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31cbe povoado machado

  1. 1. AN AIS do 31º Congresso Brasi leiro de Espeleologia Ponta Grossa-PR, 21-24 de julho de 2011 – Sociedade Brasileira de EspeleologiaESPELEOLOGIA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO POVOADO MACHADO, LARANJEIRAS – SE SPELEOLOGY AND AMBIENTAL EDUCATION IN VILLAGE MACHADO, LARANJEIRAS - SEAnthony Santana Ferreira (1,2) & Elias José da Silva (2)(1) Universidade Federal de Sergipe.(2) Centro da Terra: Grupo Espeleológico de Sergipe.Contatos: anthonyyferreira@hotmail.com.ResumoNeste estudo exploratório-descritivo, com abordagem qualitativa, objetivou-se observar a percepção dosmoradores do Povoado Machado, localizado no município de Laranjeiras acerca do conceito de educaçãoambiental, bem como identificar que tipo de relação os moradores têm com as cavernas que ocorrem nasproximidades de suas residências e verificar quais os impactos ambientais causados pelos moradores àscavernas. Como procedimento metodológico utilizamos o Diagnóstico Rápido Participativo (DRP). Os dadosforam coletados entre abril e maio de 2010. Como resultado dos trabalhos de campo realizamos um Ciclo dePalestras sobre as Cavernas de Laranjeiras.Palavras-Chave: Educação Ambiental, Cavernas, Diagnóstico Rápido Participativo.AbstractThis descriptive exploratory study, with a qualitative approach aimed to observe the perception of residentsof the settlement Machado, located in the municipality of Laranjeiras regarding the concept ofenvironmental education, as well as identify what type of relationship residents have with the caves thatoccur in near their homes and see what the environmental impacts caused by residents the cave. Themethodology used the Participatory Rapid Assessment (PRA). Data were collected between April and May2010. As a result of fieldwork carried out a Cycle of Lectures on the Caves of Laranjeiras.Key-words: Environmental Education, Caves, Participatory Rapid Assessment.1. INTRODUÇÃO Dentro desse quadro de degradação ambiental, Laranjeiras/SE não é exceção. As Marcatto (2002) relata que o interesse pela cavidades naturais que se encontram próximos aospreservação ambiental foi ter um significativo povoados, servem de locais para depósito de lixo ecrescimento nas últimas duas décadas. A população depredações de diversos tipos tais como, quebra demundial tem mostrado que está cada vez mais espeleotemas, pichações e queima de pneus paraconsciente de que o modelo atual de matar morcegos.desenvolvimento econômico, tanto em paísesdesenvolvidos, como naqueles em vias de O presente trabalho teve como objetivo geraldesenvolvimento, está intimamente associado à investigar a percepção dos moradores do povoadodegradação do meio ambiente, com impactos diretos Machado, localizado no município de Laranjeiras,na qualidade de vida e na própria sobrevivência da Estado de Sergipe, acerca do conceito de educaçãoespécie humana. ambiental. Além de identificar que tipo de relação os moradores têm com as cavidades naturais O mesmo autor afirma que: localizadas próximas ao povoado; verificar quais [...] o modelo de desenvolvimento são os impactos ambientais causados pelos atual, desigual, excludente e esgotante dos moradores às cavernas e sugerir atividades práticas recursos naturais, tem levado a produção de que desenvolvam a consciência ambiental individual níveis alarmantes de poluição do solo, ar e e coletiva. água, destruição da biodiversidade animal e vegetal e ao rápido esgotamento das reservas minerais e demais recursos não renováveis em O que é Educação Ambiental? praticamente todas as regiões do globo. A evolução dos conceitos de Educação (MARCATTO, 2002, p. 8). Ambiental esteve diretamente relacionada à------------------------------------------------------------------------------------ 233 -------------------------------------------------------------------------------------- www.cavernas.org.br sbe@cavernas.org.br
  2. 2. AN AIS do 31º Congresso Brasi leiro de Espeleologia Ponta Grossa-PR, 21-24 de julho de 2011 – Sociedade Brasileira de Espeleologiaevolução do conceito de meio ambiente e ao modo para a melhoria da qualidade de vida e acomo este era percebido. eliminação da pobreza extrema e do consumismo desenfreado. (MEDINA, 2000). Na Conferência de Tbilisi (1997) a EA foidefinida como uma dimensão dada ao conteúdo e à Em seu conceito, Medina reafirma o que estáprática da educação, orientada para a resolução dos nos conceitos anteriores em relação à necessidadeproblemas concretos do meio ambiente, através de do desenvolvimento da consciência crítica, daum enfoque interdisciplinar e de uma participação incorporação de valores e atitudes que levam àativa e responsável de cada indivíduo e da participação dos indivíduos. Medina acrescentacoletividade (SATO, 2002). ainda dois elementos que, muitas vezes, não são percebidos como questões ambientais e que estão O conceito apresentado na Conferência trata a fortemente inseridos no modelo capitalista deEA como uma atividade de caráter interdisciplinar desenvolvimento: a pobreza e o consumismoque envolve uma série de problemas ambientais, em desenfreado.busca de soluções individuais e coletivas. Sato (2002), aborda em seu conceito a O CONAMA – Conselho Nacional do Meio abrangência da EA quando aponta a necessidade deAmbiente (1996) – definiu a EA como um processo entender e apreciar as inter-relações entre os seresde formação e informação, orientado para o humanos, suas culturas e meios biofísicos. Ela trazdesenvolvimento da consciência crítica sobre as ainda a idéia de ética nas tomadas de decisão.questões ambientais e de atividades que levem àparticipação das comunidades na preservação do Sobre os novos valores que a EA se propõe aequilíbrio ambiental. formar, podemos nos remeter ainda ao Tratado de Educação Ambiental para as Sociedades A partir do conceito do CONAMA, pode-se Sustentáveis e Responsabilidade Global que afirma:perceber a importância dada ao processo deformação e busca de informações e que, com base [...] a Educação Ambiental para umanesses conhecimentos, a consciência crítica pode ser sustentabilidade é um processo dedesenvolvida. Assim como o conceito apontado pela aprendizagem permanente, baseado noConferência de Tbilisi, o conceito do CONAMA respeito a todas as formas de vida. Talenfoca a relevância da participação dos indivíduos educação afirma valores e ações quecomo atores principais do processo. contribuem para a transformação humana e social e para a preservação ecológica. Ela A lei 9.795/99 que define a Política Nacional estimula a formação de sociedadesde Educação Ambiental, aponta a EA como: socialmente justas e ecologicamente [...] um conjunto de processos por meio equilibradas, que conservam entre si relação dos quais o indivíduo e a coletividade de interdependência e diversidade. Isto requer constroem valores sociais, conhecimentos, responsabilidades individuais e coletivas a habilidades, atitudes e competências voltadas nível local, nacional e planetário. para a conservação do meio ambiente, bem de (CAVALCANTI, 2002, p. 399). uso comum do povo, essencial à sadia Percebe-se que esse conceito dá ênfase para qualidade de vida e sua sustentabilidade. uma EA voltada a sustentabilidade, construída a (BRASIL, 1999). partir de uma transformação humana e social que, Por esta definição de EA da Política Nacional agindo de forma mais justa, equilibrada ede Educação Ambiental, alguns conceitos responsável pode gerar as mudanças necessárias.fundamentais são incorporados, como valores, Com base nas leituras dos conceitos citados,atitudes e competências, apontando ainda para um percebe-se que não existe uma definição única deimportante conceito, o de sustentabilidade. Educação Ambiental. Na verdade, as várias Para Medina (2000), a EA é um processo que: definições de certa forma se completam. O que [...] consiste em propiciar às pessoas todas elas enfatizam de uma forma ou de outra, é o uma compreensão crítica e global do entendimento de EA como um processo por meio do ambiente, para educar valores e desenvolver qual os indivíduos apreendem como funciona o atitudes que lhes permitam adotar uma ambiente, como dependem dele, como afetam e posição consciente e participativa, a respeito como promovem a sua sustentabilidade. das questões relacionadas com a conservação e adequada utilização dos recursos naturais,------------------------------------------------------------------------------------ 234 -------------------------------------------------------------------------------------- www.cavernas.org.br sbe@cavernas.org.br
  3. 3. AN AIS do 31º Congresso Brasi leiro de Espeleologia Ponta Grossa-PR, 21-24 de julho de 2011 – Sociedade Brasileira de EspeleologiaAmeaças aos Ecossistemas Cavernícolas 2. PROCEDIMENTO METODOLÓGICO Sabe-se que as comunidades cavernícolas são, O trabalho foi desenvolvido num enfoqueem muitos aspectos, bastante peculiares. Por isso, humanístico dialogal, que resgata a visão totalitáriaquaisquer impactos nesses ambientes podem ser do ser humano e o exercício da cidadania, com vistabem mais prejudiciais a esses organismos que os a trabalhar posteriormente ações educativas eocorridos em ecossistemas externos. interventivas, através dos dados levantados, ajustando-os adequadamente, com os pressupostos Atividades humanas de efeito indireto sobre desta pesquisa.elas, como o desmatamento da vegetação do entornoou a poluição de rios, ou de impactos direto, como Como instrumento metodológico utilizou-se omineração de calcário, exploração científica ou Diagnóstico Rápido Participativo (DRP) que temturística sem os devidos cuidados, podem causar sido utilizado nos trabalhos envolvendo assérios danos à sua fauna, em especial reduzindo o comunidades rurais constituindo-se como umanúmero de espécies, ou até mesmo podendo levar a importante ferramenta no planejamento dasextinção. (AULER; BRANDI; RUBIOLLI, 2001). atividades. Trata-se de um processo de aprendizagem intensivo, sistemático e semi- As cavernas são ecossistemas importantes estruturado realizado na própria comunidade rural.para os ambientes onde estão inseridas. Oecossistema cavernícola pode ser desestruturado por O diferencial desta metodologia e omudanças no meio externo, decorrentes de envolvimento dos pesquisadores com os moradoresfenômenos naturais ou ações humanas, e isso locais o que propicia na melhoria dos trabalhos detambém pode a médio ou longo prazo, comprometer campo, investigando assim os problemas sobo estado de conservação do próprio ambiente diferentes pontos de vista.externo. Os dados foram coletados entre abril e maio Ferreira e Martins (2001) relatam que de 2010. Para elaboração do Diagnóstico Rápidodiferenças na drenagem subterrânea da água causada Participativo, o primeiro passo foi realizar umpor desabamentos em cavernas, por exemplo, levantamento que caracterizasse de forma física epodem induzir alterações no regime hídrico do meio ambiental a área do povoado Machado, comoexterno, com variados impactos sobre as espécies facilitador do processo, utilizando como instrumentoaquáticas e as comunidades ripárias. Além disso, a questionários semi-estruturados aplicados aosretirada das espécies de morcegos frugívoros reduz moradores.as taxas de polinização e de dispersão de sementes A análise física constituiu na identificação dasna vegetação externa, o que em longo prazo pode cavernas através das cavidades cadastradas no bancoempobrecer a variabilidade genética de muitas de dados da Sociedade Brasileira de Espeleologia epopulações de plantas. nas cavidades ainda não cadastradas, mas de Os mesmos autores esclarecem que estudos conhecimento da comunidade local, destacando adetalhados em ecossistemas cavernícolas são relação que os moradores tinham com as mesmas.essenciais para a adequada caracterização do Em relação ao meio ambiente, foram feitasambiente em que as cavernas se inserem e para a indagações a respeito da utilização das cavidadesconservação de ambos. Além disso, as cavernas, naturais como depósito de lixo, queima de pneuscomo ecossistemas distintos e peculiares, devem ser para extermínio dos morcegos e fins recreativos.preservadas independentemente do tipo de ambiente Também foi investigada a atenção dos moradoresno qual se situem. com o meio ambiente em particular com as cavernas Para essa preservação, é fundamental que a e quais as contribuições deles para preservar osituação original de uma caverna não sofra ambiente ao seu redor e conseqüentemente melhorarmodificações. Por isso, torna-se importante um a qualidade de vida.trabalho de reflexão e problematização com as Após a conclusão do DRP os dados foramcomunidades do entorno dessas cavidades. compilados. Como resultado, vinte dias depois, foi Essa transformação de ações e atitudes torna- apresentado o produto final, ou seja, um Ciclo dese importante quando pensamos em Educação Palestras sobre as Cavernas de Laranjeiras, realizadoAmbiental, pois ela nos desafia a elaborar no município com apoio da Secretaria de Cultura.alternativas para trabalhar as questões ambientais de O evento realizado no auditório dauma forma mais ampla. Universidade Federal de Sergipe/Campus de------------------------------------------------------------------------------------ 235 -------------------------------------------------------------------------------------- www.cavernas.org.br sbe@cavernas.org.br
  4. 4. AN AIS do 31º Congresso Brasi leiro de Espeleologia Ponta Grossa-PR, 21-24 de julho de 2011 – Sociedade Brasileira de EspeleologiaLaranjeiras teve como público prioritário os alcances, eles demonstraram não conhecer comomoradores que participaram como voluntários da aplicá-la.pesquisa. O convite se estendeu também para o Como este trabalho incluiu cavernas da regiãopúblico geral. de grande destaque e relevância no estado de Sergipe, foi abordado que tipo de relação os moradores tem com essas cavidades.3. RESULTADOS E DISCUSSÕES Atualmente os moradores não visitam tais Segundo Gomes et al. (2000), o modo de cavernas, muitos deles relataram que algumas estãoaplicação de técnicas de campo e o estímulo abandonadas e têm atraído marginais, outrosconstante à participação não combinam com atitudes entrevistados relataram que não acham as cavernasformalistas e sem abertura humana. Afirmam que se mais interessantes.de um lado o Diagnóstico Rápido Participativo ficadependente das atitudes do agente externo, do outro Durante o DRP, conversando com osa humanização deste relacionamento provoca o moradores mais antigos descobrimos que eramcomprometimento das partes com a precisão e a realizadas missas e batizados na Gruta da Pedrainterpretação das informações, abrindo o caminho Furada e que apareciam muitos grupos de turistaspara o esforço na mitigação dos impactos negativos para visitar e conhecê-las.posteriores. Através das atividades de campo que inclui o O DRP realizado com os moradores do DRP e o levantamento das cavidades naturais foipovoado Machado, localizado no município de possível observar e registrar quais os impactosLaranjeiras/SE nos permitiu observar a percepção ambientais causados pelos moradores, comodos moradores acerca do conceito que eles tinham mostram as figuras a seguir (Figura 1).sobre Educação Ambiental. O gráfico 1 mostra a Alguns moradores entrevistadosporcentagem dos entrevistados sobre o argumentaram que o caminhão da prefeitura nãoconhecimento ou não do termo Educação passa na rua de suas residências para coletar o lixo,ambiental. por esse motivo eles começaram a depositá-lo em locais indevidos como na mata próxima das cavernas. A Gruta do Tramandaí, por sua vez, foi utilizada como depósito de lixo pelos moradores de uma antiga comunidade que havia em seu entorno, hoje a área foi desapropriada e pertence a uma fábrica de cimento, porém o acúmulo de lixo ainda se encontra na caverna. Outro impacto ambiental identificado foi a retirada da cobertura vegetal nativa do entorno das cavernas para a prática de cultivo de espécies Gráfico 1 – Percepção dos moradores do Povoado domésticas, como por exemplo, milho, feijão, Machado acerca do conceito de Educação Ambiental. capim, cana-de-açúcar, entre outras. Neste gráfico podemos verificar que 85% dos O trabalho de campo foi desenvolvido de umaentrevistados no DRP tinham idéia do que era forma muito satisfatória, passamos alguns diasEducação Ambiental, porém em todos os casos eles compartilhando informações com os moradores eapresentaram respostas usando do bom senso pelo fato do trabalho ter sido tão bem recebidocomum, ou seja, eles tinham conhecimento popular resolvemos buscar apoio com a prefeitura e realizardo assunto e em alguns casos eles justificavam que um ciclo de palestras, onde poderíamos mostrasescutaram na mídia. A resposta mais ouvida foi: todas as informações que conseguimos coletar com“Educação Ambiental é o cuidado que temos que ter os moradores e em contrapartida realizaríamoscom a natureza”. algumas palestras e oficinas sobre educação ambiental e espeleologia, num enfoque local, bem Para eles a educação ambiental se restringe ao caracterizado na realidade do povoado, como mostracuidado com a natureza, esquecendo que ambiente é a figura 2.tudo que está em nossa volta. Para os entrevistados aEA ainda é uma ferramenta que está longe dos seus------------------------------------------------------------------------------------ 236 -------------------------------------------------------------------------------------- www.cavernas.org.br sbe@cavernas.org.br
  5. 5. AN AIS do 31º Congresso Brasi leiro de Espeleologia Ponta Grossa-PR, 21-24 de julho de 2011 – Sociedade Brasileira de Espeleologia Figura 1. Impactos ambientais causados pelos moradores nas cavernas de Laranjeiras. (A) Pichações nas paredes daGruta do Tramandaí, (B) Acúmulo de lixo na Gruta do Tramandaí, (C) Turismo desordenado na Gruta da Pedra Furada, (D) Plantação de cana-de-açúcar no entorno da Gruta da Matriana, as espécies arbóreas nativas da Mata Atlântica encontram-se somente ao redor do bloco rochoso. O DRP mostrou-nos que a comunidade rural qualidade de vida, por exemplo, a separação do lixosente-se valorizada quando tem a oportunidade de orgânico, do reciclável, com o lixo orgânico elesparticipar como agentes ativos do trabalho de poderiam fazer compostagem e utilizarem o adubolevantamento de dados, e acabam se esforçando para orgânico nas plantas, assim evitariam produtosque o trabalho de nós pesquisadores seja químicos, que poluem o solo. Outros produtosdesenvolvido de forma satisfatória. também poderiam ser reciclados ou reutilizados. Também sugerimos atividades práticas que O convite feito a comunidade pelos desenvolvessem a consciência ambiental individualexecutores do projeto, foi de fundamental e coletiva.importância para o comparecimento do públicobeneficiário. Na visão dos moradores, segundo O objetivo do evento foi proporcionar aorelato deles próprios, “houve um esforço em fazer o público um contato histórico, cultural e científicoconvite que merecia ser recompensado com a associado às grutas de Laranjeiras. Ao apresentarpresença”. tais informações sobre o patrimônio espeleológico, a percepção da comunidade do entorno passa por Durante o evento tivemos o cuidado de processo de transformações, de uma visão limitadatransmitir todo o conteúdo com uma linguagem para uma mais ampla, com isso foi possívelsimples e acessível aos membros da comunidade. perceber que com pequenas ações podemos Também aproveitamos para divulgar o que os transformar o ambiente em nossa volta e que amoradores podem realizar na prática para preservar educação ambiental está ao alcance de todos.o meio ambiente e melhorar conseqüentemente a------------------------------------------------------------------------------------ 237 -------------------------------------------------------------------------------------- www.cavernas.org.br sbe@cavernas.org.br
  6. 6. AN AIS do 31º Congresso Brasi leiro de Espeleologia Ponta Grossa-PR, 21-24 de julho de 2011 – Sociedade Brasileira de Espeleologia Figura 2. Ciclo de Palestra sobre as Cavernas de Laranjeiras. (A) Recepção dos convidados no auditório da UFS/campus de Laranjeiras, (B) Público inscrito no evento, durante a abertura no auditório (C) Morador do povoadoMachado fazendo uma pergunta ao palestrante, (D) Palestra sobre Epeleologia no município de Laranjeiras, (E) Palestrasobre Educação Ambiental com ênfase nos dados coletados com o DRP, (F) Membros do Centro da Terra apresentando uma palestra sobre E.A. e o uso sustentável dos recursos naturais, (G) Moradores e participantes do evento em uma das visitas técnicas na Gruta do Tramandaí, presenciando a degradação da gruta com depósito de lixo, (H) Público do evento reunido na Caverna da Pedra Furada, durante uma oficina de E.A.. (I) Morador do povoado Machado plantando uma muda de espécie nativa de Mata Atlântica nas proximidades da Caverna, (J) e (L) Plantio de mudas de espécies nativas da Mata Atlântica, ação simbólica, mas que foi muito apreciada pelo público e (M) Público que participou das oficinas e visitas técnicas nas atividades práticas durante o evento.------------------------------------------------------------------------------------ 238 -------------------------------------------------------------------------------------- www.cavernas.org.br sbe@cavernas.org.br
  7. 7. AN AIS do 31º Congresso Brasi leiro de Espeleologia Ponta Grossa-PR, 21-24 de julho de 2011 – Sociedade Brasileira de Espeleologia4. CONCLUSÃO participando do processo e, também, em relação ao pesquisador executor. Ainda, mais difícil do que O Diagnóstico Rápido Participativo foi muito aplicar o DRP é o papel dos facilitadores, frente aimportante na realização do trabalho por possibilitar uma postura de não-envolvimento nas idéias e,uma maior aproximação com os moradores, consequentemente, nos resultados.contribuindo para que os resultados tenham sidosatisfatórios. O Ciclo de Palestras sobre as Cavernas de Laranjeiras abordando a Educação Ambiental foi O plano elaborado para a execução das um evento bastante enriquecedor e resultado de umatividades tende a ser mais realista e, por isso tem trabalho de campo eficiente.mais probabilidade de acertos. O enriquecimento pessoal e profissional leva As dificuldades em adotar medidas a uma maior motivação para desenvolver um bomparticipativas, até mesmo pela falta de tradição em trabalho extensionista.trabalhar dessa forma, são minimizadas quando háuma boa interação entre as pessoas que estãoREFERÊNCIASAULER, A.; BRANDI, R.; RUBIOLLI, E. As grandes cavernas do Brasil. Belo Horizonte: Orion, 2001.BRASIL. CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente. Brasília,1996.BRASIL. Ministério de Meio Ambiente. Política nacional de educação ambiental. Brasília, 1999.CAVALCANTI, C. (Org.). Meio Ambiente, desenvolvimento sustentável e políticas públicas. São Paulo: Cortez, 2002.FERREIRA, R. L.; MARTINS, R. P. Cavernas em risco de ‘extinção’. Ciência Hoje, v. 29, n. 173, p. 20-28, 2001.GOMES, M. A. O; SOUZA, A. V. A; CARVALHO, R. S. Diagnóstico Rápido Participativo (DRP) como mitigador de impactos sócio-econômicos em empreendimentos agropecuários. Informe agropecuário, Belo Horizonte, 2000. 110 p.MARCATTO, C. Educação ambiental: conceitos e princípios. Belo Horizonte: FEAM, 2002. 64 p.MEDINA, N. M. A formação dos professores em educação ambiental. In: Panorama de educação Ambiental no ensino fundamental. Brasília: MEC; SEF, 2000.SATO, M. Educação Ambiental. São Carlos, SP: RIMA, 2002.------------------------------------------------------------------------------------ 239 -------------------------------------------------------------------------------------- www.cavernas.org.br sbe@cavernas.org.br

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