues de Farias Filho, D. Sc.    18 jan. 11  Feitos com uvas cultivadas de formatotalmente natural, sem inseticidas,pesticidas nem agrotóxicos. Mas Setor de vinhospermitem a adição desubstâncias químicas para conservação cresce e atraiou correção de sabor empreendedoresBiodinâmicosO cultivo das uvas também étotalmente livre de produtos químicos. Por Jorge Lucki | De São Paulo - 09/09/2010Os produtores respeitam o calendáriolunar e utilizam poções à base de ervas,água da chuva e até raspas de chifre deboi para borrifar nas parreiras Jornal Valor Econômico9NaturaisSão os melhores. Podem usar uvasproduzidas de forma orgânica ou Há cerca de seis anos, uma amiga quebiodinâmica, mas os produtores não trabalhava em uma importadora deacrescentam nenhuma substância vinhos havia recebido convite de uma(química ou não) durante e depois do concorrente com significativa presençaprocesso de fermentação no mercado para mudar de empresa. O que a atraia na proposta não era, a rigor, eventuais vantagens financeiras nem o posto que iria ocupar, mas aClaro, a ausência completa de possibilidade de poder darconservante traz reflexos negativos continuidade a um trabalho que(por exemplo, as lesmas que desenvolvera e lhe dava prazer.acompanham as folhas de alface Imaginava que corria o risco perder oorgânica). A maioria dos vinhos que conquistara se ali permanecessenaturais não pode ser guardada por em função de uma suposta tendênciamuito tempo, tampouco suporta ser de concentração do setor, o que levariadeslocada por grandes distâncias. ao enfraquecimento/desaparecimentoQualquer variação de temperatura das pequenas e médias importadoras.pode provocar uma nova fermentação -- e, nesse caso, o melhor que se Tentei mostrar que no médio e longoconsegue é um vinagre para temperar a prazos o cenário seria diferente do querúcula orgânica. ela supunha. Argumentei que o mercado brasileiro estava se alargando e que havia um número cada vez maior de novos e bons produtores surgindo mundo afora, e que era inviável uma importadora montar uma estrutura que pudesse abranger tantos nomes                                                              9 Este Estudo de Caso foi publicado na Jornal Valor Econômico – – http://www.valoronline.com.br/impresso/cons umo/117/306310/setor‐de‐vinhos‐cresce‐e‐ atrai‐empreendedores?quicktabs_3=0 acesso em 13/01/2011.Oficina de Estratégia   
  13. 13. P á g i n a  | 13 © José Rodrigues de Farias Filho, D. Sc.    18 jan. 11  novos e trabalhá-los com eficiência. conseguidas nas feiras Vinitaly eAcreditava que novas importadoras Vinexpo de 2009, e no fim daquele anoapareceriam, o que seria benéfico para chegaram os vinhos sul-africanos eo mercado, atingindo mais e melhor o chilenos da Viña Maipo. A proposta éconsumidor, o que de fato ocorreu. chegar a 200 rótulos em 5 anos,Favorecido pelo bom comportamento cobrindo os cinco continentes e suasda economia, o mercado nacional de regiões mais importantes, e depois devinhos cresceu de forma consistente estabilizar, fazendo um trabalho denos últimos anos, atraindo cada vez implantação das marcas, estender ummais interessados em abrir novas pouco a linha de produtos.importadoras. Como canais de atuação a RavinO que realmente deve ser levado em estabeleceu dividir suas atenções entreconsideração é que o setor de vinhos restaurantes, delis e lojasimportados é bastante competitivo, especializadas, e supermercados,exigindo profissionalismo. Mais do que representando 30% cada, e 10% para oum ou outro bom produtor, é essencial consumidor final por meio da lojadefinir foco e ter um portfólio virtual (www.ravin.com.br), conjuntoadequado, além de estruturas que deve atingir receita de R$ 20administrativa e comercial bem milhões neste ano. Nada mal paramontada. quem investiu R$ 6,5 milhões no negócio. A boa gestão faz com que nãoAtendendo esses requisitos foi haja necessidade de mais aportes, e amontada a Ravin, importadora "máquina" está rodando com o própriocomandada por Rogério dAvila, que foi fluxo.diretor comercial da Expand durantevários anos, e Alberto Porto Alegre, O segredo para atingir essas metas éresponsável por três anos pela Wine estar bem representado nos principaisPremium, empresa do grupo Expand. centros de consumo espalhados peloA Ravin é tema da coluna de hoje e dá Brasil. Nesse aspecto, a Ravin containício a uma série de artigos abordando com representantes e equipe própria,algumas dessas novas importadoras. essa encarregada de mercados importantes, caso de São Paulo, capitalRogério e Alberto - as iniciais dos dois e interior, Brasília, Rio de Janeiro,compõem o nome da importadora - se Curitiba e Porto Alegre.conhecem há 20 anos, desde o tempoem que trabalhavam na antiga Na tabela, o portfólio completo daAntarctica - um era diretor comercial e importadora, comentado, com aso outro, diretor financeiro. Fizeram respectivas avaliações.MBA juntos e resolveram montar aempresa em março de 2009, trazendo colaborador-junto alguns produtores que jorge.lucki@valor.com.brsupostamente estavam descontentescom sua então representante no Brasil.O primeiro nome foi a BodegaArgentina Zuccardi, conhecida poraqui sobretudo pelos rótulos maispopulares Santa Julia. Vieram a seguirvinícolas italianas e francesas,Oficina de Estratégia   
  14. 14. P á g i n a  | 14 © José Rodrigues de Farias Filho, D. Sc.    18 jan. 11   vendido em garrafão e não era sequer feito com uvas próprias para a vinificação. Em suma, um desastre A aposta na completo. Foi quando as vinícolas qualidade familiares do sul do país decidiram apostar com mais força em vinhos As vinícolas nacionais lançam uma  elaborados com castas européias, como leva de vinhos considerada a melhor  cabernet sauvignon e merlot, vendidos da história do país  na faixa dos 20 reais. Nada que colocasse o Brasil em lugar de destaque no mundo do vinho, porém. Entendidos como o crítico americanoTiago Lethbridge e Ricardo Cesa, da EXAME - Robert Parker jamais enfiaram o nariz06/10/2006 17:56 numa taça que contivesse exemplar dessa categoria. A segunda revolução, que ainda está em andamento, pretende levar os vinhos do país para outro nível. Com investimento inédito na qualidade das uvas e na tecnologia de produção, os fabricantes nacionais estão colocando no mercado o que os especialistas consideram os melhores já feitos no país. Comercializados por cerca de 70 reais, vinhos como Talento, da Salton, e Terroir, da Miolo, desbravam um território desconhecido para os nacionais, no qual a competição com os importados pode ser ainda mais ingrata do que nas faixas de preço inferior. "O vinho brasileiro vai surpreender", diz Ângelo Salton Neto, presidente da Salton.Barricas de carvalho na Salton: origemfrancesa Para elaborar vinhos com capacidade para disputar esse segmento de mercado, as empresas nacionais foramRevista Exame10 forçadas, basicamente, a passar uma borracha no modo de produção anterior -- e investir pesadamente naO vinho brasileiro passou por duas modernização das vinícolas. A Miolo,revoluções na última década. A por exemplo, aplicou 50 milhões deprimeira delas, iniciada em meados reais nos últimos anos. Entre asdos anos 90, tirou o produto nacional práticas mais comuns estão a troca dasdo patamar anterior -- o intragável. Até videiras antigas por novas variedades,então, o vinho brasileiro típico era importadas da Europa, a aquisição de                                                             barricas de carvalho produzidas na10 Este Estudo de Caso foi publicado na Revista Exame – – França e nos Estados Unidos e a http://exame.abril.com.br/revista‐ adoção de novas técnicas de cultivo. A exame/edicoes/0878/negocios/noticias/a‐ Salton, uma das maiores do país, aposta‐na‐qualidade‐m0113175 acesso em importa 300 barricas por ano. Cada 13/01/2011.Oficina de Estratégia   
  15. 15. P á g i n a  | 15 © José Rodrigues de Farias Filho, D. Sc.    18 jan. 11  uma custa quase 3 000 reais. Além Paralelo 8 R$ 68disso, os produtores estão desbravandooutras áreas, como a Campanha Por que é caroGaúcha e o Vale do São Francisco, o Produzido com cinco uvas do Vale doque requer ainda mais investimento na São Francisco, o novo tinto da Expandcompra de lotes de terra. Tome-se o terá produção limitada de 3 000exemplo da importadora Expand, do garrafasempresário Otávio Piva deAlbuquerque. A empresa iniciou há Fonte: empresastrês anos a produção de vinhos. Em vezde apostar no tradicional Vale dos O maior desafio dos ProdutoresVinhedos, na Serra Gaúcha, optou pelo nacionais, claro, é convencer oNordeste. Os primeiros exemplares consumidor de que investir 70 reaisnão chamaram atenção, mas a versão num vinho brasileiro não é um ato dereserva do Rio Sol, produzido com a loucura ou um sinal de patriotismouva syrah, foi vista como promissora. patológico. De acordo com osPiva, então, tomou uma atitude rara especialistas, as prateleiras deentre seus pares: mandou um exemplar importadoras e supermercados estãopara avaliação da conceituada revista repletas de excelentes vinhos nessainglesa Decanter, que então faixa de preço, especialmenterecomendou sua compra. "Nas argentinos e chilenos. "A grandepróximas semanas, vamos lançar nosso dificuldade das vinícolas é apagar amais ousado vinho, o Paralelo 8, que imagem do produto nacional comocustará 68 reais", diz Piva. O Paralelo 8 sinônimo de vinho de garrafão", dizjá chega com boas credenciais. Adriano Miolo. Para auxiliar nessaRecentemente, o vinho recebeu a tarefa, os brasileiros têm contratadoclassificação 83 -- de um total de 100 -- especialistas consagrados do mundo doda prestigiada revista Wine Spectator. vinho, que atuam como consultores na produção -- e podem servir para convencer os consumidores céticos, já que seus nomes são vistos como umaAs novidades dos brasileiros espécie de atestado de qualidade. O mais destacado membro dessa turma éOs vinhos premium que as vinícolas o francês Michel Rolland. Consideradonacionais estão lançando no mercado um dos mais experientes enólogos doSalton Desejo R$ 70 planeta, Rolland foi contratado há três anos para transformar a produção daPor que é caro Elaborado com as Miolo. Uma de suas sugestões foi ummelhores uvas merlot da Salton, teve drástico corte na produção. Com otoda a produção acompanhada por objetivo de aumentar a concentraçãoenólogos estrangeiros de açúcar nas uvas, Rolland mandou reduzir de 20 para apenas 2 quilos aMiolo Terroir R$ 58 quantidade de uvas produzidas por videira. As outras vinícolas fizeram oPor que é caro mesmo. Para elaborar seu vinho maisCom tiragem de apenas 18 000 caro, o Talento, a Salton trouxe dagarrafas, o Terroir é considerado o argentina um consultor que ganhoumelhor tinto já produzido pela Miolo fama na Trapiche, Angel Mendoza. Nos próximos meses, a companhia lança o primeiro vinho produzido do início aoOficina de Estratégia   
  16. 16. P á g i n a  | 16 © José Rodrigues de Farias Filho, D. Sc.    18 jan. 11  fim com o auxílio de Mendoza, o SaltonDesejo, elaborado com uvas merlot evendido por 70 reais. "Os melhoresvinhos brasileiros são até comparáveis Hora de brindar?aos chilenos, argentinos e australianos Depois de quase falir, a Vinícola da mesma faixa de preço", diz Arthur Aurora volta a lucrar. Mas ainda é Azevedo, presidente da Associação cedo demais para comemorar Brasileira de Sommeliers. "Isso já é umgrande feito para o Brasil, pois hápoucos anos não cabia comparaçãoalguma." Suzana Naiditch - 05/03/2002 17:48Nessa aposta de qualidade, osprodutores nacionais tentam seguircaminho semelhante ao trilhado por Revista Exame11seus pares argentinos. Até dez anosatrás, o vinho do país vizinho eradestinado basicamente ao consumointerno. Empresários como Nicolás Na segunda semana de novembro doCatena, da Catena Zapata, ano passado, a gaúcha Aurora, a maiortransformaram o vinho argentino fabricante brasileira de vinhos, nãoinvestindo em pesquisa do solo, seleção tinha mais o espumante da marcade videiras e, inclusive, adotando uma Marcus James para atender aosuva "nacional", a malbec. O resultado é pedidos do varejo. As vendasque hoje alguns vinhos argentinos alcançavam 192 mil garrafas, quaseatingem pontuações altíssimas nas 130% a mais que o volumedegustações internacionais. O malbec comercializado em 2000. AlgunsAchaval Ferrer, considerado o melhor meses antes o espumante já havia sidoda América do Sul, levou 96 pontos da aprovado pela crítica -- sua versão BrutWine Spectator, feito inimaginável até 2000 recebeu medalha de ouro nouma década atrás. No Chile, a Concha y concurso Vinalies InternationalesToro elabora o Don Melchor, que já 2001, em Paris, França. "Ganharganhou 95 pontos da mesma revista e é medalha de ouro na terra dovendido no Brasil por 250 reais. É champanhe é como ganhar um Oscar",justamente nessa faixa de preço que os diz o advogado Hermes Zaneti, 58brasileiros miram quando preparam anos, superintendente da empresa. "Asua próxima investida. "Vamos lançar consagração do nosso produtoum vinho de 100 dólares nos próximos simboliza a recuperação da Aurora."cinco anos", diz Adriano Miolo. Restaao consumidor torcer para que a Por recuperação entenda-se terqualidade cresça na mesma proporção fechado o ano passado com um lucrodo preço. de 2 milhões de reais, modesto para o faturamento de 100 milhões, mas uma mudança -- perdoem o trocadilho -- da                                                              11 Este Estudo de Caso foi publicado na Revista Exame – – http://exame.abril.com.br/revista‐ exame/edicoes/0761/empresas/noticias/hora‐ de‐brindar‐m0052387 acesso em 13/01/2011.Oficina de Estratégia   
  17. 17. P á g i n a  | 17 © José Rodrigues de Farias Filho, D. Sc.    18 jan. 11  água para o vinho, já que seis anos Gonçalves. Orçado inicialmente em 6atrás a empresa enfrentava um milhões de reais, no fim de 1995 jáprejuízo de 34 milhões de reais (veja havia consumido uma soma quasequadro na pág. XX). Controlada por cinco vezes maior. Outro projeto, o deuma cooperativa de produtores de uva uma fábrica de suco concentrado, foide Bento Gonçalves, a Aurora havia ainda mais infeliz: engoliu pelo menoschegado a um ponto crítico: para cada 8 milhões de reais e é hoje umreal de faturamento contabilizava 2,84 esqueleto abandonado. "Queríamosreais de dívida vencida. No início de eliminar a ociosidade dos produtores e1996, um comitê de 12 bancos credores fugir da monocultura, mas a crise nosliderado pelo Banco do Brasil afastou a pegou", diz José Alberici, ex-presidentediretoria da empresa e indicou dois da Aurora e hoje dono de umaexecutivos para negociar o passivo de distribuidora de vinhos. "Com a84 milhões de reais, somente com as abertura do mercado, o setor de vinhosinstituições financeiras. No total, sofreu muito."considerando atrasos comfornecedores, impostos, associados e A Aurora também foi prejudicada poroutros, o débito chegava a 127 milhões. uma orientação assistencialista. Entre 1989 e 1996, cerca de 40 milhões deAlguns meses depois, Zaneti, nascido e reais, boa parte deles emprestada porcriado entre parreirais da serra gaúcha, bancos, foram gastos com planos defoi chamado pelos associados da saúde, odontológico e farmacêuticocooperativa para assumir as rédeas do para os associados da cooperativa enegócio e representá-los perante os seus familiares. "Estávamos investindobancos credores. Ele ficara conhecido no bem-estar do cooperado", afirmano Rio Grande do Sul na década de 70 Alberici. Eram cerca de 6 mil pessoaspor sua atuação como líder sindical dos recebendo benefícios bancados pelaprofessores, quando se acostumou a empresa. "A política de assistênciacomandar greves do magistério. tinha de acabar ou iria afundar de vez aDepois, fez carreira política como Aurora", diz Zaneti. "Os associadosdeputado federal e representou a estavam distanciados do negócio, e foiregião vinícola em Brasília por dois duro explicar a eles que não erammandatos. "Meu maior desafio passou funcionários, e sim os donos." Zeferinoa ser recuperar uma empresa que Riboldi, o presidente da cooperativa,estava praticamente quebrada", diz. confirma a falta de informação dos associados. "Foi um baque para nós",Como a Aurora havia chegado a tal diz. "Os antigos gestores escondiam assituação? A crise financeira da empresa coisas. Éramos donos de direito, masresultou de uma combinação de má não de fato." Uma das providências degestão com investimentos mal Zaneti foi criar canais de comunicação.dimensionados e falta de condições Atualmente, os associadospara concorrer com os vinhos acompanham o dia-a-dia da empresaestrangeiros que invadiram o mercado por um programa de rádio de cincobrasileiro desde a abertura da minutos. Na festa dos 70 anos daeconomia, na primeira metade dos Aurora, em abril de 2001, a família dosanos 90. Um dos projetos que produtores foi convidada a visitar asangraram o caixa da vinícola foi o da sede, no centro de Bento Gonçalves.construção de um vinhoduto de 4,5 Muitos cooperados nunca haviamquilômetros de extensão entre as duas colocado os pés lá.unidades de produção em BentoOficina de Estratégia   
  18. 18. P á g i n a  | 18 © José Rodrigues de Farias Filho, D. Sc.    18 jan. 11  A ruína financeira comprometeu a tal safras passadas. "O que manteve aponto a competitividade da Aurora que Aurora de pé foi a confiança dosela perdeu seu principal contrato de cooperados", diz Cézar Lindemeyer,exportação. Os vinhos Marcus James, hoje gerente-geral da SLC Alimentos e,vendidos nos Estados Unidos desde na época, consultor da Aurora. "Eles1988, garantiam à cooperativa 12 continuaram entregando sua produçãomilhões de dólares em 1997. Mas, no sem saber se receberiam por ela e se asfim daquele ano, a importadora dívidas acumuladas seriam pagas."americana rompeu o contrato. Zaneti Para convencê-los, Zaneti promoveu 15então reuniu sua equipe de vendedores assembléias. "Eles acabarame fez um discurso inflamado como nos compreendendo que precisávamostempos de sindicalista. Pediu a eles que pagar primeiro os fornecedores e osconseguissem o que parecia impossível impostos atrasados", diz.-- colocar no mercado interno osvinhos que não iriam mais para os Mesmo há dois anos, quando faltouEstados Unidos. Deu certo. Sem uva e os produtores da Aurora foramexportar, a Aurora faturou em 1998 os assediados por outras vinícolas, amesmos 57 milhões de reais que havia maioria deles resistiu. "Outrasregistrado quando ainda contava com o empresas esfregaram cheques no narizcontrato de exportação. dos associados, oferecendo preço superior, à vista, enquanto a AuroraAs relações políticas do ex-deputado pagava o preço de mercado em dezforam fundamentais para conseguir vezes", diz Zaneti. Os que sucumbiramum acordo com os bancos credores, foram expulsos da cooperativa. Algunsfirmado como protocolo de intenções saíram por vontade própria. Das 1,5em 1997, mas só assinado dois anos mil famílias que havia em 1996, restamdepois. Ele resultou na formação de 1,2 mil. Para cortar custos, o quadro deduas novas empresas: a Ativos e a funcionários também foi reduzido: deAurora Vinhos, ambas controladas pela 518 há seis anos para 280 atualmente.Cooperativa Vinícola Aurora. A Vinhosé a gestora do negócio. A Ativos A relação mais pragmática com osassumiu o patrimônio, as marcas e as associados permitiu contornar umdívidas com os bancos, hoje ainda na problema comum da cooperativa: nãocasa dos 76 milhões de reais. O acordo, conseguir vender toda a produção queatualmente sob análise da Comissão de é obrigada a receber. "A Aurora estáValores Mobiliários (CVM), prevê a fazendo o associado produzir aquiloabertura de capital da Ativos para que que o mercado pode absorver", dizsejam emitidas debêntures no valor de Adolfo Lona, diretor de operações e56 milhões de reais, com prazo de enólogo responsável da concorrenteresgate de até 20 anos. Um patrimônio Bacardi, Martini do Brasil. Adaptar aestimado em 20 milhões de reais será produção às mudanças do mercado évendido para quitar o restante da vital no setor. Há poucos anos, o paísdívida. viveu a euforia dos vinhos brancos -- chegou a importar grandes volumesDos débitos com fornecedores e dos alemães de garrafa azul, deimpostos, que somavam 21 milhões de qualidade duvidosa. Depois, veio areais em 1996, mais de 85% foram onda do tinto. Foi quando faltouquitados e o restante foi renegociado. A matéria-prima para as vinícolas. Emcooperativa ainda deve também aos 1998, percebendo que não teriapróprios associados o pagamento de condições de atender à expansão doOficina de Estratégia   
  19. 19. P á g i n a  | 19 © José Rodrigues de Farias Filho, D. Sc.    18 jan. 11  mercado, a Aurora montou umasubsidiária no Uruguai, onde produzvinhos tintos, como o Marcus James e DA ÁGUA PARA O VINHOo Conde de Foucauld. O desempenho da Vinícola AuroraO acordo com os bancos deu fôlego à melhorou em comparação com o decooperativa para investir na qualidade cinco anos atrásdo produto. Os rótulos e as garrafas 1996 2001foram renovados e a Aurora passou aaproveitar a força dos produtos mais Faturamento* 43 100tradicionais, como os vinhos MarcusJames, para manter a liderança. Lucro líquido* -34 2Muitas marcas e linhas foram retiradas Dívidas* 127 91do catálogo: dos 179 itens que vendiaem 1996, restam 62. Entre eles, marcas Volume de vendas** 25 38populares tradicionais, como o Sanguede Boi, que explicam por que a Aurora Funcionários 518 250é líder do mercado em volume, com28% da comercialização de vinhoscomuns engarrafados no país. A apostaprincipal, porém, se dá nos vinhosfinos, a categoria mais rentável e que (Quase) como namais tem crescido -- nos últimos dois Borgonhaanos, o consumo per capita no Brasilaumentou 15%. Surgem no Brasil pequenos  produtores que apostam no Ainda é cedo para dizer se a artesanato de vinhos recuperação da empresa é sólida.Segundo o ex-presidente Alberici, elase deve, principalmente, à mudança naconjuntura, hoje propícia ao vinho Ricardo Cesar, da EXAME - 02/03/2007 17:08nacional. Pode ser. Além de reduzir umendividamento ainda elevado, Zaneti e Revista Exame12seu time têm agora o desafio de tentarrecuperar a posição da Aurora comoexportadora e abrir novos mercados.Em 2001, a Aurora faturou 500 mil Os amantes de vinhos podem serdólares com exportações para países divididos em duas esferas ideológicas -como Japão, Finlândia e Paraguai. A - a pragmática e a romântica. Ameta para 2002 é exportar 6 milhões primeira é formada por defensores dade dólares. A empresa começou o ano tecnologia e da produção em largaembarcando sua primeira remessa de escala, combinação cujo resultado é umvinhos e espumantes para a China. tipo de vinho moderno, sempre ao"Meu sonho é vender uma colher de gosto dos maiores mercadosvinho para cada chinês", diz Zaneti.                                                              12 Este Estudo de Caso foi publicado na Revista Exame – – http://exame.abril.com.br/revista‐ exame/edicoes/0887/consumo/noticias/quase‐ como‐na‐borgonha‐m0123036 acesso em 13/01/2011.Oficina de Estratégia   
  20. 20. P á g i n a  | 20 © José Rodrigues de Farias Filho, D. Sc.    18 jan. 11  consumidores. Os ídolos dessa turma estilo de vinho que ganhamsão o influente crítico americano seja "natural" ao característicasRobert Parker e o onipresente francês clima da região regionais e nãoMichel Rolland, o mais destacado são padronizadosconsultor globalizado do mundo. Asregiões produtoras onde essa ideologia Evitam uso As característicasgrassa são a Califórnia e a Austrália. Já excessivo de barris da uva ficam maiso grupo dos românticos é formado de carvalho na evidentes e nãopelos adeptos da produção artesanal, produção de seus são disfarçadasque empregam técnicas tradicionais de vinhos pelo gosto e peloplantio e vinificação e acham que aroma de madeiraParker e Rolland são responsáveis por Supervisionam São vinhos deuma padronização dos vinhos que toda a vinificação autor, que levam aameaça antigas tradições. Esse pessoal assinatura e atem entre seus mais fervorosos marca de quemdefensores os pequenos produtores produzitalianos e franceses. Sua região-símbolo é a Borgonha, conhecida pelainfinidade de pequenas vinícolas. Até Em sua maioria, os novos produtoresrecentemente, esse embate ideológico brasileiros são tão apaixonados pornão existia entre os produtores vinho que largaram tudo e decidirambrasileiros. Os fabricantes que estudar enologia para produzir osdominam o mercado, como Salton e próprios rótulos. Enquanto unsMiolo, são exemplares típicos do sonham em sair da cidade para abrirprimeiro grupo (a Miolo usa os serviços sua pousada na praia, eles decidiramde Rolland, por sinal). Nos últimos construir vinícolas. Foi o que fizeram oanos, porém, o pessoal pró-Borgonha administrador de empresas Luíscomeçou a surgir. De forma discreta, Henrique Zanini, da Vallontano;apareceram no sul do país Werner Schumacher, da Quintapequeníssimos produtores artesanais, Ribeiro de Mattos, que durante 26que fazem quantidades muito limitadas anos vendeu equipamentos e insumosde vinhos -- e a boa notícia é que para vinícolas, mas nunca haviaalguns têm qualidade surpreendente. produzido; o economista Álvaro Escher, da Cave Ouvidor; e o publicitário e fotógrafo profissionalO avanço dos pequenos Marco Danielle, da Tormentas. TodosO que diferencia as microvinícolas das trabalham com poucos recursos,grandes produtoras do país produção reduzida -- alguns não chegam a 300 garrafas anuais, menosO que eles fazem Qual o resultado de 1% do volume dos concorrentes deColhem e Isso evita que maior estrutura --, nenhuma verba deselecionam os galhos ou grãos marketing e, em alguns casos, nemgrãos defeituosos sejam contam com distribuidores. Quemmanualmente, fermentados por estiver interessado tem de entrar emenquanto as engano, contato direto para efetuar a compra. Égrandes usam melhorando a preciso muita curiosidade emáquinas qualidade do persistência para dar-se ao trabalho desofisticadas produto final descobrir esses vinhos e encomendar algumas garrafas.Procuram um Os vinhosOficina de Estratégia   
  21. 21. P á g i n a  | 21 © José Rodrigues de Farias Filho, D. Sc.    18 jan. 11  O que diferencia esses produtores das caprichada com métodos modernos devinícolas comerciais é que para eles o vinificação, o que resulta em vinhosvinho não é apenas um negócio, mas que se encaixam com mais facilidadeum estilo de vida. Escher, da Cave no gosto popular. Outra vinícola queOuvidor, refugiou-se em um sítio sem tem recebido muitos comentárioseletricidade em Garopaba, em Santa favoráveis de especialistas é a gaúchaCatarina, onde usa a rara uva peverella Dal Pizzol, espécie de precursora napara produzir o branco Insólito, um fabricação de vinhos de qualidade nodos vinhos que estão ganhando Brasil. Recentemente, o americanoentusiastas nas rodas de especialistas. Jonathan Nossiter, autor doSeu método de produção é a antítese documentário Mondovino e notóriodos grandes projetos de Salton e Miolo. defensor do jeitão da Borgonha, levouAlguns produtores, como Marco uma garrafa do Dal Pizzol Merlot daDanielle, da Tormentas, exigem que a safra 1981 para que José Bonifácio deseleção das uvas que serão vinificadas Oliveira Sobrinho, o Boni, o degustasseseja manual, grão por grão -- e não por às cegas (ou seja, sem que soubesse demeio de máquinas, como acontece nas que vinho se tratava). Boni, dono demaiores vinícolas. "Quero expressar o uma das maiores adegas do país,que o solo e o clima nos dão", diz chutou alto. "Ele achou que era umSchumacher, da Ribeiro de Mattos. Saint-Emilion, uma sub-região de"Meu trabalho é artesanal, nunca vou Bordeaux", diz Nossiter. Para umcompetir com empresários que têm brasileiro que sonha em fazer vinhos700 hectares de vinhedos." O resultado como na Borgonha, ver seu produtosão garrafas que, se ainda estão a anos- confundido com um Bordeaux nãoluz de ícones da Borgonha, como o chega a ser má notícia.Romanée-Conti, entusiasmam algunsconhecedores. Um deles, o músico EdMotta, escreveu recentemente que oInsólito o "emocionou além da conta" eque o Minimus Anima, da Tormentas,é o tinto brasileiro de maiorpersonalidade que já degustou.Se os microprodutores brasileiros jácomeçam a conquistar os especialistas,seu estilo nem sempre agradarábebedores habituados aos chilenos eargentinos que invadiram o Brasil nadécada de 90. Por recusar fórmulasmodernas a que os consumidores estãoacostumados -- vinhos muitoconcentrados, com uso intensivo debarris de carvalho e teor alcoólicoelevado --, alguns produtos artesanaispodem causar estranheza em umprimeiro momento. A Villa Francioni,da região serrana de Santa Catarina, évista como a com mais potencial paraagradar ao grande público. A vinícolareúne uma produção extremamenteOficina de Estratégia   

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