A construção do social                                    Área de Integração	  Professora:	  Sandra	  Martin...
 Índice	  Introdução	  ......................................................................................................
 Introdução          	            Com	  este	  trabalho	  pretendo	  esclarecer	  todos	  os	  conceitos	  relacionados	  ...
 1. Sociologia e História e a construção do social	        	  	        A	   sociologia	   surge	   da	   sociedade	   mode...
        • Estruturalismo:	   para	   outros,	   a	   evolução	   da	   sociedade	   é	   independente	   da	   vontade	   ...
 Contudo,	   a	   forma	   como	   são	   estabelecidas	   as	   interacções	   ou	   como	   são	   criadas	   as	   suas...
 	  	  2. Modelos de estratificação social ao longo da história	            	  	            As	   desigualdades	   sociais...
 exterior	  capaz	  de	  distinguir	  o	  escravo	  natural	  dos	  outros	  homens,	  as	  próprias	  vicissitudes	  da	 ...
 	         Estas	   ordens	   assemelham-­‐se	   muito	   às	   castas,	   no	   entanto	   são	   mais	   abertas,	   na	...
 ser	  económicos,	  culturais,	  sociais	  e/ou	  simbólicos.	  A	  distinção	  entre	  as	  classes	  sociais	  e	  as	 ...
 4.2. Doutrinas utopistas e socialistas dos séculos XIX e XX	        Entre	  os	  séculos	  XVIII	  e	  XIX,	  as	  mudanç...
 	       K.	  Marx	  (1818-­‐1883)	  e	  F.	  Engels	  (1820-­‐1895)	  consideram	  impossível	  colocar	  essas	  doutrin...
 encontrar-­‐se	   num	   grau	   de	   desenvolvimento	   menos	   avançado	   do	   que	   o	   de	   outros	   países	 ...
 bancos,	   escritórios,	   etc,	   e	   que	   a	   evolução	   dos	   transportes	   aproximou	   as	   populações	   e	...
 do	  seu	  desenvolvimento	  industrial.	  Isto	  porque	  as	  colónias	  têm	  uma	  dupla	  função:	  fornecerem	  	  ...
        ⇒ A	  nível	  internacional	  –	  criação	  da	  ONU,	  cujo	  o	  objectivo	  é	  manter	  a	  paz	  em	  todo	  ...
 possível	   causa	   deste	   atraso	   será	   o	   facto	   de	   a	   colonização	   europeia	   ter	   minado	   os	 ...
             	  A	   divulgação	   dessas	   doutrinas	   iniciou	   o	   caminho	   para	   que	   no	   século	   seguin...
            	  7. Organizações internacionais de defesa dos direitoshumanos           	             De	   entre	   as	   o...
 7.4. AMI           	             Foi	   criada	   com	   os	   mesmos	   objetivos	   que	   os	   Médicos	   sem	   fron...
 Conclusão	  	     Com	  este	  trabalho	  concluo	  que	  consegui	  atingir	  objectivo	  descrito	  na	  introdução,	  ...
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Trabalho a.i 2013

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Trabalho a.i 2013

  1. 1.   A construção do social Área de Integração  Professora:  Sandra  Martins    Aluno:  Kevin  Cardoso/2ºCISP       Viana  do  Castelo,  14  de  Fevereiro  de  2013    
  2. 2.  Índice  Introdução  ...............................................................................................................................  3  1.  Sociologia  e  História  e  a  construção  do  social  .........................................................  4   1.1.  Indivíduo  como  sujeito  histórico  .......................................................................................  4   1.2.  Comunidade,  sociedade  e  cultura  .....................................................................................  5  2.  Modelos  de  estratificação  social  ao  longo  da  história  ..........................................  7   2.1.  A  escravatura  -­‐  o  «lugar  natural»  de  Aristóteles  ..........................................................  7   2.2.  As  castas  –  estratificação  em  sociedades  fechadas  ......................................................  8   3.  As  ordens  ou  estados  –  estratificação  nas  sociedades  do  ocidente  pré-­‐moderno  8   3.1.  As  classes  sociais  –  estratificação  nas  sociedades  modernas  ..................................  9  4.  A  modernidade  e  a  abertura  à  permeabilidade  social  ......................................  10   4.1.  O  “ideário”  da  Revolução  Francesa  ................................................................................  10   4.2.  Doutrinas  utopistas  e  socialistas  dos  séculos  XIX  e  XX  ...........................................  11   4.3.  Revoluções  sociais  do  século  XX  .....................................................................................  12  5.  Mudança  social  –  marcos  históricos  significativos  .............................................  13   5.1.  A  construção  dos  nacionalismos  .....................................................................................  14   5.2.  As  colonizações  e  a  construção  dos  impérios  coloniais  ..........................................  14   5.3.  O  desenvolvimento  científico  e  tecnológico  dos  séc.  XIX  e  XX  ..............................  15   5.4.  As  duas  guerras  mundiais  do  século  XX  .......................................................................  15   5.5.  A  construção  da  democracia  ............................................................................................  16   ...............................................................................................................  16   5.6.  As  descolonizações  6.  A  relatividade  dos  valores  –  tolerância  e  intolerância  ......................................  17  7.  Organizações  internacionais  de  defesa  dos  direitos  humanos  ......................  19   7.1.  Organização  das  Nações  Unidas  ......................................................................................  19   7.2.  Amnistia  Internacional  ......................................................................................................  19   7.3.  Médicos  sem  fronteiras  ......................................................................................................  19   7.4.  AMI  ............................................................................................................................................  20   7.5.  Oikos  –  Cooperção  e  Desenvolvimento  .........................................................................  20  Conclusão  ...............................................................................................................................  21       2  
  3. 3.  Introdução   Com  este  trabalho  pretendo  esclarecer  todos  os  conceitos  relacionados  com  o  tema  em  estudo,  que  tem  como  nome  “A  construção  social”.         3  
  4. 4.  1. Sociologia e História e a construção do social       A   sociologia   surge   da   sociedade   moderna   no   século   XIX   associada   às   várias  transformações   da   sociedade   ocidental,   e   à   crença   que   os   homens   são   responsáveis   pela  condução  da  sua  própria  vida  social.         A   sociologia   constituiu-­‐se   como   o   “conhecimento   da   contemporaneidade   social”  mas,   sendo   ao   mesmo   tempo   a   expressão   privilegiada   dessa   modernidade,   o   trabalho   da  sociologia   foi,   orientado   historicamente,   pois   as   obras   dos   seus   fundadores   –   Marx,  Durkheim   e   Weber   –,   tentam   encontrar   explicações   para   analisar   historicamente   as  estruturas  e  as  mudanças  sociais.     • Deste   modo,   a   análise   da   sociedade   e   mudança   social   implica   reflectir   sobre:   A  multiplicidade  de  abordagens  que  foram  produzidas;   • O   inter-­‐relacionamento   entre   sociologia   e   história,   pois   esta   última   é   construída  pelos  próprios  indivíduos,  não  existindo  um  destino  socialmente   histórico  exterior  à  ação  humana.        1.1. Indivíduo como sujeito histórico       O  termo  indivíduo  remete  para  o  indivisível,  para  uma  pessoa  que  é  uma  unidade  em  si  mesmo  e  que  se  define  pela  presença  da  consciência  –  conhecimento  de  algo.     Por   sua   vez,   o   termo   sujeito   caracteriza-­‐se   como   aquele   que   está   exposto   a   qualquer  coisa,   como   por   exemplo,   uma   criança   ser   obrigada   a   aprender   as   regras   sociais.   Desta  forma,  o  sujeito  está  sempre  associado  a  um  indivíduo.       Desde  o  Renascimento,  no  séc.  XV,  em  especial  com  o  advento  da  sociedade  moderna  e   a   desintegração   das   conceções   religiosas,   defendem-­‐se   novos   elementos   como   a  subjetividade,   o   individualismo   e   a   racionalidade.   Tais   princípios   padronizam   uma   nova  conduta   para   o   indivíduo   em   defesa   da   liberdade,   capacitando-­‐o   na   afirmação   da   sua  subjectividade,  quer  na  sociedade  quer  na  vida  pública.  Contudo,  não  sendo  esta  uma  visão  consensual,   gera-­‐se   um   debate   que   passa   pela   sociologia,   a   história,   a   filosofia,   etc.,   à   volta  de  duas  posições  extremas:   • Teorias  da  acção:   para   alguns,   a   realidade   social   é   uma   construção   a   partir   da   ação   dos  indivíduos).       4  
  5. 5.   • Estruturalismo:   para   outros,   a   evolução   da   sociedade   é   independente   da   vontade   dos  indivíduos).           Por   exemplo,   para   Marx,   os   homens   fazem   a   sua   história,   mas   não   a   fazem  livremente,   sendo   um   produto   da   ação   dos   indivíduos,   e   simultaneamente   condicionada  pela  estrutura  social.  Ou  seja,  para  Marx,  o  estruturalismo  sobrepõe-­‐se  à  teoria  da  acção,  em   que   os   homens   são   sujeitos   históricos,   mas   a   sua   ação   principalmente   coletiva   e  condicionada  pela  estrutura  social.       Para   Durkheim,   o   sujeito   é   um   produto   da   sociedade,   sendo   o   individuo   isolado   uma  pura   abstração.   A   sociedade   é   regida   por   leis   de   reprodução   e   transformação,   dado  considerar   que   as   mudanças   têm   uma   lógica   própria,   independentemente   das   vontades  individuais   e   do   seu   uso.   Durkheim   tem   assim,   uma   visão   histórica   independente   da  vontade  dos  indivíduos.       Em   contraposição,   outros   autores   partem   do   lugar   do   sujeito   e   da   subjetividade,  para   analisar   as   estruturas   sociais,   considerando   a   realidade   como   uma   construção   a  partir   da   ação   social   dos   indivíduos,   que   possui   significado   e   intencionalidade  –   teorias   da  ação.  Um  desses  autores  é  Weber,  que  reforça  a  importância  do  ator  social.  Segundo  ele,  é  necessário   compreender   o   significado   da   acção   para   entender   os   processos   sociais,   quer  de  reprodução,  quer  de  mudança.  Porém,  defende  que  a  compreensão  da  sociedade  e  dos  processos  sociais  requer  sempre  uma  análise  multidimensional.          1.2. Comunidade, sociedade e cultura       Uma   comunidade   é   um   conjunto   de   indivíduos   com   objetivos   e   interesses   comuns  que  vivem  no  mesmo  local,  organizando-­‐se  (por  exemplo,  os  habitantes  que  vivem  numa  aldeia,  podem  formar  uma  comunidade).  Assim,  a  comunidade  caracteriza-­‐se  por  relações  internas   fortes,   uma   grande   coesão   e   espírito   de   solidariedade   entre   os   seus   membros,  face  ao  exterior.  As  comunidades  ao  estarem  organizadas  têm  regras  e  procedimentos,  aos  quais  os  seus  membros  devem  obedecer,  pois  poderão  ser  expulsos.  Desta  forma,  quando  os   indivíduos   estão   integrados   numa   comunidade,   deixam   de   lado   os   seus   interesses  individuais,   passando   a   defender   os   objetivos   comuns,   participando,   de   forma   direta   e  indireta,  nos  assuntos.       Assim,   uma   sociedade   é   um   sistema   de   inter-­‐ligações,   onde   os   indivíduos   se  envolvem   coletivamente.   Deste   modo,   ao   existir   interação   recíproca   entre   os   indivíduos  existe  sociedade.     5  
  6. 6.  Contudo,   a   forma   como   são   estabelecidas   as   interacções   ou   como   são   criadas   as   suas  instituições   é   determinada   pela   cultura   comum   que   partilham.   Neste   sentido,   a   cultura   e   a  sociedade   são   conceitos,   interdependentes   –   nenhuma   cultura   pode   existir   sem   sociedade,  como  também  nenhuma  sociedade  pode  existir  sem  cultura.         O  conceito  de  cultura  define  -­‐  se  como  um  conjunto  de  elementos  que  caracterizam  uma   determinada   sociedade,   ou   seja,   abrange   todos   os   tipos   de   atividade   humana.   Tais  elementos,   que   se   articulam   e   se   influenciam   mutuamente,   podem   ser   espirituais,  incluindo  as  crenças,  os  valores  as  normas  e  os  costumes;  ou  materiais,  isto  é,  os  estilos  de  vida,  tais  como  a  alimentação,  o  vestuário,  habitação,  entre  outros.       Assim,   a   cultura   é   tudo   aquilo   que   é   socialmente   aprendido   e   partilhado   pelos  membros  de  uma  sociedade,  sendo  que  a  análise  dos  traços  culturais  permitam  avaliar  o  tipo  de  organização  de  uma  dada  sociedade  bem  como  o  seu  padrão  de  desenvolvimento.  Por   exemplo,   a   existência   de   desigualdades   sociais   é   um   traço   cultural   comum   a   todas   a  sociedades  ate  aos  dias  de  hoje.                                           6  
  7. 7.      2. Modelos de estratificação social ao longo da história       As   desigualdades   sociais   são   um   fenómeno   presente   em   todas   as   sociedades,  apresentando   divisões   com   base   no   género,   idade,   riqueza   material  ou  poder.   O   conceito  de   estratificação   social   é   utilizado   pelos   sociólogos   para   descrever   as   desigualdades  sociais,  que  significa  a  divisão  da  sociedade  em  camadas.  Assim,  a  estratificação  refere-­‐se  a  uma   hierarquização   humana,   em   que   os   indivíduos   têm   um   acesso   diferente   às  recompensas,  de  acordo  com  a  sua  posição  no  sistema.  Por  exemplo,  os  mais  favorecidos  encontram-­‐se   no   topo,   ao   passo   que   os   menos   privilegiados   em   baixo.   Desta   forma,   cada  camada   é   ocupada   por   indivíduos   que   possuem   a   mesma   posição   social,   isto   é,   cujo  estatuto   social   é   comparável.   Ao   longo   da   história,   podem   identificar-­‐se   quatro   sistemas  básicos  de  estratificação:     • Escravatura;     • Castas;   • Ordens  ou  estados;     • Classes.      2.1. A escravatura - o «lugar natural» de Aristóteles       A  escravatura  consiste  numa  forma  de  desigualdade  extrema,  em  que  um  indivíduo  assume  direitos  de  propriedade  sobre  outro,  designado  assim  por  escravo.     Um  dos  primeiros  filósofos  a  abordar  a  problemática  da  legitimidade  da  escravidão  foi   Aristóteles,   na   medida   em   que   considerava   todos   os   homens   livres   por   natureza,   em  oposição  à  escravatura  instituída  em  virtude  da  lei  do  mais  forte.  Assim,  Aristóteles  propôs  uma  distinção  entre  escravo  por  lei  ou  natureza,  pois  só  demonstrando  a  naturalidade  da  escravidão,   é   que   a   mesma   pode   ser   justificada.   Desta   forma,   a   escravidão   legal   apenas  será  justa  no  caso  em  que  escravos  por  lei  e  por  natureza  coincidam.   Aristóteles  define  o  conceito  de  escravo  como  objeto  de  propriedade  do  senhor  e  instrumento  de  produção,  ou  seja,  um  escravo  é  aquele  que  “pertence  por  natureza  não  a  si   mesmo,   mas   a   outra   pessoa”.   Segundo   ele,   desde   o   nascimento,   que   alguns   estariam  destinados   ao   domínio,   e   outros   à   submissão.   Porém,   dado   não   existir   nenhuma   “marca”     7  
  8. 8.  exterior  capaz  de  distinguir  o  escravo  natural  dos  outros  homens,  as  próprias  vicissitudes  da  vida  seriam  responsáveis  pela  selecção  do  homem  livre  para  o  estado  de  escravidão.   O   filósofo   comparava   a   aquisição   dos   escravos   aos   animais,   no   sentido   em   que   o  escravo  pertence  a  outro,  no  entanto  de  uma  forma  diferente  dos  animais,  na  medida  em  que  estes  últimos  não  tinham  a  capacidade  de  perceber  a  razão  e  o  comando.  Apesar  das  várias   tentativas   de   Aristóteles,   ainda   não   se   encontra   uma   definição   propriamente  satisfatória  para  definir  o  conceito  de  “escravo  por  natureza”.   2.2. As castas – estratificação em sociedades fechadas   As   castas   são   grupos   sociais   organizados   na   hierarquia   social   por   grau   de   pureza  religiosa,  ou  seja,  a  estrutura  e  a  hierarquia  social  justificam-­‐se  pelo  sistema  religioso.     O   sistema   de   castas   mais   conhecido   é   o   da   Índia,   em   que   o   estatuto   do   indivíduo  passa   de   pai   para   filho,   ou   seja,   é   um   agrupamento   social   hereditário.   Desta   forma,   as  castas  caracterizam-­‐se  pela  endogamia,  em  que  as  pessoas  só  podem  casar  com  pessoas  da  mesma  casta.  As  castas  indianas  estão  relacionadas  com  o  hinduísmo:  acredita-­‐se  que  os  indivíduos   que   não   vivam   de   acordo   com   os   deveres   e   rituais   da   sua   casta   renascerão  numa  posição  inferior  na  próxima  encarnação.     Desta   forma,   ao   código   completo   de   relações   sociais,   bem   como   todo   um   modo   de  vida   é   definido   pela   pertença   a   uma   casta.   Pode   ainda   afirmar-­‐se,   que   as   castas  representam   uma   sociedade   onde   os   papéis   e   funções   são   atribuídos   a   cada   um,   para   toda  a  sua  vida,  sendo  transmitida  de  geração  em  geração.  Tal  significa  que  os  membros  de  cada  casta   não   podem   descer   ou   subir   na   hierarquia   social,   ou   seja,   as   castas   são   sociedades  fechadas.     3. As ordens ou estados – estratificação nas sociedades doocidente pré-moderno   Entre  o  século  XIV  e  XVIII,  a  hierarquia  baseava-­‐se  nos  princípios  da  superioridade  do   serviço   a   Deus   e   do   serviço   de   armas.   Desta   forma,   existem   três   ordens   hierarquizadas,  divididas   em   subordens   igualmente   hierarquizadas:   o   clero,   a   nobreza   e   o   3º   Estado  (povo).     Cada   uma   das   ordens   diferenciava-­‐se   das   outras   por   possuir   um   código   de   leis  próprias,  que  lhes  concediam  privilégios  (no  caso  do  clero  e  da  nobreza)  e  ainda,  deveres  e  direitos  para  o  povo  (servos  mercadores  e  artesãos).     8  
  9. 9.     Estas   ordens   assemelham-­‐se   muito   às   castas,   no   entanto   são   mais   abertas,   na  medida  em  que  a  mobilidade  social  ascendente  é  difícil,  porém  não  impossível.  Por   sua   vez,   as   ordens   privilegiadas   caracterizam-­‐se   por   grupos   fechados,   nos   quais,  excecionalmente,  se  deixa  entrar  alguém  (por  exemplo,  quando  a  filha  de  um  rico  casava  com   um   nobre,   tornava-­‐se   assim   membro   da   nobreza).   Assim,   as   desigualdades   sociais  eram  resultado  da  aceitação  dos  direitos  e  deveres  hereditários,  mantidos  pelas  ordens  e  pelo   Estado.   Porém,   esta   estrutura   social   tinha   um   fundamento   jurídico   baseado   em  documentos,   para   além   de   assentar   nesse   conjunto   de   costumes.   Desta   forma,   até   ao  século   XVIII,   a   nobreza,   o   alto   clero   e   a   Coroa   repartem   o   poder   numa   estrutura   social  estável  graças  a  uma  série  de  vínculos:  -­‐  Tradicionais  (aceitação  dos  costumes);  -­‐  Jurídicos  ou  legais  (direitos  senhoriais);  -­‐  Político-­‐sociais  (monopólio  de  altos  cargos);  -­‐  Económicos  (vinculação  das  propriedades  rurais).     3.1. As classes sociais – estratificação nas sociedadesmodernas   A  partir  do  século  XVIII,  a  Revolução  Industrial  e  o  desenvolvimento  do  capitalismo  provocam   transformações   significativas   na   estruturação   e   organização   das   sociedades.   A  industrialização,   associada   ao   aparecimento   da   produção   mecanizada   baseada   no   uso   de  recursos   energéticos   inanimados,   tais   como   o   vapor   e   a   electricidade,   produziu   efeitos   a  vários  níveis:   → A  maioria  da  população  ativa  passou  a  trabalhar  em  fábricas;   → A  população  concentrou-­‐se  nas  cidades,  levando  ao  seu  desenvolvimento;   → As   organizações   em   grande   escala,   como   o   Estado,   passaram   a   influenciar   mais   directamente  a  vida  populacional.     Deste  modo,  o  poder  económico  passa  a  estar  na  posse  de  um  novo  grupo  social,  a  burguesia,   que   diz   respeito   a   indivíduos   ligados   ao   comércio,   à   indústria   ou   à   finança.  Assim,   o   sistema   de   estratificação   transforma-­‐se,   dado   que   a   determinação   social   de   um  indivíduo   passa   a   ser   determinada   pela   posse   ou   propriedade   de   recursos   económicos,  designando-­‐se   agora   os   novos   estratos   sociais   por   classes   sociais.   As   classes   sociais  servem   para   designar   grupos   de   indivíduos   que   partilham   recursos   semelhantes,   podendo     9  
  10. 10.  ser  económicos,  culturais,  sociais  e/ou  simbólicos.  A  distinção  entre  as  classes  sociais  e  as  formas  anteriores  de  estratificação  é  visível  nos  seguintes  níveis:   → As   classes   não   são   estabelecidas   por   disposições   legais   ou   religiosas,   ou   seja,   os   seus  membros  não  herdam  uma  posição  de  classe,  nem  ascendem  pelo  costume  ou   pela  lei;   → A   mobilidade   social   é   maior,   uma   vez   que   o   estatuto   do   indivíduo   pode   ser   alcançado,   não   existindo   restrições   legais   aos   casamentos   entre   indivíduos   de   classes  diferentes;   → Os   factores   de   ordem   económica   passam   a   determinar   a   pertença   a   uma   classe   social,  ao  invés  dos  religiosos,  legais  e  tradicionais;   → A  pertença  a  uma  classe  não  impõe  um  sistema  de  relações  pessoais  de  dever  ou  de   obrigação.  4. A modernidade e a abertura à permeabilidade social4.1. O “ideário” da Revolução Francesa   Apesar   da   consolidação   do   capitalismo   e   do   poder   económico   detido   pela   burguesia,  a  nobreza  continuava  a  ter  prestígio  social  e  a  possuir  o  poder  político,  ou  seja,  o  regime  político  era  absoluto  e  monárquico.     Segundo   o   filósofo   inglês   Lock,   que   criticava   o   absolutismo,   a   propriedade   privada  era  um  direito  natural  dos  homens,  concedido  por  Deus,  como  fruto  do  seu  trabalho.  Por  sua  vez,  o  Estado  deveria  garantir  esse  direito.     Esta  teoria  legitimava  assim:   → A  existência  das  desigualdades  com  base  na  propriedade  dos  recursos  económicos;   → O   sangue   e   a   hereditariedade   da   nobreza   deixavam   de   ser   as   únicas   fontes   de   legitimação  do  poder,  sendo  a  burguesia  detentora  desses  recursos.     Desta   forma,   a   propriedade   concebida   como   um   direito   natural,   livre   de   quaisquer  encargos,  foi  um  dos  pilares  da  Revolução  Francesa,  juntamente  com  a  defesa  da  liberdade  e   da   igualdade.   Assim,   o   Artigo   17º   da   Declaração   dos   Direitos   do   Homem   e   do   Cidadão   de  1789  consagrou  a  propriedade  como  um  direito  inerente  à  natureza  humana.       10  
  11. 11.  4.2. Doutrinas utopistas e socialistas dos séculos XIX e XX   Entre  os  séculos  XVIII  e  XIX,  as  mudanças  económicas  e  sociais  são  muito  grandes:   → Agrupam-­‐se   os   donos   das   indústrias,   passando   a   constituir   a   elite   que   também   domina  a  política;   → Cada   vez   em   maior   número,   os   trabalhadores   das   fábricas   constituem   uma   nova   classe,  o  proletariado  operário.     No   início   da   industrialização   foram   cometidas   muitas   injustiças   e   violados   os   mais  elementares   direitos   humanos,   sendo   que   a   constatação   dessas   desigualdades   sociais  levou   ao   aparecimento   de   concepções   sociais   e   políticas   que   o   criticavam   enquanto  sistema   produtor   de   perigosas   desigualdades   sociais   e   defendiam   uma   repartição   mais  equilibrada   da   riqueza.   Por   oposição   à   situação   de   desigualdade,   estas   concepções  defendiam  que  a  evolução  humana  deveria  caminhar  no  sentido  de  uma  maior  igualdade  entre  cidadãos  e  solidariedade  cívica.     Estas   primeiras   correntes   surgem   como   um   impulso   ético   de   combater   a   injustiça  social,   conhecidas   como   as   doutrina   do   Socialismo   Utópico.   Os   primeiros   projetos  programáticos  foram  iniciativas  voluntárias,  destacando-­‐se  as  seguintes:   → Robert  Owen  (1771-­‐1858),  um  industrial  defensor  das  ideias  de  emancipação  dos   operários   e   de   cooperação,   defendia   a   garantia   da   “harmonia   entre   a   sociedade   e   a   natureza”.   Owen   defendia,   que   o   Estado   devia   intervir   no   processo   de   produção   através   de   legislação   adequada,   e   responsabilizar   os   patrões   em   remediar   a   situação  de  miséria  dos  trabalhadores.  Defendia  ainda,  a  abolição  da  propriedade   privada  e  a  constituição  de  cooperativas  operárias.   → Saint-­‐Simon   (1760-­‐1825)   defendia   que   o   Estado   deveria   ser   dirigido   por   uma   elite   esclarecida   de   sábios,   engenheiros   e   industriais,   bem   como   a   reorganização   da   economia,  a  fim  de  garantir  uma  maior  justiça  social.   → Proudhon  (1809-­‐1865)  denuncia  os  malefícios  da  propriedade  privada,  apesar  de   aceitar   as   pequenas   propriedades   individuais.   O   seu   pensamento   libertário   defendia   a   organização   voluntária   e   mutualista   dos   oprimidos   para   lutarem   pela   igualdade  e  contra  as  raízes  da  injustiça,  como  a  propriedade.     Assim,   começa   a   desenvolver-­‐se   a   organização   “científica   ”   do   movimento   –   o  Socialismo  Científico  –  que  corresponde  à  tentativa  de  compreender  os  fenómenos  sociais,  numa  perspectiva  evolutiva,  e  necessária,  no  sentido  da  justiça  social.     11  
  12. 12.     K.  Marx  (1818-­‐1883)  e  F.  Engels  (1820-­‐1895)  consideram  impossível  colocar  essas  doutrinas   em   prática.   Ambos   redigem   o   “Manifesto   do   Partido   Comunista”   (1848),   onde  defendem   que   os   progressos   técnicos   levam   a   uma   incompatibilidade   entre   o  desenvolvimento   das   forças   produtivas   e   a   forma   capitalista   da   sua   utilização.   Assim,   as  contradições   sociais   e   a   luta   de   classes   determinariam   o   fim   do   modo   de   produção  capitalista,  cabendo  ao  proletariado  a  função  decisiva  nessa  transformação.     Desta   forma,   os   antagonismos   que   defendiam   as   sociedades   industriais   seriam  utilizados   para   que   as   transformações   se   tornassem   inevitáveis,   atribuindo  progressivamente   às   classes   oprimidas,   a   consciência   do   seu   papel   histórico.   Assim,   o  capitalismo   daria   origem   ao   socialismo,   o   que   corresponderia   a   uma   perpétua  transformação  das  sociedades  humanas  –  visão  determinista  da  história.     K.   Marx   e   F.   Engels   defendiam   que   todos   os   trabalhadores   se   deveriam   unir,  revoltando-­‐se   e   impondo   uma   ditadura   do   proletariado.   A   exploração   capitalista  terminaria   com   a   expropriação   dos   proprietários,   construindo-­‐se   uma   sociedade   sem  classes  e  sem  Estado  –  a  sociedade  comunista.  4.3. Revoluções sociais do século XX   A  primeira  experiência  histórica  de  um  regime  socialista  correspondeu  à  Revolução  Russa   de   1917,   sendo   que   os   bolcheviques   chegaram   ao   poder,   liderados   por   Lenine  (1870-­‐1924).   O   modelo   soviético   conjeturava   uma   economia   de   direção   central,   baseada  na   existência   de   uma   autoridade   que   decidia   sobre   a   distribuição   de   recursos,   a   fim   de  satisfazer  as  necessidades  colectivas.  Deste  modo,  o  Estado  dirigia  a  economia  através  de  um  Plano,  onde  eram  definidos  os  objectivos  de  produção  e  de  consumo.     O  regime  soviético  tentou  alargar  a  sua  influência  política  à  Europa,  sendo  que  após  a   2ª   Guerra   Mundial   (1945),   com   a   partilha   da   Europa   em   duas   zonas   geográficas   –  Estados   Unidos   e   União   Soviética   –   passou   a   influenciar   os   países   da   Europa   Central   e  Leste.  Porém,  também  fora  da  Europa  foram  realizadas  Revoluções  comunistas  nacionais:   • A  revolução  socialista  chinesa  em  1949,  sob  a  direcção  de  Mao  Zedong  (1893-­‐1976),   onde   o   modelo   com   um   forte   sentido   pragmático   sobreviveu   à   morte   do   seu   fundador  e  à  queda  do  regime  soviético.   • A   revolução   cubana,   lançada   por   Fidel   de   Castro   (1927)   e   Ernesto   Che   Guevara   (1928-­‐1967),   onde   ainda   hoje   procura   manter   fidelidade   aos   princípios   do   socialismo  e  colectivismo.     Porém,   como   poderia   haver   um   único   país   a   seguir   um   sistema   diferente?   Como  poderia  a  Rússia  ser  a  ilustração  do  determinismo  histórico,  dado  o  seu  regime  capitalista     12  
  13. 13.  encontrar-­‐se   num   grau   de   desenvolvimento   menos   avançado   do   que   o   de   outros   países  ocidentais?     Deste   modo,   no   inicio   dos   anos   20   do   século   passado,   esta   experiência   teve   como  consequência  cisões  no  seio  dos  partidos  da  Associação  Internacional  dos  Trabalhadores:     → Os  Partidos  Comunistas,  na  experiência  soviética;     → E   por   outro   lado   os   Partidos   Socialistas   e   Social-­‐Democratas,   que   se   mantiveram   fiéis   à   lógica   liberal   e   ao   parlamentarismo   no   funcionamento   das   instituições   politicas.       Este  socialismo  reformista  marcou-­‐se  pelo  modelo  soviético,  defendendo  assim  que  o  voto  democrático  e  livre  e  a  expressão  dos  movimentos  da  sociedade  permitiriam  obter  reformas   que,   anteriormente,   teriam   exigido   insurreições   sangrentas.   O   sufrágio   universal  ajudaria,  assim,  a  reforma  gradual  do  capitalismo  e  a  sua  superação.         De   ponto   de   vista   liberal   e   democrático   foi   adoptado   na   Europa   pelo   movimento  trabalhista   Britânico   e   pelos   partidos   sociais   democratas,   este   ponto   de   vista   adaptou-­‐se  às  mudanças  sociais  ocorridas  durante  século  XX.       A  decomposição  do  regime  Soviético  e  a  desintegração  do  seu  bloco  de  influência  foi  iniciado   em   1989   com   a   queda   do   Muro   de   Berlim,   o   que   levou   à   independência   dos  estados   pertencentes   à   URSS,   à   autonomização   dos   países   das   sua   esfera   da   influência  (Checoslováquia,  Polónia,  etc)  e  à  reunificação  da  Alemanha.       Daqui   em   diante,   estes   países   aproximaram-­‐se   do   modelo   ocidental   democrático   e  capitalista,  afastando-­‐se  assim  do  socialismo.      5. Mudança social – marcos históricos significativos     Hoje   em   dia   é   possível   olhar   para   o   passado   e   questionar   as   razões   que   terão  levado   às   constantes   mudanças   que   aconteceram   e   que   continuam   a   alterar   a   sociedade.   A  resposta  a  esta  questão  reside  no  processo  de  industrialização.  É  possível  notar  a  grande  diferença   entre   as   sociedades   industrializadas     e   as   sociedades   anteriores,   visto   que,   as  primeiras   concentram   a   maior   parte   da   população   nas   cidades   trabalhando   em   fábricas,     13  
  14. 14.  bancos,   escritórios,   etc,   e   que   a   evolução   dos   transportes   aproximou   as   populações   e  integrou  os  espaços.       Outro  aspecto  onde  existiram  grandes  alterações  foi  no  sistema  político,  visto  que,  se  passou  de  uma  monarquia  absoluta  para  um  estado  democrático.       O   acontecimento   mais   marcante   para   a   evolução   da   sociedade   moderna   foi   a  Revolução  Industrial,  à  qual  estão  associados  outros  acontecimentos  como:     ü A  construção  dos  nacionalismos;     ü As  colonizações  e  a  construção  dos  impérios  coloniais;   ü O  desenvolvimento  científico  e  tecnológico  dos  séculos  XIX  e  XX;     ü As  duas  grandes  guerras  mundiais  do  séculos  XX;     ü A  construção  da  democracia;     ü As  descolonizações.      5.1. A construção dos nacionalismos       O   nacionalismo,   teoria   política   que   surge   no   século   XIX,   defende   que   cada   nação  deve   dispor   do   seu   próprio     Estado,   quer   isto   dizer   que   os   indivíduos   que   integrem   a  mesma  cultura,  e  que  reconheçam,  deverão  integrar  o  mesmo  Estado,  pois  a  sua  tradição  cultural   é   tão   valiosa   que   é   necessário   defende-­‐la   através   da   criação   e   ampliação   do  próprio  Estado.       A   definição   das   fronteiras   permitiu   que   o   Estado   passasse   a   deter   um   poder   e  soberania   exclusivos   sobre   determinado   territórios   determinada   população,   ou   seja,   que  passasse  e  constituir  um  Estado-­‐Nação.       Os   estados-­‐Nação   surgem   com   as   sociedades   industriais,   pois   só   nelas   é   possível  constituir  comunidades  nacionais  mais  próximas.    5.2. As colonizações e a construção dos impérios coloniais     A  partir  do  século  XVII,  os  países  europeus  começaram  a  estabelecer  colónias  em  áreas  de  todo  o  mundo,  algumas  delas  até  aí  ocupadas  por  sociedades  tradicionais.       A   colonização   foi   fundamental   para   o   desenvolvimento   das   potências   europeias,   em  especial  a  Inglaterra,  pois  permitiu-­‐lhe  a  acumulação  da  capital  necessária  para  a  continuação     14  
  15. 15.  do  seu  desenvolvimento  industrial.  Isto  porque  as  colónias  têm  uma  dupla  função:  fornecerem    matérias  primas  para  a  industria  e  funcionavam  como  mercado  para  os  produtos  industriais.       A  colonização  contribuiu  também  para  a  divulgação  dos  modos  de  vida  ocidentais  a  todo  o  mundo.       Na  definição    do  mapa  social  do  globo,  o  colonialismo  foi  fundamental  para  dividir  as  várias  regiões:     • Zonas   industrializadas   –   regiões   habitadas   por   pequenas   comunidades   (Estados   Unidos,  Nova  Zelândia  e  Austrália),  onde  a  população  europeia  constituía  a  maior   parte  da  população  e  depois  foi  alcançada  a  independência.     • Países   em   desenvolvimento   –   regiões   nas   quais   a   população   europeia   era   uma   minoria  e  onde  o  desenvolvimento  industrial  foi  reduzido.    5.3. O desenvolvimento científico e tecnológico dos séc. XIX eXX     O  crescente  desenvolvimento  da  ciência  promove  a  constante  inovação  dos  meios  tecnológicos  de  produção,  característicos  da  industria  moderna.       Nos  séculos  XIX  e  XX  o  desenvolvimento  científico  e  desenvolvimento  tecnológico  atingiram  níveis  sem  precedentes  tendo  desta  forma  um  grande  impacto  na  economia,  na  política   e   na   cultura,   visto   que,   o   desenvolvimento   científico   e   tecnológico   deu   origem   a  novas   formas   de   comunicação,   como   por   exemplo   a   rádio,   a   televisão,   internet   e   os  telemóveis,  que  vieram  alterar  a  esfera  cultural.    5.4. As duas guerras mundiais do século XX     Além   da   sua   utilização   no   processo   de   expansão,   o   poder   militar   dos   países  ocidentais   foram   também   aplicados   nas   duas   grandes   guerras   mundiais   do   século   XX.  Estes   funestos   acontecimentos   tiveram   consequências   devastadoras,   visto   que,   por  exemplo  na  2º  Guerra  Mundial  foram  mortos  pelo  regime  nazi  de  Hitler.  Além  disso,  a  2º  Guerra  Mundial  deu  origem  a  alterações  a  nível  nacional  e  internacional:   ⇒ A   nível   nacional   –   reconstrução   económica   e   política   dos   países   derrotados   (Alemanha  e  Japão),  nos  quis  são  implementados  regimes  democráticos;       15  
  16. 16.   ⇒ A  nível  internacional  –  criação  da  ONU,  cujo  o  objectivo  é  manter  a  paz  em  todo  o   mundo   e   assegurar   o   equilíbrio   entre   os   povos   tentando   por   fim   a   hegemonia   mundial  da  Europa.      5.5. A construção da democracia   A  democracia  surgiu  ligada  à  Revolução  Francesa  e  ao  progresso  do  capitalismo.   Na   democracia,   o   povo   é   quem   governa,   quer   diretamente   –   democracia   direta   –  quer   transversalmente   à   eleição   de   representantes,   aos   quais   é   incumbido   o   poder   e  autoridade  –  democracia  representativa.     Atualmente,  quase  todos  os  países  são  democracias  liberais.  A  sua  expansão  deve-­‐se  ao  facto  dos  outros  regimes  políticos  terem  falhado,  sendo,  até  ao  momento,  a  melhor  forma   de   organização   política.   Por   outro   lado,   o   progresso   dos   meios   de   comunicação  social,   especialmente   a   televisão   e   a   internet,   permite   que   maior   parte   da   população   tenha  rápido   acesso   à   informação,   o   que   dificulta   o   controlo   por   parte   do   Estado,  impossibilitando-­‐lhe  o  recurso  a  formas  de  poder  mais  autoritário.     Não   obstante,   apesar   da   expansão   dos   regimes   democráticos   é   cada   vez   mais  comum   as   pessoas   demonstrarem-­‐se   desiludidas   com   as   instituições   democráticas,  expressando  essa  desilusão  através  da  abstenção  aos  atos  eleitorais.      5.6.  A s descolonizações   Os   países   europeus   colonizaram   diversas   partes   do   mundo.   Algumas   colónias  tornaram-­‐se  independentes  durante  o  século  XIX.   Contudo,  apenas  posteriormente  à  2ª  Guerra  Mundial  maior  parte  dessas  colónias  se  tronou   independente,   nomeadamente   na   Ásia   e   em   África,   maioritariamente,   na   sequência   de  luas  anticolonialistas  sangrentas.   Grande   parte   desses   países,   especialmente   os   africanos,   compõem   atualmente   as  sociedades   em   desenvolvimento   e   englobam   os   países   mais   pobres   do   mundo.   As   condições  de   vida   das   suas   populações   têm-­‐se   corrompido,   o   que   faz   com   que   um   grande   número   de  pessoas   vivam   em   situação   de   extrema   pobreza.   A   agricultura   continua   a   principal   atividade  económica,  todavia,  as  cidades  desenvolveram-­‐se  rápida  e  desordenadamente.     A   situação   destes   países   não   pode   ser   explicada   afirmando   apenas   que   eles   se  deixaram  atrasar  em  relação  às  regiões  mais  desenvolvidas  e  industrializadas.  Com  efeito,  uma     16  
  17. 17.  possível   causa   deste   atraso   será   o   facto   de   a   colonização   europeia   ter   minado   os   sistemas  económicos  tradicionais  sem  ter  implementado  um  modelo  económico  alternativo.  6.  A relatividade dos valores – tolerância e intolerância Do   latim,   tolerância   significa   «ato   de   tolerar,   ou   seja   de   suportar».   Esta   palavra  possui   diversos   significados,   nomeadamente   quando   aplicável   pela   medicina,   tem   como  significado   a   capacidade   de   o   organismo   resistir   a   determinados   medicamentos.   Noutra  perspetiva,   neste   caso,   social   e   humana,   esta   palavra   significa   a   tendência   para   permitir  formas   de   pensar,   sentir   e   de   agir   diferentes   das   nossas,   o   que   significa   que   uma   atitude  tolerante   será   aquela   que   declara   que   todos   têm   direito   a   ter   e   de   manifestar   as   suas  opiniões,  mesmo  quando  estas  são  divergentes  às  nossas.   Evidentemente,   existem   limites   à   tolerância,   quando   esta,   por   exemplo   não   se  aplica   ao   conhecimento   científico,   pois   não   se   pode   ser   tolerante   com   erros   científicos,  uma   vez   que   a   ciência   só   progride   corrigindo   os   seus   erros;   por   outro   lado,   não   se   pode  assumir  um  caráter  universal  e  absoluto  como  por  exemplo  em  relação  ao  regime  de  Hitler  na  Alemanha  nazi,  não  faria  sentido  ser-­‐se  tolerante.   Por   outro   lado,   a   intolerância   corresponde   a   atitudes   que   não   respeitam   as  diferenças  dos  outros,  ou  seja,  as  suas  perspetivas  e  opiniões,  as  suas  caraterísticas  físicas  e/ou   culturais,   etc.   Por   vezes,   a   intolerância   é   baseada   em   preconceitos   que   se   fazem  notar,  regra  geral,  sob  forma  de  discriminação.   A   intolerância   religiosa   resulta   da   não   aceitação   de   crenças   e   de   práticas   religiosas  dos  outros.   Na  Antiguidade,  os  primeiros  cristãos  foram  perseguidos  por  judeus  e  pagãos.  Na  Idade  Média  foram  os  judeus  e  todos  aqueles  que  praticavam  outras  religiões  e  até  mesmo  mulheres   consideradas   feiticeiras   foram   alvo   de   perseguições   levadas   a   cabo   pelo   tribunal  da  Inquisição   No   século   XVI,   a   separação   da   igreja   católica   conduziu   ao   aparecimento   das   igrejas  protestantes   (luteranos,   anglicanos,   calvinistas,   etc.)   –   Reforma.   Posteriormente,   a   igreja  católica   reagiu   à   separação,   reorganizou-­‐se   e   reafirmou   as   suas   diferenças   relativamente  aos  protestantes  –  Contra-­‐Reforma.     As   preocupações   com   a   tolerância   religiosa   foram   expressas   por   pensadores   e  filósofos   que   insistiram   para   que   católicos   e   protestantes   começassem   a   praticar   a  tolerância,   em   vez   de   se   envolverem   em   conflitos   contra   quem   consideravam   cismáticos  ou  hereges.     17  
  18. 18.    A   divulgação   dessas   doutrinas   iniciou   o   caminho   para   que   no   século   seguinte   a  implantação  do  Estado  secular  ganhasse  força.   Desta  forma,  a  Revolução  Francesa  (1789),  sagrou  a  separação  do  Estado  da  Igreja,  ou   seja,   proclamou   o   Estado   secular,   o   que   consentiria   a   existência   e   convivência,  subordinada  ao  mesmo  governo.   Porém,   as   perseguições   religiosas   não   cessaram,   tendo   atingido   níveis   nunca   antes  vistos   na   História,   durante   o   século   XX,   quando   os   nazis   desenvolveram   sistemas  industriais   de   extermínio   em   massa,   expelindo   milhões   de   judeus   e   outras   etnias  indesejadas  pelo  regime  do  Holocausto  nazi.   Nos  dias  de  hoje,  os  tumultos  religiosos  perduram,  tendo  a  Organização  das  Nações  Unidas   (ONU)   validado,   a   25   de   Novembro   de   1981,   a   Declaração   sobre   a   eliminação   de  todas  as  formas  de  intolerância  e  discriminação  fundadas  na  religião  ou  nas  convicções.   Esta  declaração  fundamenta-­‐se  pelo  facto  do  desprezo  e  da  violação  dos  direitos  e  das   liberdades   fundamentais,   particularmente,   o   direito   a   liberdade   de   pensamento,   de  consciência,   de   religião   ou   de   qualquer   convicção,   terem   causado   guerras   e   grandes  sofrimentos   à   Humanidade,   principalmente   nos   casos   em   que   sirvam   de   meio   de  intromissão   estrangeira   nos   assuntos   internos   de   outros   Estados   e   serem   o   mesmo   que  aliciar  o  ódio  entre  os  povos  e  as  nações.  Neste  sentido,  são,  uma  vez  mais,  reiterados  os  princípios   de   não   discriminação   e   de   igualdade   perante   a   lei   e   o   direito   à   liberdade   de  pensamento,  de  consciência,  de  religião  ou  de  convicção.   Atualmente,   para   além   dos   desacatos   religiosos,   têm   eclodido   outros   focos   de  intolerância:   • O   colonialismo,   e   mais   recentemente,   as   migrações   internacionais   tem   conduzido  a  situações  de  intolerância  como  a  xenofobia  e  o  racismo;   • Conflitos   político-­‐religiosos   conduzidos   ao   limite,   como   é   exemplo   o   do   terrorismo.     A  legislação  dos  Estados  nacionais  culmina  a  aplicação  de  leis  contra  quem  pratica  atos   violentos   de   intolerância.   Porém,   coloca-­‐se   a   questão   de   saber   qual   o   grau   de  intolerância  que  um  governo  deve  aceitar  uma  manifestação  de  intolerância.                   18  
  19. 19.    7. Organizações internacionais de defesa dos direitoshumanos   De   entre   as   organizações   internacionais   que   fomentam   a   defesa   dos   direitos  humanos  evidencio  as  seguintes:   • Organização  da  Nações  Unidas;   • Amnistia  Internacional;   • Médicos  sem  fronteiras;   • AMI  (Assistência  Médica  Internacional);   • Oikos.    7.1. Organização das Nações Unidas   É  uma  instituição  internacional,  fundada  após  a  2ªGuerra  Mundial,  com  o  intuito  de  manter  a  paz  e  a  segurança  no  mundo,  fomentar  relações  cordiais  entre  as  nações,  suscitar  o  avanço  social,  melhorar  os  padrões  de  vida  e  defender  os  direitos  humanos.    7.2. Amnistia Internacional   Nasceu   em   Maio   de   1961,   defende   uma   visão   de   mundo   em   que   cada   indivíduo  disfruta   de   todos   os   Direitos   Humanos   consagrados   na   Declaração   Universal   do   Direitos  Humanos  e  noutros  padrões  internacionais  de  Direitos  Humanos.      7.3. Médicos sem fronteiras   Organização   internacional   não   governamental,   sem   fins   lucrativos,   que   tem   como  finalidade   proporcionar   assistência   médica   de   urgência   em   ocasiões   como   conflitos  armados,  catástrofes  naturais,  epidemias  e  fome.         19  
  20. 20.  7.4. AMI   Foi   criada   com   os   mesmos   objetivos   que   os   Médicos   sem   fronteiras.   É   uma  organização  não  governamental  portuguesa  que  aglomera  médicos,  profissionais  de  saúde  e   outros   voluntários   que   aceitem   o   princípio   de   socorrer   todas   as   vítimas   de   catástrofes  naturais,   acidentes   coletivos   e   situações   de   guerra,   sem   discriminação   de   raça,   política,  religião,  filosofia  ou  posição  social.    7.5. Oikos – Cooperção e Desenvolvimento   ONG   portuguesa   fundada   a   23   de   fevereiro   de   1988,   sendo   reconhecida  internacionalmente  como  uma  organização  não  governamental  para  o  desenvolvimento.  A  sua  missão  baseia-­‐se  em  motivar  a  cooperação  e  solidariedade  para  o  desenvolvimento  humano  e  sustentável  das  regiões  e  países  mais  desfavor                                         20  
  21. 21.  Conclusão     Com  este  trabalho  concluo  que  consegui  atingir  objectivo  descrito  na  introdução,  e  aprender  mais  sobre  a  construção  social.       21  

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