Ficha sobre orações

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Ficha sobre orações

  1. 1. AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE SAMPAIO FICHA DE GRAMÁTICA — PORTUGUÊS ORAÇÕES coordenadas / subordinadas ORAÇÕES COORDENADAS Refira o tipo de coordenação que pode estar presente nas orações assindéticas abaixo indicadas. 1. ORAÇÕES COORDENADAS ASSINDÉTICAS As orações coordenadas assindéticas ligam-se a outras orações coordenadas por intermédio apenas de uma vírgula. São coordenadas assindéticas as orações nas quais se pode substituir a vírgula por uma conjunção coordenativa. 1.1. «Nada sou, nada posso, nada sigo.» (Fernando Pessoa) 1.2. «Ter razão, ter vitória, ter amor.» (Fernando Pessoa) 1.3. «Ilude, fixa, dá, faz ou possui.» (Fernando Pessoa) 1.4. «Tudo se ouve, nada se vê.» (Fernando Pessoa) 1.5. «Não passem em mim, não quebrem meu ser, não partam meu corpo, / Não me arremessem» (Álvaro de Campos) 1.6. «Ruge, estoira, vence, quebra, estrondeia, sacode, / Freme, treme, espuma, venta, viola, explode, / Perde-te, transcende-te, circunda-te, vive-te, rompe e foge.» (Álvaro de Campos) 1.7. «Tudo o que vimos é nós, vivemos só nós no mundo.» (Álvaro de Campos) Sublinhe as orações coordenadas introduzidas por uma conjunção/locução conjuncional ou por um advérbio conectivo (ou locução adverbial) em todos os exemplos que se seguem. ORAÇÕES COORDENADAS COPULATIVAS As orações coordenadas copulativas estabelecem uma relação de adição com a oração coordenada a que se ligam por meio de uma conjunção ou locução conjuncional coordenativa copulativa. 2.1. «Eu vejo-me e estou sem mim. / Conheço-me e não sou eu.» (Fernando Pessoa) 2.2. Não só deito o vinho, como também verto o olvido na taça da vida, dizia Ricardo Reis. 2.4. «Não durmo, nem espero dormir.» (Álvaro de Campos) 1 2.3. «Não quero recordar nem conhecer-me.» (Ricardo Reis) Página 2.
  2. 2. 3. ORAÇÕES COORDENADAS ADVERSATIVAS As orações coordenadas adversativas estabelecem uma relação de oposição ou contraste com a oração coordenada a que se ligam por meio de uma conjunção coordenativa adversativa ou por um advérbio conectivo/locução adverbial. 3.1. «Sabe bem olhar p'ra ela, / Mas não lhe sabe falar.» (Fernando Pessoa) 3.2. «O dia deu em chuvoso, / A manhã, contudo, esteve bastante azul.» (Fernando Pessoa) 3.3. «Estou cansado de ter sonhado, porém não cansado de sonhar.» (Bernardo Soares) 3.4. «Há mais eus do que eu mesmo, / Existo todavia / Indiferente a todos.» (Ricardo Reis) 3.5. «Fui até ao campo com grandes propósitos / Mas lá encontrei só ervas e árvores» (Álvaro de Campos) 3.6. Fernando Pessoa era reservado e solitário por natureza, no entanto, manteve convívio com algumas das mais notáveis figuras da literatura do seu tempo. 4. ORAÇÕES COORDENADAS DISJUNTIVAS As orações coordenadas disjuntivas estabelecem uma relação de alternativa ou alternância entre si ou com a oração coordenada a que se ligam por meio de uma conjunção ou locução conjuncional coordenativa disjuntiva. 4.1. «Vão para o diabo sem mim, / Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!» (Álvaro de Campos) 4.2. «Não disse não ou não disse sim» (Álvaro de Campos) 4.3. «Ora acertando com o que quero dizer, ora errando» (Alberto Caeiro) 4.4. «Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.» (Ricardo Reis) 5. ORAÇÕES COORDENADAS CONCLUSIVAS As orações coordenadas conclusivas estabelecem uma relação de conclusão ou consequência com a oração coordenada a que se ligam por meio de uma conjunção coordenativa conclusiva ou por um advérbio conectivo/locução adverbial. 5.1. «Vejo, logo existo.» (Fernando Pessoa) 5.2. «Duvido, portanto penso.» (Fernando Pessoa) 5.3. «[…] não existes […] por isso consolas […]» (Álvaro de Campos) ORAÇÕES COORDENADAS EXPLICATIVAS As orações coordenadas explicativas estabelecem uma relação de explicação (não confundir com as subordinadas causais) com a oração coordenada a que se ligam por meio de uma conjunção conclusiva. 6.1. «Não doas, que morrer é continuar.» (Fernando Pessoa) 6.2. «Não tardo, que eu nunca tardo…» (Álvaro de Campos) 6.3. «Nada quer, pois negar é tudo.» (Fernando Pessoa) 6.4. «Não tomou ainda consciência de si […], porquanto o movimento poético atual é ainda embrião 2 quanto a tendências.» (Fernando Pessoa) Página 6.
  3. 3. ORAÇÕES SUBORDINADAS Sublinhe as orações subordinadas introduzidas por uma conjunção/locução conjuncional subordinativa, tendo presente que o que não ficou sublinhado corresponde a uma oração subordinante. ADVERBIAIS 1. ORAÇÕES SUBORDINADAS CAUSAIS As orações subordinadas causais exprimem a causa, o motivo ou a razão do acontecimento expresso na oração subordinante, de que dependem. 1.1. «Tento saber, porque tentar é ser.» (Fernando Pessoa) 1.2. «Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.» (Álvaro de Campos) 1.3. «Já que não tenho lar, / Deixa-me estar / Nesta visão / Do lar de então» (Fernando Pessoa) 1.4. «Ao raciocinador ideal bastaria, visto que o sistema do universo se acha logicamente contido no brin de paille, analisá-lo bem.» (Fernando Pessoa) 2. ORAÇÕES SUBORDINADAS COMPARATIVAS As orações subordinadas comparativas estabelecem uma comparação, uma relação de quantidade ou de qualidade com os factos expressos na oração subordinante, de que dependem. Nota que frequentemente o verbo não aparece expresso neste tipo de orações subordinadas. As orações subordinadas comparativas correspondem ao segundo termo das comparações. 2.1. «Minha alma é talvez qualquer cousa / Como essa máquina errada.» (Fernando Pessoa) 2.2. «Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade. / Estou hoje lúcido, como se estivesse para 2.3. 2.4. 2.5. 2.6. 2.7. 2.8. morrer» (Álvaro de Campos) «[…] andava na cidade como quem não anda no campo» (Alberto Caeiro) «Ao fim do luar pressinto / Melhores sonhos que estes da ilusão.» (Fernando Pessoa) «Uma bola de criança / Sobe mais que a minha ‘sp’rança, / Rola mais que o meu desejo.» (Fernando Pessoa) «O amor romântico […] dura tanto quanto dura.» (Fernando Pessoa) «Quis grandeza / Qual a sorte a não dá.» (Fernando Pessoa, Mensagem) Conforme cresce o dinheiro, assim também crescem os cuidados. 3. ORAÇÕES SUBORDINADAS CONCESSIVAS 3.2. «Deixa meu ser que rememora / Sentir o amor, / Ainda que amar seja um receio, uma lembrança falsa e vã» (Fernando Pessoa) Página 3.1. «Embora te não conhecesse […], / Sei que me amaste também» (Álvaro de Campos) 3 As orações subordinadas concessivas indicam um facto que se opõe à ação expressa na oração subordinante, uma oposição, uma contrariedade que não consegue impedir a realização dessa mesma ação.
  4. 4. 3.3. «O rio, sem que eu queira, continua.» (Fernando Pessoa) 3.4. «Santo António, és portanto / O meu santo / Se bem que nunca me pegasses / Teu franciscano sentir, / Católico, apostólico e romano.» (Fernando Pessoa) 3.5. «Não acredites, nem que seja eu.» (Fernando Pessoa) 3.6. «Tu verdadeiramente morto […] / Mesmo que estejas muito mais vivo além…» (Álvaro de Campos) 3.7. Apesar de ter perdido o pai em criança, Fernando Pessoa nunca fala disso biograficamente. 4. ORAÇÕES SUBORDINADAS CONDICIONAIS As orações subordinadas condicionais exprimem as condições de que dependem as ações expressas nas orações subordinantes. As orações subordinadas condicionais podem ser consideradas, em relação ao sentido, reais (factuais), hipotéticas ou irreais (contrafactuais). 4.1. «Se eu adoecesse pensaria nisso.» (Alberto Caeiro) 4.2. «Fadas, se existem, são de pouca dura.» (Fernando Pessoa) 4.3. «Só se consegue pensar / Desde que o verso de cima / Tenha outro em baixo a fechar.» (Fernando Pessoa) 4.4. «Não poderia ser tu, não sendo tu, / A menos que fosse um Deus.» (Fernando Pessoa) 4.5. «Fazei o que quiserdes de mim, logo que seja nos mares» (Álvaro de Campos) 5. ORAÇÕES SUBORDINADAS CONSECUTIVAS As orações subordinadas consecutivas indicam a consequência da ação expressa na oração subordinante. Normalmente aparecem elementos (correlativos) a antecipar ou a anunciar o «que», conjunção que introduz geralmente este tipo de oração subordinada. 5.1. «Era tão feliz outrora / Que já não sei se era eu.» (Fernando Pessoa) 5.2. «Tenho tal sono que pensar é um mal.» (Fernando Pessoa) 5.3. «Compreendo-te tanto que não sinto.» (Fernando Pessoa) 5.4. «As nossas sensações devem ser expressas de tal modo que criem um objeto que seja uma sensação para os outros.» (Fernando Pessoa) 5.5. «Com tal fúria nos amemos / Que arda sua lembrança» (Ricardo Reis) 6. ORAÇÕES SUBORDINADAS FINAIS As orações subordinadas finais indicam a finalidade, a intenção, o objetivo, o propósito da realização da oração expressa na oração subordinante, de que dependem. 6.3. 6.4. 6.5. Página 6.2. Mensagem) «Deu-me Deus o seu gládio, por que eu faça / A sua santa guerra.» (Fernando Pessoa, Mensagem) A editora Mandrake Press fazia chegar às mãos de Crowley as cartas idas de Portugal a fim de que a mistificação não fosse desmontada. «Multipliquei-me para me sentir» (Álvaro de Campos) «O que é o tempo, para que eu o aproveite?» (Álvaro de Campos) 4 6.1. «Quantas noivas ficaram por casar / Para que fosses nosso, ó mar!» (Fernando Pessoa,
  5. 5. 7. ORAÇÕES SUBORDINADAS TEMPORAIS As orações subordinadas temporais situam no tempo a oração subordinante ou estabelecem uma referência temporal em relação à oração subordinante de que dependem. Situam um acontecimento num momento anterior, posterior ou simultâneo à ação expressa na subordinante. 7.1. «Quando andam à roda os pares, / Anda à roda a sensação.» (Fernando Pessoa) 7.2. «Logo que nasci / Fecharam-me em mim» (Fernando Pessoa) 7.3. «Flor morta, boia no meu sonho, até / Que a leve o vento» (Fernando Pessoa) 7.4. «Desde que saíste / Desta prisão fechada […] / Meu coração é inerte e infecundo» (Fernando 7.5. 7.6. 7.7. 7.8. Pessoa) «Sempre que estou pensando numa cousa, estou pensando noutra» (Álvaro de Campos) «Enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!» (Álvaro de Campos) «Desde que comecei a escrever passaram cinco minutos.» (Álvaro de Campos) «Assim que foi lançada, em 1915, na cidade de Lisboa, a revista Orpheu foi alvo da ira por parte de escritores conservadores como o poeta católico Ruy Cinatti». SUBSTANTIVAS Sublinhe as orações subordinadas introduzidas por uma conjunção subordinativa completiva ou por um pronome relativo e indique a função sintática que exercem relativamente ao elemento subordinante. 8. ORAÇÕES SUBORDINADAS COMPLETIVAS As orações subordinadas completivas, tal como o nome indica, completam o sentido do elemento subordinante, desempenhando uma função sintática na frase. Assim, podem constituir o sujeito, o predicativo do sujeito, o complemento direto, o complemento ou modificador do nome. São introduzidas pelas conjunções subordinativas completivas que, se, para. 8.1. «Eu confesso / Que nunca escreveria / Este vago poema» (Fernando Pessoa) 8.2. «Trazem nas mãos o coração / E perguntam se é seu…» (Fernando Pessoa) 8.3. «Eu não sabia então que era feliz.» (Fernando Pessoa) 8.4. «Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim, / Particular ou público, ou do vizinho. / Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.» (Álvaro de Campos) 8.5. «Os deuses concedem / Aos seus calmos crentes / Que nunca lhes trema / A chama da vida» (Ricardo Reis) Página As orações subordinadas relativas (sem antecedente) tal como o nome indica, completam o sentido do elemento subordinante, desempenhando uma função sintática na frase. Assim, podem constituir o sujeito, o predicativo do sujeito, o complemento direto, o complemento indireto, complemento oblíquo, o modificador do grupo verbal, o complemento 5 9. ORAÇÕES SUBORDINADAS RELATIVAS (SEM ANTECEDENTE)
  6. 6. ou modificador do nome. São introduzidas por pronomes relativos (quem, quanto) ou por advérbios relativos (onde, como). 9.1. «Os deuses dão a quem sofre / Só mais dor.» (Fernando Pessoa) 9.2. «Quem manda é quem compra e vende.» (Fernando Pessoa) 9.3. «Onde pus a esperança, as rosas / Murcharam logo.» (Fernando Pessoa) 9.4. «Chegou onde hoje habito» (Fernando Pessoa) 9.5. «Meu coração, boneco feio, / Foi parar a quem o partiu…» (Fernando Pessoa) 9.6. «Hoje penso quanto faço» (Fernando Pessoa) 9.7. «Não digas nada a quem te disse tudo.» (Fernando Pessoa) 9.8. «Vê como Ceres é a mesma sempre.» (Ricardo Reis) ADJETIVAS As orações subordinadas relativas são introduzidas por um determinante relativo (cujo(s)/cuja(s)), um pronome relativo (que, quem, o/a qual, os/as quais, quanto(s), quanta(s)), por um quantificador relativo (quanto(s), quanta(s)) ou por um advérbio relativo (onde, como). Por vezes, surge uma preposição ligada ao determinante, ao pronome, ao quantificador ou ao advérbio. 1. ORAÇÕES SUBORDINADAS RELATIVAS RESTRITIVAS As orações subordinadas relativas restritivas, como o nome indica, restringem o antecedente ou referente, pelo que a sua supressão prejudicaria o sentido da frase. Ligam-se à oração subordinante sem intermédio de qualquer vírgula. 1.1. «Minha alma beija o quadro que pintou…» (Fernando Pessoa) 1.2. «Dói-me no coração / Por tudo quanto chora.» (Fernando Pessoa) 1.3. «Já repeti, nas pausas do amplo vento, / As orações cuja alma é um ser fecundo.» (Fernando Pessoa) 1.4. «Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo» (Álvaro de Campos) 1.5. «Quero versos que sejam como joias» (Ricardo Reis) 2. ORAÇÕES SUBORDINADAS RELATIVAS EXPLICATIVAS As orações subordinadas relativas explicativas acrescentam um contexto ou explicam uma característica do antecedente ou referente, não o modificando. Se fossem suprimidas, tal não afetaria o sentido da frase. Devem ser separadas por vírgula(s). 2.1. «A ilusão, que me mantinha, / Só no palco era rainha.» (Fernando Pessoa) 2.2. «Num grande espaço, onde é clareira, vão / Bailando as fadas» (Fernando Pessoa) sentir e pensar. Página 2.4. Fernando Pessoa criou vários heterónimos, os quais exprimiam os seus diferentes modos de 6 2.3. «O mais é carne, cujo pó / A terra espreita.» (Fernando Pessoa, Mensagem)

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