O papel da enfermagem frente o monitoramento da dor como quinto sinal vital

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O papel da enfermagem frente o monitoramento da dor como quinto sinal vital

  1. 1. O PAPEL DA ENFERMAGEM FRENTE AO MONITORAMENTO DA DOR COMO 5º SINAL VITAL * Kátia Biagio Fontes ** André Estevam JaquesRESUMOA Agência Americana de Pesquisa e Qualidade em Saúde Pública e a Sociedade Americana de Dorpreconizaram a avaliação e registro sistemático da dor, concomitante com os outros sinais vitais, instituindo ador como o 5º sinal vital. Porém, a dor continua sendo subtratada e subnotificada, pois poucos profissionais desaúde possuem conhecimento sobre este tema. O objetivo do presente estudo foi investigar sobre o papel daenfermagem frente ao monitoramento da dor. Consistiu-se de uma revisão bibliográfica de artigos deperiódicos, realizada nas bases de dados MedLine por meio da PubMed e LILACS através da Bireme. Obteve-se uma amostra de nove artigos de periódicos, foram consideradas outras referências encontradas por meio debusca inicial. Da análise dos resultados, concluiu-se que a enfermagem, como integrante da equipemultidisciplinar, pode influenciar todo trabalho em equipe, portanto, o adequado preparo destes profissionaistorna-se indispensável para que se alcance sucesso na administração da dor.Palavras-chave: Avaliação da dor. Enfermagem. Papel do profissional de enfermagem. INTRODUÇÃO Credenciamento e Classificação das Organizações de Cuidadores de Saúde, entidade A dor é uma das razões mais comuns da norte-americana de avaliação hospitalar,busca por cuidados médicos(1), e quando não- representada no Brasil pelo Consórciocontrolada, é responsável pelo aumento de Brasileiro de Acreditação, certifica, no cenáriocomplicações pós-operatórias, pós-traumáticas, internacional, as instituições que se submetemprolongamento das internações, aumento dos aos padrões definidos(3). Nos quais, incluiu ocustos e insatisfação do doente com os alívio da dor como um dos itens a ser avaliadotratamentos(2), sua prevalência, nos hospitais, na acreditação hospitalar, isto resultou novaria em torno de 45% a 80%(3). Argumenta-se reconhecimento que hoje se tem, sobre o direitoque a dor, em especial a crônica, não é do paciente em ter sua queixa dolorosacorretamente tratada e documentada por causa avaliada, registrada e controlada(6).da inadequada avaliação inicial, tanto por parte Constitui-se num dado imprescindível ados clínicos, quanto por parte do estafe que avaliação e o registro sistemático da queixacuida do paciente(4). dolorosa após os outros sinais vitais, para que o Com o objetivo de melhorar a qualidade da clínico possa atender adequadamente aoassistência, a Agência Americana de Pesquisa e sofrimento do paciente(4), sendo para PimentaQualidade em Saúde Pública e a Sociedade (2006), os dados da avaliação a base do seuAmericana de Dor (APS) estabeleceram diretrizes diagnóstico etiológico, para a prescriçãoque a mensuração e registro da dor devem ser terapêutica analgésica e avaliação da eficáciarealizados com o mesmo rigor e seriedade que a obtida(7).pressão arterial, freqüência cardíaca, freqüência No entanto, devemos considerar querespiratória e temperatura, denominando assim temperatura, pulso, respiração e pressãoa dor como “5º sinal vital”(5). A Joint arterial podem ser mensurados objetivamenteCommission on Accreditation of Healthcare por de instrumentos físicos, distinguindo-se daOrganization (JCAHO), Comissão de dor que é inerentemente subjetiva (8), portanto, o* Acadêmica do Curso de Enfermagem da Universidade Paranaense – UNIPAR.** Enfermeiro. Mestre em Engenharia da Produção. Professor Adjunto e Coordenador do Curso de Enfermagem da Universidade Paranaense (UNIPAR). Cienc Cuid Saude 2007;6(Suplem. 2):481-487
  2. 2. 482 Fontes KB, Jaques AE.auto-relato do paciente é o indicador mais administração da dor são praticamenteseguro da sua intensidade, dessa forma, inexistentes(1). Em virtude desta dificuldade,pacientes que sofrem o mesmo procedimento não é de se admirar que a falta de êxito napodem experimentar diferentes níveis de dor, avaliação da dor, seja a causa mais comum dotornando-se crucial acreditar e responder seu ineficiente controle(8).prontamente a um paciente que refere dor(9). Diante desta responsabilidade, o Segundo a JCAHO, a avaliação da queixa conhecimento de estratégias para o exercício dadolorosa deve ser realizada durante toda a assistência qualificada para o controle e manejointernação, incluindo a caracterização do local, da dor é indispensável. O objetivo desteda intensidade, da freqüência, da duração e da trabalho foi realizar revisão na literatura sobrequalidade do sintoma, e deve ser registrada em o papel da enfermagem, frente aoinstrumentos adequados a cada instituição(6), monitoramento da dor como 5º sinal vital.quer sejam unidimensionais ou multidimensionais.De acordo com Davis e Walsh (2004), pacientes, METODOLOGIAque têm a intensidade da dor avaliada eregistrada sistematicamente, apresentam Este estudo constituiu de uma revisãoconsiderável redução do quadro doloroso, quando bibliográfica, em que foram utilizadas as basescomparado aos que não são monitorizados. de dados MedLine e LILACS, durante limitesAngústia emocional, tumulto social e expressão temporais de 1998 a 2006. O acesso ao MedLinede comportamentos de dor podem ser esboçados foi feito por intermédio da Pubmed, base depor pacientes que não têm sua dor avaliada de dados da National Library of Medicine (NLM), eforma sistemática(8), ainda, Silva e Pimenta o acesso ao LILACS, por meio da BIREME.(2003) relatam que os mesmos tendem a avaliar Foram utilizados os descritores: “Cancernegativamente todos os demais serviços prestados pain and measurement”; “Pain and paindurante sua hospitalização (6). Davis e Walsh measurement” na opção de busca MeSH(2003) relatam que profissionais de saúde Browser (Medical Subject Heading) na baserealizam a avaliação e registro da dor de forma MedLine.insuficiente e menos de 25% dos prontuários de Para a seleção de textos, na base LILACS,pacientes contém anotações sobre doses de foram utilizados o formulário básico e osopióides, doses de salvamento, hábitos descritores: “Dor e avaliação da dor”; “Dor eintestinais e uso de laxativos(8). enfermagem”; “Dor e cuidados de enfermagem”; Embora algumas iniciativas nacionais “Dor e analgesia”; “Dor e educação em saúde”.mostrem preocupação e movimento para instituir Foram incluídos neste trabalho: revisões,a dor como 5º sinal vital nas instituições pesquisas e livros mais recentes e/ouhospitalares, esse conceito elaborado pela referências sobre o tema. A busca realizada foiSociedade Americana de Dor já completou dez limitada a artigos publicados em português eanos, e na maioria dos hospitais, ela ainda não inglês. Além disso, outras referênciasé prioridade para os pacientes internados, pois encontradas, manualmente, a partir de buscao que se observa freqüentemente é a prática inicial, foram consideradas.corrente de um convívio cotidiano e passivo dos DESENVOLVIMENTOprofissionais de saúde com a dor do outro,resultando na subidentificação e subtratamento(3). Os termos mensuração e avaliação são A equipe de enfermagem é quem, pela comumente utilizados na literatura relacionadamaior proximidade com o paciente, identifica, à dor, no entanto possuem algumas diferenças.avalia e notifica a dor, programa a terapêutica A mensuração refere-se ao escalonamento defarmacológica prescrita, prescreve algumas um número ou valor que pode ser atribuído pormedidas não-farmacológicas e avalia a analgesia. intermédio de instrumentos unidimensionais,Ou seja, na prática, é quem organiza o esses instrumentos podem ser rapidamentegerenciamento da dor(3), no entanto, publicações e administrados e mensuram apenas a intensidadeinformações sobre o papel de enfermeiras na da dor. Já, a avaliação da dor é um processo Cienc Cuid Saude 2007;6(Suplem. 2):481-487
  3. 3. O papel da enfermagem frente ao monitoramento da dor 483mais complexo, uma vez que considera outros registro da dor, haverá maior chance de êxitoaspectos da dor, sendo necessário o uso de no manejo da queixa dolorosa(11).instrumentos multidimensionais, para se obter A dor como 5º sinal vital gera mudançasinformações sobre a dor, seu significado e seus em toda equipe multidisciplinar, bem como naefeitos sobre a pessoa. Juntas, avaliação e própria organização de saúde, exigindo amensuração, constituem o processo de sintetizar elaboração de protocolos de avaliação e manejo daas informações coletadas e capturadas por dor crônica e aguda(12), como também nainstrumentos unidimensionais ou multidimensionais educação e treinamento contínuo para modificardurante o exame do paciente, servindo para comportamentos e práticas arraigadas dosestabelecer um diagnóstico, prognóstico e planejar profissionais(3). O uso sistematizado deum programa de controle e manejo da dor(4). instrumento de mensuração e registro da dor O primeiro passo para a administração da promove a consciência no profissional quedor é acreditar na queixa verbal do paciente, presta cuidados ao paciente com dor, além depara isso, a equipe de enfermagem deve ser contribuir para o aperfeiçoamento da assistênciainstruída a mensurar e registrar a dor no de enfermagem(8).prontuário do paciente, fazendo constantemente A enfermagem pode utilizar várias escalasa mesma pergunta: Qual a intensidade da sua para mensurar a intensidade da dor do paciente,dor neste exato momento? No entanto, sendo que cada uma tem suas vantagens esimplesmente perguntar ao paciente sobre sua limitações. Portanto, iniciar a avaliação da dordor diariamente, no momento de toda mudança questionando sua intensidade, localização e tipode turno não ajuda a evitar flutuações de dor de intervenção podem parecer primário, porém,incidental(8). Todavia, registrar a dor é demanda a escolha de escalas a serem utilizadasfundamental, pois tais informações permitem de acordo com a idade, habilidades deque os dados sejam compartilhados entre os comunicação, prejuízo cognitivo e físico dodiversos plantões e equipe multidisciplinar, paciente(3), deve-se utilizar instrumentospossibilitando que se realizem os ajustes simples e de fácil manuseio, por coerência,necessários para o tratamento(10). Se a dor é seria melhor usar o mesmo instrumento duranteidentificada, mas a informação não circula toda internação do paciente(9). Instrumentosentre os profissionais, ou circula de modo complexos podem dificultar a aplicação pelosirregular e lento, a proposta analgésica ou o auxiliares e técnicos de enfermagem, sendo maisajuste ficam comprometidos, por isso as ações bem conduzidos pelo enfermeiro durante aa serem realizadas após a identificação da dor realização do exame físico e raciocínioou de sua piora devem permitir rapidez(7). clínico(3). Os instrumentos unidimensionais são Estudo desenvolvido por Mularski et al. freqüentemente utilizados em clínicas e(2006), com objetivo de avaliar a eficácia da hospitais para se obter informações rápidasmensuração da dor como 5º sinal vital pós- sobre a dor e analgesia(5), entre as escalasimplantação, demonstrou que a mesma não unidimensionais mais utilizadas, destacam-se aaumentou a qualidade da administração da dor. escala visual numérica (EVN), a escala visualOs autores relatam que alguns médicos não analógica (EVA) e a escala de categoria verbaldispendem a devida atenção para o campo onde é ou visual(4). O ideal é que o paciente e a equiperegistrado o 5º sinal vital, outros alegam que de assistência possam trabalhar estabelecendodurante a visita, recebem o prontuário do um objetivo aceitável, num valor de até três,paciente, constando apenas informações básicas e numa escala de um a dez, com o intuito deregistro dos outros quatro sinais vitais. Para manter a dor abaixo ou até este nível(9).Mularski et al., estes fatos sugerem que a Instrumentos unidimensionais são de fácilutilidade da dor como 5º sinal vital acaba sendo aplicação, porém não são sensíveis aosprejudicada, devido a fracassos na comunicação componentes afetivos da dor, sendo necessáriapor documentação, e propõe que uma vez que a a utilização de outros instrumentos deequipe de enfermagem execute a avaliação e avaliação(3). Cienc Cuid Saude 2007;6(Suplem. 2):481-487
  4. 4. 484 Fontes KB, Jaques AE. Crianças e pacientes com dificuldades ele chegar ao hospital, explicar que suacognitivas ou verbais podem não relatar dor, administração é parte fundamental no seudeixando assim de receber o devido tratamento cuidado e a importância de que ele relatee controle de sintomas(9). A dor nos indivíduos quando sentir dor. Sempre que possível, incluaque não podem expressá-la por intermédio de a família nesta discussão. Neste sentido, o usopalavras, torna-se um fenômeno à parte, de materiais impressos, como folhetos, podeportanto, para que o reconhecimento do quadro ajudar(9). O preparo dos doentes e cuidadores,doloroso destes pacientes seja possível, assim para uso de qualquer método para o controle dacomo dar sustentação a qualidade no dor devem ser feito de modo sistemático e visaatendimento, é necessário observar a sinalização torná-los agentes de autocuidado e participantesnão-verbal indicativa de dor como forma de conscientes do processo terapêutico, podendo serlinguagem alternativa(13). Assim, manifestações realizado no domicílio, centros de saúde,comportamentais como caretas, posturas ambulatórios, hospitais, por meio de consultasencurvadas, punhos cerrados, tremor, mudanças individuais, discussões em grupo, palestras,de modulação da voz, sinais de ansiedade e demonstração, filmes, folhetos educativos, entremanifestações emocionais de choro, gemido, entre outros meios(7).outras, são comuns nos quadros dolorosos. Além A equipe de enfermagem é quem programadisso, pacientes com dor aguda podem apresentar a terapia farmacológica prescrita, no entanto,manifestações fisiológicas, como aumento da medicar o paciente implica conhecer não só aspressão arterial, freqüência cardíaca e vias de administração das drogas e suarespiratória, midríase, sudorese, palidez, indicação, mas também sua fisiologia orgânica,anorexia, náuseas, vômitos, rigidez muscular e ação farmacológica, possíveis reações, posologiadesconforto, no entanto, muitos medicamentos indicada e possíveis interaçõespodem prevenir algumas manifestações, já medicamentosas, exigindo conhecimentospacientes com dor crônica freqüentemente psicobiológicos e farmacológicos complexos.apresentam sinais vitais normais(9). Na assistência hospitalar, cabe à equipe de O instrumento “Faces Legs Activity Cry enfermagem a tomada de decisão que precede aand Consolabity Pain Scale”, descrito como administração de medicação analgésica,“Escala de Expressão Facial, Pernas, anteriormente prescrita pelo médico com aAtividades, Choro e Consolabilidade de Dor”, é condição de ser efetuada em caso “se necessário”,uma escala de avaliação de comportamento, entretanto, muitos enfermeiros apresentamque usa movimentos do corpo e sons para deficiências de conhecimento da dose, vias eavaliar a dor em crianças, mas também pode esquemas de administração, meia-vida e efeitosser utilizada para pacientes com danos colaterais dos analgésicos opiáceos ecognitivos ou verbais(4,9). Mostrando-se válida superestimam o risco de tolerância e denuma referência de idosos com dificuldades dependência psicológica, levando à administração decognitivas com condições de dor persistente(4). analgésicos em doses muitos menores que as A apreciação, a expressão e o modo como possíveis, quando a prescrição é feita nesteo doente lida com o fenômeno doloroso estão esquema(15). Num estudo a respeito dointimamente ligados aos conceitos que ele tem conhecimento e atitudes de 120 enfermeiros, nosobre a dor(7). Existem pacientes que acreditam manejo da dor, demonstrou-se que, em média,que a dor e o sofrimento são condições que 62% desses profissionais não possuíamdevem ser suportadas(14), outros podem hesitar conhecimentos suficientes sobre dor ea informar sua dor porque não querem ser vistos analgesia(10).como queixosos, considerando reclamar como O enfermeiro deve participar de forma ativasendo um sinal de fraqueza, ou não querem no tratamento, garantindo a oferta analgésica etomar analgésicos, devido os efeitos colaterais de forma adequada(16), sendo assim, deve serou porque temem a dicção(9). Portanto, capaz de prever um evento doloroso durante apacientes necessitam ser educados; deve-se realização de um procedimento diagnóstico ouconversar com o paciente sobre dor, assim que terapêutico, para poder programar medidas Cienc Cuid Saude 2007;6(Suplem. 2):481-487
  5. 5. O papel da enfermagem frente ao monitoramento da dor 485para minimizar ou prevenir a ocorrência de dor. eliminar a dor, mas contribuem para amenizar oA dor pós-operatória quando tratada sofrimento por ela causado, podendo até mesmopreventivamente ou precocemente torna-se mais reduzi-la. Estudo realizado pelas autoras emfácil de ser manipulada do que aquela relação a atitudes de profissionais deestabelecida ou intensa(3). enfermagem, frente à dor de recém-nascidos, A reavaliação da dor é parte integrante do em unidade de terapia intensiva neonatológica,processo efetivo da administração da dor, sendo evidenciou o desconhecimento destesque sua freqüência vai depender das condições profissionais sobre as diversas medidas nãoclínicas do paciente, sugerindo a necessidade de farmacológicas úteis para a prevenção ereavaliações mais ou menos freqüentes. redução da dor, as quais independem daPacientes com dor aguda devem ter sua dor prescrição médica e abrem um campo amploreavaliada não mais que uma hora após para a atuação da enfermagem(13). Sendo queadministração analgésica, ou a cada novo relato para Lafleur (2004), a falta de um médico ouna variação da dor(17), se o medicamento não enfermeira, que entenda de terapia analgésicareduziu a dor a um nível aceitável, deve ser farmacológica ou não-farmacológica podeperguntado ao médico sobre a possibilidade de interferir na qualidade do tratamento(9).reavaliação no plano de cuidado(9). Os padrões Segundo Pimenta, Koizumi e Teixeirapara a administração da dor, proposto pela (1997), há uma grande carência de conhecimentoJCAHO, preconizam que a administração da e preparo por parte dos profissionais de saúdedor seja efetuada não só ao longo da em relação à avaliação, mensuração ehospitalização do paciente, mas como parte do farmacologia da dor(15), Pedroso e Celichprocesso da alta também(9). Portanto, pacientes (2006) afirmam que este fato constitui-se nume seus cuidadores devem ser preparados pelo desafio para o cuidar em enfermagem, sendo aenfermeiro de forma verbal e escrita, quanto às prática educativa fundamental para oorientações referentes ao tratamento aperfeiçoamento da equipe de enfermagem.farmacológico anteriormente prescrito(16) e Neste contexto, as autoras propõem que aorientados a entrar em contato com seu médico, equipe deve receber orientações contínuasno caso de mudanças relativas a características quanto à existência da norma, que institui a dorda dor(9) e efeitos colaterais, resultantes do como sendo o 5º sinal vital e estimulada atratamento(17). introduzir tal temática em sua prática A administração analgésica não consiste, profissional, a fim de que se possa prestar umnecessariamente, na única forma terapêutica cuidado mais qualificado ao cliente com dor,para o controle da dor, podendo-se desenvolver oportunizando o atendimento humanizado(19).estratégias associadas que apresentem maior Para Pimenta (2006), cuidar, educar,êxito(18). O controle da dor é mais efetivo acolher, amparar, aliviar desconfortos,quando envolve intervenções múltiplas, que controlar sintomas e minimizar o sofrimentoatuam nos diversos componentes da dor. são ações cotidianas na vida dos profissionaisIntervenções não-farmacológicas para o de saúde, porém é fundamental auxiliar estescontrole da dor compreendem um conjunto de profissionais na aquisição de conhecimentosmedidas de ordem educacional, física, emocional, clínicos que favoreçam essa prática(7).comportamental e espiritual, são em suamaioria, de baixo custo e de fácil aplicação e CONSIDERAÇÕES FINAISmuitas delas podem ser ensinadas aos doentes eseus cuidadores, estimulando o autocuidado(7), no A enfermagem desempenha papel fundamentalentanto, cabe ao enfermeiro a escolha das como integrante da equipe multidisciplinar,intervenções que melhor atendam as frente ao monitoramento da dor como 5º sinalnecessidades dos pacientes(10). vital, pois seu desempenho é capaz de Pulter e Madureira (2003) relatam que, em influenciar e comprometer todo o trabalho datermos de assistência de enfermagem, o uso de equipe. Em virtude disso, faz-se necessária àterapias não-farmacológicas podem não conscientização de toda equipe de enfermagem, Cienc Cuid Saude 2007;6(Suplem. 2):481-487
  6. 6. 486 Fontes KB, Jaques AE.quanto à importância de seu comprometimento, para enfermagem quanto à aquisição de conhecimento eque juntos, com os demais membros da equipe treinamento, para que possam desempenhar seumultidisciplinar, possam trabalhar alcançando papel de forma eficaz, conduzindo assim para osucesso no controle e manejo da dor. Sendo sucesso na administração da dor.assim, é imprescindível o despertar daNURSING ROLE FACING THE MONITORING OF THE PAIN AS THE FIFTH VITAL SIGNABSTRACTThe American Agency of Investigation and Quality in Public Health and the American Pain Societyrecommended the evaluation and systematic registration of pain with the others vitals signs, instituting the painas the Fifth Vital Sign. Therefore, pain continues not to be treated and notified and few health professionalsknow about this issue. The objective of this study was to investigate the role of the nurse with relation to themonitoring of pain, through a bibliographic review of articles of newspapers carried out with databases MedLinethrough PubMed and LILACS through Bireme. A sample of nine articles of newspapers was obtained, otherreferences found through the initial search were considered. From the analysis of the results it is concluded thatthe nurse as one of the members of the multidisciplinary team can influence all the teamwork, therefore, theadequate preparation of these professionals is indispensable in order to reach success in the administration ofpain.Key words: Pain measurement. Nursing. Nurses role.EL PAPEL DE LA ENFERMERÍA FRENTE A LA MONITORIZACIÓN DEL DOLOR COMO 5ªSEÑAL VITALRESUMENLa Agencia Americana de Investigación y Calidad en Salud Pública y la Sociedad Americana de Dolorrecomendaron la evaluación y registro sistemático del dolor, junto con las otras señales vitales, instituyendo eldolor como la 5ª Señal Vital. Sin embargo, el dolor continúa siendo sub-tratada y sub-notificada, pues pocosprofesionales de la salud poseen conocimiento sobre este asunto. El objetivo del presente estudio fue investigarsobre el papel de la enfermería frente a la monitorización del dolor. Se constituyó de una revisión bibliográficade artículos de periódicos, realizada en las bases de datos MedLine por medio de la PubMed y LILACS a travésde Bireme. Se obtuvo una muestra de nueve artículos de periódicos, fueron consideradas otras referenciasencontradas por medio de la búsqueda inicial. Del análisis de los resultados, se concluyó que la enfermería,como integrante del equipo multidisciplinar, puede influir en todo el trabajo en equipo, por lo tanto, el adecuadopreparo de estos profesionales se torna indispensable para que se alcance suceso en la administración deldolor.Palabras Clave: Evaluación del dolor. Enfermería. Papel del profesional de enfermería. REFERÊNCIAS 4. Silva JA, Ribeiro-Filho NP. Avaliação e mensuração de dor: pesquisa, teoria e prática. Ribeirão Preto: FUNPEC;1. Droes NS. Role of the nurse practitioner in managing 2006.patients with pain. Internet J Adv Nurs Pract [periódico na 5. Sousa FAEF. Dor: o quinto sinal vital. Rev Lat-AmInternet]. 2004 [acesso em 2007 Jul 22]; Enfermagem. 2002;10(3):446-7.6(2):[aproximadamente 3 p.]. Disponível em : URL:http://www.ispub.com/ostia/index.php?xmlFilePath=journ 6. Silva YB, Pimenta CAM. Análise dos registros deals/ijanp/vol6n2/pain.xml#documentHeading-Methods. enfermagem sobre dor e analgesia em doentes hospitalizados. Rev Esc Enferm USP. 2003;37(2):109-18.2. Pimenta CAM. Dor: manual clínico de enfermagem. SãoPaulo: Searle; 2000. 7. Pimenta CAM. Dor oncológica: bases para avaliação e tratamento. In: Pessini L, Bertachini L. Humanização e3. Mendonça SHF, Leão ER. Implantação e monitoramento cuidados paliativos. 3ª ed. São Paulo: Loyola; 2006.da dor como 5º sinal vital: o desenvolvimento de umprocesso assistencial. In: Leão ER, Chaves LD. Dor 5º 8. Davis MP, Walsh D. Cancer pain: how to measure thesinal vital: reflexões e intervenções de enfermagem. 2ª ed. fifth vital sign. Cleve Clin J Med. 2004;71(8):625-32.São Paulo: Martinari; 2007. Cienc Cuid Saude 2007;6(Suplem. 2):481-487
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