Apresentação poesia1

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Apresentação poesia1

  1. 1. Poesia  O que é poesia?
  2. 2. AUTORES POÉTICOS
  3. 3. Vinícius de Moraes Vinicius de Moraes, nascido Marcus Vinicius de Moraes (Rio de Janeiro, 19 de outubro de 1913 — Rio de Janeiro, 9 de julho de 1980) foi um diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta e compositor brasileiro.
  4. 4. Soneto do amigo Enfim, depois de tanto erro passado Tantas retaliações, tanto perigo Eis que ressurge noutro o velho amigo Nunca perdido, sempre reencontrado. É bom sentá-lo novamente ao lado Com olhos que contêm o olhar antigo Sempre comigo um pouco atribulado E como sempre singular comigo. Um bicho igual a mim, simples e humano Sabendo se mover e comover E a disfarçar com o meu próprio engano. O amigo: um ser que a vida não explica Que só se vai ao ver outro nascer E o espelho de minha alma multiplica... Vinicius de Moraes Soneto de separação De repente do riso fez-se o pranto Silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o espanto. De repente da calma fez-se o vento Que dos olhos desfez a última chama E da paixão fez-se o pressentimento E do momento imóvel fez-se o drama. De repente, não mais que de repente Fez-se de triste o que se fez amante E de sozinho o que se fez contente. Fez-se do amigo próximo o distante Fez-se da vida uma aventura errante De repente, não mais que de repente. Vinicius de Moraes
  5. 5. Cecília Meireles Cecília Benevides de Carvalho Meireles foi uma poetisa, pintora, professora e jornalista brasileira. É considerada uma das vozes líricas mais importantes das literaturas de língua portuguesa.
  6. 6.  Motivo Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta. Irmão das coisas fugidias, não sinto gozo nem tormento. Atravesso noites e dias no vento. Se desmorono ou se edifico, se permaneço ou me desfaço, — não sei, não sei. Não sei se fico ou passo. Sei que canto. E a canção é tudo. Tem sangue eterno a asa ritmada. E um dia sei que estarei mudo: — mais nada.  Cecília Meireles Retrato Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo. Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas; eu não tinha este coração que nem se mostra. Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil: - Em que espelho ficou perdida a minha face? Cecília Meireles
  7. 7. MANUEL BANDEIRA
  8. 8. Vou-me embora pra Pasárgada Vou-me embora pra Pasárgada Lá sou amigo do rei Lá tenho a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada Vou-me embora pra Pasárgada Aqui eu não sou feliz Lá a existência é uma aventura De tal modo inconseqüente Que Joana a Louca de Espanha Rainha e falsa demente Vem a ser contraparente Da nora que eu nunca tive E como farei ginástica Andarei de bicicleta Montarei em burro brabo Subirei no pau-de-sebo Tomarei banhos de mar! E quando estiver cansado Deito na beira do rio Mando chamar a mãe-d'água Pra me contar as histórias Que no tempo de eu menino Rosa vinha me contar Vou-me embora pra Pasárgada Em Pasárgada tem tudo É outra civilização Tem um processo seguro De impedir a concepção Tem telefone automático Tem alcalóide à vontade Tem prostitutas bonitas Para a gente namorar E quando eu estiver mais triste Mas triste de não ter jeito Quando de noite me der Vontade de me matar — Lá sou amigo do rei — Terei a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada Manuel Bandeira
  9. 9. Mario Quintana Mário de Miranda Quintana (Alegrete,  30 de julho de 1906 — Porto Alegre, 5  de maio de 1994) foi um   poeta, tradutor e jornalista brasileiro.
  10. 10. CANÇAO PARA UMA VALSA  LENTA Minha vida não foi um romance…  Nunca tive até hoje um segredo. Se  me amar, não digas, que morro De  surpresa… de encanto… de medo…  Minha vida não foi um romance  Minha vida passou por passar Se  não amas, não finjas, que vivo  Esperando um amor para amar.  Minha vida não foi um romance…  Pobre vida… passou sem enredo…  Glória a ti que me enches de vida De  surpresa, de encanto, de medo!  Minha vida não foi um romance… Ai  de mim… Já se ia acabar!                               Mario Quintana TENTA ESQUECER-ME Tenta esquecer-me… Ser lembrado  é como evocar Um fantasma…  Deixa-me ser o que sou, O que  sempre fui, um rio que vai fluindo…  Em vão, em minhas margens  cantarão as horas, Me recamarei de  estrelas como um manto real, Me  bordarei de nuvens e de asas, Às  vezes virão a mim as crianças  banhar-se… Um espelho não  guarda as coisas refletidas! E o meu  destino é seguir… é seguir para o  mar, As imagens perdendo no  caminho… Deixa-me fluir, passar,  cantar… Toda a tristeza dos rios É  não poder parar!                      Mario Quintana

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