Autopsicografia

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Autopsicografia

  1. 1. «Autopsicografia»
  2. 2. Prof.ª Catarina Labisa
  3. 3.  A tese apresentada é a de que «O poeta é um fingidor».  A palavra «fingidor», por sua vez, presta- se ao jogo de palavras e conceitos que se lhe segue, em que «fingir a dor» constitui o mote utilizado para explicar porque é que o poeta é um «fingidor» (simulador de dores).
  4. 4. • O fingimento poético consiste em fingir uma dor que não coincide com a dor sentida na realidade e fazê-lo de tal modo que esse mesmo fingimento toma aparência de realidade. • A intensidade ou a qualidade deste fingimento torna-o capaz de substituir a verdade como se fosse ele próprio verdadeiro, sem que, contudo, se perca a consciência da sua natureza forjada. • A tal ponto isto acontece que o leitor se pode questionar sobre se o poeta não será antes fingidor na vida e verdadeiro na arte.
  5. 5.  Os leitores, por outro lado, são também fingidores induzidos, isto é, não sentem diretamente nenhuma das dores do escritor, mas também não sentem a sua própria dor, senão uma outra sensação fingida que se produz no contacto com a dor lida.
  6. 6.  A última estrofe apresenta, metaforicamente, a relação entre a razão e o coração.  O coração é um «comboio de corda» que circula num caminho previamente traçado, as «calhas de roda».  A razão, por sua vez, é entretida por esse comboio como se fosse um menino, que terá de dar corda ao brinquedo para o ver girar.  Apesar da dissociação pessoana, subsiste uma relação de interação e de complementaridade entre os dois.
  7. 7.  Segundo o texto, a criação poética assenta no fingimento, na medida em que um poema não traduz aquilo que o poeta sente, mas sim aquilo que imagina a partir do que anteriormente sentiu. O poeta é, pois, um fingidor que escreve uma emoção fingida, pensada, por isso fruto da razão e da imaginação, e não a emoção sentida pelo coração, que apenas chega ao poema transfigurada na tal emoção trabalhada poeticamente.
  8. 8.  Quanto ao leitor, não sente nem a emoção vivida pelo poeta, nem a emoção imaginada no poema, mas apenas a que nele próprio é suscitada pelo poema, e que é diferente da do poema, assim como é diversa dos seus próprios sentimentos reais.  A poesia (a arte) é, em suma, a intelectualização da emoção.
  9. 9.  «auto» – relativa ao sujeito, ao «eu»;  «psico» – referente aos processos mentais;  «grafia» – respeitante à escrita.  Assim, a «Autopsicografia» remete para a análise, pelo próprio sujeito, dos mecanismos psicológicos envolvidos na produção escrita, neste caso, poética.
  10. 10.  Composição estrófica: 3 quadras;  Métrica: redondilha maior (7 sílabas métricas);  Esquema rimático: a b a b (rima cruzada).

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